Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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APAGÃO DA CULTURA: O PROBLEMA DO GOVERNO DILMA NÃO ESTÁ NA INFRAESTRUTURA, MAS NA SUPERESTRUTURA

Uma das dificuldades da oposição ao governo federal é a incapacidade de entender os reais problemas do governo da presidenta Dilma Rousseff. A oposição só ataca onde Dilma Rousseff acerta. Esta semana mesmo só saíram números positivos: inflação sob controle, reservas cambiais em alta, obras do PAC em andamento, investimentos etc etc.

Assim que saem as notícias boas da economia,  vem a oposição e afirma que Dilma Rousseff não sabe investir em infraestrutura, que há descontrole, perigo, a economia vai mal etc.  Com uma oposição dessa, não precisa de base aliada. Dilma vence sozinha as próximas eleições. É inacreditável, mas eles (coloca a Marina Silva junto) negam a realidade para criticar o governo.

Mas Dilma tem um ponto fraco, que está blindado pela incompetência da oposição. A oposição não enxerga que o problema de Dilma Rousseff não é a infraestrutra, mas o retrocesso na área cultural e educacional em relação ao governo Lula. Claro que não se compara ao governo FHC, que foi na verdade um desgoverno. Mas com relação ao governo Lula, a questão cultural foi jogada no lixo.

Exemplos não faltam, a começar com o Ministério da Cultura que com Ana de Hollanda praticamente destruiu todos os avanços da gestão anterior. Marta Suplicy assumiu, mas trabalha dentro da perspectiva da direita civilizada, com subsídio ao acesso à cultura mercantil. Outro exemplo é o ciência sem fronteira, que foi bloqueado para as ciências humanas. É um governo tacanho na área cultural e os números começam a aparecer.  Parafraseando o PIG (Partido da Imprensa Golpista), há um apagão na superestrutura.

Acabou o sonho e a fantasia de construir um país de cultura horizontalizada que era mais ou menos alimentada e fomentada no governo Lula com avançadas políticas de software livre, direitos autorais flexíveis etc. Talvez por isso os protestos recentes tenham tido tanto sucesso. Dilma cumpre a agenda da oposição, que é a infraestrutura, e sem o patamar de real transformação social, que é a cultura.

A pesquisa que acaba de sair mostrando que os trabalhadores do setor cultural diminuíram nos últimos cinco anos expõe em números os graves problemas do governo Dilma Rousseff (PT), mas que são apagados no debate político. O número de trabalhadores do setor cultural caiu 12,6% entre 2007 e 2012. Os dados são do Sistema de Informações e Indicadores Culturais, apresentada hoje (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“A população ocupada na cultura era 4,2 milhões em 2007 e passou para 3,7 milhões em 2012, enquanto a população ocupada no Brasil passou de 89,9 milhões para 94,7 milhões no mesmo período (aumento de 5,3%). A participação da cultura na população ocupada caiu de 4,6% em 2007 para 3,9% em 2012. Os dados foram extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).”

O descaso cultural ou insensibilidade política para fomentar a arte e a cultura agora aparecem em números. Mas a infraestrutura vai bem. Veja os números do PAC2, melhores do nunca.

OBRAS EM AEROPORTOS DE 12 CIDADES-SEDE DA COPA DO MUNDO EM 2014 NÃO ESTARÃO CONCLUÍDAS ATÉ O EVENTO, ALERTA IPEA

O aeroporto de Manaus está entre os que não terão as obras terminadas antes de 2017

Nos últimos anos, o Brasil acumulou avanços em diversos aspectos e setores. Criou-se empregos, firmou-se nossa presença no cenário político mundial, distribuiu-se renda, abriu-se a porta do ensino superior para quem nunca teve a oportunidade de estudar, dentre outras ótimas notícias. No entanto, um assunto parece não ter solução por aqui. Trata-se da nossa engessante burocracia.

A burocracia apenas atrapalha o desenvolvimento do país e o bem estar da população. Só quem enfrenta filas nos mais diversos setores do serviço público, saúde, trânsito, educação, dentre outros, sente o peso desse incomôdo.

O mais recente sintoma da burocracia brasileira pode ser visto em relação ao atraso nas obras da Copa do Mundo. Não é caso de fazer alarde em relação ao assunto, como outros meios de comunicação têm feito, atrasos sempre acontecem e isso não significa que o Brasil não tem capacidade de organizar um evento como a Copa do Mundo. No entanto, o fato é que se a burocracia fosse menor, não só o problema das obras já estaria resolvido há muito tempo, como o Brasil já teria saído à frente de muitos países do mundo e estaria bem melhor colocado na escala do desenvolvimento social e econômico do que se encontra atualmente.

Sem dúvida, a burocracia não é o único fator que vem retardando a execução dos projetos previstos para preparar o país para a Copa do Mundo de 2014, no entanto, sem ela muita coisa já teria sido feita, pois se outros países conseguem e o Brasil sempre esbarra em dificuldades, é porque nosso “custo Brasil” realmente pesa e pesa muito.

E vale dizer que a preocupação em fazer obras há muito urgentes nos aeroportos brasileiros só veio agora com as exigências impostas pela Fifa (Federação Internacional de Futebol). E mesmo assim, é difícil vê-las saindo do papel. Imaginem se não tivéssemos a Copa, o jeito seria esperar pelas melhorias sentado ou nas filas que se multiplicam por aí.

Não se tem dúvidas de que o Brasil dará conta do recado, ele sempre dá, mas o caminho atá lá poderia ser muito mais tranquilo! E isso vale não só para a Copa, mas para todas as outras questões sociais e políticas do país.

Veja trecho de matéria sobre o assunto publicada pela Agência Brasil:

Maioria dos aeroportos de cidades-sede da Copa não estará pronta até 2014, alerta Ipea
Por Alex Rodrigues

Brasília – As obras de ampliação de nove dos 12 aeroportos em funcionamento nas 12 cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo de Futebol de 2014 não deverão ser concluídas até o início do evento esportivo. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), fundação vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, a situação é preocupante. A demora nas obras também já motivou críticas do presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Joseph Blatter.

De acordo com os responsáveis por uma nota técnica divulgada hoje (14), em Brasília (DF), considerando-se os prazos médios para elaboração de projetos, obtenção de licenças obrigatórias, realização de licitações públicas e início do serviço, “muito provavelmente não será possível concluir a maioria das obras de expansão dos terminais aeroportuários até a Copa de 2014”.

Segundo o Ipea, além dos nove terminais já em operação, o Aeroporto Internacional São Gonçalo do Amarante (RN), próximo à capital Natal, que ainda está em construção, não deve ficar pronto antes de junho de 2014. (Texto Completo)

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INTERNET BANDA LARGA É O GRANDE NÓ DA INFRAESTRUTURA E DA DEMOCRACIA DO BRASIL

Teles querem manter o apagão da internet no Brasil

As grandes empresas de telecomunicações, que oferecem uma internet banda estreita e cara, ameaçam entrar na Justiça para tentar impedir que o governo crie uma estrutura que permita acesso à internet para um grande número de brasileiros e que haja capitalismo e competição no setor.

Todos os países do mundo estão realizando grandes investimentos em internet para que a população tenha acesso com qualidade e barato. Esse vai ser o diferencial competitivo das próximas décadas. Mas não só isso, a internet banda larga é uma grande oportunidade para se diminuir o oligopólio dos meios de comunicação e permitir uma pluralidade de vozes. Isso porque cada vez mais a internet ganha audiência em detrimento da televisão, que foi o grande concentrador de poder comunicacional das últimas décadas.

O objetivo das Teles, criadas durante o governo FHC com monopólio em regiões do país, é entrar na Justiça alegando inconstitucionalidade e levar a discussão para o Congresso, onde o lobby pode ser praticado e o processo emperrado. É uma forma de deixar o Brasil às escuras.

Leia matéria do Vermelho:

Com saudades de FHC, empresas privadas querem barrar banda larga

Beneficiadas pelo escandaloso processo de privatização conduzido pelo governo FHC e com saudades do neoliberalismo tucano, as grandes empresas privadas de telecomunicações estão em campanha contra a Telebrás e o plano do governo Lula para universalizar o acesso à banda larga.

Após a divulgação pelo Planalto do Plano Nacional de Banda Larga, as empresas de telefonia cogitam recorrer à Justiça para tentar impedir a Telebrás de oferecer internet rápida a usuários finais.

Oligopólio

Segundo executivos ouvidos ontem pelo jornal “Folha de São Paulo”, a reativação da Telebrás uniu tradicionais concorrentes, como Embratel, Oi, Telefônica e GVT, que se sentem igualmente ameaçadas pela perspectiva de terem concorrência estatal no segmento de banda larga. A união sugere a existência de um oligopólio que dita os preços (altíssimos) cobrados pelos serviços de banda larga no mercado. Saiba mais

EDUCAÇÃO NO BRASIL É PIOR DO QUE NO PARAGUAI, BOLIVIA E EQUADOR, DIZ UNESCO; MAS EDUCAÇÃO É A GRANDE INFRAESTRUTURA DE UM PAÍS

Educação é a infraestrutura

A infraestrutura foi a obsessão do governo Lula e uma cobrança intensiva da grande mídia e dos empresários após a saída de Fernando Henrique Cardoso do governo. De repente se percebeu que o país ficou sucateado nas mãos de FHC e sem condições e alcançar um crescimento.

Nos últimos 7 anos, o governo Lula foi cobrado para realizar obras de infraestrutura. Tanto que o governo fez o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que a oposição critica porque diz que deveria ser mais ágil. Ou seja, a oposição também só pensa em infraestrutura.

O problema é que nos esquecemos da educação. A educação é a grande infraestrutura do país. Sem educação de qualidade não teremos um país menos violento e menos desigual.

Essa poderia ser uma boa bandeira da oposição e de José Serra para as eleições presidenciais  de 2010. Mas o que apresentar? A educação de São Paulo está um horror e é administrada de forma autoritária e sem mudanças significativas tanto de infraestrutura quanto de superestrutura (conteúdo, didática, etc).

O governo Lula também não avançou muito nessa área, apesar dos Prouni, ampliação das universidades e cursos técnicos.  Mas o Brasil precisa de muito mais, precisa de uma revolução no ensino, é preciso mudar tudo no ensino básico.  Mas essa parece não ser a pauta das próximas eleições.

O Relatório da Unesco sobre educação mostra que é preciso avançar, mas não há grandes mudanças previstas nos próximos governos. Veja notícia no Estadão.

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BELÉM SE PREPARA PARA RECEBER O FÓRUM SOCIAL MUNDIAL A PARTIR DO DIA 27 DESTE MÊS

Pará se prepara para receber Fórum Social Mundial

Maurício Thuswohl/Carta Maior

BELÉM – A pouco menos de um mês do início da próxima edição do Fórum Social Mundial, o Governo do Pará finaliza os preparativos para criar as condições políticas e de infra-estrutura necessárias para receber as 100 mil pessoas que devem chegar a Belém para o evento, que acontecerá de 27 de janeiro e 1º de fevereiro. Entre os principais desafios colocados para a organização do FSM estão o estabelecimento de uma efetiva parceria entre o poder público e os movimentos sociais na construção de uma agenda política comum e a adequação logística de Belém para receber o maior evento político mundial da esquerda.

Designada pela governadora Ana Júlia Carepa para coordenar a organização do FSM 2009, a secretária de Governo, Ana Cláudia Cardoso, afirma que a maior aproximação entre o governo estadual e as organizações do movimento social nacionais e paraenses já é uma conquista provocada pelo Fórum: “Quando iniciamos as discussões sobre o FSM, há um ano, tivemos alguns problemas porque o governo apresentou uma pauta e os movimentos entenderam que a gente estava, de alguma maneira, querendo competir com eles. Naquele ponto ficou claro para nós do governo qual é o papel do Estado: o movimento social é protagonista e nós somos apoiadores”, diz.

O Governo do Pará quer garantir a infra-estrutura adequada à realização do FSM em quesitos como hospedagem, transporte, saúde e segurança pública. Uma das iniciativas a serem adotadas é a hospedagem solidária, conceito utilizado nas edições anteriores do Fórum: “Belém só tem oito mil leitos na rede hoteleira, mas a gente sabe que a população que está vindo para o Fórum talvez ficasse fora desse mercado de qualquer maneira. Então, com a iniciativa da hospedagem solidária, através da qual moradores da cidade cederão cômodos, conseguimos uma ampliação para 30 mil leitos”, revela Ana Cláudia Cardoso.

Outras alternativas de hospedagem também serão utilizadas: “Casas de veraneio em áreas como a Ilha do Mosqueiro serão alocadas, e estamos apostando nos alojamentos que estão programados para dentro do fórum, como os acampamentos que serão feitos pela juventude, pelos quilombolas, pelos indígenas e pelas comunidades rurais”, diz a secretária de Governo. Também haverá alojamentos nas universidades e em diversas escolas: “O Colégio Nazaré, por exemplo, reservou mil lugares para receber integrantes de colégios maristas de todo o Brasil”.

Para garantir a segurança do FSM, o governo estadual conta com o apoio do Ministério da Justiça: “O ministério alocou recursos para trabalhar comunicação, inteligência, defesa civil, etc. Isso traz para o Pará novos equipamentos como ambulâncias, lanchas, carros e instrumentos de proteção dos policiais. Todo esse equipamento permanecerá aqui após o Fórum. Também foram alocados recursos para a preparação dos policiais em termos de relações públicas, para que eles possam receber o público do Fórum”, diz Ana Cláudia.

O Ministério da Saúde também enviou recursos ao governo paraense: “Solicitamos ajuda para o setor de saúde porque aqui existe o risco de endemias como dengue e malária. Os recursos serviram também para viabilizarmos o atendimento a eventuais emergências durante o Fórum. O governo estadual está entrando com a parte de investimentos – reformando unidades de atendimento e um hospital – e o Ministério da Saúde está entrando com toda parte de custeio, como medicamentos, recursos para pagamento de pessoal, etc.”, diz a secretária. (Texto Integral na Carta Maior)

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