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mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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O horror: Band pergunta se Haddad não aprendeu a lição e diz que sem tetos são privilegiados

Na voz e tom editorializado de Fabio Panuzzio, a Rede de TV Band, uma concessão pública, afirmou nesta segunda-feira (16), durante o Jornal da Band, que o Plano Diretor de São Paulo, que pode ser legitimamente aprovado pela Câmara de Vereadores (diga-se de passagem um poder público eleito pelo povo) vai privilegiar o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto). Sim, é isso mesmo! Eles dizem que o MTST são uns privilegiados e eles (Continue lendo….)

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PARA ENTENDER FERNANDO HADDAD E O DISTANCIAMENTO DO PT DAS RUAS

Haddad: um desastre na comunicação

Texto de Rodrigo Vianna/Escrevinhador

Para entender o que se passa com a gestão de Fernando Haddad em São Paulo, peço sua atenção. E alguma paciência. Haddad, em sete atos…

1) Junho de 2012. Festa de aniversário de um bom amigo, advogado formado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP) – a mesma onde estudou o prefeito. À época da festa, Haddad era um candidato que patinava, nos 5% de intenção de voto. Lá pelas duas da manhã, um dos advogados senta no sofá perto de mim, e a conversa é sobre o petista. Quero saber como era o Haddad na época da faculdade. “O Haddad tem duas características fortes: ele não ouve ninguém, quando você fala parece que ele não está ouvindo de verdade; mas, por outro lado, ele é um sortudo sem tamanho, sempre teve muita sorte”, diz meu interlocutor, relembrando as peripécias de Haddad e outros estudantes, nas disputas pelo Centro Acadêmico no começo dos anos 80.

2) Algumas semanas depois (2012 ainda), a campanha de Haddad procura um grupo de blogueiros: o petista queria “conversar” sobre Comunicação, sobre a cidade. Haddad seguia em baixa nas pesquisas (um dos levantamentos chegara a apontá-lo com 3% de intenções de voto). A assessoria do candidato fez o favor de divulgar a conversa, reservada, como se fosse um “ato de apoio dos blogueiros à campanha petista”. Bela assessoria… Além disso, naquela noite, tive a comprovação de que Haddad não é mesmo muito treinado para ouvir – como dissera meu interlocutor na festa. Educado, escutava perguntas e observações, sem preocupação de travar um diálogo. Estava ali pra ser escutado.

3) Em setembro, reta final da campanha, o petista comprovou que também era sortudo. Ficaria de fora do segundo turno, se não fosse uma declaração desastrada de Russomano sobre Transporte. Haddad aproveitou o delize do adversário para ir ao segundo turno contra Serra. Virou prefeito – graças também a mobilizações que reuniram milhares de pessoas em atos na praça Roosevelt (centro de São Paulo), convocados pelas redes sociais.

4) Na semana seguinte à eleição, alguns daqueles blogueiros (que Haddad buscara quando estava com 3%) procuraram o prefeito eleito: queríamos conversar, sugerir políticas de comunicação inovadoras para o homem que ganhara o pleito com o discurso de “homem novo”. Haddad não recebeu ninguém, mandou dizer que a política e os nomes para a área de comunicação já estavam decididos. E avisou que essa área de inovação digital, e de incentivo à diversidade informativa, ficaria sob os cuidados de uma subsecretaria na área de Cultura.

Esse é o Nunzio…

Logo entendemos o jogo. Haddad nomeou para a secretaria de Comunicação Nunzio Briguglio Filho… Quem? A função dele, basicamente, seria manter boas relações com a mídia convencional. Ou seja, o “homem novo” achava que política de comunicação para São Paulo seria dar uns telefonemas para a “Folha”, a “Globo” e a “Abril”. Ah, eu já ia esquecendo: cabe à secretaria do Nunzio, também, a distribuição das verbas públicas de publicidade. Hum…

5) Os meses passam. Haddad mostra-se um desastre de comunicação durante as manifestações de junho. Perde a chance de reduzir as tarifas diante do Conselho municipal, mostra ali certa arrogância professoral (“não sabe ouvir”). Depois, vai a reboque de Alckmin e anuncia a redução da tarifa de forma tão atrapalhada que, ao final da coletiva no Palácio dos Bandeirantes, um repórter até pergunta: “mas então voltou pra 3 reais ou não?”.

6) Os meses avançam. Haddad toma então duas medidas que me parecem corretas: muda a tabela do IPTU, com aumentos substanciais nos bairros mais ricos (ok, nem todo mundo que mora nessas regiões é “rico”, e alguns nem remediados são) e redução nas áreas mais pobres da cidade; cria dezenas de quilômetros de corredores exclusivos para ônibus.

A imprensa (rádios, jornais, TVs) parte para um jogo de desinformação. Haddad não consegue explicar que o IPTU vai subir para alguns, mas baixar para outros. Sofre um massacre. Contava com as “boas relações” com a velha imprensa. Hum…

No caso dos corredores, o mesmo: motoristas de carros, irritados, vêem o espaço para os automóveis cair nas avenidas. E as faixas de ônibus, por princípio corretas, parecem ficar vazias a maior parte do tempo. A Prefeitura não fala, não se explica. Conta com a “Folha” e a “Globo”. Hum…

7) Agora, vem o escândalo dos auditores. Está claro que Haddad foi no caminho correto. Enfrentou a máfia, que parece ter-se instalado em gestões anteriores. Na sexta passada (8/11), a “Folha” saiu-se com manchete histórica: “Prefeito sabia, diz auditor investigado…” Quem passava pelas bancas e lia só a manchete logo entendia que Haddad sabia de tudo, participava do esquema. Só que, na gravação, estava claro que o auditor investigado e grampeado se referia ao prefeito anterior – Kassab.

Nas redes sociais e nos blogs deu-se gritaria contra a “Folha”, o jornal de colunistas (e manchetes) rotweiller. O que fez Haddad? Finalmente gritou também contra a manipulação midiática. Ah, percebeu ali que poderia se reaproximar das redes, dos ativistas digitais… Uma virada na comunicação, certo?

Nada disso. A virada não durou 48 horas. Domingo (10/11), Haddad já estava na “Folha” a bater em Kassab… Erro duplo: chamou Kassab diretamente para a briga e, de quebra, legitimou a “Folha” como foro onde se dá o debate político em São Paulo.

Quem conhece a imprensa, sabe o que deve ter acontecido depois da manchete absurda de sexta. O tal Nunzio passa a mão no telefone e liga pra redação da Folha: “poxa, assim vocês me arrebentam, que manchete foi aquela”. Do outro lado, o editor matreiro: “que é isso, estamos à disposição pro prefeito falar; abrimos espaço pra uma exclusiva, ele explica tudo”.

E lá se foi o Haddad. Mordeu a isca da “Folha”, o que significa morder a isca do Serra.

Agora, Haddad demitiu o secretário de governo, Antônio Donato. Pautado pela Globo! Um investigado, membro da máfia, disse que pagou propina a Donato quando ele era vereador (ou seja, ainda na gestão Kassab). Só que Donato está (ou estava) no centro do governo petista.

A mídia paulista transformou um escândalo investigado por Haddad num escândalo que ameaça se voltar contra o governo petista. Onde está Mauro Ricardo, o secretário da gestão Serra? Sumiu das manchetes. Mas o petista Donato foi para o olho do furacão.

Ok, o petista Donato tem que se explicar. Ok, o escândalo dos auditores é um escândalo do Serra e do Kassab. Mas outro escândalo é Haddad – o “homem novo” – achar que pode governar São Paulo sem mexer na comunicação. Os sinais que surgem da Prefeitura são péssimos. Há quem diga que as denúncias contra Donato teriam chegado às redações pelas mãos de gente ligada à Comunicação da Prefeitura. Fogo amigo?

Lula está preocupado. Fez chegar a Haddad a seguinte avaliação: “mexa na sua comunicação, troque. Você está perdendo o jogo.”

Mais que isso: monitoramento nas redes sociais aponta que o governo Haddad tem, a essa altura, 73% de avaliação negativa, 17% de positiva e só 10% de avaliação neutra. Desastre.

Haddad agora vai ter que mostrar se é um “sortudo”, como dizia o ex-colega da faculdade de Direito. E ter sorte, a essa altura, significa enfrentar aquela outra característica forte: não ouvir ninguém.

O prefeito é um homem inteligente, e parece bem intencionado. Mas resolveu jogar no campo dos adversários: seguiu a tradição petista de não confrontar com a mídia. E ainda enveredou pelo discurso moralista dos escândalos. Esqueceu que escândalo e moralismo seletivo são a especialidade do outro lado.

Na mão de Nunzios e outros gênios, Haddad seguirá dando verbas e entrevistas exclusivas para a velha mídia. Sem perceber que o objetivo é transformá-lo num Pitta. Dá tempo de mudar. Tomara que Haddad seja mesmo um homem de sorte, porque do outro lado está a turma que conhecemos tão bem…

 

ERUNDINA NÃO ACEITA ALIANÇA COM PARTIDO DE PAULO MALUF E DESISTE DE SER CANDIDATA À VICE-PREFEITA NA CHAPA DE HADDAD

Erundina desiste de ser vice de Haddad

A campanha de Fernando Haddad (PT) à prefeitura de São Paulo tem sido palco de alguns conflitos políticos. Os mais recentes se referem à entrada de Paulo Maluf (PP) como aliado da candidatura petista, e à então anunciada saída da deputada Luiza Erundina (PSB-SP), escolhida como vice de Haddad, por não concordar em estar na mesma chapa que Maluf.

Depois de uma série de informações sobre a saída ou permanência de Erundina na chapa, notícia publicada pela Carta Capital ontem, por volta das 18h, confirmou a saída de Erundina. Sua decisão teria sido tomada ontem após reunião, em Brasília, com integrantes da cúpula do PSB.

Como explica a notícia da Carta Capital, a entrevista que Erundina deu à Radio Brasil Atual dizendo que não deixaria a chapa de Haddad em respeito a uma decisão partidária foi dada na tarde da segunda-feira, antes, portanto, de sua entrevista ao jornal O Globo onde ela disse que não queria mais ser candidata ao lado de Haddad.  Prevaleceu, portanto, sua última declaração.

A insatisfação de Erundina com a aliança teria se agravado recentemente depois da presença de Lula na casa de Maluf e da fotografia em que o ex-presidente aparece ao lado de Haddad e de Paulo Maluf, foto que aliás foi exigência do cacique do PP e, talvez como Maluf pretendia, vem sendo amplamente explorada nas redes sociais.

Neste caso, Lula parece agir como o modelo de líder político classicamente descrito por Maquiavel. Os fins justificam os meios e a aliança com Maluf não parece ter a dimensão que buscam lhe conferir. É uma estratégia política que aumenta o horário eleitoral na TV e ganha votos de um eleitorado mais conservador. O choque entre Erundina e Maluf se deu, como já era de se esperar pelo histórico da deputada, agora fica uma outra pergunta já esboçada em notícia anterior da Carta Capital: quantos Malufs valem uma Erundina?

Veja trecho das duas últimas notícias sobre o assunto publicadas pela Carta Capital:

Quantos Malufs valem uma Erundina?
Por Redação Carta Capital

Depois de meses estagnada, a campanha de Fernando Haddad (PT) à prefeitura de São Paulo havia recebido uma boa notícia neste domingo 17 à noite: o candidato subia pela primeira vez nas pesquisas. As notícias, no entanto, pioraram durante esta segunda-feira 18. O deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) declarou o apoio de seu partido à candidatura de Haddad pela manhã. Passadas poucas horas, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) ameaça abandonar o barco petista.

Escolhida como candidata a vice-prefeita na chapa de Haddad, Erundina afirmou que não aceita a aliança com Maluf em entrevista ao site do jornal O Globo. Na entrevista, Erundina disse que a situação é muito constrangedora. “Vou conversar com o meu partido. Meu partido tem outros nomes, não tem problema nenhum. Mas eu não aceito”. Erundina é um antigo desafeto de Maluf, com quem ela competiu pela prefeitura na eleição em que saiu vitoriosa, em 1988.

O PT e o PSB foram pegos de surpresa pela atitude de Erundina. As direções dos dois partidos dizem ter tomado conhecimento da posição dela pela imprensa e que só vão se pronunciar após se reunirem com a deputada. (Texto completo)

Erundina desiste de ser candidata a vice de Haddad em São Paulo
Por Piero Locatelli

A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), anunciada na semana passada como candidata a vice-prefeita de São Paulo na chapa de Fernando Haddad (PT), desistiu de participar da disputa segundo apurou CartaCapital. A decisão foi tomada nesta terça-feira 19 após reunião, em Brasília, entre Erundina e integrantes da cúpula do PSB. Também ficou certo que o PSB não vai mais indicar o candidato a vice na chapa de Haddad.

É possível que este cargo fique com o PCdoB, mas, de acordo com o presidente nacional da legenda, Renato Rabelo, nenhum convite oficial foi feito. “O PCdoB ainda não decidiu se vai fechar aliança com o PT nas eleições municipais, portanto não faz sentido falar em indicação de vice”. O PCdoB ainda mantém a pré-candidatura de Netinho de Paula, embora o partido continue a negociar tanto com o PT quanto com o PMDB de Gabriel Chalita.

A decisão foi tomada por Erundina depois que o PP, de seu antigo rival Paulo Maluf, confirmou apoio à candidatura de Haddad. A aliança foi anunciada com pompa na casa de Maluf, em cerimônia que contou com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A posição de Erundina causou polêmica na segunda-feira 18. Em entrevista publicada pelo site do jornal O Globo no início da noite de segunda, Erundina deu a entender que estava fora da campanha de Haddad pois não aceitava a aliança com Maluf. Na entrevista, a deputada disse que a situação era muito constrangedora. “Vou conversar com o meu partido. Meu partido tem outros nomes, não tem problema nenhum. Mas eu não aceito”.

Na manhã desta terça-feira, a rádio Brasil Atual publicou entrevista com Erundina na qual ela dizia uma outra coisa. Erundina lamentava a aliança com Maluf, mas dizia que a candidatura estava confirmada. “Não sou de recuar. Vou manter a decisão, porque é uma decisão partidária. Vou me empenhar e fazer o melhor que puder para dar minha contribuição, mas vou procurar demarcar campos. De um lado está o seu Maluf; de outro lado estaremos nós e os setores da sociedade que não concordam, ao meu ver, com essa aliança”, disse Erundina. (Texto completo)

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