Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos de tags: Kassab

QUE NOME DAR A ISSO? QUE NOME DAR A ADMINISTRAÇÃO DE SERRA E KASSAB?

Serra/Kassab: 8 anos de desprezo por São Paulo

Carta Maior/ Saul Leblon

Que nome dar a isso?

Que nome dar a isso?

Oito anos de consórcio Serra/Kassab na cidade de São Paulo e, só agora, com a administração Haddad, vem à luz o resultado dramático de um abandono apenas intuído. 

Ele não explica sozinho a deriva em que se encontram os serviços e espaços públicos da cidade. Obra meticulosa e secular de elites predadoras. 

Mas ajuda a entender por que motivo a Prefeitura se consolidou aos olhos da população como uma ferramenta irrelevante, incapaz de se contrapor à tragédia estrutural e ao desastre cotidiano. 

O artigo do secretário de educação, Cesar Callegari, publicado na Folha, nesta 5ª feira, faz o balanço das causas profundas desse estado de espírito na área da educação. 

É arrasador. 

Acerta a administração Haddad se fizer disso um compromisso: expor em assembleias da cidadania, organizadas pelas administrações regionais, a radiografia objetiva do que significou, em cada serviço, e em cada bairro, a aplicação da ‘excelência administrativa’ daqueles que, de forma recorrente, avocam-se a missão de submeter o país a um ‘choque de gestão’.

Somente a compreensão de suas causas pode desfazer a tragédia que se completa com o descrédito da população em relação ao seu próprio peso na ordenação pública da cidade. 

A missão mais difícil do prefeito Fernando Haddad é sacudir esse olhar entorpecido de uma cidadania há muito alijada das decisões referentes ao seu destino e ao destino do seu lugar.

Expor o custo desse alijamento, meticulosamente construído, é um primeiro passo.

É o que o secretário Callegari faz ao mostrar que:

a)São Paulo ocupa o 35º lugar entre os 39 municípios da região metropolitana em qualidade da educação, medida pelo Ideb; 

b) 28% das crianças paulistanas concluem o 1º ciclo do ensino fundamental, aos 10 ou 11 anos de idade, sem estar alfabetizados; 

c) em 2012, a rede municipal contabilizou 903 mil faltas de professores desmotivados e doentes; 

d) há 97 mil crianças na fila, sem creche ;

e) a construção de 88 escolas foi contratada ‘criativamente’, sem terrenos; 

f) 50 mil alunos ficaram sem livros didáticos este ano, porque não foram solicitados ao MEC, ‘por um lapso’ da administração anterior.

Engana-se, porém, quem atribuir esse saldo à força de uma inépcia especializada na área educacional. 

Troque-se a escola pela a saúde.

Reafirma-se o mesmo padrão. 

A seguir, alguns números pinçados também de uma reportagem da Folha, desta 5ª feira, que, por misterioso critério da Secretaria de Redação, deixou de figurar na manchete da 1ª página:

a) a Prefeitura de SP pagou, em 2012, R$ 2,1 bilhões a entidades privadas de saúde, ‘sem fins lucrativos’ — fórmula de terceirização de serviços públicos elogiadíssima por Serra na disputa eleitoral contra Haddad; 

b) 530.151 consultas deveriam ter sido realizadas por esse valor; mas apenas 347.454 foram de fato executadas;

c) não foi um ponto fora da curva: em 2011, as mesmas entidades deixariam de realizar 41% dos atendimentos previstos. Repita-se 41% do atendimento terceirizado não foi feito;

d) apesar disso, receberam integralmente os repasses estipulados nos dois anos. Sem ônus, sem fiscalização, sem inquérito, sem arguição pelo descalabro.

Qual é o nome disso?

O nome disso é desprezo pela sorte da população. 

O nome disso é uma esférica certeza na impunidade ancorada no torpor das vítimas, desprovidas dos meios democráticos para reagir. 

Mas também é o reflexo de um conluio inoxidável com a mídia de São Paulo, que, agora denuncia, mas nunca lhes sonegou o acobertamento na hora decisiva da urna. 

Veja mais em Educação Política:

KASSAB PROÍBE DOAÇÕES DO PÚBLICO A ARTISTAS DE RUA, É O PÚBLICO CAMINHANDO EM DIREÇÃO AO PRIVADO

Artistas de rua na mira de Kassab

Os artistas de rua são aquelas pessoas que, na maioria das vezes, vivem de sua arte. Eles pintam o corpo, fazem malabarismos, tentam chamar a atenção de quem passa apressado na correria do dia-a-dia. Tentam impressionar pelo seu talento e criatividade, tocando a sensibilidade ou evocando lembranças naqueles que passam. De forma alguma, os artistas de rua obrigam o outro a contribuir com o seu trabalho. A contribuição é voluntária e vale o quanto aquela manifestação artística representa para quem vê.

Além de não atrapalhar a ordem pública, o artista de rua dá um colorido a mais para a paisagem, deixando-a mais alegre, divertida, sutilmente artística e renovada. Às vezes, as pessoas podem até se sentir incomodadas, o fato é que o artista de rua não as incomoda, ele pede indiretamente por meio da arte, mas não interpela ninguém, as pessoas são livres para olhar se quiserem, para contribuir se acharem que ele merece, para passar sem sequer inclinar a cabeça. O artista é livre e respeita a liberdade do outro.

Já o prefeito de São Paulo. Gilberto Kassab, parece desconhecer o significado da palavra liberdade. Em recente decisão, ele disse estar proibida a contribuição dada pelo público aos artistas de rua. O argumento para tal intromissão é de que o artista está usando a via pública para benefício privado, lucrando sem sequer pedir autorização.

Trata-se de um tipo de alegação sem o menor sentido. Os artistas de rua sempre existiram desde as civilizações mais antigas e as pessoas sempre contribuíram da forma que lhes fosse mais atraente. A rua é um espaço público por excelência, assim, o argumento da prefeitura de São Paulo não se sustenta, afinal, ela se baseia no caráter público de um espaço para perseguir o artista de rua, mas ela mesma ameaça esse caráter público quando tenta estabelecer ordens e leis que o tornam cada vez mais de domínio privado.

O artista não privatiza nada. Ele precisa ganhar para sobreviver. Já o poder público quer controlar a tudo e a todos, nas ruas e, daqui a pouco, dentro de nossas próprias casas!

Veja texto sobre o assunto na Rede Brasil Atual:

Proibidos de receber doações, artistas de rua de SP se dizem perseguidos por Kassab

São Paulo – Em pé, em cima de um caixote, em ruas e praças da capital paulista, a estátua viva do homem prateado tem movimentos leves e calmos. O silêncio é outra de suas características. Ele trabalha quase sem fazer barulho. Os sons só mesmo os que a plateia de passantes produz, admirada e surpresa. “É uma arte tão sutil, tão elevada”, diz Carmen Lúcia, que mesmo carregando várias sacolas parou para apreciar o trabalho.

Trocar de posição, só quando cansa ou um expectador generoso deixa uma doação na ânfora. Grato pela contribuição, o homem vestido de cowboy, com o corpo coberto por tinta prata e lentes verdes claríssimas, se move lentamente – para não destoar da função, nem assustar – e solta um chiado baixinho, de robô enguiçado. Estende a mão e oferece uma pedrinha ao passante gentil.

Nos últimos meses, o silêncio do trabalho, antes só quebrado pelo barulho das moedas ao caírem em sua ânfora, foi substituído por constantes avisos de policiais militares de que artistas de rua, como o Homem Prateado, cantores, repentistas, entre outros, não podem mais se apresentar no centro de São Paulo se receberem contribuições do público. “O coronel disse que posso trabalhar sem ânfora”, revela o Cowboy Prateado, contrariado com a deliberação da prefeitura de São Paulo. “Ele (o coronel) trabalha de graça? Ele tem conta para pagar, nós também temos”, reclama o artista. (Texto Completo)

 

Leia mais em Educação Política:

UM POUCO DA PROSA REGIONAL E MODERNA DE A BAGACEIRA, DE JOSÉ AMÉRICO DE ALMEIDA
CENAS INESPERADAS SURGEM NA PAISAGEM DA CIDADE DE SÃO PAULO PELAS LENTES DE UM GRUPO DE FOTÓGRAFAS
O LÚDICO EM KANDINSKY, O ABSTRATO NA ARTE
RELÍQUIA: VÍDEO TRAZ ‘PELO TELEFONE’ NA VOZ DE CHICO BUARQUE, PIXINGUINHA, DONGA, DENTRE OUTROS

GILBERTO KASSAB DÁ AULA DE COMO CONCENTRAR RENDA AO RESTRINGIR O ACESSO DE ÔNIBUS FRETADOS AO CENTRO DE SÃO PAULO

Kassab e Serra: 500 anos de concentração de renda

Kassab e Serra: 500 anos de concentração de renda

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab,  do DEM (antigo PFL) dá mais um exemplo de como concentrar renda com políticas públicas.  Ao restringir o acesso dos ônibus fretados ao Centro de São Paulo, ele retira trabalho e recursos de 130 empresas de médio e pequeno porte e repassa para uma ou duas das grandes empresas que já recebem milhões com a concessão do transporte público em São Paulo.

A desculpa é amelhora no trânsito, mas isso não vai acontecer porque a prefeitura criou novas 11 linhas para substituir os fretados. Ou seja, trocou seis por meia dúzia. Ou melhor: tirou de pequenas empresas e passou para grandes.

O trânsito não terá solução enquanto o país incentivar a indústria automobilística e não estabelecer políticas realmente transformadoras no transporte.

Essa tem sido a especialidade dos partidos políticos, principalmente DEM, PSDB e parcela do PMDB, que mantém um perfil político presente há 500 anos no país. Concentrar renda e produzir exclusão.

O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo graças a políticas públicas como essas do DEM e de Gilberto Kassab, que foi eleito com o apoio de José Serra.  Parabéns São Paulo.

Leia mais em Educação Política:
NEGRO TRABALHA MAIS E GANHA MENOS, DIZ PESQUISA DE ECONOMISTA DO DIEESE
GOVERNO LULA NÃO TEM SAÍDA, É PRECISO NEGOCIAR O TEMPO TODO COM 300 PICARETAS QUE CHANTAGEIAM O GOVERNO
GOVERNO INVESTE EM NOTEBOOK, MAS A PRIORIDADE DEVERIA SER A INTERNET BANDA LARGA
ENTIDADES SOCIAIS QUEREM O FIM DE POLÍTICOS DOMINANDO OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DO BRASIL
BRASIL TAMBÉM É LIDER EM DESIGUALDADE NO ACESSO À INTERNET
INTERNAUTAS: PAULO RENATO DE SOUZA, SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO, FINGE QUE NÃO VÊ A LAMA QUE O PSDB FAZ EM ARARAQUARA

A VITÓRIA DE GILBERTO KASSAB É UMA IRONIA DA POLÍTICA E DAS CIRCUNSTÂNCIAS HISTÓRICAS

Kassab aproveitou a ironia histórica

Kassab aproveitou a ironia da história

Acho necessário analisar com distanciamento o fenômeno Gilberto Kassab e sua ascensão dentro da política. Kassab é de uma linhagem de políticos (Arena, PDS, PFL e agora Demo) que busca controlar o dinheiro público nas mãos de grupos econômicos em vez de administrá-lo.

É por isso que de tempos em tempos esse grupo precisa mudar o nome do partido. Ficam tão queimados eleitoralmente que é necessário tentar enganar com outra marca. Mesmo assim, o Demo (ex-PFL) vem ano a ano perdendo força no processo democrático brasileiro, apesar dessa vitória em São Paulo.

Kassab ironicamente colhe os benefícios do PSDB e do PT. Ele herdou uma prefeitura com uma administração peessedebista que, apesar de ser um partido de direita e liberal, tem em seus quadros administradores e não só controladores do dinheiro público.

Além de herdar um quadro administrativo do PSDB, herdou também uma prefeitura em melhores condições financeiras, graças ao governo do presidente Lula (PT). O orçamento da cidade dobrou nos últimos anos. Kassab continuou as obras paradas e diminuiu a sujeira da publicidade. De resto, não fez nada que transformasse a realidade de São Paulo e nem vai fazer. A população quer resultado e Kassab, que nunca chegaria aonde chegou com o seu partido, aproveitou a ironia das circunstâncias políticas históricas.

O PROBLEMA DO VÍDEO DA CAMPANHA DE MARTA CONTRA KASSAB É TER ACERTADO O ALVO: VOTO SEM REFLEXÃO

Quando li e ouvi as notícias sobre a propaganda da Marta Suplicy ontem e hoje sobre o segundo turno das eleições em São Paulo fiquei um pouco assustado. Nossa! O que o PT fez agora?

Depois de ver o vídeo, fiquei pasmo. Pasmo com a grande mídia. O vídeo foi policiado pela grande mídia e não tem nada demais. Assistam ao vídeo abaixo. Confiram. Ele é correto e legítimo. Em nenhum momento ofende o candidato Kassab. Não há qualquer referência a uma possível homossexualidade de Kassab. Nada.

No entanto, ele acerta na mosca.

Muita gente votou em Kassab sem saber em quem estava votando. É isso que gerou toda essa repercussão.

A peça publicitária foi questionada não porque ofende Kassab, como pode ser visto, mas porque acertou no ponto central da vitória de Kassab. O voto em branco, o voto por inércia.

A peça publicitária é até muito semelhante com a idéia divulgada pela própria propaganda da justiça eleitoral. Antes de votar, reflita e conheça os candidatos, dizem os anúncios da Justiça eleitoral.

Veja também no Educação Política:

PSOL JÁ DEU A SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A VITÓRIA DE KASSAB EM SÃO PAULO E DE SERRA EM 2010

PELA PRIMEIRA VEZ PREFEITOS DE ORIGEM INDÍGENA SÃO ELEITOS NO AMAZONAS

O MAIOR TRUNFO DE MARTA NÃO É O PRESIDENTE LULA, MAS O MAPA ELEITORAL DO PRIMEIRO TURNO

SEGUNDO TURNO E ELEIÇÃO DE MARTA SERÁ TESTE DE TRANSFERÊNCIA DE VOTO DE LULA PARA DILMA ROUSSEF

Vale a pena ver mais abaixo o texto do Azenha comparando a cobertura da mídia sobre essa peça publicitária e outras campanhas. Azenha mostra como a grande mídia atua auxiliando a campanha de um candidato.

A MÍDIA COMO LINHA AUXILIAR NA CAMPANHA ELEITORAL

Atualizado em 14 de outubro de 2008 às 22:06 | Publicado em 14 de outubro de 2008 às 21:27

“Mas a acusação está no ar. Houve distorção? Ou aconteceu tal como narra a personagem apresentada no vídeo? Não cabe submeter o caso a inquérito. A sensibilidade do eleitor poderá ajudá-lo a discernir onde está a verdade – e se ela deve influenciar-lhe o voto, domingo próximo, quando estiver consultando apenas a sua consciência”.

O trecho entre aspas que aparece acima é do editorial do jornal “O Globo” publicado em 14/12/1989, intitulado “O Direito de Saber”, a respeito das acusações do candidato a presidente Fernando Collor de Melo a seu adversário, Luis Inácio Lula da Silva.

Notem que o jornal não quer um inquérito. Às favas com a verdade factual. Importa a “sensibilidade do eleitor”, tocada pelo depoimento pago de Miriam Cordeiro.

Collor, como vocês sabem, era o príncipe ungido pela mídia nativa para ocupar a presidência da República como “salvador da Pátria”.

Nos dias que antecederam ao debate final da campanha, Collor apresentou no horário eleitoral Miriam Cordeiro. O candidato do PT, é importante lembrar, era solteiro quando teve um relacionamento afetivo com Miriam. As acusações da mulher foram descritas assim por “O Globo”:

“Até que anteontem à noite surgiu nas telas, no horário do PRN, a figura da ex-mulher de Lula, Miriam Cordeiro, acusando o candidato de ter tentado induzi-la a abortar uma  criança filha de ambos, para isso oferecendo-lhe dinheiro, e também de alimentar preconceitos contra a raça negra.

Vejam só a sordidez com que o editorial endossa as acusações contra Lula. Leia a íntegra aqui.

Para aqueles que não se lembram, Miriam Cordeiro não apareceu apenas na propaganda do Partido de Renovação Nacional: estrelou também o Jornal Nacional, da Rede Globo, o que garantiu repercussão às acusações feitas.

Não houve uma só manifestação de pesar da grande mídia, na época, condenando a tática eleitoral do PRN.

É nesse quadro que se tornam absolutamente hipócritas as manifestações de “pesar” da mídia a respeito da tática eleitoral de Marta Suplicy, que sugeriu que o prefeito Gilberto Kassab é gay. Ele diz que não é. Pouco me importa.

O fato é que as manifestações de “pesar” da mídia logo foram incorporadas pela própria campanha de Kassab. Estão lá, no site de campanha do candidato, trechos do que escreveram Reinaldo Azevedo, Cristiana Lobo, Josias de Souza, Lauro Jardim, Ricardo Noblat e Kennedy Alencar. São lágrimas de crocodilo vertidas em nome da hipocrisia.

Kassab, gay, deveria assumir, assim como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deveria assumir o filho que teve com a repórter Miriam Dutra, da TV Globo. Leia aqui a reportagem da revista “Caros Amigos” sobre o assunto.

Não se trata de endossar a tática eleitoral de Marta, mas exigir que seja dado tratamento igual para iguais: se é válido perguntar sobre os filhos de Pelé, Maluf e Roberto Carlos fora do casamento, porque poupar FHC? Se é válido questionar a separação de Marta Suplicy, porque não é válido saber sobre a “família” de Kassab? A quem serve essa hipocrisia toda? (Vi o Mundo)

PSOL JÁ DEU A SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A VITÓRIA DE KASSAB EM SÃO PAULO E DE SERRA EM 2010

lava as mãos na eleição de São Paulo

Psol: lava as mãos na eleição de São Paulo

O Psol já deu a sua contribuição para a vitória de Kassab. Em nota, o partido diz que os governos de Kassab e Marta, eleitos, não terão diferenças. O argumento do Psol é o mesmo do indivíduo que odeia política e diz: “todos os políticos são iguais”. O Psol lava as mãos. Veja trecho da nota do Psol. “Decidimos não apoiar nenhum dos dois candidatos, pois nenhuma das candidaturas representa uma mudança para São Paulo e ambas estão atreladas politicamente ao poder econômico sendo financiadas por grandes corporações”.

O Psol é o partido que tem tudo para herdar a energia utópica que sempre foi reivindicada pelo PT dos bons tempos. Mas é inegável pensar que o partido não faz análise política. Parece mais uma análise sentimental. É óbvio que os integrantes do Psol sabem diferenciar o possível governo Marta do governo Kassab, mas são levados a isso provavelmente por um sentimento de rancor com o PT. O sentimento humano provocado pela expulsão de vários integrantes do Psol do PT parece que estão acima da população de São Paulo e do Brasil, mesmo depois de tanto tempo.

É certo que o PT de hoje não é o PT de ontem, mas é inegável que existam importantes diferenças, tanto nos quadros, como na política, entre as duas legendas que disputam a prefeitura da capital. Não é necessário compactuar com o PT e nem participar do governo, mas é preciso se colocar para a população, clarear a política e as diferenças. O Psol está contribuindo também para a vitória de José Serra à presidência e para a volta ao poder de um partido que quebrou o país várias vezes nos anos 90 e quase quebra de novo agora, caso tivesse levado à frente naquele período a privatização de empresas como o Banco do Brasil e a Petrobrás.

Essa mistura nebulosa entre sentimentos pessoais e política são comuns. Veja Roberto Freire, presidente do PPS. Lembro-me dele nos debates das eleições de 1989. Era o discurso mais lúcido e mais contundente entre os candidatos. Era encantador vê-lo falar, mas o que sobrou daquilo? Nada. Hoje o PPS é um partido que tem Raul Julgmann nos seus quadros. É um partido perdido e nefasto.

Talvez o Psol ganhe alguma coisa politicamente mostrando essa postura (o que duvido), mas a população com certeza perde.

Leia também no Educação Política:

O MAIOR TRUNFO DE MARTA NÃO É O PRESIDENTE LULA, MAS O MAPA ELEITORAL DO PRIMEIRO TURNO

UMA PERGUNTA: ISSO EXPLICA O DESEMPENHO DO PMDB, PSDB E DEM NAS ELEIÇÕES?

SEGUNDO TURNO E ELEIÇÃO DE MARTA SERÁ TESTE DE TRANSFERÊNCIA DE VOTO DE LULA PARA DILMA ROUSSEF

MARTA APOSTA NO APOIO DE LULA NO SEGUNDO TURNO

Veja nota do Psol no site do Biscoito Fino.

O MAIOR TRUNFO DE MARTA NÃO É O PRESIDENTE LULA, MAS O MAPA ELEITORAL DO PRIMEIRO TURNO

Mapa que mostra regiões em que Marta venceu (vermelho) e onde Kassab venceu (verde)

Mapa que mostra regiões em que Marta venceu (vermelho) e onde Kassab venceu (verde)

O maior trunfo de Marta Suplicy (PT) para o segundo turno é o próprio mapa eleitoral do primeiro turno das eleições. É impressionante a distribuição de votos. Veja mapa ao lado feito pelo Estadão. Resumindo, o mapa insiste em dizer que Marta ganhou nas regiões pobres e perdeu nos Jardins e Avenida Paulista.

Se Marta quiser ganhar as eleições terá de abraçar a periferia e radicalizar o discurso. Se Marta quiser ganhar em São Paulo terá de mostrar que há uma divisão de classes em busca do dinheiro público; terá de assumir a realidade das urnas.

Se marta continuar a contemporizar com a classe média será derrotada e vai tomar uma lavada do Kassab (Demo/PFL). Isso porque Marta não vai conseguir os votos de quem quer o dinheiro da cidade nos Jardins, mas também não vai perder os votos de quem, solidariamente, acredita que o investimento na periferia será o melhor para quem vive nos bairros centrais. Não adianta buscar votos consolidados.

Marta terá de mostrar o que o mapa diz, ou seja: a prefeitura no governo Marta chega até à periferia. Marta terá de assumir compromissos mais fortes com a periferia.

Veja análise de Eduardo Guimarães, do Cidadania.

Leia no Educação Política:

SEGUNDO TURNO E ELEIÇÃO DE MARTA SERÁ TESTE DE TRANSFERÊNCIA DE VOTO DE LULA PARA DILMA ROUSSEF

MARTA APOSTA NO APOIO DE LULA NO SEGUNDO TURNO

CANDIDATOS A PREFEITO IGNORAM POLÍTICAS DE COMUNICAÇÃO

AMORIM: PT DO DANTAS VENCEU O PT QUE QUERIA DEGOLAR DANTAS

Confira notícia do Uol, com Kassab abrindo vantagem sobre Marta.

Veja apoios de Kassab no G1

BLOG DO AZENHA: SENSACIONAL O JORNALISMO DE MAURO CARRARA SOBRE MARTA E KASSAB

Veja essa ótima história do blog do Azenha e também presente no Cidadania, do Eduardo Guimarães

COMO KASSAB ULTRAPASSOU MARTA (OU MENTALIDADE PAULISTANA)

Como Kassab ultrapassou Marta em São Paulo

Uma reveladora experiência de rua no domingo da eleição na maior cidade do País

Mauro Carrara

Conforme costume antigo, costumo visitar velhos amigos em dias de eleição. Perambulo pela cidade à procura do “espírito” da eleição, pois, sim, cada uma tem o seu, das barbadas aos prélios mais renhidos.

Desde cedo, notei certa tendência de defecção nos redutos “progressistas”. Havia nos fundos do Tucuruvi um jovem negro, em trajes de grife surfe, distribuindo discretamente santinhos de Kassab. Vejam bem, ele não fazia campanha para um candidato à vereança, mas para o majoritário. Só.

O rapaz é estudante do terceiro ano do segundo grau, comprou recentemente seu primeiro computador, a crédito. O pai é vigia (conseguiu carteira assinada há três anos) e a mãe é diarista. Ele atualmente não trabalha regularmente. Nos fins de semana, atua como assistente de som em bailes na região dos Jardins. É o típico emergente da nova classe C.

João (vamos chamá-lo assim) afirma que o governo Lula “acostuma mal os vagabundos” com o Bolsa Família. A mãe sempre votou em Marta, mas o pai costuma odiar qualquer petista. “Meu velho não quer saber do casamento gay em São Paulo, nem eu”, sentencia, alisando a sobrancelha.

Mais tarde, encontro-me na região do Jardim Aricanduva, na Zona Leste. Márcia (vamos chamá-la assim) come uma coxinha num bar próximo a uma escola estadual. Vai votar em seguida.

Tem uma colinha de Kassab (DEM) e de um candidato a vereador do PSDB.

– Vai votar em quem?

– Dessa vez é no Kassab – revela a moça, que graças ao crescimento da renda familiar (ela e dois irmão conseguiram emprego nos últimos três anos) pôde matricular-se numa faculdade privada.

– Por que nele?

– É o menos pior…

– E pra vereador?

– Voto é segredo. Mas vai ser no PSDB. Um amigo da faculdade me indicou. É um cara que escreveu vários livros de auto-ajuda.

– É o Chalita (ex-secretário estadual de educação)?

– A gente precisa de pessoas cultas na Câmara. Esse aí é o melhor escritor do Brasil.

– O que você já leu dele?

– Ainda não li, porque não tenho tempo. Mas esse meu amigo diz que é muito bom.

– A Marta era mais forte por aqui, não era?

– Era, mas ela fez o apagão aéreo e mandou o povo gozar depois do estupro. Tem como uma pessoa passar uma hora, uma hora e meia, esperando o avião?

– Como?

– O povo ficar horas esperando o avião…

– É chato mesmo – respondo. – Mas você já viajou de avião? – indago.

– Nunca. O mais longe que fui na vida foi para Mongaguá (litoral sul).

– Entendo. E o trânsito em São Paulo?

– Péssimo. Entre metrô e ônibus, fico umas 4 horas e meia no transporte, todo dia. Não anda.

– E de quem é a culpa?

– Sei lá… Tem muito carro na rua. Precisava fazer alguma coisa.

– E você não acha que o Kassab tem alguma responsabilidade nisso?

– (silêncio)… Não sei. Não parei para pensar.

– Isso afeta sua vida, não?

– Muito, mas a gente tem que lidar com isso…

Quase cinco da tarde, na região dos Jardins. O filho de um amigo chega da votação com três colegas. O rapaz é o único que votou em Marta Suplicy. Dos colegas, dois preferiram Kassab. O outro votou em Geraldo Alckmin.

– Na verdade, eu e toda minha família somos malufistas, mas o Kassab é o único que pode ganhar dessa “vaca” da Martaxa – diz Paulo (vamos chamá-lo assim), exaltado.

– Sim, as taxas devem ter prejudicado muito sua família… – pondero.

– Meu pai fez a empresa dele sem ajuda de ninguém. A gente ta cansado de pagar os impostos que o PT inventou. Cada dia tem um imposto novo.

– Que imposto novo?

– Vários.

– Mas quais?

– Vários. Tudo para sustentar vagabundo nordestino. E olha que eu não sou nem um pouco racista. Tenho até amigo japonês, negro, de todo tipo. Mas com esse negócio de bolsa, o cara se acostuma a não trabalhar e fica tomando cachaça o dia inteiro. É preciso ensinar o cidadão a pescar, e não dar o peixe.

– Mas o Bolsa Família está integrado a vários projetos de promoção e inclusão. Tem a contrapartida educativa… – tento argumentar, quando sou interrompido.

– Tem nada. Isso aí é coisa da mídia que o Lula comprou.

– Mas a mídia costuma ser contra o presidente – afirmo.

– Nada disso. O senhor viaja muito, pelo que eu sei, não é? Aqui, eles inventam pesquisa para dizer que a vida do povão melhorou. Melhorou nada.

– Mas e os dados do Ipea, do IBGE?

– Eu estudo Administração. Isso é tudo mentira.

– Quer dizer que o país não melhorou em nada?

– Esse semi-analfabeto deu sorte. Aproveitou o Plano Real e o crescimento da China… Agora, quero ver. Estou só esperando para ver o que vai acontecer. E vou dar risada.

– Mas o país não estava muito bem em 2.002 – intervenho.

– O PT é o “partidão”, não é?

– Não que eu saiba – respondo.

– É sim… Eu abri os olhos de muito colega sobre esse comunismo disfarçado aí… Nessa eleição, eu convenci muito petista a votar no Kassab.

– Quem?

– O nosso motorista, o jardineiro que vai lá em casa…

Já são 18h20… Alguém grita do interior da casa: “o Kassab está ganhando”. Os três jovens urram de prazer. Está se iniciando a longa noite até o segundo turno.

%d blogueiros gostam disto: