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mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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LEI FEDERAL PODERIA EXIGIR CONSULTA PÚBLICA PARA AS PLANILHAS DE CUSTO DO TRANSPORTE PÚBLICO

Bota pessão que tem muita gordura para queimar!

Bota pressão que tem muita gordura para queimar!

Uma medida muito simples pode mudar bastante a qualidade e o custo dos transportes públicos. E sem nenhuma grande revolução.

Basta o Congresso Nacional aprovar uma lei que exija a publicação para consulta pública das planilhas de custos das empresas de ônibus, trêns e metrôs que prestam serviço público.

Antes de qualquer aumento do valor da passagem, as prefeituras colocariam durante 30 ou 60 dias, em consulta pública, as planilhas apresentadas pelas empresas.

Após a consulta pública, os questionamentos poderiam ser feitos pelos vereadores e pela própria sociedade, pedindo os esclarecimentos necessários às empresas.

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HÁ UM RECADO CLARO DAS RUAS: É PRECISO APROFUNDAR A DEMOCRACIA DIRETA E ENTREGAR ALGUNS ANÉIS

9077182828_243aa3a29aApesar de vivermos o período mais longo de democracia no Brasil, o sistema representativo atual, que surgiu sem fissura alguma de um sistema de privilégios da ditadura (e isso pode ser visto na Justiça, na distribuição de renda, na empáfia de alguns políticos, etc), precisa de avanços.

É premente estabelecer uma maior participação política da sociedade. É preciso dar mais transparência ao sistema de governo de prefeituras e isso precisa ser estabelecido no âmbito da câmara federal. Como pode, por exemplo, termos planilhas de custos das empresas de ônibus sob sigilo?

É preciso avançar em consultas populares e referendos, aumentando a participação e legitimando mais os caminhos da democracia. É preciso dar mais transparência às atividades públicas. Isso talvez possa ajudar a entender os recados das ruas.

O ar fascista que tomou as últimas manifestações nas ruas brasileiras, promovido por skinheads e pela extrema direita (evidenciada pela intolerância com manifestantes com bandeiras de partidos políticos), demonstra que parte da população foi capturada por essa oposição à política. Virou uma guerra contra as instituições políticas.

Os jovens, com consciência política e que há vários anos lutam no Brasil, devem desembarcar nos próximos dias desse tipo de atuação. As passeatas de rua devem se transformar em novas formas de atuação.

Mas não se pode olhar o que acontece apenas pelo ar fascista que tomou conta do movimento.  Há um recado claro das ruas: é preciso aprofundar caminhos democráticos e participação popular.

Mais que isso. O que se viu não foi só um ar fascista, mas a chegada nos centro e áreas nobres da mesma violência que o Estado cotidianamente provoca na periferia. É preciso investir na população e não deixar o dinheiro público apenas nas mãos dos sócios do poder público.

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MOVIMENTO PASSE LIVRE ENCERRA MANIFESTAÇÕES PELO PAÍS POR CAUSA DA VIOLÊNCIA CONTRA MANIFESTANTES DE PARTIDOS

MPL  acusa direita por “ar fascista” de protesto

Do site 247

Em nota, Movimento Passe Livre anunciou que deixou a manifestação na noite desta quinta-feira em São Paulo e criticou o oportunismo no ato: “O MPL é um movimento social apartidário, mas não antipartidário. Repudiamos os atos de violência direcionados a essas organizações durante a manifestação de hoje, da mesma maneira que repudiamos a violência policial”

247 – Depois de convocar o Brasil todo para se unir à onda de manifestações pelo país, o Movimento Passe Livre (MPL) deixou o protesto no meio da noite desta quinta-feira na capital paulista.

Em nota divulgada na rede social Facebook na madrugada desta sexta-feira (21), criticam a violência contra grupos que não pertencem ao MPL e que também participaram da marcha de quinta (20) nas ruas de São Paulo.Segundo o professor Lucas Monteiro, 29 anos, integrante do MPL, o movimento “não abandonou” os manifestantes. “A gente saiu porque a manifestação cumpriu com a obrigação dela, que era de comemorar a redução da tarifa.”Pedro criticou alguns grupos que estavam na manifestação. “Militantes de extrema direita querem dar ares facistas a esse movimento”, afirmou. Para Lucas, “a hostilidade sempre existiu”.Leia o texto publicado no perfil do MPL no Facebook:O Movimento Passe Livre (MPL) foi às ruas contra o aumento da tarifa. A manifestação de hoje faz parte dessa luta: além da comemoração da vitória popular da revogação, reafirmamos que lutar não é crime e demonstramos apoio às mobilizações de outras cidades. Contudo, no ato de hoje presenciamos episódios isolados e lamentáveis de violência contra a participação de diversos grupos.
O MPL luta por um transporte verdadeiramente público, que sirva às necessidades da população e não ao lucro dos empresários. Assim, nos colocamos ao lado de todos que lutam por um mundo para os debaixo e não para o lucro dos poucos que estão em cima. Essa é uma defesa histórica das organizações de esquerda, e é dessa história que o MPL faz parte e é fruto.
O MPL é um movimento social apartidário, mas não antipartidário. Repudiamos os atos de violência direcionados a essas organizações durante a manifestação de hoje, da mesma maneira que repudiamos a violência policial. Desde os primeiros protestos, essas organizações tomaram parte na mobilização. Oportunismo é tentar excluí-las da luta que construímos juntos.
Toda força para quem luta por uma vida sem catracas.
MPL-SP

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VEJA COMO SÃO FEITAS AS PLANILHAS DAS EMPRESAS DE ÔNIBUS QUE PRESTAM SERVIÇO PÚBLICO

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Como as empresas de ônibus maquiam custos

Ex-analista de crédito de banco revela sinais de fraude contábil, uso de “laranjas” e formação de máfias por parte do cartel que controla transporte público 

Por Fernando Souto, no blog do Nassif

Não vou comentar muito sobre as falas do meu xará Haddad. Vou me concentrar no que sei e que vi, para dizer que em grande parte dos estudantes estão sim certos.

Fui analista de crédito num banco privado em 2006/7 em São Paulo, e neste banco, muitas empresas de ônibus eram clientes. muitas mesmo. e havia um jeito bem especial de lidar com elas.

Ocorre que para uma empresa ganhar empréstimo, ela tem de ter fundamentos econômico financeiros – ou seja capacidade de pagar.  E aí é que o bicho pega: pelas demonstrações contábeis oficiais, praticamente nenhuma empresa de ônibus teria condição de pegar empréstimos. E por que? Porque são estas são as demonstrações (balanços e dres) exibidas para os governos, a partir das quais geram-se as planilhas de custo e, em seguida, as tarifas.

Havia coisas estranhas, das quais dois pontos eu me lembro com maior atenção: O ativo imobilizado era muito baixo (ativo imobilizado é o que a empresa tem de propriedade, portanto seriam frotas de ônibus e propriedades das empresas). Muitas, mas muitas, apresentavam patrimônio liquido negativo – ou seja acumulavam, por anos consecutivos, prejuízos que superavam o capital social da empresa. As contas nunca fechariam — as receitas seriam baixas perante as despesas. Além disto, as empresas possuem passivos muito maiores que ativos, e como ativo tem de ser igual ao passivo mais patrimônio liquido, este tinha de ser negativo.

Com uma situação financeira dessas, uma empresa não toma emprestado. E aí vai o pulo do gato (que dá medo de contar): é óbvio que estas informações estão deturpadas (sendo gentil), e vou explicar como. Tanto era assim que nós tínhamos uma planilha em excel que fazia o calculo do real balanço destas empresas.

Os pontos são os seguintes: o ativo imobilizado não está declarado nestes balanços. É como se a ideia do pequeno empresário que não distingue o próprio bolso do caixa da empresa fosse levada às alturas. Donos de empresas têm parte da frota em nome próprio (ou de laranjas). Ou, então, compram em nome da empresa e depois “revendem”  para terceiros (sócios), após quitados os financiamentos. Os terrenos nos quais estão as garagens das empresas são de propriedade dos sócios e também não aparecem no balanço. Por fim, essas empresas não pagam encargos trabalhistas, adiando-os ao máximo, para aproveitar, quando aparece, uma renegociação. Fazem isso para aumentar muito o exigível de longo prazo, propositalmente, além de ganhar caixa extra pago pelo governo.

Cientes dessas informações, para fazer a análise consolidávamos o patrimônio dos sócios (que na verdade seriam das empresas) com o das empresas. É claro que elas davam lucro na realidade – afinal estes empresários seriam tão idiotas de continuar pra sempre num setor com altos fluxos de dinheiro se tivessem sempre prejuízos? Mas tem mais…

Àquela época, e ainda hoje, existem várias empresas que atendem o transporte urbano – em São Paulo, Rio de Janeiro e outras tantas cidades –, mas são poucas famílias que controlam de fato esta estrutura. Fazem isso indiretamente, através de sociedades.  Em São Paulo, se não me engano, eram cinco famílias, que tomaram o setor na privatização da CMTC. Quando estas empresinhas começam dar muitos problemas, elas fecham e abrem outro CNPJ, com outros sócios. Fornecedores e especialmente funcionários ficam a ver navios. Por falar em funcionários, lembram do que falei sobre os direitos? Pois bem, deixem-me explicar uma coisa que acontecia até com os gerentes do banco, quanto mais com os funcionários. No dia a dia, esses empresários são representados por “gerentões” armados. Se eles não querem atender alguém, e no contato comum todos os funcionários, são esses representantes que cuidam da negociação. Então, por exemplo — isso já ouvi próprios motoristas comentando no Rio — quem vai entrar na justiça pra cobrar direitos, na melhor das possibilidades nunca mais trabalhara em qualquer outra empresa de ônibus. Se encher muito o saco, vai buscar o direito e não volta.

Para quem acha que eu estou exagerando, ficam 2 dicas: procurem noticias sobre assassinatos de sindicalistas de onibus. de vez em quando tem um. E outra: no final do debate de 2004 na rede globo, naquela eleição fatídica em que marta perdeu do josé serra, ela comenta que teve de entrar com colete a provas de balas numa reuniao com empresas de onibus (trabalhei com um cara da alta cupula do governo dela, e ele comentava que ela e o secretario sempre iam de colete, e que os empresarios levavam seguranças armados e que sempre tinham de passar detectores de metais para tirar as armas dos caras).

Enfim, o que eu queria dizer é o seguinte: sei que o Haddad fez mestrado na minha faculdade de Economia, portanto não é de todo inábil com números e devia abrir as tais planilhas de custo. Seria bom puxar um bom auditor pro lado dele, e usar as críticas como legitimação pra rever esse lamaçal todo. Seria uma forma de aproveitar esta pressão contra estas empresas. A não ser que realmente seja só o apoio de financiamento em época de eleição que valha a pena… Em suma, é uma grande máfia, e não vai ser fácil desarmá-la – só que também, se for pra defendê-las, poder-se-ia ter mantido o Serra, certo?

E realmente não são só vinte centavos. Acho que a força desta garotada que está na rua – e que une Istambul, Occupy wallstreet, 15m na Espanha e todos os outros – vem do cansaço de ver todas as decisões importantes de intresse público serem dominadas por grandes interesses de pequenos grupos privados – e em todos os casos, defendidos na porrada por um Estado policialesco.

E pra não dizer que não falei das flores, fiquem com essa pequena pérola de genialidade empreendedora baronesca do imperadores do transporte publico do Brasil. Na Veja, claro, em 1998. (se o setor não dá lucro, porque eles estão tão ricos?)

http://veja.abril.com.br/280198/p_064.html

E sobre um barao especifico (um dos mais poderosos), no Rio de Janeiro. (ps1: parece que é o sogrão do Paes. ps2: vejam quantos sócios ele tem três como em outro baronato, a família comprou uma empresa de aviação).

http://www.milbus.com.br/revista_portal/revista_cont.asp?1448

http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/0881/noticias/a-dificil-decolagem-do-cla-barata-m0116513

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PASSE LIVRE É VIP! O QUE ACONTECERIA SE O TRANSPORTE PÚBLICO EM SÃO PAULO SE TORNASSE GRATUITO?

Ônibus de graça é um luxo!

Ônibus de graça é um luxo!

Aconteceriam muitas coisas, veja só:

1. A primeira seria a economia de quase todas empresas da cidade que têm empregados. Sem a necessidade de gastar com vale-transporte, o empresário aumenta a sua lucratividade.

2. As madames dos jardins e as pessoas que precisam de serviço doméstico também sairiam ganhando porque também economizariam em torno de 30% no custo do empregado. Seria uma ótima notícia para os bairros nobres,  ainda mais agora que o Brasil da Dilma Rousseff garantiu direitos trabalhistas para as empregadas domésticas.

3. Os trabalhadores em geral e os trabalhadores domésticos também sairiam ganhando porque não se anda de ônibus apenas de casa para o trabalho, mas para muitas outras coisas, inclusive para médicos, escola, lazer, etc. A população teria mais acesso à cultura.

4. Além disso, uma empresa com vários funcionários poderia contratar mais só com a economia do dinheiro do transporte. Bom para as empresas e para quem está desempregado.

5. Com a gratuidade, muita gente que tem carro poderá deixar o carro em casa. Como o sistema é muito ruim, isso com certeza levará algum tempo, mas logo se notará uma melhora no trânsito, com a diminuição do número de automóveis.

6. Diminuindo o número de automóveis, a velocidade aumenta e os congestionamentos diminuem, podendo até acabar. Isso geraria uma economia enorme para a cidade. Melhorando o fluxo, as madames dos jardins e áreas nobres não precisariam pegar o busão, mas andar tranquilamente com seu carrão, sem trânsito. Uau! Que luxo!

7. Isso sem contar com a facilidade e melhora na agilidade do atendimento de ambulâncias, policiais e do corpo de bombeiro.

8. Tudo lindo, mas quem vai pagar a conta? A conta deve ser paga por quem está ganhando. As empresas e os mais endinheirados. É, além de tudo, uma ótima forma de se fazer justiça social, cobrando uma taxa para o transporte público de quem anda de helicóptero, grandes empresas e áreas nobres.

9. Sendo gratuito, os cobradores não seriam mais necessários. Sim, isso geraria desemprego, mas poderá ser absorvido pelos novos empregos que serão gerados, inclusive como motorista de ônibus, visto que será necessário aumentar o número de ônibus com o aumento da demanda.

10. As empresas de ônibus ganhariam muito mais. O número de ônibus seria muito maior para atender a demanda.

11. E mais importante, o transporte público gratuito mudaria uma política que dá errado há mais de 50 anos. Por mais que se faça, o trânsito de São Paulo só piora, mesmo com gastos estratosféricos em ruas, avenidas, rodoanel, pontes, etc, etc. Então, faz muito sentido testar uma alternativa. E se não der certo? Bom, aí empatou.

12. Pensando bem, e por tudo isso, acho que essa proposta é vip e beneficiaria os mais ricos (rs…rs…), mesmo que eles paguem por essa mudança.

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NÃO TENHA MEDO, ESSES VÂNDALOS NÃO VÃO MATAR SEU FILHO POR UM CELULAR

9071158927_18b7a09b20Não tenha medo dos protestos, mesmo os mais violentos, com confrontos e quebra-quebra.

Esses vândalos não vão matar seu filho por um celular ou por um par de tênis.

Esses vândalos são de outra ordem, não escolheram o crime individualista e dentro da lógica da acumulação.

Esses vândalos estão aí porque as coisas precisam mudar e numa velocidade maior.

Esses vândalos podem salvar seu filho dos futuros crimes que essa desigualdade enorme produz.

Ninguém é a favor de depredações, destruição, confronto, mas também não dá para aguentar esse discurso patético na televisão de que são uma minoria de vândalos.

Não dá para ter uma manifestação de carneirinhos, seguindo os caminhos e as orientações de quem controla o poder e de seu aparelho repressor.

Um protesto de carneirinhos e nada é a mesma coisa.

As depredações e conflitos muitas vezes são revolta, não crime.

Exceto se tiverem policiais infiltrados como se suspeita em São Paulo.

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ATÉ CACO BARCELLOS, UM DOS MELHORES PROFISSIONAIS DA REDE GLOBO, É EXPULSO SEM TRÉGUA DA MANIFESTAÇÃO

REDE GLOBO RETIRA LOGO DA EMPRESA DE MICROFONES COM MEDO DE HOSTILIZAÇÕES DURANTE PROTESTOS PELO BRASIL

Do Vi o Mundo/ dica do Gustavo Costa

O Jornal Nacional noticiou nesta segunda-feira que os manifestantes gritaram palavras de ordem contra a TV Globo ao longo da marcha.

Eles se concentraram na ponte estaiada, sobre a marginal do rio Pinheiros, frequentemente mostrada nos estúdios da Globo localizados nas proximidades.

Aparentemente por precaução, repórteres da emissora não usaram o cubo que identifica a TV quando estavam próximos dos manifestantes.

A transmissão ao vivo foi feita a partir de um helicóptero.

Veja explicações de Patrícia Poeta no JN aos protestos contra a Globo:

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EI, REAÇA, VAZA DESSA MARCHA!

Ei, reaça, vaza dessa marcha!

Não, reaça, eu não estou do seu lado. Não vem transformar esse protesto legítimo em uma ação despolitizante contra a corrupção. Não vem usar nariz de palhaço, não tem palhaço nenhum aqui. Agora que a mídia comprou a manifestação tu vem dizer que acordou?
O povo já está na rua há muito tempo, movimentos sociais estão mobilizados apanhando da polícia faz muito tempo. São eles os baderneiros, os vândalos, os que atrapalham o trânsito. Movimento pelo transporte, Movimento Feminista, Movimento Gay, Movimento pela Terra, Movimento Estudantil… Ninguém tava dormindo! Essa violência que espanta todo mundo não é novidade, não é coisa de agora. Acontece TODOS os dias nas periferias brasileiras, onde não tem câmera pra registrar ou repórter para se machucar e modificar o discurso da mídia.
Não podemos admitir que nossa luta seja convertida pela direita numa passeata contra a corrupção. Não é uma causa de neoliberais. Não é uma causa pelos valores e pela família. Não estamos pedindo o fim do Estado – pelo contrário! – Esse “Acorda, Brasil” não tem absolutamente NADA a ver com a mobilização das últimas semanas.
Então se tu realmente acredita que a mídia tá do nosso lado, abre os olhos! São muitas as maneiras de se acabar com um levante: força policial, mídia oportunista, adoção e desconstrução do discurso…

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ACORDA GOVERNISTA: HADDAD SEGURA BATATA QUENTE PORQUE QUER; ÁLVARO DIAS APROVEITA PARA VAIAR E ALCKMIN, PARA BATER

Pobres vaiam Dilma em Brasília

Pobres vaiam Dilma em Brasília

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, segura a batata quente da insatisfação popular e da juventude porque quer. Ele pode rapidamente, com o corpo técnico que tem e com a experiência do PT desde a gestão Luiza Erundina, elaborar um belo projeto de transporte público gratuito, com uma taxa para as classes privilegiadas bancar parte dos custos, e mandar para a Câmara de Vereadores.

Isso acabaria a conversa com ele. A briga agora seria na Câmara. É quase certo que os vereadores, na composição atual, não aprovariam o projeto, mas a pressão seria grande em cima deles. E se aprovassem? Sensacional, Haddad poderia fazer uma verdadeira revolução nos transportes públicos de São Paulo. Será que Haddad teria cacife para isso? Provavelmente não. O PT se tornou muito burocrático e menos utópico nos últimos anos.

Tem até petista chamando os manifestantes de vândalos, assim como os piores nomes do tea party brasileiro. Álvaro Dias aproveita para vaiar Dilma Rousseff junto com os privilegiados do DF enquanto Geraldo Alckmin solta a borracha em São Paulo. Cada um lida com a insatisfação como pode ou como quer. Talvez o PT não possa fazer mais o que um dia já fez.

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SENSACIONAL: ENTREVISTA COM LÚCIO GREGORI SOBRE A VIABILIDADE E NECESSIDADE DO TRANSPORTE PÚBLICO GRATUITO

Lúcio Gregori, ex-secretário de Transportes de São Paulo

Lúcio Gregori, ex-secretário de Transportes de São Paulo

Bons tempos aqueles que o PT tinha utopia e tentava colocar em prática essa utopia.

A entrevista de Lúcio Gregori, apesar de longa, é essencial para entender o Movimento Passe Livre. Lúcio Gregori foi secretário de Transporte de São Paulo, na gestão de Luiza Erundina, na virada dos anos 80 para 90. Naquela ocasião, tentou implantar um sistema gratuito, mas Lúcio estava muito além do seu tempo. A pressão contra a prefeitura foi enorme. O governo de Luiza Erundina foi atacado de todas as formas pela mídia, por juristas conservadores e pelas empresas de ônibus.

Naquele momento faltava o apoio popular, manifestações de rua, o povo pedindo para mudar. Agora talvez seja a hora e o momento para mudar totalmente, tentar, inovar, criar, mas a utopia pode ter morrido dentro do reformismo do PT.

A Erundina não tem bola de cristal, mas se tivesse um pouco mais de tolerância, seria a vice-prefeita da cidade com o histórico de Lúcio Gregori.

Veja a entrevista de Lúcio Gregori para o documentário Impasse, mas deveria se chamar Lúcido Gregori.

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INICIEI UM CURSO, UMA PÓS-GRADUAÇÃO EM SÃO PAULO, NA SEMANA DOS PROTESTOS DO MOVIMENTO PASSE LIVRE

Ai, meu Curso!

Por Luís Fernando Praguinha

Imagem:http://manskaoosin.blogspot.com.brIniciei um curso, uma pós-graduação em São Paulo, semana passada.
Ter ido a São Paulo e feito este curso, especificamente no fim de semana que passou, quando se iniciaram os protestos contra o aumento da tarifa do transporte público, tornará este texto único até o momento, pois mesclará seriedade e humor. Cheguei a pensar em colocar um (H) ou um (S) no final de cada frase pra etiquetar como humor ou séria pra pessoa saber se ri ou não, mas achei que seria superestimar a burrice de vocês, então, se você não me conhece bem e ficou na dúvida, é porque foi humor, se você me conhece e ficou na dúvida, é coisa séria.

Bem, em primeiro lugar, pegar metrô em Sampa na sexta-feira de manhã é para os fortes. Já, pegar metrô em Sampa na sexta de manhã e com paralisação dos ônibus, é pra quem abriu mão de sua dignidade em prol de um bem maior (ir ao curso), ou então a pessoa tá a fim mesmo é de dar o curso.

Sim, fui encoxado de formas que um homem casado jamais poderia imaginar ser permitido por lei. Isso abriu meus horizontes, abriu mesmo!
Também gostei que vi muita gente bonita no metrô, mas todos faziam careta, tirando um jovem com uniforme do São Paulo, devido ao desconforto do encoxamento coletivo.

Saí do trem me sentindo livre como um pássaro e cheguei ao curso com cheiro forte de gente.

Encontrei pessoas interessantes e achei todos muito divertidos e agradáveis, visto que não sou homofóbico, tirando um colega que se sentou ao meu lado e ficou fazendo caras e bocas o tempo todo, mas ainda tenho fé que seja tique nervoso.

Quanto ao curso em si, foi muito enriquecedor. É sempre bom lembrar que a ignorância é tão infinita quanto o que se tem pra aprender. Aprendi bastante e espero não me esquecer de nada (muito rápido). O mestre demonstrou conhecimento e prazer em ensinar (S), além de uma seriedade sem ter fim (H). Achei os coelhinhos suuuuper fófis, mas isso não quer dizer nada.

A volta pra casa era sempre muito desgastante, apesar de o metrô já estar menos lotado e eu só receber encoxadas quando o trem desacelerava, saber que ia dormir na casa do cunhado era um pesadelo.

Na superfície, quebra-quebra e protesto de ambas as partes. Populares quebrando o patrimônio e a polícia quebrando os populares. Populares protestando contra o aumento das tarifas e a puliça protestando quando um popular escapava da borrachada.

Eu acho muito errado as pessoas protestarem assim, porque, afinal de contas, já nos roubam há tanto tempo e tão mais que essa mixaria, tipo um Maracanã ou um Itaquerão (meu time não precisava dessa mancha) e a gente nunca reclamou. Nossas excelentíssimas autoridades não merecem passar por esse tipo de choque. Pode dar a falsa impressão de que o povo tem força, coragem e alguma organização e que pode ser apenas o começo de uma ação maior que venha a colocar fim à excelentíssima mamata. E que se não nos tratarem com mais dignidade, respeito e transparência, afinal não somos muito idiotas, poderemos nos mostrar muito poderosos, porque a água já chegou no pescoço. Mas é só uma falsa impressão. Ainda assim, cuidado conosco!

No último dia foi legal, domingão, metrô vazio, mas me afligia um sentimento de vingança que só pude decifrar quando uma velhinha se ergueu pra descer na próxima estação e eu me vi me colocando bem juntinho dela, naquele vagão cheio de espaço. Sim, eu precisava encoxar alguém também pra me sentir menos lesado.

Foi o dia da aula prática e me impressionou muito o carinho que todos demonstraram com os coelhinhos, principalmente eu, que já tinha descarregado toda minha agressividade na velhinha do metrô. Também me admirou a facilidade com os números e o domínio sobre as regras de três que as garotas demonstraram.

Voltei pra minha cidade de carona com um novo colega, o Mário, sabem qual, né? Um cara meio esquisitão que me incluiu numa carona que ele filava do primo. Foi bom que teve até serviço de bordo. Sou grato.

Estou ansioso pela próxima aula, aprender, rever amigos. E, sinceramente, espero que na próxima não haja violência, que haja mais organização e que tenha mais gente enfrentando os poderosos e dizendo basta!

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DITADURA SEM LEI EM SÃO PAULO: REPÓRTER É DETIDO POR PORTAR VINAGRE

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POLÍCIA MILITAR DE SÃO PAULO ATACA A IMPRENSA NA MANIFESTAÇÃO DO MOVIMENTO PASSE LIVRE

MOVIMENTO PASSE LIVRE: FERNANDO HADDAD TEM A OPORTUNIDADE POLÍTICA DE ABRIR AS PLANILHAS E NÃO SER ENGOLIDO PELA MÍDIA

Os principais partidos políticos de São Paulo, PT e PSDB, não entenderam, mas o Movimento Passe Livre já deu seu recado. O PSDB usou o velho chavão dos estados totalitários, são “baderneiros e vândalos”, como se o governo aliado de Carlinhos Cachoeira não fosse vandalismo também, como se o uso do dinheiro público para construções faraônicas não seria o germe do  vandalismo em uma sociedade desigual.

A imprensa não perdeu tempo e o PT está mais perdido que uma agulha no palheiro; sentiu o baque. Tem até militante concordando com Reinaldo Azevedo e com o promotor Rogério Zagallo.

A questão não são os vândalos do movimento e nem se alguns de seus líderes são de classe média. O que importa é o grande movimento, a quantidade de jovens, suas agregações, suas palavras, seus slogans, sua sedução. O movimento seduziu pela insatisfação, pela incapacidade do PT e dos governos em geral. É preciso mudar mais a estrutura da desigualdade no Brasil. O PT parece estar se afundando nas oligarquias, nos ruralistas, nos evangélicos oportunistas.

Não dá para ficar nesse blá blá blá de baderneiros. Se Fernando Haddad entrar nessa, a mídia e a oposição vão engoli-lo. Ele precisa reconhecer a oportunidade e abrir o sistema, não o contrário, que é ficar ao lado da ordem da desigualdade.

É preciso quebrar as planilhas fantásticas e escorchantes das empresas de ônibus, é preciso quebrar os oligopólios dos transportes públicos. Essa é a oportunidade política para remodelar o sistema de licitações e transparência no transporte público.

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O VANDALISMO E A BADERNA DO SR. GERALDO PINHEIRINHO ALCKMIN: TEATRO DE ÓPERA, EDUCAÇÃO E SAÚDE

Canetada contra o povo

Canetada contra o povo

Os protestos nas ruas de São Paulo são uma demonstração inequívoca da insatisfação popular da juventude. Não são os 20 centavos da passagem que geram tanta insatisfação no movimento Passe Livre.

Pela quantidade de pessoas presentes no protesto, não dá para afirmar que são simplesmente “baderneiros e vândalos”, como afirmou Geraldo Pinheirinho Alckmin.

É com certeza uma das mais novas rebeldias. Acabou a lua de mel com o PT, que deve colocar as barbas de molho, e é também o resultado de quase 20 anos de políticas de sustentação da desigualdade e da manutenção da pobreza por parte do PSDB e de Geraldo Pinheirinho Alckmin.

A mesma violência que o sr. Alckmin imprimiu na desocupação do Pinheirinho e outros terrenos estão agora nas ruas de São Paulo. Quem cresce na violência, também reproduz a violência. E essa violência inicial é do próprio Estado.

A violência pode não ser o cacetete de borracha, como querem os saudosos da ditadura, mas um simples ato administrativo como o que o sr. Alckmin fez recentemente ao liberar R$ 80 milhões (!!!!) para a construção de um teatro de ópera em Campinas, após um presente (de grego) de um escritório de arquitetura, que cedeu “gratuitamente” (kkk) o projeto para a cidade.

Assim como a péssima situação da educação e da saúde em São Paulo, o sr. Pinheirinho Alckmin comete esse vandalismo com o dinheiro público. O dinheiro que será torrado neste teatro, que é apenas um exemplo, daria para construir 80 teatros menores e mais pequenos centros de cultura por toda a cidade, principalmente na periferia. Isso é vandalismo e baderna.

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