Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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Colunistas do Uol adivinharam: ‘Lobão aceitou o papel de bufão do conservadorismo’

A participação de Lobão na reunião de pessoas em defesa de um Golpe de Estado, após eleição presidencial no último domingo, mostra que ex-cantor e agora líder do ‘nonsense’ More…

Militares tinham controle total da tortura, afirma Ivan Seixas na Comissão da Unicamp

Na primeira audiência pública da Comissão da Verdade e Memória Octavio Ianni da Unicamp, realizada esta semana (que por coincidência também foi a semana da fracassada Marcha da Família com Deus e com a Liberdade, que apoiou o golpe civil-militar de 64) o jornalista Ivan Seixas (Continue Lendo…)

SERÁ ESTA A LIÇÃO QUE NOS IMPÕE A HISTÓRIA: DELEGAR AO DESTEMOR IDEALISTA DOS MAIS JOVENS A REALIZAÇÃO DOS “SONHOS IMPOSSÍVEIS”?

do Blog de Hildegard Angel, no R7, Via Vi O Mundo

Foi um acaso. Eu passava hoje pela Rio Branco, prestes a pegar o Aterro, quando ouvi gritos e vi uma aglomeração do lado esquerdo da avenida. Pedi ao motorista para diminuir a marcha e percebi que eram os jovens estudantes caras-pintadas manifestando-se diante do Clube Militar, onde acontecia a anunciada reunião dos militares de pijama celebrando o “31 de Março” e contra a Comissão da Verdade.

Só vi jovens, meninos e meninas, empunhando cartazes em preto e branco, alguns deles com fotos de meu irmão e de minha cunhada. Pedi ao motorista para parar o carro e desci. Eu vinha de um almoço no Clube de Engenharia. Para isso, fui pela manhã ao cabeleireiro, arrumei-me,  coloquei joias, um vestido elegante, uma bolsa combinando com o rosa da estampa, sapatos prateados. Estava o que se espera de uma colunista social.

A situação era tensa. As crianças, emboladas, berrando palavras de ordem e bordões contra a ditadura e a favor da Comissão da Verdade. Frases como “Cadeia Já, Cadeia Já, a quem torturou na ditadura militar”. Faces jovens, muito jovens, imberbes até. Nomes de desaparecidos pintados em alguns rostos e até nas roupas. E eles num entusiasmo, num ímpeto, num sentimento. Como aquilo me tocou!

Manifestantes mais velhos com eles, eram poucos. Umas senhoras de bermudas, corajosas militantes. Alguns senhores de manga de camisa. Mas a grande maioria, a entusiasmada maioria, a massa humana, era a garotada. Que belo!

Eram nossos jovens patriotas clamando pela abertura dos arquivos militares, exigindo com seu jeito sem modos, sem luvas de pelica nem punhos de renda e sem vosmecê, que o Brasil tenha a dignidade de dar às famílias dos torturados e mortos ao menos a satisfação de saberem como, de que forma, onde e por quem foram trucidados, torturados e mortos seus entes amados. Pelo menos isso. Não é pedir muito, será que é?

Quando vemos, hoje, crianças brasileiras que somem, se evaporam e jamais são recuperadas, crianças que inspiram folhetins e novelas, como a que esta semana entrou no ar, vendidas num lixão e escravizadas, nós sabemos que elas jamais serão encontradas, pois nunca serão procuradas. Pois o jogo é esse. É esta a nossa tradição. Semente plantada lá atrás, desde 1964 – e ainda há quem queira comemorar a data! A semente da impunidade, do esquecimento, do pouco caso com a vida humana neste país.

E nossos quixotinhos destemidos e desaforados ali diante do prédio do Clube Militar.  ”Assassino!”, “assassino!”, “torturador!”, gritava o garotinho louro de cabelos longos anelados e óculos de aro redondo, a quem eu dava uns 16 anos, seguido pela menina de cabelos castanhos e diadema, e mais outra e mais outro, num coro que logo virava um estrondo de vozes, um trovão. Era mais um militar de cabeça branca e terno ajustado na silhueta, magra sempre, que tentava abrir passagem naquele corredor humano enfurecido e era recebido com gritos e desacatos. Uma recepção com raiva, rancor, fúria, ressentimento. Até cuspe eu vi, no ombro de um terno príncipe de Gales.

Magros, ainda bem, esses velhos militares, pois cabiam todos no abraço daqueles PMs reforçados e vestidos com colete à prova de balas, que lhes cingiam as pernas com os braços, forçando a passagem. E assim eles conseguiram entrar, hoje, um por um, para a reunião em seu Clube Militar: carregados no colo dos PMs.

Os cartazes com os rostos eram sacudidos. À menção de cada nome de desaparecido ao alto-falante, a multidão berrava: “Presente!”. Havia tinta vermelha cobrindo todo o piso de pedras portuguesas diante da portaria do edifício. O sangue dos mortos ali lembrados. Tremulavam bandeiras de partidos políticos e de não sei o quê mais, porém isso não me importava. Eu estava muito emocionada. Fiquei à parte da multidão.

Recuada, num degrau de uma loja de câmbio ao lado da portaria do prédio. A polícia e os seguranças do Clube evacuaram o local, retiraram todo mundo. Fotógrafos e cinegrafistas foram mandados para a entrada do “corredor”,  manifestantes para o lado de lá do cordão de isolamento. E ninguém me via. Parecia que eu era invisível. Fiquei ali, absolutamente sozinha,  testemunhando  tudo  aquilo, bem uns 20 minutos, com eles passando pra lá e pra cá, carregando os generais, empurrando a aglomeração, sem perceberem a minha presença. Mistério.

Até que fui denunciada pelas lágrimas. Uma senhora me reconheceu, jogou um beijo. E mais outra. Pessoas sorriram para mim com simpatia. Percebi que eu representava ali as famílias daqueles mortos e estava sendo reverenciada por causa deles. Emocionei-me ainda mais. Então e enfim os PMs me viram.

Eu, que estava todo o tempo praticamente colada neles! Um me perguntou se não era melhor eu sair dali, pois era perigoso. Insisti em ficar, mesmo com perigo e tudo. E ele, gentil, quando viu que não conseguiria me demover: “A senhora quer um copo d’água?”. Na mesma hora o copo d’água veio. O segurança do Clube ofereceu: “A senhora não prefere ficar na portaria, lá dentro? “. “Ah, não, meu senhor. Lá dentro não. Prefiro a calçada”. E nela fiquei, sobre o degrau recuado, ora assistente, ora manifestante fazendo coro, cumprindo meu papel de testemunha, de participante e de Angel. Vendo nossos quixotinhos empunharem, como lanças, apenas a sua voz, contra as pás lancinantes dos moinhos do passado, que cortaram as carnes de uma geração de idealistas.

A manifestação havia sido anunciada. Porém, eu estava nela por acaso. Um feliz e divino acaso. E aonde estavam naquela hora os remanescentes daquela luta de antigamente? Aqueles que sobreviveram àquelas fotos ampliadas em PB? Em seus gabinetes? Em seus aviões? Em suas comissões e congressos e redações?  Será esta a lição que nos impõe a História: delegar sempre a realização dos “sonhos impossíveis” ao destemor idealista dos mais jovens?

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GRANDE MÍDIA DORME EM BERÇO ESPLÊNDIDO ENQUANTO A CORRUPÇÃO ROLA SOLTA NO QUARTEL E NO JUDICIÁRIO

Com essa mídia, democracia afunda rápido

mídia, a covarde

É mais fácil entender os meios de comunicação pelo que eles omitem do que pelo que eles dizem. Esse é o grande poder dos espaços de comunicação (jornais, revistas, redes de tv e rádio).

A corrupção está afogando o Brasil no judiciário e no quartel, mas isso raramente aparece nos grandes meios de comunicação, principalmente de São Paulo. Se aparecerem, soam como registros, sempre devidamente enquadrados e apenas para não jogar ainda mais para o ralo a capacidade de comunicação dessas empresas.

Salvo Carta Capital, eles não apuram, não investigam, não levantam qualquer informação sobre a corrupção no poder judiciário, assim como nos quartéis.  Como disse o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), a mídia está acovardada. Essa covardia se traduz no pior do jornalismo. Temem o poder judiciário e os quartéis, seus aliados de 64.

Outro dia o Estadão deu manchete do “El País” no seu próprio site para atacar o Executivo. É o complexo de vira-lata da grande mídia. Dá a manchete de um outro jornal, europeu.  Pode!? Os jornais ultimamente disponibilizaram repórteres e editorias para investigar o ministro dos Esportes,  Orlando Silva (PC do B), a partir da denúncia de um policial que é processado pelo próprio Ministério dos Esportes. Isso é bastante salutar.

A grande mídia tem todo o direito de investigar o Executivo e que o faça a cada dia mais, mas é sempre um sistema orquestrado, agem em conjunto, como um matilha, como se fossem um partido da oposição. E são, como bem anotou a presidente da ANJ, Judith Brito, durante a última campanha presidencial. Ao mesmo tempo se “esquecem” propositamente de problemas muito mais graves e profundos da nossa democracia; problemas esses que facilitam a corrupção no Legislativo e Executivo, que são os “bandidos de toga”, como bem anotou Eliana Calmon, corregedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e a bandalheira nos quartéis.

Isso demonstra que a grande mídia brasileira, como historicamente tem sido demonstrado, não tem qualquer apreço pela democracia, mas sim pelos seus próprios interesses econômicos, facilitados por partidos como o PSDB, vide o contrato de Geraldo Alckmin, com os jornais Folha, Estadão e Veja.

Falta um pouco mais de dignidade e valores democráticos para as empresas de mídia do Brasil.

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BRASILEIROS FARÃO ATO DE REPÚDIO À FOLHA DE S. PAULO POR EDITORIAL QUE CLASSIFICOU DITADURA DE `DITABRANDA´

BENEVIDES VAI AO ATO DE REPÚDIO À FOLHA

por CONCEIÇÃO LEMES/ Vi o Mundo

Anote em letras bem grandes na sua agenda: 7 de março, 10 horas, em frente à Folha de S. Paulo, na rua Barão de Limeira, ato público em repúdio à “ditabranda” e solidariedade aos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fábio Konder Comparato.
“Eu entrei como Pilatos no credo”, avalia o professor Comparato. “A meu ver, o fato gravíssimo é que o jornal procurou absolver o regime hediondo, criminoso, justamente no momento em que o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, por meu intermédio, impetrou no Supremo Tribunal Federal uma arguição de descumprimento de preceito fundamental a fim de que o STF declare que os assassinos, os torturadores, os estupradores do regime militar não foram abrangidos pela anistia.”

“Como pessoa atacada, prefiro não ir ao ato público”, antecipa. “Mas gostaria que, você, em meu nome, dissesse a todos que lá estarão que estou muito emocionado com imensa solidariedade que tenho recebido.”

A professora Maria Victória Benevides irá. Acaba de confirmar a sua presença aoViomundo. A repercussão surpreendeu-a.

“Se consideramos que o manifesto de repúdio e solidariedade (clique aqui para assinar) começou a circular em pleno carnaval e já conta com mais de 3 mil assinaturas, é muito mais do que poderíamos imaginar”, afirma Maria Victoria.  “Isso sem falar da grande quantidade de sites e blogs que repercutiu positivamente a nosso favor.”

“Isso mostra como nós podemos usar a internet e os blogs decentes como alternativa concreta, real e perfeitamente viável para nos desvincularmos dos jornalões, da imprensa de rabo preso”, prossegue a professora. “Outra coisa interessante é o apoio que tem vindo também dos jovens. Eles não viveram a ditadura. Também não aprenderam sobre ela, porque isso não costuma ser ensinado nas escolas, com raríssimas e honrosíssimas exceções. Eu fico feliz de ver como eles entenderam que uma coisa é discordar, outra é apresentar uma visão facciosa, no caso da Folha até ignorante, porque o conceito de “ditabranda” foi inventado num outro contexto.”
O ato público na Folha de S. Paulo está sendo convocado pelo Movimento dos Sem-Mídia, liderado pelo Eduardo Guimarães, do blog Cidadania.com.

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