Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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AMEAÇAS CONTRA ALUNOS PUBLICADAS NA INTERNET GERAM CLIMA DE TENSÃO E INSEGURANÇA NA UNB

Intolerância nas redes sociais

Ameaças de intolerância racial, religiosa e de gênero contra alunos de Ciências Sociais da Universidade de Brasília (UnB) começaram a ser postadas na internet durante as férias de janeiro. Na ocasião, uma investigação conjunta das polícias Civil, Militar e Federal prendeu dois suspeitos após terem postado mensagens que convocavam seguidores para a sua causa.

Na última sexta-feira, (13/04), os corredores do prédio onde acontecem grande parte das aulas do curso de Ciências Sociais amanheceram vazios. Alunos e professores decidiram não ir à Universidade depois que novas mensagens foram publicadas na internet com ameaças contra os estudantes. Os textos diziam que a Universidade sofreria um atentado no referido dia 13 de abril, como mostra notícia publicada pelo Correio Braziliense.

Como não poderia deixar de ser, as mensagens espalharam medo e insegurança entre alunos e funcionários e cada departamento passou a decidir individualmente como tratar da questão, abonando faltas e suspendendo aulas. A situação é quase de terror e revela como a internet pode ser usada tanto como ferramenta de mobilização construtiva, quanto destrutiva.

Além do dilema da atuação na rede, o episódio da UnB, assim como outros episódios de violência e intolerância em escolas e universidades do mundo, também revela como o próprio espaço da universidade, um lugar de troca, aprendizado e convivência democrática, algumas vezes termina por se tornar um palco para externar sentimentos de intolerância e preconceito que são justamente o oposto do que realmente constitui o espírito de universidade e de educação, em última instância.

Veja trecho de notícia sobre o assunto:

UnB suspende aulas em alguns cursos após ameaças contra alunos
Por Saulo Araújo

Os corredores do Instituto Central de Ciências (ICC) Norte na Universidade de Brasília (UnB) amanheceram mais vazios nesta sexta-feira (13/4). Grande parte dos alunos não apareceu para as aulas nesta manhã, depois que mensagens foram publicadas na internet com ameaças contra os estudantes. Os textos diziam que a universidade sofreria um atentado hoje, dia 13 de abril. O ICC fica no prédio central do câmpus do Plano Piloto e abriga grande parte das aulas dos cursos de Ciências Sociais.

Diante das ameaças e do medo que ronda estudantes e funcionários, cada Departamento está lidando com o problema da maneira que considera mais adequada. A Faculdade de Comunicação está abonando as faltas dos alunos que decidiram ficar em casa por questão de segurança, e os professores que estão se sentindo inseguros estão optando por não dar aula. Algumas turmas estão vazias, com apenas cinco alunos em sala.

Os cursos de Sociologia e Antropologia suspenderam as aulas durante todo o dia de hoje. Os professores do Instituto de Psicologia estão reunidos para decidir se suspendem ou não as aulas e na faculdade de Comunicação seis professores dispensaram os alunos em virtude dessas ameaças.

A assessoria de comunicação social da UnB informou que as três polícias foram acionadas, a Polícia Civil, Militar e também a Polícia Federal. Ainda segundo a assessoria, vários agentes estão rondando o campus à paisana a procura de suspeitos. Os agentes já fizeram uma varredura em vários pontos da instituição, principalmente nesses cursos onde as ameaças são mais constantes, para ver se encontravam vestígios de possíveis ataques. (Texto completo)

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MOVIMENTO NA INTERNET REVELA PRECONCEITO EM RELAÇÃO À ASCENSÃO SOCIAL DE LULA, DIZ PESQUISADORA

Só Lula incomoda no Sírio Libanês...

Desde que o ex-presidente Lula foi diagnosticado com um câncer de média agressividade na laringe, todas as suas consultas e internações ocorreram no hospital Sírio Libanês, em São Paulo. No mesmo instante, protestos na internet começaram a aconteçer dizendo que Lula deveria se tratar pelo SUS e não por um hospital tido como de elite na capital paulista.

Segundo a pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo) Sandra Regina Nunes, “as críticas se apoiam no fato de Lula ter sido analfabeto e se tornado presidente, de ele ter ascendido”, como mostra notícia publicada pelo Terra Magazine. O problema, segundo a pesquisadora, é que as críticas são localizadas e dirigidas ao ex-presidente Lula, enquanto que o correto mesmo é que os pedidos fossem para que todos se tratassem no SUS. Se vale para um, vale para todos!

Além do preconceito em relação à ascensão econômica do ex-presidente, as críticas ignoram o fato de Lula estar enfrentando um problema de saúde, o que à priori não é fácil para qualquer um.

O PIG, como sempre, também fez seus comentários irônicos e desconhecedores de qualquer tipo de respeito em relação ao outro. Independente de quem Lula tenha sido, de quão justo foi o seu governo, ele é um cidadão e está, como qualquer um de nós faria, lutando para continuar a sua história. As críticas são importantes e democráticas, mas também têm o seu momento certo, e este não parece sê-lo.

Veja trecho de notícia sobre o assunto com entrevista concedida por Sandra Nunes ao Terra Magazine:

Críticas revelam preconceito contra ascensão de Lula, avalia pesquisadora

Por Dayanne Sousa

A notícia de que o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva passará por um tratamento contra câncer na laringe no hospital Sírio Libanês foi recebida com protestos em redes sociais. Na internet, um grupo pede que o petista utilize hospitais públicos e o Sistema Único de Saúde (SUS). Para a pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo) Sandra Regina Nunes, “as críticas se apoiam no fato de Lula ter sido analfabeto e se tornado presidente, de ele ter ascendido”.

– Por que não se faz uma manifestação para que todo mundo use o SUS? A questão é menos de fidelidade com os ideais políticos e mais um preconceito. É como se questionassem: “Por que Lula tem que se tratar no Sírio Libanês? O lugar de onde ele veio não permite que isso aconteça” – questiona Sandra, membro do Laboratório de Estudos da Intolerância e professora de comunicação da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado).

Uma campanha no Facebook pedindo que Lula se trate no SUS já ganhou mais de 800 adeptos. Os internautas também se organizam para divulgar as críticas em sites de notícias. A rede de TV internacional CNN, por exemplo, publicou a informação sobre a doença do ex-presidente e recebeu uma série de comentários irônicos de brasileiros sobre o sistema de saúde nacional.

Leia a entrevista.

Terra Magazine – O anúncio de que o ex-presidente Lula sofre de câncer foi seguido por manifestações críticas e um protesto para que ele se trate no SUS. Por que esse tipo de expressão acontece e se espalha na internet?
Sandra Regina Nunes – O que me parece é que tem algo bastante próprio daqui do Brasil. As críticas se apoiam no fato de Lula ter sido analfabeto e se tornado presidente, de ele ter ascendido. Isso é visto quase como uma afronta. Faz com que as pessoas acreditem que necessariamente ele deveria ser fiel àquilo que ele pregava. Por muitas vezes ouvi pessoas dizendo “Ah, ele era trabalhador, não podia estar usando Armani”. Agora dizem que o Lula tem que usar o SUS. Não me parece que aconteceu isso quando alguém do PSDB tem algum tipo de problema de saúde. Por que não se faz uma manifestação para que todo mundo use o SUS? A questão é menos de fidelidade com os ideais políticos e mais um preconceito. É como se questionassem: “Por que Lula tem que se tratar no Sírio Libanês? O lugar de onde ele veio não permite que isso aconteça”. (Texto completo)

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CHIMAMANDA ADICHIE: “NÃO HÁ UMA ÚNICA HISTÓRIA”

Neste vídeo, a escritora nigeriana Chimamanda Adichie fala de forma emocionada, lúcida e coerente sobre a sua própria história, desfiando as várias outras histórias que fizeram parte dela e que, aos poucos, foram tecendo a sua personalidade e forma de ver o mundo e as coisas.

O vídeo de Chimamanda mostra como qualquer tipo de preconceito ou estereótipo pode ser extremamente perigoso quando se conhece apenas ele e não o outro lado das coisas, das pessoas, da história. A precisão e graça de sua fala revelam que nunca existe apenas uma única versão para os fatos, as coisas são acima de tudo construções de discursos, sentidos, sensações. A variedade de formas e discursos é tão vasta quanto os interesses e pontos de vista dos seres humanos.

No entanto, ela lembra que ao construir uma história ou ao lançar um olhar peculiar sobre uma realidade dizendo ser ela isto e não aquilo, aos poucos, corre-se o risco de ver aquela realidade se transformando de fato naquilo que se imaginou ou se disse a respeito dela. Assim, se eu digo que um povo é inferior ao outro e insisto nessa ideia e essa ideia é a única vista e ouvida à respeito daquele povo e se, com o passar do tempo, todos insistem nessa ideia, aquele povo primeiro se sente de fato como inferior e, depois, se a única história continua, ele realmente se torna inferior.

Daí a importância das várias histórias, de conhecer os diversos olhares. Reside aí a riqueza do homem em poder contar as suas histórias, reside aí a sabedoria de olhar para o outro sem pré-conceitos, despindo-se de si mesmo e atingindo, como diz Chimamanda, uma espécie de paraíso na terra.

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IRONIAS DA VIDA: RACISTAS DE SÃO PAULO DEVERIAM AGRADECER AO EX-PRESIDENTE LULA, O NORDESTINO

Uma questão de QI

Os racistas de São Paulo e de outras regiões do Sudeste e Sul do país deveriam agradecer ao ex-presidente Lula.

No governo Lula, como mostra o IBGE, o número de migrantes caiu praticamente pela metade. Ou seja, Lula evitou que os nordestinos saíssem do local onde vivem e viessem para São Paulo tentar a vida. Não com políticas xenofóbicas e excludentes como as da Europa e Estados Unidos. Lula foi mais inteligente; criou condições melhores de vida para as regiões que mais tinham migrantes.

A ironia da vida é que racistas devem agradecer ao nordestino.

Pensando melhor, talvez não seja ironia, mas uma questão de QI (coeficiente de inteligência, mesmo), visto que o racista trabalha sobre uma lógica imbecilizante: confunde alma com corpo e esconde, por trás do racismo, uma reserva de mercado para sua incompetência.

Veja matéria sobre o tema:

IBGE aponta queda em migrações entre regiões

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Pesquisa divulgada hoje (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra mudanças nas migrações entre as regiões do país. O estado de São Paulo não exerce a mesma atração de duas décadas atrás, e o Nordeste não é mais a principal área de emigração.

De acordo com o levantamento, o número de migrações entre regiões vem apresentando queda. De 1995 a 2000, 3,3 milhões de pessoas deixaram a região em que viviam. O número caiu para 2,8 milhões, entre 1999 e 2004, e chegou a 2 milhões no período de 2004 a 2009.

A Região Sudeste, entre 2004 e 2009, teve mais emigrantes do que imigrantes (saldo de 12,4 mil) e o Nordeste, de onde partia boa parte de pessoas em busca de melhores condições de vida em outras regiões do país, perde população em escala menor.

A pesquisa também mostra que, na maioria dos estados brasileiros, o fluxo de imigrantes e de emigrantes é praticamente igual. Entre 1999 e 2009, mesmo áreas consideradas tipicamente emigratórias ou aquelas potencialmente atrativas registraram trocas equilibradas.

Edição: Talita Cavalcante e Juliana Andrade

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CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR É INCAPAZ DE CONTER O ESTELIONATO DAS EMPRESAS DE TELEFONIA, COMUNICAÇÃO E MÍDIA
LUCIANO COUTINHO, DO BNDES, E MEGA EMPRESAS VÃO LEVAR O BRASIL PARA O BURACO CAVADO NOS ESTADOS UNIDOS
EMPRESAS DE TELEFONIA SÃO O CUSTO BRASIL E EMPERRAM O DESENVOLVIMENTO DO PAÍS
NOVO SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO SÓ FALTOU DIZER QUE 16 ANOS DE PSDB NO GOVERNO FOI UM DESASTRE PARA OS PROFESSORES E PARA A EDUCAÇÃO

A FORÇA DOS 140 CARACTERES: TWITTER CONTINUA SENDO MEIO DE EXTERNALIZAR PRECONCEITOS

Melhor ficar só nos 140...

Depois do episódio recente em que uma estudante de direito foi ao twitter manifestar todas as suas opiniões a respeito dos nordestinos que, segundo ela, teriam sido os responsáveis pela vitória da atual presidente Dilma Rousseff nas últimas eleições, novamente um episódio parecido é desencadeado na rede social.

Dessa vez, torcedores revoltados com a eliminação de seu time em função de um empate com um time nordestino, usaram dos 140 caracteres para compor declarações visivelmente racistas e preconceituosas. Como foi dito em post anterior que abordou o episódio envolvendo a estudante de direito, o que fica visível em casos como esse é a total falta de respeito em relação ao outro.

O que muitas pessoas não percebem é que há sempre um limite quando do uso das palavras e, por incrível que pareça, os poucos caracteres do twitter têm feito muito barulho, tanto para o bem, quanto para o mal!

Veja trecho de notícia publicada pela Folha de S.Paulo sobre o assunto:

Comentários contra nordestinos causam revolta no Twitter
Da Redação

Comentários ofensivos a nordestinos provocaram uma onda de revolta entre usuários do serviço de microblogs Twitter nesta quinta-feira.

OAB diz que vai à Justiça contra mensagens ofensivas

Por volta das 11h50, 3 dos 10 assuntos mais comentados na rede social no país eram relativos ao assunto. Dois dos assuntos também entraram na lista do “trending topics” mundial.

A revolta começou na noite de quarta-feira (11), no final da partida entre Flamengo e Ceará pelas quartas de final da Copa do Brasil, que acabou em um empate que eliminou o time carioca.

Por volta das 0h, uma torcedora que se identifica como Amanda Régis escreveu: “Esses nordestinos pardos, bugres, índios acham que tem moral, cambada de feios. Não é atoa que não gosto desse tipo de raça” [sic]. (Texto completo)

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VÍDEO MOSTRA A DESIGUALDADE QUE PERSISTE POR TRÁS DE OLHARES E SORRISOS IGUAIS

O vídeo que segue abaixo combina diferentes rostos, cores e tons. Sintetiza variados olhares, sorrisos e interrogações.
Interroga o país, o povo brasileiro, a natureza humana. De forma simples e bem feita, com a exata narração de Lázaro Ramos, o vídeo desenha e valoriza nosssa diversidade para mostrar, justamente, como essa diversidade ao invés de se traduzir em igualdade de oportunidades e ser vista como sinônimo de riqueza de um povo e de uma nação, apenas serve como pretexto para alimentar o preconceito e as desigualdades entre brancos, negros e índios.

O interessante é que as imagens escolhidas para retratar esse Brasil diverso e desigual, que longe de valorizar suas riquezas apenas as diminui ou ignora, são rostos de crianças. Esse detalhe faz aqui toda a diferença. A presença das crianças ao mesmo tempo que reafirma a possibilidade de sonho e esperança, também alerta para a necessidade das futuras gerações crescerem conhecendo e gostando da diversidade, vendo-a como algo natural, que amadurece e torna livre aquele que sabe compreendê-la e vivê-la!

Vi no DoLáDoDeLá

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NA CORRERIA DA CIDADE, AS CORES E AS FORMAS ORIGINAIS DE ‘OSGEMEOS’
OS MÚLTIPLOS ROSTOS DE VAN GOGH


DEFESA DE MAYARA IGNORA A EXISTÊNCIA DO PRECONCEITO E TRANSFORMA A VÍTIMA NA ETERNA CULPADA

Da Agência Educação Política

Ao ler a absurda defesa feita pela advogada Janaina Conceição Paschoal, publicada na Folha de S.Paulo, fica evidente a sutil lógica da inversão pela qual se rege o direito brasileiro. A advogada ao apelar para emoções pessoais, sentimentos familiares e preconceitos historicamente construídos, simplesmente diz que a culpa pelas declarações irresponsáveis e racistas feitas pela estudante de direito Mayara Petruso são do presidente Lula, da sua forma de governar, do próprio povo brasileiro. Em outras palavras todos aparecem como responsáveis por propiciar a existência de Mayara e a sua forma de pensar e ver a realidade brasileira, menos ela própria.

De forma absurda, a advogada diz que Lula construiu um governo inspirado pela oposição entre as regiões com o claro objetivo de destacar o nordeste e os nordestinos do restante do Brasil, principalmente de São Paulo. Chega ao ponto de dizer que é justamente essa desunião do território brasileiro que faz com que jovens como Mayara pensem em um Brasil fragmentado e tenham atitudes como a da jovem estudante.

A advogada diz, portanto, que Mayara é fruto de um sistema perverso criado pelo presidente Lula e por esses líderes populistas que só servem para criar divisões e governar de fato para os ricos. Ela errou mas não tem culpa, pois o erro está na cultura separatista que a formou. Incrível!

Uma imagem do Brasil na tela da pintora modernista Anita Malfatti

Sobre esta lógica da inversão e sobre a capacidade de negar a existência do preconceito, tornando tudo que acontece mera culpa da vítima, o seguinte depoimento, publicado como carta do leitor na Folha, da Heloísa Fernandes, professora associada de Sociologia da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (São Paulo, SP), a respeito da defesa à Mayara feita pela advogada Janaina é bastante pertinente. Ela diz:

Racismo às avessas

Lendo as absurdas argumentações da professora Janaina Paschoal “Em defesa da estudante Mayara”, lembrei que grandes pesquisadores do racismo e preconceito no Brasil, como Roger Bastide e Florestan Fernandes, denunciaram a lógica da inversão. Graças a ela, não apenas não somos racistas, como, ademais, tudo que acontece é culpa da vítima. Se não fossem os negros, os nordestinos, os pobres, as prostitutas, os homossexuais, se Lula não fosse presidente, a estudante Mayara não teria cometido o destempério de pedir o assassinato de ninguém e tampouco teria sido demonizada. Coitadinha dela!

Realmente, coitadinha da Mayara! A carta da leitora mostra que não dá para negar todo o histórico de preconceito e racismo que fez parte da própria formação do povo brasileiro. O Brasil, pela variedade na sua formação racial (brancos, negros, índios), acabou gerando um povo diverso, e esse povo diverso, formado por mestiços, caboclos, já nasceu inferior ao branco, já nasceu predestinado a se descaracterizar e tornar-se branco para poder enriquecer e ser reconhecido enquanto cidadão.

Para ver exemplos da construção de nosso racismo basta ver textos como Eugenia e Medicina Social, de Renato Kehl, Populações Meridionais do Brasil, de Oliveira Vianna, artigos de Monteiro Lobato como Urupês, textos do próprio Gilberto Freyre anteriores a Casa Grande e Senzala, dentre outros. Estes intelectuais brasileiros pensaram a questão do racismo em uma época onde era até natural falar dessa diferença de raças, da superioridade de uma em relação a outra.

Tudo isso faz parte da construção de um páis que longe de ser um cadinho de raças é sim perpassado por cenas e demonstrações de preconceito que são demonstradas vez ou outra como nesse caso da estudante Mayara. No entanto, longe de inocentá-la isso apenas mostra a sua educação equivocada. Pois se em tempos de um Monteiro Lobato até se entende discussões desse tipo, no contexto atual, onde essas barreiras vêm sendo transpostas não por uma política da desunião, como quer a advogada, mas por uma política da igualdade de oportunidade para todos, a atitude da estudante é caso sério e deve ser visto como tal, pois são atitudes como essa que geram a desunião de um povo e não o contrário.

Vi no Vi o Mundo

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Brasil deve levar 20 anos para zerar desigualdade de renda entre negros e brancos, conclui Ipea

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Estudo divulgado hoje (14) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2007, revela que a diferença de renda entre negros e brancos vem caindo nos últimos anos e, se o ritmo for mantido, deve ser zerada em 2029.

De acordo com o Ipea, a renda per capita dos negros representa menos da metade da renda domiciliar per capita dos brancos. “Trata-se de uma desigualdade particularmente detestável, na medida em que não é atribuível a nenhuma medida de mérito ou esforço, sendo puramente resultado de discriminações passadas ou presentes”, informa o documento.

Essa desigualdade, no entanto, começou a cair a partir de 2001. Até 2007, um quarto da diferença foi retirada. “Isto quer dizer que ainda faltam outros três quartos. Se o ritmo continuar o mesmo, haverá igualdade na renda domiciliar per capita apenas em 2029”. É possível que que a redução da razão de rendas não seja conseqüência de uma redução nas práticas discriminatórias e sim do fato de negros serem maioria entre os beneficiários do Programa Bolsa Família, avalia o Ipea.

“A pobreza é predominantemente negra e a riqueza é predominantemente branca”, ressalta o estudo.

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