Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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NO BRASIL DO SÉCULO XXI E COM AGRONEGÓCIO AINDA ESCRAVOCRATA, É NECESSÁRIO O POETA CRUZ E SOUZA

Imagem vagner carvalheiroESCRAVOCRATA

Oh! trânsfugas do bem que sob o manto régio
manhosos, agachados – bem como um crocodilo,
viveis sensualmente à luz dum privilégio
na pose bestial dum cágado tranqüilo.

Eu rio-me de vós e cravo-vos as setas
ardentes do olhar – formando uma vergasta
dos raios mil do sol, das iras dos poetas,
e vibro-vos à espinha – enquanto o grande basta.

O basta gigantesco, imenso, extraordinário –
da branca consciência – o rútilo sacrário
no tímpano do ouvido – audaz me não soar.

Eu quero em rude verso altivo adamastórico,
vermelho, colossal, d’estrépito, gongórico,
castrar-vos como um touro – ouvindo-vos urrar!

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TORCEDOR

Você gosta de futebol todos os dias

mas se esquece da escola da tua filha

Você não aceita a segunda divisão

mas o  ensino tá na última posição

 

Você briga, xinga e quebra cadeiras do estádio

Tanta energia de graça pros cartolas

Não percebe que perdeu a sua hora

Nesse exemplo explosivo imaginário

 

Você ama piada, cerveja e pelada

Mas isso em sua vida é quase nada

Te dizem que é bom vencer a Argentina

Mas você sabe, a vida pode ser mais linda, bem mais linda.

 

Se você olhar, o mundo pode te escutar

Se você quiser, o mundo pode sonhar

Se você ousar, o mundo pode mudar

 

Para ter amor, é preciso brigar por algo de valor

Você reclama de saúde e educação

mas não se mexe para ver a solução

Quando fica mal não vê a própria dor

 

Você acredita no primeiro falastrão

que leva todo seu dinheiro para o ralo

Você gosta mesmo é de ser enganado

Enquanto só torce, o pilantra mete a mão

 

Você diz que todos são corruptos iguais

Esse lugar comum não resolve o problema

É preciso distinguir para entender o esquema

O jovem que aprende não esquece jamais

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O RETRATO DO PAI

Ela já estava bem velha,
num estilo para poucos amigos,
sem cores nos cabelos, xales pelos ombros.
Mantinha o seu ofício de escrever,
e brincava com cachorros ao fim do dia.


Sem luxo, sem excessos materiais,
livros escorriam sobre a escrivaninha.
Alguns bem velhos, outros jogados.
Mas bem ali no meio da bagunça
o impecável retrato do pai.

Um pai ainda jovem, alinhado.
Um retrato que captou o esplendor
da beleza da juventude.
Livros escuros faziam sombra
sobre a luz do olhar daquele pai, meu pai.

Um pai moço sobre a escrivaninha
de uma velha senhora.

Depois de tanto tempo,
depois de tantos amores,
depois de tantos amigos,
o retrato do jovem pai.


No fim da vida,
uma filha sob o olhar do pai,
ao lado do pai.

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POEMA DO DIRETOR: OS DRAMAS DA ESCOLA PÚBLICA DE SÃO PAULO EM VERSO

Por David Capra Bueno de Assis

Ser Diretor

Ser diretor, ai que horror!
Toda gente em nosso pé:
Desde bandido sem fé,
Que não nos faz cafuné,
Até seu Serra-terror,
Mais os asseclas, que invadem
nossos planos e projetos,
sonhando ser Bin Laden,

Ai que raiva!!!

De dia, aquele tormento:
É o Joãzinho, sem rumo,
Quebrando tantas vidraças,
Justificando, sem graça,
Muito cheio de marola:
“Foi sem querer, diretor,
A culpada foi a bola! ”
E pobre de nossa escola.

Dá uma vontade…!!!

De noite, vem o mistério.
Metido a besta, o artista
Transmuda-se em pichador.
Procura-se alguma pista,
Finalmente, surge a prova.
Vem, então, o humanista:
Coitadinho do Picasso,
exercitava seu traço!!!

Ah, se te pego!!!

Também tem o professor
Que fica fora de prumo,
Quando os alunos capetas
Aprontam-lhe mil falsetas,
Naquela aula infeliz,
Que ministra sem paixão.
Pode escrever, meu amigo,
Tem fila na porta da direção!!

Jesus! Dai-me paciência!!!

E vem também pai de aluno,
Zangado com o inspetor
Porque seu santo rebento
Provocou, em tal momento,
Gente de quem se temia,
Levando em bom pagamento
Bordoadas sem amor.
E sobra pro diretor!!

Êta, dureza!!!

E, de quebra, todo dia,
É chato, de todo lado,
A rondar a direção,
Pra vender enciclopédia,
Salame, queijo, comédia,
Informática e inglês,
Quase tudo por quase nada.
Mas, que gente descarada!!

Caramba!!!

E tudo isso, por quanto?
Uns mil seiscentos e tanto,
Esse, sempre, o inicial.
Um salário, de dar dó,
Que dá vontade, afinal,
De dizer para os molóides:
Não tendes vergonha na cara,
De nos pagarem um salário
Do ó do borogodó ??

Perdoem-me a quase baixaria!!!

E quando chega o momento
De receber algum louro,
Que é esse tal do bônus,
Pobre de nós. Do tesouro,
Pra levar algum por cento,
Assumimos todo o ônus,
Dos que se fazem de mouro.
E, lá se vai nosso ouro.

Até quando, Serra, abusarás da nossa paciência?

Deixemos de brincadeira,
Pois diretor que se preza
Ama sua profissão,
Professores, serviçais,
Os alunos e seus pais.
Sonham com a escola perfeita,
Cidadã e sem violências,
Formadora de consciências!!

Agora, falando sério:

Não fosse bem verdadeira
A permanente emoção,
Que em tal lida nos envolve,
Há muito nossas escolas,
Vítimas de mil percalços
Impostos pelo padrasto,
Já estariam no chão.
Não seriam o que são.

E que viva, a direção!!!

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Imagem por Krazydad/creative commons

Imagem por Krazydad/creative commons

 

 

Descobri o mundo em que vivia.
De todo lixo
fiz estátuas em bronze puro
mas desvaneceram ao sol do meio dia.
De toda miséria
tentei fazer poemas
mas fiquei preso a rabiscos e lágrimas.

 

 

 

 


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