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TEMAS CAPITAIS

Einstein chocado: Brasil descobre que SUS não funciona porque médicos desafiam lei da física

O maior problema do SUS é a consulta médica. Isso todo brasileiro sabe. Mas agora o Brasil está descobrindo porque o Sistema Único de Saúde (SUS), apesar de suas qualidades, não funciona nesta área. O SUS More…

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EDUCAÇÃO POLÍTICA

Ministério da Saúde tenta conter ‘epidemia’ de cesarianas praticada no Brasil

O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publicam amanhã (7) uma resolução que estabelece normas para o estímulo ao parto normal e a consequente diminuição das cesarianas More…

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Pesquisa da Unicamp estuda a empatia dos médicos e joga luz sobre perfil profissional

Uma pesquisa realizada na Unicamp tenta entender como a própria vivência e ensino durante a Faculdade de Medicina provoca no médico uma espécie de antipatia, ou seja, um distanciamento e indiferença do médico em relação ao (Continue lendo…)

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Pesquisa da UFMG mostra que 90% dos municípios aprovam o programa “Mais Médicos”

Uma pesquisa da Estação de Pesquisa de Sinais de Mercado (EPSM), que integra o Núcleo de Educação em Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (NESCON – FM/UFMG),( Continue lendo…)

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NOTÍCIA

Sem solução! Pesquisa mostra que brasileiro também está insatisfeito com saúde privada

Os serviços públicos e privados de saúde no Brasil são considerados regulares, ruins ou péssimos por 93% da população. É o que indica pesquisa do Instituto Datafolha feita a pedido do Conselho (Continue lendo…)

 

 

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BLOGOSFERA

Médicos desolados: Aécio Neves ofereceu salário de R$ 2.679,12 para médicos por 40 horas semanais

Uma notícia desoladora para os médicos brasileiros, que tanto criticaram o programa Mais Médicos do governo federal. Aécio Neves, candidato do PSDB à presidência da República, e principal opositor de Dilma Rousseff (PT), abriu concurso para médicos quando governador de (Continue lendo…)

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EDUCAÇÃO POLÍTICA

MAIS MÉDICOS FEZ O BRASIL DESCOBRIR QUE MÉDICOS BRASILEIROS SÃO ESCRAVIZADOS E CUBANOS, PRIVILEGIADOS

médico cubano
Médico Juan Delgado, símbolo do Mais Médicos

Toda a confusão e embate criado com o programa Mais Médicos do governo federal nos fez descobrir que os médicos brasileiros são escravizados e os cubanos são privilegiados. Parece absurdo, mas veja…

Semanalmente se tem notícias na internet, na TV e nas redes sociais de médicos brasileiros que trabalham mais do que 44 horas semanais. De acordo com dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) existem médicos brasileiros que trabalham 120, 128, 144, 150 horas semanais. Isso em várias cidades distantes dezenas e até centenas de quilômetros. Veja o caso relatado no jornal GGN:

a medica “tem 150 horas semanais de trabalho para cumprir, com atendimento em vários municípios não tão próximos. Tomando por base a cidade de São Paulo, a médica Miriam Gameiro de Carvalho tem uma vida dura: até Franca são 401 quilometros; até Ribeirão Preto outros 319 quilometros; até Pedregulho são 507 quilometros; Sertãozinho fica a 349 quilometros; e Promissão, 466 quilometros. Sertãozinho e Ribeirão Preto ficam próximas, ela pode começar em São Paulo e ir fazendo o giro de cidades até voltar para a cidade, ou então, não, já que para cumprir as jornadas pelas quais recebe deveria trabalhar sete dias por semana e 22 horas por dia. Difícil jornada” (GGN)

Enquanto isso, os privilegiados médicos cubanos só vão trabalhar 40 HORAS SEMANAIS. Que absurdo!! E o deputado Ronaldo Caiado (DEM) foi a tribuna recentemente dizer que os médicos cubanos vêm ao Brasil num sistema de escravidão ganhando cerca de R$ 4 mil por 40 horas. Engraçado é que o deputado Caiado nunca subiu à tribuna para defender os brasileiros que trabalham como escravos em fazendas pelo Brasil, como bem revela o Ministério do Trabalho. Há inclusive uma lista suja de empresas e fazendeiros que se utilizam de trabalho análogo à escravidão. Será que o Caiado passou agora a defender os patrícios de Fidel Castro e não se preocupa com os brasileiros?

Assim como o deputado se preocupa com médicos cubanos mais do que com trabalhadores rurais brasileiros, os Conselhos de Medicina agem da mesma forma. Nunca se incomodaram por a população ser atendida por um médico que trabalha 150 horas semanais (E olha que uma semana só tem 168 horas!!!).

Quem sabe um dia os Conselhos de Medicina processem os governos federal, estaduais e municipais por permitirem que médicos brasileiros trabalhem mais do que 40 horas semanais. Não é mesmo? Assim, pelo menos evitamos que os médicos brasileiros sejam “escravizados” e os cubanos, privilegiados.

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EDUCAÇÃO POLÍTICA

O QUE ESPERAR DE UMA PAÍS EM QUE O GOVERNO PRECISA ENTRAR NA JUSTIÇA PARA LEVAR MÉDICO AOS POBRES?

médicos cubanosO Brasil não é muito diferente de outros países e nem a sua extrema direita é muito diferente. As ações dos Conselhos Regionais de Medicina(CRMs) contra o plano Mais Médico, do governo federal, beiram ao corporativismo insano. As justificativas contra o programa Mais Médicos são bárbaras e o histórico dos CRMs não dão credibilidade para tais ações.

Os CRMs não têm um único histórico de defesa da população, de preocupação com o atendimento à população, de brigas pela melhoria do SUS, etc etc. Pelo contrário, é uma entidade classista, mas não deveria ser. Os CRMs estão fazendo o papel que deveria ser das associações e sindicatos dos médicos, que são os reais representantes da categoria. Agem na verdade como marionetes de uma oposição ao governo que não consegue estabelecer um discurso convincente.

Já não se pode esperar muito do governo, mas o que esperar de um país em que o governo precisa entrar na justiça para levar médico aos pobres?  É plausível que o governo entre na justiça para desapropriar terrenos particulares, cobrar impostos, etc, mas também precisa entrar na justiça para levar médicos aos pobres? Que espécie de Estado de direito é esse?

Os CRMs expõem a regulamentação e a normatização para a perversidade humana.

Pode-se discordar dos métodos e ações do governo, pode-se criticar a postura e a forma como foi feito o programa, mas isso tudo parece acontecer tarde demais.

Tarde demais porque nunca irá acontecer de outra forma. Ou se tem um governo que enfrenta ações como essas ou o país continua como sempre esteve: uma parcela incluída e uma multidão excluída. Infelizmente, esse parece ser o papel que os CRMs prestam ao país.

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EDUCAÇÃO POLÍTICA

ENTIDADES MÉDICAS SÃO UMA GALINHA COM PASTORES QUE FAZEM ‘CURAS’ NA TV E UM LEÃO COM O ATENDIMENTO À POPULAÇÃO

Médico ameça pelo twitter
Médico ameça pelo twitter

Os representantes de entidades e de conselhos regionais e federal de medicina, em grande parte, estão em pé de guerra com o governo federal por questões mesquinhas e ideológicas do tempo da guerra fria.

Os médicos que se colocam contra a medida governamental de importar profissionais de saúde para áreas distantes e carentes refletem o pior do ser humano, do corporativismo e do capitalismo juntos.

Muitos dos médicos que reclamam das medidas governamentais não vão ser minimamente afetados. São em sua maioria médicos já estabelecidos em grandes centros urbanos e com rendimentos mensais superiores até ao de empresas de porte médio.

Não vão sair dos grandes centros, nada vai mudar na vida deles com o programa Mais Médicos, mas mesmo assim incitam o caos travestidos de um falso ar de defesa da saúde pública.

É certo que há muitos bons médicos que tentam mostrar o desatino dessa atitude corporativista e outros se calam para não se indispor com os colegas.

O certo é que esses conselhos de medicina nunca tiveram gestos de defesa da saúde pública a não ser disfarçados em interesses corporativos como agora. São uma galinha com os pastores que promovem curas milagrosas na TV e um leão com o atendimento à população de regiões distantes dos grandes centros.

Afinal, nessas últimas décadas, o que os conselhos de medicina fizeram para o Brasil?

O que fizeram até hoje contra os pastores que ficam na televisão promovendo as curas milagrosas?

Que punição os conselhos de medicina deram aos médicos que usavam dedos de silicone para burlar o sistema de saúde público?

O que os conselhos de medicina fizeram com os médicos que furtaram equipamentos contra o câncer em Mato Grosso e transferiram para suas clínicas particulares?

E o que fizeram com os médicos que ganhavam sem dar plantão em São Paulo?

Esse são apenas alguns casos recentes. Será que precisa ter reportagem do Fantástico? Quantas vezes os conselhos de medicina pediram investigação sobre o mau atendimento público?

Veja vídeo abaixo:

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VEJA PORQUE NÃO QUEREM MÉDICOS ESTRANGEIROS: MÉDICO VÊ PACIENTE MORRENDO E NÃO LEVANTA DA CADEIRA

Às vezes não é só falta de investimento do governo. Isso explica parte da qualidade ruim do SUS.

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PARA NOBEL DE MEDICINA, RICHARD J. ROBERTS, INDÚSTRIA FARMACÊUTICA QUER PRODUZIR DOENTES CRÔNICOS, NÃO A CURA DA DOENÇA

infernum samambaiis(Texto em espanhol e tradução do google abaixo)

Nobel de medicina: “Curar enfermedades no es rentable para las farmacéuticas”

El premio nobel de medicina británico, Richard J. Roberts, denunció a las grandes farmacéuticas de anteponer sus beneficios económicos a la salud de las personas, deteniendo el avance científico en la cura de enfermedades porque curar no es rentable.
“Los fármacos que curan no son rentables y por eso no son desarrollados por las farmacéuticas que, en cambio, sí desarrollan medicamentos cronificadores que sean consumidos de forma serializada”, dijo Roberts en una entrevista a la revista digital ‘PijamaSurf’.
“Algunos fármacos que podrían curar del todo una enfermedad no son investigados. Hasta qué punto es válido que la industria de la salud se rija por los mismos valores y principios que el mercado capitalista, los cuales llegan a parecerse mucho a la mafia”, se pregunta el nobel de medicina de 1993.

El científico e investigador acusa a las farmacéuticas de olvidarse de servir a las personas y preocuparse solo de la rentabilidad económica. “He comprobado cómo en algunos casos los investigadores dependientes de fondos privados podrían haber descubierto medicinas muy eficaces que hubieran acabado por completo con una enfermedad”, explicó.

 Las farmacéuticas no están tan interesadas en curarle a usted como en sacarle dinero”

Añade que las empresas dejan de investigar porque “no están tan interesadas en curarle a usted como en sacarle dinero, así que esa investigación, de repente, es desviada hacia el descubrimiento de medicinas que no curan del todo, sino que cronifican la enfermedad y le hacen experimentar una mejoría que desaparece cuando deja de tomar el medicamento”.

Ante esto, señala que es habitual que la industria esté interesada en líneas de investigación, no para buscar curas a ciertas enfermedades, sino que “solo para cronificar dolencias con medicamentos cronificadores muchos más rentables que los que curan del todo y de una vez para siempre”.

Respecto a las razones del porqué los políticos no intervienen, Roberts argumenta que “en nuestro sistema, los políticos son meros empleados de los grandes capitales, que invierten lo necesario para que salgan elegidos sus chicos, y si no salen, compran a los que son elegidos”. (Texto completo)

Texto traduzido pelo google

O médico britânico Prêmio Nobel, Richard J. Roberts, acusado de colocar grandes benefícios econômicos farmacêuticos para a saúde das pessoas, impedindo o progresso científico na cura de doenças que a cura não é rentável
.
“Os medicamentos que curam não são rentáveis ​​e, portanto, não são desenvolvidos pelas empresas farmacêuticas, no entanto, fazer desenvolver drogas que são consumidas cronificadores forma serializada”, Roberts disse em uma entrevista para a revista ‘PijamaSurf.
“Alguns dos medicamentos que podem curar todas as doenças não são investigados. Até que ponto é verdade que a indústria da saúde é regida pelos mesmos valores e princípios que o mercado capitalista, que vêm a olhar muito como a máfia “, pede o Nobel da Medicina 1993.

O cientista e pesquisador acusa farmacêutica se esqueça de servir o povo e preocupado apenas com o desempenho econômico. “Eu vi como, em alguns casos, dependente de fundos privados pesquisadores podem ter descoberto medicamentos altamente eficazes, que foram completamente acabado com uma doença”, explicou.

As empresas farmacêuticas não estão tão interessados ​​em você como curá-lo ganhar dinheiro ”
Ele acrescenta que as empresas parar de investigar, porque “eles não são tão interessado em você como na cura de conseguir dinheiro, para que a investigação, de repente, é desviada para a descoberta de medicamentos que não cicatrizam em tudo, mas a doença e chronified fazem experimentar uma melhoria, que desaparece quando você parar de tomar a droga. ”

Diante disso, diz que é comum para a indústria está interessada em áreas de pesquisa, não para curas para doenças, mas “apenas para se tornar doenças crônicas com drogas cronificadores muito mais rentável do que curar completamente e de uma vez por todas “.

Quanto aos motivos por que os políticos não intervêm, Roberts argumenta que “em nosso sistema, os políticos são apenas funcionários de muito dinheiro, investindo garantir que elegeu os seus filhos, e se você não sair para comprar que são eleito “. (Texto completo)

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DITADURA DA MÍDIA E EXÍLIO: CARLOS MOSCONI, DEPUTADO E ASSESSOR DE AÉCIO, TERIA ENCOMENDADO RIM DA MÁFIA DOS TRANSPLANTES

Paulinho Pavesi teve os órgãos retirados ainda vivo
Paulinho Pavesi teve os órgãos retirados ainda vivo

Advertência: seja forte ao ler o texto

“Querem trocar juiz após vir à tona nome de tucano acusado de traficar órgão”

A dor de Paulo Pavesi

por Leandro Fortes, em CartaCapital 

Sozinho, escondido em Londres, na Inglaterra, depois de ter conseguido asilo humanitário na Itália, em 2008, o analista de sistemas Paulo Pavesi se transformou no exército de um só homem contra a impunidade dos médicos-monstros que, em 2000, assassinaram seu filho para lhe retirar os rins, o fígado e as córneas.

Paulo Veronesi Pavesi, então com 10 anos de idade, caiu de um brinquedo no prédio onde morava, e foi levado para a Irmandade Santa Casa de Poços de Caldas, no sul de Minas, onde foi atendido pelo médico Alvaro Inhaez que, como se descobriu mais tarde, era o chefe de uma central clandestina de retirada de órgãos humanos disfarçada de ONG, a MG Sul Transplantes. Paulinho foi sedado e teve os órgãos retirados quando ainda estava vivo, no melhor estilo do médico nazista Josef Mengele.

Na edição desta semana de CartaCapital, publiquei uma reportagem sobre o envolvimento do deputado estadual Carlos Mosconi (PSDB) com a chamada “Máfia dos Transplantes” da Irmandade Santa Casa de Poços de Caldas.

Mosconi, eleito no início do ano, pela quarta vez consecutiva, presidente da Comissão de Saúde (!) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, foi assessor especial do senador Aécio Neves (PSDB-MG), quando este era governador do estado. Aécio o nomeou, em 2003, presidente da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMG), à qual a MG Sul Transplantes, idealizada por Mosconi e outros quatro médicos ligados á máfia dos transplantes, era subordinada.

As poucas notícias que são veiculadas sobre o caso, à exceção da matéria de minha autoria publicada esta semana, jamais citam o nome de Carlos Mosconi. Em Minas Gerais, como se sabe, a imprensa é controlada pela mão de ferro do PSDB. Nada se noticia de ruim sobre os tucanos, nem quando se trata de assassinato a sangue frio de uma criança de 10 anos que teve as córneas arrancadas quando ainda vivia para que fossem vendidas, no mercado negro, por 1,2 mil reais. Nada.

Esse silêncio, aliado à leniência da polícia e do judiciário mineiro, é fonte permanente da dor de Paulo Pavesi. Mas Pavesi não se cala. De seu exílio inglês, ele nos lembra, todos os dias, que somos uma sociedade arcaica e perversa ao ponto de proteger assassinos por questões políticas paroquiais.

Como sempre, a velha mídia nacional, sem falar na amordaçada mídia mineira, não deu repercussão alguma à CartaCapital, como se isso tivesse alguma importância nesses tempos de blogosfera e redes sociais.

Pela internet, o Brasil e o mundo foram apresentados ao juiz Narciso Alvarenga de Castro, da 1ª Vara Criminal de Poços de Caldas. Em de 19 de fevereiro desse ano, ele condenou quatro médicos-monstros envolvidos na máfia: João Alberto Brandão, Celso Scafi, Cláudio Fernandes e Alexandre Zincone. Eles foram condenados pela morte de um trabalhador rural, João Domingos de Carvalho.

Internado por sete dias na enfermaria da Santa Casa, entre 11 e 17 de abril de 2001, Carvalho, assim como Paulinho, foi dado como morto quando estava sedado e teve os rins, as córneas e o fígado retirados por Cláudio Fernandes e Celso Scafi. Outros sete casos semelhantes foram levantados pela Polícia Federal na Santa Casa.

Todos os condenados são ligados à MG Sul Transplantes. Scafi, além de tudo, era sócio de Mosconi em uma clínica de Poços de Caldas, base eleitoral do deputado. A quadrilha realizava os transplantes na Santa Casa, o que garantia, além do dinheiro tomado dos beneficiários da lista, recursos do SUS para o hospital. O delegado Célio Jacinto, responsável pelas investigações da PF, revelou a existência de uma carta do parlamentar na qual ele solicita ao amigo Ianhez o fornecimento de um rim para atender ao pedido do prefeito de Campanha (MG). A carta, disse o delegado, foi apreendida entre os documentos de Ianhez, mas desapareceu misteriosamente do inquérito sob custódia do Ministério Público Estadual de Minas Gerais.

Ontem, veio o troco.

A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) suspendeu as audiências que aconteceriam de hoje, 17 de abril, até sexta-feira, 19 de abril, para se iniciar, finalmente, o julgamento do caso de Paulinho. Neste processo, estão sendo julgados, novamente, Cláudio Fernandes e Celso Scafi, além de outros acusado, Sérgio Poli Gaspar.

De acordo com a assessoria do TJMG, o cancelamento se deu por conta de uma medida de “exceção de suspeição” contra o juiz Narciso de Castro impetrada pelo escritório Kalil e Horta Advogados, que defende Fernandes e Scafi. A defesa da dupla, já condenada a penas de 8 a 11 anos de cadeia, argumenta que o juiz teria perdido a “necessária isenção e imparcialidade” para apreciar o Caso Pavesi.

Ou seja, querem trocar o juiz, justo agora que o nome do deputado Carlos Mosconi veio à tona.

Eu, sinceramente, ainda espero que haja juízes – e jornalistas – em Minas Gerais para denunciar esse acinte à humanidade de Paulo Pavesi que, no fim das contas, é a humanidade de todos nós. (Vi o Mundo)

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UMA HISTÓRIA ESCABROSA: MÁFIA COM DEPUTADO TUCANO MINEIRO É ACUSADA DE RETIRAR ÓRGÃOS DE PACIENTES AINDA VIVOS

Os tucanos Aécio Neves e o deputado Mosconi
Os tucanos Aécio Neves e o deputado Mosconi

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PROFESSOR DE MEDICINA, GASTÃO WAGNER, DEFENDE SEIS DESAFIOS PARA MELHORAR O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

Seis desafios para o resgate do SUS

Da Revista Radis 

“Devemos observar a questão como um filme, e não como uma fotografia. Para mim o copo do SUS está se esvaziando ou ficando como está. Proponho dividir a questão do SUS em seis desafios, para efeito didático:

O primeiro desafio é o subfinanciamento. O Brasil gasta 3,5% do PIB, enquanto outros países gastam 10%. Isso tem repercussões negativas no acesso e está na base das filas. O modelo da saúde suplementar não tem viabilidade econômica.

Segundo desafio: ampliar o acesso à atenção básica. Sistemas nacionais, públicos, são muito dependentes da atenção básica. O Brasil, depois de 22 anos de SUS, tem 50% de abrangência da atenção básica para a população. O ideal seria pelo menos 80%. O acesso é garantido na emergência (falta de vínculo), onde a qualidade deixa muito a desejar. A maior parte dos brasileiros não tem médico de referência; 75% da população não têm plano de saúde e o ideal seriam 80%.

Gastão Wagner

O terceiro desafio são as redes. O Brasil não conseguiu a governabilidade de criar regiões de saúde, com todos os serviços que garantam a integralidade. O sistema é muito fragmentado. As consequências disso são nefastas. O Brasil continua um dos campeões de hanseníase, por exemplo; a situação da saúde indígena é deplorável.

Quarto desafio: uma reforma de gestão. Não foi criado um modelo adequado à saúde. Diante das dificuldades de gestão, como a lei de responsabilidade fiscal e a burocracia da administração direta, há uma improvisação, que por um lado resolve problemas e por outro cria novos. Improvisa-se (com terceirizações e privatizações) em vez de se discutir uma nova estrutura organizacional para o SUS. Defendo uma reforma administrativa da gestão do SUS baseada no serviço público, com estrutura pública, em um modelo semelhante ao das universidades federais e estaduais, cuja gestão vai além dos mandatos de presidentes, governadores e prefeitos.

O quinto desafio está em desenvolver uma política de pessoal específica para o SUS, para várias áreas de atuação diferentes, como atenção básica, saúde mental. Os funcionários do SUS e a gestão devem ser municipais. Essa lógica privatista que está em vigor é problema gravíssimo.

Por fim, não vejo vontade política de se construir integralmente o SUS e as redes de saúde. A descontinuidade dos programas de governo e a rotatividade dos ministros exemplifica isso”.

• Gastão Wagner, professor do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Unicamp

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PESQUISA ESTUDA PROTEÍNA QUE ATUA NA ADESÃO E MIGRAÇÃO CELULAR PARA ENTENDER COMO CÉLULAS SE ESPALHAM NO ORGANISMO

imagem ilustrativa: creative commons/ D William Provance Jr et al.Nova proteína é chave para entender mecanismo do câncer

Edimilson Montalti/ Jornal da Unicamp

Pesquisa realizada no Laboratório de Biologia Molecular do Hemocentro da Unicamp mostra pela primeira vez a participação de uma proteína específica na adesão e migração celular. O estudo, inédito, feito com células humanas saudáveis e cancerígenas, abre novas perspectivas para entender o mecanismo por meio do qual uma célula se adere ou não à outra e como se espalha pelo organismo.

A pesquisa foi conduzida pela biomédica Karin Barcellos. A orientação foi da médica hematologista Sara Olalla Saad, responsável pelo sequenciamento e descrição da proteína denominada ARHGAP21 dentro do Projeto Genoma Humano do Câncer. O trabalho foi capa da edição de janeiro da Revista de Biologia Química da Sociedade Americana de Biologia Química e Molecular. “Todas as células do corpo, para formar os tecidos e órgãos, precisam se aderir. Nos tumores, quando a adesão se desfaz, a célula pode sair e invadir outros tecidos, gerando o que chamamos de metástase. Nesse processo de migração, a adesão é essencial. Se adesão é forte, a célula não se solta”, explica Karin.

A pesquisa foi financiada pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Sangue (INCT), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Fundação de Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e contou com a colaboração de pesquisadores do Departamento de Fisiologia e Desenvolvimento Biológico da Universidade Brigham Young, Estados Unidos.

Para entender como acontece a adesão célula-célula é necessário entender um pouco de biologia celular. As imagens dos livros escolares que descrevem a estrutura da célula e os processos da divisão celular ajudam nessa compreensão. Os mais conhecidos e ensinados são mitose e meiose. Além disso, termos como Complexo de Golgi, membrana celular, citoplasma, citoesqueleto – responsável por manter a forma da célula – e microtúbulos – aquelas linhas bonitas dos desenhos da divisão celular que parecem fios puxando os cromossomos – merecem atenção.

Segundo Karin, desde a década passada a equipe do Hemocentro vem estudando as funções da proteína ARHGAP21. Eles descobriram que a ARHGAP21 regula o citoesqueleto agindo nas proteínas Rho-GTPases. Essas proteínas, por sua vez, regulam o movimento celular, migração, adesão celular e diferenciação. A ARHGAP21 regula negativamente as Rho-GTPases e defeitos nesta regulação podem deixar as Rho-GTPases hiperativadas, causando crescimento celular descontrolado, inibição da morte da célula ou alterações na migração e diferenciação celular, resultando no desenvolvimento tumoral e metástases. O desafio de Karin foi descobrir em qual das diversas funções celulares das Rho-GTPases a ARHGAP21 agia. (Texto Integral)

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YOANI SANCHEZ, QUE NÃO VALE UM PROTESTO SEQUER, RASGOU O PASSAPORTE PARA SE BENEFICIAR DO ESTADO CUBANO

O melhor do vídeo é a questão da saúde pública em Cuba e nos EUA e também os comentários escritos no vídeo.  Na hora que a água bateu…, Yoani rasgou o passaporte e voltou para Cuba.

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MORO NA FILOSOFIA

IMPERDÍVEL: NÃO ESPERE O FIM DA VIDA PARA VER O QUE VALE A PENA SOMENTE NOS CINCO MAIORES ARREPENDIMENTOS ANTES DA MORTE

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AGÊNCIA EP ESTADO DA ARTE

A MEDICINA MÍSTICA E GENIAL DE PARACELSO

"Seus insondáveis abismos ainda representam para nós uma grande problemática", Jung

Em O espírito na arte e na ciência, o psiquiatra suíço C. G. Jung dedica os dois primeiros capítulos para falar de uma personalidade da renascença tão estranha quanto genial. Partindo de sua histíria de vida e resvalando em alguns de seus traumas e ausências da infância, Jung revela um médico que desde o início esteve entre na fronteira entre a tradição e o espírito revolucionário.

De um lado, Paracelso notabilizou-se por suas críticas à medicina acadêmica, tal como era ensinada nos limites da universidade, distante das coisas do mundo e da natureza, do céu e da terra. De outro, permanecia ligado a uma tradição religiosa que, por mais que ele seguisse o caminho da matéria, continuava a sondá-lo.

No entanto, o médico entrou para a história como aquele que denunciava um tipo de medicina bastante racional e engessada. Paracelso defendia, dentre outras coisas, que o médico para sê-lo de fato, antes de qualquer coisa, deveria também ser um alquimista, astrólogo e filósofo.

Alquimista por que o que acontecia aos metais era o mesmo que acontecia aos seres humanos. Daí observar o mundo exterior, único capaz de revelar o interior. Astrólogo pois, segundo ele, há um céu dentro de cada um de nós e o ritmo da vida acompanha e é ditado, em última instância, pelo ritmo dos astros. Filósofo para pensar o objeto na sua dimensão científica. Na época, a concepção de filosofia era diferente da concepção atual. A filosofia se colocava muito mais como um viver do que propriamente um refletir sobre.

Mesmo com toda complexidade do seu pensamento, bastante hermético e obscuro, Paracelso revoluciou a arte da medicina, envolvendo-a em um atmosfera mística, enfeitiçada que, segundo ele, seria a única forma de revelar as doenças do corpo e da alma.

“Qual é, então, a arte médica? Deveria saber o que é proveitoso e o que é prejudicial às coisas intangíveis (imperceptíveis), aos beluis marinis, aos peixes; o que é agradável e desagradável, saudável e insalubre aos animais: essas são as artes referentes às coisas naturais. O que mais? As benzeduras e sua força, por que e para que atuam assim: o que é melosina, o que é syrena, o que é permutatio, transplantation e transmutation e como podem ser plenamente compreendidos: o que está acima da natureza, o que está acima da espécie, o que está acima da vida, o que é o visível e o invisível, o que produz a doçura e a amargura, o que é o paladar, o que é a morte, o que é útil ao pescador, o que deve saber um seleiro, um curtidor, um tintureiro, um ferreiro, um carpinteiro; o que pertence à cozinha, à adega e ao jardim; o que diz respeito ao tempo; o que sabe um caçador, o que sabe um montanhista; o que convem a um itinerante, o que convém a um sedentário; o que se requer para a guerra, o que faz a paz, o que faz com que alguns sejam clérigos e outros leigos, o que produz cada profissão, o que é cada uma das profissões, o que é Deus, satanás, o que é veneno, o que é antídoto para o veneno; o que há na mulher, o que há no homem, qual a diferença entre mulheres e donzelas, entre o amarelo e o pálido, entre o branco e o preto, entre o vermelho e o magenta; em todas as coisas, porque uma cor aqui e outra acolá, por que curto, por que comprido, por que sucesso, por que fracasso: e o que significa este conhecimento em todas as coisas […] Onde não existir amor não haverá arte”.
C. G. Jung, em O espírito na arte e na ciência, citando Paracelso

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O PLANETA E SEU HOMEM

GRIPE SUÍNA: OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA FAZ ÓTIMA ENTREVISTA COM O MINISTRO DA SAÚDE JOSÉ GOMES TEMPORÃO; O PROBLEMA É A DEPENDÊNCIA TECNOLÓGICA DO BRASIL EM PESQUISA MÉDICA

Ministro da Saúde, José Gomes Temporão
Ministro da Saúde, José Gomes Temporão

Alberto Dines articulou um ótimo programa Observatório da Imprensa (TV Brasil) na última semana com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. A função de um ministro é tranquilizar a população. Ele parecia bastante convincente nos argumentos sobre a questão da nova gripe.

Em linhas gerais, o ministro colocou algumas informações importantes.

1. Os sintomas da gripe são semelhantes ao da gripe comum e deve ser nesse sentido o procedimento médico.

2. Os cuidados especiais devem ser dados para as mesmas pessoas que recebem quando estão com a gripe comum: crianças, idosos, pacientes com problemas de saúde crônicos, imunodeficiência, grávidas, obesos, etc.

3. A gripe comum matou no ano passado 4,5 mil pessoas no mês de julho no Brasil. Portanto, não haveria necessidade de alarde com relação ao novo vírus.

4. Para o ministro, 70% dos óbitos da nova gripe foram de pessoas com problemas de saúde, o que demonstra uma semelhança com a gripe comum.

Apesar da fala do ministro, há problemas graves, a começar com a dependência tecnológica na área médica. Na Inglaterra, o índice de mortalidade da gripe é de 0,14%. É preciso de um diagnóstico rápido e testes também ágeis, além da produção de medicamentos.

É certo que temos o Instituto Butantã, mas falta investimento em pesquisa para que o Butantã e outros centros fiquem na linha de frente de vacinas e pesquisas médicas.

Enquanto o Brasil não investir pesado em pesquisa e tecnologia, vai ficar na mão de laboratórios internacionais e com dificuldades na balança comercial.

Além disso, temos alguns problemas que precisam ser enfrentados na saúde pública:

1. Qualidade ruim do atendimento médico.

2. Falta de leitos e sistema já normalmente congestionado.

3. Falta de médicos e demora no atendimento

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PEQUENA EMPRESA BRASILEIRA DESENVOLVE SUBSTÂNCIA QUE PODE ATUAR NO TRATAMENTO DA TUBERCULOSE

Composto 227 é aposta para entrar no mercado de medicamentos para tuberculose; pedido de patente, com USP, está em preparação

Lívia Komar/ da Inovação Unicamp

Uma empresa pequena com potencial gigante. Assim o farmacêutico Fábio Cícero de Sá Galetti define a Farmacore Pesquisa & Desenvolvimento em Biotecnologia, de Ribeirão Preto (SP), fundada por ele e pela administradora de empresas Helena Faccioli Lopes em 2005. A declaração do jovem empresário, de 30 anos, não é ilusória. Com a ajuda do PIPE, o programa da Fapesp que apóia as pequenas inovadoras, a Farmacore descobriu uma substância que poderá revolucionar o tratamento da tuberculose: o composto 227, que já demonstrou alto potencial terapêutico em testes com camundongos. Embora a comercialização do composto dependa da realização de testes em seres humanos — o que pode levar anos para acontecer —, Galetti se diz esperançoso. “Trata-se de uma droga com boa eficácia, de fácil síntese, muito barata e de pouca toxicidade”, afirma. “Então, realmente é um produto em potencial.”

Se tudo der certo, a Farmacore terá um grande mercado diante de si. Reconhecida como emergência global em 1993 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a tuberculose ainda mata muita gente em todo o mundo — só no Brasil, que oscila da 13ª à 15ª colocação entre os países com maior incidência da doença, são pelo menos 6 mil pessoas por ano, a maior parte delas carentes e desnutridas — e seu tratamento é demorado. De acordo com Galetti, o paciente precisa tomar um coquetel de fortíssimos antibióticos, que não pode ser interrompido em hipótese alguma, durante seis meses no mínimo. “Uma das drogas no mercado atualmente foi descoberta em 1952”, conta. “Há mais de meio século se utiliza esse composto para o combate à doença. Existia a necessidade mais que urgente da descoberta de novas classes de compostos que pudessem auxiliar no processo de cura da doença com mais rapidez.”

A Farmacore já está se preparando para pedir a patente da ação antimicobacteriana do composto 227. O pedido será depositado juntamente com a Universidade de São Paulo (USP), que também participou da descoberta da substância. “A concorrência nesse setor existe com muita força”, enfatiza Galetti, justificando a necessidade do patenteamento. “Várias frentes de trabalho de grandes indústrias farmacêuticas também estão buscando novas moléculas para o mercado da tuberculose.” (Texto integral)

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TRECHOS DA ENTREVISTA HISTÓRICA DE PATCH ADAMS NO RODA VIVA DA TV CULTURA

O que esperar de uma sociedade que ensina que dinheiro e poder é tudo na vida?
O que esperar de uma sociedade que ensina que dinheiro e poder é tudo na vida?

O médico Pacht Adams deu uma entrevista histórica para o Roda Viva da TV Cultura em 2007. Veja alguns trechos:

Dinheiro
Se não mudarmos de uma sociedade que venera dinheiro e poder para uma que venere compaixão e generosidade, não haverá esperança para a sobrevivência do ser humano neste século. Precisamos deter um sistema que, pela TV, estimula a concentração do dinheiro na mão de poucos.

Amizade
Não concordo com “rir é o melhor remédio”. Eu nunca disse isso. A amizade claramente é o melhor remédio. É a coisa mais importante na vida. São nossas relações com aqueles que amamos.

Hollywood
Tudo no filme foi atenuado. Muita gente pensa, porque Hollywood é uma exageração. Na verdade, é uma atenuação. Fico muito triste porque o meu nome está em filme em que não há paz e justiça.

São Paulo
Hoje, vi a Wall Street de São Paulo. Igual a todas as ruas ricas de todas as cidades do mundo. Nada é brasileiro naquela rua. Aqueles arranha-céus de sempre com salas de executivos – tenho certeza -, secretárias bajuladoras. Vocês estão me entendendo, não é? Como foi isso? Como fomos enganados a acreditar que queremos um prédio enorme para morar? Um carro elegante para dirigir? Muito dinheiro no banco? Férias elegantes? E há pessoas com fome!

Desejo
Precisamos de comida e de amigos. Tendo isso, está tudo resolvido. Depois, você pensa: como posso ajudar a minha gente? Como posso salvar o ambiente natural mais interessante do mundo em vez de derrubá lo para plantar soja? E, claro, se temos dinheiro sobrando não compramos uma porra de relógio… [com uma expressão irônica se repreende] Xi, pega mal neste programa? Bobo! Um relógio bobo [risos]! Compramos um relógio bobo por três mil dólares e ficamos maravilhosos. Sem nem pensar, a gente nem pensa [elevando o tom da voz] em mandar qualquer coisa de que não precisamos para a nossa família, para nós, em uma linda casa humilde; para um hospital, para que ele seja um hospital maravilhoso; para termos suficientes faculdades de medicina e horários complementares de atendimento… Esse é o nosso sonho! Não uma boa carteira de ações. E a idéia de dar a atores medíocres de programas medíocres milhões de dólares, para querermos ser como eles e os nossos filhos também.

Médicos
quando vi médicos grosseiros em visitas… faziam círculos com pacientes e a maioria deles, a maioria dos professores na faculdade procurava menosprezar os alunos, diminuí-los, para se sentirem importantes. Humilhavam os alunos em público, na frente de todo mundo. Todos deviam ficar exclamando: “Ai meu Deus, ai meu Deus, ai meu Deus!” [encolhendo os ombros e olhado para cima, tremendo, em sinal de medo e desespero]. Eu dizia: “Que bela grosseria, doutor! Conseguiu acabar mesmo com esse aluno! Quero ser grande e forte como o senhor quando eu crescer” [risos]. O que nos faz calar? Você vê o chefe dar um beliscão na secretária e disfarça. Você morre naquela hora. No instante em que cala por medo de perder o cargo, você morre. Uma parte de você, uma parte de ser humano morre.

Mídia
Cinco empresas detêm 70% dos meios de comunicação do mundo. São máquinas de propaganda, não existe jornalismo ali. Acha que alguém deixaria Patch Adams dizer na TV dos Estados Unidos que Bush é nazista? Nunca! O filme Patch Adams com Robin Williams… “O riso é o melhor remédio. Compre Coca-Cola!”.

Quem ganha?
Deixe-me concluir esta pergunta. Não entendo porque, quando você vê uma coisa errada: a violência aqui, nas suas cidades; mulher mal tratada; homem bêbado que surra a mulher; criança na rua vendendo droga, cheirando cola ou seja o que for que faz; gente dando tiro em criança na rua, por prazer, que acontece aqui no Brasil… Então, o que é? Qual é o truque? Essa é a pergunta que você deve fazer a si mesmo? O status quo interessa a quem? Quem se beneficia? Um jornalista pode descobrir. Eu sei quem se beneficia com tudo isso. São bons negócios.

População
menos de 10% da nossa população pensa. Nunca pensa. Nunca! Trezentos e sessenta e cinco dias por ano, acho que 90% da população dos Estados Unidos nunca faz o que se chama de “pensar”. Em inglês, é preciso dizer “pensamento crítico”, porque nos distanciamos tanto do pensar que precisamos dar-lhe o apoio do pensamento crítico [risos]. Quando o pensamento não é crítico? Isso foi bem descrito pelo escritor tcheco Capek, Kafka< É o que temos: robôs a serviço da saúde. Estou aqui para incentivar as pessoas a ser a revolução na vida. Uma revolução é ser cordial. Uma subseção a ser cordial é ser cordial com uma criança enferma hospitalizada. Existem dez milhões de subseções a ser cordial.

Televisão
magine como será a vida, após uns cinco anos? Se eu tivesse um canal de TV, 24 horas no ar poderia haver algo constante, maravilhoso e não essa coisa tediosa e idiota! E a cada cinco, três minutos, um intervalo comercial para outra porcaria.  Então, por que vim fazer este programa? Por que estou aqui? Por que gasto o meu tempo com a TV? Recusei os grandes programas de TV brasileiros. Não me importa aparecer na TV. Quero que, quem ouvir, ouça coisas que nunca ouviu na TV vindo de alguém que talvez respeite. Por isso vim para este programa. Porque o único momento na TV de que gostei, em 25 anos de TV, foi de um canal chileno chamado “A celebração da inteligência”. Foi o único programa de TV inteligente. Depois do filme, fui para um programa de TV… sabe?: “Bom-Dia, América!” [deixando o tronco ereto, como a reproduzir ironicamente a postura de um apresentador sério de televisão]. Lixo! A minha cueca é mais limpa [risos].

Hospitais
Imagine se os hospitais tivessem na parede uma fotografia grande do médico escolhido como o pior da semana? Ninguém ia querer ser escolhido. Começariam, pensem… Imaginem quantas sugestões posso inventar em um dia. Todos podemos trabalhar para isso e quantas sugestões haveria em uma semana? O que decidirmos, há dez mil coisas.

Sociedade
todas as mensagens disponíveis para as crianças, na TV… dizem: “você quer dinheiro e poder.” É a primeira mensagem e todas as crianças do mundo recebem. Se forem pobres, roubam, vendem o corpo ou vendem os filhos. Se forem ricas, ficam mais ricas. As três pessoas mais ricas têm tanto dinheiro quanto as 48 nações mais pobres. A TV ensina que essas pessoas devem ser admiradas: Paris Hilton, Donald Trump… Devem conhecer esses nomes. Não são interessantes nem para o vizinho deles e alguém no Brasil. Você conhece esses nomes? Lixo! Paris Hilton tem 800 milhões de dólares e tem um livro que faz: “Olhe para mim. Olhe para mim” [colocando a mão na testa].

Beleza
A minha mãe dizia: “Bonito é o que faz bonito”. Se isso é beleza, se você for gentil, isso é beleza. Se pensa que beleza é ter 20 anos com formas específicas, então, a empresa farmacêutica e a empresa de cosméticos vão ganhar milhões de bilhões de dólares com o seu não pensar no que a beleza é. Então, ninguém na minha idade é bonito. Temos rugas, sei lá. Injeções de botox…

Brasil
Grande refeição familiar, muita gente para o jantar, você é a última a comer. Por que isso não é uma verdade para o Brasil? Ninguém come até todos terem comida. Isso é qualidade de vida. Nem recebemos educação. A maioria dos homens nem pensa. Vai jantar, vai direto ao prato. Não esperam: “Quero ver todos servidos antes de me servir”

Farmacêuticas
As companhias farmacêuticas são as empresas mais nojentas, fétidas e horrendas do planeta. Estão comprando a Amazônia. Sabem disso? As transnacionais estão comprando a Amazônia. E todos estão de acordo, pois a pesquisa sai do dinheiro da companhia farmacêutica. E médico gosta de pesquisa. Ouvi estudantes de medicina aqui falarem sempre que os professores pareciam mais interessados em pesquisa do que em assistência médica. Contaminou tudo. E se o capitalismo não fosse a pior coisa do mundo? A pior coisa na história: capitalismo. Vai extinguir a nossa raça, não há dúvidas. Outro modo… Dizem nos Estados Unidos: “Temos os remédios.” Certo, mas por que escolhemos receber de gente mentirosa preocupada com os lucros, horrorosa e indecente? Nos Estados Unidos, poderíamos abrir dez centros… dinheiro dos contribuintes. Dez centros, com os maiores cérebros em bioquímica, fisiologia, botânica, cujo trabalho é fazer ótimos remédios para as pessoas pelo custo mais baixo possível, sem lucro. Os remédios não custariam nada. Nunca nos dariam remédios enganosos. Mas ninguém pensa nisso. Por causa do capitalismo deixamos que eles façam o que quiserem conosco. Odeio o capitalismo. É a pior coisa que existe.

A vida
o meu pai morreu na guerra, quando eu tinha 16 anos. Tive de pensar na guerra, não como uma coisa abstrata que se vê em um filme de guerra, mas porque perdi o meu pai na guerra. Então, voltamos para os Estados Unidos, onde eu não havia morado, para o sul, em 1961. Os negros não tinham o direito de usar o banheiro de um branco! Na terra do homem livre! Democracia! Estátua da Liberdade! Bobagem! Os negros, 20% da população, não podiam comer em restaurante, nem ir para hotel de branco. Não podiam se sentar na frente do ônibus público. Eram cidadãos. Isso doeu mais do que a morte do meu pai na guerra. Primeiro, eu quis morrer. Se viram o filme Patch Adams, é verdade. Fui três vezes para um sanatório, em um ano, com 18 anos. Mesmo sendo um garoto feliz, eu não queria viver em um mundo de violência e injustiça. Parecia que as pessoas não se importavam. Eu não conseguia acreditar que alguém pudesse viver em um país da chamada democracia livre e não permitir aos negros serem gente. Eu estava horrorizado. Racistas, é claro que existem. Talvez existam para sempre. Como aqueles que se dizem não racistas deixam isso acontecer? Eu não conseguia acreditar. Fiquei desiludido. Tentei suicídio, eu não queria viver. Então, pensei… Sabem, “pensar”. É sempre o pensar. Tudo o que fizer de bom para a vida é pensar. Pensei, você não vai se suicidar, vai fazer revolução. A minha biblioteca tem 18 mil livros. Eu soube. Tenho uma biblioteca enorme. Fui estudar a história das revoluções. Estudei gente que faz projetos e vi que são só pessoas. Ninguém era especial. Gandhi! Era só um homem! Era advogado na África do Sul, as coisas não iam bem, a justiça não funcionava direito e ele foi trabalhar pela justiça, por uma lei diferente. Então vi que a minha meta era trabalhar pela paz, pela justiça e pelo atendimento médico.

Entrevista completa no site do RodaViva/Fapesp. No You Tube está a entrevista completa dividida em vários trechos.

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