Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos de tags: mercado

A Bolsa de Valores e o mercado de capitais nos ajudam a decidir o voto para presidente

A Bolsa de Valores e os mercados de capitais podem decidir seu voto na próxima eleição para presidente da República? Notícias recentes mostraram que uma queda nas intenções de voto de Dilma Rousseff (PT) faz a alegria de acionistas e investidores do mercado de capitais (Continue Lendo…)

FUNDAMENTALISTAS DO MERCADO E DO LUCRO FÁCIL PRESSIONAM GOVERNO E BANCO CENTRAL PARA AUMENTAR OS JUROS

Dilma sob pressão

Não é só de felicianos e de fundamentalistas religiosos que vive a política brasileira. Há também os fundamentalistas do mercado, que pressionam o governo Dilma Rousseff para o aumento dos juros, que lhes trará milhões de rendimentos.

Depois de décadas de lutas para baixar os juros, os fundamentalistas do mercado, impulsionados pela grande mídia, tentam a todo o custo fazer com que os juros voltem a patamares elevados, impedindo a produção e aumentando os gordos lucros dos financistas.

Notícias espalham o terror na população. É o preço do tomate, da cebola etc etc. É a inflação que subiu 0,5% etc etc. Isso vira um tsunami de informações, uma pressão arrasadora sobre o governo.

É lamentável ver a grande mídia fazendo esse papel sujo a serviço da economia financeira que desde os anos 80 vem destruindo mercados e economias. No entanto, esse serviço é bastante explicável pela partidarização que tomou conta da grande imprensa nos últimos anos.

Ao aumentar os juros, os rentistas ricos ficam mais ricos e o crescimento econômico também cai, enfraquecendo o governo para as próximas eleições. Dessa forma, os interesses econômicos, político-eleitorais das empresas de mídia e de setores conservadores da sociedade ganham mais fôlego para ficar mais à vontade no poder.

Com certeza existem outras medidas para baixar a inflação e o governo pode e deve investir em medidas alternativas, ainda mais em um momento em que os juros estão baixos no mundo inteiro.

Veja mais em Educação Política:

MÍDIA ABRE ESPAÇO NOBRE PARA QUEM ATENTA CONTRA OS JUROS BAIXOS QUE BENEFICIAM A POPULAÇÃO E O SETOR PRODUTIVO

Veja só: os postes estão mesmo mijando nos cachorros
Ex-assessor de George Soros, o mega especulador planetário, ex-presidente do Banco Central, ao tempo do presidente Cardoso, atual especulador credenciado com um banco de investimento, Arminio Fraga dá entrevista hoje ao jornal Folha de S. Paulo, onde exige explicações do Bacen sobre a queda gradual das taxas de juros no Brasil.
A bronca do especulador é uma garantia de que a política monetária do governo Dilma está no caminho certo. O jus esperneandido banqueiro mostra duas coisas:1) os banqueiros já não estão mais no poder, pelo menos no Brasil;2) depois de trinta anos de política monetária com permanente desestímulo às atividades produtivas, temos uma política econômica orientada desde o Palácio do Planalto, e não desde a Febraban e os centros financeiros do mundo, como Londres e Nova York.
Nós podemos discordar pontualmente de aspectos e sobretudo dos ritmos da política econômica dilmista, mas a direção e o sentido, bem como o comando hegemônico, estão em processo de correção permanente, haja vista a chiadeira do especulador símbolo dos quatrocentos mil brasileiros que viveram à tripa forra nas três últimas décadas graças à política de financeiração da vida e dos indivíduos.
Enquanto os banqueiros chiam, o Brasil, aos poucos, recupera a sua soberania. Falta muito para andar, mas estamos no caminho certo.
Veja mais em Educação Política:

CAMILA VALLEJO FALA SOBRE A CONTRIBUIÇÃO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL NO CHILE E DOS PERIGOS DE UM MODELO QUE REPRODUZ DESIGUALDADES

Educação emancipadora, igualitária e libertadora

Camila Vallejo, considerada a principal figura de 2011 no Chile, seu país, pela atuação no Movimento Estudantil, escreveu, em texto publicado pelo Portal Vermelho sobre a contribuição e continuidade da luta estudantil, ser o atual sistema educacional chileno conscientemente perverso por perpetuar uma situação de desigualdade em que a fragmentação, causada por um modelo de competição, impede a formação de um real sistema educacional.

Além disso, na análise da líder estudantil, o privilégio dado a conteúdos considerados úteis para o mercado de trabalho, impede que o sujeito se forme como ser crítico, e o destina a servir ao aparelho produtivo como mão de obra barata ou profissional de mercado.

O fato da educação no país estar fortemente atrelada à condição de pagamento, também faz com que essa se revista de uma concepção neoliberal, esvaziando cada vez mais o caráter público do saber e, o que é ainda mais grave, transformando-o em mercadoria. Aliás, o modelo neoliberal perpassa o sistema educacional em suas características principais: “o individualismo, o consumismo, a apatia e o foco exagerado nos resultados e no sucesso, o que junto a aspectos econômicos e jurídicos geram as condições para legitimar uma dominação exercida por setores minoritários que se beneficiam do sistema”, diz Camila.

Diante de todas essas questões, ela lembra que o movimento estudantil no Chile tem uma enorme importância política por rediscutir o modelo educacional no país, projetando a discussão para outros países do mundo. O papel que a educação desempenha na sociedade, sua relação com o estado e com o mercado são colocados em cheque. E aí vem o ponto principal do movimento chileno, fazer com que a educação seja reconhecida como um Direito Social e um Investimento Social para que, como escreve Camila, a “sociedade conte com uma instituição dedicada a criticar objetivamente sua própria estrutura, desempenho e trajetória política e social”.

A luta por uma educação como direito e investimento social que se paute mais por uma lógica crítico-social e não mercadológica é mais do que legítima, mas é também uma das lutas mais difíceis porque é a luta que realmente permite mudanças. Mudanças que essa mesma sociedade de mercado – integrada por boa parte da mídia de muitos países – que nos prepara para viver dentro dos limites das suas possibilidades aparentemente infinitas de escolha, não quer.

Veja trecho do texto de Camila:

Camila Vallejo: Contribuição sobre o movimento e sua continuidade

Este movimento, fruto de longos processos de acumulação, amadurecimento político e consolidação orgânica no seio do mundo educacional, não apenas conseguiu elaborar um diagnóstico que demonstra a triste realidade do sistema de educação chileno, como também constatou em sua origem e evolução uma causalidade funcional na reprodução e aprofundamento das desigualdades no nosso país.
Por Camilla Vallejo

Dado o papel que a educação desempenha, ao constituir-se dentro da super-estrutura social como ferramenta de transformação ou reprodução material e cultural das ideias de um modelo econômico, social e político determinado, hoje não restam dúvidas de que é um sistema conscientemente perverso.

Vimos como a educação no Chile contribui muitíssimo para a exclusão, a segregação e para a segmentação social. A competição como elemento mobilizador da qualidade educativa, ao fazer com que os atores compitam entre si, decide por eliminar toda possibilidade de que a rede de servidores possa se desenvolver como um verdadeiro sistema, e, pelo contrário, contribuiu para a sua fragmentação. A super valorização exacerbada dos métodos de avaliação padronizados impostos sobre os processos de formação, acabam evidenciando as enormes desigualdades de origem e permitindo a discriminação com base nisso. A compartimentação dos conteúdos em conhecimentos úteis apenas para o “empreendimento” não permite formar sujeitos integrais e com capacidade crítica. O viés deliberado na formação dos educandos os pré-destina a ser mão de obra barata do aparelho produtivo ou de profissionais para o mercado. A concepção de bem e de investimento individual – no lugar de pública – no momento de financiar a educação permite que o custo de educar recaia sobre cada família e que seja, no fim das contas, a sua capacidade de pagamento o que determina o exercício de seu direito à educação.

Este modelo se encarrega da geração de um imaginário sociocultural que promove princípios e valores próprios do neoliberalismo. Princípios anti-éticos como o individualismo, o consumismo, a apatia e o foco exagerado nos resultados e no sucesso, o que junto a aspectos econômicos e jurídicos geram as condições para legitimar uma dominação exercida por setores minoritários que se beneficiam do sistema, às custas das grandes massas de trabalhadores, moradores de comunidades diversas e estudantes que se vêm prejudicados e arrastados numa correnteza sem fim, onde são sempre eles que assumem os custos através do endividamento, da instabilidade de emprego, da sub-valorização profissional e do desemprego. Enquanto abundam os ingressos de empresas que, sem produzir ou inovar, lucram de maneira muito conveniente com aquilo que em qualquer outro país seria considerado um direito.

Diante de tão triste realidade, é que a demanda do movimento estudantil, que rapidamente ecoa no âmango do mundo social, torna-se uma questão eminentemente política. Coloca em cheque o papel que deve desempenhar a educação no seio da sociedade e consequentemente, sua relação com o mercado e com o Estado. Neste sentido, a recuperação da educação como um Direito Social e um Investimento Social, não é apenas por gerar mobilidade social, mas, sim, para que a sociedade conte com uma instituição dedicada a criticar objetivamente sua própria estrutura, desempenho e trajetória política e social (Meller, P. “El problema no es el lucro, es el mercado”) a partir da democratização do conhecimento e da formação integral de todo o povo. Este último merece verdadeira atenção, considerando que frente à complexidade da nossa sociedade atual (injustiça social, aumento progressivo das desigualdades, diminuição generalizada da qualidade de vida, violência estrutural, deterioração ambiental, precarização laboral etc.) não podemos depender de profissionais e técnicos com uma visão fragmentada e restrita apenas aos conhecimentos úteis para o empreendimento individual ou coletivo, mas, sim, de sujeitos, gerações completas que tenham uma visão integral e ampla da realidade nacional e mundial. Só assim poderemos enfrentar a complexidade dos problemas sociais e ambientais que nos afetam. Definitivamente, trata-se de gerar dispositivos contra-hegemônicos ao modelo de mercado, porque é este que aliena a nossa sociedade e a condena à manutenção das desigualdades e injustiças atuais. (Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

CENAS DE VIOLÊNCIA PROTAGONIZADAS POR ALGUNS JOVENS NO CHILE PREOCUPAM A LIDERANÇA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL
CAMILA VALLEJO: A IRRESISTÍVEL BELEZA REVOLUCIONÁRIA
ESTUDANTES E TRABALHADORES CHILENOS CONVOCAM GREVE GERAL PARA DIA 19 DE OUTUBRO EM PROTESTO CONTRA REPRESSÃO E MODELO DE CONDUÇÃO DO PAÍS
ESTUDANTES CHILENOS PEDEM MAIS INVESTIMENTO E MAIOR COMPROMETIMENTO DO ESTADO COM A EDUCAÇÃO

PILANTRAGEM INACREDITÁVEL DA MÍDIA: MERCADO QUER INTERFERIR NOS JUROS EM BENEFÍCIO PRÓPRIO E O POVO QUE SE EXPLODA

É inacreditável a matéria publicada pela Folha de S.Paulo. A reportagem é uma confissão da atuação criminosa  e sem auto-crítica da própria imprensa.

Depois da cobertura jornalística com uma avalanche de críticas do mercado sobre a redução dos juros da taxa Selic na última reunião do Copom, a reportagem da Folha confessa que mídia fez lobby para especuladores.

Só para lembrar, na cobertura da imprensa desta semana, o governo (legitimamente eleito pelo povo) estava sendo acusado de interferir nos juros da economia (que ele, governo, administra e é responsável). Pasmem!!!

A cobertura da mídia mostrou que quem deveria decidir sobre os juros é o Copom, baseado nas análises do mercado. (Veja: Auguste Comte é o patrono da Imprensa brasileira).

Agora a Folha deu a explicação. O corte nos juros espalhou perdas no mercado. Ou seja, a definição dos juros pelo mercado só beneficia o próprio mercado. Como consequência, a população e a democracia  que se danem. Essa é a cobertura da mídia brasileira, em defesa desse mercado e contra os brasileiros e a legalidade da democracia. A mídia precisa melhorar muito para ficar ruim. Atualmente é um desastre. Arg!!!

Veja abaixo a confissão da desonestidade com a população brasileira:

Corte no juro espalha perda no mercado

O corte inesperado de 0,5 ponto nos juros do governo, que só uma minoria no mercado antecipava, trouxe prejuízos a empresas de crédito, bancos, redes varejistas, seguradoras, fundos de pensão e demais companhias que precisam gerenciar o dinheiro próprio e dos clientes, informa reportagem de Toni Sciarretta para a Folha.

A íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

Leia mais em Educação Política:

CAPITALISMO SENSACIONAL: CONSUMIDOR PAGA R$ 5.800,00 POR UM LITRO DE TINTA DAS IMPRESSORAS EPSON
OLIGOPÓLIO TOTAL: APENAS QUATRO EMPRESAS CONTROLAM 90% DA BANDA LARGA DO BRASIL
GOVERNO DILMA SE ENROSCA NO POSITIVISMO ENSANDECIDO DA GRANDE MÍDIA; AUGUSTE COMTE É O PATRONO DA IMPRENSA BRASILEIRA
LUCIANO COUTINHO, DO BNDES, E MEGA EMPRESAS VÃO LEVAR O BRASIL PARA O BURACO CAVADO NOS ESTADOS UNIDOS

BOLETIM FOCUS: ANALISTAS DE MERCADO QUEREM JURO MAIS ALTO COM INFLAÇÃO EM QUEDA

Comentário:

Parece piada, mas não é. Mesmo com inflação em queda, analistas de mercado (leia-se bancos e outras instituições financeiras) esperam (ou seria querem) que o Banco Central aumente a taxa de juros em nada menos do que 0,75 ponto percentual. Com isso, diminuir o ritmo de crescimento.

É provavel que muitos analistas tenham prometido a seus clientes que os juros chegariam a um determinado patamar mais alto até o final do ano. Mesmo com inflação em queda, querem continar apostando nos juros elevados e ficar bem com os clientes. E o Brasil? Ora, isso é um pequeno detalhe. Veja matéria abaixo.

Analistas mantêm projeção de aumento da Selic em 0,75 ponto percentual

Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Analistas de mercado esperam que o Comitê de Política Monetária (Copom) aumente a taxa básica de juros, Selic, em 0,75 ponto percentual, na reunião que será realizada amanhã (9) e quarta-feira (10).

A projeção consta do boletim Focus, publicação elaborada todas as semanas pelo Banco Central com base em consulta a analistas sobre os principais indicadores da economia.

Essa expectativa dos analistas é a mesma há cinco semanas. Neste ano, os juros básicos já aumentaram 1,75 ponto percentual e estão em 13% ao ano. Na última reunião, em julho, o aumento foi de 0,75 ponto percentual.

Os analistas também mantiveram a projeção de 14,75% para a taxa ao final do ano, estimativa que se mantém há quatro semanas.

Mesmo com indicativos de que a inflação vá diminuir, os analistas só reduziram a projeção para a Selic referente a 2009. A expectativa passou de 14% para 13,75% ao ano. A Selic é usada pelo Banco Central para controlar a inflação.

Leia também:

Veja no site da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Carlos Lessa mostra como erram os analistas de mercado em artigo, publicado no Valor Econômico.

E mais:

PARAÍSO FISCAL NO SERTÃO; GILMAR MENDES PODE FAZER A REDENÇÃO DO NORDESTE

EUA BLOQUEIA A VENDA DE TECNOLOGIA PARA SATÉLITE BRASILEIRO FEITO EM PARCERIA COM A CHINA

LUCRO DO PETRÓLEO NA EDUCAÇÃO; ESSA DEVE SER UMA BANDEIRA DOS EDUCADORES

GOVERNO GARANTE R$ 1 BILHÃO PARA ENRIQUECER URÂNIO

%d blogueiros gostam disto: