Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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VÍDEO: EU QUERO SER NEGRA! OU: COMO A CULTURA FAZ DO RACISTA UM IDIOTA

CUBA É O MELHOR PAÍS DA AMÉRICA LATINA PARA SER MÃE E 33º DO MUNDO, ARGENTINA FICOU EM 36º E BRASIL FICOU EM 78º

Cuba é o melhor país da América Latina para ser mãe, diz estudo

No topo da lista, elaborada entre 176 países, está a Finlândia, enquanto a República Democrática do Congo está em último

michael vincent millerCuba é o melhor país da América Latina para a maternidade e o 33º do mundo, segundo um índice da organização britânica Save the Children. No topo está a Finlândia e a República Democrática do Congo em último. Os Estados Unidos estão em 30º lugar e o Brasil em 78º.

A ONG, cuja sede fica em Londres, leva em conta fatores como bem-estar, saúde, educação e situação econômica das mães, assim como a taxa de mortalidade infantil e materna, para definir a tabela.

Levando em conta somente a América Latina e Caribe, Cuba está à frente da Argentina (36), Costa Rica (41), México (49) e Chile (51). O Haiti está no 164º lugar. Também em postos relativamente baixos estão Honduras (111), Paraguai (114) e Guatemala (128). A Venezuela está em 66º.

“Apesar de a América Latina ter conseguido enormes avanços, podemos fazer mais para salvar e melhorar a vida de milhões de mães e bebês recém-nascidos que se encontram na maior situação de pobreza”, afirmou o diretor da Save the Children para a América Latina, Beat Rohr. Ele disse que os maiores avanços foram registrados no Brasil, Peru, México e Nicarágua.

O Índice de Risco do Dia do Parto, elaborado pela primeira vez, revela que 18 % de todas as mortes de crianças menores de 5 anos na América Latina ocorrem durante o dia de nascimento. As principais causas são nascimentos prematuros, infecções graves e complicações durante o parto.

Contudo, a mortalidade neonatal na região diminuiu 58 % nas últimas duas décadas, apesar de ainda existir uma grande diferença na atenção dada às pessoas ricas e às com menos recursos, ressalta o estudo. A Save the Children estima que, a nível mundial, mais de um milhão de recém-nascidos poderiam ser salvos todos os anos caso o acesso à saúde fosse universal.

“Quando as mulheres têm educação, representação política e uma atenção materna e infantil de qualidade, elas e seus bebês têm muito mais probabilidades de sibreviver e prosperar, assim como a sociedade na qual vivem”, sublinhou Rohr.

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CRIANÇAS SÃO ENGANADAS PORQUE NÃO IDENTIFICAM AS TÉCNICAS DE PERSUASÃO DA PUBLICIDADE, DIZ ESPECIALISTA

O Brasil está atrasado quando o assunto é a implementação de políticas de regulação no campo da publicidade infantil, diz a professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará (UFC), Inês Vitorino, que coordena o grupo de pesquisa da relação infância, adolescência e mídia da instituição.

Doutora em ciências sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Inês disse, em notícia publicada pela Agência Brasil, que “é preciso haver maior reflexão e mobilização da sociedade brasileira para exigir leis que protejam crianças e adolescentes dos “efeitos nocivos” que o marketing direcionado a eles tem”.

Ela explicou que as propagandas direcionadas ao público infantil geralmente se utilizam de técnicas de persuasão e sedução que as crianças ainda não são capazes de compreender, neste sentido, elas estariam sendo enganadas à medida que são expostas a uma mensagem cujos mecanismos próprios de construção lhes escapam.

Inês dá exemplo de países que proibiram ou, ao menos, regulamentaram a publicidade infantil e diz que o Brasil deveria fazer o mesmo. A professora cita a Alemanha em que toda publicidade é dirigida aos pais e onde não há peças publicitárias nos horários infantis. Em países como a Suécia, a propaganda infantil é totalmente proibida.

São países democráticos, como lembra a notícia, mas que entendem que uma criança de até 8 anos não compreende o que são técnicas de convencimento, por exemplo, e recebem o conteúdo publicitário sem qualquer tipo de filtro. Vale dizer que assim como no projeto de regular a mídia, ao regular a publicidade infantil ou mesmo proibi-la não há qualquer espécie de censura à liberdade de expressão.

O que existe no caso da regulação da mídia é a garantia de qualidade e diversidade da programação e, no caso da propaganda infantil, o mínimo de respeito necessário à infância. Em um mundo inegavelmente consumista onde as vozes da publicidade são das mais poderosas e até sufocantes é no mínimo uma atitude de bom senso deixar que as crianças decidam por conta própria o que querem ter e ser!

Brasil está atrasado na implantação de políticas de regulação da publicidade infantil, diz especialista
Por Thais Leitão

Rio de Janeiro – O Brasil está muito atrasado em relação a outros países quando o assunto é implementação de políticas de regulação no campo da publicidade infantil. A avaliação é da professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará (UFC), Inês Vitorino, que coordena o grupo de pesquisa da relação infância, adolescência e mídia da instituição.

A especialista, que também é doutora em ciências sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), acredita que é preciso haver maior reflexão e mobilização da sociedade brasileira para exigir leis que protejam crianças e adolescentes dos “efeitos nocivos” que o marketing direcionado a eles tem. “As propagandas voltadas para crianças são em geral abusivas porque utilizam estratégias de persuasão que elas não são capazes de identificar, então estão sendo enganadas”, disse.

Inês Vitorino acredita que o Brasil deve seguir o exemplo de países que adotaram modelos que proíbem a publicidade infantil ou regulamentam a atividade de forma específica. “Na Alemanha, por exemplo, toda a publicidade é dirigida aos pais e nos horários infantis não há qualquer publicidade. Na província do Québec, no Canadá, e na Suécia, a publicidade infantil é inteiramente proibida. São países de tradição democrática, mas optaram por esse caminho com base no princípio norteador que a criança até 7 ou 8 anos não tem sequer a clareza do conteúdo persuasivo. Ela assiste à publicidade e não tem compreensão de que ali há uma oferta de venda”, explicou.

A especialista ressaltou, ainda, que por meio da publicidade são apresentados conceitos e valores, como níveis de competitividade e desqualificação de pessoas pela falta de posse de determinados produtos, com os quais a criança não está preparada para lidar. “Sem maturidade para lidar com esse tipo de situação, a criança sofre problemas de autoestima e conflitos familiares, porque ela passa a pedir aos pais coisas que muitos deles não têm condições de comprar”, ressaltou.

A professora da UFC citou ainda outra situação considerada por ela um problema familiar, que é a influência de crianças e adolescentes nas compras da casa. De acordo com ela, dados colhidos por um instituto de pesquisa brasileiro, em 2007, constataram que, no Brasil, 45% de crianças e adolescentes entre 8 e 14 anos opinam sobre a compra de carros pela família, 60% influem sobre a aquisição de celulares e 61% sobre a de computadores. Em consequência, a consultoria concluiu que 80% das marcas devem incluir o público formado por crianças e adolescentes nas suas estratégias de marketing. (Texto completo)

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Infância X Consumo

A coordenadora geral do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, entidade que analisa o consumismo infantil, Isabela Henriques, disse recentemente que qualquer tipo de mensagem publicitária direcionada a crianças deveria ser proibida, como conta notícia publicada pela Rede Brasil Atual.

A coordenadora do Projeto diz que o ideal seria que toda e qualquer peça publicitária direcionada a um público com idade inferior a doze anos fosse proibida e passasse a ser direcionada a um público que pudesse fazer a mediação entre as crianças e os produtos do mercado, os pais por exemplo.

Isabela trabalha com a hipótese de que as crianças não têm discernimento para refletir sobre os apelos publicitários, cada vez mais constantes e sedutores, e recebem a mensagem sem os filtros que um adulto possui, por exemplo. Por isso, os adultos é que deveriam fazer a mediação enquanto que as crianças não deveriam ser as interlocutoras diretas das empresas de publicidade.

A responsabilidade na questão do controle e determinação do tipo de público a que a publicidade deve se dirigir, afirma a coordenadora, deveria ser do Estado pois, segundo ela, as normas e diretrizes estabelecidas pelas empresas não são suficientes. Já aos pais caberia o papel de direcionar as crianças para outras atividades, para o universo de brincadeiras e experiências que não fique restrito à simples relação entre infância e consumo.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

ONG defende proibição de publicidade voltada ao público infantil
Por Suzana Vier

São Paulo – A coordenadora geral do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, entidade que analisa o consumismo infantil, Isabela Henriques, disse na sexta-feira (27) que qualquer tipo de mensagem publicitária direcionada a crianças deveria ser proibida. A especialista participou do seminário “Regulação Sanitária e Desenvolvimento Econômico e Social”, promovido pela Revista Carta Capital, em São Paulo.

“Defendemos que a população de menos de 12 anos não receba nenhum tipo de comunicação de mercado, nenhum tipo de publicidade, de merchandising, de marketing que fale com ela, que tente incentivá-la a consumir produtos e serviços”, apontou

Segundo a coordenadora do Alana, até a faixa de 12 anos as crianças não têm condições de analisar criticamente as mensagens que recebem. “A criança é muito vulnerável, é muito suscetível a esses apelos publicitários. Elas também são ‘muito literais’ e recebem as mensagens como dados da realidade, porque não têm os filtros que os adultos possuem.”

O ideal é que a publicidade de produtos e serviços voltados para esta faixa de público seja direcionada aos seus cuidadores. “Que pais e responsáveis façam a mediação dessa criança com o universo comercial”, disse. “Porque o pai pode fazer análise crítica dessa mensagem e definir dentro do poder familiar que ele tem, inclusive legalmente, se é adequada ou não.” (Texto completo)

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O Instituto Alana fez ontem, dia 30 de novembro, o primeiro protesto do Projeto Criança e Consumo em frente à sede da empresa Mattel em São Paulo. Durante o protesto foi entregue à empresa o troféu de “Vencedora do Prêmio Manipuladora – Dias das Crianças 2011” pela enorme quantidade de propaganda destinada ao público infantil no último Dia das Crianças.

Segundo dados de pesquisa inédia realizada pelo Observatório de Mídia Regional da Universidade Federal do Espírito Santo em parceria com o Instituto Alana, “foram aproximadamente 8.900 comerciais veiculados em 15 canais, nos 15 dias que antecederam o Dia das Crianças”.

A campanha do Instituto Alana é bastante legítima e se justifica diante do fato de que as crianças passam em média mais de cinco horas por dia, segundo último levantamento do Ibope, de 2010, em frente à TV. Além disso, participam do processo decisório de 80% das compras da casa, de acordo com pesquisa da Interscience, de 2003.

No entanto, as crianças não têm o mesmo poder de discernimento de um adulto, o que reforça a necessidade de repensar o abuso nas propagandas infantis e também a forma como essas propagandas têm sido feitas.

Veja os dados da pesquisa:

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Em média, com seis anos de idade, as crianças já passam a ter um perfil na rede

Da Agência Andi

Crianças entram cedo nas redes sociais
Publicada originalmente no Valor Econômico

Seja brincando com bolinhas de gude ou disputando torneios em videogames avançados, jogar sempre foi um dos passatempos preferidos das crianças. Agora, elas parecem ter descoberto um universo muito propício para esse tipo de brincadeira: as redes sociais. De acordo com o estudo Kids Expert 2011, realizado anualmente pela Turner, que controla o canal infantil de TV paga Cartoon Network, 72% das crianças que participaram da pesquisa no Brasil disseram jogar nas redes sociais. Para elas, essa é uma atividade mais frequente do que se comunicar com os amigos ou ver vídeos e fotos, por exemplo. “Esse é um novo meio para brincar e fazer o que elas (as crianças) sempre fizeram”, disse Renata Policicio, gerente de pesquisas da Turner.

Cada vez mais cedo- Apesar de a maioria das redes sociais encorajarem o uso de seus sites apenas por pessoas com mais de 18 anos, o primeiro contato com esse ambiente digital tem ocorrido cada vez mais cedo. Segundo a pesquisa, cujos resultados foram divulgados ontem (14), as crianças brasileiras passam a ter um perfil em alguma rede social com, em média, 6 anos de idade. O primeiro perfil costuma ser feito por familiares ou amigos. “As crianças brasileiras são as que entram mais jovens nas redes sociais, seguidas de perto pelas venezuelanas”, disse Renata. (Texto completo)

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DE JOÃO CABRAL PARA DANDARA: OS VERSOS DE UM AVÔ POETA PARA A NETA

O poeta dos versos curtos, pouco emotivos, inclinados para o trabalho com a forma, mas destinados, a seu modo, a falar sobre a vida, revela-se em livro recentemente lançado com poemas dedicados à sua neta Dandara, um poeta de frases carinhosas e doces.

Enquanto foi embaixador no Senegal, à época de 1975, um dos mais importantes poetas do século XX, o pernambucano João Cabral de Melo Neto, recebia de sua filha Inez Cabral, fotos da neta que tinha então dois anos de idade. As fotos inspiraram uma série de versos que ele escrevia e enviava à neta no Brasil.

O livro Ilustrações para Fotografias de Dandara traz instantes poéticos como “Eis Dandara, alegria da rua,/que nasceu a assoviar,/ quando virás por aqui/ ver teus avós em Dacar?” e projeta aos olhos do leitor uma poesia de pura vivência e descoberta, exatamente como se desenha no tempo da existência humana esse instante inicial e único, o instante da infância para os quais os poetas estão sempre voltados, de uma forma ou de outra, em versos metafísicos ou concretos, pois esta vida severina, por mais que seja dura, também um dia já foi, e vez ou outra é, apenas uma menina!

O livro sai publicado pela editora Objetiva e já está nas livrarias de todo país. Mais informações na página da editora.

Vi na edição da revista Cult de junho de 2011.

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Uma relação pra se pensar!

O poder que a propaganda tem em influenciar o comportamento e conduzir a vontade das crianças já está sendo constantemente debatido. O que se discute é a necessidade de repensar a autorregulamentação do setor de publicidade infantil que, segundo entidades que defendem os direitos da infância, simplesmente induz as crianças a certos comportamentos e desejos que à priori elas não têm e que, devido ao fato de que estas ainda não possuem discernimento suficiente para se defender dos apelos da publicidade, são automaticamente assimilados por elas.

De forma geral, a publicidade sem limites direcionada ao público infantil acaba por afetar a criança de alguma forma. Ainda que ela seja uma criança saudável e goste da vida que leva, a propaganda, infantil ou qualquer outra, atinge uma área da mente ainda desconhecida por grande parte dos estudiosos da psicologia humana. As imagens, vozes e apelos da propaganda agem no inconsciente de cada um e, mesmo que tenhamos uma boa formação ou, no caso das crianças, um bom ambiente de crescimento, essas vozes do desejo acabam falando mais alto quando menos se espera e de forma nem sempre previsível.

Daí a necessidade de cuidar das informações que são repassadas à infância. O mundo hoje já pede muito de nós, não contente, ele agora quer fazer com que as crianças percam a sensação de plenitude que experimentam no tempo presente e vivam, assim como nós adultos, em função de desejos e projeções futuras que anulam nossa existência na dimensão do atual.

No entanto, talvez não seja o caso de proibir de todo a propaganda infantil, como vem sendo proposto, a proibição nunca é o melhor dos caminhos. A propaganda pode sim ser benéfica em alguns aspectos se o sistema de valores no qual ela se estrutura for revisto. Portanto, o ideal mesmo é repensar a regulamentação do setor e encontrar o tão desejado ponto de equilíbrio entre a proibição e os direitos da infância. Não é preciso deixar de falar às crianças, elas são ávidas por ouvir, mas é preciso saber falar a elas, preservando a peculiaridade de seu tempo, para que o diálogo aconteça de fato.

Veja trecho de notícia publicada pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) sobre a discussão em torno do assunto:

Entidades questionam publicidade infantil e autorregulamentação do setor
Por Marcello Larcher
Câmara dos Deputados

Vinte entidades discutiram nesta terça-feira na Câmara o Projeto de Lei 5921/01, que proíbe publicidade direcionada ao público infantil. No seminário promovido pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, 11 entidades posicionaram-se contrárias ao projeto, a maioria ligada ao mercado de anúncios e de mídia, enquanto 9 foram favoráveis à medida, ligadas à defesa do consumidor e dos direitos da infância.

O vice-presidente Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), Rafael Sampaio, assinalou que nenhum país tem essa questão bem resolvida, mas reconheceu que há uma tendência à autorregulamentação, que são normas levadas a cabo pelo próprio mercado publicitário. “Em normas gerais, todos concordam que a infância precisa ser protegida, o problema é operacional, como fazer com que a propaganda do bem possa ser feita, e a que exacerbada seja cassada. Se você proíbe previamente, acaba impedindo muita coisa positiva”, disse. Sampaio citou campanhas de higiene e de alimentos saudáveis, entre as publicidades feitas por empresas e que são úteis para os pais e as crianças.

O presidente o Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar – entidade que cuida do setor no Brasil), Gilberto Leifert, lembrou que as regras para a publicidade de produtos infantis foram atualizadas em 2006. Segundo informou, em 2009 foram registradas 78 intervenções para retirar do ar propagandas consideradas nocivas; e em 2010, foram 46. “Conseguimos agir mais rápido que o Judiciário para retirar do ar uma propaganda considerada abusiva”, disse. (Texto completo)

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DILMA ACERTA AO MANTER O FOCO NA INFÂNCIA PARA ACABAR COM A MISÉRIA NO BRASIL, DIZ ECONOMISTA

O governo Lula já avançou de forma considerável no combate à miséria no Brasil. Um problema tão delicado, tão profundo, tão difícil que Lula enfrentou de frente, ao contrário de outros governantes que, assim como faz a maior parte da população, preferiam fingir que o problema não existia. Sempre é bom lembrar que a miséria ainda persiste em grande parte do nosso país, reduzindo o ser humano à situações de total falta de dignidade.

No entanto, algo já começou a ser feito e o governo Dilma sinaliza que o combate à miséria vai continuar sendo uma das principais bandeiras e com mais um ponto positivo. Dilma quer concentrar o combate à miséria na infância, voltando as atenções para aqueles que representam o futuro. Nada mais importante e essencial, uma atitude elogiada pela economista Sônia Rocha, autora do livro Pobreza no Brasil: Afinal, de Que Se Trata?, que considera o ato de cuidar das crianças como “o melhor caminho para romper o círculo vicioso da pobreza”.

Dilma quer combater a miséria com foco na criança

Uma atitude, ao mesmo tempo, difícil que revela a segurança de Dilma e a certeza de seus objetivos. Cuidar da infância faz parte das medidas antipobreza mais eficientes, como lembra a economista em entrevista concedida à Agência Brasil, e por ser mais eficaz leva mais tempo, não é tão popular, pois tem custos mais altos, não rende tantos retornos políticos e tem uma operacionalização mais delicada.

A infância há muito vem sendo abandonada pelos sucessivos governos. Fala-se muito em previdência, oportunidades para os jovens, impostos, dentre outros temas que são extremamente importantes, no entanto, as crianças, as imagens do futuro, são frequentemente esquecidas.

Esse esquecimento tem se dado em todas as áreas, não só quando se trata de pobreza, mas também quando se fala em publicidade, conteúdo televisivo, direitos, educação, etc. Ao trazer a infância para o centro do debate em torno do combate à miséria, Dilma recupera a importância da criança e lembra que se elas tiverem oportunidades, educação, acesso à cultura e toda uma proteção legal que lhes é devida, o futuro terá cidadãos mais conscientes, aptos a conseguir um bom emprego, maduros para estruturar uma boa família, dignos para ajudar a construir um país melhor.

Para alguns pode parecer até óbvio falar que para combater a miséria é preciso ter a infância como foco, o fato é que esse tipo de senso comum dificilmente é colocado em prática e as crianças seguem sendo, para muitos governantes de plantão, mais propaganda do que conteúdo!

Veja texto da entrevista publicada no site da Agência Brasil com a economista Sônia Rocha.

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QUEM A REDE GLOBO PENSA QUE ENGANA? ATÉ UMA CRIANÇA DE SETE ANOS PERCEBE QUE HÁ ALGO ERRADO NO JORNAL NACIONAL

– Pai, você viu aquele casal?

– Que casal amor?

– Aquele da televisão?

– Televisão?

– É aquele que entrevistou a Dilma? Você viu?

– Ah, sei. Vi sim, filha.

– Eles não deixavam ela falar, estavam bravos.

– É verdade, aconteceu isso mesmo.

– E com o Serra, você viu?

– Não, não vi. E você? viu?

– Eu vi. Eles deixaram ele falar à vontade e com a Dilma não.

Você pode pensar que isso é uma ficção, um microconto, mas é a pura realidade. Quem a Globo de Ali Kamel pensa que engana?

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Pesquisa mostra queda de quase 50% no número de crianças trabalhando no Brasil

Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A quantidade de crianças e adolescentes inseridas no mercado de trabalho caiu cerca de 50% em 15 anos. De acordo com a pesquisa Perfil do Trabalho Decente no Brasil, publicada hoje (16) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 1992, havia 8,42 milhões de trabalhadores com idade entre 5 e 17 anos. Um década e meia depois, em 2007, o número caiu para 4,85 milhões. Saiba mais

CRIANÇAS INVISÍVEIS (ALL THE INVISIBLE CHILDREN) É UMA POEMA DRAMÁTICO DA SITUAÇÃO DA INFÂNCIA NO MUNDO MODERNO

Cena do forte e terrivel curta de Spike Lee

Cena do forte e terrível curta de Spike Lee

O filme Crianças Invisíveis (All the Invisible Children, 2005)  reúne oito diretores em uma dramática e sensível tradução da infância neste mundo contemporâneo que alguns (bem remunerados) julgam ser o melhor dos mundos e por isso se calam.

Diretores de vários países, inclusive Brasil com Kátia Lund, narram formas de uma infância que foi abandonada a própria sorte. Uma realidade muito presente no Brasil, mas parece ser uma epidemia mundial. Uma infância que não tem tempo para brincadeiras, mas vive a realidade do adulto como se fosse criança. Um mundo dúbio e insano entre sobreviver e viver.

Apesar de histórias diferentes, há uma unidade nos oito curtas, que mantém a qualidade cinematográfica: os curtas tentam fugir de estereótipos e clichês para poder ver melhor.

É preciso ter coragem para encarar a inf ância que cresceu sem seu tempo.

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