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TRÁFICO DE PESSOAS: TRÊS MODELOS BRASILEIRAS ENVIADAS PARA O EXTERIOR VIRARAM ESCRAVAS NA ÍNDIA

Uma das rotas do tráfico de pessoas

Uma jovem de 15 anos e duas de 19 foram vítimas de tráfico internacional de pessoas ao saírem do Brasil com o sonho de seguir carreira de modelo internacional. Elas viraram escravas na Índia e “acabaram submetidas a assédio moral e sexual, além de cárcere privado e servidão por dívida, de acordo com acusação feita pelo Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP)”, diz notícia publicada pela Repórter Brasil.

As agências brasileiras responsáveis por enviar as modelos ao exterior são a Dom Agency Model´s e Raquel Management que foram proibidas pelo juiz federal João Batista Gonçalves, da 6ª Vara Civil de São Paulo, de continuar a enviar modelos para fora do Brasil.

As três brasileiras, duas irmãs de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, e outra de Passos, em Minas Gerais, saíram do país com a promessa de fotografar em Mumbai e, ao chegar, logo tiveram a liberdade cerceada e foram submetidas a condições degradantes como a proibição de deixar o apartamento em que viviam, não por acaso localizado em uma zona de exploração sexual, a falta de água em alguns horários do dia e a jornada exaustiva de trabalho. O pai das duas irmãs denunciou a situação ao consulado brasileiro em Mumbai e as jovens voltaram ao Brasil em 26 de dezembro de 2010.

Além da liminar que proíbe as agências de continuarem a enviar modelos ao exterior, espera-se que elas sejam condenadas a indenizar as três jovens pelos danos causados, principalmente morais e psicológicos. As três jovens no entanto são apenas uma ponta do problema. Na ocasição do episódio, a Divisão Consular do Brasil na Índia enviou ao Ministério das Relações Exteriores relatório sobre a possível existência de uma rede internacional de tráfico de pessoas.

As próprias modelos teriam tido contato com outras 20 jovens na mesma situação. Elas ainda lembraram que as famílias são submetidas a terrorismo por parte das agências para que não procurem o Consulado Brasileiro. O acontecimento configura no mínimo um absurdo, agências que se dão ao luxo de explorar jovens, iludindo-as, e ainda lançam mão de ameaças para seguir agindo impunemente.

Veja trecho da notícia:

Modelos enviadas para o exterior foram escravizadas na Índia
Uma jovem de 15 anos e duas de 19 foram vítimas de tráfico de pessoas, acabaram submetidas à degradação e tiveram liberdade cerceada. Justiça proibiu agências envolvidas de continuarem operando
Por Bianca Pyl

Três modelos brasileiras que saíram do Brasil com sonho de seguir carreira de modelo internacional viraram escravas na Índia. As jovens, uma delas com apenas 15 anos, foram vítimas de tráfico internacional de pessoas e acabaram submetidas a assédio moral e sexual, além de cárcere privado e servidão por dívida, de acordo com acusação feita pelo Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP). A denúncia foi aceita pelo juiz federal João Batista Gonçalves, da 6ª Vara Civil de São Paulo, que determinou que as agências brasileiras Dom Agency Model´s e Raquel Management parem imediatamente de enviar modelos ao exterior. Em entrevista à Repórter Brasil, o proprietário da Dom, Benedito Aparecido Bastos, negou que esteja envolvido com tráfico de pessoas. Já Raquel Felipe, proprietária da Raquel Management, não quis se pronunciar sobre as acusações.

As três brasileiras, duas irmãs de 15 anos e 19 anos de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, e uma jovem de 19 anos de Passos, em Minas Gerais, deixaram o país com contratos para fotografar em Mumbai, na Índia. As duas primeiras foram recrutadas pela Raquel Management em 12 de novembro de 2010. A terceira assinou com a Dom Model´s em dezembro do mesmo ano. Ao chegarem na Índia, as três jovens acabaram submetidas a condições degradantes e tiveram a liberdade cerceada. De acordo com depoimento que prestaram ao MPF, elas eram impedidas de deixar o apartamento em que viviam, em um edifício localizado em uma zona de exploração sexual, e só conseguiram escapar porque o pai das duas irmãs denunciou a situação ao consulado brasileiro em Mumbai. As jovens foram então resgatadas e conseguiram voltar ao Brasil em 26 de dezembro do mesmo ano graças ao auxílio do consulado, que arcou com os custos da viagem.

O agente local da K Models Management – parceira das agências brasileiras na Índia – chegou a ser preso pela polícia indiana na ocasião. Às autoridades brasileiras, as jovens relataram que ele pagou para que vigias do edifício as impedissem de deixar o local. Uma delas chegou a machucar o joelho ao fugir do homem, que tentou agarrá-la. Além da violência a que foram submetidas, as brasileiras não tinham acesso à água quente para o banho. No apartamento, segundo contaram, só havia água em algumas horas do dia. Uma das vítimas disse que não tinha tempo para se alimentar e descansar por conta dos trabalhos seguidos que era obrigada a cumprir. (Texto completo)

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