Educação Política

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‘PÃO E VINHO’, DO POETA ALEMÃO FRIEDRICH HÖLDERLIN, PROCLAMA QUE OS DEUSES ESTÃO VIVOS E QUE A FUNÇÃO DO POETA NOS TEMPOS DE CARÊNCIA É ATUAR EM FAVOR DO MITO POR VIR

Baco e Ariadne

Baco e Ariadne

PÃO E VINHO
Friedrich Hölderlin

Mas amigo! Viemos demasiado tarde.
Na verdade vivem os deuses
mas sobre nossa cabeça, acima em outro mundo
trabalham eternamente e parecem preocupar-se pouco
se vivemos. Tanto se cuidam os celestes de não ferir-nos.
Pois nunca poderia contê-los um débil navio,
somente às vezes suporta o homem a plenitude divina.
A vida é um sonho dos deuses.
Mas o erro nos ajuda como um adormecimento.
E nos fazem fortes a necessidade e a noite.
Até os herois crescidos em uma cunha de bronze,
como em outro tempo seus corações são parecidos em força
aos celestes.
Eles vivem entre trovões.
Me parece às vezes melhor dormir, que estar sem companheiro.
A esperar assim, o que fazer ou dizer eu não sei.
E para que poetas em tempos de carência?
Mas, são, dizes tu, como os sacerdotes sagrados do Deus do
vinho,
que erravam de terra em terra, na noite sagrada.

(Tradução do espanhol: Maura Voltarelli)

Este poema pode ser encontrado em espanhol no ensaio “Hölderlin e la esencia de la poesia”, de Martin Heidegger, traduzido do alemão por Samuel Ramos e presente no livro Arte y poesia, 2ª ed. México: FCE, 1973

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LUC FERRY: A FILOSOFIA NO PASSADO, PRESENTE E FUTURO E SUA RELAÇÃO COM O ESTOICISMO

“Vivemos continuamente na dimensão do projeto, correndo atrás de objetivos postos num futuro mais ou menos distante e pensamos, ilusão suprema, que nossa felicidade depende da realização completa de fins medíocres ou grandiosos, pouco importa, que estabelecemos para nós mesmos. Comprar o último MP3, uma poderosa câmera fotográfica; ter um quarto mais bonito, uma moto mais moderna; seduzir, realizar um projeto, montar uma empresa de qualquer tipo que seja: cedemos sempre à miragem de uma felicidade adiada, de um paraíso ainda a ser construído, aqui ou no além.

Esquecemos que não há outra realidade além da que é vivida aqui e agora, e que essa estranha fuga para adiante nos faz com certeza falhar. Assim que o objetivo é alcançado, temos quase sempre a experiência dolorosa da indiferença, ou mesmo da decepção. Como crianças que se desinteressam do brinquedo no dia seguinte ao Natal, a posse de bens tão ardentemente desejados não nos torna nem melhores nem mais felizes do que antes. As dificuldades de viver e o trágico da condição humana não são modificados e, segundo a famosa expressão de Sêneca, “enquanto se espera viver, a vida passa”. (Luc Ferry, filósofo francês)

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