Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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APAGÃO DA CULTURA: O PROBLEMA DO GOVERNO DILMA NÃO ESTÁ NA INFRAESTRUTURA, MAS NA SUPERESTRUTURA

Uma das dificuldades da oposição ao governo federal é a incapacidade de entender os reais problemas do governo da presidenta Dilma Rousseff. A oposição só ataca onde Dilma Rousseff acerta. Esta semana mesmo só saíram números positivos: inflação sob controle, reservas cambiais em alta, obras do PAC em andamento, investimentos etc etc.

Assim que saem as notícias boas da economia,  vem a oposição e afirma que Dilma Rousseff não sabe investir em infraestrutura, que há descontrole, perigo, a economia vai mal etc.  Com uma oposição dessa, não precisa de base aliada. Dilma vence sozinha as próximas eleições. É inacreditável, mas eles (coloca a Marina Silva junto) negam a realidade para criticar o governo.

Mas Dilma tem um ponto fraco, que está blindado pela incompetência da oposição. A oposição não enxerga que o problema de Dilma Rousseff não é a infraestrutra, mas o retrocesso na área cultural e educacional em relação ao governo Lula. Claro que não se compara ao governo FHC, que foi na verdade um desgoverno. Mas com relação ao governo Lula, a questão cultural foi jogada no lixo.

Exemplos não faltam, a começar com o Ministério da Cultura que com Ana de Hollanda praticamente destruiu todos os avanços da gestão anterior. Marta Suplicy assumiu, mas trabalha dentro da perspectiva da direita civilizada, com subsídio ao acesso à cultura mercantil. Outro exemplo é o ciência sem fronteira, que foi bloqueado para as ciências humanas. É um governo tacanho na área cultural e os números começam a aparecer.  Parafraseando o PIG (Partido da Imprensa Golpista), há um apagão na superestrutura.

Acabou o sonho e a fantasia de construir um país de cultura horizontalizada que era mais ou menos alimentada e fomentada no governo Lula com avançadas políticas de software livre, direitos autorais flexíveis etc. Talvez por isso os protestos recentes tenham tido tanto sucesso. Dilma cumpre a agenda da oposição, que é a infraestrutura, e sem o patamar de real transformação social, que é a cultura.

A pesquisa que acaba de sair mostrando que os trabalhadores do setor cultural diminuíram nos últimos cinco anos expõe em números os graves problemas do governo Dilma Rousseff (PT), mas que são apagados no debate político. O número de trabalhadores do setor cultural caiu 12,6% entre 2007 e 2012. Os dados são do Sistema de Informações e Indicadores Culturais, apresentada hoje (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“A população ocupada na cultura era 4,2 milhões em 2007 e passou para 3,7 milhões em 2012, enquanto a população ocupada no Brasil passou de 89,9 milhões para 94,7 milhões no mesmo período (aumento de 5,3%). A participação da cultura na população ocupada caiu de 4,6% em 2007 para 3,9% em 2012. Os dados foram extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).”

O descaso cultural ou insensibilidade política para fomentar a arte e a cultura agora aparecem em números. Mas a infraestrutura vai bem. Veja os números do PAC2, melhores do nunca.

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POPULARIDADE EM BAIXA: DILMA ROUSSEFF PAGA O PREÇO DE TER TUCANO EM CARGO ESTRATÉGICO DO GOVERNO FEDERAL

Português: Dilma Rousseff faz o primeiro pronu...

Paloccização de Dilma Rousseff

Depois de dois anos e meio repassando dinheiro sem fim para empresas de mídia que agem como partidos oposicionistas, Dilma Rousseff enfrenta uma queda na aprovação governamental de forma vertiginosa.

A revelação do site Vi o Mundo, de que há um tucano em cargo estratégico da Secom (Secretaria de Comunicação) apontam para as dificuldades futuras do governo de Dilma Rousseff.

Durante dois anos e meio, o governo de Dilma Rousseff manteve a obscena distribuição de verba para os grupos controladores de mídia e que fazem oposição ao seu governo. A verba para esses grupos poderia ter a intenção de evitar ataques mais duros, mas de nada adiantou. As manifestações de junho e a manipulação midiática dos protestos fizeram as bases frágeis da comunicação minarem e a aprovação do governo despencar.

Sem construir uma pluralidade de informação mínima e sem democratizar a verba publicitária, o governo Dilma Rousseff se viu refém de sua própria gestão de comunicação, ainda que tenha obtido grande sucesso na área econômica.

Segundo matéria do próprio Estadão, o govenro Lula/Dilma  reduziu a desigualdade em 80% das cidades nos últimos 10 anos . É um feito espantoso diante da própria situação da década anterior, governada pelo PSDB, quando a desigualdade vinha aumentando.

Mesmo assim, com esses índices grandiosos, o governo se tornou frágil após as manifestações de junho. É possível que se recupere, mas veja que contradição essa fragilidade.

Dilma não entendeu que não basta a infraestrutura.

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PROMOTOR QUE ACUSOU FILHO DE LULA NÃO ACHOU INTERESSANTE INVESTIGAR SONEGAÇÃO DE R$ 615 MILHÕES DA REDE GLOBO

Promotor não chamou a Globo a depor, mas acusou filho de Lula

Do tijolaço/Fernando Brito

Fui atrás da dica preciosa de uma amiga ainda mais preciosa e bingo!

Um dos designados pelo Ministério Público Federal para atuar no caso do sumiço dado ao processo de sonegação fiscal da Globo é o mesmo que acusou o filho do ex-presidente Lula, Fábio, no caso do contrato da empresa que este mantinha, a Gamecorp, e a Telemar.

Naquela ocasião, Rodrigo Poerson – este é o nome do cavalheiro – achou que o contrato, cujo valor era de R$ 4,9 milhões – 125 vezes menor que o valor da autuação da Globo – era um ”desproporcional aporte de recursos financeiros (que) estaria sendo direcionado à empresa Gamecorp, única e exclusivamente em razão de contar com a participação acionária de Fábio Luiz da Silva, filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva”.

Mas, no caso do desaparecimento de um processo de sonegação – não simples suposições e notas de imprensa, como daquela vez, mas documentado e analisado, já, por vários auditores da Receita – o Dr.Poerson não achou necessário nem chamar a Polícia Federal, como fez no caso do filho de Lula, nem chamar a Globo a depor. A emissora diz até, em sua nota oficial, que só ficou sabendo que a funcionária Cristina Maris Meirick Ribeiro agora, seis anos depois! (Texto Integral)

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PARA OS ANALISTAS ECONÔMICOS E POLÍTICOS: O LULISMO EM NÚMEROS DO IDH (ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO)

Observe não só as cores, mas as diferenças da década petista no segundo gráfico abaixo.

Na década de 90, o PSDB/FHC reduziu de 85% para 70% o número de cidades com baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Essa é uma melhora, pode-se dizer, inercial. Qualquer governo consegue esse índice, desde que não faça nada. É a política do estado de São Paulo atualmente. Nada muda, mas inercialmente algumas coisas melhoram pelo próprio desenvolvimento da sociedade.

Já na década PT/LULA, houve uma redução espantosa de 70% para 0,5% no número de municípios muito pobres. O governo Lula/PT praticamente extinguiu cidades de baixo IDH. No governo petista dá para perceber que houve realmente uma política de enfrentamento do problema social.

No entanto, o PT está em uma encruzilhada. Esta década exige uma transformação nas políticas públicas, com ênfase na distribuição efetiva de renda por meio de legislação tributária, de forma a desonerar os mais pobres e fazer com que os excessivamente ricos contribuam mais. Além é claro, de uma verdadeira mobilização nacional em defesa da saúde, da educação e dos transportes públicos.

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POPULARIDADE DE DILMA ROUSSEFF: NÃO ADIANTA CRITICAR A MÍDIA EM PÚBLICO E ENCHER O SACO DE DINHEIRO DA GLOBO NO PRIVADO

Mire-se no exemplo de outras mulheres. Cristina enfrentou e venceu

Mire-se no exemplo de outras mulheres. Cristina enfrentou e venceu

A hora é de distensão e a queda nas pesquisas do Datafolha mostra isso. É uma queda que pode ser recuperada facilmente. É um momento. Mas não vai ser criticando a mídia em público e enchendo o saco de dinheiro da Globo (Abril e outros) no privado que Dilma Rousseff conseguirá vencer o impasse social dos protestos. A metodologia do Datafolha pode ser criticada, mas será necessário?

A decisão do Plebiscito foi a medida mais acertada até agora do governo Dilma Rousseff. Ela provocou de imediato uma reação grande da oposição (PSDB, DEM, PPS) e da mídia.  Dilma teria acertado o alvo. A ideia de plebliscito obriga a mídia e a oposição a se colocarem contra o povo. Isso desmascara o discurso. A irritação da oposição e da mídia está na necessidade de terem de assumir novas palavras de ordem: “não queremos povo, isso não é democracia, democracia é sem povo”.

Mas isso não basta, é preciso distender o processo e enfatizar o discurso de avanços de democracia direta, de democratização da mídia e do dinheiro da comunicação do governo. Mais que isso, é preciso inverter o processo do governo de atender ao mercado financeiro da especulação e dos juros. É preciso por em pauta projetos de distribuição de renda, inclusive da verba publicitária do governo.

É preciso deslocar ainda mais o dinheiro que beneficia os ricos em direção à população.

Se não fizer isso, se ficar criticando a mídia em público e dando dinheiro para a Globo no privado, a reeleição pode até não estar ameaçada, mas para que se reeleger?

Veja mais:

OS GOVERNOS DE LULA E DILMA ROUSSEFF E A ORIGEM DO ÓDIO DA CLASSE MÉDIA

SEM BASE

Por Guilherme Boneto
Especial para o Educação Política

A Classe média e Dilma

A Classe média e Dilma

Grande parte da classe média de São Paulo não pensa o Brasil. Trata-se de um fato lamentável, porém real e palpável: a média-elite crê piamente que a política deve beneficiá-la, e tão somente a ela. Vê como bom gestor apenas o governante que maquia, reforma locais públicos, deixa a cidade mais bonita, que afasta os viciados em crack da Estação da Luz e atira bombas de gás lacrimogêneo para liberar a Avenida Paulista à passagem de automóveis. A classe média é terrivelmente classista. Não se importa com a periferia, com os pobres, com a fome, com a exclusão social. Seus membros acreditam que tudo pode ser conquistado à base de muito trabalho, e trava esse diálogo horroroso no intervalo para o cafezinho de todas as manhãs no escritório. De igual modo, ela acha que as universidades públicas devem estar à disposição de quem estuda e se esforça para passar no vestibular, e se posiciona categoricamente contra cotas. Acredita ser a infeliz mantenedora dos programas sociais do governo federal, pagos com seus impostos tão duramente conquistados. E ao final de cada dia, assiste ao programa do Datena e ao Jornal Nacional, para se manter bem informada.

Cansa ser de classe média, paulista, e se posicionar à esquerda. É uma batalha travada a cada dia, e se perde muito. Torna-se necessário lutar contra uma convicção horrível, egoísta, preconceituosa e terrivelmente elitista, contra um pensamento sem base, espelhado numa reflexão sem visão de mundo, sem visão do que é o Brasil. Resumido em fatos, nosso país é uma imensa nação, que hoje, caminha para se tornar majoritariamente de classe média. Ao assumir a presidência, em 2003, Lula enxergou nos pobres a base de um desenvolvimento sólido, a ser construído no longo prazo. Criou programas de inclusão social reconhecidos em todo o mundo, exceto em São Paulo. Tornou lei as cotas para negros, pardos e alunos de escolas públicas, e criou o PROUNI – ambos são, hoje, uma porta de entrada para os pobres na universidade. Lula – e Dilma, em menor escala – tirou da pobreza nada menos que trinta milhões de brasileiros, um bando de vagabundos, sob a concepção da classe média.

São Paulo faz questão de não enxergar o que está diante do nariz. O Brasil não se parece com São Paulo, um Estado rico, onde há oportunidades para todos, salários melhores com qualidade de vida equiparável a determinadas nações europeias. O pensamento médio-classista crê que todos os brasileiros têm as mesmas chances dos paulistas, que graças às excelentes e sucessivas gestões do PSDB, assistem a uma sistemática piora em vários setores sociais, entre eles a educação e a segurança pública. Não há escritórios no sertão da Paraíba. Não há bons colégios nos confins do Maranhão. Nem computadores para distribuir currículos no extremo norte de Minas Gerais. Essas regiões precisam de incentivos. O que Lula fez, e o que Dilma segue fazendo, é alterar toda a estrutura social do Brasil, e isso é o que revolta a classe média em São Paulo. Não será preciso esperar muito mais para ver os resultados dessa política. Hoje, já é difícil encontrar trabalhadores braçais. Não há pedreiros, empregadas domésticas, encanadores, eletricistas, pintores. Quando se encontra um, o valor cobrado é alto e justo, por um trabalho difícil e custoso. Que horror! Onde estão as mocinhas dispostas a limpar a casa e cuidar das crianças por um salário mínimo? Agora querem estudar! Com o nosso dinheiro!

Essa gente odeia o Brasil de Lula e Dilma, porque a proposta dos governos do PT não é maquiar o país ou expulsar os viciados em crack do entorno da Estação da Luz, mas causar mudanças no conteúdo, e não na forma. As conquistas dos governos progressistas que o Brasil teve a felicidade de eleger estão aí, visíveis. A mesma classe média que sofria à época de FHC hoje pode comprar um automóvel próprio, viajar de avião, financiar o primeiro imóvel. Mas a classe média pode fazer isso mais do que os pobres. Porque ela trabalha duro nos escritórios aqui de São Paulo, e mexe o dia todo com papéis entre uma crítica a Lula e outra a Dilma. Críticas são louváveis, porém quando não há base para sustentá-las, elas se transformam nas mais escabrosas manifestações de raiva, como a que ocorreu recentemente em Brasília, na abertura da Copa das Confederaçõs, com as vaias direcionadas à presidente da República. Estão achando lindo. Mais lindo será daqui a dez ou quinze anos, quando a sociedade começar a colher os primeiros frutos do trabalho árduo que o PT vem realizando em nosso país. A ver.

Veja mais:

E-MAIL DO ADVOGADO VALTER UZZO, CONTRA OFENSAS QUE CONSERVADORES FAZEM A LULA E DILMA, É UMA PEÇA DE SENSATEZ

Foto: Brasil 247Do site 247

Um dos mais importantes especialistas do País na área trabalhista, o advogado Valter Uzzo criou um fato político ao enviar para amigos e-mail remetido para um de seus conterrâneos da cidade de Pompéia, no interior de São Paulo, chamado apenas por Lara, listando uma série de argumentos contrários à proliferação de spams jocosos sobre o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Roussseff.

Ex-presidente do Sindicato dos Advogados de São Paulo, Uzzo, no texto, descreve o cenário histórico da presença e influência das forças conservadoras na política brasileira.

O e-mail de Uzzo está sendo velozmente disseminado pela internet, ganhando status de peça política contra a discriminação ideológica às forças de esquerda.

Abaixo, o conteúdo completo:

Caros

Um amigo meu de infância passou a me mandar um volume enorme de e-mails com piadas, comentarios e afirmações  sempre depreciativas em relação ao Lula, Dilma, PT, etc. A situação foi em um crescendo tal, que atingiu as ráias da provocação e do insulto, até que, outro dia, resolvi responder. E mandei este pequeno texto, que é, em verdade, o que penso de pessoas como ele que, a  pretexto de criticar, escondem hipocritamente suas indéias e concepções.

Abcs.

Valter Uzzo

Sent: Tuesday, February 05, 2013 3:42 PM

Caro Lara:

Tenho, quase que diariamente, recebido os seus e-mails, que trazem piadas, “fotos interessantes”, e  propaganda daquilo que, politicamente, você acredita. Quero crer que estou me dirigido à pessoa certa, ou seja, ao Lara que conheci em Pompéia, na infância e adolescência. Se assim é, tenho algumas gratas recordações, de nossa convivência que, ao tempo, pela idade e sem as agruras que viríamos a experimentar durante a vida, era muito boa. Recordo-me mesmo que uma das suas habilidades, invejada por todos nós da mesma classe ginasial, era a incrível capacidade que tinha de “colar”,  já que você se abastecia  de um grande estoque das “sanfoninhas” (era o tipo de “cola” da época), que escondia perfeitamente em sua  mão direita e que lhe permitia  -grande perfeição !- colar sem interromper a escrita e, -perfeição maior !-, até mesmo diante do olhar atento do professor. Ao que me recordo, nunca, nenhum dos professores, na fiscalização que faziam, conseguiu algum êxito  diante de você. Nesse partícular, você era imbatível.

Mas, deixando-se de lado tais reminiscências, eu estou me dirigindo à você para tratar de assunto que, diante de sua volumosa correspondência eletrônica, parece lhe interessar: trata-se de questões que envolvem a visão que temos da forma como vem sendo dirigido este país,  melhor dizendo, a questão política. Para se ter uma conversa franca, devo dizer que temos uma visão de mundo muito diferente. Acho mesmo, oposta. Em minha profissão (sou advogado) acabei aprendendo a conviver na divergência, já que, diariamente, senta do lado de  lá da mesa de audiência, ou dos autos do processo, um colega de mesmo grau de escolaridade que defende justamente o contrário. Adversário. Mas, terminada a audiência, retomamos o relacionamento, ou seja, é um aprendizado constante e permanente, a nos ensinar que devemos respeitar os que pensam de forma diversa. Transposta tal relação para a política, também aprendi a respeitar aqueles que tem uma visão de mundo diferente da minha,  embora com eles não concorde. Entre tais “adversários” de pensamento existem dois tipos: os que assim agem por convicção, e os que agem por interesse. Creio que você se  enquadra entre os primeiros, ou seja, você tem ideias, a meu ver,  que eu classifico como “conservadoras”, mas que são catalogadas no jargão político comum  como  “reacionárias”, ou por alguns “direitistas”, ou, se formos levar ao extremo a sociologia política, “fascistas”. Para  mim, no entanto, você é um  “conservador”, por convicção. E é aí que eu quero conversar com você.

Existe  no Brasil uma forte corrente de pensamento conservador. Sempre existiu, aliás, durante o império e durante a república,  todos os presidentes e Governos , até 2003, sempre tiveram um perfil conservador, uns mais outros menos. Todos. Getúlio Vargas (1º Governo, ditadura) liderou uma “revolução” -que não era revolução no sentido sociológico do termo- contra práticas condenáveis da República Velha, só isso.    Pertencia a elite agrária, era fazendeiro e fez um Governo ambíguo, criando uma  legislação trabalhista (que estava sendo criada, ao tempo, por quase todos os países de mesmo grau de desenvolvimento que o Brasil),  e criou dois partidos políticos  – o PTB, para lhe servir – e o PSD, conservadoríssimo, para ajudá-lo a governar. No mais, encarcerou a oposição e restringiu as liberdades públicas.. Em 45 foi substituído pelo Dutra (outro conservador), que dissipou todas as reservas cambiais  que havíamos acumulado com a substituição das importações, durante a guerra. Getúlio volta em 1950  e aí, após um início de governo meio indefinido, começa a aproximar-se de  ideias progressistas, mas não conseguiu implementá-las, já que, ameaçado de deposição, suicidou-se. Juscelino foi um inovador em realizações, mas seu governo, embora aparentemente liberal nos costumes, sempre  foi um produto das classes dominantes e um fiel seguidor da política americana. Jânio se foi muito rápido , e Jango também nada tinha de progressista: era filho de uma família  de riquíssimos fazendeiros, era despreparado para a função e sua queda  dá bem a medida de seus compromissos de classe: preferiu viver rico no exílio, do que participar ou liderar uma revolução popular com a qual não se identificava. Seguiram-se  os governos militares, Sarney,  Collor, Itamar e  Fernando  Henrique. Se examinarmos todas as medidas tomadas por tais governos (algumas muito boas, até) veremos que  nenhuma delas teve a preocupação ou conseguiu alterar o sistema de distribuição de renda no país, -um dos mais injustos do mundo. A dívida externa sempre em patamares impagáveis, o salário mínimo medeando entre U$ 80  a U$ 120 dólares,  lenta queda da mortalidade infantil, poucos avanços na afalbetização, grande transferência de rendas para o exterior, sistema de saúde pública catastrófico, destruição da escola  pública,  gigantesca falta de moradias e favelização, polícia corrupta, Justiça que não funciona,  previdência privada mais cara do mundo, seguros mais caros do mundo, alta tributação e assim foi. Só discursos, só demagogia,  e muita roubalheira.

Aí vieram a eleição em 2003, reeleição do Lula e eleição da Dilma. Muitos erros, houve e há corrupção, muitas coisas não deram certo, os quadros do PT, em grande parte,  eram despreparados para administração, enfim, as coisas não saíram como o PT pregava.  No entanto, o salário mínimo triplicou (em dólares), a renda familiar cresceu, a dívida externa foi paga, o consumo aumentou muito, o emprego cresceu ( e o desemprego despencou)  e o Brasil conseguiu crescer,   ao meio de uma grande crise internacional .Caro Lara, esses são fatos . Fato é fato, não é discurso, nem proselitismo político, nem palavrório. FATOS. O País está em regime de pleno emprego ( é a 1ª. vez em nossa história que isso acontece), e no ano de 2011, em um universo de 200 países,  fomos o 4º. País do mundo em receber investimentos externos, só atrás dos Estados Unidos, China e Hong Kong (notícia do Times, reproduzida no Estadão e Folha na semana passada, com pouco destaque). A arenga  de que o Governo, em 2003, pegou uma condição internacional favorável é coversa para boi dormir:  muitos outros países não progrediram, muitos  entraram em crise, o sistema financeiro internacional  em 2008 quase ruiu, enfim, o Brasil navegou muito bem por sua conta e seus méritos. Pensar de  modo diverso é revolver a mentalidade colonialista.

Mas, estou eu a pretender que você se torne um apoiador do Lula e da Dilma ? É claro que não, até porque na nossa idade ninguém muda mais. É que eu acho que essa sua “cruzada” contra,  poderia ser muito mais consequente e séria. Já que na clássica definição “partido político é a opinião pública organizada”, porque vocês, conservadores, não fundam um partido que expresse tal  ideologia ? A grande farsa que existe é que os conservadores, ou os direitistas, ou os neoliberais, não assumem o próprio rosto. O PSDB (neoliberal) não se diz neoliberal, diz que vai mudar, que é de centro esquerda, que é progressista, e outras baboseiras mais.    Porque não se diz  neoliberal, e faz um programa neoliberal ?. E vocês, conservadores, porque não se assumem, e fazem um programa com o conteúdo daquiIo que vocês acreditam; contra as cotas, contra o aborto, contra o casamento gay, pela redução dos direitos trabalhistas, dos impostos, por uma política externa mais invasiva, etc, etc, , tal qual o Partido Republicano (Conservador) dos Estados Unidos ? Se você fizer as contas, aqui como lá,  o eleitorado se divide, o que, aliás, ocorre em todos países civilizados  (França Inglaterra, Austrália, Itália, Espanha, Alemanha, Austria, etc, etc, etc). Ou seja, no mundo todo, o eleitorado se divide em conservadores e progressistas. Mas, aqui não, em razão da hipocrisia política da direita, a luta não é limpa.  Estimule a criação de um  verdadeiro partido conservador, que defenda  as teses conservadoras e o modo de governar  conservador e aí, sim, teríamos um debate limpo, direto, sem enganações, sem subterfúgios. A meu ver, essa situação da direita esconder suas verdadeiras propostas,    de vestir um manto progressista quando não o é,  é a pior  forma de trapacear uma nação, posto que esconde seus verdadeiros desígnios.  Em suma,já é tempo de  sair do armário e vir corajosamente para o  debate de ideias.

O outro ponto que gostaria de conversar com você  é sobre a forma negativa e pejorativa de sua “crítica” política. As piadas, imagens, dizeres, etc, que se referem aos que não pensam como você, revelam um rancor que tem de tudo: preconceito, desinformação, insultos, etc. Se você acha que este tipo de crítica desperta alguma simpatia para as suas ideias, ou fazem mal a figura dos  criticados, então está na hora de você fazer algumas reflexões sobre o que muda as pessoas. Uma pessoa decente muda de opinião quando você demonstra que ela está errada. Só não mudará se tiver “interesses” em se manter  no erro, ou, então,  se por  alguma razão (preconceito, ignorância, intolerância, irracionalidade, etc) não entender o seu erro e o significado da mudança.  Fora disso, a  “propaganda” pejorativa  contrária é um tiro na culatra. E isso é tanto no aspecto individual como coletivo. O Lula cresceu eleitoramente depois que mudou sua imagem para o “Lula, paz e amor”. Antes, o eleitorado  preferia  o FHC, com sua voz e modos blandiciosos. Serra com sua linguagem belicosa só perdeu votos. Obama derrotou duas vezes os seus adversários com um discurso suave,  sofrendo agressões de todo os  lados. O Berluscomi e Sarkosi, na  Itália e França,  perderam as eleições, em razão de suas práticas autoritárias e arrogantes.     Enfim, na medida que a sociedade evolui, essa linguagem truculenta, ofensiva,  enganosa, que intui uma falsa moralidade e prega medidas radicais  extremadas (para os outros, nunca para si) vai caindo em desuso, não engana mais ninguém. Pode ter servido em outra época, chegou a levar os hitlers  e mussolinis ao poder, mas, hoje em dia, ninguém mais cai neste canto de sereia. As pessoas querem é ser convencidas, sem imposições.

Bem, fico por aqui. Se você quiser prosseguir mandando-me os e-mails, gostaria que não mais me enviasse os relativos à política, a não ser quando nesta terra tiver um partido conservador, ou direitista, ou de natureza fascista ( o Plínio Salgado pelo menos teve coragem e  honestidade criando os “camisas verdes”), para que se possa ter um debate decente e honesto. Daí sim, quem sabe, talvez até eu me convença de que existe alguma verdade nessas ideias trapaceadas e escondidas sob o manto de uma falsa moralidade. Ideias tão escondidas, tal   como você fazia com as colas  e era invejado por toda  classe.

Abraços  e saudades.

Valter Uzzo

PS:   Se você não é a pessoa que eu penso, peço desculpas.

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FHC, O MÁGICO, E 10 ANOS DO PT: NO GOVERNO FEDERAL, PSDB VENDEU ESTATAIS, AUMENTOU IMPOSTOS E DEIXOU O BRASIL MAIS POBRE!

O colunista João Sicsú, da Carta Capital, publicou dois gráficos que mostram exatamente o tamanho da responsabilidade FISCAL e da responsabilidade SOCIAL dos governos do PSDB (Fernando Henrique Cardoso) e do PT (Lula e Dilma Rousseff).

O mais impressionante é a responsabilidade fiscal do PSDB. Veja em azul (primeiro gráfico) o crescimento da dívida pública no governo desse senhor chamado FHC, o mágico. O governo federal do PSDB/FHC pegou o Brasil com 30% de dívida, vendeu estatais, aumentou impostos e entregou com 60% de dívida em relação ao PIB. É mágica! É um governo que vendeu, arrecadou, não investiu e ficou mais pobre!!! Não estão nos gráficos abaixo, mas os impostos no governo de FHC saltaram da casa dos 20% para os 30%, um aumento de 50%.

Talvez por isso se diz com toda razão que FHC deixou uma herança maldita.  Lula pegou o país com 60% de dívida em relação ao PIB e entregou com 35%, reduziu a dívida e aumentou o gasto social (gráfico 2). Deve ser também por isso que os fanáticos da seita neoliberal estão histéricos nas emissoras de TV.

Fonte: Carta Capital

Fonte: Carta Capital

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GRÁFICO IMPRESSIONANTE: PSDB É UMA MÁQUINA DE PRODUZIR POBRES; ALCKMIN VAI MAIS LONGE, TRANSFORMA POBRES EM MISERÁVEIS

O gráfico abaixo, com dados da Fundação Getúlio Vargas, explica os motivos que estão levando ao fim do PSDB. O partido que desalojou violentamente milhares de moradores do bairro Pinheirinho, em São José dos Campos, e destina 25% dos leitos públicos para empresas privadas, tem a receita para produzir pobres e miseráveis.

O governo de Geraldo Alckmin, realizador dessas duas políticas sociais, é a experiência em tempo real do significado dos governos do PSDB e, de certa forma, explica o governo de Fernando Henrique em seus insucessos.

Alckmin foi mais longe no caso de Pinheirinho: transformou pobres em miseráveis. Famílias que tinham casas, hoje, um ano após essa tragédia tucana, estão na rua. O beneficiário da ação tucana, o financista Naji Nahas, que já foi preso por lavagem de dinheiro, ficou mais rico. E há ainda os ineptos que tentam explicar Lula por FHC.

Veja no quadro abaixo que, mesmo com o desenvolvimento social e o trabalho das famílias, durante o governo federal do PSDB, o número de pobres se manteve estável ou até aumentou. A partir de 2003, com o governo Lula, o número de pobres vai diminuindo. Viva o Arnaldo Jabor!!!

Foto: FGV ministério da fazenda

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GRANDE MÍDIA JÁ RECONHECE OS TERMOS ‘MÍDIA GOLPISTA’ E ‘BLOGUEIROS PROGRESSISTAS’, DEMONSTRA ARTIGO NO ESTADÃO

Popularidade de Lula e Dilma prova isenção do PIG

Motta: Popularidade de Lula e Dilma prova isenção do PIG

Nelson Motta fala muito bem de música, mas de política parece desafinar. Em texto fraco pelos argumentos, o grande promotor cultural do Brasil faz uma façanha incrível e autêntica. Ele reconhece dentro da grande mídia, no caso O Estado de S. Paulo, os conceitos de “mídia golpista” e “blogueiros progressistas”.  Esse é um fato histórico. Talvez seja a primeira vez que esses conceitos tenham sido trabalhados em um texto da grande imprensa de forma a entender a realidade. Ele foi publicado semana passada, em 28 de dezembro de 2012.

O próprio reconhecimento desses conceitos por um jornalista cultural, dos mais sinceros e honestos da grande mídia, mostra que os argumentos do artigo são falhos. A linha de argumentação de Motta ainda acredita na sacralidade da grande mídia e esquece as transformações na sociedade. Ele defende que a popularidade de Dilma e Lula comprovaria a isenção da mídia.  Na realidade, é uma argumentação invertida. É popularidade de Dilma e Lula que prova a dessacralização da mídia. A mídia deixou de ser ícone ou cega referência social. Há uma multiplicidade de novas formas de comunicação. Isso demonstra não isenção da mídia, mas o declínio do poder de convencimento.

A credibilidade da grande mídia está profundamente abalada, mas não é simplesmente por causa dos blogs progressistas. Eles podem ficar tranquilos quanto a isso.   Ao contrário do que o autor pensa, a popularidade de Dilma e Lula não está ligada à grande mídia de forma direta. Mas à experiência de mundo que as pessoas têm; elas vivem no Brasil e percebem os avanços políticos, econômicos e sociais.  Dilma e Lula são bem avaliados porque fizeram governos que a população acreditou serem bons.

O argumento de Motta ainda omite o contexto histórico da grande mídia em dois aspectos fundamentais: primeiro é  que a mídia tem um passado condenável,  tem histórico  golpista, conforme se pode comprovar facilmente nos textos da própria imprensa de apoio ao golpe de 64 e anteriores; e segundo, hoje a grande mídia é grande não por méritos próprios, mas muito porque justamente foi beneficiada financeira e politicamente por um governo assassino e golpista.

A Vingança dos Zumbis

NELSON MOTTA – O Estado de S.Paulo

Mesmo sem ser simpática nem carismática, sem ter o dom da palavra e da comunicação, e com o País crescendo apenas 1% ao ano, a presidente Dilma Rousseff obteve índices espetaculares de confiança e aprovação pessoal na pesquisa do Ibope. Mas como os pesquisados de todo o Brasil se informaram sobre o dia a dia de Dilma e do País, sobre suas ideias, ações e resultados? Ora, pela “mídia golpista”, que divulgou nacionalmente os fatos, versões e opiniões que a população avaliou para julgar Dilma.

Os mesmos veículos informaram os 83% que tiveram opinião favorável a Lula no fim do seu governo, já que a influência da mídia estatizada e dos “blogs progressistas” no universo pesquisado é mínima. Claro, a maciça propaganda do governo também ajuda muito, mas só se potencializa quando é veiculada nas maiores redes de televisão e rádio, nos jornais, revistas e sites de maior audiência e credibilidade no País – que no seu conjunto formam o que eles chamam de “mídia golpista”. (texto Integral)

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A HISTÓRIA SE REPETE: O PARTIDO DA IMPRENSA GOLPISTA (PIG) FAZ COM LULA E FARÁ COM DILMA O QUE FEZ COM GETÚLIO VARGAS

Agustín P. Justo y Getulio vargas (presidente de Brasil)

Agustín P. Justo y Getulio vargas (presidente de Brasil)

De Vargas a Dilma: o pacto de um novo ciclo

Carta Maior- Saul Leblon

Assim como as vantagens comparativas na economia, a relação de forças na sociedade não é um dado da natureza, mas uma construção histórica. E precisa ser exercida politicamente; não é uma fatalidade sociológica. A emergencia de novos atores nas entranhas da economia não cria automaticamente novos sujeitos históricos.Quem faz isso é a ação política.

Os neoclássicos, os neoliberais aqui e alhures, gostariam que o mapa das vantagens comparativas fosse um pergaminho lacrado e blindado em tanque de nitrogênio. Facilitaria a relação de forças favorável à hegemonia conservadora.

Por eles, o Brasil até hoje seria uma pacata fazenda de café. Ou uma usina de garapa.

Getúlio Vargas rompeu o interdito dos interesses internos e externos soldados na economia agroexportadora. Isso aconteceu em meados do século passado. Até hoje o seu nome inspira desconforto nos sucessores da casa grande; nos intelectuais que enfeitam seus saraus e nos ‘canetas’ que lhes servem de ventríloquos obsequiosos.

Em 1930 Vargas derrotou a todos. Desobstruiu assim os canais para lançar as bases de um Estado nacional digno desse nome.E abriu as portas a novos sujeitos históricos.

Em 50, no segundo governo, transformaria esse aparelho de Estado em alavanca capaz de assoalhar a infraestrutura da economia industrial que somos hoje.

Ao afrontar o gesso das vantagens comparativas , Vargas alterou a relação de forças na sociedade. Mas não tão sincronizado assim, nem tão solidamente assim, como se veria pelo desfecho em 24 de agosto de 54.

O desassombro daquele período, no entanto, distingue Nação brasileira de seus pares em pleno século XXI.

O Brasil é hoje uma das poucas economias em desenvolvimento que dispõe de uma planta industrial complexa.

A ortodoxia monetarista engordou a manada especulativa no pasto da Selic na década de 90 – o que valorizou o câmbio, a ponto de afogar o produto local em importações baratas até recentemente. Afetou o tônus da engrenagem fabril. Mas não a destruiu; ainda não a destruiu.

É ela ainda que poderá irradiar a inovação e a produtividade reclamadas pelo passo seguinte do nosso desenvolvimento. Não só para multiplicar empregos com salários dignos. Mas sobretudo, para extrair do pré-sal o impulso industrializante e tecnológico que ele enseja, gerando os fundos públicos requeridos à tarefa da emancipação social brasileira.

Não fosse o lastro fabril, a potencialidade do pré sal não apenas seria desperdiçada, terceirizada e rapinada. Ela conduziria a um duplo salto mortal feito de fastígio imediatista e longa necrose econômica: aquela decorrente da doença holandesa e da dependência externa absoluta. Faria pior: devastaria a relação de forças adequando-a ao domínio conservador.

Foi a industrialização que gerou a organização operária desdenhada pelo conservadorismo como mero ornamento populista.Até que surgiu o PT. E que o PT levou um metalúrgico à chefia da Nação; e não uma vez, duas; ademais de eleger a sua sucessora, em 2010.

Os protagonistas progressistas ganharam nervos e musculatura, mas ainda não se cumpriu a travessia evocada por Vargas no célebre discurso do 1º de Maio de 1954, talvez a sua fala mais contundente,mais até que a Carta Testamento deixada tres meses depois:

A minha tarefa está terminando e a vossa apenas começa. O que já obtivestes ainda não é tudo. Resta ainda conquistar a plenitude dos direitos que vos são devidos e a satisfação das reivindicações impostas pelas necessidades (…) Como cidadãos, a vossa vontade pesará nas urnas. Como classe, podeis imprimir ao vosso sufrágio a força decisória do número. Constituí a maioria. Hoje estais com o governo. Amanhã sereis o governo

A seta do tempo não se quebrou. Mas estamos diante de uma nova esquina histórica.

A exemplo daquela enfrentada por Getúlio, nos anos 50, a dobra seca está cercada de desafios e potencialidades interligados por uma relação de forças delicada.

Getúlio talvez tenha percebido tarde demais a necessidade de ancorar a travessia econômica em uma efetiva organização política correspondente. Quando atinou, o bonde já havia passado –cheio de golpistas. Mas não só ele demorou a ouvir as advertências da perna econômica da história.

O descasamento tortuoso entre enredo e personagens daquele período pode ser sintetizado no paradoxal comportamento dos comunistas do Partido Comunista Brasileiro.

Em outubro de 1953 Vargas sancionou a lei do monopólio estatal do petróleo.Criou a Petrobrás sob o açoite da mídia.O jornal o ‘Estado de São Paulo’ faria então um editorial emblemático do obscurantismo conservador. O texto vaticinava a irrelevância daquele gesto, dada a incapacidade (congênita?) de um país pobre como o Brasil,asseverava, desenvolver um setor então de ponta, a indústria petroleira.

Era uma tentativa de conservar o país num formol de vantagens comparativas subordinadas à reação interna e ao apetite imperial externo.As semelhanças com a grita demotucana contra a regulação soberana do pré-sal não são mera coincidência.

Em dezembro, Vargas foi além. Atacou a farra das remessas de lucros do capital estrangeiro. No início de 1954 decretou em 10% o limite para as remessas de lucros e dividendos. Sucessivamente, criaria a Eletrobrás e elevaria em 100% o salário mínimo. Novo fogo cerrado de mísseis por parte da mídia e dos interesses contrariados. Lembra muito a reação atual a cada iniciativa do governo Dilma na transição para um novo modelo de desenvolvimento: queda da Selic; aperto no spread da banca; IOF contra o capital especulativo; mudança na regra da poupança –trava ‘popular’ do rentismo; forte incremento dos programas sociais; fomento do BNDES ao setor industrial; PAC; preservação do poder de compra dos salários etc

Em dezembro de 1953, conforme recorda o historiador Augusto Buonicore, o PCB abstraia a realidade e conclamava a resistência a…Vargas. Assim:

“O governo Vargas tudo faz para facilitar a penetração do capital americano em nossa terra, a crescente dominação dos imperialistas norte-americanos e a completa colonização do Brasil pelos Estados Unidos (…): “O povo brasileiro levantar-se-á contra o atual estado de coisas, não admitirá que o governo de Vargas reduza o Brasil a colônia dos Estados Unidos. O atual regime de exploração e opressão a serviço dos imperialistas americanos deve ser destruído e substituído por um novo regime, o regime democrático e popular”.

Isso quando a direita já escalava os muros do Catete e os jornais conservadores escalpelavam a reputação de quem quer que rodeasse o Presidente –e a dele próprio. Por todo o país ecoava o o alarido udenista pela renúncia ou golpe, que Vargas afrontaria com o suicídio, em 24 de agosto de 1954. Só o esquerdismo não ouvia.

Mutati mutandis, trata-se agora de inscrever no Brasil do século XXI uma revolução de infraestrutura e fomento industrial de audácia e desassombro equivalente a que Vargas esboçou há 58 anos.

Foi essa tarefa que Lula retomou no seu segundo governo, e Dilma aprofunda nos dias que correm.

Repita-se, não se trata de uma baldeação técnica.Não se faz isso dissociado de uma relação de forças correspondente. Essa travessia não é um dado da natureza, ela precisa ser construída.

Lula tirou 40 milhões de brasileiros da pobreza. Os novos protagonistas formam hoje a maioria da sociedade. Mas serão sujeitos de sua própria história? Fossem, a coalizão das togas midiáticas e o udenismo demotucano estariam fazendo o que fazem?

Urge que se avance na travessia da relação de forças. Essa é a tarefa que grita nas advertências dos dias que correm; nas investidas cada vez mais desinibidas das últimas horas. Elas não serão revertidas, à esquerda, com uma cegueira histórica equivalente a do PCB em 1953. Mas o governo também não pode mais fechar os olhos para o perigo que ronda a sua porta. Ele não será afrontado com o acanhamento amedrontado diante de palavras como ‘engajamento’, ‘mobilização’ e pluralismo midiático.

Se o que tem sido testado e assacado nas manchetes não é um ensaio para tornar insustentável o governo Dilma até 2014, então somos todos crédulos dos propósitos republicanos do senhor e senhora Gurgel, dos Barbosas & Fux e da escalada midiática que os pauta e ecoa.

Simples coincidência que a orquestra eleve o naipe dos metais exatamente quando solistas como a The Economist disparam setas de fogo contra o ‘excessivo intervencionismo de Dilma’ nos mercados?(Leia aqui: ‘O Brasil perdeu o charme, diz o rentismo’)

A resposta é não. E até para analistas insuspeitos de simpatias petistas, como o professor da FGV, ex-secretário da Fazenda de Mário Covas, Ioshiaki Nakano.(Texto Integral)

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COM O PIG É IMPOSSÍVEL CRITICAR O PT. GRANDE MÍDIA DEIXARÁ O PARTIDO DOS TRABALHADORES MAIS UNIDO DO QUE NUNCA EM 2014

Haja estômago para aguentar o PIG em 2013, profetiza Marcos Coimbra

Haja estômago para aguentar o PIG em 2013, profetiza Marcos Coimbra

Há um efeito imprevisível em toda comunicação. Mas no caso da grande mídia brasileira, esse fator imprevisível parece se tornar uma regra. O chamado PIG (Partido da Imprensa Golpista) transforma qualquer detalhe de investigações contra o PT em escândalos incontroláveis, aterrorizantes, inéditos. Os maiores usurpadores, detratores e bandidos se tornam fontes fidedignas que levam a manchetes sempre bombásticas.

Isso já está evidente, mas…

Qualquer pessoa com um mínimo de ética e bom senso se sente impossibilitado de fazer uma crítica séria ao projeto político do PT que está sendo implantado. Esse blog deveria hoje fazer uma crítica ao PT sobre a questão da reforma agrária, depois de outro escândalo político-judicial que quer expulsar famílias do assentamento Milton Santos, em Americana (SP). Mas não dá. A crítica contra essa imobilidade do governo para avanços na reforma agrária fica impossibilitada porque a questão social e estrutural maior se encontra o tempo todo na berlinda.

Veja as acusações recentes contra Lula e as antigas contra a presidenta Dilma Rousseff. Nas eleições passadas, um falsário ganhou foto com pose na Folha de S. Paulo e foi chamado de empresário, assim como Carlinhos Cachoeira o é atualmente.  Do outro lado, denúncias consistentes, com provas, como as que abatem o jornalista da Veja Policarpo Jr e o procurador-geral Roberto Gurgel, não só são omitidas, como as pessoas que denunciam são achincalhadas, acusadas de vingativas.

O desespero no PIG está batendo porque o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, mesmo escondido e com cobertura acrítica da mídia paulista, está se transformando numa grande decepção, fracasso e tornando explícita sua incompetência. E isso pode levar o PIG a uma derrota estrondosa em São Paulo.

E, nesse caso, só lhe restará chamar o Instituto Milenium e os militares. Mas será que os militares estariam dispostos a fazer novamente o serviço sujo para que a elite conservadora continue a manter esse estado de barbárie que é São Paulo?

O PIG parece disposto a fazer o possível e o impossível contra qualquer avanço social representado pelo partido dos trabalhadores. Haja estômago para 2013, diz Marcos Coimbra.

Há nessa sanha do PIG um grande risco, que já está correndo. A desonestidade jornalística, o falso escândalo, a falta de provas e os ataques gratuitos e moralistas contra os principais integrantes do PT poderá tornar o partido, filiados e simpatizantes ainda mais unidos.

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PIG 10 X 0 PT: VITORIOSO NAS URNAS, PT PERDE DE LAVADA PARA O OLIGOPÓGIO DA MÍDIA NO CONGRESSO NACIONAL

Cristina enfrentou o monopólio da mídia e venceu eleições

O Partido dos Trabalhadores saiu-se bem nas recentes eleições para prefeitura e câmara de vereadores, mesmo diante da atuação canina do PIG em cima do Mensalão. Talvez a maior cobertura jornalística de todos os tempos.

Mas é no Congresso Nacional que o PT está apanhando feio. O PIG fez um circo com o Mensalão e deve mandar o José Dirceu para a cadeia.  De sobra, atacar e tentar anular Lula, mesmo fora do governo. E está conseguindo. Talvez a luz acenda quando mandarem o José Dirceu para atrás das grades e abrirem uma ação contra Lula. O PIG já entendeu que precisa destruir Lula mesmo fora do governo, senão não chega ao pote de outro do povo brasileiro.

Mesmo com todo masoquismo petista, como alertou o deputado Fernando Ferro, a insatisfação da elite é grande. O PT ainda é um partido que deixa a elite insegura. A democracia da elite brasileira só existe se ela ou seus representantes estiverem no comando. Os outros, mesmo seguindo a cartilha, não são confiáveis. Palocci que o diga. Bateu continência e foi defenestrado.

Enquanto o Jornal Nacional dava 10 horas de Mensalão em horário nobre, o PT não conseguia nem sequer ouvir um editor de revista, o Policarpo Jr, da Veja, na CPI do Cachoeira. Quiçá ouvir o procurador-geral, Roberto Gurgel, que precisa explicar porque não investigou a quadrilha do Carlinhos Cachoeira. No Congresso Nacional, o PT leva de 10 a 0.

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QUEM FAZ JUSTIÇA? LULA DEMARCOU TERRA GUARANI-KAIOWÁ, MAS O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, DE GILMAR MENDES, DESMARCOU

Mesmo sob ameaças de pistoleiros, indígenas Guarani Kaiowá vão permanecer em seu território

Menina terena e bebê: depois de 500 anos de massacre, ainda resistem

Natasha Pitts -Jornalista da Adital 
Adital via Limpinho & Cheiroso

O conflito fundiário e judicial que envolve o território sagrado Arroio Koral parecia estar resolvido quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, em dezembro de 2009, um decreto homologando a demarcação da terra. No entanto, em janeiro de 2010, o Supremo Tribunal Federal (STF), do qual está à frente o ministro Gilmar Mendes, suspendeu a eficácia do decreto presidencial em relação às fazendas Polegar, São Judas Tadeu, Porto Domingos e Potreiro-Corá.

Na última sexta-feira (10), indígenas Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul (MS), Centro-Oeste brasileiro, cansados da morosidade da justiça, decidiram retomar parte do tekoha (território sagrado) Arroio Koral, localizado no município de Paranhos. Poucas horas depois, nem bem os cerca de 400 indígenas haviam montado acampamento, pistoleiros invadiram o local levando medo e terror para homens, mulheres e crianças.

A ação resultou em indígenas feridos, mas sem gravidade. Além disso, permanece desaparecido o Guarani Kaiowá João Oliveira, que não conseguiu fugir. Com a chegada da Força Nacional os pistoleiros se dispersaram e fugiram.

No momento do ataque, os/as indígenas correram e se espalharam pela mata, no entanto, passados os momentos de pânico, aos poucos os Guarani Kaiowá foram retornando para o acampamento e mesmo se sentindo inseguros e amedrontados pretendem não sair mais de lá.

O Guarani Kaiowá Dionísio Gonçalves assegura que os indígenas estão firmes na decisão de permanecer no tekoha Arroio Koral, mesmo cientes das adversidades que terão que enfrentar, já que o território sagrado reivindicado por eles fica no meio de uma fazenda.

“Nós estamos decididos a não sair mais, nós resolvemos permanecer e vamos permanecer. Podem vir com tratores, nós não vamos sair. A terra é nossa, até o Supremo Tribunal Federal já reconheceu. Se não permitirem que a gente fique é melhor mandarem caixão e cruz, pois nós vamos ficar aqui”, assegurou.

Dionísio informou que no momento as lideranças indígenas estão aguardando a chegada da Polícia Federal no acampamento para iniciar as investigações sobre o acontecido e para a realização das buscas por João Oliveira. “Eles disseram que vinham depois das 12h, estamos esperando por eles e por outros órgãos para resolver o problema”, afirmou.

Conflito fundiário

A batalha pela retomada de terras indígenas não é de hoje no Mato Grosso do Sul. Neste estado, onde se localizam os mais altos índices de assassinatos de indígenas, esta população luta há vários anos pela devolução de terras tradicionais e sagradas. Dentro deste contexto de luta já aconteceram diversos ataques como os de sexta-feira, muitos ordenados por fazendeiros insatisfeitos com a devolução das terras aos seus verdadeiros donos.

O conflito fundiário e judicial que envolve o território sagrado Arroio Koral parecia estar resolvido quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, em dezembro de 2009, um decreto homologando a demarcação da terra. No entanto, em janeiro de 2010, o Supremo Tribunal Federal (STF), do qual está à frente o ministro Gilmar Mendes, suspendeu a eficácia do decreto presidencial em relação às fazendas Polegar, São Judas Tadeu, Porto Domingos e Potreiro-Corá.

O processo continua em andamento, mas tem caminhado a passos muito lentos, já que ainda não foi votado por todos os ministros. Assim, fartos da morosidade da justiça brasileira, os Guarani Kaiowá decidiram fazer a retomada da terra.

Os indígenas escreveram uma carta para os ministros do Supremo Tribunal Federal e para o Governo Federal em que reivindicam o despejo dos fazendeiros que ainda estão ocupando e destruindo territórios tradicionais já demarcados e reconhecidos pelo Estado brasileiro e pela Justiça Federal e exigem a devolução imediata de todos os antigos territórios indígenas.

“Sabemos que os pistoleiros das fazendas vão matar-nos, mas mesmo assim, a nossa manifestação pacífica começa hoje 10 de agosto de 2012. Por fim, solicitamos, com urgência, a presenças de todas as autoridades federais para registrar as nossas manifestações pacíficas, étnicas e públicas pela devolução total de nossos territórios antigos”, anuncia o último trecho da carta assinada por lideranças, rezadores, mulheres pertencentes ao Povo Kaiowá e Guarani dos acampamentos e das margens de rodovias, ameaçados pelos pistoleiros das fazendas, dos territórios reocupados e das Reservas/Aldeias Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul.

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GERAÇÃO TÉCNICA: DILMA, FERNANDO HADDAD E MÁRCIO POCHMAN MOSTRAM QUE PERFIL TÉCNICO DO PT GANHA ESPAÇO POLÍTICO DENTRO DO PARTIDO

Economista e ex-presidente do Ipea, Pochmann é candidato em Campinas

A ascensão do Partido dos Trabalhadores nos últimos anos trouxe consigo não só uma política de enfoque mais social e a projeção de vários nomes de políticos tradicionais que fundaram o PT.
A presença de Dilma Rousseff na presidência e as candidaturas de Fernando Haddad em São Paulo e de Márcio Pochman em Campinas mostram que o primeiro escalão técnico de governos petistas ganha espaço dentro do partido e assume um lugar que tradicionalmente é privilégio de detentores de máquinas partidárias.
Pode-se dizer que o ex-presidente Lula também teve papel definitivo nessa situação. Ajudou a eleger Dilma Rousseff e agora, após o início da Campanha, já ajuda no rápido crescimento de Fernando Haddad em São Paulo e de Márcio Pochmann, em Campinas.

Haddad, candidato em São Paulo, tem formação multidisciplinar

Mas esse perfil técnico surge graças ao bom desempenho desses profissionais nas administrações, o que projetou seus nomes, como no caso de Márcio Pochmann na prefeitura de São Paulo e no Ipea, Fernando Haddad no Ministério da Educação, e de Dilma Rousseff em vários ministérios do governo Lula. Esse perfil também ajuda a evitar o desgaste dos políticos tradicionais com brigas internas e com escândalos e acusações de práticas de métodos não recomendáveis.

Os técnicos tendem a profissionalizar ainda mais a gestão pública e, mas poder ter dificuldade na administração política. No entanto, ao ver a avaliação popular de Dilma, essa mudança pode ser o início de uma transformação no partido: a geração dos técnicos.

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PARTE DO PSDB NÃO ACREDITA QUE JOSÉ SERRA VENÇA EM SÃO PAULO: BOLINHA DE PAPEL E USO DA RELIGIÃO AJUDARAM A DESTRUÍ-LO COMO POLÍTICO

As últimas notícias mostram que José Serra deverá ter uma grande derrota nas próximas eleições para a prefeitura de São Paulo, o que o deixará de fora das próximas eleições para presidente e perderá poder político dentro do partido.

Isso parece ser evidente dentro do próprio partido. Diretório do PSDB da capital paulista já apoia outro candidato e o próprio Ackmin, governador de São Paulo, já ensaia lançar seu nome como candidato a presidência em 2014.

O alto índice de rejeição de José Serra pode ser atribuído em grande parte por sua campanha horrenda nas últimas eleições presidenciais, na qual perdeu toda a noção de bom senso para conquistar votos. Isso teve um efeito reverso.

Dois fatos são importantíssimos na análise de Serra. O primeiro foi o evento da bolinha de papel que atingiu sua cabeça, sem qualquer gravidade e, mesmo assim, ele simulou uma espécie de atentado, fazendo um show com o apoio da Rede Globo. Ao ser desmascarado, provocou repulsa da população.

Outro fato é uma espécie de mito entre os políticos. Eles acreditam, por acontecimentos já históricos, que a falta de religiosidade pode prejudicar o candidato. Isso é verdade. Mas Serra parece provar que o excesso de participação religiosa também pode ter efeito negativo. Serra, já na eleição presidencial, transformou o discurso religioso em discurso político, misturando palanque e altar. Há muitas religiões no Brasil e com diferentes posicionamentos. A atitude de Serra evidenciou uma grande falsidade espiritual. Ou seja, a população desconfiou que ele abusou de temas religiosos para conseguir votos.

As últimas pesquisas para a prefeitura mostram estagnação de sua candidatura com crescimento da rejeição. Além disso, há Celso Russomanno com boa votação e com o mesmo perfil eleitoral de Serra.  Fernando Haddad, do PT, já começa a despontar na disputa como terceiro colocado e sem a presença ainda forte de Lula na campanha. 

Parece que parte do PSDB e Alckmin já entendam.

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GRANDE MÍDIA ESTÁ FELIZ COM DILMA ROUSSEFF, MAS NÃO COM LULA, QUE INSISTE EM ENFRENTÁ-LA NAS URNAS

Dilma agrada cada vez mais aos donos do poder ideológico

A grande mídia nunca esteve tão feliz com a presidenta Dilma Rousseff. Recentemente é comum verificar uma análise crítica, mas não rancorosa contra a presidenta. Até elogios surgem.

Ao afirmar que não vai participar das eleições municipais, agora mesmo é que Dilma está agradando. As chances de vitória dos partidos conservadores ficam bem maiores sem a presença de Dilma e sua aprovação popular. A pedra no sapato da mídia agora continua sendo Lula que já avisou que vai participar. Para a mídia, é preciso destruir Lula. Dilma está enquadrada.

O governo Dilma mantém a estrutura de controle político do país nas mãos dos grupos ligados aos grandes grupos de comunicação. A grande mídia parece que já se convenceu de que Dilma Rousseff ficará oito anos no governo e não será fácil retirá-la.


Dilma, por seu lado, também parece manter as estruturas de controles intactas. Veja que Dilma foca a economia e uma gestão da administração pública, que com certeza trará grandes benefícios para a população, se for bem sucedida, assim como trará grandes benefícios para os grupos que estão no poder, mantendo a desigualdade obscena da sociedade brasileira, e que gera tantos eventos criminosos e de instabilidade social.


Veja que não se ouve mais falar de Ministério da Cultura, direito autoral, avanço nos pontos de cultura, democratização da comunicação etc dentro do governo. A ministra Ana de Holanda já foi mais pop. Não há qualquer novidade nessas áreas. As áreas de comunicação e cultura são fundamentais para o avanço de longo prazo do país, o que permitiria amenizar a desigualdade social e o controle político e econômico de grupos que há séculos mantém a desigualdade reinante.

Ainda que timidamente, houve avanços no governo Lula, mas isso se tornou “imexível” no governo Dilma. Ou seja, Dilma faz um governo de médio e longo prazo na infraestrutura econômica, mas não mexe na infraestrutura política e cultural, que está profundamente arraigada nos oligopólios artísticos e de comunicação. Dilma faz o seu tapete e será reeleita, mas manterá certa incerteza para o futuro do país, permitindo que governos autoritários e golpistas possam ser aceitos por uma sociedade sem pluralidade de cultura, comunicação e informação.


O projeto tocado pelo governo Dilma Rousseff agrada à grande mídia, porque não mexe no seu curral ideológico. Na realidade,  é o projeto que a mídia gostaria que o PSDB fosse capaz de tocar, mas o partido foi incompetente para tal função. Folha, Estado, Globo e Veja (Abril) já engoliram Dilma.
Isso parece bom para o governante ter segurança e aprovação, mas traz a certeza de que o governo é um gigante de pés de barro.

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QUE DIFERENÇA! KASSAB, INDICADO POR JOSÉ SERRA, TEM SÓ 22% DE APROVAÇÃO E DILMA, INDICADA POR LULA, TEM 77% DE APROVAÇÃO

Dilma, 77% de aprovação e Kassab, 76% de reprovação

A incapacidade de governo do PSDB é estrutural, ou seja, não é uma questão de um nome ou outro. O partido, que nasceu com aspiração social-democrata, tornou-se um partido que vai do neoliberalismo ao extremismo de direita, representado hoje por José Serra e Geraldo Alckmin, em São Paulo.


A questão do partido e seus aliados é tão estrutural que, mesmo quando está governando a mais rica cidade do país com o apoio da grande mídia, o grupo consegue ter uma péssima avaliação.
A avaliação de Kassab, que foi indicado e sustentado pelo PSDB da ala de José Serra, chega a ter um índice de 76% de péssimo, ruim e regular.

O problema não é o Kassab ou o Serra, mas a proposta política do partido que é a sustentação da desigualdade e a manutenção dos benefícios para classes já privilegiadas. O problema do PSDB é tentar resolver os dramas da sociedade mais desigual do mundo sem mexer em nada que afete a classe rica ou beneficie um pouco as classes mais baixas.

Na outra balança, tem a presidenta Dilma Rousseff, indicada por Lula e apoiada pelo PT, com 77% de aprovação. Assim como Kassab, Dilma pertencia a outro partido, o PDT, mas tem o compromisso de, negociando com a elite, tentar melhorar a vida do país. Uma simples diferença que o marketing político não pode apagar.

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O DIA EM QUE PAULO MALUF ENGOLIU LUÍZA ERUNDINA PELAS LENTES DE UM FOTÓGRAFO

Erundina já esteve ao lado de Orestes Quércia e Michel Temer

Paulo Maluf (PP) pode ser um grande corrupto, como nos levam a crer as investigações já realizadas no Brasil e também por estar na lista de procurados da Interpol (Polícia Internacional).

Mas há de se convir que ainda mantém uma habilidade política inacreditável. Com uma única fotografia, ao lado do ex-presidente Lula e do candidato petista à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, ele conseguiu retirar Luíza Erundina da disputa e fortalecer a importância do PP na coligação com o PT.

Maluf atualmente está muito longe de ter a importância que já teve na política brasileira. Ele já foi líder de um dos maiores partidos do país, o PDS, com direito à candidatura à presidência do Brasil. Hoje pertence a um partido nanico, que negocia espaço político secundário, e consegue no máximo se eleger deputado graças ao reduto paulista. A aliança com o PT seria mais uma aliança como qualquer outra, não fosse a fotografia que irritou Erundina e a tirou do cargo de vice-prefeita.

Maluf conseguiu, com a fotografia, ganhar espaço na aliança ao dar visibilidade política ao PP e excluir o nome de Erundina, que poderia levar o governo petista a políticas sociais mais ativas no jogo interno da prefeitura. Erundina abriu caminho para Maluf, principalmente porque já esteve ligada a Orestes Quércia.

Do lado do PT, o ex-presidente Lula estaria apostando todas as fichas na capacidade da população de distinguir entre o programa de um possível governo Haddad-Erundina (PT-PSB) e o apoio político de Paulo Maluf. Erundina, pelo menos, não entendeu assim.

É sempre ruim ter o apoio de alguém como Maluf, pelo seu histórico, mas Lula sabe que há em São Paulo uma resistência muito grande dos votos conservadores.

O fato é que estão dando muito importância para Paulo Maluf, um político que nem de longe tem a força que já teve em São Paulo. Maluf tem um reduto político pequeno e algum tempo na TV, mais nada.

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ERUNDINA NÃO ACEITA ALIANÇA COM PARTIDO DE PAULO MALUF E DESISTE DE SER CANDIDATA À VICE-PREFEITA NA CHAPA DE HADDAD

Erundina desiste de ser vice de Haddad

A campanha de Fernando Haddad (PT) à prefeitura de São Paulo tem sido palco de alguns conflitos políticos. Os mais recentes se referem à entrada de Paulo Maluf (PP) como aliado da candidatura petista, e à então anunciada saída da deputada Luiza Erundina (PSB-SP), escolhida como vice de Haddad, por não concordar em estar na mesma chapa que Maluf.

Depois de uma série de informações sobre a saída ou permanência de Erundina na chapa, notícia publicada pela Carta Capital ontem, por volta das 18h, confirmou a saída de Erundina. Sua decisão teria sido tomada ontem após reunião, em Brasília, com integrantes da cúpula do PSB.

Como explica a notícia da Carta Capital, a entrevista que Erundina deu à Radio Brasil Atual dizendo que não deixaria a chapa de Haddad em respeito a uma decisão partidária foi dada na tarde da segunda-feira, antes, portanto, de sua entrevista ao jornal O Globo onde ela disse que não queria mais ser candidata ao lado de Haddad.  Prevaleceu, portanto, sua última declaração.

A insatisfação de Erundina com a aliança teria se agravado recentemente depois da presença de Lula na casa de Maluf e da fotografia em que o ex-presidente aparece ao lado de Haddad e de Paulo Maluf, foto que aliás foi exigência do cacique do PP e, talvez como Maluf pretendia, vem sendo amplamente explorada nas redes sociais.

Neste caso, Lula parece agir como o modelo de líder político classicamente descrito por Maquiavel. Os fins justificam os meios e a aliança com Maluf não parece ter a dimensão que buscam lhe conferir. É uma estratégia política que aumenta o horário eleitoral na TV e ganha votos de um eleitorado mais conservador. O choque entre Erundina e Maluf se deu, como já era de se esperar pelo histórico da deputada, agora fica uma outra pergunta já esboçada em notícia anterior da Carta Capital: quantos Malufs valem uma Erundina?

Veja trecho das duas últimas notícias sobre o assunto publicadas pela Carta Capital:

Quantos Malufs valem uma Erundina?
Por Redação Carta Capital

Depois de meses estagnada, a campanha de Fernando Haddad (PT) à prefeitura de São Paulo havia recebido uma boa notícia neste domingo 17 à noite: o candidato subia pela primeira vez nas pesquisas. As notícias, no entanto, pioraram durante esta segunda-feira 18. O deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) declarou o apoio de seu partido à candidatura de Haddad pela manhã. Passadas poucas horas, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) ameaça abandonar o barco petista.

Escolhida como candidata a vice-prefeita na chapa de Haddad, Erundina afirmou que não aceita a aliança com Maluf em entrevista ao site do jornal O Globo. Na entrevista, Erundina disse que a situação é muito constrangedora. “Vou conversar com o meu partido. Meu partido tem outros nomes, não tem problema nenhum. Mas eu não aceito”. Erundina é um antigo desafeto de Maluf, com quem ela competiu pela prefeitura na eleição em que saiu vitoriosa, em 1988.

O PT e o PSB foram pegos de surpresa pela atitude de Erundina. As direções dos dois partidos dizem ter tomado conhecimento da posição dela pela imprensa e que só vão se pronunciar após se reunirem com a deputada. (Texto completo)

Erundina desiste de ser candidata a vice de Haddad em São Paulo
Por Piero Locatelli

A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), anunciada na semana passada como candidata a vice-prefeita de São Paulo na chapa de Fernando Haddad (PT), desistiu de participar da disputa segundo apurou CartaCapital. A decisão foi tomada nesta terça-feira 19 após reunião, em Brasília, entre Erundina e integrantes da cúpula do PSB. Também ficou certo que o PSB não vai mais indicar o candidato a vice na chapa de Haddad.

É possível que este cargo fique com o PCdoB, mas, de acordo com o presidente nacional da legenda, Renato Rabelo, nenhum convite oficial foi feito. “O PCdoB ainda não decidiu se vai fechar aliança com o PT nas eleições municipais, portanto não faz sentido falar em indicação de vice”. O PCdoB ainda mantém a pré-candidatura de Netinho de Paula, embora o partido continue a negociar tanto com o PT quanto com o PMDB de Gabriel Chalita.

A decisão foi tomada por Erundina depois que o PP, de seu antigo rival Paulo Maluf, confirmou apoio à candidatura de Haddad. A aliança foi anunciada com pompa na casa de Maluf, em cerimônia que contou com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A posição de Erundina causou polêmica na segunda-feira 18. Em entrevista publicada pelo site do jornal O Globo no início da noite de segunda, Erundina deu a entender que estava fora da campanha de Haddad pois não aceitava a aliança com Maluf. Na entrevista, a deputada disse que a situação era muito constrangedora. “Vou conversar com o meu partido. Meu partido tem outros nomes, não tem problema nenhum. Mas eu não aceito”.

Na manhã desta terça-feira, a rádio Brasil Atual publicou entrevista com Erundina na qual ela dizia uma outra coisa. Erundina lamentava a aliança com Maluf, mas dizia que a candidatura estava confirmada. “Não sou de recuar. Vou manter a decisão, porque é uma decisão partidária. Vou me empenhar e fazer o melhor que puder para dar minha contribuição, mas vou procurar demarcar campos. De um lado está o seu Maluf; de outro lado estaremos nós e os setores da sociedade que não concordam, ao meu ver, com essa aliança”, disse Erundina. (Texto completo)

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ATO FALHO SENSACIONAL: GILMAR MENDES FICOU “EUFÓRICO” AO SABER QUE IRIA SE ENCONTRAR COM LULA, REVELA REPORTAGEM DE O GLOBO

Oposição, Gilmar Mendes precisa explicar suas relações com Carlinhos Cachoeira

A versão de Gilmar Mendes sobre o possível pedido de Lula de adiamento do processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal) é bastante improvável e fantasiosa, ainda que seja possível. Não fosse isso, a única testemunha, Nelson Jobim, desmentiu.

Os maiores interessados em tumultuar a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Carlinhos Cachoeira é o próprio Gilmar Mendes e a revista Veja, visto que estão de certa forma atolados nas investigações da Polícia Federal. Muito diferente da situação do ex-presidente Lula, que não é nem sequer réu no mensalão.

Ao que parece, o ex-presidente Lula caiu numa armadilha ao visitar o ex-ministro  Nelson Jobim. Segundo reportagem de O Globo, Gilmar Mendes teria ficado “eufórico” ao saber que iria se encontrar com Lula. É possível que a redação da revista Veja também. Trecho da matéria de O Globo é revelador e interessante porque mostra um Gilmar Mendes bastante meigo:

Quando recebeu o convite de Jobim para encontrar-se com Lula, Gilmar ficou eufórico: finalmente, iria rever o amigo.

Na cabeça do ministro, o encontro seria social e afetivo e realizado por desejos de ambos. E, para ser mais justo, mais pela insistência de Gilmar do que de Lula

As relações entre Veja e Gilmar Mendes são antigas, assim como as relações de Veja com Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres. Até hoje não se sabe do áudio de uma possível gravação de Gilmar Mendes com Demóstenes Torres que, vejam só, a Veja publicou.  As pedras parecem se encaixar no quebra cabeça da corrupção com as escutas da Polícia Federal na operação Monte Carlo.

Há já revelações claras e noticiadas do envolvimento de Gilmar Mendes com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira. As notícias deveriam ser um grande escândalo nacional, mas tiveram destaques reduzidos e pouca divulgação. A primeira de que é Gilmar Mendes teria viajado a Berlim, na Alemanha, com o senador Demóstenes Torres em um avião cedido pelo contraventor Carlinhos Cachoeira. Há aí duas situações graves, primeiro a amizade perigosa entre Gilmar Mendes de Demóstenes Torres e, segundo, o uso do avião de Carlinhos Cachoeira. Isso precisa ser investigado.

A outra acusação se ajusta perfeitamente a esta. Em uma das gravações interceptadas pela Polícia Federal na operação Monte Carlo, Demóstenes Torres afirma que Gilmar Mendes havia beneficiado Cachoeira ao “puxar” uma ação milionária.  Veja link.

Por essas e outras, se o PT não for fundo nas investigações da CPMI, pode ser chamado de PA (Partido que Amarelou).

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DEPOIS DE REVELAR TODO SEU PRECONCEITO EM RELAÇÃO AOS GARIS, BORIS CASOY AGORA REVELA CERTA IGNORÂNCIA AO ASSOCIAR LULA À MORTE DE DONA DA DASLU

Em uma hora dessas é que perguntamos: e a inteligência jornalística? E a simples relação de causa e efeito livre de maquinações ideológicas? E a urgente regulamentação da mídia? Para onde foram?

Isso também é o jornalismo brasileiro que condena uma suposta “roubalheira”, mas não vê nada de errado com a outra. E ainda transforma uma agente comprovada dessa outra em indefesa vítima de um governo perverso.

Em relação a mais esse comentário do jornalista Boris Casoy poderíamos dizer que ele era totalmente desnecessário e resumir em uma frase a impressão que ele deixou: isto é uma vergonha!

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EM ÓTIMO TEXTO, NIRLANDO BEIRÃO IDENTIFICA OS COVEIROS DE LULA E FAZ VER A SOCIEDADE BRASILEIRA NAQUILO QUE ELA TEM DE MAIS RASTEIRO E MESQUINHO

Imagens assim provocam em alguns um "mal disfarçado gozo doentio"

Vale a pena a leitura do artigo abaixo publicado na revista Carta Capital. Muito bem escrito, de forma inteligente e argumentada, o texto do jornalista Nirlando Beirãorevela todas as superstições, o mau-olhado, rancor e desprezo destilados pela mídia e pela sociedade brasileira em ocasião da doença do ex-presidente Lula.

 Todo o ressentimento vem na forma das psicologias mais avançadas e sutis que, nem mesmo Freud, teria sido capaz de conjecturar.

O triste caso, para não usar de outro adjetivo, demonstra que o Brasil reclama de sua desigualdade social e injustiças históricas (quando as percebe), mas no instante em que essas desigualdades são, de alguma forma, quebradas, ameaçando os privilégios de uns e despertando a inveja de outros, é capaz de revelar o homem de forma inimaginável.

Transparência e mau-olhado
Por Nirlando Beirão

A se tomar cultura no sentido amplo que lhe dão os antropólogos – o conjunto de representações simbólicas com as quais se identifica determinado grupo – o câncer do Lula é o acontecimento cultural do Brasil em 2011. Nunca antes neste País uma doença teve o condão de revelar tantos significados emblemáticos e tantas patologias sociais.

Subjacente ao drama pessoal do ex-torneiro mecânico tornado presidente da República reavivam-se crendices, mitos, a mesma intolerância, a mesma intransigência que vêm espreitando cada ato da longa trajetória política de Lula, fazendo borbulhar no caldeirão das mentalidades, elas, sim, -doentias, um vingativo contentamento – como se, da mesma forma como ocorre em certos crimes hediondos, a culpa pudesse ser da vítima.

Foi, aliás, nas vizinhanças do Dia das Bruxas que se divulgou a novidade – “uma bomba”, reagiu uma delas, ruminando mal disfarçado gozo, bruxa radiofônica a bordo de sua fachada de “cientista política”. Indiferente mais uma vez aos efeitos da mandinga e do mau-olhado, Lula decidiu agir com transparência: convenceu a equipe médica, naquele mesmo dia 29 de outubro, de que não havia porque sonegar a informação ao País e instruiu o Hospital Sírio-Libanês a divulgar um boletim relatando a verdadeira natureza de sua doença, um tumor maligno na laringe.

A partir daí, vive o paciente à mercê de um penoso tratamento e de uma natural incerteza, enquanto divide-se a nação entre o susto, a perplexidade, a compaixão, mas também a raiva, o desprezo, o ressentimento, requentados agora pela reconfortante sensação de que, se o adversário é invulnerável na política, há de ser frágil na vida. Atribui-se ao escritor Otto Lara Resende a frase de que o mineiro só é solidário no câncer. No que diz respeito ao mais admirado líder político do País em todos os tempos, há patrícios seus que paradoxalmente nem nesse caso lhe são simpáticos. (Texto completo)

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Boni confessa o jogo sujo. Veja vídeo abaixo.

Depois das eleições

O telespectador, segundo a Globo

Segundo Boni, após ser procurado pela assessoria de Collor, o superintendente executivo da Globo, Miguel Pires Gonçalves, pediu que ele palpitasse no evento.

“Eu achei que a briga do Collor com o Lula nos debates estava desigual, porque o Lula era o povo e o Collor era a autoridade”, contou. “Então nós conseguimos tirar a gravata do Collor, botar um pouco de suor com uma ‘glicerinazinha’ e colocamos as pastas todas que estavam ali com supostas denúncias contra o Lula – mas as pastas estavam inteiramente vazias ou com papéis em branco”. (texto completo no AdNews)

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FAÇA JUS, TODO POLÍTICO DEVERIA IR PARA O SUS

SUS official symbol

Querem Lula no SUS (Sistema Único de Saúde)

Façamos jus

Fernando Henrique (privatização para melhorar a Saúde) no SUS.

José Serra (o “grande” ministro da Saúde!!!) no SUS (Por que não melhorou?).

Geraldo Alckmin (“Excelente atendimento”) no SUS.

Roberto Jefferson (mensalão) no SUS.

Tasso Jereissati (tenho jatinho porque posso) no SUS (Esse não, esse pode, né?)

Aécio Neves (Saúde prioridade) SUS.

José Sarney (não larga o osso) SUS.

Aerotrem no SUS.

Gilmar Mendes (dois habeas corpus em 48 horas) no SUS (todo político, sem exceção)

Marina Silva SUS.

Faça Jus

Todo político no Sus.

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Só Lula incomoda no Sírio Libanês...

Desde que o ex-presidente Lula foi diagnosticado com um câncer de média agressividade na laringe, todas as suas consultas e internações ocorreram no hospital Sírio Libanês, em São Paulo. No mesmo instante, protestos na internet começaram a aconteçer dizendo que Lula deveria se tratar pelo SUS e não por um hospital tido como de elite na capital paulista.

Segundo a pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo) Sandra Regina Nunes, “as críticas se apoiam no fato de Lula ter sido analfabeto e se tornado presidente, de ele ter ascendido”, como mostra notícia publicada pelo Terra Magazine. O problema, segundo a pesquisadora, é que as críticas são localizadas e dirigidas ao ex-presidente Lula, enquanto que o correto mesmo é que os pedidos fossem para que todos se tratassem no SUS. Se vale para um, vale para todos!

Além do preconceito em relação à ascensão econômica do ex-presidente, as críticas ignoram o fato de Lula estar enfrentando um problema de saúde, o que à priori não é fácil para qualquer um.

O PIG, como sempre, também fez seus comentários irônicos e desconhecedores de qualquer tipo de respeito em relação ao outro. Independente de quem Lula tenha sido, de quão justo foi o seu governo, ele é um cidadão e está, como qualquer um de nós faria, lutando para continuar a sua história. As críticas são importantes e democráticas, mas também têm o seu momento certo, e este não parece sê-lo.

Veja trecho de notícia sobre o assunto com entrevista concedida por Sandra Nunes ao Terra Magazine:

Críticas revelam preconceito contra ascensão de Lula, avalia pesquisadora

Por Dayanne Sousa

A notícia de que o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva passará por um tratamento contra câncer na laringe no hospital Sírio Libanês foi recebida com protestos em redes sociais. Na internet, um grupo pede que o petista utilize hospitais públicos e o Sistema Único de Saúde (SUS). Para a pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo) Sandra Regina Nunes, “as críticas se apoiam no fato de Lula ter sido analfabeto e se tornado presidente, de ele ter ascendido”.

– Por que não se faz uma manifestação para que todo mundo use o SUS? A questão é menos de fidelidade com os ideais políticos e mais um preconceito. É como se questionassem: “Por que Lula tem que se tratar no Sírio Libanês? O lugar de onde ele veio não permite que isso aconteça” – questiona Sandra, membro do Laboratório de Estudos da Intolerância e professora de comunicação da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado).

Uma campanha no Facebook pedindo que Lula se trate no SUS já ganhou mais de 800 adeptos. Os internautas também se organizam para divulgar as críticas em sites de notícias. A rede de TV internacional CNN, por exemplo, publicou a informação sobre a doença do ex-presidente e recebeu uma série de comentários irônicos de brasileiros sobre o sistema de saúde nacional.

Leia a entrevista.

Terra Magazine – O anúncio de que o ex-presidente Lula sofre de câncer foi seguido por manifestações críticas e um protesto para que ele se trate no SUS. Por que esse tipo de expressão acontece e se espalha na internet?
Sandra Regina Nunes – O que me parece é que tem algo bastante próprio daqui do Brasil. As críticas se apoiam no fato de Lula ter sido analfabeto e se tornado presidente, de ele ter ascendido. Isso é visto quase como uma afronta. Faz com que as pessoas acreditem que necessariamente ele deveria ser fiel àquilo que ele pregava. Por muitas vezes ouvi pessoas dizendo “Ah, ele era trabalhador, não podia estar usando Armani”. Agora dizem que o Lula tem que usar o SUS. Não me parece que aconteceu isso quando alguém do PSDB tem algum tipo de problema de saúde. Por que não se faz uma manifestação para que todo mundo use o SUS? A questão é menos de fidelidade com os ideais políticos e mais um preconceito. É como se questionassem: “Por que Lula tem que se tratar no Sírio Libanês? O lugar de onde ele veio não permite que isso aconteça”. (Texto completo)

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UM BRASIL SEM CARÁTER, LEMBREI-ME DE MACUNAÍMA COM O TEXTO “EU, O SUS, A IRONIA E O MAU GOSTO” DE NINA CRINTZS

Macunaíma, de Mário de Andrade, é o herói sem caráter.

Não temos muitos heróis, mas temos falta de caráter a rodo.

Uma boa charge:

Por Nina Crintzs

Eu, o SUS, a ironia e o mau gosto

Há seis anos atrás eu tive uma dor no olho. Só que a dor no olho era, na verdade, no nervo ótico, que faz parte do sistema nervoso. O meu nervo ótico estava inflamado, e era uma inflamação característica de um processo desmielinizante. Mais tarde eu descobri que a mielina é uma camada de gordura que envolve as células nervosas e que é responsável por passar os estímulos elétricos de uma célula para a outra. Eu descobri também que esta inflamação era causada pelo meu próprio sistema imunológico que, inexplicavelmente, passou a identificar a mielina como um corpo estranho e começou a atacá-la. Em poucas palavras: eu descobri, em detalhes, como se dá uma doença-auto imune no sistema nervoso central. Esta, específica, chama-se Esclerose Múltipla. É o que eu tenho. Há seis anos.

Os médicos sabem tudo sobre o coração e quase nada sobre o cérebro – na minha humilde opinião. Ninguém sabe dizer porque a Esclerose Múltipla se manifesta. Não é uma doença genética. Não tem a ver com estilo de vida, hábitos, vícios. Sabe-se, por mera observação estatística, que mulheres jovens e caucasianas estão mais propensas a desenvolver a doença. Eu tinha 26 anos. Right on target.

Mil médicos diferentes passaram pela minha vida desde então. Uma via crucis de perguntas sem respostas. O plano de saúde, caro, pago religiosamente desde sempre, não cobria os especialistas mais especialistas que os outros. Fui em todos – TODOS – os neurologistas famosos – sim, porque tem disso, médico famoso – e, um por um, eles viam meus exames, confirmavam o diagnóstico, discutiam os mesmos tratamentos e confirmavam que cura, não tem. Minha mãe é uma heroína – mãos dadas comigo o tempo todo, segurando para não chorar. Ela mesma mais destruída do que eu. E os médicos famosos viam os resultados das ressonâncias magnéticas feitas com prata contra seus quadros de luz – mas não olhavam para mim. Alguns dos exames são medievais: agulhas espetadas pelo corpo, eletrodos no córtex cerebral, “estímulos” elétricos para ver se a partes do corpo respondem. Partes do corpo. Pastas e mais pastas sobre mesas com tampos de vidro. Colunas, crânio, córneas. Nos meus olhos, mesmo, ninguém olhava.

O diagnóstico de uma doença grave e incurável é um abismo no qual você é empurrado sem aviso. E sem pára-quedas. E se você ta esperando um “mas” aqui, sinto lhe informar, não tem. Não no meu caso. Não teve revelação divina. Não teve fé súbita em alguma coisa maior. Não teve uma compreensão mais apurada das dores do mundo. O que dá, assim, de cara, é raiva. Porque a vida já caminha na beirada do insuportável sem essa foice tão perto do pescoço. Porque já é suficientemente difícil estar vivo sem esta sentença se morte lenta e degradante. Dá vontade de acreditar em Deus, sim, mas só se for para encher Ele de porrada.

O problema é que uma raiva desse tamanho cansa, e o tempo passa. A minha doença não me define, porque eu não deixo. Ela gostaria muitíssimo de fazê-lo, mas eu não deixo. Fiz um combinado comigo mesma: essa merda vai ter 30% da atenção que ela demanda. Não mais do que isso. E segue o baile. Mas segue diferente, confesso. Segue com menos energia e mais remédios. Segue com dias bons e dias ruins – e inescapáveis internações hospitalares.

A neurologista que me acompanha foi escolhida a dedo: ela tem exatamente a minha idade, olha nos meus olhos durante as minhas consultas, só ri das minhas piadas boas e já me respondeu “eu não sei” mais de uma vez. Eu acho genial um médico que diz “eu não sei, vou pesquisar”. Eu não troco a minha neurologista por figurão nenhum.

O meu tratamento custaria algo em torno de R$12.000,00 por mês. Isso mesmo: 12 mil reais. “Custaria” porque eu recebo os remédios pelo SUS. Sabe o SUS?! O Sistema Único de Saúde? Aquele lugar nefasto para onde as pessoas econômica e socialmente privilegiadas estão fazendo piada e mandando o ex-presidente Lula ir se tratar do recém descoberto câncer?

Pois é, o Brasil é o único país do mundo que distribui gratuitamente o tratamento que eu faço para Esclerose Múltipla. Atenção: o ÚNICO. Se isso implica em uma carga tributária pesada, eu pago o imposto. Eu e as outras 30.000 pessoas que tem o mesmo problema que eu. É pouca gente? Não vale a pena? Todos os remédios para doenças incuráveis no Brasil são distribuídos pelo SUS. E não, corrupção não é exclusividade do Brasil.

O maior especialista em Esclerose Múltipla do Brasil atende no HC, que é do SUS, num ambulatório especial para a doença. De graça, ou melhor, pago pelos impostos que a gente reclama em pagar. Uma vez a cada seis meses, eu me consulto com ele. É no HC que eu pego minhas receitas – para o tratamento propriamente dito e para os remédios que uso para lidar com os efeitos colaterais desse tratamento, que também me são entregues pelo SUS. O que me custaria fácil uns outros R$2.000,00.

Eu acredito em poucas coisas nessa vida. Tenho certeza de que o mundo não é justo, mas é irônico. E também sei que só o humor salva. Mas a única pessoa que pode fazer piada com a minha desgraça sou eu – e faço com regularidade. Afinal, uma doença auto-imune é o cúmulo da auto-sabotagem.

Mas attention shoppers: fazer piada com a tragédia alheia não é humor, é mau gosto. É, talvez, falha de caráter. E falar do que não se conhece é coisa de gente burra. Se você nunca pisou no SUS – se a TV Globo é a referência mais próxima que você tem da saúde pública nacional, talvez esse não seja exatamente o melhor assunto para o seu, digamos, “humor”.

Quem me conhece sabe que eu não voto – não voto nem justifico. Pago lá minha multa de três reais e tals depois de cada eleição porque me nego a ser obrigada a votar. O sistema público de saúde está longe de ser o ideal. E eu adoraria não saber tanto dele quanto sei. O mundo, meus amigos, é mesmo uma merda. Mas nós estamos todos juntos nele, não tem jeito. E é bom lembrar: a ironia é uma certeza. Não comemora a desgraça do amiguinho, não.

Vi no Com Texto Livre

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Lula, o presidente que preservou a democracia

O poder seduz pelas benesses e pela crença de que se tem um destino para com uma nação,  a velha fantasia do líder messiânico.

São muitos os governantes que alçados ao poder abusam da violência ou do carisma para se manter no poder.

Os ditadores estão aos montes na história, assim como os oportunistas.

O próprio Fernando Henrique Cardoso, em pleno andamento de seu mandato, com suspeitas graves de compra de voto, alterou a Constituição para se reeleger. Deu uma banana para as regras vigentes.

Lula, teve muito mais aprovação do que FHC durante o segundo mandato, o que assustou as alas mais conservadoras, diga-se PIG.

Mesmo com aprovação e votos da base, Lula não quis alterar o jogo. Trabalhou dentro das regras, influenciou seu partido com seu poder junto ao governo e à população para lançar o nome de Dima Rousseff.

O PT sabia que o nome do substituto de Lula teria que ter o apoio intensivo dele ou perderia as eleições, visto que seria uma disputa contra os partidos da oposição, aliados à quase unanimidade da imprensa.

Lula deixou o poder dentro das regras democráticas, mesmo sendo acusado pela grande imprensa, bem nomeada como PIG (Partido da Imprensa Golpista) de tirano.

Isso mesmo, o presidente com maior aprovação popular da história, que respeitou a Constituição, foi taxado de tirano.

Talvez nunca na história deste país se viu uma imprensa tão sem caráter com relação a um presidente.

Longa vida para Lula e para a democracia brasileira!

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PESQUISA DO IPEA REVELA QUE EM PERÍODOS DE CRISE GASTO SOCIAL DO GOVERNO LULA FOI BEM MAIOR QUE NOS ANOS FHC

As crises e os investimentos federais

Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) sobre “15 anos de Gasto Social Federal – de 1995 a 2009, traça um retrato estatístico do Brasil em três momentos de crise na economia, ocasionada por fatores externos. A atitude de um governo em épocas de crise revela não só sua habilidade para governar, como também suas prioridades no exercício do poder que, por sua vez, ajudam a ver a linha ideológica de um governante.

Os resultados da pesquisa revelam que enquanto no governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC) o gasto com políticas sociais caiu, acompanhando a queda no PIB, no governo Lula, os investimento sociais não são sacrificados pelo momento de instabilidade econômica.

Durante a crise de 2008-2009, os dados do IPEA revelam a firmeza da política social do governo Lula que não hesitou em tomar uma parcela maior do PIB para reduzir a desigualdade social no país. Esse fato responde em parte às críticas de que Lula apenas continuou governando da mesma forma que seu antecessor, esquecendo suas bandeiras de luta. Ele pode sim ter adotado o pragmatismo da gestão anterior, mas não abriu mão de investir no social, tirando, como de fato aconteceu, muitas famílias da pobreza.

Veja texto sobre o assunto de Mauricio Dias publicado pela Carta Capital, no qual ele também fala sobre a recepção externa do “modelo lulista” de governar que estaria, segundo alguns, chegando ao seu limite devido ao superaquecimento da economia. No entanto, está em jogo nesta questão duas percepções opostas, como ele aponta: aquele que vê nos limites do capitalismo formas de erradicar a desigualdade social e aquela que simplesmente condena os mais pobres ao fogo do inferno material.

As diferenças que contam
Por Mauricio Dias

Discursos do presidente prefaciados pelo mote “nunca antes na história deste país…” tornaram-se troça da imprensa com Lula e de Lula com a imprensa. Mas, afora essa curtição, bem ao gosto do coração corintiano do ex-operário metalúrgico, a frase expressava, em várias ocasiões, situações inéditas como a que pode ser extraída agora de um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) sobre “15 anos de Gasto Social Federal – de 1995 a 2009”.

O trabalho mostra como a política social praticada pelo petista na crise de 2009-2008, foi radicalmente oposta à prática dos governos tucanos nas crises de 1998-1997 e 2003-2002 (gráfico). Nos três momentos o País foi atingido por crises econômico-financeiras geradas muito além das fronteiras brasileiras.

Em 1998 e 2002, sob o governo de FHC, o Gasto Social Federal cai e acompanha a queda do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2008, O PIB despenca e o GSF acelera em sentido oposto. A decisão política é concretamente definida: não sacrificar o investimento social do governo.

Nos gastos sociais considerados pelo Ipea está incluído o dinheiro “efetivamente gasto nas políticas sociais no total de recursos mobilizados pelo governo federal” em meio à disputa dos vários interesses legítimos, de inúmeros agentes, em torno do dinheiro público.

Para alcançar esse objetivo, o Orçamento foi desmontado e remontado, e analisada ação por ação no que se refere à destinação social do dinheiro, entre 1995 e 2009.

Eis algumas constatações comparativas no período analisado:

• O GSF cresceu 3,7% do PIB e 146% em valores reais, acima da inflação (IPCA).

• De 1995 a 2002 (oito anos de FHC) o crescimento do GSF foi de 1,7% do PIB.

• De 2003 a 2009 (sete anos de Lula) o GSF foi aumentado em 2,7% do PIB.

A crise de 2008-2009 mostra a firmeza da política social lulista. Com a economia freada, o governo tomou uma parcela maior do PIB para o GSF. Um salto expressivo de 14,9% (2008) para 15,8% (2009). (Texto completo)

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DESASSOMBRO E FIM DO COMPLEXO DE VIRA-LATA EXPLICA SUCESSO DA POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA, DIZ AMORIM

O medo da sombra ficou pra trás!

O Brasil teve durante muito tempo medo da sua própria sombra. Olhava o mundo com certo complexo de vira-lata cultivado por alguns setores da sociedade. Essas ideias foram expostas pelo ex-chanceler Celso Amorim em palestra para estudantes em Porto Alegre. Segundo Amorim, o Brasil superou esse complexo de vira-lata ou que também podemos ver como uma espécie de complexo de inferioridade e passou a encarar o mundo de frente, decidindo e influenciando o rumo dos acontecimentos ao nível global.

Em tempos onde a geopolítica mundial passa por muitas transformações, como as recentes revoluções no mundo árabe, Amorim destacou que o Brasil pode e deve influenciar esses assuntos. Felizmente, ao longo da sua história política e social, nosso país foi conquistando o seu lugar no concerto das nações e é aí que ele deve permanecer. Não há motivos para que nossa voz não seja ouvida ou ignorada.

Sem dúvida alguma, o governo Lula teve uma contribuição para o fortalecimento da política externa brasileira. A forte presença do presidente e a vontade de fazer com que o Brasil estivesse presente nas mais diversas discussões, sempre de forma plural e descentralizada, fez com que as relações entre o Brasil e o mundo se expandissem ao invés de se fecharem em torno deste ou aquele parceiro comercial.

O grande mérito dessa política externa que agora continua em Dilma foi, justamente, o de não mais privilegiar apenas este ou aquele país. Por conta disso, a imprensa atacou Celso Amorim apresentando-o como se fosse “um nacionalista fundamentalista que não gostava dos Estados Unidos”, como mostra texto publicada pela Carta Maior.

Na realidade, Amorim não estava sendo nacionalista ou fundamentalista, ele estava sendo plural e universalista, sem considerar que para isso o Brasil precisasse ser apenas o eco de vizinhos mais ricos, mesmo porque, nós também temos as nossas riquezas e a boa política externa é aquela que sabe valorizá-las, tê-las na mais alta conta.

Veja trecho de matéria sobre o assunto publicada pela Carta Maior:

Celso Amorim: Brasil superou o complexo de vira-lata
Por Marco Aurélio Weissheimer

O sucesso da política externa brasileira nos últimos anos deve-se à presença forte do presidente Lula, à constelação política que se formou no país e também a uma atitude de desassombro, no sentido etimológico da palavra, ou seja, uma atitude de não ter medo da própria sombra. O Brasil deixou de ter medo da própria sombra. Foi assim que o ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, definiu a política externa implementada pelo país nos últimos oito anos. O chanceler que percorreu o mundo ao lado do presidente Lula falou para um auditório lotado de estudantes de Relações Internacionais – em sua maioria -, na tarde desta quinta-feira (7), na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Celso Amorim esteve em Porto Alegre a convite do governo gaúcho, com apoio da Fundação de Economia e Estatística (FEE), do Centro de Estudos Internacionais sobre Governo (Cegov) e do Núcleo de Estratégias e Relações Internacionais (Nerint), da UFRGS. Na abertura do encontro na Faculdade de Direito, o governador Tarso Genro apresentou Amorim como responsável por uma linha de política externa que colocou o Brasil em outro patamar no mundo. E lembrou o reconhecimento internacional que o chanceler brasileiro obteve.

Em 2009, a revista Foreign Policy, uma das mais respeitadas publicações de política externa do mundo, apontou Celso Amorim como o melhor chanceler do mundo. No ano a seguinte, a mesma revista escolheu-o como um dos cem pensadores globais mais importantes do planeta. Só quem parece não ter descoberto isso, assinalou o governador, foi a imprensa brasileira que, durante a gestão de Amorim no Itamaraty, apresentou-o como se fosse “um nacionalista fundamentalista que não gostava dos Estados Unidos”, criticando-o a partir de “uma visão pelega e subserviente de política externa”. (Texto Completo)

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