Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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SEDUÇÃO DA BARBÁRIE: FELICIANO E BOLSONARO ESTÃO AÍ PARA TIRAR O ÓDIO DO ARMÁRIO E DESPERTAR A IRA IGNARA

E se os nazistas acharem os evangélicos amaldiçoados?As falas dos deputados Pastor Feliciano (PSC) e Jair Bolsonaro parecem saídas de um programa de humor, tamanha falta de senso com a realidade. Mas a realidade se transforma e a função de Bolsonaro e Feliciano é transformar a comédia em tragédia. Eles estão ocupando espaço público e despertando a intolerância como forma de se fazer a política e se conviver socialmente.

Conviver socialmente na verdade é uma aberração. Eles basicamente atuam no mesmo campo, o da extrema direita neoliberal, gostam da desigualdade e têm na violência a forma mais eficaz de manter a ordem social. Atuam no mesmo campo de Margareth Thatcher, para a qual não existe sociedade, mas indivíduos.

Se Platão na Grécia Antiga pensou em uma república de iluminados filósofos a conduzir o povo,  Bolsonaro e Feliciano reinauguram a república dos ignorantes e intolerantes, como existiu na Alemanha nazista.

E o trabalho desses dois deputados tem dado resultados. Nos últimos anos tem sido comum as notícias de crimes de racismo e agressões homofóbicas.  O ódio está saindo do armário, depois de anos em que ficou sufocado no processo de redemocratização do país.

Ultimamente, militares comemoram golpe de estado, neonazistas produzem sites e postam fotos em redes sociais como o facebook, tolos expressam racismo pelo twitter, uma revista semanal de grande circulação se associa a bandidos e professa a intolerância nas capas semanais com a benção da publicidade governamental e do empresariado e assim vai se criando a base de sustentação da república da intolerância. Há inúmeros projetos de leis com o objetivo de retroceder conquistas da sociedade, seja na área da saúde, drogas, direitos sociais, indígenas etc.

Existe também um pensamento mais sofisticado dando sustentação a essas perspectivas obscurantistas. Teóricos, sociólogos e filósofos ganham espaço na mídia e nos cafés filosóficos da vida para apresentar o ódio e a raiva como manifestações inexoráveis do humano. O sujeito que não professa o ódio e o egoísmo contra o semelhante é um mentiroso, um falso. Todo o sentimento solidário se torna hipócrita. É a sofisticação do pensamento de um Feliciano muito presente nas falas de um Pondé.

Mas Bolsonaro e Feliciano são mais rústicos. Eles professam cá e lá a “teoria sociológica da safadeza”, o bem contra o mal, o bandido mal e a classe média boazinha, o gay safado e o hetero bonzinho, o negro amaldiçoado etc. A diferença é a lei, não a igualdade.

Eles explicam a homossexualidade e a violência provocada pela desigualdade social, individualismo e neoliberalismo pela via psicológica mais rasteira. São os safados. É uma cultura da mente rasa e do baixo QI que emerge com Feliciano e Bolsonaro. E, por isso, é a cultura da resposta social também pela violência, intempestiva, raivosa e, claro, não pela razão. Eles estão com a verdade, então, pra que razão?

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BRASIL PRECISA BARRAR O FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS

Mais que protestos, é necessário mudar legislação

A intolerância, fundada em uma falsa religiosidade (ou verdadeira, não vem ao caso), já propiciou à humanidade inúmeras tragédias que perduraram séculos. O Brasil parecia ser um país distante dessas intolerâncias, presente em grupos específicos de países controlados por ordens fundamentalistas-religiosas radicais.

O liberalismo e o iluminismo foram estruturas de pensamento importantes porque combateram tanto a monarquia e as oligarquias, como doutrinas intolerantes, apesar da ascensão do nazismo no início do século passado.

Foram.

O tempo passa e do liberalismo surgiu o fundamentalismo do dinheiro, ou seja, o neoliberalismo, que destrói toda e qualquer relação social em nome do enriquecimento monetário, estabelece um Deus chamado mercado, sem regulação do Estado e com a ideologia da prosperidade a todo custo. Europa e Estados Unidos, nas últimas décadas, sustentam um novo fundamentalismo, baseado na economia.

É nesse contexto que avançam as doutrinas religiosas da prosperidade, os neopentencostais e suas doutrinas fundamentalistas, que servem para legitimar um certo rigor formador da identidade não histórica. Com total liberdade econômica e isenção de impostos, esses movimentos crescem no Brasil e buscam poder político e econômico. Governo e sociedade, sem controle algum sobre o fluxo financeiro desses grupos, assistem impassíveis a essa ascensão.

A eleição do pastor Feliciano na Comissão de Direitos Humanos parece ser algo isolado, mas talvez não seja. Assim como no Golpe de 64, que faz aniversário hoje, você sabe como começa, mas não sabe como termina. Somente um estado laico garante liberdade religiosa para todas as religiões. Sociedade, artistas, religiosos, intelectuais e instituições civis devem reagir antes que seja tarde demais. A história se repete como farsa, mas talvez seja tragédia.

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