Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos de tags: Racismo

Somos todos macacos: Darwin está ali naquela banana dentro do campo

A razão, conceito filosófico, é algo totalmente abstrato como sabemos. A razão é uma ideia que sofreu enormes transformações ao longo do pensamento humano.
Desde de antes de Descartes, passando por Hegel, Freud, Habermas e tantos outros pensadores, o conceito de razão foi se transformando e portanto (Continue Lendo…)

Condição de mulher excluída está no centro da literatura de Carolina de Jesus

Devido aos cem anos de nascimento da escritora Carolina de Jesus, muita coisa foi dita e publicada recentemente sobre sua vida e obra literária. No entanto, para além das efemérides, Carolina de Jesus (Continue Lendo…)

SENSACIONAL: TESTE DE DNA MOSTRA QUE BRANCO RACISTA É UM POUCO NEGRO

VÍDEO: EU QUERO SER NEGRA! OU: COMO A CULTURA FAZ DO RACISTA UM IDIOTA

VÍDEO DA POLÍCIA MOSTRA PRISÃO DE SUSPEITO DE SER NEONAZISTA MINEIRO, QUE APARECE EM FOTO AGREDINDO MORADOR DE RUA

Vídeo revela prisão de neonazista que publicou foto ‘enforcando mendigo’

Do Pragmatismo Político

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Imagem divulgada no facebook do autor

A Guarda Municipal de Americana, cidade do interior de São Paulo, divulgou um vídeo que mostra o exato momento da prisão do neonazista que causou polêmica em Belo Horizonte ao divulgar uma foto no Facebook na qual aparece agredindo um morador de rua negro na Savassi. Antônio Donato Baudson Peret, de 25 anos, foi detido na tarde de domingo (14) ao chegar na rodoviária do município onde mora sua namorada.

Na filmagem, o neonazista aparece sendo abordado logo após sair de um ônibus. Investigadores da Polícia Civil de Minas Gerais foram até o interior de São Paulo para prender o jovem. Ele chegava de uma viagem à Capital paulista. Com Donato, foram encontradas duas facas, um facão e um soco inglês. A namorada dele também foi levada para a delegacia. Ela prestou depoimento e foi liberada.

Donato já está em Belo Horizonte e ficará detido durante pelo menos 30 dias. A prisão preventiva do jovem foi determinada pela Justiça durante o fim de semana. Ele será indiciado por apologia ao crime, com os agravantes de racismo e nazismo, e formação de quadrilha. Durante a última semana, a Delegacia Especializada de Investigações de Crimes Cibernéticos começou a investigar atuação de grupo neonazista de BH nas redes sociais. Outras três pessoas foram presas na Capital mineira. (Texto integral)

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BRASIL PRECISA BARRAR O FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS

Mais que protestos, é necessário mudar legislação

A intolerância, fundada em uma falsa religiosidade (ou verdadeira, não vem ao caso), já propiciou à humanidade inúmeras tragédias que perduraram séculos. O Brasil parecia ser um país distante dessas intolerâncias, presente em grupos específicos de países controlados por ordens fundamentalistas-religiosas radicais.

O liberalismo e o iluminismo foram estruturas de pensamento importantes porque combateram tanto a monarquia e as oligarquias, como doutrinas intolerantes, apesar da ascensão do nazismo no início do século passado.

Foram.

O tempo passa e do liberalismo surgiu o fundamentalismo do dinheiro, ou seja, o neoliberalismo, que destrói toda e qualquer relação social em nome do enriquecimento monetário, estabelece um Deus chamado mercado, sem regulação do Estado e com a ideologia da prosperidade a todo custo. Europa e Estados Unidos, nas últimas décadas, sustentam um novo fundamentalismo, baseado na economia.

É nesse contexto que avançam as doutrinas religiosas da prosperidade, os neopentencostais e suas doutrinas fundamentalistas, que servem para legitimar um certo rigor formador da identidade não histórica. Com total liberdade econômica e isenção de impostos, esses movimentos crescem no Brasil e buscam poder político e econômico. Governo e sociedade, sem controle algum sobre o fluxo financeiro desses grupos, assistem impassíveis a essa ascensão.

A eleição do pastor Feliciano na Comissão de Direitos Humanos parece ser algo isolado, mas talvez não seja. Assim como no Golpe de 64, que faz aniversário hoje, você sabe como começa, mas não sabe como termina. Somente um estado laico garante liberdade religiosa para todas as religiões. Sociedade, artistas, religiosos, intelectuais e instituições civis devem reagir antes que seja tarde demais. A história se repete como farsa, mas talvez seja tragédia.

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O TROTE COM REFERÊNCIA À ESCRAVIDÃO E AO NAZISMO DOS ALUNOS DE DIREITO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG)

Sobre a caloura Xica da Silva, nota sobre o trote na UFMG

Do Blogueiras Negras

Algumas manifestações do racismo costumam ser consideradas sem importância, ainda mais num país onde muita gente considera o próprio racismo como algo de menor importância. Alguns diriam que ninguém morre por não estar na capa da revista, nos espaços acadêmicos, nos desfiles de moda, na política. Ninguém morre por causa de mais uma piadinha, de mais uma blackface na televisão ou no teatro.  Certo?

Antes de tudo, preciso explicar que a blackface é tudo menos uma piada inocente que acontece nos sábados à noite na televisão e no teatro (Tiago Abravanel se pinta de negro para interpretar Tim Maia). É um instrumento racista clássico que se iniciou no teatro estadunidense quando atores brancos pintavam seus rostos de preto para criar retratos estereotipados de pessoas negras, contribuindo para a disseminação e decantação do racismo.

O assunto desse post é exatamente esse – uma imagem mostrando uma blackface e outra com menção ao nazismo. Já temos a notícia de que não são montagem. Mesmo que sejam fruto de uma brincadeira entre amigos, decidimos escrever sobre seu conteúdo racista, sexista e totalitário.  Ainda mais quando pensamos que as personagens retratadas são provavelmente alunos da faculdade de direito da UFMG.

I. DONA ADELAIDE, A VERGONHA

A prática da blackface vem aumentando entre nós. E de tanto ser reeditada, tem sido encarada como algo socialmente aceito na televisão e no teatro. Já aconteceu de uma pessoa, com óculos e peruca afro, me dizer toda sorridente que se lembrou de mim. Como se fosse uma homenagem, sem perceber que a principal característica da blackface é justamente contribuir com a desumanização da pessoa negra e naturalizar o racismo.

A principal consequência do que muita gente considera piada é o cultivo potencialmente letal do racismo. É assim que se aumenta a viscosidade do preconceito que passa a se infiltrar nas menores brechas. Exemplo discreto desse fenômeno é a recente campanha do Sebrae sobre empreendedorismo promovido por mulheres. É a única personagem negra, tão empreendedora quanto as outras, que fala errado.

Aqui no Brasil, o maior embaixador da blackface é Rodrigo Sant’Anna com sua asquerosa Dona Adelaide, uma das manifestações mais agressivas que já pude presenciar na televisão. Nem mesmo Monteiro Lobato construiu personagem tão racista. Tudo nessa mãe preta é hipérbole – a falta dos dentes, o cabelo bagunçado, o nariz desproporcional, o modo errado de falar, as roupas coloridas.

II. TROTE XICA DA SILVA

Trote racista no UGMG

Trote racista no UGMG

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Uma vida de preconceitos e nada do que já vivi me preparou para o dia de hoje. No facebook vem sendo reproduzida uma imagem supostamente feita num trote na faculdade de Direito da UFMG. Numa delas, uma mulher branca pintada, sobre o seu corpo um pedaço de papelão com os dizeres – “caloura xica da silva”. Encontra-se a correntada e presa por um homem branco, provavelmente heterossexual de classe-média.

É como se o trote fosse uma espécie de caçada, em que cada veterano precisa acorrentar seu tipo de mulher preferida. E como sabemos que negras ainda são produto escasso nas fileiras universitárias, restou a esse estudante fingir que conseguiu um pedaço da carne mais barata do mercado. E assim se perpetua séculos de racismo e sexismo com que somos tratadas, escravas sexuais, objeto de fetiche, desumanizadas.

Mesmo que essa imagem seja uma brincadeira, em nada é diminuído sua gravidade.  A menção à Xica da Silva significa que nós, mulheres negras, não devemos ultrapassar certos limites e ocupar certos lugares. Passados alguns séculos, aiinda é inconcebível que uma mulher negra seja livre como foi Xica. Eu e todas as blogueiras que escreveram e escreverão aqui, deveríamos estar acorrentadas. Esse lugar não nos pertence.

Justamente por isso que decidimos não nos calar, colorir mais ainda a internet.

III. AMANHÃ

Essa não é a única imagem desse trote. Em outra foto a vítima é um homem pintado de vermelho e acorrentado. Sobre ele outro pedaço de papelão com dizeres que se encontram encobertos. Porém, como o ponto de interesse são alguns homens brancos fazendo a saudação nazista (um deles imitando com um pouco de tinta um tipo de bigode em especial) a gente até imagina qual é a mensagem apesar de não sabermos qual foi o grau de constrangimento envolvido.

A gravidade dessas imagens é ainda maior quando sabemos que esses jovens provavelmente são estudantes da faculdade de direito da UFMG. Não é o tipo de comportamento esperado, nem fora, nem dentro da universidade. Não importa se foi uma brincadeira, como certamente dirão no futuro. Fica o alerta de que  todas que não somos homens, heterossexuais, brancos e de classe-média somos alvos em potencial.

Amanhã pode ser com você.

A boa notícia é que hoje acontece uma reunião do CAAP (Centro Acadêmico Afonso Pena) para ouvir os envolvidos. Espera-se que até amanhã as primeiras providências sejam tomadas. A reitoria da faculdade pretende se posicionar sobr eo caso ainda hoje. Fica o pedido para que a punição seja exemplar, o que não aconteceu quando da denúncia de trotes envolvendo a homofobia. (Blogueiras Negras)

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JUCA CHAVES: “OS QUE VOTARAM NO PASTOR FELICIANO NA COMISSÃO SÃO CRÁPULAS DA POLÍTICA NACIONAL”, FALO COM TODO MEU NARIZ

SÉRGIO CABRAL DETONA O POVO: DEPOIS DA FESTINHA EM PARIS COM A DELTA, AGORA APARECE INDICANDO O PASTOR FELICIANO

OLHAR DO COLONIZADOR: TRIBO BRASILEIRA SURUWAHA É VISTA COMO INFANTICIDA POR TELEVISÃO AUSTRALIANA

O olhar do colonizador

“Cultuadores do suicídio”, presos na “Idade da Pedra”, estes são alguns dos adjetivos usados para classificar a tribo brasileira Suruwaha pelo programa Sunday Night, da emissora de tevê australiana Channel 7. Segundo integrantes da tribo, os australianos teriam feito muitas imagens e depois mentido sobre eles quando voltaram para suas terras.

“Há muito tempo houve infanticídios. Hoje isso não acontece mais”, garante um índio da tribo, como mostra notícia publicada pela Carta Capital. A distorção em relação aos hábitos de vida da tribo Suruwaha no entanto, não é feita apenas por estrangeiros que vêm para o Brasil e reeditam o olhar do colonizador diante dos índios “primitivos e selvagens”.

A organização evangélica Jovens Com Uma Missão (JOCUM) do Brasil já havia afirmado que membros da tribo assassinavam regularmente bebês recém-nascidos e atualmente fazem um lobby junto à bancada evangélica do Congresso Brasileiro pela aprovação de uma lei permitindo que crianças indígenas sejam retiradas de suas famílias.

Não por acaso, o programa Sunday Night possui vínculos com os missionários evangélicos de acordo com a ONG Survival International que protege os direitos indígenas. Em razão de toda a distorção, o Channel 7 está sob investigação formal da Autoridade Australiana em Mídia e Comunicação (ACMA). As autoridades brasileiras deveriam fazer o mesmo em defesa dos seus índios.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Tevê Australiana mostra tribo brasileira como assassina de crianças
Por Marcelo Pellegrini

O programa Sunday Night, da emissora de tevê australiana Channel 7, classificou a tribo brasileira Suruwaha como infanticidas e os “piores violadores dos direitos humanos do mundo”.

Segundo divulgou nesta quarta-feira 7 a ONG de direitos indígenas Survival International, o programa exibido em setembro de 2011 descreveu os índios da tribo amazônica como “cultuadores do suicídio” presos na “Idade da Pedra”.

Em entrevista à ONG, um Suruwaha disse que os australianos filmaram a tribo e depois mentiram a seu respeito.

“Eles fizeram muitas filmagens. Filmaram os Suruwaha e foram embora. Chegaram na terra dos estrangeiros e mentiram sobre nós”, conta.

“Há muito tempo houve infanticídios. Hoje isso não acontece mais”, garante o índio.

Missão evangélica

De acordo com a Survival, o programa Sunday Night possui vínculos com os missionários evangélicos. “O site do programa está abertamente angariando fundos para uma organização evangélica associada à campanha contra os indígenas”, disse Sarah Shenker a CartaCapital.

Esta não é a primeira vez que os índios da tribo Suruwaha sofreram com relatos distorcidos. Anteriormente, a organização evangélica Jovens Com Uma Missão (JOCUM) do Brasil já havia afirmado que membros da tribo assassinavam regularmente bebês recém-nascidos. (Texto completo)

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PARA OS QUE AINDA DIZEM QUE NÃO HÁ RACISMO NO BRASIL… VIVA O CARNAVAL! VIVA A DIVERSIDADE NACIONAL!

EPISÓDIO DO BBB REÚNE DUAS DAS GRANDES TRAGÉDIAS BRASILEIRAS: RACISMO E MACHISMO, MAS O SHOW TEM QUE CONTINUAR

Entre as névoas da televisão nacional, o BBB (Big Brother Brasil), com certeza, é uma delas. Não cabe aqui discutir a utilidade do programa, o quanto ele representa uma decadência no nível da programação televisiva atual ou não, o fato é que se trata de uma realidade e muito dinheiro é gasto para manter no ar um programa onde as pessoas estão em exibição máxima – e isso inclui todos os níveis de comportamento – a milhões de brasileiros.

Sempre se discutiu a autenticidade ou não do programa. Se os dramas se desenrolavam ali naturalmente ou se o que se dava era simplesmente uma grande arena de interpretação, onde moçinhos e vilões já estavam previamente selecionados. Mas a televisão é acima de tudo um mundo de mistérios, nunca se saberá ao certo o que se passa por trás das câmaras, ela só mostra o que lhe convém, cria e recria a realidade, o que lhe confere, em parte, o grande poder e fascínio exercido junto a grande parte da população.

Interpretação barata ou simples jogada do destino, o recente acontecimento envolvendo um participante chamado Daniel, único negro da atual edição do programa, reuniu condições no mínimo instigantes que traduziram em um só drama aspectos do tecido social brasileiro e do que vai pelo fundo espetacular e vertiginoso da televisão nacional.

Daniel sendo negro e, portanto, preenchendo muito bem a cota racial do BBB, já que é importante ter um participante negro para que o programa não seja acusado de racista, foi logo no primeira entrevista sendo questionado pelo apresentador Pedro Bial sobre a política de cotas para negros nas universidades.

Como já era de se esperar, o participante manifestou-se contrário às cotas e foi aplaudido pelos demais companheiros. Digo “já era de se esperar” porque os participantes selecionados para o BBB são, geralmente, de classe média ou média alta e, em sua maioria, compartilham dos mesmos interesses da emissora para a qual estão, de certa forma, “trabalhando”.

Dificilmente, um indivíduo socialmente consciente, que questionaria a própria natureza de um reality show, seria escolhido por uma emissora liberal burguesa que não gosta de questionar realmente as coisas, muito menos a si própria.

Sendo assim, Daniel respondeu ao que lhe foi perguntado da forma como era esperado que ele respondesse. O que talvez a emissora não esperasse, ou esperasse (nunca se sabe) era que o próprio Daniel, depois de se mostrar contrário à reparação histórico-social representada pelas cotas, teria uma postura também totalmente contrária aos direitos e liberdades da mulher ao, supostamente, ter abusado sexualmente de uma das participantes, aproveitando-se de seu estado de embriaguez.

O importante não é nem confirmar se o fato aconteceu ou não e sim perceber o que há por trás das reações que o sucederam. Os comentários postados em redes sociais associaram, como não poderia deixar de ser, o ato supostamente cometido à cor da sua pele, ou, em outras palavras, o fato de ele ser negro foi prontamente associado ao ato de violência.

É a mesma história impregnada na cultura brasileira de que a cor negra está associada à criminalidade e ao que há de ruim e à margem, como se um componente genético na cor negra tivesse influência no comportamento moral do indivíduo. Nada mais estúpido.

Neste sentido, o episódio trouxe consigo duas facetas da sociedade brasileira: o racismo – ao associar qualquer tipo de crime à cor negra – e o machismo – contido na própria atitude de Daniel diante da participante do programa e na própria opinião pública ao acreditar que a mulher anestesiada pela bebida praticamente “pede para ser estuprada”, como também foi dito.

Daniel agora vai servir como bode expiatório para as culpas da Rede Globo e para todos os preconceitos nacionais. Obviamente, ele não está isento de culpa, mas está longe de ser o único responsável, sem contar que faz o tipo “esperto” e “classe média” ideal para servir aos interesses da emissora. Afinal, ele não estaria lá se uma grande empresa de comunicação produtora de espetáculos e recriadora de realidades não estivesse lhe proporcionando espaço.

Mas está aí um dos pontos positivos e interessantes dos reality shows e, talvez, isso seja o que há de mais interessante nesse tipo de programa: ver como questões enraizadas na realidade brasileira, o machismo e racismo, por exemplo, ganham proporções bem maiores do que têm normalmente, já que no cotidiano manifestações de racismo e machismo acontecem a todo momento, e essa proporção faz com que os temas sejam discutidos, eles enfim deixam de ficar um pouco invisíveis, mesmo quando há a tentativa, e sempre há, de apagar os rastros do acontecimento sem deixar vestígios.

As cotas, por exemplo, a que o Daniel, aí sim negro, se mostrou contrário, estão aí para mostrar que não é possível apagar anos de escravidão e desigualdade em relação aos seus antepassados. A conta é alta e vai continuar sendo paga, só temos que ver como. Às vezes, à custa de um preconceito justificando outro…

A Rede Globo como sempre, e como bem lembrou Bessinha, está nem aí…vai continuar rodando seu show!

Veja trecho final de texto sobre o assunto republicado pelo Conversa Afiada:

BBB: e a Constituição ?
Nada ?

A Constituição é letra morta?
Por Fernando Brito

A Globo sentiu que está numa “fria” e vai fazer o que puder para reduzir o caso a um problema individual do rapaz e da moça envolvidos. Nem toca no assunto.

Tudo o que ela montou, induziu, provocou para lucrar não tem nada a ver com o episódio. Não é a custa de carícias íntimas, exposição física, exploração da sensualidade e favorecimento ao sexo público que ela ganha montanhas de dinheiro.

Como diz o “ministro” Pedro Bial ao emitir a “sentença” global ( veja o vídeo) : o espetáculo tem que continuar. E é o que acontecerá se nossas instituições se acovardarem diante das responsabilidades de quem promove o espetáculo.

Atirar só Daniel aos leões será o máximo da covardia para a inteligência e a justiça nestes país.. (Texto completo)

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DEPOIS DE OFENDER OS BRASILEIROS E A HISTÓRIA POLÍTICA DO PAÍS, BOLSONARO PODE SER PROCESSADO PELA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Em recente vídeo mostrando uma entrevista dada pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) ao programa CQC, o deputado, sem o menor constrangimento e com a maior naturalidade do mundo, diz ter como exemplo político os militares que torturam a nação durante a Ditadura Militar, manifestou claro preconceito contra os negros e contra os homosexuais e usou a autoridade do seu cargo para manifestar opiniões infundadas e sem qualquer sombra de dignidade e respeito pelo Brasil e pelos brasileiros.

O vídeo fala por si só e dispensa maiores comentários. Logo após a enorme repercussão causada pela entrevista de Bolsonaro, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados se reuniu na última terça-feira e decidiu que entrará com uma representação contra ele. Ainda não se sabe se será uma representação parlamentar na Câmara ou se uma ação judicial.

E agora Bolsonaro?

Independente do tipo de represália que agora será tomada, e é bom que algo seja feito, a exposição do conservadorismo, da arrogância, da imbecilidade, para não usar de outra palavra, que marca boa parte da opinião pública brasileira já deixou o canto escuro da hipocrisia e decidiu se aventurar um pouco pelas salas amplas da sinceridade. Sim! Sinceridade, porque no vídeo percebe-se claramente que o deputado fala com convicção. E quanto a isso tudo bem. As pessoas podem ter opiniões diferentes, se quiséssemos controlar a opinião alheia estaríamos nos aproximando de tipos como ele. Longe disso!

No entanto, deve existir respeito. Respeito com a história e com o povo do seu país! Respeito não tem nada a ver com opinião. Está mais próximo de educação, discernimento e bom senso. Palavras que o deputado não conhece, como aliás seus modelos de inspiração, os militares, também não conheciam.

Muito esperto o deputado, agora, diz não ter escutado direito a pergunta da cantora Preta Gil sobre sua reação caso seu filho namorasse uma negra. Que ótima desculpa! Ao dizer ter entendido se seu filho namoraria com um gay, o deputado claramente tenta se livrar da acusação de racismo considerada crime e capaz até de levar à sua expulsão da Câmara. Levaria com certeza se o sistema judiciário desse país fosse sério. Mesmo assim, suas declarações em relação aos homossexuais não deixam de configurar uma atitude racista.

Episódios como esse mostram que já passou da hora do Brasil olhar pra si mesmo com um olhar mais realista. Ao invés de idealizar um país igualitário, alegre, sem preconceitos, é preciso ver quais são nossos reais problemas e, de fato, buscar algum tipo de solução que passa, sem dúvida, por um fortalecimento de nossas instituições democráticas, afinal, alguém só se sente tão à vontade para falar assim dos outros, porque sabe que nada de mais grave acontecerá com ele.

Veja trecho de reportagem publicada na revista Carta Capital sobre o caso:

Deputado carioca será processado por homofobia e racismo
Bruno Huberman

Conselho de Direitos Humanos da Câmara se reúne para decidir como irá agir em relação à entrevista concedida por Jair Bolsonaro (PP) ao programa CQC

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, reunida nesta terça-feira 29, irá entrar com uma representação contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Só resta decidir qual: se uma representação parlamentar na Câmara ou se uma ação judicial. O pepista virou alvo de críticas nas últimas horas após a entrevista à cantora Preta Gil durante o programa CQC, da rede Bandeirantes, na noite da segunda-feira 28, quando ao ser questionado se deixaria o seu filho namorar uma negra, respondeu: “Preta, não vou discutir promiscuidade com quer que seja. Eu não corro esse risco, e meus filhos foram muito bem educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o teu.”

“Eu acho lamentável. Isso é um abuso da representatividade parlamentar. Ele se utiliza do seu cargo para ofender. Eu fiquei chocado. Independente de filiação partidária, ele é um deputado e tudo tem um limite”, afirma o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), que ao lado dos deputados Manoela D’Avilla (PCdoB-RS) e Brizola Neto (PDT-RJ), decide como a Comissão irá agir. “Ele ataca a comunidade LGBT há muito tempo, mas só agora que ofendeu os negros é que caíram em cima dele.” (Texto Completo)

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LEITOR PROPÕE DISCUSSÃO A RESPEITO DA LEI MARIA DA PENHA QUE PASSA PELA NECESSIDADE DE UMA REFORMA GERAL NO PODER JUDICIÁRIO
DESCOBERTA DE AGROTÓXICO NO LEITE MATERNO LEVANTA DISCUSSÃO SOBRE A NECESSIDADE DE UMA POLÍTICA DE ALIMENTAÇÃO NO BRASIL

JAIR BOLSONARO, DO PP, E ALI KAMEL, DA REDE GLOBO, PROVAM QUE NÃO SOMOS RACISTAS; VEJA ENTREVISTA DO DEPUTADO AO CQC

O mentor ideológico e funcionário da Rede Globo, Ali Kamel,  escreveu um livro para dizer que nós brasileiros não somos racistas.

E Bolsonaro, do PP, é representante de parte do eleitorado brasileiro.

Kamel e Bolsonaro são as duas faces de uma mesma moeda. A moeda da tragédia e da desigualdade brasileira.

Há duas monstruosidades no vídeo com a entrevista do Bolsonaro no CQC: a primeira é defender a ditadura e, a segunda, é a resposta à Preta Gil. Além de outras infâmias.

Preta Gil promete processar Bolsonaro .

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NEGRO TRABALHA MAIS E GANHA MENOS, DIZ PESQUISA DE ECONOMISTA DO DIEESE

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LEANDOR FORTES: FOLHA DE S.PAULO DÁ ESPAÇO PARA SOCIÓLOGO CHAMAR SEUS PRÓPRIOS JORNALISTAS DE DELINQUENTES

Repórteres no pelourinho

Por Leandro Fortes/Brasília Eu Vi

Folha: os negros são responsáveis pela escravidão?

A direção da Folha de S.Paulo, simplesmente, autorizou a um elemento estranho à redação (mas não aos diretores), o sociólogo Demétrio Magnoli, a chamar de “delinquentes” dois repórteres do jornal, autores de matéria sobre a singular visão do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) da miscigenação racial no Brasil. Vocês, não sei, mas eu nunca vi isso na minha vida, nesses 24 anos de profissão. Nunca. Por tabela, também o colunista Elio Gaspari, que desceu a lenha no malfadado discurso racista de Demóstenes Torres, acabou no balaio da delinquencia jornalística montado por Magnoli.

Das duas uma: ou a Folha dá direito de resposta aos repórteres insultados (Laura Capiglione e Lucas Ferraz), como, imagino, deve prever o seu completíssimo manual de redação, ou encerra as atividades. Isso porque Magnoli, embora frequente os saraus do Instituto Milleniun, não entende absolutamente nada de jornalismo e confundiu reportagem com opinião. A matéria de Laura e Lucas nada tem de ideológica, nem muito menos é resultado de “jornalismo engajado” (contra o DEM, na Folha??). A impressão que se tem é que houve falha nos filtros internos da redação e deixaram passar, por descuido ou negligência, uma matéria cujas conseqüências aí estão: o senador Torres, sujeito oculto da farsa do grampo montada em consórcio entre a Veja e o STF, virou, também, o símbolo de um revisionismo histórico grotesco, no qual se estabelece como consensual o estupro de mulheres negras nas senzalas da Colônia e do Império do Brasil.

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RETRATO DA DESIGUALDADE DO IPEA MOSTRA AS DIFERENÇAS ENTRE NEGROS E BRANCOS NA VIDA E NA ECONOMIA BRASILEIRA

Na mesma gestação, cores diferentes

Na mesma gestação, cores diferentes

Mulheres negras são maioria em situações de trabalho precário

Ana Luiza Zenker
Repórter da Agência Brasil

Brasília – As mulheres negras ainda são o grupo que vivencia situações de trabalho mais precárias. É o que mostra a pesquisa Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, divulgada hoje (16) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e que analisa dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2007.

Se por um lado as mulheres (brancas e negras) têm aumentado a sua participação no mercado de trabalho, passando de 46% da população feminina ocupada ou à procura de emprego em 1996 para 52,4% em 2007, elas seguem com maior representação no trabalho doméstico, na produção para consumo próprio e no trabalho não remunerado.

Entre as mulheres negras, de acordo com a pesquisa, os dados revelam uma situação mais precária. Elas apresentam as maiores proporções no trabalho doméstico, 21,4% (contra 12,1% entre as mulheres brancas e 0,8% entre os homens), e na produção para subsistência e trabalho não remunerado, 15,4%. Elas também são o grupo com as menores proporções de carteira assinada, 23,3%, e e na posição de empregador, 1,2%.

Ainda no que diz respeito ao trabalho doméstico, a pesquisa destaca a queda no percentual de meninas com idade entre 10 e 17 anos (idade escolar) empregadas como trabalhadoras domésticas, passando de 14,2% em 1996 para 5,8% em 2007.


Expectativa de vida de brancos é maior do que de negros

Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Pesquisa divulgada hoje (16) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que, entre 1993 e 2007, a expectativa de vida foi maior para as mulheres em relação aos homens e também para a população branca na comparação com a negra.

O estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça mostra que, em 1993, o total de mulheres brancas com mais de 60 anos de idade representava 9,4% da população e o de negras, 7,3%. Esses percentuais alcançaram, em 2007, 13,2% e 9,5%, respectivamente. O grupo dos homens brancos com 60 anos ou mais, em 1993, era de 8,2% e passou para 11,1%, em 2007. Já os negros na mesma faixa etária saltou de 6,5% para 8% no mesmo período.

A diferença de representatividade de homens brancos e negros com mais de 60 anos aumentou de 1,7 para 3,1 pontos no período. A diferença entre as mulheres brancas e negras passou de 2,1 para 3,7 pontos, entre 1993 e 2007.

O levantamento retrato das desigualdades é elaborado por meio de indicadores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo analisa diferentes campos da vida social e visa traçar um “retrato” atual das desigualdades de gênero e de raça no Brasil. Ele é realizado em parceria entre o Ipea, a  Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e o IBGE.

Negros são maioria nas favelas, segundo estudo do Ipea

Ana Luiza Zenker
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Apesar de reconhecer que nos últimos 15 anos houve uma melhoria nas condições de habitação no Brasil, a pesquisa Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, divulgada hoje (16) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aponta que ainda é perceptível a diferença entre negros e brancos, especialmente no que diz respeito aos domicílios localizados em assentamentos subnormais, ou seja, favelas e assemelhados.

Entre 1993 e 2007, o percentual de residências que se encontravam em favelas ou semelhantes passou de 3,2% para 3,6%. É um percentual considerado baixo, mas que representa um universo de 2 milhões de domicílios, ou pelo menos 8 milhões de pessoas.

Considerando a distribuição de acordo com o chefe da família, tem-se que 40,1% dessas casas são chefiadas por homens negros, 26% por mulheres negras, 21,3% por homens brancos e 11,7% por mulheres brancas. De acordo com o estudo, essa distribuição mostra a predominância da população negra em favelas, o que reforça a sua maior vulnerabilidade social.

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Brasil deve levar 20 anos para zerar desigualdade de renda entre negros e brancos, conclui Ipea

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Estudo divulgado hoje (14) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2007, revela que a diferença de renda entre negros e brancos vem caindo nos últimos anos e, se o ritmo for mantido, deve ser zerada em 2029.

De acordo com o Ipea, a renda per capita dos negros representa menos da metade da renda domiciliar per capita dos brancos. “Trata-se de uma desigualdade particularmente detestável, na medida em que não é atribuível a nenhuma medida de mérito ou esforço, sendo puramente resultado de discriminações passadas ou presentes”, informa o documento.

Essa desigualdade, no entanto, começou a cair a partir de 2001. Até 2007, um quarto da diferença foi retirada. “Isto quer dizer que ainda faltam outros três quartos. Se o ritmo continuar o mesmo, haverá igualdade na renda domiciliar per capita apenas em 2029”. É possível que que a redução da razão de rendas não seja conseqüência de uma redução nas práticas discriminatórias e sim do fato de negros serem maioria entre os beneficiários do Programa Bolsa Família, avalia o Ipea.

“A pobreza é predominantemente negra e a riqueza é predominantemente branca”, ressalta o estudo.

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Trabalho infantil predomina entre negros, indica IBGE

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – A maioria das crianças que trabalha ilegalmente no Brasil é preta ou parda. Divulgada hoje (18), a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) revela que 59,5% dos brasileiros com idade entre 5 e 13 anos que trabalhavam em 2007 eram pretos ou pardos.

Elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a pesquisa mostrou que o número de brasileiros na faixa etária de 5 a 17 anos que trabalhavam diminuiu no ano passado em relação à 2006, mas ainda representava 4,8 milhões de  crianças e adolescentes.

A Constituição Federal proíbe o trabalho para pessoas com menos de 16 anos, a não ser na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos.

Entre as quatro divisões etárias estabelecidas na pesquisa, o maior percentual de pretos e pardos foi registrado entre as mais novas. De acordo com o IBGE, 69,6% das crianças com idade entre 5 e 9 anos que trabalhavam em 2007 eram pretas ou pardas. Na faixa de 10 a 13 anos, esse índice era de 65,1%.

As crianças trabalhadoras de 5 a 13 anos somavam cerca de 1,257 milhão no ano passado. A maioria, do sexo masculino, estava empregada na agricultura e tinha renda familiar per capita mensal inferior a um salário mínimo. Entre as mais novas, o rendimento era o menor: R$ 189.

Entre os adolescentes de 14 a 17 anos e que podem trabalhar na condição de aprendiz, os pretos e pardos também predominavam. Entre aqueles de 14 e 15 anos, 67,7% eram classificados como tal, assim como 55,4% dos ocupados com 16 e 17 anos.

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