Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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A Polícia Militar vai continuar matando inocentes, é necessário

A Polícia Militar do Rio de Janeiro, Minas Gerais e de São Paulo, assim como de outros estados, vai continuar matando pessoas inocentes e mesmo pessoas que tenham algum problema com a justiça.E não adianta punir o soldado que apertou o gatilho porque amanhã outro soldado vai matar e assim sucessivamente como aconteceu (Continue Lendo….)

VÍDEO: MÉTODOS DA DITADURA CONTRA MANIFESTANTES NO RIO

13 DE JUNHO DE 2013: O DIA QUE O GOVERNO GERALDO ALCKMIN IMPLANTOU O TERROR EM SÃO PAULO

O SAMBISTA ADONIRAN BARBOSA ANTECIPOU GERALDO ALCKMIN E EXPLICA A VIOLÊNCIA EM SÃO PAULO COM SAMBA DA DÉCADA DE 60

Adoniram eternizou Pinheirinho meio século antes de acontecer

A genialidade do sambista Adoniran Barbosa é capaz de explicar com meio século de antecedência porque São Paulo vive uma guerra civil entre policiais militares e o PCC.

Ele nos mostra que a raiz está no Pinheirinho (expulsão de moradores em bairro de São José dos Campos a mando da Justiça e com a força policial do Estado de São Paulo, comandado por Geraldo Alckmin). Pinheirinho é um exemplo e não é novidade. Esse é o cerne da violência em São Paulo. A violência começa com os poderes do Estado (Justiça e Executivo) contra sua própria população.

Adoniran fez a música na década de 60 do século passado e nada mudou. O oficial de justiça e o poder do Estado, que deveriam garantir condições dignas de moradia para o seu povo, em primeiro lugar, são aparelhos da violência e da desigualdade. A política da elite brasileira não muda.”É ordem superior”, diz Adoniran.

E Adoniran perguntou a Geraldo Alckmin meio século antes de Pinheirinho: “e essa a gente aí hein,  como é que faz?”

Despejo na Favela

“Quando o oficial de justiça chegou
Lá na favela
E contra seu desejo
entregou pra seu narciso
um aviso pra uma ordem de despejo
Assinada seu doutor, assim dizia a petição,
dentro de dez dias quero a favela vazia
e os barracos todos no chão
É uma ordem superior,
Ôôôôôôôô Ô meu senhor, é uma ordem superior
Não tem nada não seu doutor, não tem nada não
Amanhã mesmo vou deixar meu barracão
Não tem nada não seu doutor
vou sair daqui pra não ouvir o ronco do trator
Pra mim não tem problema
em qualquer canto me arrumo, de qualquer jeito me ajeito
Depois o que eu tenho é tão pouco minha mudança é tão pequena que cabe no bolso de trás,
Mas essa gente ai hein como é que faz????

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QUE HORROR! AMEAÇA DE MORTE DE CANDIDATO DO PSDB FAZ JORNALISTA DA FOLHA DE S.PAULO DEIXAR O PAÍS

Essa história me fez lembrar a história de Vladimir Herzog durante a ditadura. Depois de sua morte, a imprensa de São Paulo enxergou o monstro que tinha ajudado a criar.

Até quando a grande mídia vai apoiar um partido político que mantém uma polícia nos moldes da ditadura e que mata mais do que toda a polícia dos EUA? Quais os limites dos interesses econômico da imprensa em detrimento da sociedade?

Um repórter ameaçado de morte

Por Eliane Brum – Revista Época

Eliane Brum: o que significa isso?

André Caramante, um dos mais respeitados jornalistas brasileiros na área da segurança pública, foi obrigado a mudar de país e esconder-se. Em entrevista, ele conta o que a situação de exceção vivida por ele e por sua família revela sobre a intrincada relação entre poder e violência

Em 14 de julho, André Caramante, repórter da Folha de S.Paulo, assinou uma matéria com o seguinte título: “Ex-chefe da Rota vira político e prega a violência no Facebook”. No texto, de apenas quatro parágrafos, o jornalista denunciava que o coronel reformado da Polícia Militar Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, candidato a vereador em São Paulo pelo PSDB nas eleições do último domingo, usava sua página no Facebook para “veicular relatos de supostos confrontos com civis”, sempre chamando-os de “vagabundos”. Em reação à matéria, Telhada conclamou seus seguidores no Facebook a enviar mensagens ao jornal contra o repórter, a quem se referia como “notório defensor de bandidos”. A partir daquele momento, redes sociais, blogs e o site da Folha foram infestados por comentários contra Caramante, desde chamá-lo de “péssimo repórter” até defender a sua execução, com frases como “bala nele”. Caramante seguiu trabalhando. No início de setembro, o tom subiu: as ameaças de morte ultrapassaram o território da internet e foram estendidas também à sua família.

O que aconteceu com o repórter e com o coronel é revelador – e nos obriga a refletir. Hoje, um dos mais respeitados jornalistas do país na área de segurança pública, funcionário de um dos maiores e mais influentes jornais do Brasil, no estado mais rico da nação, está escondido em outro país com sua família desde 12 de setembro para não morrer. Hoje, Coronel Telhada, que comandou a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) até novembro de 2011, comemora a sua vitória nas eleições, ao tornar-se o quinto vereador mais votado, com 89.053 votos e o slogan “Uma nova Rota na política de São Paulo (texto completo)

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DILMA NÃO CONCORDA COM ANISTIA PARA POLICIAIS QUE COMETERAM CRIMES DURANTE A PARALISAÇÃO EM SALVADOR, “AÍ VIRA UM PAÍS SEM REGRA”, DISSE A PRESIDENTE

Os PMs grevistas deixaram a assembleia legislativa e agora discutem as próximas ações em um ginásio, no centro de Salvador

Em visita ao nordeste para vistoriar as duas maiores obras de infraestrutura da região: a transposição do Rio São Francisco e a Ferrovia Transnordestina, a presidente Dilma Rousseff deu sua primeira declaração sobre a greve dos policiais militares da Bahia que já tem mais de dez dias e nenhum acordo em vista.

O episódio, que já envolveu violência e abusos de todos os tipos, parece estar longe de acabar. Isso porque uma das exigências dos policiais amotinados, como já divulgamos aqui no Educação Política, é que os líderes do movimento sejam perdoados de eventuais crimes cometidos durante a paralisação. No entanto, a própria presidente Dilma foi incisiva ao afirmar que o direito de manifestação e greve de qualquer categoria é totalmente legítimo, mas esse direito não justifica que crimes sejam cometidos impunemente.

No caso dos policiais baianos, alguns deles são acusados de formação de quadrilha, incitação ao crime e depredação de patrimônio público, entre outros delitos, como mostra notícia publicada pela Agência Brasil, sendo assim, a presidente considera inadmissível a possibilidade de anistia a esses policiais. “Se você anistiar, aí vira um país sem regra”, disse a presidente.

Tudo isso parece indicar que os lados impossíveis do nosso país, na maioria das vezes, alimentados pela violência e falta de diálogo, estão cada vez mais distantes de um real acordo. Anistiar a violência não faz mesmo sentido, muito menos em um contexto democrático, o problema é encontrar um lugar ou discurso na cena nacional onde ela ainda não esteja impregnada.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

“Estarrecida” com gravações, Dilma diz que anistia a PMs criará “país sem regras”
Por Luana Lourenço

Brasília – Na primeira declaração sobre a greve de policiais militares da Bahia, que entrou hoje (9) no décimo dia, a presidenta Dilma Rousseff disse que respeita as reivindicações da corporação, mas não concorda com anistia para policiais que cometeram crimes durante a paralisação. Ela foi incisiva ao dizer que “crimes contra o patrimônio, contra as pessoas e contra a ordem pública não podem ser anistiados. Se anistiar, vira um país sem regras”.

“Não consideramos que seja correto instaurar o pânico, instaurar o medo, criar situações que não são aquelas compatíveis com uma democracia. Eu não considero que o aumento de homicídios na rua, queima de ônibus, entrar encapuzados em ônibus, seja a forma correta de conduzir o movimento.” A presidenta disse que ficou “estarrecida” com as gravações telefônicas divulgadas ontem (8), pela TV, que revelam conversas de líderes dos policiais e bombeiros baianos no sentido de radicalizar o movimento, estendendo-o, inclusive, para outros estados.

As declarações da presidenta foram dadas durante visita a obras da Ferrovia Transnordestina, no município pernambucano de Parnamirim.

Dilma disse que respeita “democraticamente os movimentos e suas reivindicações”, mas não considera admissível anistiar quem comete crimes durante uma greve, caso de alguns policiais militares baianos que estão sendo acusados de formação de quadrilha, incitação ao crime e depredação de patrimônio público, entre outros delitos.

“Vai chegar um momento em que vão anistiar antes do processo grevista começar. Eu não concordo com isso. Por reivindicação, eu não acho que as pessoas têm de ser presas, nem condenadas. Agora, por atos ilícitos, por crimes contra o patrimônio, crimes contra as pessoas e crimes contra a ordem pública, não podem ser anistiados. Se você anistiar, aí vira um país sem regra”. (Texto completo)

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AO CONTRÁRIO DO QUE BOA PARTE DA MÍDIA VEM DIVULGANDO, PT NÃO ESTARIA INICIANDO UMA NOVA ERA DE PRIVATIZAÇÕES COM A CONCESSÃO DE AEROPORTOS, DIZ ESPECIALISTA
CLIMA DE GUERRA: POLICIAIS MILITARES SEGUEM OCUPAÇÃO NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DA BAHIA E FAZEM EXIGÊNCIAS AO GOVERNO PARA DAR FIM À PARALISAÇÃO
EX-SECRETÁRIO DE JUSTIÇA DO GOVERNO DILMA DIZ QUE AÇÃO DO GOVERNO PAULISTA NA CRACOLÂNDIA É UM TRABALHO DE “ENXUGAR GELO” E FAZ PARTE DE POLÍTICAS EXCLUDENTES
O DINHEIRO DO SUS (SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE) ESTÁ INDO PARA O RALO DA FOLHA DE PAGAMENTO DO PODER JUDICIÁRIO

CLIMA DE GUERRA: POLICIAIS MILITARES SEGUEM OCUPAÇÃO NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DA BAHIA E FAZEM EXIGÊNCIAS AO GOVERNO PARA DAR FIM À PARALISAÇÃO

Exército faz a proteção de crianças liberadas pelos grevistas

A Assembleia Legislativa da Bahia está ocupada por policiais militares em greve desde o último dia 31 de janeiro, terça-feira, em Salvador. A estimativa é de que cerca de 800 pessoas estejam no prédio, segundo notícia divulgada pela Agência Brasil, incluindo mulheres e crianças que seriam parentes dos amotinados.

O local segue cercado por homens do Exército, da Força Nacional e PMs de batalhões que não aderiram ao movimento. Aos poucos, o desenho que se vê é o de uma verdadeira arena de guerra, onde a falta de diálogo é gritante. Os capítulos do episódio só revelam que a tensão entre os grupos aumenta cada vez mais, os interesses intensificam o conflito e no meio do tiroteio estão cerca de 150 crianças que acabam servindo de escudo, amortecendo o choque entre os grupos.

Os militares já tentaram invadir o prédio, depois optaram por isolar o local e agora mantêm o cerco enquanto as difíceis negociações entre governo e grevistas acontecem. A rotina dos moradores de Salvador foi bastante alterada diante do cenário de instabilidade em que mergulhou a cidade e é lamentável, para dizer o mínimo, que tal situação esteja se estendendo por tantos dias.

Agora, a possibilidade de um acordo entre o governo e os grevistas é a expectativa para o fim da paralisação. A principal exigência dos policiais é que os líderes do movimento não sejam punidos, além do pagamento de gratificações aos policiais militares acordadas em 2001, ainda no governo de Paulo Souto.

Mais uma vez, vemos, na história nacional, repetir-se a mesma cena de um exército cercando um grupo de “revoltosos”, mulheres e crianças. Mais uma vez,  a deficiência brasileira em lidar com o social e sua incrível inclinação para a violência ficam evidentes. Mais do que um lado certo e outro errado, toda a situação em Salvador nos revela lados impossíveis, afastados pela falta de um verdadeiro entendimento de si e do outro.

Veja trecho de um dos últimos textos sobre o assunto publicado pela Agência Brasil:

Reunião entre grevistas e governo da Bahia pode pôr fim à paralisação dos policiais militares
Por Luciana Lima

Salvador – Um acordo para encerrar a paralisação dos policiais militares na Bahia deve sair da reunião entre associações que representam os grevistas e o governo estadual, que está sendo realizada nesta tarde com a presença do arcebispo de Salvador, Murilo Krieger. A expectativa é da assessoria do governo da Bahia.

O principal ponto da negociação refere-se à punição dos policiais grevistas. Em entrevistas às emissoras de rádio e de televisão locais, o governador Jaques Wagner tem garantido que não irá punir quem participou da greve de forma pacífica, mas os policiais envolvidos em atos de vandalismo serão processados. O governador não deixou claro, no entanto, se os líderes do movimento serão anistiados, já que a greve foi considerada ilegal pela Justiça.

Ontem, após o Exército cercar um grupo de policiais amotinados na Assembleia Legislativa da Bahia, os líderes da greve disseram aos políticos que entraram no prédio que o principal ponto de resistência ao acordo seriam os mandados de prisão expedidos pela Justiça para 12 líderes do movimento. No entanto, a suspensão desses mandados cabe apenas à Justiça, e não ao governador. Mesmo assim, o governo da Bahia adotou hoje a postura de amenizar o clima de tensão que tomou conta da cidade nos últimos dias.

Dos 12 mandados de prisão, foi cumprido apenas o do soldado Alvir dos Santos, do Batalhão de Policiamento Ambiental. O líder do movimento, Marco Prisco, que estaria dentro do prédio da Assembleia, também está com a prisão determinada pela Justiça. (Texto completo)

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CASO USP E RECENTE PRISÃO DE TRAFICANTES NA ROCINHA REVELAM O QUANTO A LÓGICA DO ESPETÁCULO CONTINUA VALENDO PARA ALGUNS, NÃO PARA TODOS

Interessante texto de Sergio Lirio, publicado na Carta Capital, revela que no Brasil a lei que vale é mesmo a do dois pesos, duas medidas. Ainda sob as repercussões do caso USP, o texto revela como a justiça neste país é tão adaptável às diferentes pessoas e circunstâncias quanto uma massa de modelar.

Muito se disse, se ouviu e se escreveu sobre o caso USP.

A “patética ocupação da reitoria, aliada à desproporcional reação da polícia”, como colocou outro texto de Matheus Pichonelli, publicado pela mesma revista disse: “a ocupação da reitoria da maior universidade do País deu munição para que boa parte da opinião pública (inclusive estudantes) testemunhasse, graças à transmissão ao vivo das emissoras, a legitimação de seus desprezos contra estudantes que, diferentemente deles, ainda ousam apontar o dedo para o alto e dizer que alguma coisa está errada”.

E ainda: “critique-se o quanto quiser a partidarização de parte do movimento, mas são os estudantes os agentes de uma história que ainda somam coragem e disposição para se organizar e promover discussões e manifestações que, via de regra, apontam caminhos não observáveis por quem, a olhos nus, está atolado nas funções diárias da divisão social do trabalho. O empregado tem medo da greve e de perder o emprego; o patrão tem medo de perder o lucro; o governador, o medo de perder poder. Mas os estudantes estão, em tese, livres das amarras que os impediriam de simplesmente optar por outros caminhos. Isso não deveria ser vergonhoso, nem apontado como privilégio”.

No tumulto das opiniões, o fato acontecido foi visto sob diversos ângulos e pontos de vista. Mas uma coisa parece sobressair-se: o espetáculo promovido pela mídia e, principalmente, pelos policiais. Esse não pode ser classificado com outro adjetivo a não ser “deplorável”.

O interessante é constatar que sob a égide desse mesmo espetáculo, o texto de Sergio Lirio lembra que quando Daniel Dantas apareceu algemado em horário nobre, por pouco não houve uma inssurreição popular pedindo que o cidadão e as liberdades individuais fossem respeitadas. Colunistas, ministros, advogados, todos conclamaram os direitos individuais contra os abusos do autoritarismo. O barulho resultou em uma súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal que limitou o uso de algema e a exposição de presos em operações “espetaculosas” da polícia. Ela valeria para todos, era a promessa.

No entanto, a “lei das algemas” parece valer mesmo apenas para os donos do Brasil, afinal, o que se viu no recente caso na USP e na prisão do traficante Nem, na Rocinha, foi a encenação do espetáculo, atendendo “aos sentimentos mais obscuros da ala conservadora da sociedade. Em troca de apoio e publicidade”, como diz o texto.

Em defesa dos estudantes ninguém, da mídia ou das altas cortes de justiça, se manifestou.

Veja trecho dos dois textos mencionados, publicados pela Carta Capital:

Lei das algemas? Só para influentes
Por Sergio Lirio

Quando Daniel Dantas apareceu algemado em horário nobre, por pouco uma nova marcha pela liberdade não tomou as ruas do País. Os “democratas” diziam que o Brasil vivia sob um Estado policial. Ministros de tribunais superiores, advogados milionários, colunistas de política e economia e juristas (que vivem de juros) de todo calibre conclamaram os direitos individuais contra os abusos do autoritarismos. A estridência resultou em uma súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal que limitou o uso de algema e a exposição de presos em operações “espetaculosas” da polícia. Ela valeria para todos, era a promessa.

Como sempre, certos direitos são reservados a uma minoria de privilegiados. Aos influentes, aos donos do Brasil. Tanto no caso da remoção dos estudantes da USP quanto na operação na Rocinha que prendeu o traficante Nem, as regras foram jogadas às favas. Alunos e traficantes foram forçados por policiais a exibir o rosto a cinegrafistas e fotógrafos. Nos dois casos, optou-se por atender aos sentimentos mais obscuros da ala conservadora da sociedade. Em troca de apoio e publicidade. (Texto completo)

Ocupação patética, reação tenebrosa
Por Matheus Pichonelli

Ao que tudo indica, a ocupação da reitoria da USP foi de fato patrocinada por um grupo de aloprados, que atropelou o rito das assembleias realizadas até então e, num ato de desespero (calculado?), fez rolar morro abaixo uma pedra que, aos trancos, deveria ser endereçada para pontos mais altos da discussão.

Uma vez que essa pedra rolou, como se viu, tudo desandou. Absolutamente tudo, o que se nota pela declaração do ministro-candidato-a-prefeito (algo como: bater em viciado pode, em estudante, não) e do governador (vamos dar aula de democracia para esses safadinhos), passando pela atitude da própria polícia (tão aplaudida como o caveirão do Bope que arrebenta favelas), de cinegrafistas (ávidos por flagrar os “marginais” de camiseta GAP) e de muitos, mas muitos mesmo, cidadãos que só esperavam o ataque aéreo dos japoneses em Pearl Harbor para, em nome da legalidade, arremessar suas bombas atômicas sobre Hiroshima.

O episódio, em si isolado, é sintomático em vários aspectos. Primeiro porque mostra que, como outros temas-tabus (questão agrária, aborto…), a discussão sobre a rebeldia estudantil é hoje um convite para o enterro do bom senso. O episódio foi, em todos os seus atos, uma demonstração do que o filósofo e professor da USP Vladimir Safatle chama de pensamento binário do debate nacional – segundo o qual a mente humana, como computadores pré-programados, só suporta a composição “zero” ou “um”. Ou seja: estamos condicionados a um debate que só serve para dividir os argumentos em “a favor” ou “contra”, “aliado” ou “inimigo”. (Texto completo)

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TORTURADOR DA DITADURA É ANISTIADO E ESTUDANTES DA USP SÃO ENQUADRADOS
RELATO DE ESTUDANTE SOBRE A REINTEGRAÇÃO DE POSSE DA REITORIA DA USP REVELA A VIOLÊNCIA GRATUITA, O ABUSO DE PODER E A DESUMANIZAÇÃO DA PM
PARA JUIZ, PROBLEMA DA USP É FALTA DE DIÁLOGO COM OS ESTUDANTES E REPRESSÃO POR PARTE DOS POLICIAIS
REITOR DA USP, JOSÉ GRANDINO RODAS, COLABOROU COM A DITADURA E FAZ MILITARIZAÇÃO DA USP, INICIADA NO GOVERNO DE JOSÉ SERRA, DIZ PROFESSOR

RELATO DE ESTUDANTE SOBRE A REINTEGRAÇÃO DE POSSE DA REITORIA DA USP REVELA A VIOLÊNCIA GRATUITA, O ABUSO DE PODER E A DESUMANIZAÇÃO DA PM

PSDB de São Paulo: nos tempos da ditadura

Vale a pena a leitura do texto que vem a seguir escrito por uma estudante da Universidade de São Paulo (USP), que acompanhou a reintegração de posse da reitoria na madrugada da última segunda-feira por dois motivos básicos:

Pra aproximar-se da verdade que sempre existe, mesmo sob todos os disfarçes.

Pra conhecer os métodos dessa polícia que rasga poemas, ao invés de construir e pensar em novos versos.

A ocupação da reitoria, os termos e a politização do Movimento Estudantil na Universidade de São Paulo, a postura dos estudantes, tudo isso pode até ser questionado, mas nada justifica a violência utilizada pelos policiais, tampouco a justificação dessa mesma violência que é o que o Brasil sempre fez e agora faz em inacreditáveis proporções com o apoio da mídia e dos setores mais conservadores do país que insistem em reduzir tudo a um simples cigarro de maconha ou a jovens que gostam de fazer barulho.

Um simples relato como este, que apenas se ateve aos fatos, revela que não. Que os problemas são outros e profundos!

Desabafo de quem tava lá [Reintegração de Posse]
Por Shayene Metri

Cheguei na USP às 3h da manhã, com um amigo da sala. Ia começar o nosso ‘plantão’ do Jornal do Campus. Outros dois amigos já estavam lá. A ideia era passar a madrugada lá na reitoria, ou pelas redondezas. 1) para entender melhor a ocupação, conhecer e poder escrever melhor sobre isso tudo. 2) para estarmos lá caso a PM realmente aparecesse para dar um fim à ocupação.

Entrada dos primeiros PMs na reitoria

Conversa vai, conversa vem. O tempo da madrugava passava enquanto ficávamos lá fora, na frente da reitoria, conversando com alunos da ocupação. Alguns com posicionamentos bem definidos (ou inflexíveis), outros duvidando até das próprias atitudes. A questão é: os alunos estavam lá e queriam chamar atenção para a causa (ou as causas, ou nenhuma causa)…e, por enquanto, era só. Não havia nada quebrado, depredado ou destruído dentro da tão requisitada reitoria (a única marca deles eram as pixações). A ocupação era organizada, eles estavam divididos em vários núcleos e tinham medidas pra preservar o ambiente. Aliás, nada de Molotov.

Mais conversa foi jogada fora, a fogueira que aquecia se apagou várias vezes e eu levantei a pergunta pra alguns deles: e se a PM realmente aparecesse lá logo mais? Seria um tiro no pé dela? Ela sairia como herói? Os poucos que conversavam comigo (eram uns 4, além dos amigos da minha sala) ficaram divididos. “Do jeito que a mídia está passando as coisas, eles vão sair como heróis de novo”, disse um. “Se ele vierem vai ter confronto e isso já vai ser um tiro no pé deles”, disse outra. Mas, numa coisa eles concordavam: poucos acreditavam que a PM realmente ia aparecer.

Eu achava que a PM ia aparecer e muito provavelmente isso que me fez ficar acordada lá. Não demorou muito e, pronto, muita coisa apareceu. A partir daí, meu relato pode ficar confuso, acho que ainda não vou conseguir organizar tudo que eu vi hoje, 08 de novembro.

Muitos PMs chegaram, saindo de carros, motos, ônibus, caminhões. Apareceram helicópteros e cavalaria. Nem eu e, acredito, nem a maior parte dos presentes já tinham visto tanto policial em ação. Estávamos em 5 pessoas na frente da reitoria. Dois estudantes que faziam parte da ocupação, eu e mais 2 amigos da minha sala, que também estavam lá por causa do JC. Assim que a PM chegou, tudo foi muito rápido:

os alunos da ocupação que estavam com a gente sugeriram: “Corram!”, enquanto voltavam para dentro da reitoria. Os dois amigos que estavam comigo correram para longe da Reitoria, onde a imprensa ainda estava se posicionando para o show. Eu, sabe-se lá por qual motivo, joguei a minha bolsa para um dos meninos da minha sala e voltei correndo para frente da reitoria, no meio dos policiais que avançavam para o Portão principal [e único] da ocupação.

Tentei tirar fotos e gravar vídeos de uma PM que estava sendo violenta com o nada, para nada. Os policiais quebravam as cadeiras no carrinho, faziam questão do barulho, da demonstração da força. Os crafts com avisos dos estudantes, frases e poemas eram rasgados, uma éspecie de símbolo. Enquanto tudo isso acontecia, parte da PM impedia a imprensa de chegar perto da área, impedindo que os repórteres vissem tudo isso. Voltando para confusão onde eu tinha me enfiado: os PMs arrombaram a porta principal, entraram (um grupo de mais ou menos 30, eu acho) e, logo em seguida, fecharam o portão. Trancaram-se dentro da reitoria com os alunos. Coisa boa não era.

Depois disso, o outro grupo de PMs,que impedia a mídia de se aproximar dessas cenas que eu contei , foi abrindo espaço. Quer dizer, não só abrindo espaço, mas também começando (ou fortalecendo) uma boa camaradagem para os repórteres que lá estavam atrás de cenas fortes e certezas.

“Me sigam para cá que vai acontecer um negócio bom pra filmar ali agora”, disse um dos militares para a enxurrada de “jornalistas”.

A cena era um terceiro grupo de PMs, arrombando um segunda porta da reitoria, sob a desculpa de que queria entrar. O repórter da Globo me perguntou (fui pra perto deles depois da confusão em que me meti com os policiais no início): “os PMs já entraram, não? Por que eles tão tentando por aqui também?”. Respondi: “sim, já entraram. E provavelmente estão fazendo essa cena pra vocês terem algum espetáculo pra filmar”

A palhaçada organizada pelos policiais e alimentada pelos repórteres que lá estavam continuou por algumas horas. A imprensa ia contornando a reitoria, na esperança de alguma cena forte. Enquanto isso, PM e alunos estavam juntos, dentro da Reitoria, sem ninguém de fora poder ver ou ouvir o que se passava por lá. Quem tentasse entrar ou enxergar algo que se passava lá na Reitoria, dava de cara com os escudos da tropa de choque, até o fim.

Enquanto amanhecia, universitários a favor da ocupação, ou contra a PM ou simplesmente contra toda a violência que estava escancarada iam chegando. Os alunos pediam para entrar na reitoria. Eu pedia para entrar na reitoria. Tudo que todo mundo queria era saber o que realmente estava acontecendo lá dentro. A PM não levava os estudantes da ocupação para fora e o pedido de todo mundo era “queremos algo às claras”. Por que ninguém pode entrar? Por que ninguém pode sair?

Enquanto os alunos que estavam do lado de fora clamavam para entrar, ouvi de um grupo de repórteres (entre eles, SBT): “Não vamos filmar essas baboseiras dos maconheiros não! O que eles pedem não merece aparecer”. Entre risadas, pra não perder o bom humor. Além dos repórteres que já haviam decidido o que era verdade ou não, noticiável ou não, tinham pessoas misturadas a eles, gritando contra os estudantes, xingando. Eu mesma ouvi muitas e boas como “maconheirazinha”, “raça de merda” e “marginal” .

Os estudantes que enfrentavam de verdade os policiais que faziam a ‘corrente’ em torno da Reitoria eram levados para dentro. Em questões de segundos, um estudante sumia da minha frente e era levado pra dentro do cerco. Para sabe-se lá o que.

Lá pras 7h30, depois de muito choro, puxões e algumas escudadas na cara, comecei a ver que os PMs estavam levando os estudantes da ocupação para dentro dos ônibus. Uma menina foi levada de maneira truculenta, essa foi a única coisa que meu 1,60m de altura conseguiu ver por trás de uma corrente da tropa de choque. Enquanto eu tentava entrar no cerco, para entender a história, a grande mídia já estava lá dentro. Fui conversar com um militar, explicar da JC. Ouvi em troca “ai, é um jornal da usp. De estudantes, não pode. Complica”.

Os ônibus com os alunos presos saíram da USP. Uma quantidade imensa de outros alunos gritavam com a PM. Eu e os dois amigos da minha sala (aqueles da madrugada) pegamos o carro e fomos para a DP.

Na DP, o sistema era o mesmo e meu cansaço e raiva só estavam maiores. Enjoo e dor de cabeça, era o meu corpo reagindo a tudo que eu vi pela manhã. Alunos saiam de 5 em 5 do ônibus para dentro da DP. Jornalistas amontoados. Familiares chegando. Alunos presos no ônibus, sem água, sem banheiro, sem comida, mas com calor. Pelo menos por umas 3h foi assim.

Enquanto a ficha caia e eu revisualizava todo o horror da reintegração de posse, outras pessoas da minha sala mandavam mensagens para gente, de como a grande imprensa estava cobrindo o caso. Um ato pacífico, né Globo? Não foi bem isso o que eu vi, nem o que o JC viu, nem o que centenas de estudantes presenciaram.

Enfim, sou contra a ocupação. Sempre tive várias críticas ao Movimento Estudantil desde que entrei na USP. Nunca aceitei a partidarização do ME. Me decepciono com a falta de propostas efetivas e com as discussões ultrapassadas da maioria das assembléias. Mas, nada, nada mesmo, justifica o que ocorreu hoje. Nada pode ser explicação pra violência gratuita, pro abuso do poder e, principalmente, pela desumanização da PM.

Não costumo me envolver com discussões do ME, divulgar textos ou participar ativamente de algo político do meio universitário. Mas, como poucos realmente sabem o que aconteceu hoje (e eu acredito que muita coisa vai ser distorcida a partir de agora, por todos os lados), achei que valeria a pena escrever esse texto. Taí o que eu vi.


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MULHER NARRA ASSASSINATO COMETIDO PELA POLICIA AO VIVO: A QUE PONTO CHEGOU O ESTADO DE SÃO PAULO APÓS 16 ANOS DE PSDB?

É impressionante o relato de uma mulher ao Copom (Centro de Operações da Polícia Militar), que narra uma execução cometida pela polícia de São Paulo. O relato está no link do Estadão. É a fala de uma mulher, brasileira, forte, corgajosa denunciando o Estado e seus crimes.

Ao mesmo tempo, a Folha de S. Paulo traz matéria mostrando que o salário de São Paulo não é mais atrativo para migrantes. Os salários em São Paulo foram os que menos cresceram no Brasil. Veja abaixo arte. Mais informações na Folha de S.Paulo.

Isso explica porque não existe oposição no Brasil? Ou a culpa é do Lula?

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São Paulo parado

 

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