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‘PÃO E VINHO’, DO POETA ALEMÃO FRIEDRICH HÖLDERLIN, PROCLAMA QUE OS DEUSES ESTÃO VIVOS E QUE A FUNÇÃO DO POETA NOS TEMPOS DE CARÊNCIA É ATUAR EM FAVOR DO MITO POR VIR

Baco e Ariadne

Baco e Ariadne

PÃO E VINHO
Friedrich Hölderlin

Mas amigo! Viemos demasiado tarde.
Na verdade vivem os deuses
mas sobre nossa cabeça, acima em outro mundo
trabalham eternamente e parecem preocupar-se pouco
se vivemos. Tanto se cuidam os celestes de não ferir-nos.
Pois nunca poderia contê-los um débil navio,
somente às vezes suporta o homem a plenitude divina.
A vida é um sonho dos deuses.
Mas o erro nos ajuda como um adormecimento.
E nos fazem fortes a necessidade e a noite.
Até os herois crescidos em uma cunha de bronze,
como em outro tempo seus corações são parecidos em força
aos celestes.
Eles vivem entre trovões.
Me parece às vezes melhor dormir, que estar sem companheiro.
A esperar assim, o que fazer ou dizer eu não sei.
E para que poetas em tempos de carência?
Mas, são, dizes tu, como os sacerdotes sagrados do Deus do
vinho,
que erravam de terra em terra, na noite sagrada.

(Tradução do espanhol: Maura Voltarelli)

Este poema pode ser encontrado em espanhol no ensaio “Hölderlin e la esencia de la poesia”, de Martin Heidegger, traduzido do alemão por Samuel Ramos e presente no livro Arte y poesia, 2ª ed. México: FCE, 1973

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