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Especial para o Educação Política

Ulisses, de James Joyce, é um dos romances mais importantes da literatura moderna. Talvez por isso também seja um dos mais difíceis. A jornada de Leopold Bloom pelas ruas de Dublin que começa de manhã, quando ele está saindo para o trabalho, e termina à meia noite do mesmo dia 16 de junho de 1904, surge diante dos leitores como uma epopeia complexa, onde os fluxos de consciência, as mudanças de espaço e tempo, as experimentações com a linguagem, atuam em conjunto para reforçar a densidade da narrativa.

No entanto, o clássico de James Joyce segue fascinante e instigante por diversos motivos. Mesmo complexo, o romance atrai os leitores pela ousadia de compor uma “odisseia moderna”, onde os capítulos fazem referência aos cantos do clássico texto atribuído a Homero, e também pela beleza das cenas narradas, pela estética totalmente original da obra, e pelo belíssimo último capítulo onde o monólogo de Molly Bloom, a nova Penélope, ganha forma em níveis altíssimos de expressividade do feminino e do humano em suas angústias e esperas.

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Por tudo isso, e para aqueles que compreendem e não compreendem o Ulisses, de Joyce, mas, principalmente, para continuar colocando essa obra literária em movimento, o norte-americano Robert Berry adaptou, com a ajuda de Josh Levitas, para a graphic novel Seen a obra joyceana. Seen foi desenvolvida para ser uma plataforma exclusivamente on-line. O objetivo do criador da versão em quadrinhos do romance é fazer com que ela acompanhe a leitura da obra, servindo de guia, de facilitador ou simplesmente de complemento.

Dessa forma, para os que leram o romance, para os que não leram, ou para aqueles que abandonaram a leitura, a versão em quadrinhos surge sempre como uma alternativa que não substitui a obra, mas que a recria em diferentes suportes sempre bem vindos.

Até agora quatro capítulos foram lançados na internet. O trabalho deve estar completo até 2022, totalizando 2300 páginas de quadrinhos. Depois de tantos desenhos, o mistério de Ulisses ainda deve persistir, no entanto, ele ao menos estará contaminado de uma boa dose de humor e novos símbolos, de modo que teremos um Bloom ainda mais múltiplo e uma Molly ainda mais fascinante!

Confira nesta link os capítulos já publicados:

http://jamesjoyce.ie/category/ulysses-seen-graphic-novel/

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Chester Brown narra sua própria história

Em junho de 1996, o canadense Chester Brown desenhava histórias em quadrinhos no apartamento que dividia com a namorada, em Toronto, quando ela anunciou: “Te amo como sempre amei e sei que sempre vou te amar, mas…. acho que me apaixonei por outra pessoa”. Chester percebeu que não estava abalado – nem se abalou quando o novo namorado passou a dormir com a recentíssima ex no quarto ao lado. Uma passagem tão tranquila que os dois decidiram continuar dividindo o mesmo apartamento, o que fizeram por muito tempo. Um ano depois, aos 37 anos, Chester chegou a uma conclusão que mudaria a sua vida: “Tenho dois desejos contraditórios: o de transar e o de não ter namorada”.

Chester acabou descobrindo que, pelo menos para ele, não havia contradição alguma. Depois de uma fase de celibato, ele deu início a uma vida sexual com prostitutas que, em geral, era bastante prazerosa. Quando as descrições dos anúncios não correspondiam aos fatos, ele podia inventar uma desculpa e cair fora – ou acabar constatando que, apesar de a mulher não ser tão gostosa quanto dizia que era, tinha outros talentos ou simplesmente era divertida.  

Descobriu que, para ele, o “amor romântico” não fazia sentido algum. “Nossa cultura impõe a ideia de que o amor romântico é mais importante que as outras formas de amor”, diz ele um dia à ex-namorada. “Já não acredito nisso. O amor dos amigos e o da família podem ser tão satisfatórios quanto o amor romântico. A longo prazo, provavelmente são mais satisfatórios.”

Mais tarde, explica sua tese a uma prostituta, durante uma conversa na cama. “O amor é doação, partilha e carinho. O amor romântico é possessividade, mesquinhez e ciúme”, diz à moça. “A mãe que tem vários filhos ama todos eles. Quem tem vários amigos pode amar todos eles. Mas não se acha correto que se sinta amor romântico por mais de uma pessoa por vez. Acho que é a natureza excludente do amor romântico que o torna diferente de outros tipos de amor.”

As aventuras de Chester Brown e sua escolha pelo sexo pago são contadas por ele em uma deliciosa graphic novel (novela em quadrinhos), que acabou de chegar às livrarias do Brasil. Pagando por sexo (WMF Martins Fontes) é o relato confessional do quadrinista, escrito com rigor jornalístico. Inclusive trocando o nome das prostitutas, para não identificá-las, assim como jamais desenhando seu rosto ou suas marcas pessoais, para que não sejam reconhecidas – mas buscando ser fiel à forma de seus corpos. (Texto completo)

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