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O MISTICISMO DE HILDEGARD VON BINGEN

Iluminura: as visões de Hildegard

Iluminura: as visões de Hildegard

Por Maura Voltarelli

A Idade Média, período que teve início por volta do século V e se estendeu até meados do século XV, não foi, como já se sabe, apenas um período de trevas e obscuridade para o conhecimento humano. Pelo contrário, a Idade Média foi um período decisivo para o conhecimento humano, de amadurecimento da vasta cultura grega que o precedeu e de preparação de um dos maiores movimentos artísticos da história do homem: o renascimento.

Impregnada por um extenso controle religioso da vida, dos hábitos, da moral, a Idade Média guarda histórias incríveis que não cessam de ser descobertas. Não se sabe muita coisa sobre elas e isso aumenta ainda mais o mistério das histórias medievais. Mistério que é também potencializado pelo misticismo do período, pelo cenário das catedrais silenciosas, dos cantos religiosos, dos cultos pagãos que resistiam. Para a mística, a Idade Média é um lugar farto, pois nenhum período esteve tão próximos dos gregos e, ao mesmo tempo, tão distante deles.

O interdito, o proibido, a ideia do pecado e, não obstante, o desejo de liberdade, de conhecimento que continuava a sussurrar nas fendas das catedrais, fez com que histórias como a de Abelardo e Heloísa, por exemplo, fascinassem gerações.

Assim como a imagem de Heloísa, filósofa e escritora, mulher com vocação para a liberdade que foi vítima das inúmeras repressões do período, uma outra mulher, da qual se sabe menos ainda, fascina pelo talento da inteligência, da perspicácia, da vontade de independência da mulher em uma época onde as correntes eram tão apertadas.

Hildegard von Bingen teria nascido em 1098 e foi uma escritora, compositora, abadessa beneditina, visionária e profundamente ligada às vertentes místicas do cristianismo. Conhecida por suas visões, algumas resultantes de fortes dores de cabeça, Hildegard teria escrito além de textos de botânica e medicina, cartas, sons litúrgicos e poemas que eram transformados em belíssimas iluminuras, produção artística de grande importância no contexto da arte medieval. Muitas iluminuras mostram Hildegard recebendo alguma visão e ditando-a a um escriba.

Sua atividade junto às outras mulheres da época também foi bastante expressiva, tendo ela, inclusive, fundado um monastério do qual só as mulheres faziam parte. A vida monástica de Hildegard é cheia de sombras, zonas misteriosas e indeterminadas, como muito do que se conta sobre o período medieval. Mas, justamente por isso, é tão fascinante, fascínio que só aumenta diante do fato de poucos conhecerem a sua história ou sequer já terem ouvido falar dela.

Nestes vídeos segue um pouco da música mística de Hildegard:

Há também um filme, dirigido pela Margarethe Von Trotta, sobre Hildegard. Segue o trailler:

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