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mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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HÁ ALGO DE ESTRANHO NA LAVAGEM CEREBRAL QUE A GLOBO FEZ NA SOCIEDADE COM A MORTE DE CINEGRAFISTA

As imagens mostradas durante a semana do autor de lançar o rojão são muito diferentes da pessoa (Caio Silva de Souza) que foi presa como autora do acidente(Continue lendo…)

IMPERDÍVEL: NÃO ESPERE O FIM DA VIDA PARA VER O QUE VALE A PENA SOMENTE NOS CINCO MAIORES ARREPENDIMENTOS ANTES DA MORTE

ESCRITOR MEXICANO JUAN RUFO EM DOIS MOMENTOS: BROTOU NELA UM OLHAR DE SEMI-SONHO E NINGUÉM ANDA À PROCURA DE TRISTEZAS

Rufo escreveu apenas dois livros de ficção

“No entanto antes será preciso dizer quem e que coisa era essa Matilde Arcángel. E lá vou eu. Vou contar a vocês tudo isso e sem pressa. Devagarinho. Afinal, temos a vida inteira pela frente.
Era filha de uma tal dona Sinesia, dona da pensão de Chupaderos; um lugar como se diz por aí caído no crepúsculo, lá onde a jornada termina. Assim que tudo que era arriero que recorria esses rumos acabou ficando sabendo dela e pôde agradar os olhos olhando Matilde. Porque naqueles tempos, antes que desaparecesse, Matilde era uma mocinha que se infiltrava feito água no meio de todos nós.
Mas no dia menos esperado, e sem que a gente percebesse de qual maneira, ela se transformou em mulher. Brotou nela um olhar do semi-sonho que cavoucava pregando-se dentro da gente como um prego que dá muito trabalho despregar. E depois sua boa explodiu, como se tivesse sido deflorada a beijos. Ficou bem bonita a moça, a cada um sua justiça seja feita.”
(A Herança de Matilde Arcángel, em Chão em Chamas)

“Você se lembra, Justina? Você ajeitou as cadeiras ao longo do corredor para que as pessoas que viessem vê-la esperassem a vez. Ficaram vazias. E minha mãe sozinha, no meio dos círios; sua cara pálida e seus dentes brancos mal aparecendo entre os lábios arroxeados, endurecidos pela morte arroxeada. Suas pestanas já quietas; já quieto seu coração.
Você e eu ali, rezando rezas intermináveis, sem que ela ouvisse nada, sem que você e eu ouvíssemos nada, tudo perdido na sonoridade do vento debaixo da noite. Você tinha passado o vestido negro, engomado o decote estreito e o punho das mangas para que as mãos parecessem novas, cruzadas sobre o peito morto; seu velho peito amoroso, em cima dele eu dormi durante tempos, e que me deu de comer e que palpitou para ninar meus sonhos.
Ninguém veio vê-la. Foi melhor assim. A morte não se reparte como se fosse um bem. Ninguém anda à procura de tristezas.”
(Pedro Páramo, de Juan Rufo)

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OUTRAS MIL FORMAS DE MORTE ESTÃO OCULTAS NESTA VIDA, DIZ DUQUE EM MEDIDA POR MEDIDA DE WILLIAN SHAKESPEARE

“Preparai-vos resignadamente para a morte; a morte e a vida serão mais doces para vós.  Raciocinai assim com a vida: se te perco, perco uma coisa que somente os loucos querem conservar. Não passas de um sopro, exposto a todas as influências do ar que, hora após hora, deterioram esta habitação em que moras. És meramente o joguete da morte, pois procuras sempre evitá-la pela fuga e, apesar disto, corres sempre diante dela. Não és nobre, porque todas as voluptuosidades, que são teu patrimônio, são acalentadas pelas baixezas. Estás longe de ser valente, pois teme o aguilhão terno e brando de um pobre verme. O que tens de melhor em ti é o sono e que tantas vezes provocas; entretanto, temes grosseiramente a morte que não passa de um sono.

Tu não és tu mesma, pois tua existência é o resultado de milhares de grãos que saem do pó. Não és feliz, porque o que não tens, tu te esforças para adquirir e o que possuis, tu esqueces. Não és constante, pois tua natureza, segundo as fases da lua, sofre estranhas alterações. Se és rica, és pobre; pois, semelhante a um asno cujo ombro está vergado ao peso de lingotes, só carrega suas pesadas riquezas um único dia e a morte te livras dela.

Não tens amigos, pois o fruto de tuas próprias entranhas que te chama de “pai”, o mais puro de teu sangue, saído de teus próprios rins, maldiz a gota, a lepra e o catarro, que não te acabam bem depressa.  Não tens juventude nem velhice, e, por assim dizer, não passas de uma sesta depois do jantar que sonha um pouco com as duas idades;  pois toda a tua feliz juventude é passada fazendo-se velha e solicitando esmolas da paralítica velhice.

Quando, no fim, fores velha e rica, já não terás calor, sentimento, força, nem beleza, para tornares agradáveis tuas riquezas. Que te sobra ainda nisto que traz o nome de vida? Outras mil formas de mortes ainda estão ocultas nesta vida e, contudo, tememos a morte que nivela todas estas misérias.”

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