Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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PARTIDO DO FUTURO: MANIFESTANTES INDIGNADOS DO 15-M TENTAM CONSTRUIR PARTIDO PARA MUDAR REALIDADE NEOLIBERAL

Uma bolsa que produz muito lixo
Uma bolsa que produz muito lixo

Castells: por que surgiu o Partido do Futuro

Por Manuel Castells | Tradução: Gabriela Leite

Dia 8 de janeiro, anunciou-se na internet a criação do “Partido do Futuro”, um método experimental para construir uma democracia sem intermediários, que substitua as instutuições atuais, deslegitimadas na mente dos cidadãos. A repercussão cidadã e midiática tem sido considerável. Só dia do lançamento, e apesar da queda do servidor por ter recebido 600 visitas por segundo, a iniciativa (http://partidodelfuturo.net) teve 13 mil seguidores no twitter, 7 mil no facebook e 100 mil visitas no YouTube. Jornais estrangeiros e espanhóis, fizeram eco de uma “entrevista coletiva do Futuro” que anuncia o triunfo eleitoral de seu programa: democracia e ponto.

Sinal de que já não se pode ignorar o que surge a partir do 15-M. Porque esse partido emerge do caldo de cultura do movimento, mesmo que não possa, de modo algum, assimilar-se ao mesmo. Porque não existe “o movimento” com estrutura organizativa nem representantes, mas pessoas em movimento que compartilham de uma denúncia básica às formas de representação política que desarmam as pessoas ante os efeitos de uma crise que não causaram, mas que sofrem a cada dia. O 15-M é uma prática coletiva e individual mutante e diversificada, que vive na rede e nas ruas, e cujos componentes tomam iniciativas de todo tipo, desde a defesa contra o escândalo das hipotecas até a proposta de uma lei eleitoral que democratize a política.

Mas até agora, muitas dessas iniciativas parecem condenadas a um beco sem saída. Por um lado, as pesquisas mostram que uma grande maioria dos cidadãos (cerca de 70%) estão de acordo com as críticas do 15-M e com muitas de suas propostas. Por outro lado, toda essa mobilização não se traduz em medidas concretas que ajudem as pessoas, porque existe um bloqueio institucional à adoção das ditas propostas. Os dois grandes partidos espanhóis são corresponsáveis pela submissão da política aos poderes financeiros no tratamento da crise — compartilhando, por exemplo, a gestão irresponsável dos gerentes do Banco da Espanha, que arruinou milhares de famílias. Por isso o 15-M expressou-se no espaço público, em acampamentos, em manifestações, em assembleias de bairro e em ações pontuais de denúncia. Mas mesmo que essa intervenção seja essencial para criar consciência, esgota-se em si mesma quando se confronta com uma repressão policial cada vez mais violenta.

Por sorte, o 15-M freou qualquer impulso de protesto violento, desempenhando um papel de canalizador pacífico da ira popular. O dilema é como superar as barreiras atuais sem deixar de ser um movimento espontâneo, auto-organizado, com múltiplas iniciativas que não são um programa, e portanto podem congregar potencialmente os 99% que sabem o que não querem (ou seja, o que temos hoje), e que se lembram de buscar em conjunto novas vias políticas de gestão da vida.

Para avançar nesse sentido, surgiu uma iniciativa espontânea de ir ocupando o único espaço em que o movimento não está presente: as instituições. Não de imediato, porque seu projeto não é o de ser uma minoria parlamentar, mas mudar a forma de fazer política. Por meio de democracia direta, instrumentada pela internet: propondo referendos sobre temas-chave; co-elaborando propostas legislativas mediante consultas e debates no espaço público, urbano e cibernético; com medidas concretas, a serem debatidas entre a cidadania e servindo de plataforma para propostas que partam das pessoas.

Na verdade, não é um partido, mesmo que esteja registrado como tal, mas um experimento político, que vai se reinventando conforme avança. No horizonte, vislumbra-se um momento em que o apoio da cidadania a votar contra todos os políticos ao mesmo tempo, e em favor de uma plataforma eleitoral que tenha esse só ponto em seu programa, permita uma ocupação legal do Parlamento e o desmantelamento do sistema tradicional de representação, de dentro dele mesmo. Não é tão absurdo. É, em grande medida, o que aconteceu na Islândia, referente explícito do partido que nos fala a partir do futuro.

Mas como evitar reproduzir os esquemas tradicionais de partido, no processo de conquistar a maioria eleitoral? Aqui é onde se coloca a decisão — criticada pela classe política e alguns jornais — de anonimato, mantido pelas pessoas que tomaram essa iniciativa. Porque se não existem nomes, não há líderes, nem cargos, nem direções, nem porta-vozes que dizem que falam pelos demais, mas acabam representando a si mesmos. Se não há rostos, o que ficam são ideias, práticas, iniciativas.

De fato, é a prática da máscara como forma de criação de um sujeito coletivo composto por milhares de indivíduos mascarados, como fizeram os zapatistas em sua época, ou como faz o Anonymous com sua famosa máscara reconhecível em todo o mundo, mas com múltiplos portadores. Aliás, o aninomato no protesto encontra-se em nossos clássicos: “Fuenteovejuna, todos por um [1]”.

Talvez chegue um momento em que as listas eleitorais requeiram nomes, mas inclusive aí não necessariamente seriam líderes, porque é possível sortear os nomes entre milhares de pessoas que estejam de acordo com uma plataforma de ideias. No fundo, trata-se de pôr em primeiro plano a política das ideias, com  qual enchem a boca os políticos — enquanto fazem sua carreira acotovelando-se entre si. A personalização da política é a maior cicatriz da liderança ao longo da história, a base da demagogia, da ditadura do chefe e da política do escândalo, baseada em destruir pessoas representativas. O “X” adotado como símbolo pelo partido do futuro não é para esconder-se, mas para que seu conteúdo seja recheado pelas pessoas que projetem, nesse experimento, seu sonho pessoal num um sonho coletivo: democracia e ponto. A co-definir.

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SOB O LEMA “TOMAR AS RUAS” INDIGNADOS VOLTARAM ÀS PRAÇAS DA ESPANHA PARA CELEBRAR ANIVERSÁRIO E MOSTRAR QUE ESPÍRITO DA MUDANÇA CONTINUA VIVO

Eles voltam às praças…

No último fim de semana, os indignados voltaram às praças da Espanha para celebrar o aniversário dos protestos e também para mostrar que o seu espírito de luta e mudança da ordem capitalista, excludente e injusta, vigente continua mais vivo do que nunca.

Mesmo depois dos primeiros impulsos e do desmantelamento do acampamento dos manifestantes, que ocorreu em junho do ano passado, o movimento continuou atuando nas redes sociais, apenas perdeu um pouco da intensa visibilidade midiática que teve no início. Em Madri, os manifestantes voltaram a ocupar a Puerta del Sol, praça central da cidade, e não se importaram com a proibição de manifestação depois das 22h.

Continuaram empunhando suas frases de luta, batendo nos tambores, mesmo porque continua a crise econômica na Espanha e nos demais países da Europa. A situação da juventude continua ruim, marcada por desemprego e falta de oportunidade, os indignados não têm porque se sentirem menos indignados e foi isso que eles quiseram demonstrar voltando às ruas.

A sociedade atual com seu capitalismo desenfreado, egoísta ao máximo, embora aparentemente generoso, é insustentável e pede nada menos que a indignação máxima! A mudança em um sistema tão enraizado leva tempo e os indignados sabem disso, por isso continuam a resistem…

Veja trecho de texto sobre o assunto, da Agência France Press, publicado pela Carta Capital:

‘Indignados’ voltam às praças da Espanha em seu primeiro aniversário
Da Agência France Press

MADRI (AFP) – Milhares de ‘indignados’, o movimento social nascido há um ano em protesto contra a crise econômica, os políticos e os excessos do capitalismo, voltaram às praças da Espanha neste fim de semana, no pontapé inicial de quatro dias de mobilizações para demonstrar que seu espírito continua vivo. Sob o lema “Tomar as ruas”, os ativistas, em sua maioria jovens mobilizados por meio das redes sociais, convocaram concentrações em 80 cidades do país. Em Madri, os manifestantes voltaram a ocupar a Puerta del Sol, a praça do centro da capital onde nasceu o movimento, e pretendem ficar lá até terça-feira, quando será celebrado o aniversário dos protestos.

Desde que o acampamento foi desmantelado, no dia 12 de junho do ano passado, o movimento perdeu visibilidade nos meios de comunicação, mas seguiu vivo nas redes sociais, nas assembleias de bairro e na luta contra a exclusão, embora com menos seguidores. “Os que permaneceram são os mais conscientes, atuando em ações setoriais, como, por exemplo, opondo-se aos despejos”, afirma Antonio Alaminos, professor de sociologia da Universidade de Alicante. Desta vez, os manifestantes pretendem ficar no local até terça-feira. “Não será um acampamento, e sim uma assembleia permanente”, explica Luis, porta-voz do movimento.

Na capital espanhola, os manifestantes pareciam não ter a intenção de respeitar a proibição oficial de não se manifestar depois das 22 horas e de voltar a reeditar sua “assembleia permanente” do ano passado, que durou semanas. Com a noite avançada, milhares de “indignados” continuavam na grande praça, sentados em círculos, conversando ou tocando tambores, observados pelos veículos da polícia estacionados próximos. (Texto completo)

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Onde está o povo?

No dia em que comemoramos a Proclamação da República no Brasil, mais uma dessas mudanças que vêm sem trazer superação de nossas estruturas coloniais, é interessante olhar e refletir sobre a situação econômica mundial.

Os protestos, as manifestações recentes de jovens e trabalhadores na Europa e até no centro do capitalismo mundial, estas sim feitas pelo povo, ao contrário de nossa República, tinham é claro seus interesses e motivações pessoais, mas queriam mudar um sistema financeiro mundial, mesmo sem saber, porque era este sistema que lhes roubava os empregos e a dignidade.

E foi esse mesmo sistema financeiro que transformou o mundo, concentrando ainda mais a renda e diluindo os já escassos benefícios sociais de uma economia que quer existir sem estado, sem guia. Agora, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), revelados por reportagem da Carta Maior, serão necessário, no mínimo, 80 milhões de empregos para retornar aos níveis pré-crise.

Estima-se que a recuperação econômica, se vier, só aconteça por volta de 2016, isso se esses 80 milhões de empregos forem gerados. As contas deixadas por essa economia jogada ao vento são 16 milhões de desempregados na Europa, diluição do Estado do Bem-Estar-Social e rendição da social-democracia ao neoliberalismo.

Indignados na Espanha

Saídas para a atual crise são justamente aquelas que o Brasil nunca encontrou: formação e fortalecimento de um legítimo e consciente movimento de protesto popular que se torne alternativa para a regressividade em marcha, não só dos governos e sistemas econômicos democráticos e sociais, como também da mídia, cada vez mais dependente dos donos do poder e distante da população.

Veja trecho da notícia sobre o assunto publicada pela Carta Maior:

OIT: faltam 80 milhões de empregos para o mundo retornar aos níveis pré-crise
Por Saul Leblon

A recuperação da economia mundial está mais distante do que se imaginava. Do ponto de vista do emprego, pelo menos, a superação da crise só ocorrerá por volta de 2016. Isso, desde que se cumpra o requisito da geração de 80 milhões de vagas para que os níveis de ocupação retornem ao patamar anterior ao colapso neoliberal. É o que diz o informe da OIT divulgado nesta 2ª feira.

Os sumidouros do crescimento e das vagas estão claros; as responsabilidades são inequívocas. A grande façanha dos 30 anos de finanças desreguladas foi, grosso modo, aviltar a oferta e a qualidade do emprego pela sua flexibilização e deslocamento a zonas de ‘baixo custo’; reduzir a participação do trabalho na renda e isentar o capital rebaixando receitas fiscais dos governos.

Promoveu-se em troca a grande era do endividamento. Famílias, governos e Estados soberanos tornaram-se mais e mais dependentes do capital a juro, cuja liberdade foi lubrificada pela eliminação das salvaguardas regulatórias instituídas após a crise de 29. Embora o diagnóstico seja reconhecido até por segmentos dos ‘mercados’, ele carece ainda de consequências políticas coerentes.

A mídia tem cumprido seu papel de guarda-sol a sombrear o debate das alternativas à superação desse modelo, em meio a uma crise de insolvência das dívidas públicas e privadas. Na Europa, corroída por 16 milhões de desempregados, em meio ao assalto final aos pilares do Estado do Bem-Estar Social, essa película protetora é reforçado pela opacidade de um quadro ideológico feito de rendição social-democrata ao neoliberalismo. (Texto completo)

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Se, como diz Eduardo Galeano, o sentido da utopia está justamente no caminhar, os jovens estudantes e demais setores da sociedade ocidental que protestam dentro da esfera do próprio capitalismo contra o modo capitalista de ser e são simplesmente rotulados como violentos pela grande mídia, caminham.

Não se sabe ao certo aonde esse caminho vai dar e tampouco importa. O importante é o caminhar, é o meio, é o espaço onde as coisas se dão e desenham a possibilidade de estar sendo e ser.

Se não fosse a utopia de um capitalismo melhor, mais justo, de uma economia mais responsável e menos gananciosa, os indignados hoje sequer existiriam e, se eles não existissem, o mundo ocidental seria menos democrático, sem dúvida alguma, e os homens se fundiriam ao mercado, tal como fez a grande mídia, fazendo e, ao mesmo tempo, não fazendo parte dele.

Mas não, não é isso que eles querem! Os 99% querem caminhar…

Vi no Blog do Nassif

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Sistema financeiro: o alvo

Há uma grande novidade no movimento dos indignados da Europa e do Occupy Wall Street, nos Estados Unidos, manifestações que se espalharam pelo mundo.

Pela primeira vez, não é contra um governo que os protestos surgiram. Diferente da Primavera árabe,  os protestos pelo mundo são contra o sistema,  o sistema capitalista mundial, mas especificamente contra um dos setores desse sistema que está sugando o sangue e o suor das populações pelo mundo.

O alvo está bem definido:  o sistema financeiro mundial. Há uma espécie de consciência de renda que opõe os multimilionários  (1%) contra o resto da população mundial (99%).

Os protestas são contra o que os comentaristas da grande mídia chamam de mercado.

O tal mercado, que é considerado um deus propalado pelos quatro cantos do mundo, é um deus raivoso, que o tempo todo ameça punir  os países que não cumprem suas profecias.

Esse chamado mercado vem ditando as regras e passando por cima das democracias  com o discurso do medo e com o financiamento de partidos políticos.  Pelos meios de comunicação, os jornalistas anunciam as chantagens do mercado: “o país pode quebrar”,  “o banco central não é independente” e outras bobagens.

O sistema financeiro nas últimas décadas tem dominado o sistema econômico como um tirano ideológico, sustentado pela grande mídia que recebe seus recursos publicitários.

Mas agora parece que as pessoas estão perdendo o medo do mercado.  Na Europa e no coração da principal economia do mundo, os EUA, surgem também as novas utopias.

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Multidão democrática

Grupos de música, alojamento de “indignados”, microfone coletivo, comissões essenciais, como Cozinha e Atendimento Médico, além de Ponto de Informação sobre o movimento e sua programação de atividades. É assim, de forma organizada e um tanto irreverente, que o 15-M se faz ouvir com faixas, cartazes e a certeza de que na luta pela igualdade e aumento de oportunidades “El pueblo unido jamás será vencido”.

Da Carta Maior

Milhares de jovens acampam em Madri
Por Fabíola Munhoz

Na hora marcada, uma massa de manifestantes começou a descer o Passeio do Prado aos gritos de “Que no, que no, que no nos representa!”, “A, anti, anticapitalista!” e “El pueblo unido jamás será vencido”, entre outros hinos. Cada vez mais pessoas iam se somando ao grupo, enquanto ele se aproximava do cruzamento do Passeio do Prado com a Rua Atocha. Ali, um microfone aberto à livre expressão possibilitava a quem quisesse, compatilhar suas reclamações com outras milhares de pessoas. A reportagem é de Fabíola Munhoz, direto de Madri.

A Puerta del Sol, em Madri, despertou agitada na manhã de domingo (24). Passei pela nova acampada feita pelo 15-M no local, por volta das 11 horas, e me deparei com tendas para informação sobre o movimento e também atividades das comissões de Ação, Cozinha, Comunicação, Meio Ambiente, Infraestrutura e Atendimento Médico.

Uma grande exposição de fotografias contava a história do processo de mobilização popular iniciado naquela mesma praça, no dia 15 de maio deste ano, atraindo o olhar de quem passava. Os transeuntes também se detinham para ler as mensagens de indignação presentes nos inúmeros cartazes espalhados pelo local. Ao lado, duas apresentações musicais aconteciam simultaneamente, acompanhadas por um público pequeno, porém animado.

Uma dessas atrações consistia num grupo de rappers que cantava frases rimadas, com conteúdo crítico à atual política socioeconômica levada a cabo pelos governos de toda a Europa frente à atual crise financeira. Os artistas eram acompanhados por uma base eletrônica que marcava o ritmo de suas canções, movida pelas pedaladas em uma bicicleta, cuja energia mecânica era transformada em impulso para funcionamento do equipamento de som, graças a uma engenhoca ecológica criada por algum defensor do meio ambiente. Na tenda de informação, um mural divulgava a programação prevista para aquela tarde e também para os dois seguintes dias, dando especial ênfase à manifestação que aconteceria a partir das 18h30 de ontem, na glorieta de Atocha. (Texto completo)

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