Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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A ARTE EXTRAVASANDO AS PORTAS E PAREDES DO COTIDIANO: BELA APRESENTAÇÃO DE CORPO, MÚSICA E DANÇA

Os limites e as possibildiade de um “duo” que se aprisiona enquanto se liberta, que se forma enquanto se precipita, que torna-se grande enquanto se faz encolher, que se encontra enquanto se despede e que ama enquanto prefere esconder. Contradições que só a arte pode expressar, preservando o que há de essencial e belo na própria contradição que é a vida.

Da companhia Mats Ek, Appartement.

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NA SOCIEDADE ATUAL O “ESTAR SÓ” É VISTO COMO DOENÇA OU EPIDEMIA DISFARÇANDO OS REAIS MALES DA CONTEMPORANEIDADE

Aparentemente, não parece existir nenhum problema no “estar só”. Para muitos, a solidão pode ser até um desprazer, mas outros a apreciam ou trocariam tudo por momentos de convivência consigo mesmos.

No entanto, a tendência do mundo moderno em diagnosticar, racionalizar e sintomatizar quase tudo começa a ver a solidão como uma espécie de doença ou epidemia, causa de todos os males. E aí reside certa inversão promovida pelos alienistas de plantão. Afinal, seria a solidão causa ou efeito de todos os males?

Cabe pensar que estamos sim cada vez mais sozinhos. Alguns por opção. Outros, no entanto, estão sozinhos sem perceber a solidão. Hiperconectados, a maioria tem a ilusão de não estar só para, de repente, surpreenderem-se solitários.

Assim, será mesmo que a solidão é a causa de todos os males, ou, um mundo onde a subjetividade se perde em meio às multidões e comercialização dos sentimentos humanos, é que não nos convida a uma espécie de narcisismo conectado em busca de uma individualidade fragmentada?

Se a solidão graça em excesso a culpa não parece ser dela, mas a sociedade não quer olhar para as sua próprias misérias e criações, é mais fácil diagnosticar e inventar doenças que estão no ser humano, jamais fora dele.

E não há aqui uma crítica à conectividade, posto seus benefícios democráticos e novidades, e sim à sociedade que faz dela o único reduto possível de salvação para as ausências que ela mesma cria, diluindo todas as outras possibilidades reais de troca e convivência.

Veja trecho de texto que gera reflexão sobre o assunto publicado pela revista Cult:

Política da solidão
Clinicalização do estar só escamoteia o verdadeiro mal da sociedade atual, que é a hiperconectividade
Marcia Tiburi

Algo vai muito mal com a autocompreensão do ser humano sob a crença de que existe um padrão normal dos afetos que calibraria o todo da experiência emocional humana. A crença na normalidade confirma apenas que vivemos mergulhados na incomunicabilidade. Os sentimentos humanos são nebulosos e confusos, mas não são expressos senão por meio de atos desesperados que falam por si mesmos.

Se a norma fosse estabelecida pelo que há de mais comum, teríamos de voltar ao paradoxo de Bacamarte: o anormal é normal, o normal é anormal.

O fenômeno contemporâneo da psiquiatrização da vida nasceu como tentativa de eliminar a estranheza humana. Hoje ele sustenta a indústria cultural da saúde, que se serve do sofrimento humano como a hiena se serve da carniça.

Para os fins do logro capitalista já não basta aproveitar a desgraça do outro, também se pode ajudar a incrementar a produção do infortúnio usando a arma do discurso. A moral une-se à ciência nessas horas e quem paga o preço é o indivíduo humano, do qual se extirpa a capacidade de pensar sobre sua própria vida.

Se a indústria farmacêutica depende da evolução das drogas e dos remédios, depende também da existência de doenças. Criar um remédio pode implicar a criação da doença.

Assim é que uma das mais fundamentais experiências humanas na mira dos sacerdotes da moral que propagam a psiquiatrização da vida é, hoje, a solidão. A banalidade da proposta não é pouco violenta.

Em pesquisa recentemente divulgada, um médico norte-americano definiu a solidão não apenas como doença, mas como epidemia. Tratou-a como uma tendência contrária à evolução. Definida como um erro da “natureza humana”, a solidão passa a ser vista fora de sua dimensão social e histórica. Como doença, ela seria a causa do sofrimento e não o efeito da perda de sentido da convivência entre as pessoas. Em última instância, daquilo que seria o significado mais próprio da política como universo da integração entre indivíduos e comunidades. (Texto completo)

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MAL-ESTAR TÍPICO DA MODERNIDADE, A CEFALEIA TENSIONAL VEM ASSOCIADA AO ESTRESSE, POSTURA INADEQUADA E FADIGA

A modernidade traz consigo algumas conquistas, mas também algumas perdas. No fluxo diluído de pessoas, informações e acontecimentos que nos envolvem na contemporaneidade, não é apenas a fronteira das coisas que se perde, a dos indivíduos desaparece também.

Um homem parado, em frente ao computador, faz um esforço talvez maior do que um trabalhador agitado, que corre o dia todo resolvendo problemas, lidando com diferentes pessoas, buscando soluções. Isso porque o computador o bombardeia com uma série de informações e sem que ele perceba o deixa estressado, cansado, sem sequer sair do lugar. E aí reside o outro problema: sem sair do lugar. Parado e, geralmente, parado de forma errada.

O estresse, a fadiga e a postura inadequada estão entre as principais causas da cefaleia tensional, uma espécie de dor de cabeça associada às causas acima citadas. Estima-se que sete em cada dez pessoas sofrem ou sofrerão de um dos “males do século”, como aponta reportagem publicada pela revista Carta Capital.

Os sintomas da doença são parecidos com os de uma enxaqueca tradicional, no entanto, a cefaleia não provoca naúseas ou vômitos em função da dor. Diagnosticá-la, portanto, nem sempre é tarefa fácil. Mudar o estilo de vida aparece como uma alternativa para fugir deste mal.

As doenças que surgem com o estilo de vida moderno ajudam a entender que não é preciso tornar-se fluxo para participar dele. As informações, trocas e oportunidades que a modernidade oferecem devem sim ser aproveitadas por nós, mas, para ficar em um velho trocadilho que, apesar de velho traduz bem esse caso, não são elas que devem se aproveitar de nós.

Veja trecho da reportagem sobre o assunto publicada pela Carta Capital:

Mal do século
Por Riad Younes

Sete em cada dez pessoas sofrem ou sofrerão de um dos “males do século”. A cefaleia tensional, ou dor de cabeça associada a estresse, tensão, fadiga ou movimentação e postura inadequadas. Apesar do nome, a causa ainda não está totalmente clara. Frequentemente associada à contração dos músculos da cabeça e do pescoço, em indivíduos submetidos a situações de estresse, ou de trabalho prolongado em escritório, principalmente ligado a um computador. Dormir em posição não habitual, como cochilar assistindo a um programa na tevê, também pode deflagrar uma crise de cefaleia. Como dores de cabeça são muito frequentes na população, o diagnóstico correto, e a diferenciação de outras causas mais sérias de cefaleia, pode ser crucial.

O médico deve se esforçar em descartar, por exemplo, a possibilidade de enxaqueca, importante no manejo desses pacientes. A maioria dos casos de cefaleia tensional aparece, em homens ou mulheres, em idade variando entre 20 e 50 anos. Raramente após essa faixa etária. Esse tipo de dor de cabeça pode se apresentar de forma esporádica, de vez em quando, quando as crises não afetam o indivíduo mais de 15 dias por mês.

Cefaleias mais frequentes são caracterizadas como crônicas. Alguns aspectos ajudam a desconfiar de cefaleia tensional. O doutor R. M. Pluta descreveu, na prestigiosa revista Jama, sintomas que apontam nessa direção. Para se fazer o diagnóstico, ou a suspeita forte, bastariam dois ou mais dos seguintes sintomas:

1.Dor de cabeça em pressão, não do tipo pulsátil.

2.Presente dos dois lados da fronte, na região temporal ou na nuca

3.Intensidade geralmente leve a moderada.

4.Não piora com atividade física. (Texto completo)

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