Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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DA SÉRIE OBRA-PRIMA: KATE BUSH, SUA INSUPERÁVEL WUTHERING HEIGHTS E ALGUMAS INTERPRETAÇÕES

PALHAÇO DA CORTE MIDIÁTICA: ARNALDO JABOR É DISSECADO POR TV ARGENTINA E POR MONTAGEM HILÁRIA COM CAETANO VELOSO

CALAR A BOCA, NUNCA MAIS: O POVO NOVO QUER MUITO MAIS, COM TOM ZÉ

Povo Novo

A MINHA DOR ESTÁ NA RUA
AINDA CRUA
EM ATO UM TANTO BEATO, MAS
CALAR A BOCA, NUNCA MAIS! (BIS)
O POVO NOVO QUER MUITO MAIS
DO QUE DESFILE PELA PAZ
MAS
QUER MUITO MAIS.
QUERO GRITAR NA
PRÓXIMA ESQUI NA
OLHA A MENI NA
O QUE GRITAR AH/OH
O QUE GRITAR AH/OH
OLHA, MENINO, QUE A DIREITA
JÁ SE AZEITA,
QUERENDO ENTRAR NA RECEITA
DE GOROROBA, NUNCA MAIS (BIS)
JÁ ME DEU AZIA, ME DEU GASTURA
ESSA POLÍTICARADURA
DURA,
QUE RAPA-DURA!
QUERO GRITAR NA…

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BANDA DOS HOMENS DE COR COMEMORA 80 ANOS SEM APOIO DA PREFEITURA DE CAMPINAS E DO LADO DE FORA DO CORETO

A Banda dos Homens de Cor, uma das mais tradicionais bandas de Campinas, completou hoje 80 anos.

Para comemorar, os integrantes “ocuparam” o largo do Pará, local que tradicionalmente essa banda já tocou quando tinha apoio da prefeitura da cidade.

Sem dinheiro e sem apoio do governo Jonas Donizette (PSB-PSDB), a banda tenta resistir e se fazer ouvir para não se acabar.

Enquanto isso, o Palácio dos Jequitibás (prefeitura) já acertou a construção de um teatro de ópera estimado inicialmente em R$ 80 milhões no Parque Ecológico da cidade. Isso com o apoio do governador tucano Geraldo Alckmin. Acredite, se quiser!

Veja abaixo algumas fotos da apresentação da banda esta manhã:

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HISTÓRIA DA MÚSICA ILUSTRADA

MANO BROWN RESUMIU BEM O MÚSICO LOBÃO: “AGE COMO UMA PUTA PARA VENDER LIVRO”

Do pragmatismo político

brown-lobaoLançando o livro Manifesto do Nada na Terra do Nunca,o músico Lobão atacou diversas personalidades brasileiras. Em trechos da publicação, o cantor chama Dilma Rousseff de “torturadora” e o cantor Roberto Carlos é referido como “múmia deprimida”. Os ataques respingaram também nos rappers do Racionais MCs, descritos como “braço armado do PT”.

Mano Brown, líder do grupo paulistano de rap, foi ao Twitter responder alguns fãs que questionaram qual seria sua postura após o ataque de Lobão.

Veja a resposta de Mano Brown:

Conheci o Lobão em 1996. Cumprimentei e depois disso nunca mais o vi. Sinceramente não tenho o que falar da pessoa dele. Estranho o Lobão falar de mim sem nunca ter me conhecido. Não entendo a postura dele agora. Ele pregava a ética e a rebeldia. Age como uma puta para vender livro. Nos anos 80 as ideias dele não fizeram a diferença para a gente aqui da favela. Ninguém é obrigado a concordar com ninguém, nem ele comigo. O Lobão está sendo leviano e desinformado. Tô sempre no Rio de Janeiro, se ele quiser resolver como homem, demorô! Do jeito que aprendi aqui“.

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IMAGINA: O QUE SERIA DO MUNDO SEM SEUS POETAS?

Imagine, de John Lennon

Imagine there’s no heaven
It’s easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today

Imagine there’s no countries
It isn’t hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace

You may say
I’m a dreamer
But I’m not the only one
I hope some day
You’ll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world

You may say,
I’m a dreamer
But I’m not the only one
I hope some day
You’ll join us
And the world will live as one

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OS DEVONTS E A CANÇÃO HOUVE UM TEMPO

ENFIM UMA BOA UTILIDADE PARA ELAS: OS INSTRUMENTOS MUSICAIS FEITOS COM ARMAS DE FOGO DO ARTISTA MEXICANO PEDRO REYES

DA SÉRIE OBRA-PRIMA: A GENIALIDADE DE CLEITON ROLO EM MATUTO E ALÉM: QUERIA SER DESLUMBRADO, SEM ME IMPORTAR COM NINGUÉM…

Matuto e Além
(Cleiton Rolo)

Pra se conter e se livrar da agonia
E se desligar do clubinho da minoria.

Transparecer e glorificar a ironia
É papo furado é vacilo é monotonia

Queria ser deslumbrado.
Sem me importar com ninguém.
Queria ser deslumbrado.
Meio matuto e além.

Cabe dizer que eu acordei mais um dia.
E isso é maior que toda filosofia.

Passa-se o tempo e a coisa te desafia
A moderar e a economizar na alegria.

Queria ser deslumbrado.
Sem me importar com ninguém.
Queria ser deslumbrado.
Meio matuto e além.

(Disco pode ser baixado no site do músico)

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NO DIA DA INDEPENDÊNCIA, A ANTROPOFAGIA DO SAMBÔ: MUITO SAMBA, MUITO ROCK, MUITO BRASIL E MUITO MUNDO

DA SÉRIE OBRA-PRIMA: EU SEI, DE RENATO GODÁ, EM QUE A VIDA INTEIRA É CURTA, PASSADO NÃO TEM CURVA E O TEMPO AINDA É PIOR

 

Canção de Renato Godá – do Albúm “Canções Para Embalar Marujos”

Eu sei,
que o homem-bala voa,
que a trapezista voa,
e o tempo ainda é pior

Eu sei,
que os automóveis correm,
que os trens nos trilhos correm,
e o tempo ainda é pior.

Porém,
posso esquecer das horas,
abusar da demora,
pra ficar com você.

Eu sei,
a vida inteira é curta,
passado não tem curva,
e o tempo ainda é pior.

Eu sei,
os sonhos envelhecem,
certezas vão embora,
e o tempo ainda é pior.

(2X)Porém,
posso esquecer das horas,
abusar da demora,
pra ficar com você.

Por fim,
se o Super-Homem voa,
se a bailarina voa,
e o tempo ainda é pior.

Eu vou,
nesse compasso lento,
em meio ao contratempo,
sem pressa de entender.

E sim,
posso esquecer das horas,
abusar da demora,
pra ficar com você.

Sim,
posso esquecer das horas,
abusar da demora,
pra ficar com você.

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DIREITO AUTORAL OU INDUSTRIAL? CANTORA SERTANEJA, ROBERTA MIRANDA, QUE VENDEU 15 MILHÕES DE CÓPIAS, DIZ QUE NUNCA SOBREVIVEU DA VENDA DE DISCO

Roberta Miranda diz que pirataria acabou com a indústria, mas não com o artista

Em entrevista ao Programa do Amary JR, a cantora sertaneja Roberta Miranda faz uma revelação bombástica sobre direito autoral. A cantora que vendeu 15 milhões de cópias e, segundo Amaury JR, está em quinto lugar no ranking dos artistas que mais venderam discos no Brasil, afirma: “nunca sobrevivi da venda de disco”.  Isso na época em que não havia internet.

Ela confirma que a “pirataria” acabou com a indústria fonográfica, mas que isso não mudou muito para o artista. Para Roberta Miranda, o artista sempre sobreviveu dos shows.

Sula Miranda, que também é entrevistada no programa, concorda.

Agora imagina um jovem músico que sonha com o direito autoral. O direito autoral é na verdade, como confirma Roberta Miranda, um direito da indústria e não do artista.

Veja a partir do décimo terceiro minuto:

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A SOFISTICAÇÃO SIMPLES DE MARINA WISNIK ESTÁ PRESENTE NO PRIMEIRO ÁLBUM DA CANTORA “NA RUA AGORA”

As melodias são doces e agradáveis, de temática urbana servem também a qualquer gosto regional, concentram certa delicadeza e poesia que parecem vir também da cantora e compositora que as interpreta e cria: Marina Wisnik. Filha do músico e compositor José Miguel Wisnik, Marina cresceu em meio aos discos do pai, mas não seguiu o caminho da música logo de cara. Optou primeiro pelo teatro e aos 16 anos fez sua estreia no palco de Zé Celso Martinêz, mais tarde se formou em letras pela USP. Hoje, aos 31 anos, é professora, arte-educadora e sim, cantora e compositora.

O primeiro disco de Marina “Na Rua Agora” foi produzido por Marcelo Jeneci e Yuri Kalil e conta com a participação de Wisnik na música “Miragem”. O disco nasceu de composições espontâneas, de momentos vividos pela própria cantora que ela recriou e transformou em música e poesia. O disco, neste sentido, parece bastante familiar, as letras e melodias falam diretamente a quem as ouve e deixam transparecer uma simplicidade realmente sofisticada.

Abaixo, vídeo com o clip da música “Na Rua Agora”, também simples, mas bastante expressivo, colocando a música na boca das pessoas, de quem simplesmente queira cantar os novos sons e ritmos que, felizmente, surgem na cena musical brasileira!

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RENATO ROCHA, DO LEGIÃO URBANA, MOSTRA COMO O DIREITO AUTORAL É UM DIREITO DA INDÚSTRIA E QUASE NADA DO ARTISTA

The cover of Legião's most famous album, Que P...

Que país é este?

O direito autoral é um direito da indústria do direito autoral e não do músico. O caso de Renato Rocha, do Legião Urbana, é um exemplo entre inúmeros outros. Quem ganha dinheiro com direito autoral é a indústria do direito autoral, os controladores sem controle de produtos e serviços artísticos.

O artista tem a ilusão de ganhar direito autoral, mas são raros os que realmente ganham o que merecem de direito. Imagina um integrante de uma das maiores bandas do Brasil de todos os tempos receber uma média de R$ 900,00 por mês nos últimos dez anos.  A banda foi comercializada de todas as formas nessas últimas décadas.  Qual outra banda foi tão cultuada e ouvida pela população quanto Legião?

Há alguns anos ao passar por uma loja de CDs me deparei com um disco do Legião, disco antigo, o Dois, com Renato Rocha como integrante do Legião. Achei que seria uma pechincha, afinal depois de 20 anos ou mais do lançamento, o disco estaria bem barato, fim de feira. Que nada, o disco em que Renato Rocha faz parte estava com o preço de CD de lançamento. Isso é  Legião Urbana.

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Teló, capacidade artística para captar os bens culturais da população

A canção Ai se eu te pego, de Michel Teló, é um bom exemplo de como a cobrança de direito autoral é uma grande pirataria contra a humanidade. Não que o artista brasileiro fez alguma coisa errada, Teló fez o que todo bom artista faz, seja músico, pintor, escritor etc.  O artista se utiliza de bens da humanidade, que pertencem à população, e o transforma, dando um formato autoral, mas não deixa de ser uma apropriação.

No caso da canção de Michel Teló, isso fica muito evidente. Veja, quantas vezes você já não ouviu na sua infância “ai se eu te pego, moleque!”, seja na casa do vizinho, na boca de seus pais, de sua vó, de sua tia, etc. Essa expressão, muito popular, faz parte da cultura do povo brasileiro e carrega em si toda a história de formação desse país. Assim também, o autor Michel Teló e todos os outros compositores populares se apropriam de frases, recursos linguísticos e da própria língua para construir uma canção.

Isso é inevitável, como deveria ser inevitável que o artista que quer cobrar direito autoral deva também retribuir à sociedade a cultura de que se apropria. No caso de uma canção popular: a língua, expressões, ritmos, notas, cifras etc. Uma forma de retribuir à sociedade o que o artista utiliza seria, por exemplo, permitir que o público tenha livre acesso às obras, por meio de compartilhamento na internet e outros. O direito autoral seria cobrado de quem de fato comercializa a obra do artista.

No entanto, a indústria do direito autoral se apropria dos bens da população e, na cara dura, exige que essa mesma população pague por uma obra que está fundada em sua própria cultura. Isso é a grande pirataria. Muitos artistas ficam iludidos  com os sonhos milionários do direito autoral, mas poucos são os que realmente ganham algum dinheiro e, quando ganham, a indústria que sustenta essa pirataria ganha cem vezes mais. A indústria do direito autoral promove uma grande pirataria da humanidade.

Numa rede social, um jovem postou que o Ecad é uma das manifestações do capeta. Fora a graça e o humor diante dessa tragédia cultural, a indústria do direito autoral promove hoje uma inquisição cultural e assaca populações.

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Entre o amor e o lucro

O direito autoral instaurou uma lógica invertida entre afetividade e renda. Nela, os polos de ligação trocaram de papéis. De um lado estão comerciantes que recebem para divulgar a música e, de outro, os admiradores do artista, que pagam para ouvi-la.

 Dentro da lógica do direito autoral, muitos donos de emissoras de rádio recebem dinheiro para tocar a música, é o chamado jabaculê. O empresário do artista paga para que a música seja executada e fique famosa. Mais pessoas acabam conhecendo a música e muitos passam a gostar. As emissoras nessa situação executam a música, mas nessa relação não há, certamente, nenhuma afetividade ou reconhecimento de valor estético da obra. Na prática comercial não interessa tanto a qualidade da música, assim como a estética ou a beleza da obra de arte, os sentimentos do artista e sua mensagem. O importante, com toda razão empresarial, é o de lucrar com a divulgação. Não interessa se o artista, compositor ou cantor está vivo ou morto, se é um grande poeta, um grande músico, ou seja, a composição executada em uma rádio não tem qualquer ligação afetiva com a sua criação artística.

Do outro lado estão os admiradores do artista, cantor, compositor. Eles se identificam com o artista e com a música por meio de uma sintonia fina e própria da arte que é praticamente impossível de se descrever e entender. Há uma espécie de comunhão de sentidos e racionalidades entre uma obra artística e seus admiradores, apreciadores. Para essas pessoas, a obra contém um valor estético e afetivo que não se pode quantificar. São esses admiradores que divulgam, explicam e compartilham a beleza de uma composição em festas, reuniões, viagens etc.

Na lógica do direito autoral, essas pessoas que amam a obra de arte e, muitas vezes, o artista e o que ele representa, são os financiadores do direito autoral. Já o comerciante é o recebedor do direito autoral, visto que o financiamento dessa indústria provem do bolso dos admiradores. Ou seja, quem ama a obra, paga; quem não ama, lucra.

Essa é a construção econômica-afetiva por trás dos direitos autorias. As pessoas que deveriam receber a obra gratuitamente, porque comungam sentidos com o artista e o divulgam, valorizam, são obrigadas a pagar. Já os que se beneficiam economicamente do artista, recebem ainda mais para executar.

Quem sabe o desenvolvimento da internet possa colocar as coisas em outros patamares e quem sabe os artistas possam perceber que esta lógica inversa não é a única forma de financiamento da sua arte.

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“A MÚSICA SEGUNDO TOM JOBIM” ESCOLHE O CAMINHO DO SOM E DA IMAGEM PARA FALAR DE UM DOS NOMES MAIS EXPRESSIVOS DA MÚSICA NACIONAL

O cineasta Nelson Pereira dos Santos, já famoso pela sua inclinação em retratar e inspirar-se em nomes como o do escritor Jorge Amado, agora usa de toda sua sensibilidade para tentar reproduzir em filme um pouco do que foi a trajetória de um dos nomes mais expressivos de nossa música popular brasileira: Tom Jobim.

Ao lado de Ana Jobim, viúva do músico, Nelson produz um documentário onde as palavras não bastam para falar da obra musical de Jobim. Sendo assim, elas constituem um mero acessório em um roteiro basicamente montado a partir de imagens e som. Montar aliás parece ser um dos desafios propostos pelo jogo cênico do documentário.

Ao contrário do que ocorre com a maioria dos documentários, o crédito das pessoas que aparecem e das músicas que vão sendo por elas interpretadas não aparece no filme de Nelson e Ana, o espectador é convidado a adivinhar quem é quem, qual seria a época em que certa canção foi interpretada, dentre outras interrogações. E assim, a vida de Jobim vai se abrindo como um quebra-cabeça de sons e imagens, livre, dotado de sua ordem e tom natural, exatamente como suas músicas e sua história musical.

Para aqueles que gostam de informações diretas e direcionamentos claros, dados em um documentário por meio da presença de um narrador e depoimentos, por exemplo, A Música Segundo Tom Jobim, apareceria como um produto bastante aquém das expectativas. No entanto, para aqueles que apreciam as diferentes formas de contar e a exploração das possibilidades narrativas, o documentário é um presente que, inclusive, faz jus à sua proposta desde o título.

Este é claro ao dizer que a música ali será apresentada “segundo Tom Jobim”, ou seja, será ele, seus amigos e intérpretes e a paisagem do Rio de Janeiro que tanto o inspirou e que não somente se reflete na sua obra, como também é refletora desta, que dirão um pouco da vida do admirador da garota de ipanema e que, assim como ela, também deixa o mundo mais lindo e cheio de graça a cada vez que passa…

Nesse ritmo, o documentário musica a sensibilidade e, se as imagens não fossem tão belas e raras, poderíamos apenas ouvi-lo de olhos fechados, já que, como diz o maestro, “a linguagem musical basta”.

Veja o trailler do filme:

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VISTAM AS MÁSCARAS, É CARNAVAL! ELIS E CHICO CANTAM NOITE DOS MASCARADOS

 

Noite dos Mascarados
Chico Buarque

– Quem é você?
– Adivinha, se gosta de mim!

Hoje os dois mascarados
Procuram os seus namorados
Perguntando assim:

– Quem é você, diga logo…
– Que eu quero saber o seu jogo…
– Que eu quero morrer no seu bloco…
– Que eu quero me arder no seu fogo.

– Eu sou seresteiro,
Poeta e cantor.
– O meu tempo inteiro
Só zombo do amor.
– Eu tenho um pandeiro.
– Só quero um violão.
– Eu nado em dinheiro.
– Não tenho um tostão.
Fui porta-estandarte,
Não sei mais dançar.
– Eu, modéstia à parte,
Nasci pra sambar.
– Eu sou tão menina…
– Meu tempo passou…
– Eu sou Colombina!
– Eu sou Pierrô!

Mas é Carnaval!
Não me diga mais quem é você!
Amanhã tudo volta ao normal.
Deixa a festa acabar,
Deixa o barco correr.

Deixa o dia raiar, que hoje eu sou
Da maneira que você me quer.
O que você pedir eu lhe dou,
Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!
Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!

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