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mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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DE VOLTA À BARBÁRIE: EM CINCO ANOS, POLÍCIA DE SP MATA MAIS DO QUE TODA POLÍCIA DOS EUA

Uma sombra para a democracia

Os métodos da polícia de São Paulo se inspiram cada vez mais na mesma violência que ela diz combater. Basta relembrar como os policiais têm reprimido com violência as mais recentes manifestações populares para se ter uma ideia de como é sua ação em todos os outros casos. Se as cenas já espantavam, os dados agora confirmam: a polícia de SP provocou mais mortes do que todo efetivo policial dos EUA nos últimos cinco anos.

Segundo dados da SSP (Secretaria de Segurança Pública) 2.045 pessoas foram mortas no estado de São Paulo pela Polícia Militar em confronto – casos que foram registrados como resistência seguida de morte – entre 2005 e 2009. Já o FBI (polícia federal americana) aponta que todas as forças policiais dos EUA mataram em confronto 1.915 pessoas em todo o país no mesmo período.

Levando em conta que a população do estado de São Paulo é oito vezes menor que a dos EUA, algo só pode estar errado em toda essa conta. E o erro passa justamente pela “lógica de guerra” na qual se pauta a polícia paulista e pela ideia de que “bandido bom é bandido morto”, impregnada na cultura brasileira.O fato é que as fronteiras entre policial e criminoso estão ficando cada vez mais tênues (sempre foram, mas agora esse fato ganha mais visibilidade). Por que as mortes provocadas por um policial são mais justas e legítimas do que as mortes provocadas por um “criminoso”? O que condena um e glorifica o outro?

Dúvidas à parte, a realidade expõe diante dos nossos olhos o fato de que o policial, também ele, comete o seu crime particular, movido por uma cultura da violência pela violência que o cotidiano e a história da sociedade brasileira soube produzir muito bem durante a ditadura militar e que ainda germina até os dias de hoje.

Veja trecho de notícia sobre o assunto publicada pelo Portal R7:

Em cinco anos, PM de São Paulo mata mais que todas as polícias dos EUA juntas
Corporação paulista matou 6% mais que polícias americanas entre 2005 e 2009
Por Luciana Sarmento, do R7

Com uma população quase oito vezes menor que a dos Estados Unidos, o Estado de São Paulo registrou 6,3% mais mortes cometidas por policiais militares do que todo os EUA em cinco anos, levando em conta todas as forças policiais daquele país. Dados divulgados pela SSP (Secretaria de Segurança Pública), e analisados pela Ouvidoria da Polícia, revelam que 2.045 pessoas foram mortas no Estado de São Paulo pela Polícia Militar em confronto – casos que foram registrados como resistência seguida de morte – entre 2005 e 2009.

Já o último relatório divulgado pelo FBI (polícia federal americana) aponta que todas as forças policiais dos EUA mataram em confronto 1.915 pessoas em todo o país no mesmo período. As mortes são classificadas como justifiable homicide (homicídio justificável) e definidas pelo “assassinato de um criminoso por um policial no cumprimento do dever”.

Para Guaracy Mingardi, ex-subsecretário nacional de Segurança Pública e pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a diferença no total de mortes do Estado e dos Estados Unidos se deve à própria cultura geral da sociedade brasileira, que tende a apoiar os assassinatos cometidos por policiais e prega que “bandido bom é bandido morto”.

– Nós temos uma diferença. O júri americano tem uma tendência a inocentar [o acusado] porque ele desconfia do Estado. Aqui, apesar de o nosso Estado ser pior, o júri tende a condenar [o acusado] porque ele considera que, se a polícia pegou, é porque ele tem culpa no cartório. (Texto completo)

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Pelo menos três bombas de gás lacrimogêneo foram jogadas para dispersar os manifestantes

Primeiro foi com os manifestantes que protestavam contra o aumento na tarifa de ônibus, agora, a eficiente polícia paulistana quis testar seus ótimos métodos com os participantes da “marcha da maconha” que reuniu mais de mil pessoas no último sábado na Avenida Paulista. Independente da legalidade da manifestação, que havia sido proibida dias antes, a polícia não tem o direito de agir com a violência que tem demonstrado nos últimos episódios.

As pessoas têm o direito de se manifestar. Não importa se o motivo é justo ou não, mas a manifestação é uma prerrogativa da democracia que, jamais, em seu sentido original, pode sufocar a voz da população. Se esta não é ouvida, fala como pode, se o governo não quer ouvir ou simplesmente considera irrelevantes as reivindicações, o mínimo que se espera de um estado democrático é que ele ao menos deixe as pessoas falarem. O fato é que a polícia de São Paulo parece não querer conversa, prefere a violência ao diálogo e as últimas imagens que tem se visto o demonstram muito bem.

Veja trecho de notícia publicada originalmente pelo Terra.com e republicada pelo Brasil de Fato com vídeo trazendo as cenas da ação da polícia junto aos manifestantes:

PM reprime marcha da maconha com violência
Mais de mil pessoas estiveram presentes na manifestação realizada na Avenida Paulista
Terra.com

A Polícia Militar impediu por volta das 15h deste sábado a passeata do grupo organizador da Marcha da Maconha, proibida pela 2ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça. Após a decisão judicial, os manifestantes se reuniram no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) para realizar uma passeata pela liberdade de expressão. No mesmo local, cerca de 20 pessoas fizeram uma pequena manifestação contra a droga. Por volta das 15h, a tropa de choque da PM jogou ao menos três bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o grupo que se deslocava pela avenida Paulista.

De acordo com o capitão Benedito Del Zecchio Junior, o fim da passeata foi definido com base na decisão judicial. Pelo menos duas pessoas foram detidas, e ainda não há informações sobre um possível confronto entre o grupo e a polícia. (Texto completo)

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É impressionante o relato de uma mulher ao Copom (Centro de Operações da Polícia Militar), que narra uma execução cometida pela polícia de São Paulo. O relato está no link do Estadão. É a fala de uma mulher, brasileira, forte, corgajosa denunciando o Estado e seus crimes.

Ao mesmo tempo, a Folha de S. Paulo traz matéria mostrando que o salário de São Paulo não é mais atrativo para migrantes. Os salários em São Paulo foram os que menos cresceram no Brasil. Veja abaixo arte. Mais informações na Folha de S.Paulo.

Isso explica porque não existe oposição no Brasil? Ou a culpa é do Lula?

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São Paulo parado

 

APÓS CRISE, MULHER ASSUME CHEFIA DA POLÍCIA CIVIL DO RJ

Para ela, o desafio deve ser encarado com dedicação à coisa pública e amor à Polícia Civil

Após crise interna da instituição desencadeada pela Operação Guilhotina, que prendeu mais de 35 policiais civis e militares envolvidos com corrupção, tráfico de drogas e ligação com milícias, a delegada Marta Rocha foi escolhida como a nova chefe de Polícia Civil do Rio para substituir o delegado Allan Turnowski.

Podemos aqui traçar um interessante pararelo entre a nova chefe da polícia civil carioca e a presidente da república Dilma Rousseff. Assim como esta última, a nova chefe é mulher e tem pela frente um grande desafio: reestruturar a polícia carioca e fazer uma espécie de limpeza dentro da instituição. Afinal, diante de uma realidade onde quem é responsável por fazer valer a lei e a justiça confunde-se com aqueles que a ameaçam e desrespeitam, as esperanças em um país onde vigore um estado pleno e permanente de segurança pública vão ficando cada vez menores e mais distantes.

Portanto, se o desafio de Dilma para melhorar o Brasil é grande, o de Marta Rocha não é menor! Veja trecho de notícia sobre o assunto publicada no site da Carta Capital e também na Agência Brasil:

Uma mulher na chefia da Polícia Civil do RJ
Redação Carta Capital

A delegada Marta Rocha é a substituta de Allan Turnowski, que deixou o cargo nesta terça-feira, após crise na instituição deflagrada pela Operação Guilhotina da PF

A delegada Marta Rocha foi escolhida como a nova chefe de Polícia Civil do Rio. Ela substituirá o delegado Allan Turnowski que deixou o cargo na manhã de terça-feira 15, a pedido do secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame, após uma crise interna na instituição. Foram cinco horas de reunião para decidir quem seria o novo chefe da Polícia Civil.

A saída de Turnowski foi provocada pela Operação Guilhotina, desencadeada pela Polícia Federal na sexta-feira 11, que prendeu mais de 35 policiais civis e militares envolvidos com corrupção, tráfico de drogas e ligação com milícias.

A nova chefe da polícia civil carioca entrou nos quadros da Secretaria de Segurança Pública em 1983 como policial e já concorreu às eleições como deputada estadual. Em 1990, passou no concurso como delegada; já foi corregedora da Polícia Civil e antes de ser escolhida para o novo cargo, coordenava as delegacias especializadas da Mulher. (Texto Completo)

Secretário de Segurança do Rio escolhe substituta de Alan Turnowski na chefia da Polícia Civil

Douglas Corrêa
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – A delegada Marta Rocha é a nova chefe de Polícia Civil do Rio, em substituição ao delegado Allan Turnowski, que deixou o cargo hoje (15) pela manhã, após uma crise interna na instituição.

A saída de Turnowski foi provocada pelos fatos mostrados com a Operação Guilhotina, desencadeada pela Polícia Federal, com a finalidade de prender policiais civis e militares envolvidos com corrupção, tráfico de drogas e ligação com grupos de milicianos.

Marta Rocha foi escolhida depois de quase cinco horas de reunião na Secretaria de Segurança Pública. Atualmente, ela coordena as delegacias especializadas da Mulher no estado. A delegada foi corregedora da Polícia Civil.

A nova chefe de Polícia Civil disse que esse desafio vai exigir dela aquilo que tem de melhor para dar. “O amor à Polícia Civil, a dedicação à coisa pública, a honrabilidade do meu cargo e a certeza de que a gente pode construir uma sociedade justa, solidária com a participação da Polícia Civil e da Secretaria de Segurança Pública”. (Texto Completo)

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POLÍCIA REPRIME COM VIOLÊNCIA MANIFESTAÇÃO DA POPULAÇÃO CONTRA O AUMENTO DAS TARIFAS DE ÔNIBUS EM SÃO PAULO

Eis os “gentis” métodos da polícia paulistana! Neste caso, as imagens falam mais do que as palavras e já demonstram o caráter violento que perpassa grande parte das ditas autoridades brasileiras. É assim que eles pretendem garantir a paz e lutar por uma sociedade mais justa e menos violenta. Imagina se não fosse! E assim a questão social segue no Brasil como eterno caso de polícia!

Abaixo vídeo e texto publicado no blog Vi o Mundo:

COMUNICADO DO SINTUSP FRENTE À BRUTAL REPRESSÃO AO ATO CONTRA O AUMENTO DAS PASSAGENS EM SP

A Policia Militar desferiu na tarde de hoje, 13 de janeiro de 2011, uma truculenta repressão contra cerca de mil pessoas, que se manifestavam em ato contra o inadmissível aumento da passagem de ônibus, anunciada pelo prefeito Gilberto Kassab, do DEM, para R$ 3,00.

O ato, convocado pelo MPL – Movimento Pelo Passa Livre – saiu do Teatro Municipal e, quando estava na Av. Ipiranga, a repressão começou. Os estudantes, trabalhadores, integrantes dos movimentos sociais, e a população, que aderiu ao ato espontaneamente pela justeza de sua demanda, foram repentinamente e violentamente reprimidos com balas de borrachas e bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo.  Não contentes com esta truculência, os policiais saíram em rondas, perseguindo as pessoas, e dando continuidade às agressões. O saldo são 30 pessoas presas no 3º Distrito Policial, e cerca de 10 estudantes feridos.

Não bastasse isso, os policiais saíram em rondas, seguindo com as agressões e prendendo dezenas de manifestantes, que nesse momento estão no 3º Distrito Policial.Enquanto a desgraça das famílias atingidas pelas enchentes se repete mais uma vez, a polícia do governador Geraldo Alckmin reprime os estudantes que se colocam ao lado do povo pobre desse país, que é quem sofre com as enchentes, com os aumentos do transportes e o  caos da saúde.

O prefeito de SP Kassab e seu aliado Alckmin demonstram que quando se trata de agir contra a tragédia das enchentes que lançam as famílias na miséria, a ação não existe. Porém, quando se trata de agir contra os trabalhadores, estudantes e jovens que se mobilizam pelos seus direitos a resposta é rápida. E vem sob a forma de bombas , cacetetes e balas de borracha. (Texto Completo)

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Polícia vive um estado de guerra para manter a desigualdade social

A polícia de São Paulo praticamente não serve para nada. É essa a constatação que se tem da reportagem do jornal Estadão. Segundo a matéria, se o criminoso não for pego em flagrante, a polícia só consegue denunciar o autor do delito em 2,5% dos casos.

Em 97,5% dos casos, a polícia é incompetente para descobrir o criminoso. Isso mesmo, a polícia de São Paulo consegue fazer um serviço bom em 1 em cada 40 crimes cometidos. Se os criminosos forem pegos em flagrante, a eficiência da polícia paulista sobe para 5,2%.

O grande responsável por essa situação é o PSDB, que há 16 anos comanda essa polícia e paga os piores salários do Brasil. Mas não é só isso. O principal problema é a concepção de políticos e da sociedade em geral de acreditar que o problema da polícia está isolado da sociedade, isto é, acreditar em discurso que diz que “é preciso equipar e aparelhar a polícia” ou ‘que lugar de bandido é na cadeia”. Isso é só falácia, é o óbvio. Isso não resolve esse estado de calamidade pública da polícia de São Paulo. Crime se combate principalmente com distribuição de renda.

O problema está em repensar a própria concepção de criminalidade. Será que vale a pena gastar dinheiro do estado para combater um adolescente que baixa música na internet e deixar que um assassinato fique impune por falta de policiais e equipamentos? Será que não é hora de melhorar a cobrança de imposto (de grandes fortunas, por exemplo) para combater a desigualdade social, melhor distribuição de renda? Será que não é hora de investir pesado para melhorar as condições de vida em favelas, com escolas, postos de saúde, áreas de lazer, atividades culturais e outros? Até quando a sociedade vai dar crédito para o discurso político e da mídia de que crime se combate apenas com a polícia?

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A trama cultural do assassinato de Eliza Samúdio

Nem em imagens fictícias dá para suportar a violência e a tortura?

O caso do goleiro Bruno do Flamengo trouxe à tona duas faces violentas da cultura brasileira: a primeira é a violência contra a mulher, herança da colonização, e a segunda, a tortura praticada por militares criminosos, herança da ditadura militar.

A essência dos requintes de crueldade do assassinato de Eliza Samúdio remetem à cultura da tortura e dos assassinatos nos porões da ditadura militar. Um policial treinado seria o suspeito da tortura e morte da jovem. Para o Supremo Tribunal Federal, em decisão recente, a tortura praticada por militares e as dezenas de assassinatos durante o regime militar estão perdoados.

O perdão aos torturadores e o perdão aos assassinos de mulheres estão expostos de forma mais evidente no caso do goleiro Bruno do Flamengo. É urgente e necessária uma política nacional de combate ao machismo e à tortura, ainda resistente no país.

Além dessas duas heranças, há também o mundo fútil da exploração do corpo presente muito presente na mídia de uma sociedade com excessiva concentração de renda. A história do crime nos remete à toda uma prática social aceita, que é a valorização excessiva dos atributos do corpo como forma de se dar bem na vida em uma sociedade de pobres e milionários. Há uma desigualdade social difícil de combater que parece estar presente na trama do Caso Bruno.

Beleza, corpo, desigualdade social, machismo, tortura e ditadura militar parecem compor esse quadro macabro do assassinato de Eliza Samúdio.

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POLÍCIA JUDICIÁRIA EM SÃO PAULO

Por Flávio Lapa Claro

O G1 publicou, no último dia 14, notícia intitulada “Polícia investiga apenas 16% dos delitos cometidos em São Paulo”.

São dados estarrecedores. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, “De janeiro a setembro de 2008, foram registrados 110.497 crimes violentos (homicídio, roubo, latrocínio, estupro). No mesmo período, a polícia instaurou 70.635 inquéritos – nem todos relativos a esses crimes”.

A Constituição da República Federativa do Brasil determina, em seu artigo 144, que são incumbências das polícias civis estaduais as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais (exceto as militares), e que cabe às policias militares a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública.

A única ressalva quanto ao tipo de infração penal a ser apurada pela polícia civil é a infração penal militar. Não me consta que exista qualquer norma que diga: crimes violentos devem ser investigados, outros tipos de crimes podem ou não ser investigados. A apuração de TODAS as infrações penais – exceto as militares – é incumbência – leia-se obrigação legal – da Polícia Civil.

No período citado pela reportagem, foram registrados 110.497 crimes chamados “violentos”.

Para que possa ser feita uma análise um pouco mais séria do assunto, algumas perguntas devem ser respondidas:
1.    Quantos crimes “não violentos” (existe isso?) foram registrados no mesmo período?
2.    Qual a estimativa de crimes efetivamente ocorridos mas não registrados?
3.    Dos registros efetuados, quantos são de autoria desconhecida?
4.    Do total de inquéritos instaurados no período (70.645), quantos foram instaurados por prisão em flagrante e quantos por portaria?
5.    Dos inquéritos instaurados por portaria, quantos foram esclarecidos e relatados na unidade policial de origem, sem remessa para delegacia especializada?

As respostas a estas perguntas nos darão a certeza da absoluta incapacidade da Polícia Civil do Estado de São Paulo para cumprir minimamente com as suas obrigações legais.

Chegamos a essa situação após uma seqüência – que hoje me parece ininterrupta – de governadores que não fazem idéia do que seja Segurança Pública, ou, pior, tratam deste assunto de acordo com seus preconceitos ou interesses pessoais.

Além da falta de investimento na qualificação do pessoal, salário, condições de trabalho, equipamento, dependências, etc., etc., etc., algumas imbecilidades são dignas de registro:
•    A determinação do Fleury para que todas as viaturas da Polícia Civil fossem caracterizadas;
•    A extinção do DEIC pelo Covas;
•    O esvaziamento total das chefias dos distritos policiais pelos sucessivos governadores;
•    A priorização do que é visível pela população ou formadores de opinião em desfavor do que é producente;
•    A estagnação da quantidade de cargos existentes nas diversas carreiras policiais civis, apesar do aumento da população.

Poderia passar algumas horas escrevendo aqui, e ainda assim não conseguiria concluir a lista. Por isso, a concluirei com um sonoro e enorme “eticétera”.

O que temos hoje são distritos policiais cujas únicas atribuições são os registros de boletins de ocorrência (só de alguns tipos de ocorrência) e a lavratura de prisões em flagrante; SIG’s, DIG’s, delegacias, divisões e departamentos especializados que não possuem a menor condição de dar conta de todas as investigações, seja por falta de pessoal, de material, de investimento ou de vontade política dos responsáveis por estas unidades.

Em compensação, o que dá votos recebe toda a atenção do governo e da administração. Os chamados grupos de elite da polícia civil, tipo GARRA e GOE; as escoltas de VIP’s; escoltas de autoridades (juizes, inclusive); rondas ostensivas sem qualquer objetivo concreto; e muitos outros tipos de ações que não têm nada a ver com a Polícia Judiciária, mas são visíveis para a população ou para formadores de opinião, consomem uma quantidade imensa de pessoal e recursos, seja usurpando funções da Polícia Militar, fazendo patrulhamento ostensivo fardado, seja puxando o saco das autoridades.

Como se vê, a incapacidade da Polícia Civil de minimamente cumprir com as suas obrigações está diretamente ligada ao trato que o Governo do Estado dá ao assunto.
Mas o problema não se restringe ao governador de plantão. Aqueles que deveriam assessorá-lo nesta área – o Secretário da Segurança Pública, o Delegado Geral de Polícia e o Comandante Geral da Polícia Militar – parecem não ter qualquer interesse em mudar o “status quo”. Ou, pior, parecem também não fazer a menor idéia do que seja a Polícia Civil, quais os seus objetivos e como conseguir implementá-los. Se fazem essa idéia, deixam que interesses políticos superem o direito da população à Segurança Pública. Porque não é possível ser tão obtuso a ponto de se deixar a situação chegar ao ponto em que chegou, tendo interesse e condições para alterá-la, a não ser que os interesses sejam outros.

Um outro ponto a ser analisado é a imensa quantidade de crimes cometidos no estado. Falta prevenção. Ou seja, a Polícia Militar também não cumpre com a sua obrigação de forma minimamente satisfatória. Não fosse esse o caso, não aconteceriam tantos crimes.

Não tenho conhecimento suficiente da instituição Polícia Militar do Estado de São Paulo para me aprofundar em qualquer análise dos motivos que tornam a sua atuação inadequada, mas sei que da mesma forma que recursos da Polícia Civil são desviados para executar funções afetas à Polícia Militar, recursos da Polícia Militar são desviados na tentativa de execução de funções afetas à Polícia Civil. Os famosos P2, por exemplo. Querem fazer investigação. Atrapalham o serviço da Polícia Civil. Mas é só o que sei.

Se somarmos a tudo isso a legislação que, na prática, dificulta muito o nosso trabalho, e o fator cultural que os sucessivos governos conseguiram nos impingir: tolerância quase total com os crimes “de menor poder ofensivo” – totalmente o oposto da tolerância zero, de Nova Iorque – e que registrar ou investigar certos tipos de crime não vale a pena, é perda de tempo…está instalado o caos.

Rubem Alves diz que um país melhor se constrói com um sonho e inteligência. Eu digo que um país melhor se constrói com um sonho, inteligência, honestidade, caráter, vontade e sem politicagem barata.

Flávio Lapa Claro
Investigador de Polícia
DAS/DEIC

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O tucanato está horrorizado com a liberdade de imprensa da internet.  Luiz Nassif foi afastado da TV Cultura e o blog Flit Paralisante, que faz críticas à segurança pública de São Paulo, foi excluído pelo Google, por causa de pedido judicial  de José Serra. Mas o blog já está no ar. Visite Flit Paralisante.

Veja a ordem judicial a pedido de José Serra.

O governador de São Paulo dirá: bons tempos aqueles em que a imprensa era oligopolística. Acabou!

A eleição de José Serra em 2010 será um duro golpe ao desenvolvimento da internet no Brasil. Serra vai tentar manter na UTI a grande mídia pelo máximo de tempo possível.

Veja notícia no blog do Paulo Henrique Amorim.

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Daniel Dantas é condenado a dez anos de prisão e pagamento de R$ 12 milhões

condenado a 10 anos e 12 milhões em multa

Dantas: condenado a 10 anos e R$ 12 milhões em multa

Do Uol

O juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, condenou nesta terça o banqueiro Daniel Dantas, sócio-fundador do Grupo Opportunity, a dez anos de prisão por corrupção ativa, por tentativa de suborno a um delegado durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal

Dantas responde a processo por supostamente ter oferecido propina de US$ 1 milhão a um delegado da PF para que o nome dele fosse retirado do caso. O UOL entrou em contato com o advogado do banqueiro, mas ainda não obteve retorno.

Segundo a sentença, também foram condenados a sete anos e um mês cada um o assessor de Dantas, ex-presidente da Brasil Telecom Humberto Braz, e o professor universitário Hugo Chicaroni. Eles teriam negociado a propina. Não foi determinada a prisão dos réus. Cabe recurso.

O juiz também aplicou multa por danos causados à sociedade, segundo ele, “para reparar o que lhe foi confiscado: a dignidade”. Dantas terá de pagar R$ 12 milhões, Chicaroni, R$ 494 mil, e Humberto Braz, R$ 1,5 milhão. A quantia será revertida a entidades beneficentes a serem designadas pelo juízo de execução, ou seja, somente quando não houver mais recurso. (texto completo no Uol)

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Ação desastrada não deu chances para Eloá

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As cenas mostradas pela televisão do momento da invasão do apartamento, em que a garota Eloá estava sendo mantida como refém pelo ex-namorado, parecem tiradas de um filme dos Trapalhões. Nada foi combinado. Alguns policiais que estavam no solo se assustam com a explosão (não esperavam), depois aquela demora em conseguir entrar e, terceiro: um dos policiais tenta colocar uma escada na janela muito depois da explosão. Se não fosse trágico seria cômico.

As cenas demonstram o despreparo da Política Militar e comprovam o apagão na Segurança Pública de São Paulo. Há 14 anos no poder, PSDB traz sua marca na incompetência com relação à segurança pública. As rebeliões da Febem, denúncias de manipulação de estatísticas de homicídios, chacinas constantes em São Paulo, agressões em escolas públicas e, agora, greve da polícia civil e a tragédia do seqüestro da menina Eloá

Isso com certeza que não é culpa dos policiais. Os policiais fazem o que pode com as condições que possuem. As cenas mostram uma polícia desarticulada, desaparelhada e sem treinamento para as situações mais difíceis.

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CASO DO SEQUESTRO DE ELOÁ E GREVE DA POLÍCIA CIVIL: É ASSIM QUE SERRA VAI GOVERNAR O BRASIL EM 2010?

Os dois episódios recentes mostram o despreparo da polícia paulista e a incapacidade de José Serra de lidar com conflitos.

O seqüestro é sempre o caso de grande risco, mas a entrega da segunda refém e a invasão durante a tarde mostram equívocos inegáveis.

Ao mesmo tempo em que tecnicamente a PM não consegue resolver o seqüestro, politicamente surge um confronto entre Polícia Militar e Polícia Civil porque José Serra se recusa a conversar com policiais grevistas.

José Serra paga os piores salários para professores e para policiais. José Serra quer governar o Brasil. O PSDB tem discurso de democrata e prática de coroné. No microfone, fala macia; na prática, truculência. É isso que vem por aí em 2010 para todo o Brasil.

Leia no Educação Política:

AÉCIO E SERRA (PSDB) PAGAM PARA PROFESSOR A METADE DO QUE PAGA BINHO MARQUES (PT)

OLHA A DECLARAÇÃO DA SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO

UMA PERGUNTA: ISSO EXPLICA O DESEMPENHO DO PMDB, PSDB E DEM NAS ELEIÇÕES?

A CONTA DA PARCERIA PSDB-ALSTON CONTINUA SAINDO CARA PARA OS PAULISTAS

COMO FHC CRIOU DANIEL DANTAS E PORQUE O PSDB ESTÁ TÃO QUETINHO QUANTO O PT

DEPOIS DO GILMAR MENDES, CONHEÇAM O CORONEL MENDES DO PSDB DO RIO GRANDE DO SUL

O Coronel Paulo Roberto Mendes, comandante da Brigada Militar do Rio Grande do Sul é, assim como Gilmar Mendes, mais uma contribuição à democracia dada pelo PSDB. Leiam que vale a pena, principalmente a segunda parte, com o intertítulo: Quem é o Coronel Mendes. É pura filosofia.

Coronel ameaça movimentos sociais na véspera da Marcha dos Sem no RS

Marco Aurélio Weissheimer
Da Agência Carta Maior

PORTO ALEGRE – O comandante da Brigada Militar, coronel Paulo Roberto Mendes, divulgou nota oficial no dia 4 último, advertindo os movimentos sociais que organizam o 14° Grito dos Excluídos e a 13ª Marcha dos Sem, que os “efetivos do policiamento ostensivo estão devidamente instruídos e dotados dos recursos necessários para atuarem como força mediadora, capaz de harmonizar, no limite da lei, os interesses porventura conflitantes, não permitindo que direitos e garantias de uns se sobreponham aos de outros”. Traduzindo: a Brigada Militar reprimirá os manifestantes caso o coronel Mendes julgar que “direitos e garantias de uns estão se sobrepondo aos de outros”.

Expressando uma “inquebrantável tradição de respeito ao Estado Democrático de Direito”, o comandante da Brigada afirma seu “compromisso de garantir a lei e a ordem no Rio Grande do Sul, desejando que todos os eventos previstos transcorram dentro da normalidade”. O compromisso do coronel Mendes com o Estado Democrático de Direito parece ser seletivo, considerando suas recentes manifestações em defesa da execução de bandidos sem o devido processo legal.

Os organizadores do Grito dos Excluídos e da Marcha dos Sem, programada para esta sexta-feira, criticaram a nota, classificando-a como uma tentativa de intimidação. Para o presidente da CUT/RS, Celso Woyciechowski, a nota “é muito ruim para o processo democrático porque vem em um tom ameaçador”. “Primeiro vem a ameaça e depois a proposta de diálogo”, criticou.

A concentração para a manifestação começa às 13h desta sexta, na praça Pinheiro Machado, esquina com a avenida Farrapos. Os manifestantes seguirão até a Secretaria de Segurança Pública, onde será realizado um ato de protesto contra a “criminalização dos movimentos sociais”. Depois a marcha passará pela prefeitura da capital, Palácio da Justiça, Ministério Público Estadual e terminará com um ato em frente ao Palácio Piratini. Na agenda da Marcha dos Sem deste ano, destacam-se, entre outros pontos, a corrupção no Estado do Rio Grande do Sul, a violação de direitos e a criminalização dos movimentos sociais.

Quem é o coronel Mendes
Como subcomandante da Brigada Militar, o coronel Mendes notabilizou-se por comandar a repressão a protestos de professores e agricultores sem-terra no Estado. Nos últimos meses, quando houve alguma manifestação de protesto ou ação de movimentos sociais, a governadora Yeda Crusius (PSDB) acionou Mendes para a repressão imediata. Neste período, o coronel comandou ações de repressão violenta da Brigada em uma manifestação de professores no Centro Administrativo do Estado, na ocupação da fazenda da Stora Enso, em Rosário do Sul, na destruição de um acampamento de sem-terra em São Gabriel, entre outras ações. Defensor da pena de morte, o coronel Mendes é autor da frase: “Não tem jeito, tem que ir pro paredão”.

Em 2007, Mendes defendeu que a população deveria reagir a assaltos, contrariando a orientação da polícia para situações deste tipo. No mesmo ano, durante um debate televisivo, abordou-se o caso de um pedreiro morto pela polícia em Gravataí, município da Região Metropolitana. Segundo a família, ele foi confundido com um assaltante e acabou morrendo em razão de surra que levou após ser preso. O comentário do coronel: “Às vezes, se preocupam com uma eventual pessoa que a polícia tenha matado”.

Ao nomeá-lo para o comando da Brigada, Yeda Crusius determinou ao coronel Paulo Mendes que reprimisse duramente manifestações de protesto contra a corrupção no governo estadual. E o coronel começou a colocar a orientação em prática na manhã do dia 11 de junho. Dezessete pessoas ficaram feridas e outras dezessete foram presas na ação da tropa de choque da Brigada Militar contra manifestantes que se dirigiam ao Palácio Piratini para protestar contra a corrupção no governo Yeda.

A ação violenta da Brigada Militar começou pela manhã quando integrantes de movimentos sociais, estudantes e sindicalistas iniciaram uma caminhada em direção ao Palácio Piratini. No trajeto, os manifestantes pretendiam fazer um protesto pacífico contra a alta dos alimentos no supermercado Nacional, do grupo Wal-Mart. A manifestação foi duramente reprimida com balas de borracha, bombas, gas lacrimogêneo e spray pimenta. O coronel Mendes classificou o incidente como uma “baderna provocada por gente desocupada”.

Mendes vem usando os homens da PM2 (a “polícia secreta” da Brigada) para acompanhar os movimentos sociais e até mesmo fazer investigações ilegais. Cabe lembrar que o trabalho de investigação é de atribuição da Polícia Civil. Há policiais civis insatisfeitos com o procedimento da “polícia secreta” da Brigada que está realizando investigações à revelia da lei e às vezes até mesmo atrapalhando investigações da Polícia Civil, resultando, inclusive, em prisões ilegais. Os homens da PM2 estão acompanhando as manifestações e outras atividades dos movimentos sociais. O coronel Mendes conta com esse serviço de inteligência para antecipar movimentos e facilitar a repressão.

Genealogia da repressão
Confira algumas das últimas ações do comandante da Brigada Militar do RS:

8 de maio de 2008 – O governo Yeda Crusius deslocou um exército de 700 policiais militares para São Gabriel, com cavalos, cães, ônibus e até um helicóptero. O objetivo da heróica e estratégica missão: revistar um acampamento de 800 famílias de sem-terra, localizado na fazenda São Paulo II, área desapropriada em abril deste ano pelo Incra. o comando, coronel Mendes. Como não encontraram o objeto de sua busca, “materiais supostamente furtados da fazenda Southal”, a Brigada isolou os agricultores, proibindo a entrada de pessoas num raio de 4 km da área.

Os policiais rasgaram barraco a barraco de cada agricultor, colocaram pás de terra nas panelas com a comida cozida, inutilizando dezenas de quilos de arroz e de feijão. O restante da alimentação foi “confiscado” pela BM.

3 de junho de 2008 – A Brigada Militar, comandada pelo coronel Paulo Mendes, destruiu o novo acampamento organizado pelo MST às margens da RS-040, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A área havia sido cedida às famílias sem-terra. Sem mandado judicial, um efetivo de mais de cem policiais militares e batalhão de choque destruíram os barracos que estavam sendo construídos pelas famílias. Os sem-terra foram divididos em grupos de homens e mulheres, identificados e revistados pela polícia. O acampamento estava recém sendo construído por famílias que trabalham temporariamente nas lavouras de arroz na região de Viamão.

10 de junho de 2008 – Cinco agricultores e agricultoras foram agredidas pela Brigada Militar e sofreram queimaduras com bombas de gás lacrimogêneo, durante uma manifestação na área da empresa Bunge, em Passo Fundo. A violência aconteceu no momento que os agricultores e agricultoras iniciavam a distribuição de alimentos produzidos pela agricultura familiar à população.

11 de junho de 2008 – A governadora Yeda Crusius determinou ao recém nomeado comandante da Brigada que reprimisse duramente manifestações contra o governo. E o coronel Mendes começou a colocar a orientação em prática no mesmo dia. Dezessete pessoas ficaram feridas e outras 17 foram presas na ação da tropa de choque da Brigada Militar contra manifestantes que se dirigiam ao Palácio Piratini para protestar contra a corrupção no governo Yeda. Os policiais lançaram bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha contra o grupo. No final da manhã, a Brigada cercou os manifestantes dentro do Parque da Harmonia, na área central de Porto Alegre, e proibiu que eles prosseguissem para protestar no Piratini contra a corrupção no governo do Estado.

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