Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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Brasil perderá uma língua indígena por ano nos próximos 40 anos, diz prof. da Unicamp

O Brasil corre o risco de perder uma língua indígena por ano nos próximos 40 anos. É o que acredita o linguista Wilmar da Rocha D’Angelis, da (mais…)

POVO XUKURU-KARIRI ESPERA DEMARCAÇÃO DE TERRAS INDÍGENAS HÁ MAIS DE 30 ANOS EM ALAGOAS

Povo Xukuru-Kariri faz nova retomada e recebe ameaça

Há 30 anos tribo esperam demarcação

Há 30 anos tribo espera demarcação

Do Brasil de Fato

Há 32 anos numa luta palmo a palmo pela ocupação do território tradicional em Alagoas, 200 indígenas do Xukuru-Kariri retomaram na última terça-feira, 18, cerca de 50 hectares de terras na zona rural do município de Palmeira dos Índios. O território faz parte dos 7 mil hectares já declarados pelo Ministério da Justiça como terra indígena.

Na luta pelo acesso a terra e com objetivo de acelerar o processo de regularização, os Xukuru-Kariri têm realizado retomadas. Em outubro de 2011, o movimento ocorreu em uma área de 184 hectares. A retomada do território era alvo de disputa judicial com latifundiários invasores, embora fosse uma área que estava dentro do processo de demarcação. Por conta do conflito, os fazendeiros invasores pediram reintegração de posse, não autorizada pela Justiça. A primeira retomada foi em 1979, de lá para cá aconteceram cerca de oito, todas inseridas dentro dos sete mil hectares declarados pela Justiça.

Por conta da retomada, lideranças passaram a sofrer ameaças e temem por um confronto. “Não temos poder de fogo, nem poder aquisitivo. Queremos resolver de maneira pacífica. É muito difícil ouvir que um índio matou um fazendeiro, mas o contrário a gente ouve direto. Sofro ameaças, mas o processo de retomada vai ser contínuo”, alega Carlos Xukuru-Kariri.

Parte do território reivindicado pelos indígenas segue nas mãos de não-indígenas: a lentidão da demarcação física pela Fundação Nacional do Índio (Funai) impede a homologação pela presidente Dilma Rousseff e o avanço do processo de demarcação da terra, caso da extrusão de fazendeiros e posseiros.

Dessa forma, os invasores seguem no território e conforme afirmam as lideranças Xukuru-Kariri não há alternativa fora os movimentos de retomadas. “Um dos motivos para fazermos a retomada é porque o prazo que a Funai deu para fazer a demarcação física terminou no dia 20 de novembro (e não foi cumprido)”, critica Carlos Xukuru-Kariri. (texto Completo)

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FILME XINGU RESGATA A HISTÓRIA DOS IRMÃOS VILLAS BOAS QUE, DIANTE DO ÍNDIO, TRANSFORMARAM REALIDADE EM CONSCIÊNCIA

Atriz Danielle Soprano, personagem sobrevivente do Xingu

Atriz Danielle Soprano, personagem sobrevivente do filme Xingu

O filme Xingu, dirigido por Cao Hamburguer, é mais do que necessário para se entender o Brasil e resgatar a memória dos irmãos Villas Boas. E isso parece ter sido respeitado pela produtora O2, do cineasta Fernando Meireles. O filme faz jus à inigualável trajetória dos irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas Boas.

Sob uma narrativa envolvente, com belas imagens e dramas, há a sensibilidade e inteligência dos irmãos que vão se construindo diante da tragédia eminente dos povos indígenas. Eles transformam suas próprias consciências ao tomarem contato com os indígenas, sua cultura, suas vidas.

O sucesso da empreitada dos irmãos Villas Boas talvez tenha sido o fato de serem irmãos e trabalharem como uma equipe. Havia o político, o engajado, o encantado. Eles se subsidiaram em uma história que já tentava compreender e proteger os povos indígenas na pragmática de Marechal Cândido Rondon, intelectualidade de Darcy Ribeiro e na vida de muitos outros.

A construção do Parque Indígena do Xingu fez exatamente o que eles previam, deixar mais lentamente a destruição provocada pela cultura dos homens brancos. “O branco é o inimigo”, diz Cláudio Villas Boas em um belo momento paradoxal do filme. Depois de décadas, depois de tanta urbanização da vida, o Xingu ainda continua preservado, mas não por muito tempo. O Parque está cada vez mais ameaçado nas nascentes dos rios e na destruição das florestas no entorno.

A destruição dos povos indígenas continua, vide a situação recente dos Guarani-kaiowás. O Xingu está se transformando em uma ilha que guarda a história desses brancos de alma indígena de que o Brasil haverá de se orgulhar ainda mais.

Veja um documentário de Paula Saldanha sobre os 50 anos do Parque Xingu e que contém uma entrevista com Orlando Villas Boas.

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A ÍNDIA E O DEPUTADO: A LIBERDADE DE EXPRESSÃO NO DISCURSO EM DEFESA DOS GUARANI-KAIOWÁ E A PUBLICIDADE DO GOVERNO MASOQUISTA DO PT

Fernando Ferro: PT é masoquista

Um vídeo e um texto que se complementam.

No vídeo, o discurso de uma jovem índia em protesto dos índios em favor dos Guarani-Kaiowá, reclamando da falta de capacidade de comunicação, da falta de liberdade de expressão. Não se preocupe se não entender nada no começo do vídeo.

A indignação da jovem índia complementa o excelente texto do deputado do PT, Fernando Ferro, sobre a distribuição da verba publicitária do governo federal. O PT é masoquista.

Vi no Com Texto Livre

Fernando Ferro: Verba publicitária e sadomasoquismo

Verba publicitária e sadomasoquismo

Por Fernando Ferro, sugerido pelo leitor Cicero

Os jornalecos e almanaques reacionários de oposição, tipo Veja, vez por outra têm um de seus capangas acusando jornalistas de “chapa-branca” na tentativa de encurralar qualquer visão séria e democrática sobre o Partido dos Trabalhadores e os governos do PT. Por trás destas críticas reside um viés ideológico como porta-voz da direita no Brasil, bem como um certo mal estar pela perda da sustentação financeira com o dinheiro oficial.

A partir do governo Lula, praticou-se uma distribuição mais justa em termos regionais na descentralização dos receptores do dinheiro da publicidade oficial. Nosso governo incorporou no mailing dos meios de comunicação do Estado brasileiro desde redes regionais até o sistema de rádios comunitárias e jornais espalhados por diversas regiões do Brasil. Este gesto atraiu o descontentamento dos Civitas da vida, que querem monopolizar e concentrar os meios e suas receitas. Apesar da mudança, ainda é profundamente concentrada a distribuição das verbas oficiais de comunicação.

Observa-se que dos R$ 161 milhões repassados à emissoras de rádios, TV, jornais, revistas e sites, desde o início do governo Dilma, R$ 50 milhões foram destinados apenas para a TV Globo, quase um terço de toda a verba – ao todo, o Sistema Globo de Comunicações recebeu R$ 55 milhões. Já a “imparcial” revista Veja, por sua vez, recebeu R$ 1,3 milhão; e o os tentáculos on-line da Editora Abril também receberam mais R$ 353 mil. Enquanto isso, a revista “parcial” Carta Capital recebeu, no mesmo período, R$ 119 mil.

Em outros termos, pagamos uma mídia para nos atacar, nos destruir e se organizar em quadrilhas, como no caso recente da dobradinha Veja/Cachoeira.

Isto não é justo. Não é correto. Precisamos rever a distribuição de verbas publicitárias, que hoje se constituem num verdadeiro acinte à democracia. Não se trata apenas de regular os meios de comunicação, devemos promover uma justa redistribuição das verbas publicitárias do Governo.

Por fim, é bom que se note que aqui não foram incluídos os repasses das verbas publicitárias das empresas estatais de economia mista, como o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Correios, Grupo Eletrobrás, Petrobrás, etc.

Ora, parece que tomamos gosto por rituais de sadomasoquismo midiático ou praticamos a gentileza dos submissos.

Fernando Ferro é deputado federal (PT-PE) e vice-líder da Bancada do partido na Câmara

Vi no blog do Azenha

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QUEM FAZ JUSTIÇA? LULA DEMARCOU TERRA GUARANI-KAIOWÁ, MAS O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, DE GILMAR MENDES, DESMARCOU

Mesmo sob ameaças de pistoleiros, indígenas Guarani Kaiowá vão permanecer em seu território

Menina terena e bebê: depois de 500 anos de massacre, ainda resistem

Natasha Pitts -Jornalista da Adital 
Adital via Limpinho & Cheiroso

O conflito fundiário e judicial que envolve o território sagrado Arroio Koral parecia estar resolvido quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, em dezembro de 2009, um decreto homologando a demarcação da terra. No entanto, em janeiro de 2010, o Supremo Tribunal Federal (STF), do qual está à frente o ministro Gilmar Mendes, suspendeu a eficácia do decreto presidencial em relação às fazendas Polegar, São Judas Tadeu, Porto Domingos e Potreiro-Corá.

Na última sexta-feira (10), indígenas Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul (MS), Centro-Oeste brasileiro, cansados da morosidade da justiça, decidiram retomar parte do tekoha (território sagrado) Arroio Koral, localizado no município de Paranhos. Poucas horas depois, nem bem os cerca de 400 indígenas haviam montado acampamento, pistoleiros invadiram o local levando medo e terror para homens, mulheres e crianças.

A ação resultou em indígenas feridos, mas sem gravidade. Além disso, permanece desaparecido o Guarani Kaiowá João Oliveira, que não conseguiu fugir. Com a chegada da Força Nacional os pistoleiros se dispersaram e fugiram.

No momento do ataque, os/as indígenas correram e se espalharam pela mata, no entanto, passados os momentos de pânico, aos poucos os Guarani Kaiowá foram retornando para o acampamento e mesmo se sentindo inseguros e amedrontados pretendem não sair mais de lá.

O Guarani Kaiowá Dionísio Gonçalves assegura que os indígenas estão firmes na decisão de permanecer no tekoha Arroio Koral, mesmo cientes das adversidades que terão que enfrentar, já que o território sagrado reivindicado por eles fica no meio de uma fazenda.

“Nós estamos decididos a não sair mais, nós resolvemos permanecer e vamos permanecer. Podem vir com tratores, nós não vamos sair. A terra é nossa, até o Supremo Tribunal Federal já reconheceu. Se não permitirem que a gente fique é melhor mandarem caixão e cruz, pois nós vamos ficar aqui”, assegurou.

Dionísio informou que no momento as lideranças indígenas estão aguardando a chegada da Polícia Federal no acampamento para iniciar as investigações sobre o acontecido e para a realização das buscas por João Oliveira. “Eles disseram que vinham depois das 12h, estamos esperando por eles e por outros órgãos para resolver o problema”, afirmou.

Conflito fundiário

A batalha pela retomada de terras indígenas não é de hoje no Mato Grosso do Sul. Neste estado, onde se localizam os mais altos índices de assassinatos de indígenas, esta população luta há vários anos pela devolução de terras tradicionais e sagradas. Dentro deste contexto de luta já aconteceram diversos ataques como os de sexta-feira, muitos ordenados por fazendeiros insatisfeitos com a devolução das terras aos seus verdadeiros donos.

O conflito fundiário e judicial que envolve o território sagrado Arroio Koral parecia estar resolvido quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, em dezembro de 2009, um decreto homologando a demarcação da terra. No entanto, em janeiro de 2010, o Supremo Tribunal Federal (STF), do qual está à frente o ministro Gilmar Mendes, suspendeu a eficácia do decreto presidencial em relação às fazendas Polegar, São Judas Tadeu, Porto Domingos e Potreiro-Corá.

O processo continua em andamento, mas tem caminhado a passos muito lentos, já que ainda não foi votado por todos os ministros. Assim, fartos da morosidade da justiça brasileira, os Guarani Kaiowá decidiram fazer a retomada da terra.

Os indígenas escreveram uma carta para os ministros do Supremo Tribunal Federal e para o Governo Federal em que reivindicam o despejo dos fazendeiros que ainda estão ocupando e destruindo territórios tradicionais já demarcados e reconhecidos pelo Estado brasileiro e pela Justiça Federal e exigem a devolução imediata de todos os antigos territórios indígenas.

“Sabemos que os pistoleiros das fazendas vão matar-nos, mas mesmo assim, a nossa manifestação pacífica começa hoje 10 de agosto de 2012. Por fim, solicitamos, com urgência, a presenças de todas as autoridades federais para registrar as nossas manifestações pacíficas, étnicas e públicas pela devolução total de nossos territórios antigos”, anuncia o último trecho da carta assinada por lideranças, rezadores, mulheres pertencentes ao Povo Kaiowá e Guarani dos acampamentos e das margens de rodovias, ameaçados pelos pistoleiros das fazendas, dos territórios reocupados e das Reservas/Aldeias Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul.

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“PEDIMOS AOS JUÍZES FEDERAIS PARA ENVIAR TRATORES PARA CAVAR UM GRANDE BURACO PARA JOGAR E ENTERRAR OS NOSSOS CORPOS”

Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS para o Governo e Justiça do Brasil
Nós, (50 homens, 50 mulheres e 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, viemos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de da ordem de despacho expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, do dia 29 de setembro de 2012. Recebemos a informação de que nossa comunidade logo será atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal, de Navirai-MS.
Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver à margem do rio Hovy e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay.
Entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio e extermínio histórico ao povo indígena, nativo e autóctone do Mato Grosso do Sul, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira.
A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados a 50 metros do rio Hovy onde já ocorreram quatro mortes, sendo duas por meio de suicídio e duas em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas.
Moramos na margem do rio Hovy há mais de um ano e estamos sem nenhuma assistência, isolados, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Passamos tudo isso para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay. De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários os nossos avôs, avós, bisavôs e bisavós, ali estão os cemitérios de todos nossos antepassados.
Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui.
Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação e extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais. Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal. Decretem a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e enterrem-nos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem mortos.
Sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo em ritmo acelerado. Sabemos que seremos expulsos daqui da margem do rio pela Justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo e indígena histórico, decidimos meramente em sermos mortos coletivamente aqui. Não temos outra opção esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.
Atenciosamente, Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay (cpt)

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NO PAÍS DO AGRONEGÓCIO PREDATÓRIO, 863 MINUTOS DE SILÊNCIO PARA OS ÍNDIOS QUE SE SUICIDARAM E FORAM ASSASSINADOS NAS ÚLTIMAS DÉCADAS

ÍNDIOS PATAXÓS OCUPAM TERRAS REIVINDICADAS HÁ 28 ANOS NO LITORAL SUL DA BAHIA

Decisão depende do STF

Índios da etnia Pataxó Hã Hã Hãe ocuparam cinco propriedades rurais na madrugada deste domingo (15), que estão sob a posse de fazendeiros e empresas agropecuárias no litoral sul da Bahia. Os índios reclamam a posse das terras há 28 anos alegando que a área foi demarcada como reserva indígena em 1936, mas o governo estadual concedeu títulos de posse a fazendeiros da região em anos posteriores, gerando o atual conflito.

Conflito que por sinal tende a se agravar, como diz notícia publicada pela Agência Brasil, caso a definição sobre a propriedade das terras não aconteça. O destino da questão depende agora menos das polícias Civil e Militar do estado que “pouco ou nada podem fazer”, uma vez que as terras são consideradas como área de reserva federal e as forças auxiliares não têm acesso ao local, e mais do Supremo Tribunal Federal (STF) em julgar a Ação Cível Originária (ACO) 312, protocolada pela Fundação Nacional do Índio (Funai), assegurando aos pataxós a posse e o usufruto da terra indígena Caramuru-Paraguaçu.

Veja trecho de notícia sobre o assunto:

Índios pataxós invadem cinco fazendas no sul da Bahia
Por Stênio Ribeiro

Brasília – Índios da etnia Pataxó Hã Hã Hãe ocuparam cinco propriedades rurais na madrugada deste domingo (15), em terras que são disputadas com fazendeiros e com empresas agropecuárias no litoral sul da Bahia, de acordo com o agente da Polícia Civil no município de Pau Brasil, Sagro Bonfim.

Ele disse à Agência Brasil que índios da Aldeia Caramuru-Paraguaçu invadiram as fazendas antes de o dia amanhecer, segundo relatos de fazendeiros que procuraram a delegacia local para registrar as ocorrências e notificaram que mais de 30 pessoas estão reféns dos índios.

O policial informou que as invasões têm se tornado corriqueiras na disputa pela posse de 54 mil hectares de terras nos municípios de Pau Brasil, Camacan e Itaju da Colônia, e ele teme que haja “derramamento de sangue” na região enquanto não houver definição sobre a propriedade das terras.

Até porque, segundo Bonfim, as polícias Civil e Militar do estado “pouco ou nada podem fazer”, uma vez que as terras são consideradas como área de reserva federal e as forças auxiliares não têm acesso ao local, a não ser que a Polícia Federal (PF) solicite nosso apoio, acrescentou.

Sagro Bonfim disse que a unidade da PF mais próxima fica em Ilhéus, a mais de 150 quilômetros do local, e foi avisada do ocorrido no início desta manhã, mas adiantou que os federais só irão à reserva amanhã (16), ocasião em que as autoridades dos municípios afetados terão uma visão mais exata a respeito das invasões e de seus efeitos.

Ele acrescentou que não há, por enquanto, nenhuma informação sobre a existência de feridos nas invasões deste domingo, mas revelou que o clima é de tensão na região, a ponto de os habitantes de Pau Brasil terem feito barricadas nos acessos à cidade para evitar a circulação dos índios, que reclamam a posse das terras há 28 anos. (Texto completo)

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ASSENTAMENTO EM SANTARÉM, NO PARÁ, SE TRANSFORMOU NUM VERDADEIRO PALCO DA EXTRAÇÃO ILEGAL DE MADEIRA NA REGIÃO
MONSANTO TERÁ QUE DEVOLVER O VALOR DE ROYALTIES COBRADOS ILEGALMENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DE SOJA TRANSGÊNICA
LIVRO ELETRÔNICO REÚNE DOCUMENTOS SOBRE ORGANIZAÇÃO DOS TRABALHADORES NO CAMPO E NA CIDADE E SUA RESISTÊNCIA DURANTE A DITADURA
JOVENS SÃO OS PRINCIPAIS LEITORES BRASILEIROS SEGUNDO PESQUISA, PREÇO NÃO É APONTADO COMO PRINCIPAL FATOR QUE IMPEDE O ACESSO AOS LIVROS

OLHAR DO COLONIZADOR: TRIBO BRASILEIRA SURUWAHA É VISTA COMO INFANTICIDA POR TELEVISÃO AUSTRALIANA

O olhar do colonizador

“Cultuadores do suicídio”, presos na “Idade da Pedra”, estes são alguns dos adjetivos usados para classificar a tribo brasileira Suruwaha pelo programa Sunday Night, da emissora de tevê australiana Channel 7. Segundo integrantes da tribo, os australianos teriam feito muitas imagens e depois mentido sobre eles quando voltaram para suas terras.

“Há muito tempo houve infanticídios. Hoje isso não acontece mais”, garante um índio da tribo, como mostra notícia publicada pela Carta Capital. A distorção em relação aos hábitos de vida da tribo Suruwaha no entanto, não é feita apenas por estrangeiros que vêm para o Brasil e reeditam o olhar do colonizador diante dos índios “primitivos e selvagens”.

A organização evangélica Jovens Com Uma Missão (JOCUM) do Brasil já havia afirmado que membros da tribo assassinavam regularmente bebês recém-nascidos e atualmente fazem um lobby junto à bancada evangélica do Congresso Brasileiro pela aprovação de uma lei permitindo que crianças indígenas sejam retiradas de suas famílias.

Não por acaso, o programa Sunday Night possui vínculos com os missionários evangélicos de acordo com a ONG Survival International que protege os direitos indígenas. Em razão de toda a distorção, o Channel 7 está sob investigação formal da Autoridade Australiana em Mídia e Comunicação (ACMA). As autoridades brasileiras deveriam fazer o mesmo em defesa dos seus índios.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Tevê Australiana mostra tribo brasileira como assassina de crianças
Por Marcelo Pellegrini

O programa Sunday Night, da emissora de tevê australiana Channel 7, classificou a tribo brasileira Suruwaha como infanticidas e os “piores violadores dos direitos humanos do mundo”.

Segundo divulgou nesta quarta-feira 7 a ONG de direitos indígenas Survival International, o programa exibido em setembro de 2011 descreveu os índios da tribo amazônica como “cultuadores do suicídio” presos na “Idade da Pedra”.

Em entrevista à ONG, um Suruwaha disse que os australianos filmaram a tribo e depois mentiram a seu respeito.

“Eles fizeram muitas filmagens. Filmaram os Suruwaha e foram embora. Chegaram na terra dos estrangeiros e mentiram sobre nós”, conta.

“Há muito tempo houve infanticídios. Hoje isso não acontece mais”, garante o índio.

Missão evangélica

De acordo com a Survival, o programa Sunday Night possui vínculos com os missionários evangélicos. “O site do programa está abertamente angariando fundos para uma organização evangélica associada à campanha contra os indígenas”, disse Sarah Shenker a CartaCapital.

Esta não é a primeira vez que os índios da tribo Suruwaha sofreram com relatos distorcidos. Anteriormente, a organização evangélica Jovens Com Uma Missão (JOCUM) do Brasil já havia afirmado que membros da tribo assassinavam regularmente bebês recém-nascidos. (Texto completo)

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SECRETARIA DE POLÍTICAS PARA MULHERES TEM NOVA MINISTRA, MAS QUESTÃO DO ABORTO CONTINUA SENDO UM TABU
ENQUANTO OFICIAIS DA RESERVA SE DÃO AO LUXO DE NEGAR O PASSADO E OS 21 ANOS DE DITADURA MILITAR, CINEASTAS LANÇAM MANIFESTO EM APOIO À COMISSÃO DA VERDADE
ATORES DA GLOBO FAZEM VÍDEO MACAQUEADO CONTRA USINA HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE, MAS NÃO SE COMOVEM COM O ASSASSINATO DE INDÍGENAS NO MATO GROSSO DO SUL
BRASIL É O PAÍS QUE MAIS NEGLICENCIA SEUS POVOS INDÍGENAS NO MUNDO, DIZ A NOBEL DA PAZ RIGOBERTA MENCHÚ

ALUNOS DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA (UnB) RESPONDEM COM VÍDEO AOS ATORES DA GLOBO E PEDEM: VERIFIQUE OS FATOS

ATORES DA GLOBO FAZEM VÍDEO MACAQUEADO CONTRA USINA HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE, MAS NÃO SE COMOVEM COM O ASSASSINATO DE INDÍGENAS NO MATO GROSSO DO SUL

Atores da globo: crianças não nos comovem

Alguns atores da Globo participam de um vídeo contra a usina de Belo Monte. É louvável ver atores engajados, mas há algo de estranho nisso tudo.

Os atores se comovem com a construção de uma usina, mas não se comoveram com o assassinato de indígenas e nem com  a quantidade alarmante de morte de crianças de várias tribos, principalmente no Mato Grosso do Sul. Segundo dados do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), foram assassinados 60 índios em 2010 no Brasil, sendo 30 somente no Mato Grosso do Sul.

Além disso,  em 2010, 92 crianças indígenas menores de 5 anos morreram vítimas de doenças consideradas “facilmente tratáveis”, número 500% maior que o registrado em 2009. “A situação do povo Xavante, que perdeu 60 das 100 crianças nascidas vivas, é um absurdo”, destaca em entrevista Lúcia Helena Rangel, coordenadora do relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil

Com certeza, Belo  Monte é uma obra polêmica pelo tamanho, poderíamos ter projetos menores talvez,  mas é uma energia menos suja que as termoelétricas do apagão do tempo do Fernando Henrique Cardoso. Além disso, temos algo mais louvável para se comover.  Veja outra matéria sobre o massacre ocorrido esta semana no Mato Grosso do Sul. Falta originalidade e verdade ao atores globais.

Veja o vídeo dos atores americanos de apoio a Barack Obama:

Veja agora a comoção macaqueada dos atores brasileiros (já com as devidas interações dos internautas escritas nos balãozinhos)

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OS ESTADOS UNIDOS POR ELES MESMOS: ASSASSINOS ECONÔMICOS E FAÇA O QUE EU DIGO, NÃO FAÇA O QUE EU FAÇO
FAÇA JUS, TODO POLÍTICO DEVERIA IR PARA O SUS
BARBARIDADE TCHÊ: FAZENDEIROS QUE SE UTILIZAM DO TRABALHO ESCRAVO TÊM CURSO SUPERIOR, SÃO DO SUDESTE E FILIADOS AO PSDB, PMDB E PR
SÓ A DEMOCRACIA PERMITE MANIFESTAÇÃO E COMBATE À CORRUPÇÃO

BRASIL É O PAÍS QUE MAIS NEGLICENCIA SEUS POVOS INDÍGENAS NO MUNDO, DIZ A NOBEL DA PAZ RIGOBERTA MENCHÚ

Rigoberta Menchú

Os povos indígenas, desde a colonização, sempre foram postos à margem e negligenciados pelos sucessivos regimes e governos que passaram pelo Brasil. Até hoje, direitos básicos dos índios como direito à terra, à saúde, educação e até representação civil não são garantidos pelo estado.

Notícias de morte de índios por madeireiros e exloradores são frequentes, mas parecem não importar muito às autoridades nacionais. A polêmica recente envolvendo Belo Monte, por exemplo, diz respeito diretamente aos indígenas que vivem no local a ser atingido pela usina e que, até agora, não foram consultados e muito menos receberam garantias sobre como ficará a sua situação depois que as áreas onde vivem forem inundadas pela barragem.

Sobre isso, a ganhadora do prêmio Nobel da Paz, Rigoberta Menchú, em 1992, pela reivindicação dos direitos de povos indígenas, dos quais descende, concedeu uma entrevista à revista Carta Capital em que denuncia o total descaso com que os índios são tratados no Brasil e também o conservadorismo nacional no que diz respeito à concessão de direitos aos povos indígenas.

Entre outras coisas, a guatemalteca que teve uma infância difícil e perdeu o pai, a mãe e o irmão vítimas de tortura pelo regime militar da Guatemala, lembra que antes de realizar qualquer empreendimento nas florestas, por mais legítimos que sejam seus objetivos, a população do local nunca deve deixar de ser consultada.

Veja trecho:

‘Nenhum país trata tão mal os seus índios como o Brasil’
Por Gabriel Bonis

Desde a adolescência, Rigoberta Menchú engajou-se na luta por melhorias sociais na Guatemala. Ainda jovem lutou por causas feministas, mas ganhou destaque mundial e o prêmio Nobel da Paz em 1992 pela reivindicação dos direitos de povos indígenas, dos quais descende.

Oriunda de uma família camponesa, Menchú superou a infância pobre e violenta marcada pela morte da mãe, pai e irmão torturados pelas forças do regime militar guatemalteco. Também envolvida com causas ambientais e melhoria nas condições de trabalho campestre, seu ativismo despertou a ira de círculos influentes, lhe rendendo diversas ameaças de morte.

Presença garantida no 2º Fórum Global de Sustentabilidade do festival de música SWU, em Paulínia (SP), no dia 12 de novembro, Menchú conversou com o site de CartaCapital, por telefone. A ativista destaca, entre outros aspectos, a relutância do Brasil em aceitar a resolução da Organização dos Estados Americanos (OEA), para suspender o licenciamento da Usina de Belo Monte até que as comunidades indígenas sejam consultadas.

Além disso, segundo a Nobel da Paz, o Brasil é o País que mais negligencia os seus povos indígenas no mundo. “Os índios são os mais marginalizados da sociedade brasileira e o País se opõe às soluções debatidas no âmbito internacional. O Brasil permanece a nação mais conservadora na concessão de direitos aos povos indígenas.”

Na entrevista, Menchú também debate a indisposição de Israel e Palestina para chegar a um acordo de Paz verdadeiro, o movimento mundial dos “indignados” e a necessidade de se realizar uma reforma econômica e social ampla capaz de melhorar a qualidade de vida da população do planeta.

Veja abaixo a íntegra da entrevista:

CartaCapital – Como a senhora vê a relação conflituosa entre Israel e Palestina? Há uma saída para esse conflito, como a criação de dois Estados na região?

Rigoberta Menchú – É difícil que haja uma solução verdadeira na região sem passar por uma solução do povo palestino. Esse é um conflito antigo, que seria difícil resolver sem disposição para mudanças. Creio que ambos os lados não demonstram vontade verdadeira de chegar a um acordo.

CC – Como a senhora analisa os movimentos dos “indignados” contra o neoliberalismo em diversas partes do mundo? Há um futuro para esse tipo de manifestação?

RM – A decadência do sistema internacional e a crise generalizada afetam todos os povos do planeta, incluindo as grandes instituições, como o Fundo Monetári

o Internacional (FMI), e as pessoas. Provoca também a falta de valores, a corrupção e a intolerância. Por isso, a sociedade precisa de uma reforma integral e transformações que levem a uma melhora na qualidade de vida. Há a necessidade de uma mudança no sistema econômico internacional, que mira a ganância e propaga a violência. Neste cenário, a humanidade segue por um caminho difícil, pois o vão entre a pobreza e a riqueza está cada vez maior, existe mais incidência de fome entre adultos e crianças. Precisamos recuperar o equilíbrio e a missão social que é nossa responsabilidade e também do Estado, além de fazer reformas com enfoque social. (Texto completo)

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Barracos com folha de bacuri construídos pelos próprios indígenas

De formadores de nossa raça e cultura; e primeiros povos dos quais se tem notícia terem habitado estas terras tropicais brasileiras, os indígenas hoje tornaram-se mais um instrumento de dominação e exploração nas mãos de grandes fazendeiros e proprietários de terras que, reencarnam uma perfeita alegoria do antigo colonizador ou até dos antigos bandeirantes que exterminavam ou manipulavam os índios às custas de uma “justa colonização” ou de uma “necessária expansão dos limites territoriais conhecidos”.

Como prova e testemunho de que o tempo, de fato, às vezes gosta de repetir as mesmas histórias, um grupo de 16 índios foi encontrado em situação análoga à escravidão na Fazenda Vargem Grande, localizada em Miranda (MS). Há 15 dias no local, os índios, que eram responsáveis pela limpeza da área para formação de pastos visando a criação de gado bovino, dormiam em barracos precários de lona, cobertos com folha de bacuri, como mostra reportagem publicada pelo site Repórter Brasil.

Dentre outros detalhes, não havia fornecimento de água potável aos indígenas, que utilizavam água de um córrego para consumir e tomar banho. Refeições e instalações sanitárias também não eram garantidas. Uma situação anacrônica que expõe o quanto as situações de escravidão, ao promoverem certa animalização dos indíviduos, geram imenso desconforto social e histórico, afinal, elas colocam o Brasil de frente com a sua própria história, ao mesmo tempo em que revelam um país de costas para o futuro e para o seu próprio povo, capaz de formar indivíduos com pensamento e métodos do século passado!

Veja trecho da reportagem publicada pelo Repórter Brasil:

Indígenas são explorados em condições degradantes

Fiscalização flagrou 16 índios Terena na Fazenda Vargem Grande, que fica a 10 km na Aldeia Lalima, no município de Miranda (MS). Grupo estava há 15 dias no local e dormia em barracos precários de lona, cobertos com folha de bacuri

Por Bianca Pyl

Um grupo de 16 índios foi encontrado em situação análoga à escravidão na Fazenda Vargem Grande, que pertence à Agropecuária Rio Miranda Ltda e fica em Miranda (MS). Os trabalhadores eram responsáveis pela limpeza de área destinada à formação de pastos para criação de gado bovino.

Os indígenas são da etnia Terena e vivem na Aldeia Lalima, em Miranda (MS), a 10 km da propriedade. A ação ocorreu em 25 de janeiro deste ano e contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da Polícia Federal (PF).

A equipe de fiscalização fazia uma operação de rotina para verificar as condições de trabalho em carvoarias, iniciada no último dia 24 de janeiro. Contudo, no meio do caminho que dava acesso a uma carvoaria que seria fiscalizada, os agentes públicos encontraram os 16 indígenas. As vítimas foram contratadas diretamente pela administradora da fazenda. (Texto Completo)

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REVISTA VEJA MENTE, DETURPA, INVENTA, DESRESPEITA E SERVE DE LOBBY PARA EMPRESAS, MOSTRA NOTA DA ASSOCIAÇÃO DE ANTROPÓLOGOS

Frases contra a revista Veja nas ruas de São Paulo

Um dia a história do jornalismo brasileiro vai dedicar um capítulo especial para se entender a que ponto chegou o jornalismo brasileiro, que é conhecido hoje como “Jornalismo de Esgoto”.

Isso porque o conhecimento sobre o baixo nível do jornalismo da Veja já não é mais exclusividade do debate dos especialistas. Leia essa nota da Comissão de Assuntos Indígenas e da Associação Brasileira de Antropologia e perceba como outros setores da sociedade já conseguem fazer excelentes análises desse jornalismo.

Nota da Comissão de Assuntos Indígenas-CAI/ABA
A reportagem divulgada pelo último número da revista Veja, provocativamente intitulada “Farra da Antropologia oportunista”, acarretou uma ampla e profunda indignação entre os antropólogos, especialmente aqueles que pesquisam e trabalham com temas relacionados aos povos indígenas. Dados quantitativos inteiramente equivocados e fantasiosos (como o de que menos de 10% das terras estariam livres para usos econômicos, pois 90% estariam em mãos de indígenas, quilombolas e unidades ambientais!!!) conjugam-se à sistemática deformação da atuação dos antropólogos em processos administrativos e jurídicos relativos a definição de terras indígenas.
Afirmações como a de que laudos e perícias seriam encomendados pela FUNAI a antropólogos das ONGs e pagos em função do número de indígenas e terras “identificadas” (!) são obviamente falsas e irresponsáveis. As perícias são contratações realizadas pelos juízes visando subsidiar técnica e cientificamente os casos em exame, como quaisquer outras perícias usuais em procedimentos legais. Para isto o juiz seleciona currículos e se apóia na experiência da PGR e em consultas a ABA para a indicação de profissionais habilitados. Quando a FUNAI seleciona antropólogos para trabalhos antropológicos o faz seguindo os procedimentos e cautelas da administração pública. Os profissionais que realizam tais tarefas foram todos formados e treinados nas universidades e programas de pós-graduação existentes no país, como parte integrante do sistema brasileiro de ciência e tecnologia. A imagem que a reportagem tenta criar da política indigenista como uma verdadeira terra de ninguém, ao sabor do arbítrio e das negociatas, é um absurdo completo e tem apenas por finalidade deslegitimar o direito de coletividades anteriormente subalternizadas e marginalizadas. Saiba mais

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS FAZ CRÍTICA À CONDIÇÃO DOS NEGROS E DOS INDÍGENAS NO BRASIL

Afro-brasileiros e indígenas estão “atolados” na pobreza, diz alta-comissária da ONU

Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

A alta-comissária da ONU para Direitos Humanos, Navanethem Pillay, e o Capitão Potiguar

Brasília – A alta-comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para Assuntos de Direitos Humanos, Navanethem Pillay, voltou a criticar hoje (13), em seu último dia de visita ao Brasil, a situação de negros e indígenas no país. Ambas as populações, segundo ela, estão “atoladas” na pobreza, além de não ter acesso aos serviços básicos e nem a oportunidades de emprego.

Durante entrevista coletiva, Pillay se referiu à questão dos povos indígenas como invisível e lembrou que, de todos os funcionários federais e estaduais que conheceu durante a visita, nenhum deles tinha origem indígena. Para a alta-comissária, o fato serve como um indicativo de uma contínua marginalização.

“A maior parte dos povos indígenas do Brasil não está se beneficiando do impressionante progresso econômico do país e está sendo retida na pobreza pela discriminação e indiferença, expulsa de suas terras na armadilha do trabalho forçado.”

Em relação aos negros, Pillay ressaltou que a violência aparece como uma das principais causas de morte no grupo. Ela insistiu que há, no Brasil, uso excessivo de força tanto de agentes policiais quanto de milícias. “Até que isso mude, a situação vai prejudicar o progresso do Brasil em muitas outras frentes.”

Comentário:

Eis aí uma boa crítica ao governo Lula que a oposição poderia investir. O problema é que essas questões não interessam à oposição.

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PELA PRIMEIRA VEZ PREFEITOS DE ORIGEM INDÍGENA SÃO ELEITOS NO AMAZONAS

Amazonas elege seus primeiros prefeitos indígenas

Amanda Mota
Repórter da Agência Brasil

Manaus – O resultado das eleições municipais de 2008 passará a ter um significado especial para os povos indígenas do Amazonas. É que, pela primeira vez na história das eleições brasileiras, uma cidade escolheu prefeito e vice-prefeito indígenas: São Gabriel da Cachoeira, no extremo norte do estado. Outro município, Barreirinha, no Baixo Amazonas, também vai ser administrado a partir de janeiro de 2009 por prefeito indígena.

São Gabriel da Cachoeira, que fica a 858 quilômetros da capital, Manaus, elegeu para prefeito Pedro Garcia, da etnia tariana, e para vice-prefeito, André Baniwa, da etnia Baniwa. Foram 12.319 votos válidos, e eles tiveram 51,68% da preferência do eleitorado. No município, nove de cada dez habitantes são comprovadamente indígenas. É o município com maior número de índios no país.

O vice-prefeito eleito André Baniwa disse que a vitória eleitoral é resultado do amadurecimento político do povo indígena. Segundo ele, saúde e educação serão prioridade na próxima administração.

“Há necessidade de reconhecimento e legalização das escolas indígenas, formação de professores e qualificação dessa categoria. Terão prioridade no município saúde, infra-estrutura e segurança, além de ações que busquem alternativas de renda para a população”, informou Baniwa.

Em Barreirinha, a 331quilômetros de Manaus, Mecias Satere Mawe, foi eleito prefeito com 33,1% dos votos válidos (3.666).

Para o diretor do Centro Amazônico de Formação Indígena e presidente do Conselho Estadual de Educação Escolar Indígena do Amazonas, Domingo Sávio Camico, o resultado das eleições nos dois municípios é uma conquista histórica para os povos indígenas. Ele disse que a participação das populações indígenas na política é coisa recente no Amazonas, onde, tradicionalmente, esse envolvimento se dava por meio das organizações que os representam e de movimentos sociais.

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