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mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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EMPÁFIA NO SBT BRASIL E PROPAGANDA SUBLIMINAR PARA CRIANÇAS SÃO O PADRÃO NO CANAL DO SÍLVIO

sbt-brasilO SBT Brasil, jornal do SBT ancorado por Joseval Peixoto e Rachel Sheherazade, é uma espécie de resumo da empáfia do jornalismo da grande mídia.

Assista e perceba no editorialismo panfletário o tom que mistura arrogância com ignorância, o que leva à empáfia. Falam como se fossem os donos da verdade do mundo, que se expressam não nas opiniões rasteiras, óbvias e conservadoras, mas no tom e no ritmo da voz.  Numa das últimas opiniões, criticaram os juízes que, atentos à lei, votaram contra a criação do partido de Marina Silva. A erguidinha no queixo, a indignação superficial na fala e no olhar…É uma coisa.  Pode se criticar a Globo, mas normalmente ela é mais sofisticada.

Joseval Peixoto e Rachel Sheherazade são os apresentadores do mesmo canal de TV que faz propaganda subliminares para crianças e adultos. Há meses que essa emissora faz propagandas subliminares de menos de um segundo durante a programação, inclusive em programas como Chiquititas e Carrossel, e o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, não faz nada.

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A Caixa Econômica Federal decidiu, na sua última peça publicitária, voltar no tempo e mostrar que, entre os correntistas do banco, estava o escritor Machado de Assis, imortal da Academia Brasileira de Letras. Machado de fato tinha conta na Caixa Econômica e, olhando bem, pode-se inclusive encontrar breves e sutis registros do banco na sua obra literária.

Por exemplo, no romance Esaú e Jacó, Machado escreve referindo-se aos planos dos pais para os filhos gêmeos que estavam por nascer, “Também lhe ensinava a enriquecer depressa; e ajudá-lo-ia começando por uma caderneta na Caixa Econômica, desde o dia em que nascesse até os vinte e um anos” (p.68). O registro do banco como se percebe é breve e está ligado à narrativa, compondo apenas uma referência de espaço, lugar, no contexto da história.

Não há menção ideológica ao banco, a obra não permite depreender qualquer elogio à Caixa e, se for levada em consideração a crítica que Machado tece do início ao fim desse romance ao modelo da tradicional família patriarcal brasileira, com suas contas em bancos e planos de segurança para o futuro, pode-se chegar até a uma interpretação de que Machado nem era muito a favor de bancos (não deles em si mas do que representam), embora aí já se trate de especulação em torno de sua obra, o que não é aconselhável fazer posto que qualquer especulação ideológica em torno de uma obra literária faz com que se perca o texto em tudo aquilo que ele tem de realmente relevante e que está no próprio texto, não fora dele.

Em outros termos, Machado é um escritor completo, como poucos, como já diria Antonio Candido, e dispensa especulações. Sua obra é rica o bastante e se faz nas suas próprias invenções, dispensa as alheias. O comercial da Caixa, no entanto, pecou justamente por especular demais. Especulou em torno da figura de Machado ao retratá-lo como um branco, enquanto, na verdade, o escritor era mulato. Com isso, deu vazão a toda uma cultura de preconceito que sempre existiu e existe no Brasil até hoje, impulsinonando o velho ideal que atravessou o império, a república, e banhou o modernismo literário brasileiro, o de embranquecimento da nação em prol da construção de uma raça pura, pretensamente superior e “brasileira”.

Nada mais distante dos brasileiros. Se a Caixa quer ser o banco de todos os brasileiros, jamais poderia excluir parte de nossa constituição histórica e social, maquiando a realidade pensando que, talvez, muitos nem lembrariam que um dos maiores escritores brasileiros era sim mulato e tratava das questões raciais com a mesma sutileza de sempre.

A última especulação da Caixa foi, enfim, transformar algo que era um simples lugar, referência de espaço e época na obra machadiana, em uma espécie de discurso, bandeira. Pode ser que Machado adorasse a Caixa Econômica, pode também não ser, mas o mais provável é que ele nem pensasse nisso. Tinha uma conta e caderneta de poupança como qualquer outro cidadão de sua época com uma boa condição de vida, e fez menção ao banco no seu testamento e em alguns momentos de sua obra como qualquer escritor poderia fazer. “Vou à Caixa” equivale quase como um “vou à padaria”.

Mas não especulemos demais. A publicidade faz o seu papel (exagerando às vezes, o que faz com que algumas peças como essa sejam retiradas do ar), mas os textos informativos ou literários não devem fazê-lo.

Veja texto sobre o assunto publicado pelo Última Instância em que a Caixa se retrata em relação ao comercial. Abaixo segue também a publicidade.

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ALÉM DOS CONTRATOS, CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DEVERIA PREVER TAMANHO DE LETRA PARA PUBLICIDADE

Comentário:

É um avanço a definição de corpo de letra mínimo paras contratos (veja abaixo), mas é preciso também estabelecer uma letra mínima (corpo 10 ou 12) na publicidade em revistas e jornais.

O Código de Defesa do Consumidor prevê que a publicidade deva ser clara, mas não define o tamanho mínimo da letra. Isso faz com que anúncios tenham letras gigantes em uma promoção de venda de um produto e letras inelegíveis de tão pequenas na parte inferior da publicidade. Normalmente, as letras ilegíveis são para você enxergar as regras da promoção.

Lei prevê tamanho mínimo para letras de contrato

Da Agência Brasil

Brasília – Os contratos de adesão a partir de hoje (23) terão que ter letras com tamanho mínimo 12, além de termos claros e com caracteres legíveis. A finalidade é facilitar a compreensão do consumidor.

A Lei n.º 11.785, que prevê a medida, está publicada na edição de hoje do Diário Oficial da União. A norma altera o parágrafo terceiro do Artigo 54 do Código de Defesa do Consumidor, que passa ter tal obrigatoriedade.

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