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A HOMENAGEM DE LATUFF E A FOTOGRAFIA NO MESMO PASSO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS DE JOÃO ZINCLAR

MOVIMENTOS SOCIAIS ESPERAVAM MAIS DO PRIMEIRO ANO DO GOVERNO DILMA

Sem pressão, eles não esperam mudanças

Acostumados ao estilo Lula, os principais movimentos sociais do país, entre eles, MST, UNE e CUT, se dizem frustrados com o primeiro ano do governo Dilma. As principais queixas são de perda de influência nas decisões do governo, política econômica contraditória e falta de reforma agrária. Para 2012, os movimentos sociais acreditam que sem exercer pressão constante, a situação tampouco vai mudar.

Os movimentos dizem que o governo Dilma tomou decisões contraditórias, beneficiando muitas vezes o empresariado e demorando para atender às suas reivindicações. Ao contrário de Lula, a presidente Dilma teria se mantido mais distante, o que é próprio de seu estilo de governar.

Uma das decisões contraditórias do governo seria a de adotar medidas conservadoras como o arrocho fiscal para conter a inflação, no início de 2011, e depois, apoiar a queda dos juros do Banco Central em um momento que não era considerado propício pelo mercado.

As insatisfações vão desde o movimento estudantil, que viu o orçamento destinado à educação ser reduzido, até os movimentos do campo, que não viram muitos avanços em relação à reforma agrária, e os trabalhadores, que sofreram com a dificuldade de diálogo e debate com o governo, o que fez com que as greves se espalhassem pelo país.

Na opinião dos líderes dos movimentos sociais, o governo Dilma ainda não definiu exatamente que rumo seguir, por isso, a pressão desses grupos para o ano que começa tende a ser tão forte quanto a já exercida pelo capital. O tempo se encarregará de mostrar pra que lado a balança se inclinará.

Veja texto sobre o assunto publicado pela Carta Maior:

Movimentos sociais frustram-se com início de Dilma e reclamam
Para CUT, UNE e MST, presidenta Dilma Rousseff manteve-se distante em seu primeiro ano de mandato. Mais identificadas com estilo Lula, entidades queixam-se de perda de influência em decisões do governo, política econômica contraditória e falta de reforma agrária. Secretario Geral da Presidência evitou mal maior. Sem pressão constante, acham que situação não muda.

Por Najla Passos

BRASÍLIA – O primeiro ano da presidenta Dilma Rousseff foi contraditório, para três dos principais movimentos sociais brasileiros. Embora problemas de relacionamento com Dilma, que tem um estilo bem diferente do “companheiro” Lula, tenham sido contornados pelo ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, o tempo de resposta às reivindicações deixou muito a desejar. Compromissos assumidos não teriam saído do papel, enquanto o empresariado arrancava concessões. Se não houver pressão, 2012 corre os mesmos riscos.

“O debate sobre a situação macroeconômica permeou todas as discussões. E, para nosso espanto, o governo adotou uma postura mais conservadora perante a crise, pautada pelos grandes veículos de comunicação”, avalia o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Daniel Iliescu.

No início de 2011, por exemplo, para conter a inflação, o governo anunciou um enorme arrocho fiscal de R$ 50 billhões, dos quais R$ 13 bilhões saíram do orçamento destinado à educação. Para o líder estudantil, durante todo o ano, Dilma foi contraditória, ao adotar medidas conservadoras, como no arrocho, e ao mesmo tempo respaldar a queda dos juros do Banco Central quando todo o “mercado” achava que não era hora.

“O governo Dilma ainda não tomou a decisão de que rumo seguir. A única maneira de ajudar este governo a dar certo é pressioná-lo o tempo todo. Até porque o capital esta fazendo pressão constante”, afirma Iliescu.

Para os trabalhadores do campo, o início do mandato de Dilma não foi nada promissor. “O ano foi muito ruim para a reforma agrária. Só foram assinados decretos de desapropriação depois do Natal e com potencial de assentar apenas duas mil famílias”, afirma José Batista Oliveira, da coordenação geral do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

Atualmente, segundo o MST, haveria 180 mil famílias acampadas no Brasil aguardando assentamento. A entidade esperava que o governo assentasse 20 mil famílias nesse primeiro ano, mas só efetivou a destinação de terras para seis mil. E, ao contrário do que prometera em agosto, após uma marcha camponesa em Brasília, o governo ainda não tem um plano de assentamentos para até o fim do mandato de Dilma. (Texto completo)

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INTERNET TRANSFORMA MOVIMENTOS SOCIAIS DE FORMA TÃO INTENSA QUE MARCHA DAS VADIAS SE TORNA MUNDIAL EM MENOS DE UM ANO

Marcha das vadias de campinas 2011

A internet está transformando a vida de pessoas e também dos movimentos sociais.

Com certeza, não é só o jornalismo e a grande mídia que estão sentindo as transformações que ocorrem na sociedade com a massificação da rede mundial de computadores. As ações políticas, fora do espectro partidário, também tomaram outra proporção nos últimos anos. Primavera árabe, Occupy wall street, indignados da Espanha, anônimos, marcha das vadias são alguns exemplos de como o ano de 2011 ganhou importância histórica.

Veja abaixo entrevista em quatro partes em que participei junto com Mariana Cestari, uma das organizadoras da Marcha das Vadias em Campinas, para o programa Diálogos, produzidos por alunos de jornalismo da PUC-Campinas.

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ALÉM DO COMBATE À CORRUPÇÃO, GOVERNO DILMA PARECE QUERER SE FIRMAR TAMBÉM PELO DIÁLOGO COM OS MOVIMENTOS SOCIAIS

Diálogo com os movimentos sociais

Na última quarta-feira, 17/08, a presidente Dilma Rousseff participou do encerramento da Marcha das Margaridas, maior manifestação do campesinato feminino, em Brasília, e aproveitou a ocasião para enfatizar a importância do diálogo entre governo e movimentos sociais, reconhecendo que todas as reivindicações, críticas e propostas são essenciais, bem-vindas e necessárias.

Com isso, Dilma não só dá continuidade a uma linha seguida pelo seu antecessor, como também vai dando forma ao seu governo, conferindo a ele um aspecto social que aproxima os movimentos populares do executivo, dando voz aos primeiros e popularidade a este último. Está aí o exemplo do governo Lula para comprovar.

De chapéu de palha na cabeça e com um discurso um pouco mais longo do que o de costume, Dilma atendeu parte das reivindicações do movimento e enfatizou seu compromisso em dar continuidade ao diálogo. Jogo duro no combate à corrupção e habilidade junto aos movimentos sociais, Dilma parece que vai encontrando seu tom de governar!

Veja trecho de notícia sobre o assunto publicada pela Carta Maior:

“Debate com movimento social é fundamental”
Por André Barrocal

Em dia dedicado a reforçar aproximação com movimentos sociais, Dilma Rousseff diz ter certeza de que é ‘fundamental” dialogar com eles, ao encerrar Marcha das Margaridas, maior manifestação do campesinato feminino. Segundo presidenta, críticas e sugestões dos movimentos são “essenciais”, ‘bem-vindas” e “necessárias”. Parte das revindicações foi atendida, mas outra continuará a ser negociada. Próximo encontro margaridas-governo será em outubro.

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff fez gestos importantes de aproximação com movimentos sociais, nesta quarta-feira (17/08). Ao participar do encerramento da Marcha das Margaridas, manifestação de camponesas em Brasília, disse querer “intensificar o diálogo do governo” com as “margaridas” e completou: “Tenho certeza que o debate com os movimentos sociais é fundamental.”

“Tenho certeza que as críticas e as sugestão são essenciais. E, além disso, para nós, são bem-vindas. Muito bem-vindas e necessárias”, reforçou.

Dilma pronunciou um discurso de 31 minutos do jeito que o antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, gostava. Usando na cabeça um chapéu de palha que identificava o movimento ao qual se dirigia, semelhante ao das manifestantes presentes ao Parque da Cidade de Brasília – a organização do evento calcula entre 60 mil e 70 mil pessoas.

Ao assumir o microfone, entregou à secretária de Mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Carmem Foro, um caderno com as respostas do governo a 158 reinvindicações da Marcha. Os pedidos tinham sido apresentados a ministros há cerca de um mês. (Texto completo)

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PAULO VANUCHI TENTA TIRAR O BRASIL DAS TREVAS COM O PLANO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS, MAS ABERT E RURALISTAS FICAM EM POLVOROSA

Vanuchi tenta jogar luz sobre o Brasil

O Plano Nacional de Direitos Humanos, elaborado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, é uma carta de intenções para tirar o Brasil das trevas, ou seja, diminuir a violência no campo, a desigualdade social, econômica e jurídica, o monopólio na comunicação, o trabalho infantil, a prostituição infantil, o trabalho escravo e outros. São temas que o país precisa enfrentar para alçar um patamar que a Europa e os Estados Unidos chegaram há mais de meio século.

Um grande mérito do plano, coordenado pelo ministro Paulo Vanuchi, é justamente mostrar que uma série de questões que mantêm a sociedade nesses níveis de violência e desigualdade faz parte dos direitos humanos.

O problema é o controle coronelista que existe hoje tanto na área rural quanto na comunicação. Abert (Associação Brasileira de Rádio e Televisão) equivale à UDR (União Democrática Ruralista) em suas respectivas áreas. São duas entidades a serviço da desigualdade social.

O Plano Nacional de Direitos Humanos não atinge em nada os setores do agronegócio ou das grandes empresas de mídia, mas faz propostas de estabelecimentos de marcos legais e regras onde não existe, etc. O problema é que essas entidades não querem regras onde elas podem mandar e desmandar, ou seja, querem manter uma terra sem lei no campo e na comunicação.
Veja abaixo alguns trechos do Plano Nacional de Direitos Humanos com algumas palavras-chaves em negrito, mostrando que o plano visa, na verdade, estabelecer no Brasil um estado de direito, principalmente no campo e na comunicação: Saiba mais

DEPOIS DO GILMAR MENDES, CONHEÇAM O CORONEL MENDES DO PSDB DO RIO GRANDE DO SUL

O Coronel Paulo Roberto Mendes, comandante da Brigada Militar do Rio Grande do Sul é, assim como Gilmar Mendes, mais uma contribuição à democracia dada pelo PSDB. Leiam que vale a pena, principalmente a segunda parte, com o intertítulo: Quem é o Coronel Mendes. É pura filosofia.

Coronel ameaça movimentos sociais na véspera da Marcha dos Sem no RS

Marco Aurélio Weissheimer
Da Agência Carta Maior

PORTO ALEGRE – O comandante da Brigada Militar, coronel Paulo Roberto Mendes, divulgou nota oficial no dia 4 último, advertindo os movimentos sociais que organizam o 14° Grito dos Excluídos e a 13ª Marcha dos Sem, que os “efetivos do policiamento ostensivo estão devidamente instruídos e dotados dos recursos necessários para atuarem como força mediadora, capaz de harmonizar, no limite da lei, os interesses porventura conflitantes, não permitindo que direitos e garantias de uns se sobreponham aos de outros”. Traduzindo: a Brigada Militar reprimirá os manifestantes caso o coronel Mendes julgar que “direitos e garantias de uns estão se sobrepondo aos de outros”.

Expressando uma “inquebrantável tradição de respeito ao Estado Democrático de Direito”, o comandante da Brigada afirma seu “compromisso de garantir a lei e a ordem no Rio Grande do Sul, desejando que todos os eventos previstos transcorram dentro da normalidade”. O compromisso do coronel Mendes com o Estado Democrático de Direito parece ser seletivo, considerando suas recentes manifestações em defesa da execução de bandidos sem o devido processo legal.

Os organizadores do Grito dos Excluídos e da Marcha dos Sem, programada para esta sexta-feira, criticaram a nota, classificando-a como uma tentativa de intimidação. Para o presidente da CUT/RS, Celso Woyciechowski, a nota “é muito ruim para o processo democrático porque vem em um tom ameaçador”. “Primeiro vem a ameaça e depois a proposta de diálogo”, criticou.

A concentração para a manifestação começa às 13h desta sexta, na praça Pinheiro Machado, esquina com a avenida Farrapos. Os manifestantes seguirão até a Secretaria de Segurança Pública, onde será realizado um ato de protesto contra a “criminalização dos movimentos sociais”. Depois a marcha passará pela prefeitura da capital, Palácio da Justiça, Ministério Público Estadual e terminará com um ato em frente ao Palácio Piratini. Na agenda da Marcha dos Sem deste ano, destacam-se, entre outros pontos, a corrupção no Estado do Rio Grande do Sul, a violação de direitos e a criminalização dos movimentos sociais.

Quem é o coronel Mendes
Como subcomandante da Brigada Militar, o coronel Mendes notabilizou-se por comandar a repressão a protestos de professores e agricultores sem-terra no Estado. Nos últimos meses, quando houve alguma manifestação de protesto ou ação de movimentos sociais, a governadora Yeda Crusius (PSDB) acionou Mendes para a repressão imediata. Neste período, o coronel comandou ações de repressão violenta da Brigada em uma manifestação de professores no Centro Administrativo do Estado, na ocupação da fazenda da Stora Enso, em Rosário do Sul, na destruição de um acampamento de sem-terra em São Gabriel, entre outras ações. Defensor da pena de morte, o coronel Mendes é autor da frase: “Não tem jeito, tem que ir pro paredão”.

Em 2007, Mendes defendeu que a população deveria reagir a assaltos, contrariando a orientação da polícia para situações deste tipo. No mesmo ano, durante um debate televisivo, abordou-se o caso de um pedreiro morto pela polícia em Gravataí, município da Região Metropolitana. Segundo a família, ele foi confundido com um assaltante e acabou morrendo em razão de surra que levou após ser preso. O comentário do coronel: “Às vezes, se preocupam com uma eventual pessoa que a polícia tenha matado”.

Ao nomeá-lo para o comando da Brigada, Yeda Crusius determinou ao coronel Paulo Mendes que reprimisse duramente manifestações de protesto contra a corrupção no governo estadual. E o coronel começou a colocar a orientação em prática na manhã do dia 11 de junho. Dezessete pessoas ficaram feridas e outras dezessete foram presas na ação da tropa de choque da Brigada Militar contra manifestantes que se dirigiam ao Palácio Piratini para protestar contra a corrupção no governo Yeda.

A ação violenta da Brigada Militar começou pela manhã quando integrantes de movimentos sociais, estudantes e sindicalistas iniciaram uma caminhada em direção ao Palácio Piratini. No trajeto, os manifestantes pretendiam fazer um protesto pacífico contra a alta dos alimentos no supermercado Nacional, do grupo Wal-Mart. A manifestação foi duramente reprimida com balas de borracha, bombas, gas lacrimogêneo e spray pimenta. O coronel Mendes classificou o incidente como uma “baderna provocada por gente desocupada”.

Mendes vem usando os homens da PM2 (a “polícia secreta” da Brigada) para acompanhar os movimentos sociais e até mesmo fazer investigações ilegais. Cabe lembrar que o trabalho de investigação é de atribuição da Polícia Civil. Há policiais civis insatisfeitos com o procedimento da “polícia secreta” da Brigada que está realizando investigações à revelia da lei e às vezes até mesmo atrapalhando investigações da Polícia Civil, resultando, inclusive, em prisões ilegais. Os homens da PM2 estão acompanhando as manifestações e outras atividades dos movimentos sociais. O coronel Mendes conta com esse serviço de inteligência para antecipar movimentos e facilitar a repressão.

Genealogia da repressão
Confira algumas das últimas ações do comandante da Brigada Militar do RS:

8 de maio de 2008 – O governo Yeda Crusius deslocou um exército de 700 policiais militares para São Gabriel, com cavalos, cães, ônibus e até um helicóptero. O objetivo da heróica e estratégica missão: revistar um acampamento de 800 famílias de sem-terra, localizado na fazenda São Paulo II, área desapropriada em abril deste ano pelo Incra. o comando, coronel Mendes. Como não encontraram o objeto de sua busca, “materiais supostamente furtados da fazenda Southal”, a Brigada isolou os agricultores, proibindo a entrada de pessoas num raio de 4 km da área.

Os policiais rasgaram barraco a barraco de cada agricultor, colocaram pás de terra nas panelas com a comida cozida, inutilizando dezenas de quilos de arroz e de feijão. O restante da alimentação foi “confiscado” pela BM.

3 de junho de 2008 – A Brigada Militar, comandada pelo coronel Paulo Mendes, destruiu o novo acampamento organizado pelo MST às margens da RS-040, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A área havia sido cedida às famílias sem-terra. Sem mandado judicial, um efetivo de mais de cem policiais militares e batalhão de choque destruíram os barracos que estavam sendo construídos pelas famílias. Os sem-terra foram divididos em grupos de homens e mulheres, identificados e revistados pela polícia. O acampamento estava recém sendo construído por famílias que trabalham temporariamente nas lavouras de arroz na região de Viamão.

10 de junho de 2008 – Cinco agricultores e agricultoras foram agredidas pela Brigada Militar e sofreram queimaduras com bombas de gás lacrimogêneo, durante uma manifestação na área da empresa Bunge, em Passo Fundo. A violência aconteceu no momento que os agricultores e agricultoras iniciavam a distribuição de alimentos produzidos pela agricultura familiar à população.

11 de junho de 2008 – A governadora Yeda Crusius determinou ao recém nomeado comandante da Brigada que reprimisse duramente manifestações contra o governo. E o coronel Mendes começou a colocar a orientação em prática no mesmo dia. Dezessete pessoas ficaram feridas e outras 17 foram presas na ação da tropa de choque da Brigada Militar contra manifestantes que se dirigiam ao Palácio Piratini para protestar contra a corrupção no governo Yeda. Os policiais lançaram bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha contra o grupo. No final da manhã, a Brigada cercou os manifestantes dentro do Parque da Harmonia, na área central de Porto Alegre, e proibiu que eles prosseguissem para protestar no Piratini contra a corrupção no governo do Estado.

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