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mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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Abandonado para especulação por 10 anos, terreno da Oi no Rio poderia ter finalidade social

Por que na democracia brasileira o povo elege representantes que usam a força do estado contra a população mesmo podendo usar a favor dessa população? Essa é uma questão que vem a tona toda a vez que uma prefeitura ou um estado age com força jurídica e policial para preservar o máximo de direito de grandes empresários contra famílias em busca de moradia. A desapropriação do terreno e o pagamento do valor para os proprietários é uma prerrogativa do Estado (Continue Lendo…)

HILARIANTE: DATENA TOMA INVERTIDA DA POPULAÇÃO COM SEU JORNALISMO DEPRIMENTE

EM UMA DEMOCRACIA, A POPULAÇÃO DEVE SEMPRE SE LEMBRAR DO PODER QUE TEM…

PARA MINO CARTA, BRASIL ERGUE OBRAS PARA A COPA DE 2014, EXPULSA A POPULAÇÃO E MÍDIA FINGE QUE NÃO VÊ

A pedra no meio do caminho

A imprensa estrangeira ao que parece está mais atenta ao Brasil do que os próprios jornais brasileiros. Aliás, não que seja questão de atenção, a imprensa internacional apenas faz a lição de casa do jornalismo que, pelas terras de cá, já foi abandonada há tempos. Por isso, em editorial recentemente publicado pelo jornalista Mino Carta na revista Carta Capital, ele lembra que se o brasileiro quiser realmente saber o que se passa no seu próprio país, o melhor é que ele recorra à imprensa internacional.

Isso porque nas linhas da grande mídia nacional, o leitor brasileiro não encontrará muita coisa a respeito das recentes expulsões de muitas famílias nas principais cidades-sede do Mundial de 2014. O método no Brasil continua sendo o mesmo. Toda pedra que está no meio do caminho é simplesmente enxotada e essa pedra geralmente atende pelo nome de “povo”. Um povo tão pouco importante que não merece sequer a atenção da mídia nacional e que naturalmente deve dar licença para que as obras da Copa enfim possam aparecer.

É esse o raciocínio muito oportuno dos jornais brasileiros: o que não é por eles noticiado simplesmente nunca existiu e esse mesmo povo deixa de ser pedra no meio do caminho para ser simplesmente doutrinado por uma mídia que nunca o representou, tampouco pretende, e que acaba ela também doutrinada pela própria realidade que ela recria todos os dias.

Como bem diz Mino, “é o resultado inescapável do conluio automático, tácito, instintivo eu diria, que se estabelece entre barões midiáticos e fiéis sabujos quando consideram ameaçado seu desabusado apreço pelo status quo”. Conluio esse que emburrece o Brasil e que, apostando nessa mesma ignorância nacional, sustenta o “sacrifício de incontáveis cidadãos para a felicidade de empreiteiros, políticos e quejandos”, escreve Mino.

E esses cidadãos, como lembra o jornalista, e como quer a mídia nacional, não se indignam, não se revoltam, simplesmente vão deixando as coisas como estão, esvaziados de qualquer espírito de cidadania. No Brasil, as tempestades vêm fortes, mas passam rápido. Por isso, denúncias morrem como se nunca tivessem vindo à tona, escândalos de corrupção emudecem e a justiça continua servindo aos ricos. Aqui não se aprende com a pedra no meio do caminho, como queria dizer o poeta, aqui ela é apenas ignorada, ou chutada pra fora.

Veja trecho do texto:

Indignação, nunca
Por Mino Carta

O The New York Times na segunda 5 publicou com destaque uma reportagem sobre a situação dos cidadãos brasileiros enxotados de suas moradias por se encontrarem no caminho das obras da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. A história não envolve somente o Rio, mas também outras cidades-sede do Mundial de Futebol. CartaCapital denunciou as remoções forçadas na edição de 20 de abril do ano passado. Poucos dias depois, a Relatora Especial da ONU, Raquel Rolnik, denunciou as autoridades municipais envolvidas na operação, que desrespeita a legislação e os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil para a defesa dos direitos humanos.

Já então a relatora apontava diversas violações, “todas de grande gravidade”. Multiplicaram-se de lá para cá, inexoravelmente. Maus-tratos generalizados, “zero dias” de tempo para deixar a moradia, 400 reais de “aluguel social” enquanto o enxotado espera ser contemplado por algum demorado plano de habitação. Antes do diário nova-iorquino, nos últimos tempos levantaram o assunto outros jornais e sites estrangeiros, como The Guardian, El País, o Huffington Post. CartaCapital voltou a tratá-lo em janeiro passado, com uma larga reportagem assinada por Rodrigo Martins e Willian Vieira, intitulada “Os retirantes das favelas” para focalizar, entre outros aspectos, uma das consequências das remoções forçadas.

E a mídia nativa? Não foi além de raros e ralos registros. Para saber das coisas do Brasil, recomenda-se amiúde recorrer à imprensa estrangeira. Ou melhor, seria recomendável o recurso. No mais, vale reconhecer, a mídia tem sido eficaz na manipulação das informações quando não na omissão dos fatos, de sorte a se fortalecer na convicção de que eventos por ela não noticiados simplesmente não se deram. É o resultado inescapável do conluio automático, tácito, instintivo eu diria, que se estabelece entre barões midiáticos e fiéis sabujos quando consideram ameaçado seu desabusado apreço pelo status quo. (Texto completo)

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BELO MONTE JÁ COMEÇA A ALTERAR COTIDIANO DOS MORADORES DE ÁREAS A SEREM ATINGIDAS PELA BARRAGEM EM ALTAMIRA

Belo Monte vai empurrando o povo...

Belo Monte causou polêmica antes de ser aprovada, causa polêmica agora que foi e tem grandes chances de continuar
causando depois de terminada sua construção. O primeiro impacto de qualquer grande obra como Belo Monte, antes de se dar no meio-ambiente, acontece na vida da população local.

Prova disso são os moradores dos bairros mais pobres de Altamira que, diante da previsão de alagamento da área onde eles residem e da incerteza em relação ao preço do aluguel e à política de compensação, deixaram suas casas e ocuparam um terreno em desuso na periferia da cidade onde já iniciaram a construção de novos barracos. Pelo menos 178 famílias deixaram os baixões de Altamira, como são conhecidos os bairros mais pobres que, em alguns meses, estarão debaixo d’água.

Como diz uma moradora do local, Raimunda, de 54 anos, Belo Monte é que está empurrando o povo, “o povo não teria porque sair do seu canto, se não estivesse acontecendo essa barragem. É assim que a gente se sente: expulsos”. O povo saindo para o “progresso” chegar, histórias que o tempo gosta de repetir, o porquê só ele mesmo sabe!

Veja trecho de notícia sobre o assunto publicada pelo Brasil de Fato:

Impacto de Belo Monte já cria expulsão de famílias em Altamira
Moradores de bairros mais pobres sofrem com medo de alagamento, pressão imobiliária e insegurança sobre a política de compensação
Por Ruy Sposati/Movimento Xingu Vivo

Há 16 dias, 178 famílias de bairros mais pobres de Altamira, conhecidos como baixões e que devem ser alagados por Belo Monte, ocuparam um terreno em desuso na periferia da cidade e iniciaram a construção de novos barracos. De acordo com as famílias, além do medo do alagamento e da insegurança sobre a política de compensação do consórcio Norte Energia, responsável pela obra, a chegada de centenas de migrantes à região tem elevado os aluguéis em ritmo vertiginoso.

“Nos baixões, uns saem porque não sabem se vão perder a casa, outros porque não podem pagar o aluguel. E o motivo principal é Belo Monte. É Belo Monte que está empurrando o povo. O povo não teria porque sair do seu canto, se não estivesse acontecendo essa barragem. É assim que a gente se sente: expulsos”, desabafa dona Raimunda, de 54 anos, moradora do bairro Invasão dos Padres.

De acordo com F., desempregado, um dos “despejados forçados” e atualmente na nova ocupação, “estão vindo pessoas de tudo quanto é lugar, fazendo propostas de aluguel muito melhores do que as que a gente paga. Então estão todos sendo forçados a sair. Aqui [na ocupação], a gente pode ter a segurança de que isso não vai acontecer”.

Moradora de Boa Esperança, N. está em processo de mudança. “Olha o barraco em que eu morava [mostra foto no celular]. O aluguel aumentou de 80 pra 250. A casa aqui na frente aumentou de 200 para 600. Eu ainda não saí de lá, mas este mês é o último que eu vou conseguir pagar aluguel. E meu vizinho deve vir pra cá também”, ela prevê. (Texto completo)

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EGITO: POPULAÇÃO DESCOBRE A FORÇA QUE TEM E FAZ A HISTÓRIA

Seria uma revolução democrática das arábias?

Os dezoito dias de protestos no Egito contra o ditador Hosni Mubarak, 82, são uma aula de história e mostram o poder que tem a população.

O certo é que esses eventos tendem a acontecer cada vez mais com a democratização da informação e com a consolidação cada vez maior de valores democráticos.

O Egito é um país autoritário com uma ditadura com mão de ferro que durou 30 anos, mas que para os brasileiros sempre foi uma coisa muito distante. No Brasil, só existem as ditaduras cubana e chinesa, que afrontam ideologicamente os Estados Unidos. Mas existem outras financiadas pelos Estados Unidos e que não são notícia por aqui. Agora parece se descobrir que no Egito há uma ditadura de 30 anos.

Os protestos da população prometem um novo significado para a democracia. Ela pode chegar aos países árabes e se fortalecer ainda mais como a melhor forma de governo. É isso que se espera desses maravilhosos acontecimentos políticos. Um povo construindo sua história.

O Brasil passou por momentos difíceis após o fim da ditadura militar, mas bastaram 30 anos de democracia para o país começar a acertar o passo. O povo do Egito talvez também tenha descoberto os avanços internacionais do Brasil nos últimos anos, graças a sua recente democracia.

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DINHEIRO DA MEIA E DA CUECA DEIXA O BRASIL, APÓS 500 ANOS, COM QUASE 30% DE ANALFABETOS

Parece que não tem nada a ver, mas tem. Enquanto o dinheiro vai parar na meia e na cueca, o Brasil após 500 anos do descobrimento ainda tem quase 30% de analfabetos (porque analfabeto funcional não deixa de ser analfabeto)

O dinheiro que aparece nos vídeos da corrupção de Brasília (e em muitos outros lugares que não foram filmados pelo Brasil a fora) deixam a população sem educação. Aliás, o vídeo mostrou como estamos sem educação. Veja abaixo matéria que diz que o Brasil tem quase 30% de analfabetos funcionais. Saiba mais

POPULAÇÃO DO BRASIL DEVE SE ESTABILIZAR EM 200 MILHÕES DE HABITANTES, DIZ PNAD

Estudo indica queda na fecundidade e envelhecimento da população

Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A queda acelerada das taxas de fecundidade e da mortalidade registradas no país provoca mudanças rápidas no ritmo de crescimento da população. A mais importante, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), é o envelhecimento dos brasileiros. Os dados fazem parte de um estudo divulgado hoje (7) pelo instituto, elaborado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2007.

De acordo com a pesquisa Pnad 2007: Primeiras Análises, a taxa de fecundidade total no ano passado foi de 1,83 filho por mulher. A média foi inferior à chamada taxa de reposição (de 2,1), que significa o mínimo de filhos que cada brasileira deveria gerar para que, no período de trinta anos, a população total do país seja mantida.

A queda teve início na segunda metade dos anos 60 e poderá, a partir de 2030, refletir em uma população “super envelhecida” no Brasil, reproduzindo experiências de países da Europa Ocidental, além de Rússia e Japão.

A projeção é que a população brasileira irá atingir o seu máximo em 2030, com um contingente de aproximadamente 204,3 milhões de habitantes. Para 2035, a expectativa cai para 200,1 milhões.

Como conseqüência direta, a população com idade inferior a 15 anos, que representou 33,8% da população total em 1992, passou a responder por 25,2% em 2007. Já a população idosa que, em 1992 representava 7,9% da população, passou a responder por 10,6% no ano passado.

O estudo mostra que, além do envelhecimento da população total, a proporção de pessoas com idade superior a 80 anos está aumentando. O percentual de brasileiros nesse grupo passou de 1%, em 1992, para 1,4%, no ano passado, o que representa um universo de 1,6 milhões de pessoas.

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