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Para pesquisadora da Unicamp, mulheres serão as mais prejudicadas o Projeto de Lei da terceirização

A pesquisadora da Unicamp, Juliane Furno, em artigo ao site Brasil Debate, argumenta que as mulheres serão as mais prejudicadas como o Projeto de Lei 4330, que permite a terceirização total do trabalho e que foi aprovada na (Continue…)

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O MACHISMO NOSSO DE CADA DIA

El machismo mata

El machismo mata

Ensaio sobre o machismo

Por Luiz Guilherme Boneto

Imaginemos uma situação. Numa festa à noite, um grupo de jovens rapazes caminha entre garotas da mesma idade, dentre as quais, uma está disposta a fazer sexo com um deles. Os rapazes, em grupo, incitam-no. Ele, porém, saiu unicamente para se divertir, e naquela noite em especial, excluíra o ato sexual do seu conceito de diversão. O garoto queria dançar, beber alguma coisa, jogar conversa fora. Vê-se, porém, numa encruzilhada: o que os outros rapazes diriam caso ele se negasse a fazer sexo com a moça?

Não é preciso ter mestrado em antropologia para saber: viriam olhares, risos e gracejos, talvez enquanto durasse a “amizade” daqueles caras. O garoto, automaticamente, seria rotulado como alguém que “nega fogo”, e muito provavelmente, taxado de homossexual, ainda que em tom de brincadeira, mesmo que seus “amigos” soubessem claramente que sua orientação sexual não era inclinada a práticas com pessoas do mesmo sexo. Um momento sem vontade de transar é mais do que suficiente para etiquetar a vida inteira de um homem.

Com esse breve exercício de imaginação, quero apenas lembrar o quanto o machismo está presente na sociedade brasileira, do sertão mais afastado às grandes cidades do país. E também é minha intenção recordar o quanto as atitudes machistas prejudicam não só as mulheres, mas também os homens em larga escala.

O machismo não é uma maneira masculina de pensar. Ele é, pois sim, uma forma de ver o mundo fixada na sociedade patriarcal que dá as cartas no Brasil. Imagina-se que os machistas seriam homens heterossexuais, que veem mulheres e homossexuais como cidadãos de segunda categoria, e que poriam a si próprios num plano social superior. Engana-se, porém, quem resume o machismo a isso – Não faltam mulheres a endossar o movimento, e gays também.

O machismo passa pela ideia do homem como macho-alfa, que sustenta a família, não tira sequer o prato da mesa quando termina uma refeição, e que cria os filhos [homens] à sua imagem e semelhança. Ele tem todos esses direitos adquiridos do nascimento, pelo simples fato de ser homem. Já a mulher, segundo a concepção machista, é relegada às tarefas domésticas. Pode até trabalhar fora, porém deve manter a casa sempre em ordem, estar linda, arrumada, perfumada, vestir-se bem, ser amorosa com o marido e os filhos, não erguer o tom de voz, maquiar-se, e encarar toda essa situação com a graça feminina. Não deve jamais engordar nem permitir que seus cabelos embranqueçam. Ainda assim, as mulheres são vistas como más-motoristas, frívolas e fúteis. Tem-se a ideia clara de que a mulher desenvolve desde cedo o desejo de ser mãe e de casar: como pode uma mulher não querer isso?

Além de tudo isso, a mulher não pode manifestar desejo sexual: tal ato é, numa mulher, imoral e indigno. Ela deve estar sempre recatada e usar roupas que cubram o corpo todo – mesmo para evitar estupros, como parte das nossas autoridades faz questão de frisar. E nunca, absolutamente nunca transar no primeiro encontro. Se possível, reservar-se para o casamento, para a noite de núpcias, segundo determina a moral cristã. Já para o homem reservou-se a figura do garanhão, conquistador, aquele que deve estar sempre disposto a transar, a “comer”, a satisfazer. A ele cabe separar a “mulher para casar” da “vagabunda”. O homem também nunca deve demonstrar qualquer trejeito de homossexualidade. Não pode jamais usar roupas em tons de rosa, não deve vestir esta ou aquela calça, aqueles sapatos, ou aquele boné. Não deve falar mais alto que o costume, nem dar um tom agudo à voz num momento de nervosismo. Tudo isso é “coisa de viado”. E ai de quem mover-se contra esse horror. Alguém acredita que o machismo favorece os homens?

Mas eis que há esperança. Não faltam ativistas para lutar contra esse tipo de pensamento retrógrado e medieval, que lamentavelmente impera na maioria das pessoas. Com frequência, as maiores cidades do país veem marchas que reforçam não apenas a luta das minorias por direitos, mas também a democracia em si, cujos princípios abarcam a liberdade de pensamento e expressão.

São Paulo, por exemplo, tem a maior parada do orgulho gay do mundo – embora haja controvérsias quanto ao número de participantes, o desfile toma conta da gigantesca Avenida Paulista e de outras vias próximas a ela. Na mesma Paulista, assim como em outras dezenas de cidades, homens e mulheres reúnem-se na Marcha das Vadias, que vai à luta exatamente contra o machismo. As vadias, que caminham sem roupas, pintadas, berrando e munidas de cartazes nos quais estão inscritas boas verdades, não vão à luta para impedir as mulheres de se dedicar à casa, de optar por um casamento, por uma família grande, muitos filhos, por uma vida adaptada às regras convencionais. Não se trata disso. O que essas pessoas pedem, e expõem-se sem medo de represálias, é que a sociedade tome consciência de que as mulheres podem vislumbrar outros horizontes em seu futuro além do convencional.

O que a sociedade precisa, com urgência, é de algum governante ou líder que abra seus olhos. O machismo passa diretamente pela ignorância: as pessoas acreditam, de fato, que as coisas sempre foram assim e não precisam nem devem mudar. Com um mínimo de informação, milhares de pessoas verão que a igualdade de gêneros favorece a todos, e que abrir os horizontes para novas possibilidades não faz mal algum, muito ao contrário. Quando as pessoas começarem a ver que a orientação sexual não é uma escolha, que a mulher não é uma escrava e que o homem não é uma máquina reprodutora, talvez a sociedade melhore minimamente. Basta alguém que tenha a vontade e um projeto, uma campanha competente para tirar as pessoas da ignorância. Há esse alguém?

Creio, acima de tudo, que as pessoas informadas e atuantes na causa contra o machismo devem agir no dia-a-dia. Devemos ingressar no trabalhoso processo de analisar cada uma de nossas atitudes, porque o machismo é um pensamento fixado em cada um de nós, e o combate a ele é realmente diário. Onde nós estamos sendo machistas? Até onde o pensamento sexista e homofóbico nos penetra, em quais pontos das nossas conversas diárias nós permitimos que ele apareça? Mesmo piadas, sempre sob a justificativa do bom humor, precisam ser muito bem dosadas, porque para mentes menos estruturadas, elas reforçam estereótipos terríveis. Como alguns humoristas foram lembrados nos últimos dias pelas redes sociais, nos interessa rir do opressor, e não do oprimido.

Para finalizar esta breve exposição, quero lembrar algo. Às vezes, enquanto caminho pelas ruas, reflito sobre a beleza das pessoas, mas não a beleza que a convenção impõe. Vejo homens e mulheres de todos os tipos – brancos negros, com brincos, tatuagens, piercings, gordos, magros. De certo modo, a diferença entre as pessoas me emociona. Cada uma delas tem objetivos, pensamentos, problemas, cada uma ri de algo diferente e chora por algo diferente. E todas caminham por ali, atarefadas, uma ao lado da outra, às vezes se esbarrando, às vezes se olhando. E por mais atarefado que eu mesmo esteja, nunca deixo de notá-las e pensar que, apesar de todos os defeitos do Brasil, temos a sorte de viver num país no qual a liberdade é princípio da Constituição. O que nos resta é tentar mudar a cara da nossa sociedade, lamentavelmente machista. Creio, porém, que caminhamos nesse sentido, ainda que a passos lentos.

O MISTICISMO DE HILDEGARD VON BINGEN

Iluminura: as visões de Hildegard

Iluminura: as visões de Hildegard

Por Maura Voltarelli

A Idade Média, período que teve início por volta do século V e se estendeu até meados do século XV, não foi, como já se sabe, apenas um período de trevas e obscuridade para o conhecimento humano. Pelo contrário, a Idade Média foi um período decisivo para o conhecimento humano, de amadurecimento da vasta cultura grega que o precedeu e de preparação de um dos maiores movimentos artísticos da história do homem: o renascimento.

Impregnada por um extenso controle religioso da vida, dos hábitos, da moral, a Idade Média guarda histórias incríveis que não cessam de ser descobertas. Não se sabe muita coisa sobre elas e isso aumenta ainda mais o mistério das histórias medievais. Mistério que é também potencializado pelo misticismo do período, pelo cenário das catedrais silenciosas, dos cantos religiosos, dos cultos pagãos que resistiam. Para a mística, a Idade Média é um lugar farto, pois nenhum período esteve tão próximos dos gregos e, ao mesmo tempo, tão distante deles.

O interdito, o proibido, a ideia do pecado e, não obstante, o desejo de liberdade, de conhecimento que continuava a sussurrar nas fendas das catedrais, fez com que histórias como a de Abelardo e Heloísa, por exemplo, fascinassem gerações.

Assim como a imagem de Heloísa, filósofa e escritora, mulher com vocação para a liberdade que foi vítima das inúmeras repressões do período, uma outra mulher, da qual se sabe menos ainda, fascina pelo talento da inteligência, da perspicácia, da vontade de independência da mulher em uma época onde as correntes eram tão apertadas.

Hildegard von Bingen teria nascido em 1098 e foi uma escritora, compositora, abadessa beneditina, visionária e profundamente ligada às vertentes místicas do cristianismo. Conhecida por suas visões, algumas resultantes de fortes dores de cabeça, Hildegard teria escrito além de textos de botânica e medicina, cartas, sons litúrgicos e poemas que eram transformados em belíssimas iluminuras, produção artística de grande importância no contexto da arte medieval. Muitas iluminuras mostram Hildegard recebendo alguma visão e ditando-a a um escriba.

Sua atividade junto às outras mulheres da época também foi bastante expressiva, tendo ela, inclusive, fundado um monastério do qual só as mulheres faziam parte. A vida monástica de Hildegard é cheia de sombras, zonas misteriosas e indeterminadas, como muito do que se conta sobre o período medieval. Mas, justamente por isso, é tão fascinante, fascínio que só aumenta diante do fato de poucos conhecerem a sua história ou sequer já terem ouvido falar dela.

Nestes vídeos segue um pouco da música mística de Hildegard:

Há também um filme, dirigido pela Margarethe Von Trotta, sobre Hildegard. Segue o trailler:

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MULHER NO LIXO: ESTATUTO DO NASCITURO É A PROTEÇÃO DO ESTADO PARA O ESTUPRO E PARA OS PASTORES ESTUPRADORES

Por Clara Averbuck

É preciso barrar partidos religiosos no Brasil

É preciso barrar partidos religiosos no Brasil

Hoje (5/06/13) o Estatuto do Nascituro foi aprovado na Comissão de Finanças.

Ainda falta ser aprovado na Comissão de Justiça a no Plenário. Mas não duvido nada que seja. Nunca ouviu falar do Estatuto do Nascituro? Basicamente é o seguinte: um ÓVULO FECUNDADO vai ter mais direitos do que eu, do que a sua mãe, do que a sua irmã e do que a minha filha e todas as outras mulheres do Brasil. Se, digamos, minha filha de nove anos fosse estuprada e engravidasse, não teria direito a fazer um aborto; teria de manter o filho do agressor. Se caso não tivesse recursos para sustentar a criança (!!!), o Estado se responsabilizaria com a apelidada BOLSA ESTUPRO até os 18 anos do filho – isso caso o estuprador não fosse identificado e RESPONSABILIZADO. Aborto de anencéfalo? Esquece. Risco de vida pra mãe? Foda-se a mãe. Trauma? Foda-se a mãe. 

O aborto ilegal já causa 22% das mortes maternas. Com essa monstruosidade aprovada, é provável que esse número dobre, triplique. Criminalizar o aborto não é solução. Já falei sobre isso aqui

Mas isso é muito, muito pior. Até o “aborto culposo” querem inventar. Sabe homicídio culposo, onde a pessoa não tem a intenção de matar? Então. Vai ser a mesma coisa se a mulher abortar acidentalmente. Ela será investigada. Imagina só perder um filho e ainda ser suspeita disso? 

Se a mãe correr risco de vida e precisar de um tratamento que coloque em perigo a vida do feto, ela será proibida de se tratar. Afinal, a vida de um amontoado de células que ainda não nasceu, não tem personalidade, não tem consciência, é evidentemente mais importante do que a de uma mulher formada. 

 

Vejamos alguns dos artigos dessa aberração: 

 

Art.1º Esta lei dispõe sobre a proteção integral ao nascituro.

O embrião, você quer dizer. O amontoado de células.

 

Art. 2º Nascituro é o ser humano concebido, mas ainda não nascido.

Pff.

 

Parágrafo único. O conceito de nascituro inclui os seres humanos concebidos “in vitro”, os produzidos através de clonagem ou por outro meio científica e eticamente aceito.

 Quer dizer, ATÉ UM CLONE é mais importante do que a vida da mãe.

 

Art. 4º É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar ao nascituro, com absoluta prioridade, a expectativa do direito à vida, à saúde, à alimentação, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar, além de colocá-lo a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

SENHORES, NÃO SEI SE VOCÊ SABEM, MAS ELE AINDA NÃO NASCEU.

 

Art. 9º É vedado ao Estado e aos particulares discriminar o nascituro, privando-o da expectativa de algum direito, em razão do sexo, da idade, da etnia, da origem, da deficiência física ou mental ou da probalidade de sobrevida.

E a mãe que se foda.

 

Art. 10º O nascituro deficiente terá à sua disposição todos os meios terapêuticos e profiláticos existentes para prevenir, reparar ou minimizar sua deficiências, haja ou não expectativa de sobrevida extra-uterina.

E a mãe que se foda, depois de ter passado uma gestação inteira sabendo que o filho não sobreviveria. 

 

Art. 13 O nascituro concebido em um ato de violência sexual não sofrerá qualquer discriminação ou restrição de direitos, assegurandolhe, ainda, os seguintes:

I – direito prioritário à assistência pré-natal, com acompanhamento psicológico da gestante;

II – direito a pensão alimentícia equivalente a 1 (um) salário mínimo, até que complete dezoito anos;

III – direito prioritário à adoção, caso a mãe não queira assumir a criança após o nascimento.

Parágrafo único. Se for identificado o genitor, será ele o responsável pela pensão alimentícia a que se refere o inciso II deste artigo; se não for identificado, ou se for insolvente, a obrigação recairá sobre o Estado.

 Quer dizer: se uma menina for estuprada pelo próprio pai e engravidar, ela vai ter que carregar o filho/irmão, parir, criar e ainda ter que lidar com o pai de ambos, ou colocar o filho para adoção, como se os orfanatos fossem lugares bacanérrimos, como se o processo de adoção fosse algo fácil, como se isso tudo tivesse alguma conexão com a realidade. Se uma mulher for estuprada por desconhecido, até parece que vão caçar o cara para que ele dê pensão. Não sei o que é pior, o Estado oferecer a pensão ou sugerirem que o ESTUPRADOR pague pensão. Ele deveria estar preso, não deveria? Se encontrado, o estuprador não seria preso, mas obrigado a sustentar um filho? Vão querer visita obrigatória também? É completamente fora da realidade. Completamente. É de uma falta de empatia que eu nunca vi nessa vida. Obrigar uma mulher a carregar o fruto de uma violência é acabar com a vida dela. Ou seja, mais uma vez: FODA-SE A MÃE.

É basicamente isso que diz o Estatuto do Nascituro: foda-se a mãe, foda-se a mulher que sofreu violência, foda-se a vida delas. O que importa é a vida que foi gerada. 

E isso é baseado em que, mesmo?

Crenças. Crenças de que DEUS mandou essa vida. Gente, olha só, eu sou atéia, eu não tenho DEUS ALGUM. Se você tem um deus e ele não quer que você aborte, apenas NÃO ABORTE. Mas tire as suas idéias, as suas crenças e essa violência toda do corpo das outras mulheres. Das mulheres. De todas as mulheres. 

O Estado não pode mandar em nossos corpos. 

Aqui tem um post da Lola a respeito.

Aqui tem um do queridíssimo Pedro Munhoz.

E aqui tem essa MONSTRUOSIDADE na íntegra.

 

Não podemos aceitar. Não podemos nos calar. Não podemos deixar que os fundamentalistas religiosos tomem assim esse país.

O

ESTADO

DEVE

SER

LAICO.

Se não lutarmos por isso, se não fizermos barulho, retrocederemos mais e mais e mais até, sei lá, não podermos usar energia elétrica ou remédios. 

Conto com vocês pra fazer um escarcéu. 

Veja mais:

O MASSACRE BRASILEIRO CONTRA AS MULHERES: 40 MIL HOMICÍDIOS EM DEZ ANOS

Violência contra a mulher: mais de 40.000 homicídios femininos em uma década

Luiz Flávio Gomes/Carta Maior

marchadasvadias

Mulheres sem representação: estupros e homicídios epidêmicos

Apesar dos avanços dos últimos anos, no que tange à violência contra a mulher, levantamento feito Instituto Avante Brasil apontou que 40.000 mil mulheres foram vítimas de homicídios no Brasil, entre 2001 e 2010. Só no ano de 2010, 4,5 entre 100.000 mulheres perderam suas vidas no país.

Consoante o Instituto Avante Brasil, em 2010, uma mulher foi vítima de homicídio a cada 1 hora, 57 minutos e 43 segundos. Em 2001, a média era de 2 horas, 15 minutos e 29 segundos. O crescimento de mortes anual, entre 2001 e 2010, foi de 1,85% ao ano.

A mesma projeção aponta que em 2013 deverão ocorrer 4.717 homicídios entre as mulheres brasileiras.

Segundo a Organização das Nações Unidas, cerca de 70% das mulheres sofrerão algum tipo de violência no decorrer de sua vida. E, de acordo com o Banco Mundial, as mulheres de 15 a 44 anos correm mais risco de sofrer estupro e violência doméstica do que de câncer, acidentes de carro, guerra e malária.

Na América do Sul, o Brasil só perde em homicídios de mulheres para a Colômbia, que registrou, em 2007, uma taxa de 6,2 mortes para cada 100.000 mulheres. Atrás do Brasil vem a Venezuela, com 3,6 mortes para cada 100.000 mulheres em 2007, Paraguai que registrou em 2008 1,3 mortes para cada 100.000 mulheres e o Chile com 1 homicídio feminino para cada 100.000 mulheres em 2007.

Pesquisa da Organização Mundial da Saúde que traz informações de 2006 a 2010 mostra que, se comparado com alguns países com dados homogêneos, a diferença é ainda maior: o Brasil ganha da Rússia, que registrou, em 2009, 7,1 homicídios femininos, mas atrás de países como Estados Unidos, Japão, França e Reino Unido.

A Organização Mundial da Saúde sugere que existam alguns fatores de risco que podem ser associados a um indivíduo que pratica um crime contra a integridade física de uma mulher:

– níveis mais baixos de educação (perpetração da violência sexual e da experiência de violência sexual);
– exposição a maus-tratos (perpetração e experiência);
– testemunho de violência familiar (perpetração e experiência);
– transtorno de personalidade antissocial (perpetração);
– uso nocivo do álcool (perpetração e experiência);
– ter múltiplos parceiros ou suspeita por seus parceiros de infidelidade (perpetração), e atitudes que estão aceitando de desigualdade violência e gênero (perpetração e experiência).

Apesar de todas as campanhas e recomendações das Organizações Mundiais contra a violência feminina, o que se vê (no Brasil) são números que crescem e preocupam a cada dia mais.

O número de estupros no estado de São Paulo, por exemplo, ganhou proporções descomunais. O número de vítimas não para de crescer. Segundo dados da Secretaria de Segurança de São Paulo, o crime de estupro foi o delito que mais aumentou nos últimos anos no nosso Estado. De 2005 a 2012 houve um crescimento médio anual de 19,7%, o que significa uma alarmante evolução de 230%.

Não basta apenas apresentarmos soluções ou agravarmos esse tipo de crime, mais que isso, faz-se necessário que os cidadãos sejam educados à valorização da vida e do ser humano de um modo geral.

Especialmente no que tange às mulheres, que por fazerem parte durante décadas de uma sociedade patriarcal, encontram dificuldades no momento em que percebem estar sendo vítima do abuso ou da violência, de denunciar seus opressores, muitas vezes parceiros e membros da família

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CUBA É O MELHOR PAÍS DA AMÉRICA LATINA PARA SER MÃE E 33º DO MUNDO, ARGENTINA FICOU EM 36º E BRASIL FICOU EM 78º

Cuba é o melhor país da América Latina para ser mãe, diz estudo

No topo da lista, elaborada entre 176 países, está a Finlândia, enquanto a República Democrática do Congo está em último

michael vincent millerCuba é o melhor país da América Latina para a maternidade e o 33º do mundo, segundo um índice da organização britânica Save the Children. No topo está a Finlândia e a República Democrática do Congo em último. Os Estados Unidos estão em 30º lugar e o Brasil em 78º.

A ONG, cuja sede fica em Londres, leva em conta fatores como bem-estar, saúde, educação e situação econômica das mães, assim como a taxa de mortalidade infantil e materna, para definir a tabela.

Levando em conta somente a América Latina e Caribe, Cuba está à frente da Argentina (36), Costa Rica (41), México (49) e Chile (51). O Haiti está no 164º lugar. Também em postos relativamente baixos estão Honduras (111), Paraguai (114) e Guatemala (128). A Venezuela está em 66º.

“Apesar de a América Latina ter conseguido enormes avanços, podemos fazer mais para salvar e melhorar a vida de milhões de mães e bebês recém-nascidos que se encontram na maior situação de pobreza”, afirmou o diretor da Save the Children para a América Latina, Beat Rohr. Ele disse que os maiores avanços foram registrados no Brasil, Peru, México e Nicarágua.

O Índice de Risco do Dia do Parto, elaborado pela primeira vez, revela que 18 % de todas as mortes de crianças menores de 5 anos na América Latina ocorrem durante o dia de nascimento. As principais causas são nascimentos prematuros, infecções graves e complicações durante o parto.

Contudo, a mortalidade neonatal na região diminuiu 58 % nas últimas duas décadas, apesar de ainda existir uma grande diferença na atenção dada às pessoas ricas e às com menos recursos, ressalta o estudo. A Save the Children estima que, a nível mundial, mais de um milhão de recém-nascidos poderiam ser salvos todos os anos caso o acesso à saúde fosse universal.

“Quando as mulheres têm educação, representação política e uma atenção materna e infantil de qualidade, elas e seus bebês têm muito mais probabilidades de sibreviver e prosperar, assim como a sociedade na qual vivem”, sublinhou Rohr.

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VIOLÊNCIA ENDÊMICA: CENTRAL DE ATENDIMENTO À MULHER, O LIGUE 180, RECEBEU 2,7 MILHÕES DE CHAMADAS E 329 MIL DENÚNCIAS

Em seis anos, Disque 180 recebe mais de 329 mil denúncias de violência contra a mulher

Carolina Sarres
Repórter da Agência Brasil

66% dos filhos presenciam a violência contra a mulher

Brasília – No dia em que a Lei Maria da Penha completa seis anos de existência, o Disque 180 registrou 2,7 milhões de atendimentos de 2006 a 2012. Desse total, 329,5 mil (14%) eram relatos de violência contra a mulher enquadrados na lei. A maioria (60%) foi pedidos de informação. Os dados são da Secretaria de Políticas para as Mulheres, responsável pelo disque-denúncia, divulgados hoje (9) na abertura do Encontro Nacional sobre o Papel das Delegacias no Enfrentamento da Violência contra as Mulheres.

No primeiro semestre de 2012, foram registrados 388,9 mil atendimentos, dos quais 56,6% (47,5 mil) foram relatos de violência física. A violência psicológica aparece em 27,2% (12,9 mil) dos registros no período. Foram 5,7 mil chamadas relacionadas à violência moral (12%), 915 sexual (2%) e 750 patrimonial (1%). Os dados revelam ainda que em 66% dos casos os filhos presenciam as agressões contra as mães.

Os companheiros e cônjuges continuam sendo os principais agressores (70% das denúncias neste ano). Se forem considerados outros tipos de relacionamento afetivo (ex-marido, ex-namorado e ex-companheiro), o percentual sobe para 89%. Os parentes, vizinhos, amigos e desconhecidos aparecem como agressores em 11%.

Das unidades federativas, o Distrito Federal registrou o maior número de denúncias de violência contra a mulher no primeiro semestre do ano – 625 para cada 100 mil mulheres – seguido pelo Pará (515) e pela Bahia (512). Os que menos receberam ligações, no mesmo período, foram Amazonas (93), Santa Catarina (156) e Rondônia (173). Em 2011, os estados que lideravam o ranking eram Bahia, Sergipe e Pará.

A secretária da Mulher do Distrito Federal (DF), Olgamir Amância Ferreira, justificou a grande quantidade de denúncias por elas procurando mais o serviço de atendimento. No DF, são recebidas 15 denúncias por dia. “Elas têm acesso à informação e sabem da existência de suporte como casa abrigo, centro de referência e núcleo de atendimento, o que faz com que se sintam mais fortalecidas e empoderadas e denunciem”, disse.

O governo distrital inaugurou hoje um Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram) na 102 Sul, próximo à estação do metrô. A localização foi escolhida pela grande circulação de pessoas e para facilitar o acesso das mulheres à rede de proteção.

Participam do evento as ministras Maria do Rosário (Direitos Humanos), Luiza Bairros (Políticas de Pormoção da Igualdade Racial), Eleonora Menicucci (Políticas para as Mulheres) e o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República), além de juízas, promotores e delegados.

Edição: Carolina Pimentel

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AO CONTRÁRIO DO QUE DIZ O POETA, O CIÚME NÃO É O PERFUME DO AMOR E PODE SER SUA DESGRAÇA, PRINCIPALMENTE PARA A MULHER

CIUME, INFELICIDADE E CRIME

por Luiza Nagib Eluf

Alegoria do Ciúmes, de Luca Ferrari, 1640

Supervalorizar a fidelidade é um erro. Os amores livres, sem mentiras, narrados por Stieg Larsson nos mostram: nossa natureza não é a exclusividade

O ciúme nasce com o ser humano. Irmãos lutam pela atenção dos pais, crianças têm apego possessivo pelos brinquedos. No entanto, além das tendências inatas, padrões culturais centenários insuflam o sentimento de posse, de domínio do outro nas relações afetivas e sexuais.

Ao contrário do que disse Vinícius de Moraes, o ciúme não é o perfume do amor -e pode ser sua desgraça. Impossível estabelecer uma relação gratificante quando as perseguições e as cobranças são a tônica da vida a dois.

A exclusividade entre parceiros não deveria merecer tanta prioridade. A supervalorização da fidelidade é um erro, é a maior causa de infelicidade conjugal. Não que se deva ignorar a importância de um parceiro fiel e dedicado, mas a obsessão pela exclusividade pode tornar a vida um inferno e levar à violência doméstica. Crime passional nada mais é do que homicídio por ciúme.

O que caracteriza a passionalidade é o motivo do crime. O Código Penal qualifica o homicídio, aumentando a pena, quando ele é praticado por motivo torpe. O ódio gerado pelo ciúme e a sede de vingança que atormentam a pessoa que foi trocada por outra configuram a torpeza.

O móvel do crime é uma combinação de egoísmo, de amor próprio ferido, de instinto sexual e, acima de tudo, de uma compreensão deformada da Justiça, pois o homicida acha que está no seu “direito”.

A pena prevista é de 12 a 30 anos de reclusão. Quanto mais estreita a mentalidade do agente, maior sua insegurança, sua necessidade de dominar e de se autoafirmar às custas da companheira ou companheiro.

O homicídio entre casais é uma aberração que durante séculos foi avalizada pela sociedade, principalmente quando o autor era homem e a vítima, apontada como traidora, era mulher. Foi assim que morreram Ângela Diniz, Eliane de Grammont, Sandra Gomide e muitas outras.

O caso Matsunaga é uma exceção à regra do crime passional. Na esmagadora maioria das vezes, quem mata é o homem; a mulher é vítima do marido e da sociedade patriarcal.

A tragédia transcende o casal. No geral, há filhos que ficam órfãos, pais e mães que definham no desespero de perdas irreparáveis, futuras gerações que são obrigadas a suportar o estigma do assassinato em família.

Está na hora de corrigir padrões de comportamento que contrariam a natureza humana e por isso não são respeitados.

A natureza não ditou a fidelidade eterna. A exclusividade entre parceiros existe, mas em geral é apenas temporária.

Além disso, o ciúme é um mal a ser extirpado, não a ser incentivado, como se costuma fazer. Não se pode cultivar sentimento de posse e propriedade sobre um ser humano.

Leon Rabinowicz, em 1933, já mostrava perplexidade com o crime passional: “Curioso sentimento o que nos leva a destruir o objeto de nossa paixão! Mas não devemos nos extasiar perante o fato. É preferível deplorá-lo”. O instinto de destruição é exatamente o instinto de posse exacerbado. A propriedade completa compreende também o poder de matar.

O ciúme incomoda, fere, humilha quem o sente. Diz Roland Barthes: “Como ciumento, sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo por isso, porque temo que meu ciúme magoe o outro e porque me deixo dominar por uma banalidade. Sofro por ser excluído, agressivo, louco e comum”.

O sueco Stieg Larsson, autor da trilogia Millennium, criou em sua obra personagens envolvidos em tramas intrincadas e fascinantes. Extremamente moderno e arrojado, ele construiu relações amorosas baseadas na liberdade individual, mostrando as variadas possibilidades de ser feliz no amor sem as amarras da exclusividade e da mentira.

Se conseguirmos lidar melhor com nosso egoísmo, o fim do amor será sempre resolvido nas varas da família, não no Tribunal do Júri.

Artigo publicado na Folha de S.Paulo em 16/07/12 e no facebook de  Luiza nagib Eluf, 57, é procuradora de Justiça do Ministério Público de São Paulo. É autora, entre outros livros, de “A Paixão no Banco dos Réus” (Saraiva), sobre crimes passionais

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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA MULHER ATINGE NÍVEL ALARMANTE, AFIRMA RELATORA DA ONU (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS)

Rashida Manjoo: mulheres são assassinadas em casa e os homens, na rua

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

A relatora especial da ONU sobre violência contra a mulher afirmou nesta segunda-feira que mais mulheres e meninas estão sendo assassinadas por seus parceiros ou familiares. Segundo Rashida Manjoo, a violência de gênero atingiu proporções “alarmantes”.

Manjoo apresentou seu relatório ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. De acordo com ela, enquanto a maioria dos homens é assassinada nas ruas, no caso das mulheres, na maior parte das vezes esse crime ocorre em casa.

Impunidade

A relatora destacou que mortes de mulheres e garotas em “nome da honra da família” estão sendo cometidas com altos níveis de impunidade em várias partes do mundo. Rashida Manjoo afirmou que muitos Estados falham em garantir o direito às mulheres a uma vida sem violência.

A especialista indicou medidas que devem ser tomadas, como investigações, acusações e sanções; tratamento das vítimas com respeito e dignidade; identificação de grupos de mulheres que tem risco particular de sofrer violência por conta das múltiplas formas de discriminação, entre outros.

Rashida Manjoo destacou que a impunidade leva à crença de que a violência cometida por homens contra as mulheres seria aceitável e inevitável.

A relatora especial da ONU também apresentou um balanço das suas recentes visitas à Itália, Jordânia e Somália, onde analisou as diferentes formas de violência de gênero.

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A violência contra a mulher atualmente se configura como nada menos do que um problema crônico no conjunto de relações sociais. Impregnada de uma herança histórica estruturada em torno do “pater familias” ou do “poder do pai”, que deu vazão a todo um modelo de sociedade patriarcal centrada no poder do homem, na sua supremacia, a sociedade atual ainda continua profundamente machista e regada por um preconceito ácido ou, algumas vezes, sutil, que não raro vem das próprias mulheres.

Mesmo com a evolução do movimento feminista ao longo dos anos e épocas, ser mulher ainda continua sendo tarefa de alto risco. Isso porque as conquistas trazidas com a Lei Maria da Penha deveriam evitar que os casos de violência contra a mulher aumentassem, mas eles ainda somam um número expressivo que não pode passar despercebido.

Um levantamento recente, feito com base em dados secundários, obtidos do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) – ambos do Ministério da Saúde, colocou o Brasil na sétima posição em feminicídio, em um ranking de 84 países, e mostrou a permanência deste velho e delicado problema ao revelar que foram assassinadas, entre 1980 e 2010, 91.932 mulheres. Quase a metade dos casos, 43.486 mortes, ocorrendo apenas na última década.

Além disso, o levantamento confirmou uma realidade que atravessa historicamente a questão: a renovação da violência na figura do homem. Este apenas muda a sua função dentro da estrutura familiar. O agressor primeiro é o pai, depois converte-se no marido e, quando a mulher é mais velha, nos próprios filhos.

A impressão é de que se está em um emaranhado sem fim, onde silêncios, medo e sentimentos extremos que não raro passam pelo amor obsessivo ou até pela loucura escorrem por entre os pontos traumáticos da relação homem e mulher.

O desafio é grande para começar a alterar essa realidade, não só pelo seu peso histórico, como também pelo preconceito e falta de garantias que a mulher encontra para “assumir sua liberdade”. O preço de ser mulher e ser realmente livre, o que vai muito além de meras palavras, é alto, e é o Estado que deve responder por ele diminuindo aos poucos o seu custo por meio de sérias e efetivas políticas que começem a transferir o poder da figura do homem para a figura da mulher.

A mulher só terá coragem suficiente para dizer, se ela souber que cairá em terra firme. O que inclui o afastamento efetivo do homem que lhe inflige violência e o amparo material (como a posse da casa, por exemplo, guarda dos filhos, e todas as demais formas de independência financeira a serem garantidas pelo Estado). Enquanto o horizonte da liberdade para a mulher continuar sendo um sinuoso precipício, nada mudará.

Veja trecho da notícia sobre o assunto publicada pela Agência Brasil:

Levantamento revela permanência da violência contra mulher mesmo após a Lei Maria da Penha
Por Gilberto Costa

Brasília – A nova edição do Mapa da Violência mostra um problema antigo: em trinta anos a taxa de homicídios de mulheres no Brasil oscilou em torno de 4,4 vítimas a cada 100 mil mulheres. Foram assassinadas, entre 1980 e 2010, 91.932 mulheres. Quase a metade dos casos, 43.486 mortes, ocorreu na última década.

Segundo o documento, até os 14 anos de idade os pais são os principais responsáveis pela violência. O papel de agressor, porém, vai sendo substituído progressivamente pelo parceiro ou ex-parceiro, a partir dos 20 anos de idade, situação que se mantém até a idade de 60 anos. Depois dos 60 anos os filhos preponderam na geração de violência contra a mulher.

Em vigor, desde 2006, a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340) criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra as mulheres. Segundo o sociólogo Júlio Jacobo, autor do Mapa da Violência, os indicadores de violência estagnaram desde a mudança da legislação. “Não está aumentando, mas ainda estamos ainda na UTI, mesmo sem o agravamento do quadro”, explicou o pesquisador à Agência Brasil.

“A Lei Maria da Penha atua na contramão de um processo histórico de violência, mas nenhuma lei altera a realidade”, avalia Jacobo. Segundo ele, a mobilização da sociedade civil e o funcionamento do Poder Público contribuem também para a eficácia da lei. No segundo semestre, a Secretaria de Política para as Mulheres, ligada à Presidência da República, deverá propor um “pacto nacional” para enfrentamento da violência contra a mulher. (Texto completo)

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A gravidez precoce ainda continua bastante expressiva no mundo, segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados mostram que uma em cada cinco meninas engravida até os 18 anos. Anualmente, 16 milhões de adolescentes, entre 15 e 19 anos, dão a luz um bebê, como mostra notícia da Agência Brasil.

Os fatores que contribuem para a gravidez precoce muitas vezes são culturais, vêm da própria organização de certas sociedades em que a mulher se casa mais cedo e logo torna-se mãe, mas também continuam relacionados à pobreza e à educação.

Mulheres com mais anos de educação engravidam mais tarde porque neste caso outros fatores, como a realização profissional, influenciam na decisão de não engravidar tão cedo. A falta de informação em relação a métodos de prevenção da gravidez ainda continua alta o que revela a necessidade de políticas de informação e acesso a métodos contraceptivos principalmente junto à população mais pobre.

A notícia divulgada pela Agência Brasil também lembra que a gravidez em adolescentes pode gerar problemas de saúde para a mãe e a criança, e que o número de abortos é maior entre as mulheres mais jovens que, muitas vezes, não se sentem preparadas para ser mãe.

Veja trecho:

Uma em cada cinco meninas engravida até os 18 anos no mundo, alerta OMS
Por Carolina Pimentel

Brasília – A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para o grande número de mães adolescentes em todo o mundo, na véspera das comemorações pelo Dia das Mães. Calcula-se que uma em cada cinco meninas fica grávida até os 18 anos. Anualmente, 16 milhões de adolescentes, entre 15 e 19 anos, dão a luz um bebê.

Em muitos locais do mundo, as mulheres são pressionadas a casar-se e ter filhos com pouca idade, o que justifica os altos índices de gravidez na adolescência. Nos países pobres, mais de 30% das jovens casam-se antes de completar 18 anos.

A pouca escolaridade também contribui para a gravidez precoce. “As taxas de gestação entre mulheres com menos estudo é maior em comparação à das mulheres com mais anos de educação”, diz comunicado da OMS.

De acordo com a organização, muitas adolescentes não sabem como evitar uma gravidez ou não têm acesso aos métodos contraceptivos.

Outra preocupação é quanto aos problemas de saúde provocados por uma gestação na adolescência. Complicações na gravidez e no parto são a primeira causa de morte entre meninas de 15 a 19 anos em países pobres.

“Ter bebês durante a adolescência traz sérias consequências para a saúde da garota e da criança, especialmente em locais onde os sistemas de saúde são deficientes. Em alguns países, as adolescentes recebem menos cuidados durante e depois do parto em comparação às adultas”. (Texto completo)

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Um texto interessante de Matheus Pichonelli, publicado na revista Carta Capital, fala de dois filmes com estéticas cinematográficas próprias, completamente distintos à primeira vista mas que, em sua particularidade, se unem por um tema comum: o doce desespero causado pelo primeiro amor e, ao mesmo tempo, o poder de sedução e destruição que têm algumas mulheres capazes de marcar um homem e mudar sua história.

O primeiro filme de que fala Matheus é Sete Dias com Marilyn, de Simon Curtis. Dispensável falar do que Marilyn desempenhou e ainda desempenha no imaginário masculino. Muito bem comparada pelo autor do texto à personagem Remédios Beundía, de Gabriel Garcia Márquez em Cem Anos de Solidão, que provocava um “insuportável estado de íntima calamidade” à sua passagem, Marilyn também possuía esse dom raro, sendo uma espécie de caminho para a destruição, como escreveu o escritor colombiano. Mas Marilyn, diferentemente de Remédios, era consciente “da aura inquietante em que se movimentava” e tal poder afetava não só os homens ao seu redor, mas ela própria.

Um dos personagens do filme é justamente o terceiro assistente de direção, o inglês Colin (Eddie Redmayne), com quem Marilyn vive breves e intensos dias de amor que marcarão para sempre a sua vida. Colin a conhece de perto, sem maquiagem, e a intimidade faz com seu encanto e fascínio aumentem ainda mais. No entanto, a distância entre a mulher que Marilyn gostaria de ser e aquela que ela foi realmente, a grande atriz do cinema americano é revelada pelo filme e Colin termina condenado apenas às suas lembranças, entregue ao doce desespero renovado a cada vez que tivesse que vê-la de novo.

O outro filme é brasileiro, dono de um título único e belo, que chama a atenção logo de cara. Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios, de Beto Brant e Renato Ciasca, é inspirado no romance de mesmo nome de Marçal Aquino, e tem como paisagem o sul do Pará, quente e chuvoso, ao contrário da fria Londres de Marilyn, e a mulher destruidora de agora é a misteriosa Lavínia, interpretada por Camila Pitanga.

Ex-prostituta, esposa de um pastor, Lavínia também protagoniza um caso de amor com Cauby (Gustavo Machado), um fotógrafo que vai à Amazônia “conhecer o seu país mais profundo”. As questões nacionais latentes no sul do Pará, seus conflitos, sua violência, sua fé e suas traições, são marcas externas do filme que ecoam na violência de Lavínia como mulher e na violência do próprio amor.

O grande material dos filmes parece ser o amor, refletido na paisagem brasileira ou arrastando-se desesperado por uma Londres mais “dura”, mas o mesmo amor que, quando provocado por lindos lábios, é sempre uma ferida doce!

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Os direitos das mulheres estão ligados ao avanço no processo de democratização no Oriente Médio

Um dos conceitos mais elementares difundidos pela antropologia é o de que não devemos olhar a cultura de uma outra sociedade a partir da nossa cultura. Devemos nos despir de nossos valores para enxergar o outro nos seus próprios valores. No entanto, tal atitude é difícil de ser cumprida e o hábito de enxergar o outro a partir de nossa própria visão de mundo é mais comum do que se imagina.

É o que acontece por exemplo quando se trata das mulheres árabes. Não há dúvida que o preconceito e o conservadorismo cercam muitos aspectos da vida das mulheres orientais, e que seus direitos são bastante inferiores aos dos homens, no entanto, não se deve tomá-las como as mulheres mais infelizes do mundo, vítimas de homens machistas e opressores.

Muito do que as mulheres ocidentais veem como algo negativo para as orientais, como o uso de véu, por exemplo, para as mulheres árabes não é nem um pouco estranho ou negativo. A dependência em relação ao marido também não é vista pelas orientais como algo menos vantajoso do que a ilusão de independência que a ocidental acredita ter.

Tal discussão é aqui feita por ocasião de um artigo da jornalista egípcia-americana Mona Eltahawy publicado na edição de maio/junho da revista Foreign Policy e que causou alvoroço e críticas entre as mulheres árabes. A jornalista considerou que a situação da mulher no Oriente Médio é fruto de uma “guerra” dos homens contra as mulheres, motivada pelo “ódio” e por uma “tóxica mistura entre religião e cultura”.

A partir daí ela “denuncia” as diversas “opressões” pelas quais passariam as mulheres árabes que, segundo ela, deveriam aproveitar o momento político da primavera árabe para fazer também a sua revolução. Este talvez seja o ponto mais interessante do artigo polêmico de Mona. Mas, poderíamos acrescentar que não só as mulheres árabes deveriam aproveitar o momento para fazer a sua revolução, como também as mulheres ocidentais, pois se estas últimas podem dirigir livremente, convivem, por sua vez, com muitas outras repressões disfarçadas no tecido democrático, mas nem por isso menos violentas.

A luta das mulheres nunca é fácil, ela é acompanhada de avanços e retrocessos, sempre haverá quem defenda o atraso e, muitas vezes, essas vozes do conservadorismo vêm das próprias mulheres.

Veja trecho de notícia sobre o assunto publicada pela Carta Capital:

A Primavera Árabe vai promover os direitos das mulheres?
Por José Antonio Lima

Um artigo publicado pela jornalista egípcia-americana Mona Eltahawy na edição de maio/junho da revista Foreign Policy deixou em polvorosa mulheres no Oriente Médio e também em países ocidentais nesta semana. No texto, intitulado “Por que eles nos odeiam?”, Mona atribui a situação da mulher no Oriente Médio a uma “guerra” dos homens contra as mulheres, motivada pelo “ódio” e por uma “tóxica mistura entre religião e cultura”. Segundo ela, as mulheres precisam realizar sua revolução particular em meio à Primavera Árabe e este processo só estará completo quando os ditadores nas “mentes e nos quartos” da mulher árabe forem também derrubados. Entre ofensas pessoais virulentas à autora e respostas ponderadas, o artigo levantou uma questão importante: o embrião de democracia produzido pela Primavera Árabe fará florescer no Oriente Médio os direitos das mulheres?

Em seu artigo, Mona tenta comprovar a misoginia no mundo árabe com uma série de exemplos de violações cometidas contra as mulheres. Ela cita, por exemplo, a proibição de as mulheres dirigirem na Arábia Saudita. Debate leis de países coniventes com violência doméstica contra as mulheres em “casos especiais”, e lembra que o assédio sexual é uma prática endêmica na região. Mona cita outras violações ainda mais atrozes, como a mutilação genital, proibida, mas ainda muito comum no Egito; os “testes de virgindade”, também realizados no Egito; as permissões de casamentos entre homens adultos e meninas de 10 ou 11 anos no Iêmen e na Arábia Saudita; ou de casamentos entre vítimas de estupros e seus algozes. Todos esses fatos, sem dúvida terríveis, servem para provar como é lastimável a situação de muitas mulheres no Oriente Médio, mas eles não conseguem sustentar os outros argumentos de Mona.

Os erros da autora são as generalizações. A primeira delas é considerar a existência de uma entidade monolítica chamada “mulher árabe”. Os países da região possuem suas próprias peculiaridades e, com as populações, não é diferente. Nos países do Golfo Pérsico há muitas mulheres altamente educadas e com vidas dignas, enquanto milhões de outras em países mais pobres vivem na miséria. Ambas sofrem discriminações, mas de formas e intensidades bem diferentes. Não necessariamente a milionária saudita proibida de dirigir em Riad se preocupa com a egípcia mendigando nas ruas do Cairo. Seus dramas são diferentes. A mutilação genital, por exemplo, é mais frequente no Egito pois é uma prática altamente difundida na África. No Golfo Pérsico, os números desta prática, talvez a mais extrema forma de discriminação de gênero, são muito menores. (Texto completo)

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A maratona sempre foi um esporte exclusivo para homens até que, em 1967, uma mulher decidiu se inscrever na prova, utilizando como identificação as suas iniciais “KV Switzer”. Sua participação entrou para a história quando um dos juízes tentou tirá-la da prova e foi impedido pelos outros corredores que a escoltaram para que Kathrine, assim se chamava, pudesse terminar a corrida, o que conseguiu, com o tempo de 4 horas e 20 minutos.

1967 não está tão longe assim, o que nos faz lembrar de como, até pouco tempo atrás, as mulheres não tinham ocupado o espaço que têm hoje e começavam a lutar pelos seus direitos, uma luta que ainda continua!

Imagem histórica

Aqui pode ser visto um vídeo com um comentário da própria Kathrine sobre o episódio

 

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O problema da violência doméstica não se restringe apenas à mulher. Quando ela acontece no ambiente familiar, geralmente se estende aos demais membros da família que são expostos a comportamentos autoritários quando não são vítimas diretas destes. As práticas de violência doméstica, neste sentido, não se limitam a questões de gênero, elas perpassam o círculo familiar e geram consequências traumáticas principalmente para os mais jovens.

Essa realidade vem sendo sentida na pele na Argentina onde “entre as 131 denúncias de abandono de lar recebidas no Registro Nacional de Informação de Pessoas Menores Extraviadas da Argentina, e analisadas nos últimos dias, 82 se referem a adolescentes mulheres. São 63%. E 100% desse universo de 131 denúncias, composto por homens e mulheres, corresponde a vítimas de violência doméstica: violência exercida sobre seus próprios filhos por pais e mães”, diz notícia publicada pela Carta Maior.

A presença expressiva deste problema social nas estatísticas de abandono de lar, revela o quanto ele é delicado e, ao mesmo tempo, como seus efeitos prejudicam a formação do indivíduo, para além da estrutura familiar. Crianças e jovens expostos à violência tendem a assumir comportamentos também violentos ou, quando isso não ocorre, a ficarem retraídas, inseguras, com dificuldade de aprendizagem e relacionamento.

E elas não precisam ser vítimas diretas da violência para apresentarem tais problemas. Quando o pai agride a mãe, por exemplo, esta torna-se, mesmo sem querer, uma mãe que pode apresentar comportamentos violentos ou exigentes demais com os filhos, além do que, visivelmente desequilibrada, ela não será uma boa referência de saúde, tampouco de felicidade.

Obviamente, o ambiente de violência expulsa os jovens de casa e os leva para situações de mais insegurança e violência. Desenha-se assim um círculo vicioso de uma violência invisível, na maioria das vezes, e que precisa torna-se visível. A violência contra a mulher apesar de ainda acontecer sem ser vista, já ganhou bem mais visibilidade tanto no âmbito da sociedade, quanto do estado. O mesmo deveria acontecer em relação às crianças e jovens, afinal, todos fazem parte da mesma realidade.

Veja trecho do texto sobre o assunto:

Violência doméstica na Argentina: não só as mulheres são vítimas
Entre as 131 denúncias de abandono de lar recebidas no Registro Nacional de Informação de Pessoas Menores Extraviadas da Argentina, 82 se referem a adolescentes mulheres. E 100% desse universo de 131 denúncias corresponde a vítimas de violência doméstica: violência exercida sobre seus próprios filhos por pais e mães. Meninos, meninas e adolescentes são vítimas invisíveis da violência de gênero e devem ser reconhecidos como vítimas visíveis. O artigo é de Cristina Fernández.

Por Cristina Fernández

Entre as 131 denúncias de abandono de lar recebidas no Registro Nacional de Informação de Pessoas Menores Extraviadas da Argentina, e analisadas nos últimos dias, 82 se referem a adolescentes mulheres. São 63%. E 100% desse universo de 131 denúncias, composto por homens e mulheres, corresponde a vítimas de violência doméstica: violência exercida sobre seus próprios filhos por pais e mães.

Meninos, meninas e adolescentes são vítimas invisíveis da violência de gênero e devem ser reconhecidos como vítimas visíveis. A Lei Nacional de Violência contra a Mulher entende a violência de gênero como “toda conduta, ação ou omissão que, de maneira direta ou indireta, tanto no âmbito público como privado, baseada em uma forma desigual de poder, afete a vida, a liberdade, a dignidade, a integridade física, psicológica, sexual, econômica ou patrimonial das mulheres, assim como também sua segurança pessoal”. E como a corda rompe no ponto mais fraco, junto à mulher agredida estão seus filhos e filhas, os mais machucados como vítimas mais ou menos passivas (e muitas vezes, não tanto).

Os círculos viciosos, as capilaridades familiares e sociais pelas quais circula a violência como forma de relacionamento, se reproduzem constantemente no seio de cada uma das famílias. O fenômeno fica evidente em cada pedido de busca sobre algum de seus filhos ou filhas menores de idade que chega ao Registro de Informação de Pessoas Menores Extraviadas. Pai que bate na mãe, pai que bate nos filhos e nas filhas, mãe que bate nos filhos e nas filhas e que, por sua vez, é agredida. E assim, indefinidamente, continua o círculo. (Texto completo)

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Tarefa difícil

Um jogo de gangorra vai se desenhando entre o Executivo e o Legislativo quando o assunto é aborto. A nova ministra da Secretaria de Política para Mulheres, Eleonora Menicucci, assumiu recentemente o cargo e já se encontra no meio da tempestade.

Isso por que quando o assunto é aborto, os interesses ficam cada vez mais complexos e delicados. A presidente Dilma Rousseff, que durante sua campanha eleitoral enfrentou o obscurantismo de certos setores ao falar sobre o aborto, joga a questão no colo do Legislativo, e este, por sua vez, não consegue resolver a questão, pois encontra-se sob fogo cruzado diante da bancada religiosa, que há anos trava a discussão na Casa, e das exigências feitas pelos movimentos sociais que, ao contrário desta última, querem a legalização do aborto e o seu reconhecimento enquanto um problema de saúde pública, independente de todas as questões religiosas ou morais.

Enquanto o Executivo vai se desvencilhando da questão, o obscurantismo avança. Há, inclusive, projetos que querem proibir até mesmo os casos de aborto já permitidos no Código Penal, como os casos de estupro ou que a mãe corre risco de vida com o nascimento, lembra notícia publicada pela Carta Capital. Entre esses projetos está o famoso Estatuto do Nascituro que prevê direitos legais para o ser humano que já está concebido, mas que ainda não nasceu.

Entre outros absurdos, o projeto prevê prisão de até três anos para mulheres que praticarem o aborto e, ainda tem mais, compensa a mulher vítima de agressão com uma “bolsa-estupro” de quem a violentou, paga pelo estuprador ou pelo próprio estado, caso este não seja identificado. Quanta generosidade!

O nome da nova ministra foi bem recebido por militantes feministas, mas há a percepção de que sozinha, Eleonora Menicucci não poderá fazer muita coisa. Nesse jogo entre Executivo e Legislativo o que falta mesmo é um real entendimento sobre as questões sociais brasileiras que não esteja contaminado por preconceitos históricos e ideologias vazias.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Nova ministra, velho tabu
Por Clara Roman

Mal assumiu o cargo e a nova ministra da Secretaria de Política para Mulheres, Eleonora Menicucci, já foi colocada entre a cruz e a espada. De um lado, a gritaria de parte da opinião pública, representada sobretudo pela bancada religiosa do Congresso, que há anos trava a discussão sobre a descriminalização do aborto no País. De outro, a militância assídua de movimentos sociais que lutam no sentido oposto – e cobram avanços na discussão.

Ao mesmo tempo em que a presidenta Dilma Rousseff, vítima do medievalismo do debate desde a campanha eleitoral, relega o debate para o Legislativo, resoluções da sociedade civil tiradas na Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, no fim de 2011, exigem uma postura do Executivo.

“Desde a primeira Conferência, a pauta da descriminalização do aborto é votada pelas mulheres como uma das diretrizes a ser implantadas”, diz Rosângela Talib, da ONG Católicas pelo direito de decidir.

Mas, desde 2005, quando a Secretaria de Políticas para as Mulheres elaborou um projeto de lei e encaminhou para o Congresso Nacional propondo a descriminalização do aborto, o governo se eximiu de novas tentativas.

“Nunca se conseguiu que o projeto avançasse lá [no Congresso]”, explica ela.

“O abortamento é uma questão de saúde pública, para além da questão ideológica e moral. Mulheres estão morrendo por fazer abortamento inseguro. Favorecer a possibilidade das mulheres continuarem vivas é uma pauta do Ministério da Saúde”, acredita Rosângela. (Texto completo)

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A luta pelos direitos e proteção às mulheres vai se consolidando a cada dia. O recente reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal da constitucionalidade da Lei Maria da Penha, que protege as mulheres contra a violência e prevê punições aos agressores, é mais um passo importante dessa trajetória.

Junto com o reconhecimento da validade da Lei, o Supremo também aperfeiçoou o seu texto ao determinar que o agressor pode ser punido mesmo que a vítima não apresente queixa contra ele. Este é um avanço bastante significativo já que muitas mulheres não denunciam seus agressores por medo, vergonha ou qualquer outro tipo de constrangimento e passam meses ou anos perpetuando a situação de agressão.

Como diz notícia sobre o assunto publicada pela Carta Maior, o cerco à violência contra a mulher vem se fortaleçendo a cada dia e as políticas públicas do governo estão enfim se voltando de forma efetiva para a questão. Inclusive, uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), composta por deputados e senadores (a grande maioria, é de mulheres), foi instalada no Congresso para investigar as razões do não cumprimento da Lei.

A CPMI não visa trazer à tona mais denúncias e sim tentar descobrir por que as instituições responsáveis – como tribunais, delegacias e abrigos – não conseguem fazer com que a Lei Maria da Penha funcione. As raízes da impunidade no que diz respeito aos crimes contra a mulher começam assim a ser desenterradas, raízes essas que, por sua vez, estão sustentadas por uma cultura marcadamente machista, fruto de uma herança patriarcal que silenciou e subjugou as mulheres durante séculos. Mas a mudança já começa a se anunciar…

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Governo, Supremo e Congresso cercam violência contra mulher
Em três dias, três vitórias da Lei Maria da Penha. Supremo Tribunal Federal decide que é constitucional e pode ser aplicada contra agressor mesmo sem queixa da vítima. Congresso instala CPI de deputados e senadores para investigar descumprimento da legislação. Nova ministra das Mulheres assume dando prioridade zero ao combate à violência de gênero.

Por Najla Passos

Brasília – O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, por unanimidade, em julgamento nesta quinta-feira (9), que a lei Maria da Penha, que protege mulheres contra violência e pune os agressores, é constitucional, ou seja, tem validade e deve ser aplicada. E mais: ao examinar um ponto específico da lei, decidiu retirá-lo do texto, por 10 votos a um, para que o autor da agressão seja processado mesmo que a vítima não peste queixa contra ele.

A sentença da corte máxima do país ajuda a compor uma espécie de “cerco” à violência contra as mulheres levado adiante esta semana.

No governo, a nova ministra-chefe de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci de Oliveira, que toma posse nesta sexta-feira (10), anunciou prioridade zero para a aplicação efetiva da lei Maria da Penha, em entrevista na última terça-feira (8). “O pacto de não violência contra a mulher tem que ser ampliado para estados e municípios. Falta segurança pública”, criticara Eleonora.

No Congresso, foi instalada nesta quinta-feira uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), composta por deputados e senadores (a grande maioria, é de mulheres), para investigar as razões do não cumprimento da Lei. A CPMI será presidida pela deputada Jô Moraes (PCdoB-MG) e terá relatoria da senadora Ana Rita (PT-ES) será a relatora.

Para Jô Moraes, os índices alarmantes de violência contra a mulher, no Brasil, já são conhecidos de todos. “O foco da CPMI não é levantar dados ou fazer novas denúncias, mas investigar porque as instituições responsáveis – como tribunais, delegacias e abrigos – não conseguem fazer com que a Lei Maria da Penha funcione”, disse à Carta Maior. A deputada acompanhou o julgamento do STF nesta quinta-feira. (Texto completo)

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Tampores a rufar pela causa da mulher

As mulheres são as que mais utilizam os serviços do Sistema Único de Saúde, o SUS, como usuárias ou para ajudar a cuidar da saúde de filhos e parentes. No entanto, estão longe de receber o tratamento ideal. Por isso, na 14ª Conferência Nacional de Saúde, a Batucada Feminista dos Tambores de Safo, de Fortaleza (CE) decidiu chamar a atenção do poder público para as condições em que se encontra a saúde da mulher no país.

De acordo com notícia publicada pela Rede Brasil Atual, “há falhas de informação sobre o funcionamento dos serviços, racismo, lesbofobia, desrespeito, humilhações e maus-tratos na hora do parto e, principalmente, em situação de abortamento”. Um dos principais problemas que envolvem a saúde da mulher no Brasil é a mortalidade materna, agravada, dentre outros fatores, pelo aborto inseguro que ainda não é visto como um problema de saúde pública, e sim como um reduto de preconceito e falso moralismo.

Por falar em preconceito, as mulheres negras, segundo a notícia, são as que mais sofrem. A taxa de morte é três vezes maior entre elas.

O fato é que enquanto a situação da mulher não vai sendo descriminalizada, o aborto clandestino provoca 25% dos casos de esterilidade, 602 internações diárias por infecção e 9% dos óbitos maternos.

Serão precisos mais quantos números para que o país saia do atraso quando à questão não só da saúde da mulher, mas quanto ao feminino (social, político e cultural) de forma geral?

Veja trecho da notícia:

Mulheres exigem melhor acolhimento pelo SUS
Por Cida de Oliveira

Brasília – Em cortejo, a Batucada Feminista dos Tambores de Safo, de Fortaleza (CE), atrai a atenção de todos por onde passa na 14ª Conferência Nacional de Saúde. O objetivo é esse mesmo: despertar para a mulher, ou melhor, para a saúde da mulher, que não vai tão bem assim.

“As históricas condições de desigualdades são determinantes no adoecimento e morte, o que exige atenção especial do SUS sobre esta população”, explica a cientista política Kauara Rodrigues, assessora técnica da Cfemea (Centro Feminista de Estudos e Assessoria), do Distrito Federal, e da Articulação Brasileira de Mulheres.

Segundo ela, as mulheres são as que mais utilizam o serviço público de saúde, seja como usuária ou para ajudar a cuidar da saúde de filhos e parentes. Mas nem por isso são bem tratadas. Há falhas de informação sobre o funcionamento dos serviços, racismo, lesbofobia, desrespeito, humilhações e maus-tratos na hora do parto e, principalmente, em situação de abortamento. “Queremos maior acesso ao SUS, sem filas, acolhimento com dignidade e cidadania.”

Kauara diz que são muitas as prioridades para o setor. Tanto que a redução das taxas de mortalidade materna é o único dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, da Organização das Nações Unidas, que o Brasil não conseguirá atingir até 2015. O aborto inseguro é uma das principais causas de morte. Na média, em todo o país, ocupa a quarta colocação, mas em alguns estados, como Bahia, é a principal.

As mulheres negras são as que mais sofrem. A taxa de morte é três vezes maior entre elas. O aborto clandestino provoca 25% dos casos de esterilidade, 602 internações diárias por infecção e 9% dos óbitos maternos. “Para mudar isso precisamos melhorar a cobertura e descriminalizar a mulher, que é vítima desse problema de saúde pública”, ressalta. Segundo ela, preocupa o fato de que, embora haja projetos de lei tramitando nesse sentido, os que querem endurecer ainda mais a legislação são em maior número, aumentando a ameaça de retrocesso. (Texto completo)

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DISCURSO DE DILMA NA ASSEMBLEIA GERAL DA ONU REAFIRMA IDEAL DEMOCRÁTICO DE DIÁLOGO E UNIÃO ENTRE OS POVOS

Discurso democrático

A necessidade de coesão política e coordenação macroeconômica entre as nações esteve no centro do discurso da presidente Dilma Rousseff na abertura da 66ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

A fala de Dilma fez vibrar as aspirações democráticas em diversos níveis. Primeiro, pelo fato de uma mulher discursar pela primeira vez na abertura da Assembleia Geral, segundo, pelo apelo de união feito por Dilma ao países do mundo. A presidente apostou na interação e coordenação entre os povos como alternativa principal para superar a atual crise financeira global e retomar o crescimento.

Em um mundo cada vez mais individualista, seja nas relações diplomáticas, seja nas individuais, falar em união e diálogo recupera antigos ideiais de aliança entre os povos; e também faz respirar a essência do espírito democrático que, em grande parte, perdeu-se devido a uma cultura que, paradoxalmente, ao dar liberdade demais aos indivíduos e às instituições, esqueceu-se do sentido de comunidade, troca, cooperação. Lugares nos quais talvez a liberdade ganhe uma extensão ainda mais fecunda, porque em contato com o outro, o que a faz ciente de sua responsabilidade.

Veja texto sobre o assunto publicado pela Agência Brasil:

Crise global é também de governança e de coordenação política, afirma Dilma na ONU
Por Yara Aquino

Brasília – Ao discursar na abertura da 66ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, a presidenta Dilma Rousseff disse que a crise global é ao mesmo tempo econômica, de governança e de coordenação política. Dilma destacou que, se a situação não for contida, pode se transformar em uma ruptura sem precedentes.

Primeira mulher a discursar na abertura da assembleia da ONU, Dilma defendeu a necessidade de esforços de integração das nações para a superação da crise e retomada do crescimento. “Não haverá retomada da confiança e do crescimento enquanto não se intensificaram os esforços de coordenação entre os países integrantes da ONU e das demais instituições multilaterais como o G20, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial”.

Para ela, “a ONU e essas organizações precisam emitir com máxima urgência sinais claros de coesão política e de coordenação macroeconômica”.

Dilma disse ainda que o Brasil está apto a ajudar os países em desenvolvimento e que é preciso lutar contra o desemprego no mundo. (Texto completo)

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MARIA DA PENHA É POP

O DVD Mulher de Lei, do cantor, compositor e repentista cearense, Tião Simpatia reúne todo o material produzido pelo mesmo, em torno da Lei Maria da Penha, desde a sua sanção, em 07de agosto de 2006.
Foi gravado ao vivo no teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza -CE.
São 13 faixas, com legendas em português, espanhol e inglês, reunindo música, cordel, poesia e repente, cujo material agora servirá como ferramenta de trabalho entre grupos de mulheres, Centros de Referência, escolas, ONG’s e empresas que já trabalham a questão de gênero em seus departamentos.
A Iniciativa é do Instituto Maria da Penha – IMP, em parceria com a Coordenadoria de Políticas Públicas para Mulheres do Estado do Ceará, com o patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará – SECULT
Contatos: (85) 8618/8696 / 9949.1338 (Naná Jucá)
Blog Oficial Tião Simpatia: http://tiaosimpatia.blogspot.com/
(Vi no Com Texto Livre)
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O CASO DO GOLEIRO BRUNO DO FLAMENGO É SÓ UMA PONTA DO ICEBERG DA VIOLÊNCIA CULTURAL CONTRA A MULHER

O caso do goleiro Bruno do Flamengo e seu possível envolvimento na morte de Eliza Samudio é apenas um pequeno detalhe da violência contra a mulher. Os números são assustadores e frequentes em todas as classes sociais. É um problema cultural e cada vez mais difícil de resolver. “Em dez anos, dez mulheres foram assassinadas por dia no Brasil, média que fica acima do padrão internacional. A motivação geralmente é passional. Estes são alguns dos resultados do estudo intitulado Mapa da Violência no Brasil 2010, realizado pelo Instituto Zangari, com base no banco de dados do Sistema Único de Saúde (DataSUS)”, diz reportgem do Estadão.

A Lei Maria da Penha tem ajudado, mas é preciso ter algo mais contundente, que obrigue a convocação do agressor em caso de ameaça, que obrigue as delegacias a tomarem todas as providências necessárias.

Veja trecho de um texto recentemente publicado na Carta Maior. Saiba mais

O BOM DE VENCER O MEDO

MULHER NA MÍDIA: FAZER CROCHÊ, FICAR BONITA E ESQUECER VIDA POLÍTICA E CULTURAL

Feministas vão monitorar imagem da mulher na mídia 

Vinicius Konchinski 
Repórter da Agência Brasil 

São Paulo – Cerca de 150 integrantes de movimentos feministas reunidas em São Paulo decidiram criar uma rede para monitoramento e controle da imagem da mulher na mídia. As militantes participaram do seminário Controle Social da Imagem da Mulher na Mídia, encerrado domingo (15). Elas concluíram que é preciso reunir evidências e cobrar do Estado mudanças sobre a forma como a população feminina brasileira é retratada pelos meio de comunicação.

“A mídia dissemina valores ideológicos que acabam transformando as mulheres em consumistas fúteis, em pessoas submissas e dependentes de seus maridos”, criticou Terezinha Vicente Ferreira, uma das participantes do seminário e também integrante da Articulação Mulher e Mídia em São Paulo.

Em entrevista à Agência Brasil, Terezinha afirmou que a maior parte do material veiculado pelos meios de comunicação não transmite as informações necessárias  e verdadeiras sobre o mundo feminino. Desta forma, acaba contribuindo com a desigualdade de gênero e de oportunidades existentes no país.

“A mulher que aparece na TV não é a mulher real. Ela segue um padrão de beleza, tem um discurso padrão. Os programas que passam à tarde ensinam a mulher a fazer crochê, artesanato e não a ser protagonista de sua vida social, econômica e política.”

Para a integrante da Liga Brasileira de Lésbicas (LBL), Lourdinha Rodrigues, o seminário sobre a imagem da mulher foi um marco para o movimento feminista e para o controle social da mídia. Segundo ela, estiveram representadas todas as classes e movimentos feministas – sindicalistas, lésbicas, camponesas, negras – com o objetivo de mudar a visão da mídia sobre o sexo feminino.

“A criação da rede de controle da imagem da mulher foi o ponto alto do encontro”, afirmou Lourdinha, explicando que todas as participantes se comprometeram a acompanhar o que é veiculado para cobrar das autoridades as mudanças necessárias.

De acordo com ela, os dados coletados pela rede devem ser apresentados pelas feministas na Conferência Nacional de Comunicação, prevista para o fim do ano, e até mesmo orientar ações quanto à política de concessões na radiodifusão, por exemplo. “As concessões são públicas. As rádios e TVs que não tratam a mulher de forma correta devem ser penalizadas.”

Agência Brasil procurou o Ministério da Comunicações e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) para ouvir a posição das duas instituições sobre as críticas e propostas das feministas. Ambos não haviam se pronunciado até a publicação desta matéria.

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RETRATO DA DESIGUALDADE DO IPEA MOSTRA AS DIFERENÇAS ENTRE NEGROS E BRANCOS NA VIDA E NA ECONOMIA BRASILEIRA

Na mesma gestação, cores diferentes

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Mulheres negras são maioria em situações de trabalho precário

Ana Luiza Zenker
Repórter da Agência Brasil

Brasília – As mulheres negras ainda são o grupo que vivencia situações de trabalho mais precárias. É o que mostra a pesquisa Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, divulgada hoje (16) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e que analisa dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2007.

Se por um lado as mulheres (brancas e negras) têm aumentado a sua participação no mercado de trabalho, passando de 46% da população feminina ocupada ou à procura de emprego em 1996 para 52,4% em 2007, elas seguem com maior representação no trabalho doméstico, na produção para consumo próprio e no trabalho não remunerado.

Entre as mulheres negras, de acordo com a pesquisa, os dados revelam uma situação mais precária. Elas apresentam as maiores proporções no trabalho doméstico, 21,4% (contra 12,1% entre as mulheres brancas e 0,8% entre os homens), e na produção para subsistência e trabalho não remunerado, 15,4%. Elas também são o grupo com as menores proporções de carteira assinada, 23,3%, e e na posição de empregador, 1,2%.

Ainda no que diz respeito ao trabalho doméstico, a pesquisa destaca a queda no percentual de meninas com idade entre 10 e 17 anos (idade escolar) empregadas como trabalhadoras domésticas, passando de 14,2% em 1996 para 5,8% em 2007.


Expectativa de vida de brancos é maior do que de negros

Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Pesquisa divulgada hoje (16) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que, entre 1993 e 2007, a expectativa de vida foi maior para as mulheres em relação aos homens e também para a população branca na comparação com a negra.

O estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça mostra que, em 1993, o total de mulheres brancas com mais de 60 anos de idade representava 9,4% da população e o de negras, 7,3%. Esses percentuais alcançaram, em 2007, 13,2% e 9,5%, respectivamente. O grupo dos homens brancos com 60 anos ou mais, em 1993, era de 8,2% e passou para 11,1%, em 2007. Já os negros na mesma faixa etária saltou de 6,5% para 8% no mesmo período.

A diferença de representatividade de homens brancos e negros com mais de 60 anos aumentou de 1,7 para 3,1 pontos no período. A diferença entre as mulheres brancas e negras passou de 2,1 para 3,7 pontos, entre 1993 e 2007.

O levantamento retrato das desigualdades é elaborado por meio de indicadores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo analisa diferentes campos da vida social e visa traçar um “retrato” atual das desigualdades de gênero e de raça no Brasil. Ele é realizado em parceria entre o Ipea, a  Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e o IBGE.

Negros são maioria nas favelas, segundo estudo do Ipea

Ana Luiza Zenker
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Apesar de reconhecer que nos últimos 15 anos houve uma melhoria nas condições de habitação no Brasil, a pesquisa Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, divulgada hoje (16) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aponta que ainda é perceptível a diferença entre negros e brancos, especialmente no que diz respeito aos domicílios localizados em assentamentos subnormais, ou seja, favelas e assemelhados.

Entre 1993 e 2007, o percentual de residências que se encontravam em favelas ou semelhantes passou de 3,2% para 3,6%. É um percentual considerado baixo, mas que representa um universo de 2 milhões de domicílios, ou pelo menos 8 milhões de pessoas.

Considerando a distribuição de acordo com o chefe da família, tem-se que 40,1% dessas casas são chefiadas por homens negros, 26% por mulheres negras, 21,3% por homens brancos e 11,7% por mulheres brancas. De acordo com o estudo, essa distribuição mostra a predominância da população negra em favelas, o que reforça a sua maior vulnerabilidade social.

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Sandra Gomide, vitima do jornalista Pimenta Neves que trabalhava no Estadão

Sandra Gomide, vítima do jornalista Pimenta Neves

O caso da garota Eloá, morta pelo ex-namorado em Santo André, tem um fundo mais cultural do que passional. Infelizmente é apenas mais um caso nas estatísticas da violência contra a mulher.

Também não é de hoje que esse crime cultural vem acontecendo. Poderia se fazer um levantamento histórico, mas temos casos famosos como o do plaboy Doca Street, do cantor Lindomar Castilho, do jornalista Pimenta Neves, do promotor Igor etc. Veja link da revista IstoÉ Gente com vários casos. Mas a revista erra ao colocar na capa o título “crimes de paixão”. Esses crimes são culturais e não tem nada a ver com amor.

Esses são crimes famosos. Agora imagine a quantidade de mulheres espancadas ou mortas que não ganham notoriedade nacional. Esse é um problema grave na sociedade e que deve ser enfrentado com legislação e atuação em todos os setores da sociedade, inclusive e principalmente nas escolas.

Mas esse quadro, bastante cômodo para os homens, não muda enquanto as próprias mulheres não reagirem e exigirem dos governantes atitudes e propostas firmes.

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