Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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ONDE ESTÁ AMARILDO? E AGORA DEMOCRACIA?

Imagem: Coletivo Projetação (Redes Sociais)
Por Maura Voltarelli
Especial para o Educação Política

Nos últimos dias, uma pergunta passou a ser feita, inicialmente pelos moradores da Rocinha, favela no Rio de Janeiro, depois por pessoas que não moram na favela, depois pela mídia nacional, que acabou por repercutir a questão tamanha a proporção que esta última atingiu.

Onde está Amarildo? Dizem cartazes, vozes, projeções… E Amarildo tornou-se um nome bastante falado nos jornais, sem que, muitas vezes, as pessoas soubessem direito por que se falava tanto em Amarildo. Era difícil mesmo saber o porquê, já que um dos elementos centrais nessa história de Amarildo, que mais parece história de literatura fantástica, é o mistério.

O fato é que Amarildo, um ajudante de pedreiro que gostava de pescar, morador da Rocinha, pai de seis filhos, casado há mais de 20 anos, com um pagamento de meio salário mínimo por mês, que carregava sacos de areia aos sábados para aumentar a renda da família, o menino que com onze anos salvou o sobrinho de 4 anos de um incêndio, tornou-se famoso não por sua coragem e gentileza para com os outros, e sim por simplesmente ter desaparecido nas mãos da polícia do Rio de Janeiro.

Imagem: www.ebc.com.br

Amarildo desapareceu. Como um objeto que desaparece de um dia para o outro e não lembramos mais onde o deixamos ou o vimos pela última vez. Mas Amarildo não é um objeto, ao menos para as pessoas que o amam e conviveram com ele, ao menos para as pessoas que ainda têm a capacidade de se indignar diante de um absurdo desses.

Amarildo desapareceu após uma operação da polícia intitulada (pasmem!) “Paz Armada”, que mobilizou cerca de 300 policiais e entrou na Rocinha entre os dias 13 e 14 de julho para prender suspeitos sem passagem pela polícia depois de um arrastão ocorrido próximo à favela. Amarildo foi abordado na porta de um bar quando já estava indo para casa. O policial teria exigido seus documentos. Ele entregou e, segundo uma testemunha, o policial fingiu que ia checar pelo rádio, mas quase que imediatamente se virou para ele e disse que Amarildo tinha que ir com eles.

Amarildo foi levado para a base da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) no Parque Ecológico. Assim que soube que o marido tinha sido levado pela polícia, sua mulher foi à UPP e chegou a ver o marido, mas a orientaram de que ele logo seria liberado e de que ela deveria esperá-lo em casa. Desde então, Amarildo não voltou mais para casa.

É apenas isso o que se sabe. No entanto, já é o bastante para revelar muito sobre o atual estado de coisas em que vivemos. Amarildo poderia ser o pior dos criminosos, nada justifica o seu desaparecimento depois de ter sido levado pela polícia. Nada justifica os atos autoritários e ditatoriais de nossa polícia que favorece o caos no lugar de garantir o que chamam de “segurança”.

Onde está a nossa democracia? Qual a esperança de democracia para um país onde pessoas desaparecem sem que se saiba como ou porquê? O caso poderia passar impune, como tantos outros, como tantos que desaparecem todos os dias, como tantos que já desapareceram na ditadura militar e até hoje não se sabe como, sem tampouco lhes fazer justiça.

Mas Amarildo não foi, como esperava a polícia, apenas mais um “favelado”, Amarildo agora está por todos os lados e, junto com ele, nossa indignação e nosso grito por uma cada vez mais tardia democracia que, definitivamente, não há de ser uma democracia da “paz armada”.

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PROTESTOS NO BRASIL AJUDARAM O GOVERNO DILMA ROUSSEFF A REDUZIR A INFLAÇÃO, QUE CAIU NO ITEM TRANSPORTE EM JULHO

Protesto Contra Aumento das Passagens de Onibu...Inflação oficial recua na prévia de julho e fica em 0,07%

Vitor Abdala
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – A prévia de julho deste ano da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), ficou em 0,07%. A taxa é inferior à de junho, 0,38%. O dado foi divulgado hoje (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As principais contribuições para o recuo da inflação vieram dos grupos de despesas transportes (que passou de uma inflação de 0,1% na prévia de junho para uma queda de preços de 0,55% em julho) e alimentação (que passou de uma inflação de 0,27% para uma queda de preços de 0,18%).

Entre os itens que individualmente mais contribuíram para uma taxa menor em julho estão o tomate, que ficou 16,78% mais barato em julho, o etanol (-3,71%), a gasolina (-0,69%) e ônibus urbano (-1,02%).

No setor de transportes, também tiveram influência importante para a redução do IPCA-15 os itens seguro voluntário (-1,82%), ônibus intermunicipal (-0,91%), metrô (-2,02%) e trem (-1,15%). O IPCA-15 acumula taxas de 3,52% no ano e de 6,4% nos últimos 12 meses.

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PARA A PRESIDENTE DO CNS, AO DEIXAR DE PARTICIPAR DE COMISSÕES DO GOVERNO MÉDICOS REFORÇAM O CORPORATIVISMO E SE COLOCAM CONTRA O PRÓPRIO PAÍS

E para eles não faltam médicos...

E para eles não faltam médicos…

Da Rede Brasil Atual

Contra Mais Médicos, entidades de classe sabotam comissões no governo federal
Presidenta do Conselho Nacional de Saúde diz que medida é mais uma reação corporativa contra o governo. Médica classifica atitude de ‘fascismo’ e cobra de colegas uma postura a favor do país
Por Cida de Oliveira

São Paulo – O Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB), a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR) anunciaram hoje (19), em Brasília, que deixarão de participar de todas as câmaras, comissões e grupos de trabalho do Ministério da Saúde, bem como do Conselho Nacional de Saúde. Segundo as entidades, a saída é uma resposta às “decisões unilaterais tomadas pelo governo ultimamente, como o programa Mais Médicos e os vetos à lei do Ato Médico, tomadas sem nenhum diálogo com as médicas e médicos brasileiros”.

A presidenta do Conselho Nacional de Saúde, Maria do Socorro de Souza, avaliou como “lastimável e um equívoco político” o rompimento. “O CNS não é governo, e sim um órgão representativo da sociedade brasileira, com 144 integrantes, que debate a saúde pública. Os médicos deixam esses fóruns num momento em que deveriam ficar ao lado da sociedade que vai às ruas para defender melhorias na saúde pública”, disse.

Ela lembrou que em junho passado o órgão, no qual as entidades médicas têm representantes, aprovou moção de apoio às medidas do governo.

Maria do Socorro reiterou que apoia o Programa Mais Médicos como medida emergencial. “Defendemos políticas de saúde que ofereçam atendimento multiprofissional, com a presença de todos os profissionais da área de saúde. Mas a falta de médicos é o problema mais urgente, que deve ser enfrentado primeiro. Neste momento estou no Mato Grosso, numa aldeia Xavante. A maior reclamação aqui é que não tem médico”, disse.

Para a presidenta do CNE, o anúncio da Fenam expressa uma reação das entidades médicas contrárias às posições do governo, inclusive de ter vetado pontos do chamado Ato Médico, lei que regulamenta a profissão médica. “Em mais de 20 anos de SUS, governo nenhum tinha enfrentado esse debate. E como os médicos querem se autorregular, serão contrários a qualquer atitude que o governo vier a tomar.” (Texto completo)

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DEPOIS DA LEGALIZAÇÃO, URUGUAI NÃO REGISTRA MORTE DE MULHERES E TEM UMA DAS MAIS BAIXAS TAXAS DE ABORTO DO MUNDO

Ativistas em campanha pela legalização do aborto no final do ano passado

Ativistas em campanha pela legalização do aborto no final do ano passado

Do Sul 21

Em seis meses de legalização, Uruguai não registra mortes de mulheres que abortaram
Da Redação

O subsecretário do Ministério da Saúde Pública do Uruguai, Leonel Briozzo, apresentou nesta semana os dados oficiais sobre interrupções voluntárias de gravidez dos primeiros seis meses desde a sua legalização no país. Entre dezembro de 2012 e maio de 2013, não foi registrada a morte de nenhuma mulher que abortou de forma regulamentada no Uruguai.

Foram realizados 2.550 abortos legais, aproximadamente 426 por mês. O Uruguai é um dos países com taxas de aborto mais baixas do mundo. Briozzo explicou que desde o novo marco legal para o aborto, o país os pratica de forma segura, com a consolidação de serviços de saúde para este fim.

A política pública do governo tem o objetivo de diminuir a prática de abortos voluntários a partir da discriminalização, da educação sexual e reprodutiva, do planejamento familiar e uso de métodos anticoncepcionais, assim como serviços de atendimento integral de saúde sexual e reprodutiva.

Segundo esses dados, o MSP atesta que 10 em cada mil mulheres entre 15 e 44 anos abortam no Uruguai atualmente. Esses números cituam o país entre um dos que têm menores indicadores, ao lado dos estados da Europa Ocidental.

Com informações da United Press International

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EFEITO NEOLIBERAL: IMPOSTO DO QUARTO VAZIO PROVOCA A MORTE DE UMA SENHORA DE 53 ANOS NA INGLATERRA

Ingleses protestam contra o "imposto do dormitório"

Ingleses protestam contra o “imposto do dormitório”

Esses são os resultados da política de austeridade neoliberal que vem sendo implantada na Europa.

Cobranças absurdas, como a do imposto do quarto vazio na Inglaterra, e cortes em serviços públicos essenciais, como saúde e educação, têm levado pessoas à morte.

Como mostra Cynara Menezes neste texto, os pobres são quem sempre acaba pagando a conta pela ambição de concentração de renda e enriquecimento irresponsável de poucos, baseado no desmantelamento do público em benefício do privado.

Horrores do neoliberalismo: avó inglesa se mata por não poder pagar “imposto do dormitório”

Por Cynara Menezes

(protesto contra o imposto do dormitório na Inglaterra)

Quem paga a conta da crise na Europa? Os pobres, claro. Assim como vem acontecendo na Espanha, onde tem gente se matando por conta dos despejos promovidos pelos bancos, agora é na Inglaterra que começam a aparecer suicidas por questões econômicas. No último dia 4 de maio, Stephanie Botrill, de 53 anos, deu fim à própria vida porque não podia pagar uma nova taxa instituída pelo governo conservador de David Cameron: o “imposto do dormitório” (bedroom tax). Trata-se de um imposto bizarro que vai atingir sobretudo os mais carentes, porque é direcionado às casas e apartamentos administrados pelas prefeituras, onde moram as famílias de baixa renda, pagando aluguel.

Com o novo imposto, as pessoas que vivem nestas casas terão de pagar uma taxa extra de 10 libras semanais por quarto desocupado. Ou seja, se seu filho saiu de casa, você precisa dar uma grana ao governo por isso. Estima-se que mais de 220 mil famílias serão atingidas pelos cortes impostos por Cameron nos benefícios sociais. O primeiro-ministro já passou o facão na educação, saúde e segurança e agora chega à moradia. Obviamente as novas regras têm provocado protestos no país. Sindicatos, oposição e até líderes religiosos se uniram sobretudo contra o malfadado imposto do dormitório, que começou a vigorar no dia 1 de abril.

Stephanie Botrill, que criou os dois filhos como mãe solteira, estava triste por ter que deixar a casa onde viveu durante 18 anos porque não tinha como pagar o imposto. Como os filhos cresceram e foram morar sozinhos, ela teria que pagar, pelos dois quartos vazios, 80 libras a mais por mês (cerca de 245 reais), algo impensável em seu apertado orçamento. Já tinha até empacotado as coisas para ir embora quando tomou a decisão de se matar. Em um bilhete ao filho, Steven, de 27 anos, Stephanie deixa muito claras as razões para o ato desesperado: “Não se culpe porque terminei com a minha vida. Os únicos responsáveis estão no governo”.

Como no Brasil, os jornais ingleses também têm a tradição de não noticiar suicídios, mas, neste caso, como envolvia políticas públicas, abriram uma exceção. Integrantes do gabinete de Cameron tentaram minimizar o caso. Um ministro lamentou a morte “trágica”, mas disse ser “errado” conectá-la às políticas do governo, como se a própria Stephanie não tivesse feito isso em sua carta suicida.

O que mais me impressiona, além da crueldade destas leis supostamente para “resolver” a crise (eu duvido), é a possibilidade de se instaurar no país uma sociedade policialesca a la 1984 de George Orwell –ou à moda do regime stalinista que o livro criticava. Quem vai denunciar os moradores que têm quartos sobrando? Haverá dedos-duros oficiais? Eles serão premiados? Se for feita pelo governo, como será esta vigilância? Todo mês irá um fiscal às casas para verificar quantas pessoas estão lá morando? E o que é pior: para onde irão as pessoas que não podem pagar o imposto do dormitório, como Stephanie? Tristes tempos. (Texto original)

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BYE BYE PIG: BRASIL VENDE UM COMPUTADOR POR SEGUNDO, DIZ PESQUISA DA FGV

Em 2013, Brasil deve vender 22 milhões de computadores

Em 2013, Brasil deve vender 22 milhões de computadores

Brasil tem três computadores para cada cinco habitantes, diz pesquisa da FGV

Fernanda Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – A quantidade de computadores em uso no Brasil, somados os corporativos e os domésticos, chega a 118 milhões, aponta pesquisa do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgada hoje (18). Isso significa que existem, no país, três computadores para cada cinco habitantes.

O estudo mostrou também que o número de computadores dobrou no período de quatro anos. Para este ano, a FGV estima que serão comercializados 22,6 milhões de unidades, o que equivale a uma unidade por segundo.

A projeção para daqui três anos é que o país tenha um computador por habitante, com 200 milhões de unidades. Esse crescimento será puxado, explica o professor Fernando Meirelles, coordenador da pesquisa, pelo aumento previsto nas vendas de tablets, também classificado como computador pela pesquisa.

O levantamento, que é feito há 24 anos e divulgado anualmente, consultou 5 mil grandes e médias empresas com 2,2 mil respostas válidas.

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AGRONEGÓCIO É CAMPEÃO NA LISTA SUJA DO TRABALHO ESCRAVO NO BRASIL

Lista suja do trabalho escravo tem 409 empregadores

Carolina Sarres
Repórter da Agência Brasil

Foto: celso tissot - creative commons flickrBrasília – No Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, lembrado doa 28 de janeiro, 409 empregadores estão na lista suja do trabalho escravo, elaborada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Instituto Ethos, a Organização Não Governamental (ONG) Repórter Brasil e o Ministério do Trabalho. A lista reúne empresas ou contratantes (pessoa física) que mantêm trabalhadores em condições análogas às de escravidão.

Calcula-se que os citados no cadastro empregam 9,1 mil trabalhadores, em setores majoritariamente agropecuários – como na criação e no abate de animais, no plantio e no cultivo de espécies vegetais, segundo apurou a Agência Brasil. Ainda há empresas de extração mineral, comércio e construção civil.

A lista suja do Trabalho Escravo está disponível na íntegra na internet, e pode ser consultada por qualquer pessoa por meio do nome da propriedade, do ramo de atividade, do nome do empregador (pessoa jurídica ou física), dos cadastros de Pessoa Física (CPF) ou de Pessoa Jurídica (CNPJ), do município ou do estado. A lista foi criada em 2004 por meio de resolução do Ministério do Trabalho.

O infrator (pessoa física ou empresa) é incluído na lista após decisão administrativa sobre o auto de infração lavrado pela fiscalização. Os dados são atualizados pelo setor de Inspeção do Trabalho do ministério. Quando entra na lista, o infrator é impedido de ter acesso a crédito em instituições financeiras públicas, como os bancos do Brasil, do Nordeste, da Amazônia, e aos fundos constitucionais de financiamento. O registro na lista suja só é retirado quando, depois de um período de dois anos de monitoramento, não houver reincidência e forem quitadas todas as multas da infração e os débitos trabalhistas e previdenciários.

Na última sexta-feira (25), foi publicado no Diário Oficial da União o resultado das auditorias fiscais do trabalho em 2012. De janeiro a dezembro do ano passado, foram cerca de 757,4 mil ações. Do total, 241 foram para combater o trabalho escravo.

Durante esta semana, serão promovidos diversos eventos em várias cidades do país para debater a questão. O ministro do Trabalho, Brizola Neto, se reuniu hoje com membros da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae), em Belo Horizonte, para discutir os desafios e os avanços do tema – como o trâmite no Congresso Nacional da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Trabalho Escravo, que prevê a expropriação de terras urbanas e rurais onde for comprovado o uso desse tipo de trabalho. A PEC já foi aprovada pela Câmara e precisa passar pelo Senado, o que está previsto para ocorrer ainda este ano.

Na próxima quinta-feira (31), estão previstos debates com a ministra da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Maria do Rosário, em São Paulo, quando será levado ao prefeito da cidade, Fernando Haddad, a necessidade de avanços da Carta-Compromisso contra o Trabalho Escravo, firmada em agosto de 2012, ainda quando o petista era candidato à prefeitura da capital paulista.

É considerado trabalho escravo reduzir uma pessoa à essa situação, submetendo-a a trabalhos forçados, jornada exaustiva, condições degradantes, restringir sua locomoção em razão de dívida com o empregador ou por meio do cerceamento de meios de transporte, manter vigilância ostensiva no local de trabalho e reter documentos ou objetos do trabalhador com o intuito de mantê-lo no local.

Edição: Carolina Pimentel

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NOTÍCIAS DIÁRIAS SOBRE AS BOLSAS DE VALORES NA GRANDE MÍDIA FUNCIONA COMO UMA DITADURA IDEOLÓGICA DA INFORMAÇÃO

Notícia diária em rede nacional para 0,3% da população

A informação sobre o sobe e desce das bolsas de valores todos os dias no rádio e na televisão funciona como uma lavagem cerebral e não tem nada de jornalismo. Todos os dias o Jornal Nacional nos mostra como estão as bolsas do Brasil, dos Estados Unidos, de países da Europa, do Japão etc… A Rádio CBN, por exemplo, expõe a situação da bolsa praticamente a cada meia hora. E para quê? Quantos brasileiros têm dinheiro aplicado em bolsas fora do pais? Ou melhor, quantos brasileiros tem dinheiro aplicado na bolsa no Brasil? Segundo informações do próprio mercado empresarial, menos de 1% da população investe na bolsa. Alguns sites especializados falam em 0,2% ou 0,3%.

Qual o motivo de se dar notícia diuturnamente sobre a bolsa em rádio e televisão abertas, fora de programas exclusivamente econômicos? Aparentemente nenhuma. Eles servem para criar uma expectativa de tensão na população. Em momentos especulativos, em que agentes financeiros podem apostar contra alguma moeda, as bolsas oscilam de forma mais intensa, provocando a sensação na população de que alguma coisa está errada.

Quando ocorre alterações bruscas há pelo menos a justificativa jornalística de que há algo anormal, mas a notícia diária das bolsas de valores são profundamente irrelevantes para o espectador ou ouvinte, assim como são enfadonhas. No entanto, lá estão essas notícias diariamente, como se fossem um dogma do jornalismo. Elas não tem novidade, não tem interesse (menos e 1% aplicam em bolsa), não tem empatia, não tem interesse público ou social, não tem ineditismo, não tem improbabilidade e não tem apelo, mas é um dogma.

Um dogma criado para sustentar a ditadura ideológica dos especuladores financeiros, que pelos meios de comunicação, expressam incessantemente (diariamente) que o interesse dos grandes apostadores das bolsas de valores são os mesmos interesses de toda a sociedade. Na maioria das vezes, em verdade, são o contrário. Eles apostam contra uma moeda e destroem a economia de um país, ou colocam esse país em condições financeiras de difícil solução e tendo de adotar medidas de austeridade fiscal contra a população, enquanto engordam seus lucros.

É certo que a ação da grande mídia hoje no Brasil está no nível mais baixo da intervenção. Ela atua politicamente, defendendo certos grupos políticos, mas a questão econômica são o seu grande triunfo ideológico, visto que cria uma espécie de chantagem sobre a vida política e cultural do país.

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COM JUSTIÇA CORONELISTA, BRASIL SE IGUALA À SOMÁLIA E AO PAQUISTÃO EM MORTES DE JORNALISTAS E É O 5º EM ASSASSINATOS
VÍDEO IMPERDÍVEL: CIRO GOMES EXPLICA JOSÉ SERRA BEM FUNDAMENTADO NA FOLHA, ESTADÃO, VEJA E GLOBO
QUE ABSURDO! GILMAR MENDES DESMENTE GILMAR MENDES E DIZ QUE LULA ‘NÃO FEZ NENHUM PEDIDO EM RELAÇÃO AO MENSALÃO’
PHOTOSHOP E BLOGOSFERA SE TORNARAM UMA MISTURA EXPLOSIVA PARA A REVISTA VEJA


CONFLITOS E PERSEGUIÇÕES RELIGIOSAS E POLÍTICAS FIZERAM NÚMERO DE REFUGIADOS PASSAR DE 40 MILHÕES EM 2011

Mulheres e meninas representam 48% dos refugiados e metade de todos os deslocados internos e retornados. 46% dos refugiados e 34% dos solicitantes de asilo são menores de 18 anos

Cerca de 42,5 milhões de pessoas foram forçadas a ficar longe de suas casas ou a fugir para se manter vivas em 2011. O número de refugiados, que pelo quinto ano seguido ultrapassou os 40 milhões, foi ocasionado pelos conflitos de grande repercussão internacional, como a Primavera Árabe – movimento de luta democrática que derrubou ditadores no Egito, na Tunísia e na Líbia – e por perseguições de ordem política, religiosa ou sexual, dentre outras.

Os dados do relatório Global Trends 2011 (Tendências Globais) do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), mostram que, em 2011, “o planeta viu surgir 800 mil novos refugiados, o maior número em mais de uma década. Assistiu também ao aparecimento de 3,5 milhões de deslocadas dentro de suas fronteiras, número 20% maior que em 2010”, diz notícia publicada pela Carta Capital.

Os refugiados estão em situação de vulnerabilidade extrema e refletem as crises humanitárias, bem como os momentos políticos vividos no mundo. Em razão da permanência de velhos conflitos e dos novos que vão surgindo, as tendências para os refugiados não são as mais positivas.

A África continua sendo um foco de conflitos, portanto, de refugiados. Uma vez em outros países, os refugiados tentam se adaptar às condições locais, que nem sempre são mais calmas que nos seus países de origem, mas, diante da impossibilidade de voltar, só lhes restar tentar se adequar ao novo lugar.

Veja trecho de notícia sobre o assunto:

Mundo somou 42,5 milhões de ‘refugiados’ em 2011
Por Gabriel Bonis

O ano de 2011 foi marcado por conflitos de grande repercussão internacional. Desde a Primavera Árabe, série de movimentos democráticos que surgiu em países do Oriente Médio e derrubou governos ditatoriais no Egito, Tunísia e Líbia, aos já conhecidos problemas internos da Somália e da Colômbia. Esses conflitos e as perseguições (política, religiosa, sexual, entre outras) forçaram 42,5 milhões de pessoas em todo o mundo a fugir ou se manter longe de suas casas por risco de vida. O número passou dos 42 milhões pelo quinto ano seguido. Esses dados integram o relatório Global Trends 2011 (Tendências Globais, em tradução livre) do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), divulgado nesta segunda-feira 18, e incluem 15,2 milhões de refugiados externos (pessoas que tiveram que cruzar as fronteiras de seus países) – 10,4 milhões sob os cuidados do ACNUR e 4,8 milhões de refugiados palestinos -, além de 26,4 milhões de deslocados internos (dentro de suas próprias fronteiras).

Apesar de haver uma pequena queda ante os 43,7 milhões de refugiados de 2010, o relatório anual do ACNUR reflete uma situação crítica neste tipo de migração no mundo. Em 2011, o planeta viu surgir 800 mil novos refugiados, o maior número em mais de uma década. Assistiu também ao aparecimento de 3,5 milhões de deslocadas dentro de suas fronteiras, número 20% maior que em 2010. Ou seja, 4,3 milhões de pessoas colocadas em situação de vulnerabilidade e deslocamento forçado por conflito ou perseguição. “Isso está relacionado com as crises humanitárias, os conflitos velhos e os novos, como a Primavera Árabe. Como os conflitos antigos não se resolvem e há novos, cria-se uma tendência preocupante para os refugiados”, diz Andrés Ramirez, representante do ACNUR no Brasil, em entrevista a CartaCapital. (Texto completo)

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PROBLEMA SILENCIOSO: GOVERNO DE SÃO PAULO BUSCA APRIMORAR A BUSCA POR CRIANÇAS DESAPARECIDAS NO ESTADO, MAS MEDIDAS ADOTADAS AINDA SÃO INSUFICIENTES
MOSTRA DE DOCUMENTÁRIOS E CARTAZES SOBRE OS ANOS DE DITADURA É REALIZADA PELO INSTITUTO VLADIMIR HERZOG
4 MILHÕES DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES TRABALHAM NO BRASIL, PRINCIPAIS CAUSAS CONTINUAM SENDO A POBREZA E A BAIXA ESCOLARIDADE DAS FAMÍLIAS
“TALVEZ TENHAMOS QUE DIMINUIR A NOSSA INCLUSÃO PARA PRESERVAR NOSSAS LIBERDADES”, DIZ RICHARD STALLMAN

EX-MORADORES DO PINHEIRINHO APRESENTAM DENÚNCIAS DE IRREGULARIDADES NA DESOCUPAÇÃO À CORREGEDORA ELIANA CALMON

A reintegração de posse de uma única casa costuma demorar um dia todo, já a desocupação de 1.800 famílias do Pinheirinho ocorreu em dois dias, lembra o advogado dos ex-moradores

“Aberração jurídica”. É assim que Antonio Donizete Ferreira, o advogado dos ex-moradores do Pinheirinho, classifica a ação do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que fez com que cerca de 1.800 famílias fossem retiradas da comunidade do Pinheirinho, (Texto completo)

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EPISÓDIOS DE VIOLÊNCIA COMO O DE PINHEIRINHO GERAM SITUAÇÕES COMO ESSA…
SECRETÁRIA ESTADUAL DA JUSTIÇA E DA DEFESA DA CIDADANIA DISSE QUE NÃO PODE RESPONDER SOBRE A VIOLÊNCIA EM PINHEIRINHO POIS “NÃO ESTAVA LÁ PARA SABER”
PICOLÉ DE BANANA? GERALDO ALCKMIN NÃO TEM CULPA, ELE SÓ EMPRESTOU REVÓLVERES, ESCOPETAS, MUNIÇÃO, HELICÓPTERO E DOIS MIL POLICIAIS
EM ENTREVISTA AO BRASIL DE FATO, DEPUTADO IVAN VALENTE DIZ QUE JUSTIÇA TRABALHOU COMO “JUSTIÇA DE CLASSE” NO CASO PINHEIRINHO

PROBLEMA SILENCIOSO: GOVERNO DE SÃO PAULO BUSCA APRIMORAR A BUSCA POR CRIANÇAS DESAPARECIDAS NO ESTADO, MAS MEDIDAS ADOTADAS AINDA SÃO INSUFICIENTES

Nos balões, fotos de crianças desaparecidas

“No Brasil, atualmente, cerca de 40 mil crianças e adolescentes desaparecem a cada ano. Desse total, 9 mil são crianças e adolescentes que desaparecem em São Paulo”. Esses são dados divulgados em notícia publicada pela Agência Brasil sobre novas medidas adotadas pelo governo de São Paulo para aprimorar as buscas por crianças desaparecidas.

As principais mudanças estão na exigência de identificação por fotografia digitalizada de crianças e adolescentes que se matricularem ou renovarem a matrícula nas instituições de ensino. Com isso, uma foto atualizada das crianças e adolescentes sempre estaria à disposição, o que muitas vezes as famílias não têm. A tecnologia de progressão de idade ou de envelhecimento digital, também vai ser utilizada pelo governo.

Ariel de Castro Alves, presidente da Fundação Criança de São Bernardo do Campo e vice-presidente da Comissão Especial da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), disse à Agência Brasil que apesar de aprovar as medidas ainda as considera insuficientes.

Primeiro porque a campanha deixou de lado a divulgação das fotos das crianças em locais públicos. Para ele, seria essencial que as fotos aparecessem em todas as edições do Diário Oficial, por exemplo, e também nos transportes públicos. Também não houve a preocupação, segundo ele, em criar delegacias especializadas no assunto e em aperfeiçoar um sistema interligado de informações para lidar com o problema. “Precisaríamos realmente ter um cadastro estadual de pessoas desaparecidas, o que ainda não foi lançado”, diz ele.

Enquanto isso, os dados vão aumentando e os governos, tanto estaduais quanto federal, ainda parecem estar distantes de um método eficiente em tornar visível o que, por causas sociais e familiares, se torna invisível. Em oposição ao aparente silêncio dos desaparecidos é preciso fazer mais barulho.

Veja trecho da notícia:

Governo de São Paulo adota medidas para aprimorar busca de crianças desaparecidas no estado
Por Elaine Patricia Cruz

São Paulo – A exigência de identificação por fotografia digitalizada de crianças e adolescentes que se matricularem ou renovarem a matrícula nas instituições de ensino é uma das medidas previstas e faz parte da campanha do governo paulista, lançada na semana passada, para melhorar o sistema de busca de crianças e adolescentes desaparecidos no estado.

A campanha, que envolve as secretarias de Segurança Pública, Justiça e Defesa da Cidadania; Educação; Saúde, Desenvolvimento Social; e dos Direitos das Pessoas com Deficiência, também pretende conscientizar a população sobre a importância da comunicação rápida do desaparecimento, sem a necessidade de aguardar o prazo de 24 horas para que a notificação seja feita.

“Muitas vezes, uma dificuldade que ocorre com relação a desaparecimento de crianças e adolescentes é que a família sequer tem uma foto atualizada da criança. Se todo ano isso for um requisito, e as escolas já tiverem uma foto da criança e esta foto estar sempre atualizada no banco de dados da escola, isso vai colaborar com relação às famílias que não têm fotos atualizadas das crianças”, disse Ariel de Castro Alves, presidente da Fundação Criança de São Bernardo do Campo e vice-presidente da Comissão Especial da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O governo paulista também anunciou que vai utilizar a tecnologia de progressão de idade ou de envelhecimento digital, que faz uma simulação de como estas crianças desaparecidas estariam nos dias atuais. É um processo semelhante ao que já vem sendo usado há alguns anos pela Polícia Civil no Paraná.

Apesar de elogiar estas ações, Alves disse ainda considerar as medidas insuficientes. Uma de suas reclamações é que a campanha deixou de lado a divulgação de fotos dos desaparecidos em locais públicos.(Texto completo)

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Até 2015, o Brasil espera acabar com o trabalho infantil, mas o caminho parece longo

Os números do trabalho infantil no Brasil continuam altos. “Nos primeiros cinco meses do ano, operações comandadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) encontraram 2.275 crianças e adolescentes trabalhando irregularmente. Essas pessoas são parte das 4 milhões de crianças e adolescentes que trabalham no País”, diz notícia publicada pela Carta Capital.

A região que tem mais crianças e adolescentes trabalhando é a região Nordeste e as causas do problema continuam sendo a pobreza e a baixa escolaridade das famílias. Muitas famílias, principalmente na zona rural, não consideram a escola uma alternativa viável, diz a secretária executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPeti), Isa Oliveira.

Nas zonas rurais geralmente o acesso à educação é bem mais difícil e a situação das escolas (infraestrutura, professores), também é bem mais precária. Por isso, as crianças acabam trabalhando ao invés de estudar. Nestes casos, a educação, para dizer de forma direta, não compensa.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Brasil tem mais de 4 milhões de crianças e adolescentes trabalhando
Por Marcelo Pellegrini

Há dez anos as Nações Unidas celebram, no dia 12 de junho, o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil. No Brasil, não há muitos motivos para comemorar. Nos primeiros cinco meses do ano, operações comandadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) encontraram 2.275 crianças e adolescentes trabalhando irregularmente. Essas pessoas são parte das 4 milhões de crianças e adolescentes que trabalham no País.

De acordo com o chefe da Divisão de Fiscalização do Trabalho Infantil do MTE, Luiz Henrique Lopes, a região Nordeste lidera as autuações do MTE em 2012, com 48% dos afastamentos, seguida pela região Centro-Oeste (24%), Norte (13), Sudeste (8%) e Sul (7%).

O percentual do ranking das regiões brasileiras está relacionado com a atividade econômica e com os níveis de renda e escolariadade.

De acordo com a secretária executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPeti), Isa Oliveira, a pobreza e a baixa escolaridade das famílias estão entre as principais causas do trabalho infantil no País. Segundo ela, o principal motivo para que as crianças permaneçam trabalhando é o fato de as famílias não considerarem a escola uma alternativa viável. “Principalmente na área rural, há uma grande precariedade educacional, acrescida da precariedade no transporte para que essas crianças cheguem à escola”, diz Isa. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), no mundo, 59% do trabalho infantil encontra-se na zona rural.

Prevenção

Apesar da legislação brasileira proibir qualquer forma de trabalho exercido por crianças com idade entre 5 a 14 anos, este tipo de prática ainda é comum. Hoje, 1,4 milhão de crianças brasileiras de 5 a 14 anos trabalham. Em estados como a Bahia, o Piauí e o Maranhão o percentual de menores no trabalho chega a cerca de 17%, segundo a OIT. (Texto completo)

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“TALVEZ TENHAMOS QUE DIMINUIR A NOSSA INCLUSÃO PARA PRESERVAR NOSSAS LIBERDADES”, DIZ RICHARD STALLMAN

“Watching you” (vendo você)

No lançamento da 13ª edição do Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre, o criador do movimento software livre, Richard Stallman, alertou para as crescentes ameaças à liberdade digital e também para as armadilhas da inclusão. Como mostra notícia publicada pela Carta Maior, ele disse: “a inclusão digital pode ser boa ou ruim. Depende de onde a sociedade será incluída. O que vemos hoje é que a liberdade está sendo atacada de várias maneiras. Talvez tenhamos que diminuir a nossa inclusão para preservar nossas liberdades”.

Stallman defendeu em sua fala a liberdade na rede, mas lembrou algo que muitas vezes esquecemos. Tudo o que escrevemos e fazemos na internet está sendo gravado, a ilusão do “deletar” não existe em um mundo conectado como o atual, por isso ele enfatizou a necessidade do internauta se policiar. Ele ressaltou que tudo, tudo mesmo que fazemos está sendo gravado e classificado.

Facebook, Google e Google Analytics foram citados por ele como exemplos de um sistema de vigilância que está sendo feito em vários níveis. Dentre eles, o mais perigoso é aquele controlado pelos governos. Os sistemas de vigilância se aperfeiçoam cada vez mais. É o mundo que Stálin gostaria de ter, brincou Satallman.

A brincadeira parece estar só mesmo na fala. O criador do movimento software livre citou também a Argentina e seu sistema de gravação das impressões digitais de todas as pessoas que entram ou saem do país e lembrou da incompatibilidade entre uma sociedade livre e esses modelos de controle facilitado de cada passo, de cada coisa que um indivíduo diga ou faça.

Esta aí justamente a armadilha, quando mais incluídos digitalmente, mas estamos fora de nossa própria individualidade, mesmo sem perceber.

Veja trecho da notícia:

Liberdade na internet está sob ataque, diz Richard Stallman
Por Marco Aurélio Weissheimer

Porto Alegre – O criador do movimento software livre, Richard Stallman, participou nesta segunda-feira (4), no Palácio Piratini, do lançamento da 13ª edição do Fórum Internacional Software Livre, que será realizada de 25 a 28 de julho, no Centro de Eventos da PUC-RS, em Porto Alegre. Em um ato que contou com a presença do governador Tarso Genro, Stallman falou sobre as crescentes ameaças à liberdade na sociedade digital.

Em uma rápida intervenção no início da cerimônia, o governador gaúcho disse que o movimento em defesa do software livre representa hoje “uma das lutas mais importantes para recuperar a densidade da democracia que hoje se encontra esvaziada”. Tarso agradeceu e destacou o empenho de ativistas como Marcelo Branco em defesa da liberdade digital. “Quando eu era ministro da Justiça, foi ele que me advertiu sobre a necessidade de entrarmos no debate sobre o projeto restritivo e de censura que tramitava então no Congresso Nacional. Conseguimos bloquear a votação desse projeto e ajudamos a estimular um debate nacional sobre o tema”.

A fala de Richard Stallman foi marcada por graves advertências acerca das crescentes restrições na internet. Para o criador do Projeto GNU, iniciado em 1983 nos Estados Unidos, coisas muito sérias estão acontecendo na sociedade digital. “A inclusão digital pode ser uma coisa muito boa ou muito ruim. Depende de onde a sociedade será incluída. O que vemos hoje é que a liberdade está sendo atacada de várias maneiras. Talvez tenhamos que diminuir um pouco a nossa inclusão para preservar as nossas liberdades”, sugeriu.

Após um período de euforia e liberdade, os usuários da internet devem começar a se policiar, pois tudo o que fazem está sendo gravado e classificado. A palavra “tudo”, aqui, não é força de expressão. É “tudo” mesmo. Stallman citou os casos do Facebook, do Google e do Google Analytics como exemplos de um sistema de vigilância que está sendo feito em vários níveis. O mais perigoso, defendeu, é aquele controlado pelos governos.

“Grandes empresas privadas como Amazon, Microsoft, Apple e grandes empresas de telefonia também têm seus sistemas de vigilância. Nós podemos controlar isso usando software livre, por exemplo. Mas quando se trata de governos, a situação é mais complicada. Na Inglaterra, há um sistema que diz onde está cada automóvel do país pelo controle da placa. É algo que Stálin não teve, mas que gostaria de ter”, brincou.

Durante a sua fala, Stallman anunciou, em tom de lamento, que amanhã (terça-feira) estará visitando a Argentina pela última vez em virtude de um sistema de gravação das impressões digitais de todas as pessoas que entram ou saem do país. “Será meu último voo para a Argentina. Algumas coisas não podem ser toleradas. O Estado não pode saber tudo sobre todos. A polícia secreta da União Soviética não tinha esse controle sobre a vida das pessoas”, protestou o fundador da Free Software Foundation, que acrescentou. “Numa sociedade livre, não pode ser fácil para a polícia saber tudo sobre todas as pessoas. Se for fácil, então não estaremos vivendo em uma sociedade livre”. (Texto completo)

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EDUCAÇÃO EM GREVE: PROFESSORES DE 48 INSTITUIÇÕES ESTÃO PARALISADOS E PEDEM REVISÃO DO PLANO DE CARREIRAS

Da Agência Brasil

Greve dos professores das universidades federais já atinge 48 instituições
Por Roberta Lopes

Brasília – A greve das instituições federais de ensino já atinge 46 universidades federais e mais dois institutos de ensino tecnológico, segundo levantamento do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes).

A principal reivindicação dos docentes é a revisão do plano de carreiras. O sindicato defende que o atual modelo não permite uma evolução satisfatória do professor ao longo da profissão. A greve já dura mais de 15 dias.

No ano passado, o governo fechou um acordo com a categoria. Ele previa a revisão do plano de carreiras para 2013, além de um aumento de 4%, a partir de março, e a incorporação de gratificações. Os dois últimos pontos já foram concedidos, mas o novo plano continua pendente.

Na última semana, o comando de greve tinha uma reunião de negociação marcada no Ministério do Planejamento, mas o encontro foi adiado pelo próprio governo. O sindicato diz que não recebeu nenhuma justificativa para o cancelamento da reunião. O ministério informou, por meio da assessoria de imprensa, que o encontro foi apenas adiado por razões de “agenda” e será remarcado. (Texto completo)

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HOSNI MUBARAK, SEGUNDO LÍDER ÁRABE DERRUBADO PELOS PROTESTOS POPULARES, É CONDENADO A PRISÃO PERPÉTUA PELOS CRIMES QUE COMETEU NO PODER

O Egito que vai às ruas

O segundo líder árabe derrubado por protestos populares em toda a história do Oriente Médio, também é o primeiro ex-ditador da região a ser condenado pelos crimes que cometeu no poder.

“O ex-ditador do Egito Hosni Mubarak e seu ex-ministro do Interior, Habib al-Adly, foram condenados no último sábado, dia 2, a 25 anos de prisão (equivalente à prisão perpétua no Egito) por conta de sua participação no massacre de civis durante os 18 dias de protestos que, entre janeiro e fevereiro de 2011, colocaram fim à ditadura comandada por Mubarak durante 30 anos”, diz notícia publicada pela Carta Capital.

A sentença foi considerada histórica, assim como os protestos de 2011 vivivos pelo Egito que, como lembrou o próprio juiz responsável pelo destino do ex-ditador, Ahmed Refaat, significaram um “novo amanhecer” para o Egito, que surgiu para encerrar “30 anos de escuridão” sob o governo Mubarak”.

A defesa disse que vai recorrer à decisão, já os familiares das vítimas estão divididos. Alguns achavam que o ex-ditador merecia a morte e que a justiça não foi feita da forma como deveria. O fato de Ahmed Refaat ter absolvido Mubarak e seus dois filhos de crimes de corrupção cometidos durante a ditadura também causou revolta e, no mesmo instante, milhares saíram às ruas para protestar contra o que chamaram de “sobrevida do antigo regime”.

30 anos de ditadura não desaparecem do dia para noite e ainda há muito o que ser esclarecido principalmente às famílias, como lembra a notícia da Carta Capital, que ainda não sabem de toda a verdade. No entanto, os protestos e a condenação, que não acontecem em muitos países, parecem configurar um avanço na rota da democracia.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Mubarak, ex-ditador do Egito, é condenado à prisão perpétua
Por redação Carta Capital

O ex-ditador do Egito Hosni Mubarak e seu ex-ministro do Interior, Habib al-Adly, foram condenados neste sábado 2 a 25 anos de prisão (equivalente à prisão perpétua no Egito) por conta de sua participação no massacre de civis durante os 18 dias de protestos que, entre janeiro e fevereiro de 2011, colocaram fim à ditadura comandada por Mubarak por 30 anos. A sentença é histórica. Mubarak, o segundo líder árabe derrubado por protestos populares em toda a história do Oriente Médio, é o primeiro ex-ditador da região condenado pelos crimes que cometeu no poder. Sua defesa anunciou que vai recorrer.

A sentença de Mubarak e Al-Adly foi lida na manhã deste sábado pelo juiz Ahmed Refaat, que presidia o caso. Refaat afirmou que os protestos de 2011 significaram um “novo amanhecer” para o Egito, que surgiu para encerrar “30 anos de escuridão” sob o governo Mubarak. O magistrado, então, leu as sentenças condenando Mubarak e Al-Adly a penas de 25 anos, o máximo previsto na legislação atual do Egito.

O chefe da defesa de Mubarak, Farid al-Deeb, afirmou que havia “erros” na justificação da sentença e prometeu recorrer. De acordo com o jornal egípcio Egypt Independent, a reação das famílias das vítimas foi dividida. Enquanto alguns comemoravam, outros criticavam o que foi considerado a falta de severidade da pena. “Mubarak tem que morrer como aconteceu com meu filho. Precisamos da execução. Vão deixar que ele escapem. Não há justiça neste país”, disse Sanaa Saeed, cujo filho, Moez al-Sayed, foi morto a tiros na praça Tahrir, no centro do Cairo, a capital do Egito. (Texto completo)

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PROFESSORES, ESTUDANTES E FUNCIONÁRIOS QUEREM COMISSÃO DA VERDADE NA USP, ONDE RESQUÍCIOS AUTORITÁRIOS DA DITADURA PERMANECEM
EM UMA DEMOCRACIA, A POPULAÇÃO DEVE SEMPRE SE LEMBRAR DO PODER QUE TEM…
GRAMSCI: DO EXERCÍCIO CONSCIENTE DA CIDADANIA QUE CONDUZ A UM AGIR, PENSAR E TOMAR PARTIDO DIANTE DA REALIDADE SOCIAL
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TRÁFICO DE PESSOAS: TRÊS MODELOS BRASILEIRAS ENVIADAS PARA O EXTERIOR VIRARAM ESCRAVAS NA ÍNDIA

Uma das rotas do tráfico de pessoas

Uma jovem de 15 anos e duas de 19 foram vítimas de tráfico internacional de pessoas ao saírem do Brasil com o sonho de seguir carreira de modelo internacional. Elas viraram escravas na Índia e “acabaram submetidas a assédio moral e sexual, além de cárcere privado e servidão por dívida, de acordo com acusação feita pelo Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP)”, diz notícia publicada pela Repórter Brasil.

As agências brasileiras responsáveis por enviar as modelos ao exterior são a Dom Agency Model´s e Raquel Management que foram proibidas pelo juiz federal João Batista Gonçalves, da 6ª Vara Civil de São Paulo, de continuar a enviar modelos para fora do Brasil.

As três brasileiras, duas irmãs de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, e outra de Passos, em Minas Gerais, saíram do país com a promessa de fotografar em Mumbai e, ao chegar, logo tiveram a liberdade cerceada e foram submetidas a condições degradantes como a proibição de deixar o apartamento em que viviam, não por acaso localizado em uma zona de exploração sexual, a falta de água em alguns horários do dia e a jornada exaustiva de trabalho. O pai das duas irmãs denunciou a situação ao consulado brasileiro em Mumbai e as jovens voltaram ao Brasil em 26 de dezembro de 2010.

Além da liminar que proíbe as agências de continuarem a enviar modelos ao exterior, espera-se que elas sejam condenadas a indenizar as três jovens pelos danos causados, principalmente morais e psicológicos. As três jovens no entanto são apenas uma ponta do problema. Na ocasição do episódio, a Divisão Consular do Brasil na Índia enviou ao Ministério das Relações Exteriores relatório sobre a possível existência de uma rede internacional de tráfico de pessoas.

As próprias modelos teriam tido contato com outras 20 jovens na mesma situação. Elas ainda lembraram que as famílias são submetidas a terrorismo por parte das agências para que não procurem o Consulado Brasileiro. O acontecimento configura no mínimo um absurdo, agências que se dão ao luxo de explorar jovens, iludindo-as, e ainda lançam mão de ameaças para seguir agindo impunemente.

Veja trecho da notícia:

Modelos enviadas para o exterior foram escravizadas na Índia
Uma jovem de 15 anos e duas de 19 foram vítimas de tráfico de pessoas, acabaram submetidas à degradação e tiveram liberdade cerceada. Justiça proibiu agências envolvidas de continuarem operando
Por Bianca Pyl

Três modelos brasileiras que saíram do Brasil com sonho de seguir carreira de modelo internacional viraram escravas na Índia. As jovens, uma delas com apenas 15 anos, foram vítimas de tráfico internacional de pessoas e acabaram submetidas a assédio moral e sexual, além de cárcere privado e servidão por dívida, de acordo com acusação feita pelo Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP). A denúncia foi aceita pelo juiz federal João Batista Gonçalves, da 6ª Vara Civil de São Paulo, que determinou que as agências brasileiras Dom Agency Model´s e Raquel Management parem imediatamente de enviar modelos ao exterior. Em entrevista à Repórter Brasil, o proprietário da Dom, Benedito Aparecido Bastos, negou que esteja envolvido com tráfico de pessoas. Já Raquel Felipe, proprietária da Raquel Management, não quis se pronunciar sobre as acusações.

As três brasileiras, duas irmãs de 15 anos e 19 anos de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, e uma jovem de 19 anos de Passos, em Minas Gerais, deixaram o país com contratos para fotografar em Mumbai, na Índia. As duas primeiras foram recrutadas pela Raquel Management em 12 de novembro de 2010. A terceira assinou com a Dom Model´s em dezembro do mesmo ano. Ao chegarem na Índia, as três jovens acabaram submetidas a condições degradantes e tiveram a liberdade cerceada. De acordo com depoimento que prestaram ao MPF, elas eram impedidas de deixar o apartamento em que viviam, em um edifício localizado em uma zona de exploração sexual, e só conseguiram escapar porque o pai das duas irmãs denunciou a situação ao consulado brasileiro em Mumbai. As jovens foram então resgatadas e conseguiram voltar ao Brasil em 26 de dezembro do mesmo ano graças ao auxílio do consulado, que arcou com os custos da viagem.

O agente local da K Models Management – parceira das agências brasileiras na Índia – chegou a ser preso pela polícia indiana na ocasião. Às autoridades brasileiras, as jovens relataram que ele pagou para que vigias do edifício as impedissem de deixar o local. Uma delas chegou a machucar o joelho ao fugir do homem, que tentou agarrá-la. Além da violência a que foram submetidas, as brasileiras não tinham acesso à água quente para o banho. No apartamento, segundo contaram, só havia água em algumas horas do dia. Uma das vítimas disse que não tinha tempo para se alimentar e descansar por conta dos trabalhos seguidos que era obrigada a cumprir. (Texto completo)

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MAURICIO DIAS: A REDUÇÃO DA TAXA DE JUROS PARA NÍVEIS HISTÓRICOS CONSOLIDA A IDENTIDADE DE DILMA ROUSSEFF

Agora só falta a implantação de um novo código para o setor de comunicações

Em recente texto publicado pela Carta Capital, Mauricio Dias fala de duas características principais que marcaram os primeiros 18 meses do governo Dilma: coragem e determinação política. Ambas as características, raras por sinal, foram demonstradas por Dilma em diversos momentos de tensão política já atravessados durante seu governo, segundo Dias.

Depois da difícil fase de denúncias de corrupção envolvendo assessores e ministros, enfrentada pela presidente que afastou nome por nome, deixando o Congresso bastante insatisfeito, Dilma não se intimidou diante dos agentes financeiros e “mostrou a força do braço estatal – Banco do Brasil e Caixa Econômica”, fazendo com que os agentes privados cedessem.

Também quando o assunto foi o Código Florestal, Dilma desagradou a muitos ruralistas ao vetar boa parte do texto que deixava impune o desmatamento e agora, após embate com o poderoso capital financeiro, a presidente baixou a taxa de juros a um patamar histórico, 8,5% ao ano.

São acontecimentos que, como lembra Dias, ajudam a consolidar a identidade de Dilma e sua postura enquanto dirigente do país. Ela não é mais um simples apêndice de Lula, também não faz as coisas por ser mulher, os seguidos avanços e a coragem de simplesmente não ceder aos apelos da bancada governista e governar sem abandonar as suas convicções, mas, ao mesmo tempo, sem desestabilizar em grande medida o cenário político, fazem com que todos os rótulos associados a Dilma Rousseff, a presidente que enfim vai dar ao país a sua Comissão da Verdade, soem simplesmente como desnecessários.

Dilma vai à guerra
Por Mauricio Dias

Após embate com o poderoso capital financeiro, a presidenta Dilma forçou e conseguiu a redução dos juros para um patamar histórico. A taxa de 8,5% ao ano, anunciada nos últimos dias, não só marca o aniversário dos primeiros 18 meses de administração dela como também consolida, para decepção dos céticos, a identidade de Dilma.

Ela não é mais tão somente uma invenção de Lula. E, com o perdão das feministas e para fazer escárnio dos machistas, o feito não é alcançado pelo fato de uma mulher ser responsável pelo sucesso nem por ela ser “durona como um homem”, como insistiria o frustrado.

O gênero não define nada. O que vem ocorrendo é resultado de coragem e determinação política.

Após superar a difícil fase de denúncias sobre assessores suspeitos de corrupção, ou malfeitos, como diz ela, Dilma foi em frente. Afastou ministros indicados pela base governista e deixou o Congresso baratinado, soltando grunhidos de insatisfação.

Chegou-se a pensar que ela faria uma faxina capaz de desestabilizar o governo, ou cederia. Não fez a faxina e não cedeu. Assim começou a imprimir suas digitais na administração. O Congresso cedeu.

Posteriormente, pressionada pela crise internacional, partiu resoluta para a queda de braço com os agentes do mundo financeiro. Eles esboçaram uma reação.

Esperavam o recuo e se surpreenderam com o avanço.

A presidenta exibiu a musculatura do braço estatal – Banco do Brasil e Caixa Econômica – e os agentes privados cederam.

Poucos, além de fanáticos torcedores partidários, acreditavam que a presidenta pudesse, sem o tutor político dela, ganhar identidade própria. Pensavam assim os próprios militantes, os órfãos de Lula e, naturalmente, a oposição, por elementar dever de ofício.

Dilma, neste curto período de ano e meio, contrariou os mais importantes atores políticos do País ou, quando menos, grupos influentes como os ambientalistas. (Texto completo)

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PROFESSORES, ESTUDANTES E FUNCIONÁRIOS QUEREM COMISSÃO DA VERDADE NA USP, ONDE RESQUÍCIOS AUTORITÁRIOS DA DITADURA PERMANECEM

Para Shecaira, um dos professores que participa do movimento,  “este é um momento de retrocesso no seio de órgãos de poder da universidade”

Por ser uma das universidades onde os trabalhadores e estudantes foram amplamente perseguidos durante a Ditadura Militar no Brasil e por ainda guardar resquícios desse período, haja vista a forma autoritária e na maioria das vezes conservadora com que a USP tem tratado as questões sociais dentro do seu campus, funcionários, professores e estudantes pedem uma Comissão da Verdade na universidade para investigar e trazer à tona todos os crimes cometidos durante o governo repressivo e autoritário dos militares no espaço da Universidade de São Paulo.

Um abaixo-assinado foi lançado na última semana pedindo a instalação da Comissão da Verdade na universidade. A ação, encabeçada por juristas, que culminou no Fórum Aberto pela Democratização da USP, pretende “somar assinaturas até o mês de agosto, eleger possíveis membros nas bases de cada um dos setores da comunidade uspiana e protocolar oficialmente o pedido de instalação de sua Comissão da Verdade no conselho universitário”, diz notícia publicada pela Carta Maior.

A discussão na USP evidencia como a Comissão da Verdade em nível nacional está influenciando a formação de comissões estaduais, municipais e inclusive no espaço da universidade o que soa como positivo quando se pensa que a periferia vem para reforçar o movimento central em uma relação onde ambos se alimentam e se fortaleçem.

Além disso, investigar e trazer à tona os crimes da ditadura cometidos na USP, faz total sentido já que a primeira ação de todo e qualquer regime autoritário e regressivo, no sentido negativo da palavra, é calar o conhecimento, tornar muda a consciência crítica, por isso a USP foi tão perseguida naqueles anos e o fato de ela ainda se mostrar autoritária talvez seja justamente um sinal de que a liberdade e o conhecimento para alguns ainda continua sendo nem um pouco interessante.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Professores, estudantes e funcionários pedem Comissão da Verdade na USP
Fórum Aberto pela Democratização lembra que USP foi uma das universidades em que trabalhadores e estudantes foram mais perseguidos na ditadura, e que, por guardar resquícios daquele período, é uma das universidades que têm demonstrado enorme truculência. “Professores, estudantes e funcionários da USP devem abrir o passado e verificar tudo aquilo que ocorreu durante o regime empresarial-militar”, defendeu Fábio Konder Comparato.

Por Fábio Nassif

São Paulo – O Pátio das Arcadas da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo foi palco do ato de lançamento de um abaixo-assinado para instalação da Comissão da Verdade na universidade. A atividade encabeçada por juristas nesta quinta-feira (25) lembrou que a USP foi uma das universidades em que os trabalhadores e estudantes foram mais perseguidos durante a ditadura, e que, por guardar resquícios regimentais daquele período, é uma das universidades que têm demonstrado enorme truculência diante dos movimentos lá organizados.

A ideia do Fórum Aberto pela Democratização da USP, que reúne representações dos três setores, organizações políticas e entidades de direitos humanos, é somar assinaturas até o mês de agosto, eleger possíveis membros nas bases de cada um dos setores da comunidade uspiana e protocolar oficialmente o pedido de instalação de sua Comissão da Verdade no conselho universitário.

Formado na USP, Fábio Konder Comparato disse que a Comissão da Verdade nacional deve ser ajudada por comissões estaduais, municipais ou setoriais, como é o caso da universidade. Em sua opinião, a comissão da USP deve trabalhar com total independência. “Os professores, estudantes e funcionários da USP devem abrir o passado e verificar tudo aquilo que ocorreu durante o regime empresarial-militar”, disse o professor.

“É preciso que nós saibamos enfrentar esta verdade difícil que é a verdade do desrespeito sistemático à dignidade da pessoa humana”, afirmou Comparato, que também criticou a repressão na USP dos dias atuais. “O regime disciplinar da universidade que continua em vigor foi estabelecido em 1972. Para os jovens isso pode não significar nada. Para nós que vivemos aquele período, significa o período mais sangrento do regime empresarial-militar. Era o Governo do general Médici”, disse, reforçando o papel da memória para não repetição do passado.

O professor de direito penal, Sérgio Salomão Shecaira, afirmou que “a Comissão da Verdade propiciará, no âmbito da USP, sabermos quem é que foi cassado pelo AI-5 e por que o decreto 477 permitia afastamento de estudantes”. “Esse decreto tem ainda um entulho autoritário que é uma cópia – me perdoem – cuspida e escarrada do 477, que é de 72, e que permite os detentores da USP processarem alunos da nossa universidade”, disse. Atualmente, 51 estudantes estão sofrendo processos administrativos e podem ser “eliminados”, de acordo com o regimento da USP.

O atual reitor da universidade, João Grandino Rodas, foi diretor da Faculdade de Direito antes de assumir o atual posto. Shecaira acredita que “este é um momento de retrocesso no seio de órgãos de poder da universidade”, e repetiu aos jovens presentes na plateia que “para nós, o Magnífico reitor será sempre persona non grata”. (Texto completo)

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A Marcha chega a Brasília

Brasília recebeu a primeira Marcha da Maconha depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a legalidade da manifestação como forma de liberdade de expressão.

Como mostra notícia publicada pela Agência Brasil, os comentários de pessoas próximas que assistiam à marcha era de espanto, com frases do tipo, “o mundo realmente está louco, como é que podem pedir uma coisa como essa?”, questionou a garçonete Lúcia Vieira. A discussão sobre legalização da maconha deveria passar longe dos preconceitos difundidos na sociedade e ter uma discussão mais técnica e racional.

A cannabis, usada há mais de 3 mil anos, segundo reportagem,  faz parte da cultura de algumas religiões e de seus cultos e cerimoniais e pode ser usada no tratamento contra o câncer e o glaucoma.

Para o organizador da marcha Flávio Pompêo, “a proibição é negativa, fortalece o crime organizado e causa mais males do que benefícios”. Para ele, a proibição não inibe o uso, pelo contrário, multiplica caminhos na ilegalidade para que ele seja possível.

É necessário uma discussão menos apaixonada sobre o tema. O próprio presidente da Colômbia,  Juan Manuel Santos, de um dos países que mais combatem o tráfico de drogas, pediu em debate internacional sobre o tema, que há necessidade de se reavaliar a guerra às drogas, como definiu o presidente dos EUA, Rixard Nixon, na década de 60.

Veja trecho da notícia:

Brasília recebe primeira marcha da maconha após liberação do STF
Da Agência Brasil

Brasília – Manifestantes ocuparam a Esplanda do Ministérios na tarde de hoje (25) pedindo a legalização do uso da maconha. A caminhada começou pontualmente às 16h20, horário reconhecido na cultura canábica como hora de fumar. Proibida em 2011, a Marcha da Maconha teve aval do Supremo Tribunal Federal (STF) por considerar que todos têm direito à liberdade de expressão. A Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF) acompanhou todo o manifesto sem interferências.

“ Nós defendemos a legalização da maconha para três finalidades: uso medicinal, para pacientes com câncer, glaucoma; uso religioso, que garante a liberdade de algumas religiões afro-brasileiras que estão hoje impedidas de expressar sua liberdade religiosa; e uso cultural, que é o uso social que não causa males ao indivíduo”, disse o organizador da marcha Flávio Pompêo.

Para o organizador, a proibição do uso da maconha é equivocada, já que, segundo ele, registros históricos mostra que a cannabis é usada há mais de 3 mil anos. “ Achamos que a proibição é negativa, fortalece o crime organizado e causa mais males do que benefícios”, disse.

A organização da marcha estima que mais de 3 mil pessoas participaram do protesto de hoje. Para a PM-DF, o número não ultrapassou mil manifestantes. O ponto mais esperado da caminhada foi a famosa “Ola” feita na descida do Congresso Nacional. De lá, os manifestantes seguiram em direção a Praça dos Três Poderes , onde fizeram “ A Grande Folha Humana”, um desenho de uma folha de maconha feito pelos participantes da marcha.

Durante a passeata, era notória a expressão de espanto de algumas pessoas. “ O mundo realmente está louco, como é que podem pedir uma coisa como essa?”, questionou a garçonete Lúcia Vieira. (Texto completo)

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O RISCO DE SER MULHER: DEPOIS DA LEI MARIA DA PENHA, BRASIL AINDA É O SÉTIMO PAÍS EM FEMINICÍDIO

A violência contra a mulher atualmente se configura como nada menos do que um problema crônico no conjunto de relações sociais. Impregnada de uma herança histórica estruturada em torno do “pater familias” ou do “poder do pai”, que deu vazão a todo um modelo de sociedade patriarcal centrada no poder do homem, na sua supremacia, a sociedade atual ainda continua profundamente machista e regada por um preconceito ácido ou, algumas vezes, sutil, que não raro vem das próprias mulheres.

Mesmo com a evolução do movimento feminista ao longo dos anos e épocas, ser mulher ainda continua sendo tarefa de alto risco. Isso porque as conquistas trazidas com a Lei Maria da Penha deveriam evitar que os casos de violência contra a mulher aumentassem, mas eles ainda somam um número expressivo que não pode passar despercebido.

Um levantamento recente, feito com base em dados secundários, obtidos do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) – ambos do Ministério da Saúde, colocou o Brasil na sétima posição em feminicídio, em um ranking de 84 países, e mostrou a permanência deste velho e delicado problema ao revelar que foram assassinadas, entre 1980 e 2010, 91.932 mulheres. Quase a metade dos casos, 43.486 mortes, ocorrendo apenas na última década.

Além disso, o levantamento confirmou uma realidade que atravessa historicamente a questão: a renovação da violência na figura do homem. Este apenas muda a sua função dentro da estrutura familiar. O agressor primeiro é o pai, depois converte-se no marido e, quando a mulher é mais velha, nos próprios filhos.

A impressão é de que se está em um emaranhado sem fim, onde silêncios, medo e sentimentos extremos que não raro passam pelo amor obsessivo ou até pela loucura escorrem por entre os pontos traumáticos da relação homem e mulher.

O desafio é grande para começar a alterar essa realidade, não só pelo seu peso histórico, como também pelo preconceito e falta de garantias que a mulher encontra para “assumir sua liberdade”. O preço de ser mulher e ser realmente livre, o que vai muito além de meras palavras, é alto, e é o Estado que deve responder por ele diminuindo aos poucos o seu custo por meio de sérias e efetivas políticas que começem a transferir o poder da figura do homem para a figura da mulher.

A mulher só terá coragem suficiente para dizer, se ela souber que cairá em terra firme. O que inclui o afastamento efetivo do homem que lhe inflige violência e o amparo material (como a posse da casa, por exemplo, guarda dos filhos, e todas as demais formas de independência financeira a serem garantidas pelo Estado). Enquanto o horizonte da liberdade para a mulher continuar sendo um sinuoso precipício, nada mudará.

Veja trecho da notícia sobre o assunto publicada pela Agência Brasil:

Levantamento revela permanência da violência contra mulher mesmo após a Lei Maria da Penha
Por Gilberto Costa

Brasília – A nova edição do Mapa da Violência mostra um problema antigo: em trinta anos a taxa de homicídios de mulheres no Brasil oscilou em torno de 4,4 vítimas a cada 100 mil mulheres. Foram assassinadas, entre 1980 e 2010, 91.932 mulheres. Quase a metade dos casos, 43.486 mortes, ocorreu na última década.

Segundo o documento, até os 14 anos de idade os pais são os principais responsáveis pela violência. O papel de agressor, porém, vai sendo substituído progressivamente pelo parceiro ou ex-parceiro, a partir dos 20 anos de idade, situação que se mantém até a idade de 60 anos. Depois dos 60 anos os filhos preponderam na geração de violência contra a mulher.

Em vigor, desde 2006, a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340) criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra as mulheres. Segundo o sociólogo Júlio Jacobo, autor do Mapa da Violência, os indicadores de violência estagnaram desde a mudança da legislação. “Não está aumentando, mas ainda estamos ainda na UTI, mesmo sem o agravamento do quadro”, explicou o pesquisador à Agência Brasil.

“A Lei Maria da Penha atua na contramão de um processo histórico de violência, mas nenhuma lei altera a realidade”, avalia Jacobo. Segundo ele, a mobilização da sociedade civil e o funcionamento do Poder Público contribuem também para a eficácia da lei. No segundo semestre, a Secretaria de Política para as Mulheres, ligada à Presidência da República, deverá propor um “pacto nacional” para enfrentamento da violência contra a mulher. (Texto completo)

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DILMA VETA PARCIALMENTE NOVO CÓDIGO FLORESTAL, MAS CONTINUA PRESSÃO PELO “VETA TUDO DILMA VEZ”

Para Mendes Ribeiro, ministro da Agricultura, “esse não é o código dos ambientalistas, nem dos ruralistas. Esse é o código daqueles que tem bom senso”.

Na última sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff vetou parcialmente o Código Florestal que foi aprovado pela Câmara dos Deputados. “O Planaltou anunciou 12 vetos e 32 modificações no projeto e prometeu enviar uma nova Medida Provisória na segunda-feira ao Congresso”, diz notícia publicada pela Carta Capital. Além de inserir novos pontos na lei, a ideia é restaurar os pontos do projeto do Senado que foram retirados pelos deputados.

Alguns pontos do projeto que traduziam uma certa “anistia para os desmatadores” foram vetados pela presidente Dilma, como a recuperação das áreas de preservação permanente (APPs) que praticamente havia sido “desobrigada” nos termos no novo Código.

Depois da intensa pressão social que Dilma vem recebendo para vetar o texto completo, o veto parcial foi uma solução encontrada para aproximar mais o texto daquele que havia sido aprovado no Senado, antes da primeira grande derrota governista na Câmara, e que ia mais de encontro aos desejos governistas.

O veto parcial, segundo a ministra do Meio-Ambiente Izabella Teixeira, é um respeito à democracia e ao Congresso Nacional, mas uma forma de dizer que o governo “não admite nada que anistie o desmatamento”. Vale lembrar que o veto parcial de Dilma, apesar de ser considerado como uma decisão de bom senso pelo governo, não agradou muito alguns movimentos ambientalistas que preferiam que a presidente “vetasse tudo dilma vez”.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Dilma veta parcialmente Código Florestal
Por Redação Carta Capital com informações da Agência Brasil

A presidenta Dilma Rousseff vetou parcialmente o Código Florestal aprovado pela Câmara dos Deputados. Nesta sexta-feira 25, o Planaltou anunciou 12 vetos e 32 modificações no projeto e prometeu enviar uma nova Medida Provisória na próxima segunda-feira ao Congresso. A ideia é restaurar pontos do projeto do Senado que foram retirados pelos deputados e adicionar novos pontos à lei.

Entre os pontos vetados está o artigo que trata da consolidação de atividades rurais e da recuperação de áreas de preservação permanente (APPs). O texto aprovado pelos deputados só exigia a recuperação da vegetação das APPs nas margens de rios de até 10 metros de largura. E não previa nenhuma obrigatoriedade de recuperação dessas APPs nas margens de rios mais largos. O projeto era visto como uma “anistia” para os desmatadores.

Dilma sofreu grande pressão da sociedade para vetar o texto aprovado pelo Congresso. O projeto de lei, aprovado na Câmara dos Deputados no final de abril, foi a primeira grande derrota da bancada governista desde que a presidenta tomou posse. Com o veto parcial, o governo deixa o texto mais próximo daquele aprovado pelo Senado, que ia ao encontro dos desejos governistas.

O anúncio foi feito em Brasília pelos ministros da Agricultura, Mendes Ribeiro, do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas. “O veto é parcial em respeito à democracia e ao Congresso Nacional”, disse a ministra do Meio Ambiente. “Não admitimos nada que anistie o desmatamento”. Já o ministro da Agricultura disse que “esse não é o código dos ambientalistas, nem dos ruralistas. Esse é o código daqueles que tem bom senso”. (Texto completo)

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PARA O PRESIDENTE DO IPEA, MARCIO POCHMANN, QUE DISPUTARÁ AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS EM CAMPINAS, AINDA NÃO HÁ UMA NOVA CLASSE MÉDIA NO PAÍS

“O passado serve só para a gente não repeti-lo nem cometer os mesmos erros”.

O economista Marcio Pochmann, atual presidente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), e futuro candidato às eleições municipais de Campinas, publicou um novo livro, pela editora Boitempo, chamado A Nova Classe Média?, em que questiona se a mudança social ocorrida nos últimos oito anos realmente originou uma nova classe média no país.

No livro, que deve ser lançado no próximo dia 29, Pochmann delineia uma resposta negativa. O Brasil não teria ganho uma nova classe média no real sentido de classe, ou seja, minimamente consciente e cidadã. Para o economista, “os empregos gerados nos últimos anos criaram uma classe trabalhadora consumista, individualista e despolitizada”, diz em entrevista à revista Carta Capital.

Pochmann reconhece certo despreparo das instituições para lidar com essa nova classe em ascensão que, segundo ele, possivelmente liderará o processo político brasileiro. O problema é que ela já nasceu envolvida nos valores de mercado, e o número de afiliados a sindicatos, associações de bairro e mesmo ao movimento estudantil nas universidades não aumentou, ele explica. Ou seja, temos uma classe que consome, mas não participa das decisões, nem vê necessidade disso e, por outro lado, instituições que não sabem lidar com ela.

O fato da classe trabalhadora ser consumista não é apontado como algo necessariamente negativo por Pochmann. Ele diz que é um sintoma natural, mas se não for acompanhado de um processo de conscientização “essa ascensão pode ao mesmo tempo retroagir ou ser encaminhada para uma visão de sociedade muito diferente da que levou a uma ascensão social recente”.

Além disso, Pochmamm ressalta que esse movimento de ascensão da classe trabalhadora já dá sinais de esgotamento e que o governo deve buscar outras maneiras de gerar empregos. A geração de empregos com rendimento mais baixo e as consequentes políticas de aumento do salário mínimo são consideradas pelo economista uma ótima opção tomada pelo governo, pois se fossem gerados empregos de classe média, essa classe que ascendeu não teria ascendido. No entanto, ele diz que agora a prioridade deve ser a ampliação dos investimentos para aumentar a capacidade produtiva e aí sim, a inovação tecnológica que deve acompanhar o aumento da produção vai exigir maior qualificação e gerar salários melhores.

Sobre o fato de estar tentanto sua primeira eleição, Pochmann diz que em virtude das mudanças específicas que o Brasil vem atravessando nos últimos anos “existe uma necessidade de renovação do PT, especialmente quando o partido está no auge ainda”. E à respeito da recente crise política na cidade de Campinas, onde ele deve disputar as próximas eleições para prefeito, ele diz que quer “ser um candidato do futuro, ter respostas para a sociedade. O passado serve só para a gente não repeti-lo nem cometer os mesmos erros”.

Veja trecho da entrevista que Pochmann concedeu a Piero Locatelli na Carta Capital:

Marcio Pochmann: ‘Ascensão da classe trabalhadora dá sinais de esgotamento’
Por Piero Locatelli

CartaCapital: O senhor fala que há um despreparo das instituições democráticas para canalizar os interesses da nova classe trabalhadora. Por quê?

Marcio Pochmann: Estamos observando uma despolitização nesta ascensão social no País. Ela vem envolvida nos valores do mercado, e não poderia ser diferente. Foi assim nos anos 70. Naquela época, havia uma ação mais direta das instituições, o que nós não estamos vendo hoje.

Há um despreparo das instituições para lidar com esse segmento que, possivelmente, liderará o processo político brasileiro. De alguma forma, esse segmento conduzirá a política brasileira. Seja pela direita, seja pela esquerda.

Os sindicatos, associações de bairro e partidos políticos estão observando esse avanço social que não se traduz em aumento das filiações nos sindicatos, nas associações de bairros, nos partidos políticos.

Veja que cerca de 1 milhão de jovens ingressaram na universidade através do Prouni. Isso é uma ascensão na universidade, mas se traduziu na ampliação e reforço do movimento estudantil? A gente não observa isso.

Acontece a mesma coisa em relação aos leitores. Houve um avanço de mais de 40 milhões de leitores no Brasil, mas a ampliação da mídia escrita não se traduziu nesse mesmo sentido.

CC: Há uma explicação para isso?

MP: As instituições democráticas não entenderam ainda o que tem sido essa mobilidade social. Como nós temos pouco conhecimento, não temos uma ação mais identificada. Os sindicatos acabam sendo mais defensores do passado que protagonistas do futuro porque não conseguem criar um diálogo com esse segmento. É um desafio evidente para todos nós.

CC: O senhor fala que a classe trabalhadora é consumista. Isso é necessariamente ruim?

MP: Não, é um movimento natural que ocorre quando você não tem a politização, consegue um emprego e tem a elevação da sua renda. Você entende como sendo resultado do seu esforço individual quando, na verdade, nós sabemos que a geração e a elevação da renda dependeram de um acordo político, de uma decisão política, de um resultado eleitoral.

Portanto, o que eu quero chamar a atenção é que essa manifestação que se observa de forma mais clara é natural do ponto de vista da individualidade de cada um. Mas se não vem acompanhada de um processo de conscientização, essa ascensão pode ao mesmo tempo retroagir ou ser encaminhada para uma visão de sociedade muito diferente da que levou a uma ascensão social recente.

CC: Porque as pessoas identificam a ascensão como resultado do próprio esforço individual…

MP: Esse é o papel da politização, até porque você percebe que as coisas foram feitas com esses segmentos. Eles são favoráveis ao crescimento, ao emprego e assim por diante. Mas na questão dos valores mais amplos da política, como pena de morte, eles majoritariamente estão atrelados a visões muito ultrapassadas.

CC: A maior parte dos empregos gerados foi com rendimento próximo a um salário mínimo. Como o governo pode gerar empregos com melhor remuneração?

MP: Primeiro quero dizer que foi muito bom ter gerado esses empregos acompanhados da formalização e do aumento do salário mínimo, tendo em vista o estoque de desempregados que nós tínhamos. Nos anos 2000 eram praticamente 12 milhões de pessoas desempregadas. Se o Brasil não gerasse esse tipo de oportunidade, se gerasse empregos de classe média, que exigem maior escolaridade, esse segmento que ascendeu não teria ascendido. Mas esse movimento está apresentando sinais de esgotamento. Porque a questão fundamental neste momento é a ampliação dos investimentos para aumentar a capacidade produtiva. E o aumento de investimento, novas fábricas, novos avanços da produção vêm acompanhados de inovação tecnológica, maior exigência de qualificação, maior demanda de trabalhadores com escolaridade, portanto maiores salários e ocupações melhores. (Texto Completo)

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Eles voltam às praças…

No último fim de semana, os indignados voltaram às praças da Espanha para celebrar o aniversário dos protestos e também para mostrar que o seu espírito de luta e mudança da ordem capitalista, excludente e injusta, vigente continua mais vivo do que nunca.

Mesmo depois dos primeiros impulsos e do desmantelamento do acampamento dos manifestantes, que ocorreu em junho do ano passado, o movimento continuou atuando nas redes sociais, apenas perdeu um pouco da intensa visibilidade midiática que teve no início. Em Madri, os manifestantes voltaram a ocupar a Puerta del Sol, praça central da cidade, e não se importaram com a proibição de manifestação depois das 22h.

Continuaram empunhando suas frases de luta, batendo nos tambores, mesmo porque continua a crise econômica na Espanha e nos demais países da Europa. A situação da juventude continua ruim, marcada por desemprego e falta de oportunidade, os indignados não têm porque se sentirem menos indignados e foi isso que eles quiseram demonstrar voltando às ruas.

A sociedade atual com seu capitalismo desenfreado, egoísta ao máximo, embora aparentemente generoso, é insustentável e pede nada menos que a indignação máxima! A mudança em um sistema tão enraizado leva tempo e os indignados sabem disso, por isso continuam a resistem…

Veja trecho de texto sobre o assunto, da Agência France Press, publicado pela Carta Capital:

‘Indignados’ voltam às praças da Espanha em seu primeiro aniversário
Da Agência France Press

MADRI (AFP) – Milhares de ‘indignados’, o movimento social nascido há um ano em protesto contra a crise econômica, os políticos e os excessos do capitalismo, voltaram às praças da Espanha neste fim de semana, no pontapé inicial de quatro dias de mobilizações para demonstrar que seu espírito continua vivo. Sob o lema “Tomar as ruas”, os ativistas, em sua maioria jovens mobilizados por meio das redes sociais, convocaram concentrações em 80 cidades do país. Em Madri, os manifestantes voltaram a ocupar a Puerta del Sol, a praça do centro da capital onde nasceu o movimento, e pretendem ficar lá até terça-feira, quando será celebrado o aniversário dos protestos.

Desde que o acampamento foi desmantelado, no dia 12 de junho do ano passado, o movimento perdeu visibilidade nos meios de comunicação, mas seguiu vivo nas redes sociais, nas assembleias de bairro e na luta contra a exclusão, embora com menos seguidores. “Os que permaneceram são os mais conscientes, atuando em ações setoriais, como, por exemplo, opondo-se aos despejos”, afirma Antonio Alaminos, professor de sociologia da Universidade de Alicante. Desta vez, os manifestantes pretendem ficar no local até terça-feira. “Não será um acampamento, e sim uma assembleia permanente”, explica Luis, porta-voz do movimento.

Na capital espanhola, os manifestantes pareciam não ter a intenção de respeitar a proibição oficial de não se manifestar depois das 22 horas e de voltar a reeditar sua “assembleia permanente” do ano passado, que durou semanas. Com a noite avançada, milhares de “indignados” continuavam na grande praça, sentados em círculos, conversando ou tocando tambores, observados pelos veículos da polícia estacionados próximos. (Texto completo)

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…só se for das trevas

A pobre liberdade de expressão anda bastante massacrada e desvirtuada ultimamente. De ideia legítima e necessária, ela vem se tornando a arma preferida de alguns setores da mídia nacional para travar o seu combate da manipulação, da ilegalidade e da partidarização no jornalismo. Para se defender de qualquer acusação, lança-se mão do sagrado escudo da liberdade de expressão que, vale dizer, nunca esteve tão longe de seus significados mais essenciais.

Mas a revista Veja insiste em dizer que sua ligação com Carlinhos Cachoeira nada mais é do que fruto de seu jornalismo valente, investigativo, que não tem medo de “falar com os demônios” em nome de informar a sociedade, e que as críticas contra ela são pura e simples perseguição ao seu direito de liberdade de expressão.

O problema, no entanto, como lembra Mauricio Dias em texto publicado na revista Carta Capital, não é conversar com o diabo e sim firmar um pacto pra lá de suspeito com ele, já comprovado por transcrições divulgadas das conversas entre um repórter de Veja e o bicheiro tão comentado. Assim, podemos dizer que a perspicaz revista Veja confunde liberdade de expressão com liberdade de manipulação.

A mensagem que se encontra por trás dos editoriais recentemente divulgados em defesa da revista e da sua última capa não é outra que não: nós somos a opinião pública nacional, fazemos o que quisermos e estamos amparados pela liberdade de expressão.

No entanto, as coisas parecem estar mudando. A própria necessidade dos editoriais hilariantes e da última capa hipócrita, para dizer o mínimo, comprovam que essa mídia tão poderosa precisa dar alguma satisfação à opinião pública da era da internet e da pluralidade da informação, nem que seja uma desculpa ainda mais falsa do que suas condutas anteriores. Afinal, de quem firma um pacto com o que há de mais obscuro nas forças malignas, não se pode esperar muito brilhantismo.

Veja trecho do texto de Mauricio Dias:

Pacto com o diabo
Por Mauricio Dias

Argumenta a direção de Veja, apoiada por um grupo de acólitos furibundos e direitistas desnorteados, que os repórteres da revista, em razão da natureza da reportagem, mantiveram relações perigosas com Carlinhos Cachoeira como, às vezes, exige a insalubridade da missão do profissional em busca de informações importantes para conhecimento da sociedade.
Há registro de mais de 200 telefonemas trocados entre os repórteres e Cachoeira, uma fonte de onde jorraram algumas das principais “investigações” daquela revista semanal.

O princípio defendido é correto. E o número de ligações telefônicas, por si só, não significa nada além do fato de se falarem muito. Mas as conversas travadas pelo repórter e o contraventor Cachoeira são de preocupante intimidade, como mostram algumas transcrições já publicadas.

“Fala pra ele que é de confiança o homem”, diz o senador Demóstenes Torres para Carlinhos Cachoeira ao se referir ao repórter de Veja.

O repórter é sempre o elo mais fraco nesse processo, conforme deixa entender Eurípedes Alcântara, diretor de redação de Veja. Ele tentou explicar assim o envolvimento da revista com um contraventor que agora já pode ser carimbado como criminoso: “… casos assim jamais são decididos individualmente por um jornalista, mas pela direção da revista”.

A frase de Alcântara protege o pé e descobre a cabeça. Talvez ele tenha tentado preservar o repórter dos longos braços da CPI, mas certamente expôs os donos da revista. Ele próprio ocupa um “cargo de confiança” pelas mesmas razões que o repórter de Veja era da confiança do senador Demóstenes.

Confiança no Brasil traduz a confiança “pessoal” e não a “profissional”.

Esse processo confirma, em última instância, que o repórter de confiança do editor e de Cachoeira é também de confiança do dono. Assim fica claro que o acordo liga Cachoeira diretamente a Roberto Civita, dono da Veja.

Nesse caso, portanto, a tese correta sobre a insalubridade do trabalho do repórter desvirtuou-se na prática.

A crítica que se faz é ao desvio de conduta, comprovada por uma série histórica de erros intencionalmente cometidos. O elenco é grande e aponta uma tendência política. São geralmente denúncias, ao longo dos governos de Lula e Dilma, notadamente apontando suspeitas de focos de corrupção em setores específicos da administração federal. (Texto completo)

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CATADORES SÃO ESSENCIAIS PARA A RECICLAGEM NA CIDADE DE SÃO PAULO, MAS MAIORIA NÃO É RECONHECIDA PELA PREFEITURA

Tão essenciais e tão invisíveis ao poder público

Em uma metrópole como São Paulo é desnecessário dizer que o volume de lixo produzido é bastante alto e que, por consequência, seu destino é sempre um problema. A reciclagem, como alternativa sustentável ao modelo dos aterros, é uma atividade que se mostra também rentável ao poder público. No entanto, a atenção à reciclagem ainda não acontece da forma como deveria.

Os milhares de catadores que se vê pelas ruas da cidade de São Paulo, por exemplo, desempenham um papel importantíssimo no processo de reciclagem ao reunir o material e depois realizar a triagem nas cooperativas da cidade. Como mostra notícia publicada pela Rede Brasil Atual, o número de cooperativas da cidade de São Paulo é desconhecido, mas há somente 20 conveniadas com a prefeitura, em todas as outras, a coleta é feita por carroceiros e pelos próprios catadores, que tambem fazem a triagem.

A maioria dos catadores contribui assim para a reciclagem, mas não é reconhecida pelo poder público e também não recebe nada por isso, passando a depender da venda dos materiais para sobreviver. Vale lembrar, como diz a notícia, que “muitos carroceiros vivem em condições de subemprego, segundo o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), que estima em 2 mil o número de pessoas atuando nesta atividade”.

A falta de reconhecimento dos catadores pelo poder público mostra que a política do lixo em São Paulo deixa muito a desejar. E a situação seria ainda pior se os catadores, hoje invisíveis, não existissem.

Veja trecho da notícia sobre o assunto com mais informações:

Catadores têm papel central na reciclagem em São Paulo, dizem especialistas
Sem remuneração da prefeitura, cooperativas de catadores de materiais recicláveis são as responsáveis pela triagem dos resíduos sólidos, e, por vezes, pela coleta
Por Estevan Elli Muniz

São Paulo – Os catadores de materiais recicláveis cumprem papel fundamental na reciclagem na cidade de São Paulo. Em cooperativas, eles operam centrais de triagem da prefeitura, onde os materiais são separados para reciclagem. O número total de cooperativas na cidade é desconhecido, mas há somente 20 conveniadas com a prefeitura. O convênio prevê que as cooperativas tenham a ajuda de caminhões para coletar o lixo, um espaço para exercer a atividade e os equipamentos necessários. Mas nem sempre esses benefícios são garantidos, e os catadores que nelas trabalham não recebem remuneração alguma da prefeitura, dependendo da venda dos materiais.

Nas cooperativas não conveniadas, não há nada disso, e a coleta é feita por carroceiros e pelos próprios catadores, que fazem a triagem. Muitos carroceiros vivem condições de subemprego, segundo o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), que estima em 2 mil o número de pessoas atuando nesta atividade.

“Se há alguma reciclagem em São Paulo é por conta dos catadores”, disse a coordenadora executiva do Instituto Pólis, Elisabeth Grinberg. Somente 1% do lixo produzido na cidade é reciclado formalmente. Entretanto, sem os catadores, esse percentual seria menor. Na prática, a quantidade reciclada é maior, já que a quantificação é feita pelos materiais que chegam às centrais conveniadas à prefeitura. Ficam de fora do cálculo o que chega às outras centrais e o material coletado por carroceiros.

“Sem eles, em uma cidade onde a política de administração do lixo é ineficaz, não haveria quem separasse os materiais recicláveis e toneladas de lixo seriam destinadas a aterros sanitários”, disse Elisabeth. Para ela, os catadores não têm reconhecimento pelo serviço prestado à cidade e o número de centrais conveniadas é absolutamente insuficiente para atender a toda a cidade.

Para a arquiteta e urbanista Nina Orlow, do Instituto Pólis, integrante do grupo de trabalho da implementação da Agenda 21 em São Paulo, os catadores deveriam ser remunerados pelo prefeitura já que prestam um serviço público. “Eles não deveriam viver simplesmente da possibilidade da venda de um produto, que às vezes tem mercado, às vezes não. É muito sazonal,” afirmou.(Texto completo)

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Rio Negro atinge níveis máximos

As chuvas na região norte do país e a consequente cheia dos rios do Amazonas têm agravado a situação dos moradores de 40 municípios que já se encontram em situação de emergência, segundo notícia divulgada pela Agência Brasil. Estima-se que mais de 70 mil pessoas já tenham sido afetadas, o que levou o governo federal a destinar recursos e diferentes tipos de ajuda (alimento, medicamento, produtos de higiene) visando amezinar os efeitos das chuvas. O estado do Amazonas já contabiliza R$ 17,5 milhões recebidos do governo federal.

Além da ajuda humanitária, o próprio ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, visitou a região depois de determinação da presidente Dilma Rousseff para ver de perto a situação no local. De fato, as cenas registradas em Manaus, que sofre com a cheia do Rio Negro, um dos afluentes do Amazonas, e em outros municípios, exigem uma atenção próxima por parte das autoridades.

Os problemas sociais gerados pelo movimento da natureza afetam as pessoas em diferentes níveis que vão desde o econômico, até o íntimo, pessoal, por isso a questão tem a sua seriedade que, vale lembrar, existe também quando se dá o movimento inverso, ou seja, quando problemas ambientais são gerados na natureza pelo movimento do homem.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Ministro da Integração vai a Manaus anunciar medidas de ajuda às vítimas da cheia dos rios do Amazonas
Por Yara Aquino

Brasília – O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, vai amanhã (10) a Manaus anunciar medidas do governo federal para atender às vítimas da cheia nos rios do Amazonas. O estado tem 40 municípios em situação de emergência, e mais de 70 mil pessoas foram afetadas, de acordo com balanço da Defesa Civil local.

Por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União, hoje (9), o Ministério da Integração Nacional destinou R$ 7 milhões ao governo do Amazonas para a execução de ações de socorro, assistência às vítimas e aquisição de produtos de higiene, limpeza, medicamentos e alimentos. Com esse recurso, o estado contabiliza R$ 17,5 milhões recebidos do governo federal para auxílio às vítimas das chuvas e da cheia.

A determinação para que Fernando Bezerra vá a Manaus partiu da presidenta Dilma Rousseff após reunião, hoje (9). Estavam na reunião o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, técnicos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, da Defesa Civil, da Casa Civil e do Gabinete de Segurança Institucional. O governador do Amazonas, Omar Aziz, também participou das discussões por meio de videoconferência.

Mais de 130 toneladas de itens de ajuda humanitária já foram distribuídos à população de 26 municípios, pela Defesa Civil do Amazonas. As demais cidades ainda receberão o material, composto por cestas básicas, kits de higiene pessoal, de medicamentos, de limpeza, kits dormitório e hipoclorito de sódio. (Texto completo)

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PUBLICIDADE DEVE SER PROIBIDA PARA CRIANÇAS, DIZ COORDENADORA DE PROJETO DO INSTITUTO ALANA

Infância X Consumo

A coordenadora geral do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, entidade que analisa o consumismo infantil, Isabela Henriques, disse recentemente que qualquer tipo de mensagem publicitária direcionada a crianças deveria ser proibida, como conta notícia publicada pela Rede Brasil Atual.

A coordenadora do Projeto diz que o ideal seria que toda e qualquer peça publicitária direcionada a um público com idade inferior a doze anos fosse proibida e passasse a ser direcionada a um público que pudesse fazer a mediação entre as crianças e os produtos do mercado, os pais por exemplo.

Isabela trabalha com a hipótese de que as crianças não têm discernimento para refletir sobre os apelos publicitários, cada vez mais constantes e sedutores, e recebem a mensagem sem os filtros que um adulto possui, por exemplo. Por isso, os adultos é que deveriam fazer a mediação enquanto que as crianças não deveriam ser as interlocutoras diretas das empresas de publicidade.

A responsabilidade na questão do controle e determinação do tipo de público a que a publicidade deve se dirigir, afirma a coordenadora, deveria ser do Estado pois, segundo ela, as normas e diretrizes estabelecidas pelas empresas não são suficientes. Já aos pais caberia o papel de direcionar as crianças para outras atividades, para o universo de brincadeiras e experiências que não fique restrito à simples relação entre infância e consumo.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

ONG defende proibição de publicidade voltada ao público infantil
Por Suzana Vier

São Paulo – A coordenadora geral do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, entidade que analisa o consumismo infantil, Isabela Henriques, disse na sexta-feira (27) que qualquer tipo de mensagem publicitária direcionada a crianças deveria ser proibida. A especialista participou do seminário “Regulação Sanitária e Desenvolvimento Econômico e Social”, promovido pela Revista Carta Capital, em São Paulo.

“Defendemos que a população de menos de 12 anos não receba nenhum tipo de comunicação de mercado, nenhum tipo de publicidade, de merchandising, de marketing que fale com ela, que tente incentivá-la a consumir produtos e serviços”, apontou

Segundo a coordenadora do Alana, até a faixa de 12 anos as crianças não têm condições de analisar criticamente as mensagens que recebem. “A criança é muito vulnerável, é muito suscetível a esses apelos publicitários. Elas também são ‘muito literais’ e recebem as mensagens como dados da realidade, porque não têm os filtros que os adultos possuem.”

O ideal é que a publicidade de produtos e serviços voltados para esta faixa de público seja direcionada aos seus cuidadores. “Que pais e responsáveis façam a mediação dessa criança com o universo comercial”, disse. “Porque o pai pode fazer análise crítica dessa mensagem e definir dentro do poder familiar que ele tem, inclusive legalmente, se é adequada ou não.” (Texto completo)

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PARA MERVAL PEREIRA, JORNALISMO PRATICADO POR VEJA É INVESTIGATIVO E NÃO TEM NADA DE ILÍCITO

Além de envolver-se com o crime, ainda pratica a eugenia

Em um ótimo texto publicado na Carta Capital, Mauricio Dias fala não só da fragilidade da mídia nacional quando esta almeja servir como registro histórico dos fatos, como também do recente papel desempenhado pela revista Veja e por alguns jornalistas que ainda tentam defendê-la diante da evidência quase incontestável de suas ligações criminosas com Carlinhos Cachoeira.

O jornalista que saiu em defesa da revista Veja foi Merval Pereira. O argumento utilizado por ele foi o de que o jornalismo praticado por Veja é investigativo e nada foi revelado de ilícito nas suas relações com Cachoeira. Neste ponto, Merval se esquece de distinguir que no seu afã investigativo, como escreve Mauricio Dias, Veja envolveu-se em um jogo criminoso e, ao invés de denunciar um escândalo, tornou-se ela mesma o próprio escândalo.

Os fatos recentes são suficientes, como mostra Dias, para que no futuro Veja ganhe teses acadêmicas do tipo “O caso Veja”, no entanto, ele considera que o título mais exato seria “Veja, um caso sério”. Sem dúvida, Veja se tornou um caso sério no “jornalismo” nacional à medida que denuncia justamente o nível em que se encontra boa parte da mídia brasileira coorporativista e conservadora.

Acusam sem prova, fabricam situações, acreditam em suas próprias ilusões e ainda se possam de “investigadores”. De fato, fica difícil encontrar qualquer tipo de legitimidade na análise da mídia. A imprensa brasileira não serve como registro histórico, quando muito serve como registro da divisão de poder instalada no Brasil e das tentativas de manipulação da opinião pública decorrente desta mesma divisão.

Veja trecho do texto de Mauricio Dias:

Veja, um caso sério
Por Mauricio Dias

Desde 1996, Marcus Figueiredo investiga os processos eleitorais a partir da cobertura feita pelos jornais Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo. Nesse período, Figueiredo, agora coordenador do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), reuniu evidências sólidas para poder afirmar com segurança: “Há certa resistência, da parte dos jornalistas, em admitir a legitimidade da análise de mídia. Os próprios meios dedicam pouco espaço ao tema”.

Há poucos dias, no entanto, o veterano jornalista Merval Pereira, de O Globo, quebrou essa regra não escrita e se dedicou ao tema. Saiu em defesa da revista Veja, envolvida com questões do receituário da CPI.

“O relacionamento de jornalistas da revista Veja com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e seus asseclas nada tem de ilícito”, assegurou Merval.

Essa afirmação vigorosa se sustenta em bases frágeis. Merval enalteceu o “jornalismo investigativo” praticado na revista. Veja, no entanto, foi parceira de um jogo criminoso. Aliou-se a um contraventor e, no afã de denunciar escândalos, criou escandalosamente um deles. Cachoeira oferecia a munição e Veja atirava.

No futuro, esse episódio e outros deverão ser objeto de estudo acadêmico possivelmente sob o título de “O caso Veja”. Melhor seria abandonar o formalismo acadêmico e chegar a um título mais adequado à tese “Veja é um caso sério”.

Não é a primeira vez que a revista sapateia sobre as regras do jornalismo. Mais do que isso. Frequentemente, ela sai do jogo e -adota o vale-tudo.

Em 2006, por exemplo, Veja foi protagonista de um episódio inédito no jornalismo mundial, ao acusar o então presidente Lula de ter conta no exterior. Na mesma reportagem, no entanto, confessa não ter conseguido comprovar a veracidade do documento usado para fazer sustentar o que denunciava. Só o vale-tudo admite acusação sem provas.

A imprensa brasileira, particularmente, tem assombrosos erros históricos. Um prontuário que inclui, entre outros, a participação na pressão que levou Vargas ao suicídio, em 1954, e quando se tornou porta-voz do movimento de deposição de Jango, em 1964.

A ascensão de um operário ao poder é outro marco divisório da imprensa brasileira. A eleição de Lula acirrou os ânimos dos “barões da mídia”. O noticiário passou a se sustentar, primeiramente, nas divergências políticas e, depois, mas não menos importante, no preconceito de classe. A imprensa adotou o que Marcus Figueiredo chama de “discurso ético de autoqualificação diante dos leitores”. (Texto completo)

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FRANÇA ELEGE UM SOCIALISTA QUE PROMETE MUDAR COM JUSTIÇA E GOVERNAR PARA TODOS OS FRANCESES

Comemoração da vitória de Hollande na Bastille

O hoje ex-presidente francês Nicolas Sarkozy entrou para a história da França como o condutor de um governo marcado por um “liberalismo xenófobo”, que no contexto da crise econômica atravessada pelo país não hesitou em orientar-se cada vez mais para as políticas de ultra-direita, evocando temas conservadores e fazendo-se de vítima da mídia, atacando além da imprensa, os sindicatos, os estrangeiros e a Europa de forma geral.

Entre outras posturas conservadoras, Sarkozy vinha sendo acusado de implementar medidas que atacavam os imigrantes, principalmente os muçulmanos, como diz notícia publicada pela Agência Brasil. Depois do balanço desastroso de sua gestão e da adversidade das pesquisas, a escolha dos franceses por uma via que mais do que a socialista, representada pelo agora presidente François Hollande, parece ser a da mudança, ou a da simples esperança de que algo mude, não parece ser uma total surpresa, apesar do cenário acirrado dos últimos dias.

Como diz outra notícia sobre o assunto publicada pela Carta Maior, “François Hollande buscou encarnar o anti-Sarkozy: tranquilo, pacífico, consensual, o candidato socialista repetiu à exaustão que era um “candidato” normal e que assumiria uma presidência “normal”. Diante de um presidente herói de sua própria história e de sua própria presidência, Hollande se apresentou como o anti-herói e a normalidade como argumento contra o excessivo”.

A receita da “normalidade” contra a “afetação populista” e o conservadorismo excludente, provou ter dado certo.

Veja trecho das duas notícias:

No primeiro discurso como presidente eleito da França, Hollande promete governar para todos
Por Renata Giraldi

Brasília – No primeiro discurso como presidente eleito da França, o socialista François Hollande disse hoje (6) que sabe qual é o significado da sua vitória e prometeu que será o governante de todos os franceses. A declaração é uma referência ao discurso do atual presidente Nicolas Sarkozy, que implementou medidas que atacam os imigrantes, principalmente os muçulmanos.

“Aos que não me deram seu voto, que saibam que eu respeito suas convicções e que serei o presidente de todos. Esta noite não há duas Franças que se enfrentam. Há apenas uma França, uma nação reunida no mesmo destino. Cada um e cada uma terão igualdade de direitos e de deveres”, disse.

Hollande acrescentou que o seu governo começa hoje. Ele disse que a responsabilidade do cargo é imensa e que tem consciência disso. Também prometeu tomar providências para combater os efeitos da crise econômica internacional na França, buscando o desenvolvimento do país e a ampliação do funcionalismo público.

Para o socialista, sua eleição representa a escolha dos franceses pela mudança e pelo respeito. “Os franceses escolheram a mudança, o que me levou à Presidência da República. Tenho noção da honra e da tarefa. Comprometo-me a servir ao meu país como requer essa função”, disse ele. (Texto completo)

Eleição na França pode mudar perfil ultra-liberal da União Europeia
Por Eduardo Febbro

Paris – Liberalismo xenófobo contra social democracia moderada. Cerca de 46 milhões de franceses elegerão neste domingo, pela nona vez na história da Quinta República, seu próximo chefe de Estado tendo como pano de fundo a crise econômica e um candidato-presidente que jogou todas as suas forças na batalha virando o timão à direita de sua direita, sem hesitar em evocar os temas prediletos da extrema-direita da Frente Nacional e se colocar como uma vítima dos meios de comunicação. O socialista François Hollande prometeu uma mudança com justiça, enquanto que Nicolas Sarkozy, até o último momento, seguiu advertindo que se o socialismo vencer a França terá um destino similar ao da Espanha.

O presidente francês espera alguma “surpresa” na reta final para desmentir a constância das pesquisas de opinião que, no fechamento da campanha do segundo turno das eleições presidenciais deste 6 de maio, seguiam prognosticando a vitória de seu rival, o socialista François Hollande. Nos últimos três dias, Sarkozy diminuiu a distância de dez pontos que o separavam de Hollande para se situar a uma distância que oscila entre 4 e 6 pontos. O resultado final talvez seja um pouco mais incerto do que o previsto ao cabo de uma semana onde a violência verbal levou a campanha a um estranho ponto e de incandescência e a dar uma guinada inesperada: pela primeira vez na história, o candidato centrista François Bayrou disse que votaria pessoalmente por François Hollande.

Este dirigente político prestigiado que fez pouco mais de 9% dos votos no primeiro turno de 22 de abril sempre foi um aliado da direita. No entanto, Bayrou explicou sua eleição pelo fato de que o perfil de extrema-direita que Nicolas Sarkozy imprimiu na sua campanha entre o primeiro e o segundo turno lhe parecia incompatível com os valores republicanos. Entre a decisão de Bayrou de votar a favor de Hollande e as urnas há ainda cerca de 16% de indecisos. É difícil medir a influência desses dados na decisão final. Em suas últimas declarações, o aspirante socialista se apresentou como um “continuador” e um “renovador”. Sarkozy, por sua vez, reiterou seu credo de medo, atacando a imprensa, os sindicatos, os estrangeiros, a Europa e o centrista Bayrou que mudou de campo. (Texto completo)

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A Veja virou notícia

As revistas semanais Época (da Globo) e IstoÉ (Editora Três) e Carta Capital são as principais concorrentes da revista Veja, mas as três juntas não dão a tiragem da revista Veja.  A Época tem cerca de 400 mil; Istoé, 300 mil e Carta Capital, 100 mil (Blog do Tarso).

Apesar de atuarem livremente no mercado, a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do caso Carlinhos Cachoeira parece provar que no Brasil não existe capitalismo, mas capitalismo de cumpadre.

Época e IstoÉ se calam sobre o  envolvimento da revista Veja com o crime organizado, diante de tantas evidências e provas vazadas da Polícia Federal há pelo menos uma semana. É o momento de mostar que a concorrência (Veja) se utilizou de métodos no mínimo anti-éticos dentro do mercado para conseguir informações. No entanto, os concorrentes se protegem: as revistas Época e IstoÉ praticamente se calam diante de tão importante fato jornalístico, visto que envolve senadores, empresários, governadores etc.

O capitalismo na área de comunicação é tão tacanho no Brasil que os concorrentes mais se protegem do que competem. É um cartel e, justamente  por isso, alguns meios de comunicação foram denominados de PIG (Partido da Imprensa Golpista).  Eles atuam de forma conjunta defendendo os seus próprios interesses e contra os interesses da sociedade.

É com grande entusiasmo que se pode ver a capa da Carta Capital, que parecer buscar o melhor do jornalismo para os leitores e não faz parte deste conluio da grande mídia.

Carta Capital parece ser a única a acreditar no capitalismo brasileiro e poderá se transformar na maior revista do país nos próximos anos. As outras se sentem à vontade em seu feudo-capitalismo e querem que continuemos assim por mais 500 anos.

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