Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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HISTÓRIA DA MÚSICA ILUSTRADA

E-MAIL DO ADVOGADO VALTER UZZO, CONTRA OFENSAS QUE CONSERVADORES FAZEM A LULA E DILMA, É UMA PEÇA DE SENSATEZ

Foto: Brasil 247Do site 247

Um dos mais importantes especialistas do País na área trabalhista, o advogado Valter Uzzo criou um fato político ao enviar para amigos e-mail remetido para um de seus conterrâneos da cidade de Pompéia, no interior de São Paulo, chamado apenas por Lara, listando uma série de argumentos contrários à proliferação de spams jocosos sobre o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Roussseff.

Ex-presidente do Sindicato dos Advogados de São Paulo, Uzzo, no texto, descreve o cenário histórico da presença e influência das forças conservadoras na política brasileira.

O e-mail de Uzzo está sendo velozmente disseminado pela internet, ganhando status de peça política contra a discriminação ideológica às forças de esquerda.

Abaixo, o conteúdo completo:

Caros

Um amigo meu de infância passou a me mandar um volume enorme de e-mails com piadas, comentarios e afirmações  sempre depreciativas em relação ao Lula, Dilma, PT, etc. A situação foi em um crescendo tal, que atingiu as ráias da provocação e do insulto, até que, outro dia, resolvi responder. E mandei este pequeno texto, que é, em verdade, o que penso de pessoas como ele que, a  pretexto de criticar, escondem hipocritamente suas indéias e concepções.

Abcs.

Valter Uzzo

Sent: Tuesday, February 05, 2013 3:42 PM

Caro Lara:

Tenho, quase que diariamente, recebido os seus e-mails, que trazem piadas, “fotos interessantes”, e  propaganda daquilo que, politicamente, você acredita. Quero crer que estou me dirigido à pessoa certa, ou seja, ao Lara que conheci em Pompéia, na infância e adolescência. Se assim é, tenho algumas gratas recordações, de nossa convivência que, ao tempo, pela idade e sem as agruras que viríamos a experimentar durante a vida, era muito boa. Recordo-me mesmo que uma das suas habilidades, invejada por todos nós da mesma classe ginasial, era a incrível capacidade que tinha de “colar”,  já que você se abastecia  de um grande estoque das “sanfoninhas” (era o tipo de “cola” da época), que escondia perfeitamente em sua  mão direita e que lhe permitia  -grande perfeição !- colar sem interromper a escrita e, -perfeição maior !-, até mesmo diante do olhar atento do professor. Ao que me recordo, nunca, nenhum dos professores, na fiscalização que faziam, conseguiu algum êxito  diante de você. Nesse partícular, você era imbatível.

Mas, deixando-se de lado tais reminiscências, eu estou me dirigindo à você para tratar de assunto que, diante de sua volumosa correspondência eletrônica, parece lhe interessar: trata-se de questões que envolvem a visão que temos da forma como vem sendo dirigido este país,  melhor dizendo, a questão política. Para se ter uma conversa franca, devo dizer que temos uma visão de mundo muito diferente. Acho mesmo, oposta. Em minha profissão (sou advogado) acabei aprendendo a conviver na divergência, já que, diariamente, senta do lado de  lá da mesa de audiência, ou dos autos do processo, um colega de mesmo grau de escolaridade que defende justamente o contrário. Adversário. Mas, terminada a audiência, retomamos o relacionamento, ou seja, é um aprendizado constante e permanente, a nos ensinar que devemos respeitar os que pensam de forma diversa. Transposta tal relação para a política, também aprendi a respeitar aqueles que tem uma visão de mundo diferente da minha,  embora com eles não concorde. Entre tais “adversários” de pensamento existem dois tipos: os que assim agem por convicção, e os que agem por interesse. Creio que você se  enquadra entre os primeiros, ou seja, você tem ideias, a meu ver,  que eu classifico como “conservadoras”, mas que são catalogadas no jargão político comum  como  “reacionárias”, ou por alguns “direitistas”, ou, se formos levar ao extremo a sociologia política, “fascistas”. Para  mim, no entanto, você é um  “conservador”, por convicção. E é aí que eu quero conversar com você.

Existe  no Brasil uma forte corrente de pensamento conservador. Sempre existiu, aliás, durante o império e durante a república,  todos os presidentes e Governos , até 2003, sempre tiveram um perfil conservador, uns mais outros menos. Todos. Getúlio Vargas (1º Governo, ditadura) liderou uma “revolução” -que não era revolução no sentido sociológico do termo- contra práticas condenáveis da República Velha, só isso.    Pertencia a elite agrária, era fazendeiro e fez um Governo ambíguo, criando uma  legislação trabalhista (que estava sendo criada, ao tempo, por quase todos os países de mesmo grau de desenvolvimento que o Brasil),  e criou dois partidos políticos  – o PTB, para lhe servir – e o PSD, conservadoríssimo, para ajudá-lo a governar. No mais, encarcerou a oposição e restringiu as liberdades públicas.. Em 45 foi substituído pelo Dutra (outro conservador), que dissipou todas as reservas cambiais  que havíamos acumulado com a substituição das importações, durante a guerra. Getúlio volta em 1950  e aí, após um início de governo meio indefinido, começa a aproximar-se de  ideias progressistas, mas não conseguiu implementá-las, já que, ameaçado de deposição, suicidou-se. Juscelino foi um inovador em realizações, mas seu governo, embora aparentemente liberal nos costumes, sempre  foi um produto das classes dominantes e um fiel seguidor da política americana. Jânio se foi muito rápido , e Jango também nada tinha de progressista: era filho de uma família  de riquíssimos fazendeiros, era despreparado para a função e sua queda  dá bem a medida de seus compromissos de classe: preferiu viver rico no exílio, do que participar ou liderar uma revolução popular com a qual não se identificava. Seguiram-se  os governos militares, Sarney,  Collor, Itamar e  Fernando  Henrique. Se examinarmos todas as medidas tomadas por tais governos (algumas muito boas, até) veremos que  nenhuma delas teve a preocupação ou conseguiu alterar o sistema de distribuição de renda no país, -um dos mais injustos do mundo. A dívida externa sempre em patamares impagáveis, o salário mínimo medeando entre U$ 80  a U$ 120 dólares,  lenta queda da mortalidade infantil, poucos avanços na afalbetização, grande transferência de rendas para o exterior, sistema de saúde pública catastrófico, destruição da escola  pública,  gigantesca falta de moradias e favelização, polícia corrupta, Justiça que não funciona,  previdência privada mais cara do mundo, seguros mais caros do mundo, alta tributação e assim foi. Só discursos, só demagogia,  e muita roubalheira.

Aí vieram a eleição em 2003, reeleição do Lula e eleição da Dilma. Muitos erros, houve e há corrupção, muitas coisas não deram certo, os quadros do PT, em grande parte,  eram despreparados para administração, enfim, as coisas não saíram como o PT pregava.  No entanto, o salário mínimo triplicou (em dólares), a renda familiar cresceu, a dívida externa foi paga, o consumo aumentou muito, o emprego cresceu ( e o desemprego despencou)  e o Brasil conseguiu crescer,   ao meio de uma grande crise internacional .Caro Lara, esses são fatos . Fato é fato, não é discurso, nem proselitismo político, nem palavrório. FATOS. O País está em regime de pleno emprego ( é a 1ª. vez em nossa história que isso acontece), e no ano de 2011, em um universo de 200 países,  fomos o 4º. País do mundo em receber investimentos externos, só atrás dos Estados Unidos, China e Hong Kong (notícia do Times, reproduzida no Estadão e Folha na semana passada, com pouco destaque). A arenga  de que o Governo, em 2003, pegou uma condição internacional favorável é coversa para boi dormir:  muitos outros países não progrediram, muitos  entraram em crise, o sistema financeiro internacional  em 2008 quase ruiu, enfim, o Brasil navegou muito bem por sua conta e seus méritos. Pensar de  modo diverso é revolver a mentalidade colonialista.

Mas, estou eu a pretender que você se torne um apoiador do Lula e da Dilma ? É claro que não, até porque na nossa idade ninguém muda mais. É que eu acho que essa sua “cruzada” contra,  poderia ser muito mais consequente e séria. Já que na clássica definição “partido político é a opinião pública organizada”, porque vocês, conservadores, não fundam um partido que expresse tal  ideologia ? A grande farsa que existe é que os conservadores, ou os direitistas, ou os neoliberais, não assumem o próprio rosto. O PSDB (neoliberal) não se diz neoliberal, diz que vai mudar, que é de centro esquerda, que é progressista, e outras baboseiras mais.    Porque não se diz  neoliberal, e faz um programa neoliberal ?. E vocês, conservadores, porque não se assumem, e fazem um programa com o conteúdo daquiIo que vocês acreditam; contra as cotas, contra o aborto, contra o casamento gay, pela redução dos direitos trabalhistas, dos impostos, por uma política externa mais invasiva, etc, etc, , tal qual o Partido Republicano (Conservador) dos Estados Unidos ? Se você fizer as contas, aqui como lá,  o eleitorado se divide, o que, aliás, ocorre em todos países civilizados  (França Inglaterra, Austrália, Itália, Espanha, Alemanha, Austria, etc, etc, etc). Ou seja, no mundo todo, o eleitorado se divide em conservadores e progressistas. Mas, aqui não, em razão da hipocrisia política da direita, a luta não é limpa.  Estimule a criação de um  verdadeiro partido conservador, que defenda  as teses conservadoras e o modo de governar  conservador e aí, sim, teríamos um debate limpo, direto, sem enganações, sem subterfúgios. A meu ver, essa situação da direita esconder suas verdadeiras propostas,    de vestir um manto progressista quando não o é,  é a pior  forma de trapacear uma nação, posto que esconde seus verdadeiros desígnios.  Em suma,já é tempo de  sair do armário e vir corajosamente para o  debate de ideias.

O outro ponto que gostaria de conversar com você  é sobre a forma negativa e pejorativa de sua “crítica” política. As piadas, imagens, dizeres, etc, que se referem aos que não pensam como você, revelam um rancor que tem de tudo: preconceito, desinformação, insultos, etc. Se você acha que este tipo de crítica desperta alguma simpatia para as suas ideias, ou fazem mal a figura dos  criticados, então está na hora de você fazer algumas reflexões sobre o que muda as pessoas. Uma pessoa decente muda de opinião quando você demonstra que ela está errada. Só não mudará se tiver “interesses” em se manter  no erro, ou, então,  se por  alguma razão (preconceito, ignorância, intolerância, irracionalidade, etc) não entender o seu erro e o significado da mudança.  Fora disso, a  “propaganda” pejorativa  contrária é um tiro na culatra. E isso é tanto no aspecto individual como coletivo. O Lula cresceu eleitoramente depois que mudou sua imagem para o “Lula, paz e amor”. Antes, o eleitorado  preferia  o FHC, com sua voz e modos blandiciosos. Serra com sua linguagem belicosa só perdeu votos. Obama derrotou duas vezes os seus adversários com um discurso suave,  sofrendo agressões de todo os  lados. O Berluscomi e Sarkosi, na  Itália e França,  perderam as eleições, em razão de suas práticas autoritárias e arrogantes.     Enfim, na medida que a sociedade evolui, essa linguagem truculenta, ofensiva,  enganosa, que intui uma falsa moralidade e prega medidas radicais  extremadas (para os outros, nunca para si) vai caindo em desuso, não engana mais ninguém. Pode ter servido em outra época, chegou a levar os hitlers  e mussolinis ao poder, mas, hoje em dia, ninguém mais cai neste canto de sereia. As pessoas querem é ser convencidas, sem imposições.

Bem, fico por aqui. Se você quiser prosseguir mandando-me os e-mails, gostaria que não mais me enviasse os relativos à política, a não ser quando nesta terra tiver um partido conservador, ou direitista, ou de natureza fascista ( o Plínio Salgado pelo menos teve coragem e  honestidade criando os “camisas verdes”), para que se possa ter um debate decente e honesto. Daí sim, quem sabe, talvez até eu me convença de que existe alguma verdade nessas ideias trapaceadas e escondidas sob o manto de uma falsa moralidade. Ideias tão escondidas, tal   como você fazia com as colas  e era invejado por toda  classe.

Abraços  e saudades.

Valter Uzzo

PS:   Se você não é a pessoa que eu penso, peço desculpas.

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SANTO GUTENBERG! ESTADÃO QUER A VOLTA DA MONARQUIA E FAZ MANCHETES TÉTRICAS SOBRE A MORTE IMPERIAL

A importância dada pelo jornal Estadão a uma pesquisa sobre a família imperial brasileira mostra mais do que um simples interesse jornalístico. O jornal expressa capa e caderno especial sobre exumação da família imperial e tenta assim reconstruir o mito monarca. Ainda que uma pesquisa tenha importância científica, a cobertura expressa claramente o pano de fundo de uma ideologia.

Nossa imprensa ainda não chegou na República. Mas vamos ter fé no Santo Gutemberg; ela vai chegar lá.  Veja abaixo reprodução de parte da capa e manchetes on-line de hoje.

Dona Amélia mumificada: pele e órgãos internos estão preservados

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OS HISTORIADORES DO BRASIL CONHECEM A REVISTA VEJA: “EMPOBRECIDA, MEDÍOCRE, PEQUENA E MAL INTENCIONADA”

Nota da Associação dos dos Historiadores do Brasil sobre notícia da morte de Eric Hobsbawm

Resposta à revista VEJA

Eric Hobsbawn

Eric Hobsbawm: um dos maiores intelectuais do século XX
Na última segunda-feira, dia 1 de outubro, faleceu o historiador inglês Eric Hobsbawm. Intelectual marxista, foi responsável por vasta obra a respeito da formação do capitalismo, do nascimento da classe operária, das culturas do mundo contemporâneo, bem como das perspectivas para o pensamento de esquerda no século XXI. Hobsbawm, com uma obra dotada de rigor, criatividade e profundo conhecimento empírico dos temas que tratava, formou gerações de intelectuais. Ao lado de E. P. Thompson e Christopher Hill liderou a geração de historiadores marxistas ingleses que superaram o doutrinarismo e a ortodoxia dominantes quando do apogeu do stalinismo. Deu voz aos homens e mulheres que sequer sabiam escrever. Que sequer imaginavam que, em suas greves, motins ou mesmo festas que organizavam, estavam a fazer História. Entendeu assim, o cotidiano e as estratégias de vida daqueles milhares que viveram as agruras do desenvolvimento capitalista. Mas Hobsbawm não foi apenas um “acadêmico”, no sentido de reduzir sua ação aos limites da sala de aula ou da pesquisa documental. Fiel à tradição do “intelectual” como divulgador de opiniões, desde Émile Zola, Hobsbawm defendeu teses, assinou manifestos e escolheu um lado. Empenhou-se desta forma por um mundo que considerava mais justo, mais democrático e mais humano. Claro está que, autor de obra tão diversa, nem sempre se concordará com suas afirmações, suas teses ou perspectivas de futuro. Esse é o desiderato de todo homem formulador de ideias. Como disse Hegel, a importância de um homem deve ser medida pela importância por ele adquirida no tempo em que viveu. E não há duvidas que, eivado de contradições, Hobsbawm é um dos homens mais importantes do século XX.

Eis que, no entanto, a Revista Veja reduz o historiador à condição de “idiota moral” (cf. o texto “A imperdoável cegueira ideológica da Hobsbawm”, publicado em www.veja.abril.com.br). Trata-se de um julgamento barato e despropositado a respeito de um dos maiores intelectuais do século XX. Veja desconsidera a contradição que é inerente aos homens. E se esquece do compromisso de Hobsbawm com a democracia, inclusive quando da queda dos regimes soviéticos, de sua preocupação com a paz e com o pluralismo. A Associação Nacional de História (ANPUH-Brasil) repudia veementemente o tratamento desrespeitoso, irresponsável e, sim, ideológico, deste cada vez mais desacreditado veículo de informação. O tratamento desrespeitoso é dado logo no início do texto “historiador esquerdista”, dito de forma pejorativa e completamente destituído de conteúdo. E é assim em toda a “análise” acerca do falecido historiador. Nós, historiadores, sabemos que os homens são lembrados com suas contradições, seus erros e seus acertos. Seguramente Hobsbawm será, inclusive, criticado por muitos de nós. E defendido por outros tantos. E ainda existirão aqueles que o verão como exemplo de um tempo dotado de ambiguidades, de certezas e dúvidas que se entrelaçam. Como historiador e como cidadão do mundo. Talvez Veja, tão empobrecida em sua análise, imagine o mundo separado em coerências absolutas: o bem e o mal. E se assim for, poderá ser ela, Veja, lembrada como de fato é: medíocre, pequena e mal intencionada.

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PARTIDO DA VOVOZINHA FEMINISTA – TODA NETINHA DEVERIA SABER

MOMENTO DE LIVRE EXPRESSÃO E DESABAFO, O ESCRACHO GANHA AS RUAS PARA IMPEDIR QUE OS ANOS DE CHUMBO SEJAM ESQUECIDOS E GARANTIR JUSTIÇA

Sem violência, pela Verdade

Enquanto as discussões sobre a instalação da Comissão da Verdade acontecem em âmbito oficial, um movimento de caráter extra-oficial, que utiliza a internet como meio de organização, se faz cada vez mais presente nas ruas por meio de frases pintadas no asfalto, cartazes, faixas e pichações.

São centenas de jovens e representantes de familiares de desaparecidos da ditadura que se espalharam em manifestações políticas em cidades como São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Belém e Fortaleza. Pessoas que não viveram os anos de Ditadura Militar no Brasil, mas que estão ligadas a eles por meio de sua história particular ou mesmo ideologia e se opõem ao estado autoritário que se instalou em 1964.

O escracho, que já se mostrou legítimo em países como Argentina, Chile e Uruguai, também atravessados por ditaduras, encontra sua força na espontaneidade, na liberdade, neste tom próprio do escracho que é o de “fazer de qualquer jeito”, “algo meio relaxado, sem pudor”. Porque eles não têm vergonha nenhuma de dizer quem foram os torturadores, os “homens sinistros” que precisam ser punidos e apontados nas ruas, nas suas casas e, em contrapartida, lembrar quem foram as vítimas desses mesmos torturadores.

Eles gritam e pintam frases, empunham cartazes, de forma natural, para não deixar que a memória se perca, ou melhor, para garantir o direito à Memória e à Justiça. Não só porque a história brasileira mereça ser realmente contada, como também porque todas as vidas que se perderam lutando pela liberdade durante os anos de chumbo também merecem ser agora honradas e reconhecidas pela via da mesma liberdade que um dia lhes foi tão cara!

O poder do escracho
Apontar os torturadores é legítimo. E eficaz, como comprovam Argentina, Chile e Uruguai
Por FRANCISCO FOOT HARDMAN

Escracho ou esculacho? Você decide. Porque, de repente, eles estavam por toda parte. Cartazes, pichações, faixas, imagens desenhadas ou pintadas no asfalto da rua. Pois é das ruas que se trata, de uma nova significação do espaço público normalizado pela “boa vizinhança” e pela operação sistemática de produzir o esquecimento para apagar, das memórias individuais e coletivas, os últimos traços de medo que teimavam em sombrear a alma vazia desses homens sinistros. Pouco importa, nesse caso, a privacidade do “lar, doce lar”, a solenidade do local de trabalho. É preciso botar a boca no trombone e assinalar essa geografia do “antilugar”, do “não lugar”, desvelar esse inconsciente de uma história que teima em reaparecer quando muitos a imaginavam sepulta.

Os espectros dos desaparecidos são o GPS real que guia essas alegres levas do Levante. Boa parte das centenas de jovens e representantes de familiares de desaparecidos da ditadura que se espalharam em manifestações políticas contra o esquecimento e a impunidade de torturadores e outros responsáveis pelas ações do aparato de terrorismo do Estado durante a ditadura militar em cidades como São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Belém, Fortaleza, não viveu aqueles anos. Isso é tanto mais notável quanto virou ideia fixa repetir que o Brasil é o país da desmemória. Quantos Harry Shibatas precisarão ser ainda desmascarados? Porque é certo que esse médico-legista coqueluche da “legalização” dos extermínios praticados por agentes da Oban e do Deops não foi caso único no amplo aparato do terror instalado pelos serviços da inteligência do regime militar. Quantos mais foram cúmplices dos perpetradores, administrando a ciência médica a serviço da “otimização” das dosagens de tortura? Quantos juramentos de Hipócrates rasgados sem nenhuma punição dos conselhos regionais ou nacional de medicina?

O escracho é uma manifestação legítima e eficaz. Comprovou-se isso na Argentina, no Chile e no Uruguai. Não deve pretender a violência física da invasão de domicílios ou ataques diretos aos homens sinistros. Apenas desmascará-los em praça pública, in absentia. Não pode, de modo nenhum, ser um movimento a substituir ou a se sobrepor à Comissão da Verdade, que certamente em breve iniciará seus tão relevantes trabalhos. É, na verdade, um livre momento de expressão e desabafo da sociedade civil organizada. A informação precisa e atualizada, a rapidez e leveza de sua estrutura de mobilização, em que a internet joga, como em outros exemplos recentes de democracia direta, um papel decisivo, bem como a imaginação criadora de suas variadas formas, esses são seus ingredientes de sucesso.

Pode-se dizer que, defronte à decrépita sessão nostalgia do Clube Militar, no dia 29 de março, ensaiou-se igualmente um escracho. Evitar o confronto e a violência física, no entanto, deve ser sempre um objetivo no sentido de ampliar seu entendimento e simpatia pela opinião pública. Os homens sinistros sempre foram mestres na arte da provocação: não é o caso de entrar no seu jogo, nem de lhes oferecer pretextos banais. Os matadores dos porões da ditadura não merecem nenhum pedestal da fama, mesmo que perversa. Mereceriam, sim, a imputação nos crimes contra a humanidade em que estão diretamente envolvidos, conforme o entendimento assentado pelo direito humano internacional e pelos tratados e acordos da ONU e da OEA dos quais o Brasil é signatário. Mas tal questão é objeto de outras instâncias, e a Comissão da Verdade é passo significativo no sentido de sua desejável revisão. Jamais o escracho deve se impor tarefas que lhe são de todo impróprias ou inalcançáveis. Sua força maior reside, justamente, em sua completa extraoficialidade. É um ato político. É uma prática pedagógica. E isso por si só é muito. (Texto completo)

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ENTRE A INTUIÇÃO IMEDIATA E A PACIENTE PESQUISA CULTURAL E HISTÓRICA: OS DILEMAS DE UM DOS PRINCIPAIS DESCOBRIDORES DAS RAÍZES DO BRASIL

Raízes ainda fincadas...

O peso das heranças rurais, a impossibilidade de constituição de um autêntico capitalismo e de uma burguesia modernizadora que pudesse desamarrar os laços aristocráticos. A escravidão, a falta de uma real consciência de classe, a formação do “homem cordial” destinado a manter as relações familiares e patriarcais que vai escoando na quase completa comunhão entre o público e o privado. Um país de figurantes, sem possibilidade de organização social.

Estas estão entre as primeiras descobertas do Brasil feitas por um dos principais historiadores que se debruçaram em busca da compreensão histórica de nossa terras colonizadas tropicais: Sérgio Buarque de Hollanda. Elas estão, em sua maioria, reunidas no livro Raízes do Brasil, de tom mais intuitivo e ensaístico que, ao lado de Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, e Formação do Brasil Contemporâneo, de Caio Prado Jr., integra o trio clássico de interpretações que respondem ao anseio de explicar rapidamente o Brasil pela sua história.

Apenas depois, o historiador mergulha de forma densa na pesquisa histórica paciente e meticulosa. O trabalho de escavação e “desocultação” continuava girando em torno dos temas já anunciados e ia penetrando mais fundo, sempre acreditando que as partes fariam chegar ao todo. Por isso, os detalhes que costuram os largos panos da história brasileira estão em toda obra de SBH e, por supreendentes e incrivelmente próximos, dão a ela mais um recurso de sedução e sonoridade.

Texto de Elias Thomé Saliba, publicado pela revista Carta Capital, revela alguns dos pensamentos principais e passa sutilmente pelos diferentes momentos da trajetória de SBH, reafirmando a importância de conhecê-los ambos, como forma de conhecer o Brasil de ontem e o de hoje por trás das coroas de Portugal, por trás dos vestidos das senhoras, por trás das correntes da escravidão.

Neste sentido, escreve Thomé Saliba, “seus livros continuam sendo “clássicos”, pois, afinal, são aqueles que – como na definição de Italo Calvino – “nunca terminaram de dizer o que tinham para dizer”.

No passado, a fonte para o presente
Elias Thomé Saliba

Em bem-humorada crônica de 1929, Mário de Andrade nos conta a respeito do formidável bote de um jacaré comendo um pato, numa lagoa em Belém do Pará. O ligeiro nhoque do animal era comparado àquele conhecimento rápido e imediato do mundo: “Ver pato, saber pato, desejar pato, abocanhar pato, foi tudo uma coisa só”, exclamava o escritor, maravilhado com o poder da verdadeira intuição. No final da crônica, ele lamenta, por contraste, nossa incapacidade de juntar sensação, abstração, vontade e ação, conformando-se com a lentidão do conhecimento humano. Pitoresca, a crônica resumia o dilema da geração de intelectuais e artistas modernistas: repensar o Brasil em todas as suas peculiaridades, definindo-lhe um lugar cultural no contexto dos países civilizados. Mas o caminho para compreender o País seria pela intuição imediata (tão verdadeira quanto o nhoque do jacaré) ou pesquisando pacientemente as fontes de sua cultura e história?

Esse dilema também marcou a primeira fase da trajetória intelectual do historiador Sérgio Buarque de Hollanda, cujo início se atrelou à pesquisa histórica. Até os 25 anos, atuando como jornalista, ele -voltou-se, -sobretudo, para a crítica literária. Engajado no movimento modernista, o jovem Sérgio Buarque partilhou da mesma inquietação daquela geração de intelectuais, ansiosos por compreender o Brasil. Isto implicava, de qualquer forma, um mergulho na história brasileira, para explicar rapidamente o que era o Brasil e a brasilidade. Publicado em 1936, Raízes do Brasil, o primeiro livro de SBH, integra (ao lado de Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, e Formação do Brasil Contemporâneo, de Caio Prado Jr.) o trio clássico de interpretações que, por meio do ensaio sintético, respondem ao anseio de explicar rapidamente o Brasil pela sua história.

As “raízes” do título tiveram na época dois significados. O primeiro era uma referência às estruturas mentais mais profundas que forjaram a história brasileira. O segundo, uma indicação mais sutil, ao fato de que qualquer raiz é feita para ser arrancada. Num estilo eminentemente narrativo que sempre o caracterizou, SBH reconstitui, neste livro, o peso das heranças rurais, nos aspectos sociopolíticos e culturais. As raízes brasileiras germinam no solo profundo da decadência do império português no século XVI, no qual surgem sociedades de economia frágil e capitalismo incipiente, incapazes de gerar uma burguesia modernizadora, apta a impor sua dominação sobre a aristocracia. (Texto completo)

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FADO TROPICAL, CHICO BUARQUE E RUY GUERRA

Da Agência Educação Política

As imagens a sucederem-se marcam o caminhar da história.
A letra forte e pura,
a melodia que fere e cura
vão observando o movimento,
imaginando o futuro,
detalhando o tempo.
Marcas de um passado,
olhares de um presente,
o que se quer daqui pra frente?

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JORNALISTA MORTO DURANTE DITADURA MILITAR GANHA HOMENAGEM NO RIO DE JANEIRO

Jornalista morto na ditadura ganha memorial

Por: Vladimir Platonow, da Agência Brasi/Brasil Atual

Rio de Janeiro – O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, inaugurou na noite de segunda-feira (5), na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio, um memorial em homenagem ao jornalista Mário Alves, morto durante a ditadura militar. Vannuchi lembrou que esse foi o 21º ato do governo Lula em memória a personalidades e lideranças ligadas à esquerda ou à vanguarda política brasileira.

“É importante multiplicar eventos como esse. São atos para reforçar a ideia de que é preciso criar um consenso nacional a favor da reconciliação, que não se dá sufocando o debate, mas sim convencendo pessoas que participaram do aparelho da repressão a abrir todas as informações, dizendo onde os corpos dos desaparecidos podem ser procurados”, afirmou Vannuchi, adiantando que outros dez memoriais serão inaugurados este ano.

Filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) desde 1939, Mário Alves fundou em 1968 o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), ao lado de militantes históricos como Jacob Gorender e Apolônio de Carvalho. Secretário-geral do PCBR, ele dirigiu os jornais Novos Rumos e Voz Operária. Foi preso pelos militares em duas oportunidades, em junho de 1964, quando ficou um ano detido, e em 16 de janeiro de 1970. Desta vez, foi levado para oDestacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) e morto, um dia depois, no quartel do Exército da Rua Barão de Mesquita, na Tijuca, zona norte do Rio.

Sua morte, após sessões de tortura, foi testemunhada por outros presos políticos, mas o corpo jamais foi encontrado. Um dos companheiros de prisão foi o professor de história Emir Amed, que chegou a ser levado para a mesma cela de Mário Alves.

“É um resgate cultural, espiritual, político e ideológico de um homem que conheci pessoalmente. Eu vi na cela do DOI-Codi seu colchão ensanguentado. Ele era um intelectual, de uma cultura vastíssima. Lutou pela democracia em nossa pátria e foi massacrado até a morte”, lembrou Amed.

Lúcia Caldas, filha de Mário Alves, representou a família e disse que, apesar das evidências de que ele foi morto, ainda tem esperança de um dia encontrá-lo vivo.
“Eu não sepultei o meu pai, o que é muito difícil para os familiares de qualquer desaparecido político. No plano consciente, sei que ele foi trucidado. Mas em sonhos, me lembro de meu pai e penso se ele não estaria vivo, em algum lugar. É uma esperança que continua aqui dentro”, desabafou Lúcia. (Texto Integral)

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BRASIL COLHE OS RESULTADOS DE 20 ANOS DE DEMOCRACIA

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20 anos de democracia e os primeiros resultados (ABr)

O Brasil está colhendo os resultados de 20 anos de democracia.

A base de todo esses resultados exultantes do governo Lula está na sua capacidade política e na defesa de princípios democráticos.

Da mesma forma, a população brasileira em erros e acertos acabou construindo uma alternativa chamada PT, Lula e a frente de partidos que decidiram apoiar esse governo.

Esse valor democrático está expresso na crise de Honduras, onde temos os Estados Unidos hesitante em defesa de valores democráticos e um Brasil seguro e firme a favor da democracia.  O Brasil passou a exportar valores democráticos.

Os sucessos do Brasil são muitos tanto na área externa quanto interna. Mudança na geopolítica internacional com a organização do G-20, capacidade para organizar grandes eventos como Copa do Mundo, Olimpíadas, crédito ao FMI (Fundo Monetário Internacional), Bolsa Família, Pré-Sal, redução de 20 milhões de miseráveis, maior acesso à educação, crescimento econômico e baixa inflação.

Sinto-me orgulhoso de ter participado de momentos importantes desse país, ainda muito jovem,  na defesa das Diretas-já, na participação no grande comício do Lula em 1989 na praça Charles Miller em São Paulo, quando vários partidos o apoiaram contra Fernando Collor ou ao acompanhar no Anhangabaú o desfecho do Impeachment de Fernando Collor.

Nunca fui militante de qualquer partido, mas me orgulho de ter ajudado o país a colher alguns resultados, expostos forma tão evidente este ano. Quando fazíamos campanha para candidatos progressistas mesmo sem ser convidado e sem ganhar um tostão, acreditávamos que o país poderia ser melhor, tínhamos um sonho.

Há muito ainda que precisa ser feito, principalmente na redução da desigualdade social, investimento em pesquisa e tecnologia, melhoria da educação, da saúde e das condições de vida na periferia. Esse deve ser o foco do próximo governo.

Mas não só isso. Agora há algo que só será evitado com um golpe de estado: a democratização dos meios de comunicação.

Veja alguns tópicos importantes presentes na nova comunicação:

Poupança registra segunda maior captação do ano em setembro (Desabafo País)

Símbolo da democracia, Constituição brasileira completa 21 anos (Blog do Nassif)

O Rio deve essa a Lula (Leandor Fortes)

Enquanto a Caravana Passa… (Blog do Paulinho)

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NÃO EXISTE DEMOCRACIA, MAS PROCESSO DEMOCRÁTICO

ARTIGO CIENTÍFICO “OS ESPAÇOS DE COMUNICAÇÃO NAS CIDADES MEDIEVAIS” É PUBLICADO NA REVISTA E-COMPÓS

Um novo artigo científico, intitulado Os espaços de comunicação nas cidades medievais,  foi publicado na revista E-Compós. O artigo busca criar bases teórico-históricas para a formulação de um novo entendimento da indústria da comunicação contemporânea. Esse novo entendimento está fundado na concepção de que a mídia deve ser compreendida como um espaço de comunicação.
Nesse sentido, tenta-se entender praças medievais como espaços de comunicação importantes e que contêm semelhanças diversas, inclusive práticas, com a mídia originada na Modernidade.

Para acessa, entre na página Artigos Científicos.

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NOVO ARTIGO CIENTÍFICO: OS CAFÉS COMO ESPAÇOS DE COMUNICAÇÃO

Capa da nova edição da revista Estudos de Jornalismo e Midia

Na página Artigos Científicos já está postado o link com um novo artigo, Os cafés como espaços de comunicação, que foi publicado pela revista científica Estudos de Jornalismo e Mídia, da Universidade Federal de Santa Catarina.

A revista, publicada desde 2004, busca novos desafios a partir da criação do Mestrado em Jornalismo da UFSC, em agosto de 2007, e pretende se constituir como um lugar de convergência na tarefa da compreensão técnica, teórica, metodológica e epistemológica do campo jornalístico.

O TEATRO OFICINA, DE JOSÉ CELSO MARTINEZ CORRÊA, COMPLETA 50 ANOS DE HISTÓRIA

Aos 50, Oficina continua encenando o novo

ÁLVARO KASSAB

Oficina é manchete do Jornal da Unicamp

Oficina é manchete do Jornal da Unicamp

O Oficina, um dos grupos teatrais mais importantes do país, es­tá completando 50 anos. Para comemorar a data, o Arquivo Edgard Leuenroth (AEL) vai promover, no dia 5 de novembro, uma homenagem que reunirá o diretor, dramaturgo e a­tor José Celso Martinez Corrêa, criador e líder da companhia, e os professores Marcelo Ridenti (IFCH/Unicamp) e Armando Sérgio da Silva (ECA/USP). O encontro, que começa às 15 horas, acontecerá no Auditório I do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp. O AEL é depositário de boa parte da memória do grupo paulistano. Em 1987, a Universidade adquiriu toda a documentação reunida pelo Oficina até então. O material havia sido retirado do país depois da invasão da companhia pela Polícia Federal, durante o regime militar. Com a abertura política, seus integrantes trouxeram os documentos de volta para o Brasil.

“O conjunto documental registra a trajetória do grupo e permite conhecer suas montagens, ao mesmo tempo em que serve como testemunho de momentos im­portantes da vida político-cultural brasileira. Reúne milhares de fotos, roteiros, escritos diversos, diários de direção, textos teatrais, convites, cartazes, agendas, material de imprensa, recortes de jornais, filmes e vídeos”, atesta a socióloga e professora Elaine Marques Zanatta, uma das supervisoras do Arquivo Edgard Leuenroth desde 1991.

O Fundo Teatro Oficina, observa Elaine, é um dos mais procurados do AEL, constituindo-se em fonte de pesquisa de docentes, estudantes e pesquisadores de todo o país e do exterior. Parte do material fotográfico do Fundo poderá ser visitada em exposição virtual que o Arquivo vai colocar no ar em sua página (veja no quadro de serviço), em homenagem ao cinqüentenário da companhia. A mostra foi organizada pela própria Elaine e pelas funcionárias Maria Dutra e Marilza Aparecida da Silva. (Texto integral no Jornal da Unicamp)


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