Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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O VOTO É O MOMENTO MAIS EMBLEMÁTICO E MAIS ENGANOSO DA DEMOCRACIA

Imagem do blog prateleira maluca

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O voto é o momento mais emblemático e, por isso, mais enganoso de um processo democrático.

O Brasil, acostumado a uma moral autoritária, seja proveniente dos anos de chumbo do regime militar, seja do discurso neofacista atual da maior revista semanal de informação, tendem a colocar o voto no pedestal da democracia.

O voto, apesar de simbolizar um processo democrático em curso, é também um dos momentos menos importantes. É certo que ele define o político, mas ele não define a política.

Um processo democrático que joga muito valor para o momento eleitoral, ainda que este seja fundamental, é um processo democrático fragilizado.

A construção democrática é uma construção ininterrupta entre uma eleição e outra.

Se não ocorrer uma efetiva participação da sociedade nesses intervalos, o voto torna-se uma reprodução das desigualdades e dos erros sociais. É por isso que existe o blog Educação Política; porque o voto não dura mais que alguns segundos, mas os erros políticos duram décadas.

NÃO EXISTE DEMOCRACIA, MAS PROCESSO DEMOCRÁTICO

A partir de hoje este blog (Educação Política) não usa mais o termo democracia. A experiência em estudos acadêmicos e a própria experiência jornalística nos deixa claro o vazio e a imperfeição de entendimento que a palavra democracia nos traz.

É importante entender democracia como um conceito utópico, no sentido em que ele baliza nossa compreensão da política, mas não pode ser entendido como um termo capaz dar conta do mundo concreto e real. É por esse motivo que não existe no mundo contemporâneo uma democracia exatamente igual à outra. Todos os países ou sociedades ditos democráticos criam ou conseguem estabelecer um processo democrático específico dentro de suas condições históricas e materiais.

Além disso, um outro problema para o termo democracia é o peso ideológico com que ele foi carregado pelas principais democracias ocidentais, de forma a entendê-lo de acordo com os seus interesses econômicos e políticos. Para ser rigoroso, somente a Grécia Antiga poderia se autodenominar democrática, visto que foram os gregos que criaram esse conceito tão importante para a humanidade. Mas infelizmente a Grécia Antiga é apenas uma tentativa de compreensão do que não existe mais.

Nesse sentido, há entre os países contemporâneos uma variedade muito grande de processos democráticos. Alguns são mais democráticos, outros menos; alguns são democráticos no pleito eleitoral, outros menos; alguns limitam as eleições, outros só as tornam possível com um grande esquema de financiamento (limitando os candidatos pelos recursos financeiros ou pelo financiamento por sistema de corrupção). No Brasil, por exemplo, a concentração econômica no sistema eleitoral e a concentração midiática torna dificil afirmar que o país é uma democracia, mas também fica difícil afirmar que não é.

É nesse sentido que se pode dizer que não há democracia, mas sim processos democráticos. Sejam processos democráticos como o dos Estados Unidos ou o processo democrático do Brasil, da Inglaterra, da França, da Alemanha, da Itália ou da Argentina.

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