Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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COMO SERÁ A RESSACA DO MENSALÃO?

imagemDepois de toda a festa e embriaguês midiática com o processo do mensalão e as prisões de José Dirceu e José Genoino, como será o dia seguinte?

Esse dia seguinte não é hoje, nem semana que vem, mas daqui a um ou dois anos, nas vésperas das eleições?

Imagina se nenhum político for preso no próximo ano. O que se dirá ao eleitor?

Que só os petistas são corruptos? Qual foi o crime de Dirceu para explicar ao eleitor? Comprar corruptos para governar?

Vejam vocês que Roberto Jefferson continua livre. É o delator do mensalão, foi da tropa de choque de Collor de Mello e teria delatado o mensalão porque foi gravada uma corrupção do seu partido.  Ele denunciou porque achou que era Dirceu que tinha armado contra ele, mas testemunha afirmou que foi Carlinhos Cachoeira.

Vejam vocês que Carlinhos Cachoeira está frenquentando colunas sociais, a corrupção no metrô de São Paulo se arrasta desde a época de Mário Covas e nada acontece, o ISS de São Paulo, o mensalão tucano. Alguém irá para a cadeia com show midiático?

cachoeiraDificilmente. Mas vamos supor que sim, que alguém será condenado.

Como será a cobertura da mídia? Com certeza, nada vai se comparar à cobertura midiática do mensalão petista.

Então… para cadeia só foram petistas? Como pensará o eleitor?

Como será a ressaca do mensalão, quando as ilusões se dissiparem?

Como será a ressaca do mensalão em um país que não tem leis para punir o corruptor?

 

 

JULGAMENTO DO MENSALÃO NÃO MUDA NADA: MINISTROS DEFENSORES DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA CONDENAM POR PRESUNÇÃO DE CULPA

Stepan Nercessian livrado pelo procurador Gurgel durante o mensalão

Não se iluda, o julgamento da Ação Penal 470, chamado Mensalão, não muda absolutamente nada na impunidade de políticos no Brasil. Isso porque a justiça é feita na maioria das vezes pela jurisprudência (o que pensam os juízes) e não sobre a legislação.

Veja a coerência do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que durante o Mensalão recomendou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que arquive o inquérito aberto contra o deputado Stepan Nercessian (PPS-RJ), suspeito de envolvimento com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O parlamentar foi investigado em razão das ligações com Cachoeira, de quem recebeu R$ 175 mil. Nesse caso, havia uma prova concreta, o empréstimo. E Roberto Gurgel recomenda nem levá-lo a julgamento.

Assim, no caso do Mensalão, ministros defensores da presunção de inocência, especialmente Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello, votaram agora pela presunção de culpa. Como bem lembrou o ministro Ricardo Lewandowski, não houve provas contra alguns dos acusados, mas a suposição pelos cargos que ocupavam e por reuniões que tiveram. Antes do Mensalão, todos os políticos sem provas concretas foram absolvidos, mas desta vez foram julgados culpados. Ministros que agora condenam já concederam liberdade (por exemplo, com habeas corpus) a indivíduos carregados de provas concretas e evidentes. Inclusive, após o habeas corpus, esses acusados fugiram do Brasil.

A injustiça provocada pelo Supremo nessa ação não está no fato de julgar e condenar, mas no fato de mudar a interpretação especialmente para punir, muito pela pressão de meios de comunicação e porque os acusados são integrantes do PT.

É uma mudança estapafúrdia. Em alguns casos de julgamento de políticos e empresários, por exemplo, havia a prova concreta de corrupção, mas juízes julgaram que as provas não valiam. Incrível. Provas concretas não valem e suposição sem provas é suficiente para condenar. Que horror!

Assim, é interessante que o ministro Joaquim Barbosa tenha caído como uma luva para a direita mais conservadora do Brasil, representada por alguns veículos de comunicação. Barbosa, o primeiro negro que chegou ao Supremo graças ao PT, foi o algoz julgador. É possível que Joaquim Barbosa tentará manter sua coerência nos próximos processos, mas será voto vencido. E, dessa forma, terá sido útil aos partidos e empresários que nunca o levariam ao Supremo. É uma ironia da história.

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ADVOGADO DE MARCOS VALÉRIO DESMENTE VEJA: MAIS UMA VEZ REVISTA MONTA REPORTAGEM SEM ENTREVISTA

O publicitário Marcos Valério desmentiu hoje (15), por meio de seu advogado, reportagem de capa da revista Veja, segundo a qual ele estaria disposto a revelar supostas histórias que comprometeriam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo do chamado “mensalão”. 
 
A matéria é recheada de declarações entre aspas, mas seus pretensos autores são identificados genericamente como amigos e familiares. As declarações são colocadas na boca do próprio Valério, como se ele tivesse concedido entrevista.
 
“O Marcos Valério não dá entrevistas desde 2005 e confirmou para mim hoje que não deu entrevista para a Veja e também não confirma o conteúdo da matéria”, disse o advogado Marcelo Leonardo, que defende Valério no julgamento em curso no STF.
 
“Não sei de onde tiraram isso. Tem que perguntar para o jornalista que escreveu a matéria”, afirmou o advogado. Ele disse não considerar necessário acionar Veja judicialmente. “O próprio perfil da revista torna desnecessário tomar qualquer atitude. O STF, por seus ministros, tem dito que eles julgam de acordo com a prova existente nos autos e não decidem com base em matérias que saem na imprensa. Entendo que essa matéria, que não tem conteúdo relativo a entrevista porque ele não deu nenhuma entrevista, não vai repercutir em nada no julgamento”, argumentou.
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GLOBO E GRANDE MÍDIA QUEREM VER SANGUE NO MENSALÃO, MAS NÃO MOVEM UMA PALHA PELO FINANCIAMENTO PÚBLICO DE CAMPANHA

Há um certo desespero nas organizações Globo e na grande mídia que está aliada ao projeto político representado pelo PSDB/DEM.

A forma como transforma um julgamento do Supremo demonstra que a grande mídia não consegue enxergar outra alternativa a não ser uma festa para ter um trunfo contra Lula e o PT, partido que ainda hoje representa certa esperança de avanços sociais dentro do país mais desigual do mundo.

Há outros escândalos políticos que, em termos financeiros, foram maiores do que este em relação ao possível desfalque dos cofres públicos, há outros escândalos que são mais antigos e não foram a julgamento e há outros escândalos com personalidades até mais influentes do que essas que estão sendo julgadas agora. Portanto, é uma cobertura jornalística totalmente partidarizada.

Mas a elevação do julgamento do Supremo ao máximo da espetacularização é uma forma de se agarrar aos interesses econômico-políticos de grupos inconformados com as transformações econômicas do país e principalmente com a possibilidade de democratização dos meios de comunicação. Para o jornalista Jânio de Freitas, da Folha de S.Paulo, o julgamento já aconteceu pela exposição midiática de veículos alinhados ao que ele próprio trabalha.

Veja que até o momento não há qualquer discussão na mídia sobre os motivos que levaram a esse processo e que é de conhecimento de todo mundo: o financiamento privado de campanha, ou seja, a compra explícita e legal de políticos por empresários e grupos econômicos durante o processo eleitoral. A mídia quer ver o sangue no mensalão, mas não move uma palha para o financiamento público de campanha. Ou melhor, é contra. Defende esse sistema que gerou o mensalão do PT, o mensalão do PSDB, o mensalão do DEM. E mais, se investigar de uma forma ampla, vai chegar a todos os partidos.  Ninguém dá dinheiro de graça. Ou você conhece alguém que distribui dinheiro?

Para as organizações Globo, o circo armado para a cobertura do mensalão, o exagero de colocar 19 minutos no Jornal Nacional em apenas dois dias, por exemplo, serve também para outros motivos. Primeiro, deixar de lado a cobertura da CPMI do Cachoeira e, segundo, esquecer um pouco das Olimpíadas, que está sendo veiculada pela sua principal concorrente, a Record.

O problema é que essa exposição excessiva tende a enfastiar o telespectador depois de algum tempo. E a pressão da grande mídia pode ficar ainda mais dramática caso esse julgamento se arraste por meses. Isso porque é muito improvável que o cronograma seja devidamente cumprido.

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