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mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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IPEA: O PIB DOS BRASILEIROS ESTÁ MELHOR DO QUE O PIB DO BRASIL

Marcelo Neri, presidente do Ipea

Marcelo Neri, presidente do Ipea

Ipea: ‘O pibinho não chegou ao bolso do trabalhador brasileiro’

Estudo elaborado pelo instituto revela criação de 484 mil postos de trabalho no Brasil em 2012, em contraste com índices de crescimento econômico

Por: Maurício Thuswohl, da Rede Brasil Atual

Rio de Janeiro – “O pibinho não chegou ao bolso do trabalhador ou ao bolso do aposentado. Os brasileiros estão melhor do que o Brasil”. A definição, dada pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Néri, resume os resultados do boletim de conjuntura “Análise do Mercado de Trabalho”, elaborado pelo instituto e apresentado hoje (4) no Rio de Janeiro.

O estudo do Ipea, que abrange também o mês de janeiro de 2013, conclui que “o mercado de trabalho se comportou de maneira positiva em 2012”, mantendo uma tendência de crescimento iniciada nos últimos anos. A conclusão se apóia nos números positivos registrados em itens como as taxas de atividade e desocupação, a média dos níveis de ocupação e informalidade e o aumento da massa salarial e do rendimento médio real habitual do trabalhador brasileiro.

“O mercado de trabalho está surpreendendo há alguns anos, e talvez 2012 seja o ápice dessa surpresa” avalia Néri. O presidente do Ipea ressalta que o ano passado confirmou a tendência de crescimento do mercado de trabalho brasileiro, apesar dos resultados não tão bons obtidos em termos de crescimento da economia registrado pelo PIB, que cresceu 0,9% no ano passado. “A cada ano o desemprego vai caindo e a taxa de atividade vai crescendo no país. A formalidade continuou a aumentar. O salário, em particular, aumentou. É como se o Brasil estivesse crescendo sua massa per capita a 5,3% enquanto a economia registrada pelo PIB é zero”, diz.

Néri afirma ainda que a permanente entrada de novas pessoas no mercado de trabalho tem sido um fator preponderante para a redução das desigualdades sociais no Brasil. “O mercado de trabalho brasileiro continua o movimento de redução da desigualdade que beneficia aqueles com menor educação, que moram nas regiões mais pobres ou na periferia, os negros, as mulheres. Segmentos tradicionalmente excluídos têm tido um desempenho melhor”, diz. (texto integral)

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CASA GRANDE DO PIG NÃO CONSEGUE ENTENDER O LULISMO, MAS O IPEA EXPLICA: MENOR DESIGUALDADE DA HISTÓRIA

Não é o Lulismo, é a história, Casa Grande

Os analistas de plantão da grande mídia acusam a população de ser lulista, de se ter criado o lulismo. Mas o lulismo é também o petismo. É uma história recente do Brasil, um movimento político e social, que tem transformado o país, apesar dos equívocos e dos diversos problemas.

O Brasil, apesar de ser muito desigual, alcançou com Lula e o PT a menor desigualdade da história. E isso foi conseguido também com a luta de décadas de vários partidos e militantes políticos sem partido.

E é por isso que tentam demonizar Lula e o PT, assim como qualquer outro partido que venha a diminuir a desigualdade social e estabelecer uma democracia mais sólida nessas terras. Veja notícia abaixo:

Em 2011, Brasil atingiu menor índice de desigualdade social da história

Carta Capital

Brasília – Os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2011) confirmam que a primeira década do século 21 no Brasil foi “inclusiva” do ponto de vista social, com robusta diminuição da desigualdade e redução da pobreza, na avaliação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O período guarda os melhores resultados desde quando o país produz estatísticas sobre distribuição de renda. “O Brasil está hoje no menor nível de desigualdade da história documentada”, disse o economista Marcelo Neri, recém-empossado presidente do Ipea. Segundo ele, o índice de Gini (indicador que mede a desigualdade) foi 0,527 em 2011 – o menor desde 1960 (0,535) – quanto mais próximo de zero menor é a desigualdade.

Segundo Neri, a redução tem a ver com o crescimento da renda per capita nos diferentes estratos sociais. Entre 2001 e 2011, o crescimento real da renda dos 10% mais pobres foi 91,2%. Enquanto os 10% mais ricos, o crescimento foi 16,6%. Na opinião de Neri, a melhoria da renda na base da pirâmide relativiza o tímido desempenho das contas nacionais (medido pelo Produto Interno Bruto – PIB). (texto integral)

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OTIMISMO DOS BRASILEIROS COM RELAÇÃO À SITUAÇÃO SOCIOECONÔMICA DO PAÍS CRESCE E MAIS DE 70% DAS FAMÍLIAS ADMITE ASCENSÃO FINANCEIRA

Segundo dados do Ipea, a região centro-oeste é a mais otimista quanto à situação financeira futura das famílias. A menos otimista é a região sul

Da Rede Brasil Atual

Ascensão financeira abrange 71,9% das famílias brasileiras
Pesquisa do Ipea mostra crescimento em relação ao ano passado
Por Jorge Wamburg

Brasília – O Índice de Expectativa das Famílias (IEF) divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que em setembro, 71,9% das famílias brasileiras indicaram estar melhor financeiramente hoje do que há um ano, percentual ligeiramente inferior ao apresentado no mês anterior (73,8%). Essa queda é verificada no aumento da proporção de famílias que acreditam terem piorado financeiramente, de 22,7% para 23,7%.

A região Centro-Oeste manteve-se a mais otimista no aspecto de melhoria financeira em relação ao ano anterior (83,5%), com quase 10 pontos percentuais a mais em relação à segunda maior, a região Sudeste (73,8%). Enquanto o Centro-Oeste apresentou uma elevação de quase 4 pontos percentuais frente ao mês de agosto, a região Sudeste caiu de 79,2% para 73,8%.

No quesito expectativa sobre a situação financeira das famílias para o próximo ano, a região Norte é a que se mantém mais otimista (92,7%), apesar de uma leve queda em relação aos dados de setembro de 2010 (94,7%).

A pesquisa indica ainda que, nesse mesmo período, o Centro-Oeste, que em outras variáveis vem se mostrando a região mais otimista, demonstrou um salto considerável de expectativas positivas quanto à situação financeira das famílias para os próximos 12 meses, passando de 71,6% para 92,6% entre setembro de 2010 e setembro de 2011.

A média nacional em relação à situação das famílias para o próximo ano (77,8%) e as taxas das regiões Sul (70,3%), Sudeste (75,2%) e Nordeste (77,4%) apresentaram quedas em relação ao mês anterior. A redução mais expressiva foi de 6,2 pontos percentuais, registrada na região Sudeste. A região Sul manteve-se como a menos otimista quanto à situação financeira das famílias para os próximos 12 meses, diz o estudo.

Produzido pelo Ipea desde agosto do ano passado, o IEF revela a percepção das famílias brasileiras em relação à situação socioeconômica do país para os próximos 12 meses e para os cinco anos seguintes. A pesquisa aborda temas como situação econômica nacional; condição financeira passada e futura; decisões de consumo; endividamento e condições de quitação de dívidas e contas atrasadas; mercado de trabalho, especialmente nos quesitos segurança na ocupação e sentimento futuro de melhora profissional. (Texto completo)

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PESQUISA DO IPEA REVELA QUE EM PERÍODOS DE CRISE GASTO SOCIAL DO GOVERNO LULA FOI BEM MAIOR QUE NOS ANOS FHC

As crises e os investimentos federais

Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) sobre “15 anos de Gasto Social Federal – de 1995 a 2009, traça um retrato estatístico do Brasil em três momentos de crise na economia, ocasionada por fatores externos. A atitude de um governo em épocas de crise revela não só sua habilidade para governar, como também suas prioridades no exercício do poder que, por sua vez, ajudam a ver a linha ideológica de um governante.

Os resultados da pesquisa revelam que enquanto no governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC) o gasto com políticas sociais caiu, acompanhando a queda no PIB, no governo Lula, os investimento sociais não são sacrificados pelo momento de instabilidade econômica.

Durante a crise de 2008-2009, os dados do IPEA revelam a firmeza da política social do governo Lula que não hesitou em tomar uma parcela maior do PIB para reduzir a desigualdade social no país. Esse fato responde em parte às críticas de que Lula apenas continuou governando da mesma forma que seu antecessor, esquecendo suas bandeiras de luta. Ele pode sim ter adotado o pragmatismo da gestão anterior, mas não abriu mão de investir no social, tirando, como de fato aconteceu, muitas famílias da pobreza.

Veja texto sobre o assunto de Mauricio Dias publicado pela Carta Capital, no qual ele também fala sobre a recepção externa do “modelo lulista” de governar que estaria, segundo alguns, chegando ao seu limite devido ao superaquecimento da economia. No entanto, está em jogo nesta questão duas percepções opostas, como ele aponta: aquele que vê nos limites do capitalismo formas de erradicar a desigualdade social e aquela que simplesmente condena os mais pobres ao fogo do inferno material.

As diferenças que contam
Por Mauricio Dias

Discursos do presidente prefaciados pelo mote “nunca antes na história deste país…” tornaram-se troça da imprensa com Lula e de Lula com a imprensa. Mas, afora essa curtição, bem ao gosto do coração corintiano do ex-operário metalúrgico, a frase expressava, em várias ocasiões, situações inéditas como a que pode ser extraída agora de um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) sobre “15 anos de Gasto Social Federal – de 1995 a 2009”.

O trabalho mostra como a política social praticada pelo petista na crise de 2009-2008, foi radicalmente oposta à prática dos governos tucanos nas crises de 1998-1997 e 2003-2002 (gráfico). Nos três momentos o País foi atingido por crises econômico-financeiras geradas muito além das fronteiras brasileiras.

Em 1998 e 2002, sob o governo de FHC, o Gasto Social Federal cai e acompanha a queda do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2008, O PIB despenca e o GSF acelera em sentido oposto. A decisão política é concretamente definida: não sacrificar o investimento social do governo.

Nos gastos sociais considerados pelo Ipea está incluído o dinheiro “efetivamente gasto nas políticas sociais no total de recursos mobilizados pelo governo federal” em meio à disputa dos vários interesses legítimos, de inúmeros agentes, em torno do dinheiro público.

Para alcançar esse objetivo, o Orçamento foi desmontado e remontado, e analisada ação por ação no que se refere à destinação social do dinheiro, entre 1995 e 2009.

Eis algumas constatações comparativas no período analisado:

• O GSF cresceu 3,7% do PIB e 146% em valores reais, acima da inflação (IPCA).

• De 1995 a 2002 (oito anos de FHC) o crescimento do GSF foi de 1,7% do PIB.

• De 2003 a 2009 (sete anos de Lula) o GSF foi aumentado em 2,7% do PIB.

A crise de 2008-2009 mostra a firmeza da política social lulista. Com a economia freada, o governo tomou uma parcela maior do PIB para o GSF. Um salto expressivo de 14,9% (2008) para 15,8% (2009). (Texto completo)

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ESTUDO DO IPEA MOSTRA QUE PARA 51% DOS BRASILEIROS EDUCAÇÃO NO PAÍS NÃO MELHOROU

A educação na mira dos brasileiros

Os dados variam de região para região e de acordo com o nível de escolaridade e renda, mas, de forma geral, um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostra que 51% da população brasileira não vê melhorias na qualidade da educação no país.

Como já era de se esperar, o sudeste registrou o maior percentual de opiniões negativas e a região centro-oeste o maior índice de respostas positivas. Da mesma forma, pessoas que ganham mais e têm maior escolaridade manifestaram opiniões negativas. Aquelas que ganham e estudaram menos, já viram a questão sob um ponto de vista mais otimista.

Assim como o centro-oeste, as regiões norte e nordeste também avaliaram de forma positiva os avanços nas políticas educacionais locais o que, segundo o IPEA, reflete o aumento de investimentos na educação em regiões que, tradicionalmente, sempre conviveram com os piores indicadores educacionais do país. Felizmente, isso parece estar mudando, haja vista a avaliação positiva feita pela população local.

Estudos como esse são interessantes, pois, além de revelarem a recepção dos programas sociais do governo federal por parte da população, também ajudam a obter uma espécie de radiografia social do brasileiro, já que ao analisar as respostas de diferentes pessoas, é possível relacionar o tipo de opinião à circunstância na qual ela é formada, compreendendo, em última instância, por que o brasileiro pensa de um jeito e não de outro; e o que influencia diretamente em sua forma de ver o próprio país.

Veja trecho de notícia sobre o assunto publicada pela Agência Brasil:

Para 51% da população, educação no Brasil não melhorou
Por Amanda Cieglinski

Brasília – Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que para quase metade (48,7%) dos brasileiros a educação no país melhorou. Entretanto, dos 2.773 entrevistados, 27,3% avaliam que não houve mudanças na qualidade do ensino e quase um quarto (24,2%) acredita que o sistema piorou.

O Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips) foi desenvolvido pelo Ipea para captar a opinião da população sobre políticas e serviços públicos em diversas áreas. O estudo mostra que essa percepção varia muito em cada região do país. O Sudeste registrou o maior percentual de avaliações negativas: 36,1% acreditam que a educação piorou, enquanto no Nordeste esse grupo representa apenas 14% da população. No Centro-Oeste, 62,9% acham que a oferta melhorou – maior índice de respostas positivas.

De acordo com o Ipea, o maior índice de percepção de melhoria nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e no Norte, e o menor índice no Sul e no Sudeste “podem ser uma evidência de que foram ampliados os investimentos nas três primeiras regiões, já que é justamente lá onde se encontram os piores indicadores educacionais do país”. (Texto Completo)

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O IPEA, A ARTISTA E O JORNALISTA

A arte está no Mundo. No contorno da paisagem.

FICÇÃO-CONTO

Absurda era aquela sua imagem. Tão mesquinha, pequena, rastejante. Analisava-me no espelho, ansiosa pelo vir a ser de mim e o que eu via não me bastava. Espécie de sombra projetada e ansiosa. Contorno derramado dos teus olhos belos e despudorados. Não, não me agradava. Apenas pulsava! Dançava inerte entre tons cinzas da manhã esculpindo uma natureza morta e aliviada! Queria tua distância, embora te visitasse em meu corpo sem ânsia.
Olhei-te e rasguei a tela jogada no canto da tua pretensão. Fiz dela pedaços de uma muda e descabelada solidão. Joguei tinta, embora não visse as formas. A decisão era esvaziar os sentidos, tornar aquilo tão puro e primitivo que nada ali pudesse ser enfim dicionarizável. Não havia sentidos que pudessem ser percebidos, não havia imanência, no Nada existia a coisa criada.

Que péssimo quadro! Um desgosto.

Você dizia olhando para minha virtuosa e elástica imagem na lâmina transparente, extensão banal da retina desintegrada. E eu apenas descia as escadas. O que era enfim essa minha arte que a ti nunca agradava? O que era então essa minha carne insuficiente, extasiada? O que era aquele vinho sem graça? Eu? Se eu me soubesse…
Você? A rolar feito pedra na limpeza da água. Leitor atento das notícias e dos números da madrugada. Afeito a essa realidade orgulhosa de não ser nada, de não definir nada, de não bastar para nada. Feita de símbolos que significam o que pede para ser significado. Símbolos que deveriam fazer ver o sentido do mundo e não dar sentido ao absurdo do mundo. Quando perceberás o equívoco do teu alheamento? Escreves sobre o real….Ridículo dom de ser banal!

Qual graça vê em teus rabiscos humilhados pelo tempo? Nestas cores que são nada mais do que matérias mal cheirosas?

Bem se vê a palpitação da moral dentro de ti. Esvaziou-se de espírito. Perscrute uma letra que valha a pena nesta tua alma abismadamente pequena. Está oco de espírito, de essências, do místico.

Eu vivo na terra, não suponho fazedores de ar. Salta demais.

Tolo! Salto da terra e faço-me no ar. Não negue tua falta de coragem para a hierofania.

Virou religiosa. Nada mais esvaziante!

Quer dizer isso de você mesmo, tão vazio que não consegue ver a sensibilidade que independe de manifestações religiosas, está brutalmente racionalizado. Estude o conceito, ele também ironizável, antes de vir com teus limitantes defeitos.

Os místicos também morrem. Não há coisa mais crua.

Concordo. Crua, por isso pura. Bela. Habita tua treva mesquinha, essa caverna onde só há sombras projetadas por um sol que a elas é anterior. Habita tua negra cavidade, esquiva-se da verdadeira luz.

A verdadeira luz é o que acontece. O que é e precisa ser. O que foi, o que pode ser.

Nada é. Tudo paira.

Sinceramente, você quer saber a real situação dessa tua arte? Além de fanias e outras ias…Ninguém sabe de arte. Ninguém sabe o que é arte. As pessoas no Brasil não vão a museus, a cinemas. Música? Só a de boteco, o pagode do churrasquinho na laje. A cultura é um processo falido. Uma voz muda que não se escuta e continuará assim se algo não for feito por quem observa a realidade que você despreza. Faz muito bem em rasgar estes teus quadros inúteis. Ninguém os vê. Poucos se interessam. Quando veem não entendem, como você mesmo diz, e aí eu é que te aguento aqui sofrendo. A cultura é ida e você ingênua. Não adianta ficar aqui só pintando e “existencializando” com essas suas crises temperamentais. Enquanto você paira no sagrado, sua arte bóia em uma lagoa esquecida, incapaz de refletir sequer um pólen.

Na lagoa do esquecimento, cíclica. Esqueceu da roda. O que vai, volta. De onde vêm estes ridículos argumentos?

A cultura no Brasil é distante e inacessível. Acabei de publicar uma matéria sobre uma pesquisa do Ipea que diz que 70% da população nunca foi a um museu ou centro cultural e mais da metade nunca vai ao cinema. Se o povo sequer se dá ao trabalho de ver, o que dirá de ler. Portanto, imagina a situação dos afeitos às indomáveis letras. As barreiras são muitas. A arte como já diria Godard, de fato é exceção!

IPEA não, HIPÉRBOLE! Ótimo nome para essa pesquisa. Um exagero!

É a realidade querida.

A realidade não existe. Já disse que o mundo é sombra, sombras e mais sombras a repetirem-se frenéticas, a cheirarem o vazio, a tocarem o deserto das impressões sutis e das vertigens ilusórias. A cultura é mais do que isso. Se eu quiser eu faço ela chegar. Não há nada de novo ou de absurdo nesses seus números mansos. Por isso tua raça limitante.

Você deveria estar preocupada com o problema. Como artista deveria ser a primeira a dizer “que absurdo” e fazer alguma coisa.

Ninguém faz nada. As pessoas apenas fingem. As palavras apenas mentem. A música apenas desafina. A tinta apenas alucina. O sopro é o único que nada faz indiferente. A cultura é um sopro. Como sopro ela se expande, recria-se, tal qual o horizonte geometrizado do mar faz-se grande…

De súbito tomou o quadro recém rasgado e criado. Apoiou-se no parapeito da janela e o atirou. Dançando em pleno ar, o quadro parecia flutuar sem tempo, cheio de graça. Parecia uma fuga harmonizada, uma alma feita de infinita partitura, ondulante e expressiva, um verso velado e amado, parecia um ser que do fundo do ouvido escutava um silêncio que vinha depois de outro e ainda outro. Era a coisa sendo…

No chão derramado, um pequeno estremecer. Barulho do despertar diante de um espaço aberto a desenhar-se para a contemplação. Uma multidão acorreu. Ficaram por alguns instantes a imaginar. Estava a arte no seu devido lugar!

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REDISTRIBUIÇÃO DA CARGA TRIBUTÁRIA PARA QUE RICOS PAGUEM MAIS DO QUE POBRES SERIA UM BOM TEMA PARA AS ELEIÇÕES 2010

Ricos (renda acima de 30 salários minimos) pagam metade da carga tributária que incide sobre os mais pobres (até 2 salários mínimos)

Qual candidato à presidência da república se compromete a redistribuir a carga tributária para que quem ganha mais pague mais e os mais pobres paguem menos impostos. Esse seria um bom tema de debate para os candidatos à eleição presidencial. Isso porque seria interessante saber como fazer isso? Como é possível redistribuir a carga tributária? É possível fazer isso sem taxar grandes fortunas e o patrimônio? Como eliminar impostos para quem ganha de 1 a 2 salários mínimos por mês? Qual candidato tem propostas para inverter esse gráfico ao lado?

O próprio Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), do governo Federal, mostra em gráfico que os mais pobres continuam pagando mais impostos do que os mais ricos.  Isso quer dizer que as pessoas que reclamam dos impostos, ou seja, os grandes empresários, são os que pagam menos impostos em termos proporcionais. Esse gráfico acima é uma boa explicação para o fato de o Brasil ser o país mais desigual e um dos que têm maior violência urbana no mundo.

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BRASILEIROS MORAM EM CONDIÇÕES INDIGNAS

Condições de moradia definem condições de vida e inclusão social

Condições de moradia definem condições de vida e inclusão social

Um em cada três brasileiros não tem condições dignas de moradia nas cidades

Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Em todo o Brasil, 54 milhões de pessoas, o equivalente a 34,5% da população urbana, ainda vivem em condições de moradia inadequadas. Os dados fazem parte de estudo feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2007, divulgado hoje (21) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo a pesquisa Pnad 2007: Primeiras Análises, praticamente um em cada três brasileiros que vivem nas cidades não tem condições dignas de moradia.

O estudo mostra que indicadores habitacionais como domicílios urbanos providos de paredes e teto construídos com materiais duráveis apresentam índices de cobertura superiores a 98,6%, considerados pelo estudo como “bastante elevados”. Há registros também de banheiros de uso exclusivo do domicílio para 97,5% das pessoas que vivem em áreas urbanas, de iluminação elétrica em 99,8% das moradias e de conexão com a rede de telefonia fixa em 75,6%.

Os principais problemas habitacionais, segundo o Ipea, estão relacionados ao grande adensamento de pessoas, ao ônus excessivo com o pagamento de aluguel, à proliferação de assentamentos precários e aos casos de mais de uma família vivendo em uma mesma  residência.

O número de pessoas que moram em domicílios urbanos onde há superlotação domiciliar – com densidade superior a três pessoas por cômodo usado como dormitório –, por exemplo, é de 12,3 milhões de habitantes, o que representa 7,8% da população urbana.

De acordo com o estudo, os brasileiros que sofrem com o adensamento excessivo estão concentradas nas regiões metropolitanas de São Paulo (2,2 milhões) e do Rio de Janeiro (1 milhão). Já em termos relativos, o problema é mais grave nas regiões metropolitanas de Belém, de São Paulo e de Salvador, onde os percentuais são de 16,6%, 11,7% e 10,6%, respectivamente.

DESIGUALDADE RACIAL DIMINUI GRAÇAS AOS PROGRAMAS SOCIAIS DO GOVERNO

Brasil deve levar 20 anos para zerar desigualdade de renda entre negros e brancos, conclui Ipea

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Estudo divulgado hoje (14) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2007, revela que a diferença de renda entre negros e brancos vem caindo nos últimos anos e, se o ritmo for mantido, deve ser zerada em 2029.

De acordo com o Ipea, a renda per capita dos negros representa menos da metade da renda domiciliar per capita dos brancos. “Trata-se de uma desigualdade particularmente detestável, na medida em que não é atribuível a nenhuma medida de mérito ou esforço, sendo puramente resultado de discriminações passadas ou presentes”, informa o documento.

Essa desigualdade, no entanto, começou a cair a partir de 2001. Até 2007, um quarto da diferença foi retirada. “Isto quer dizer que ainda faltam outros três quartos. Se o ritmo continuar o mesmo, haverá igualdade na renda domiciliar per capita apenas em 2029”. É possível que que a redução da razão de rendas não seja conseqüência de uma redução nas práticas discriminatórias e sim do fato de negros serem maioria entre os beneficiários do Programa Bolsa Família, avalia o Ipea.

“A pobreza é predominantemente negra e a riqueza é predominantemente branca”, ressalta o estudo.

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Pesquisa revela queda de 11 pontos percentuais na taxa de pobreza em cinco anos

Lourenço Canuto
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A taxa de pobreza nas seis maiores regiões metropolitanas do país caiu de 35% da população, em 2003, para 24,1% neste ano, com redução de quase um terço da pobreza em termos proporcionais. A indigência seguiu o mesmo ritmo, e sua participação no conjunto da população caiu para a metade nesse período. Os dados são da pesquisa Pobreza e Riqueza no Brasil Metropolitano, divulgada hoje (5) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Em 2003, o percentual de famílias mais ricas, com rendimento de 40 salários mínimos mensais ou mais, sofreu redução de 20%, voltando a crescer a partir de 2005. Segundo o Ipea, no ano passado, o percentual encontrava-se no mesmo patamar de 2002 e, neste ano, a tendência é permanecer estável.

A pesquisa revela, entretanto, que “todo o quadro favorável no que se refere à pobreza não evoluiu para a obtenção de ganhos de produtividade, em face da estabilidade econômica e dos ganhos com os aumentos do salário mínimo”. De acordo com o Ipea, “os detentores dos meios de produção podem estar se apoderando de parcela crescente da renda nacional”.

IPEA DESENVOLVE INDICADOR CULTURAL

Se o Ipea pode criar índice para a cultura do Brasil, não há nada que nos impeça de medir o potencial corrupto de um político. Veja matéria do Ipea e na seqüência os links para os índices de corrupção.

Ipea desenvolve indicador para medir desenvolvimento cultural do país

Morillo Carvalho
Enviado especial

Florianópolis – Um indicador, semelhante ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), vai medir os dados sobre o desenvolvimento da cultura no país. Criado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Indicador de Desenvolvimento Cultural (Idecult, nome provisório), já está pronto, faltando apenas alguns debates para sua divulgação.

Parte dos dados foram apresentadas  pelo seu criador, o pesquisador do Ipea Frederico Barbosa.“O Idecult dará uma noção maior de quais são as áreas mais carentes de fomento e fruição cultural e poderá resultar na formatação de políticas públicas para essas regiões”, disse Barbosa.

Para aferir os dados, o Idecult usa cinco índices: o número de domicílios consumidores de cultura; o gasto privado com cultura;  o número de domicílios ocupados em funções estritamente culturais, medidos pelo Código Brasileiro de Ocupações – CBO), o que mede as atividades econômicas culturais (por meio do Cadastro Nacional de Atividades Econômicas – CNAE) e o que mede o número de equipamentos culturais dos municípios.

A medição do CBO é sobre os profissionais que produzem cultura, e inclui arquitetos, publicitários e artesãos. Já a do CNAE leva em consideração as empresas ligadas ao setor cultural, como, por exemplo, as livrarias e vídeo locadoras. Quanto ao consumo cultural, mensura dados sobre o número de vezes que a família foi ao cinema ou o número de livros que comprou em um ano, por exemplo.

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