Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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Campanhas sujas e falsas contra Dilma Rousseff se espalham pela internet


A presidenta da República, Dilma Rousseff, está sofrendo um verdadeiro ataque com imagens chulas, falsas e desleais pela internet. Para evitar esse bombardeio, militantes petistas e alguns sites tentam desmascarar as imagens falsas com as informações corretas. O clima parece clima de véspera de eleição (Continue Lendo…)

O MUNDO DAS REDES SOCIAIS AJUDOU A CRIAR A ERA DAS IMAGENS EM QUE VALE MAIS REGISTRAR PARA MOSTRAR DO QUE VIVER

A fotografia não existe mais para lembrar, mas para esquecer

A fotografia não existe mais para lembrar, mas para esquecer

Mallarmé, o mais lógico dos estetas do século XIX, disse que tudo no mundo existe para terminar num livro. Hoje, tudo existe para terminar numa foto.”
(Susan Sontag. “Sobre fotografia”)

Da Carta Capital

Clicar, em vez de viver, tornou-se norma
Por Marsílea Gombata

Em meio ao burburinho da sala onde fica o quadro Mona Lisa, no Museu do Louvre, em Paris, o fotógrafo Fabio Seixo percebeu algo não exatamente errado, mas exagerado. Os visitantes se espremiam para disparar os flashs da máquina e ter a foto de uma das imagens mais intrigantes e conhecidas do mundo. A guerra para fotografar a musa enigmática imortalizada por Leonardo da Vinci revelava, ali, algo maior: a necessidade de se vivenciar, por meio da foto, a experiência do presente.

“É uma imagem tão icônica quanto aquela de Che Guevara (feita por Alberto Korda em 1960). Pensei: ‘Nossa, que loucura. Será que as pessoas não conhecem a Mona Lisa?’ Então tive um estalo e vi que elas, na verdade, viajam muito mais para marcar território e dizer que estiveram lá do que para curtir a viagem”, reflete.

A experiência em 2005 fez germinar uma semente batizada de Photoland. O projeto, que tem pretensão de virar livro depois de ter ganho exposições no Rio de Janeiro e espaço no festival Paraty em Foco, busca refletir de que modo o ato de fotografar se tornou mais importante do que a vivência e como, em uma espécie de compulsão, ganha fôlego no fértil terreno da tecnologia digital. “Quando você está na Torre Eiffel, se fotografa ali e posta essa imagem, está afirmando sua presença nesse lugar, dizendo que esteve lá”, fala o autor sobre o que considera uma experiência narcisista. “A câmera é um anteparo entre você e as coisas. Então, quando se fotografa, deixa-se de viver o presente para vivenciar a experiência de estar fotografando.”

Foi a possibilidade de mergulhar no universo da escrita com luz que lhe permitiu a reflexão sobre essa dinâmica. O fotógrafo nascido no Rio de Janeiro tem contato com o ofício desde a infância, quando frequentava a redação da extinta Iris Foto, revista histórica com auge nos anos 1970 e 1980, cuja editora era da família de sua tia. Ao concluir a faculdade de jornalismo, não teve dúvida sobre qual caminho seguir e foi trabalhar como fotógrafo de jornal diário. A experiência durou cinco anos. Em 2004, tornou-se autônomo.

Ao refletir sobre a experiência do mundo da fotografia digital atrelada ao narcisismo, existe a intenção de transformar o ato de fotografar em paisagem. A fotografia passa a fazer o papel da natureza, instaurando-se como realidade física. Seixo observa que a intenção de debater os fotógrafos amadores em ação como se fossem paisagem vem da própria imagem autobiográfica. Até que ponto o autor da foto faz parte da cena? “Nesse ato, acabamos perdendo a paisagem. É como se ela não tivesse importância e nós nos tornássemos a própria.”

Na fotografia da fotografia, os cartões-postais não são a Torre Eiffel, o Coliseu, o Empire State Building ou o Buckingham Palace. São, no lugar, quem ali esteve na busca por um arquivo fotográfico cada vez mais amplo. Os traços sobre a necessidade de ser visto são propositais na obra. “O projeto esbarra na questão da visibilidade. Não basta ser um bom médico, um bom professor ou um bom jornalista se você não estiver referendado pelos dispositivos de visibilidade, como mídia e redes sociais”, analisa. “Isso, paradoxalmente, denota o quanto estamos nos tornando uma fotografia de nós mesmos. Não sabemos mais quando estamos posando ou sendo natural. É como se estivéssemos o tempo todo representando um personagem”. (Texto completo)

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REDES SOCIAIS SÃO LINHAS ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO E ENLOUQUECEM A ALMA DAS PESSOAS QUE EXPÕEM SUAS DORES E ALEGRIAS

As redes sociais estão no sangue e na veia das pessoas, seja na política, na arte, no afeto. É uma linha tênue entre o público e o privado. As pessoas falam das suas vidas, mandam recados, gritam, se expõem. Como se estivessem na cozinha das suas casas. Elas podem reclamar de namorados, maridos, mulheres, namoradas, podem expor sua solidão, sua covardia, seus interesses, seus discursos indiretos.

As redes sociais são o paradoxo que une o baixo e a iluminação. Ao mesmo tempo em que a razão insensata e o humor chulo dá suas caras, o desprezível sentimento se manifesta, há o lado da genialidade de um comentário, o humor refinado, a angústia literária,  o esclarecimento genial. Tudo ali em poucas palavras.

As pessoas compartilham o que desejam que apenas uma pessoa soubesse, apenas uma pessoa entendesse, mas elas expõem para todos, como se todos pudessem ser seus confidentes, seus conselheiros, psicólogos, solidários. E quem quiser que vista a carapuça, a burca e a tosse. Por que as pessoas estão desesperadas. Não há mais ninguém. Não há mais ninguém, somente as redes sociais e uma plateia de 300 pessoas dentro de quatro paredes.

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AMEAÇAS CONTRA ALUNOS PUBLICADAS NA INTERNET GERAM CLIMA DE TENSÃO E INSEGURANÇA NA UNB

Intolerância nas redes sociais

Ameaças de intolerância racial, religiosa e de gênero contra alunos de Ciências Sociais da Universidade de Brasília (UnB) começaram a ser postadas na internet durante as férias de janeiro. Na ocasião, uma investigação conjunta das polícias Civil, Militar e Federal prendeu dois suspeitos após terem postado mensagens que convocavam seguidores para a sua causa.

Na última sexta-feira, (13/04), os corredores do prédio onde acontecem grande parte das aulas do curso de Ciências Sociais amanheceram vazios. Alunos e professores decidiram não ir à Universidade depois que novas mensagens foram publicadas na internet com ameaças contra os estudantes. Os textos diziam que a Universidade sofreria um atentado no referido dia 13 de abril, como mostra notícia publicada pelo Correio Braziliense.

Como não poderia deixar de ser, as mensagens espalharam medo e insegurança entre alunos e funcionários e cada departamento passou a decidir individualmente como tratar da questão, abonando faltas e suspendendo aulas. A situação é quase de terror e revela como a internet pode ser usada tanto como ferramenta de mobilização construtiva, quanto destrutiva.

Além do dilema da atuação na rede, o episódio da UnB, assim como outros episódios de violência e intolerância em escolas e universidades do mundo, também revela como o próprio espaço da universidade, um lugar de troca, aprendizado e convivência democrática, algumas vezes termina por se tornar um palco para externar sentimentos de intolerância e preconceito que são justamente o oposto do que realmente constitui o espírito de universidade e de educação, em última instância.

Veja trecho de notícia sobre o assunto:

UnB suspende aulas em alguns cursos após ameaças contra alunos
Por Saulo Araújo

Os corredores do Instituto Central de Ciências (ICC) Norte na Universidade de Brasília (UnB) amanheceram mais vazios nesta sexta-feira (13/4). Grande parte dos alunos não apareceu para as aulas nesta manhã, depois que mensagens foram publicadas na internet com ameaças contra os estudantes. Os textos diziam que a universidade sofreria um atentado hoje, dia 13 de abril. O ICC fica no prédio central do câmpus do Plano Piloto e abriga grande parte das aulas dos cursos de Ciências Sociais.

Diante das ameaças e do medo que ronda estudantes e funcionários, cada Departamento está lidando com o problema da maneira que considera mais adequada. A Faculdade de Comunicação está abonando as faltas dos alunos que decidiram ficar em casa por questão de segurança, e os professores que estão se sentindo inseguros estão optando por não dar aula. Algumas turmas estão vazias, com apenas cinco alunos em sala.

Os cursos de Sociologia e Antropologia suspenderam as aulas durante todo o dia de hoje. Os professores do Instituto de Psicologia estão reunidos para decidir se suspendem ou não as aulas e na faculdade de Comunicação seis professores dispensaram os alunos em virtude dessas ameaças.

A assessoria de comunicação social da UnB informou que as três polícias foram acionadas, a Polícia Civil, Militar e também a Polícia Federal. Ainda segundo a assessoria, vários agentes estão rondando o campus à paisana a procura de suspeitos. Os agentes já fizeram uma varredura em vários pontos da instituição, principalmente nesses cursos onde as ameaças são mais constantes, para ver se encontravam vestígios de possíveis ataques. (Texto completo)

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ASSIM COMO O YOUTUBE, REDES SOCIAIS TAMBÉM ESTÃO REVOLUCIONANDO A MANEIRA DE ASSISTIR TELEVISÃO NO BRASIL

TV Social: um mundo que vê, faz e lê o tempo todo

Quando o canal de vídeos YouTube começou a se popularizar na rede, a maioria das pessoas já tinha percebido que a maneira de assistir televisão já não era mais a mesma. Grande parte do conteúdo das emissoras estava no YouTbe em poucos segundos, compartilhado e visto por milhares de pessoas com uma qualidade muitas vezes melhor do que na tela das televisões.

Agora, é a vez das Redes Sociais alterar nossa forma de assistir TV. Isto porque elas estão repercutindo em tempo real o conteúdo visto nas telas. Segundo pesquisa da Motorola Mobility, que investigou os hábitos de consumo de mídia em 16 países, 72% das pessoas discutem o conteúdo da TV pelas redes sociais enquanto assistem. No Brasil, especificamente, 43% das pessoas entrevistadas usaram as redes sociais para recomendar conteúdos, ou seja, a integração entre TV e redes sociais tem se mostrado bastante expressiva.

Ainda segundo a pesquisa, o Brasil é o maior usuário de mobile TV da América Latina e o segundo do mundo. No país, 19% dos entrevistados afirmam assistir vídeos no celular diariamente. Como mostra notícia publicada pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, “o usuário da América Latina passa por semana, em média, 3 horas jogando games, 6 horas em redes sociais, 11 horas assistindo TV ou filmes e 12 horas na Internet (web). São cinco horas semanais a menos de TV que na pesquisa do ano anterior”.

Estudos como esse mostram que as plataformas de acesso a informação estão mudando rapidamente. O mundo é cada vez mais móvel e a televisão precisa estar atenta para as novidades, adequando-se ao esquema das redes sociais para que uma alimente a outra ao invés de excluir. Se essa sociedade móvel e repleta de informações é boa ou ruim ainda não se sabe, o fato é que ela está aí e já faz parte da realidade de boa parte da população mundial.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Pesquisa aponta integração entre TV e redes sociais
Por André Mermelstein*
PAY-TV

Segundo a pesquisa, 72% das pessoas discutem o conteúdo da TV pelas redes sociais enquanto assistem
No Brasil, 43% das pessoas entrevistadas usaram as redes sociais para recomendar conteúdos

São Paulo – A Motorola Mobility apresentou nesta terça, 6, em primeira mão, uma pesquisa sobre os hábitos de consumo de mídia em 16 países, a “Media Engagement Barometer – How do people consume media and the Internet”. Pela primeira vez, a América Latina fez parte do painel, que entrevistou 9 mil pessoas, na América do Norte, Europa, Brasil, México e Argentina.

Segundo a diretora sênior para o mercado doméstico nas Américas da empresa, Liz Davidoff, os dados levantados mostram as tendências-chave às quais as operadoras devem atentar para gerar aumento de receita e base de assinantes. O estudo foi apresentado durante o Moto4you, evento que a fabricante realiza esta semana com operadores na Flórida.

Segundo a pesquisa, 72% das pessoas entrevistadas discutem o conteúdo da TV com seus amigos enquanto assistem, pelas redes sociais. Em 2010, este número era 38%. Recomendações de filmes e séries são desejadas por 62% dos entrevistados. E 50% apontaram que desejam formas de conectar o serviço de TV às suas redes sociais. “Percebemos que a conectividade entre devices tem que ser inteligente, os dispositivos têm que conversar” diz Liz. (Texto completo)

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INTERNET TRANSFORMA MOVIMENTOS SOCIAIS DE FORMA TÃO INTENSA QUE MARCHA DAS VADIAS SE TORNA MUNDIAL EM MENOS DE UM ANO

Marcha das vadias de campinas 2011

A internet está transformando a vida de pessoas e também dos movimentos sociais.

Com certeza, não é só o jornalismo e a grande mídia que estão sentindo as transformações que ocorrem na sociedade com a massificação da rede mundial de computadores. As ações políticas, fora do espectro partidário, também tomaram outra proporção nos últimos anos. Primavera árabe, Occupy wall street, indignados da Espanha, anônimos, marcha das vadias são alguns exemplos de como o ano de 2011 ganhou importância histórica.

Veja abaixo entrevista em quatro partes em que participei junto com Mariana Cestari, uma das organizadoras da Marcha das Vadias em Campinas, para o programa Diálogos, produzidos por alunos de jornalismo da PUC-Campinas.

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EM MEIO AOS APELOS DE “FELICIDADE E PERFEIÇÃO”, A BUSCA POR ALGUÉM QUE SE FAÇA “GENTE NO MUNDO” NUNCA FOI TÃO NECESSÁRIA

Tão atual...

A partir dos versos do Poema em Linha Reta, de Álvaro de Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa – “Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo” – Cynara Menezes escreve um ótimo texto na Carta Capital em que faz uma espécie de elogio e resgate da figura do “loser”, situando-o dentro dos limites do mundo contemporâneo.

Ao considerar os diferentes significados que o termo foi ganhando ao longo do tempo, desde o inicial que significava perdedor, até uma noção um tanto insuficiente que dizia ser loser um infeliz digno de pena, sem sorte, sem valor, a autora lembra que “loser não é apenas o cara que não ganha, e sim o que não se importa em ganhar. Ao contrário do que muitos pensam, o loser pode chegar lá – mas o que o moveu não foi chegar”.

O fato é que os “loser” ocupariam, segundo Cynara, um lugar privilegiado no imaginário americano, onde o termo surgiu propriamente, inspirando inclusive alguns emblemáticos personagens de Woddy Allen, dos irmãos Coen, dentre outros. Isso porque existiria um certo charme em ser loser, ou simplesmente encarar a vida de outra forma, olhá-la sob um ângulo diferente.

Parar enquanto todos correm, fazer-se complexo em meio às dúvidas e incertezas e não superficial e seguro de absolutamente tudo que faz ou vai fazer. Admitir-se triste às vezes. Dar-se ao luxo de observar o tempo passar, olhando o horizonte, deixando-se viver mais. Em tempos onde a exibição da felicidade se dá de forma absurda pelas redes sociais, financiada pela propaganda e pelos apelos multiplicados por aí,  os versos de Álvaro de Campos nunca foram tão atuais.

Porque o loser na verdade é o que há de gente no mundo, ele sabe que não há possibilidade em ter certeza de tudo, sendo que sequer sabemos porque estamos aqui ou para onde vamos. E percebe que há muito mais vida em ser humano em linha reta, em admitir fraquezas, dúvidas e porque não misérias, do que em iludir-se em uma verticalidade que é pura vaidade vazia, chafurdando-se em um pedantismo rasteiro.

Aos “losers” que ainda restam em um mundo de pressa, competição e exigência de felicidade e certeza, nada como o desabafo do poeta português:

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WALL STREET É NOSSA RUA: JOVENS AFETADOS PELA CRISE FINANCEIRA MUNDIAL PROTESTAM NO CENTRO DO CAPITALISMO E PEDEM FIM DA CORRPUÇÃO E ESPECULAÇÃO FINANCEIRA

De dentro do capitalismo financeiro mundial

A onda de protestos chegou a Nova York no dia 17 de setembro, depois de ter passado pelo Oriente Médio, Europa e América do Sul.

Intitulado de #OcuppyWallStreet, o modelo do movimento é o mesmo dos que vêm sendo realizados no resto do mundo: os manifestantes em sua maioria são jovens, com participação ativa nas redes sociais e foram atingidos pelo desemprego gerado com a especulação financeira e corrupção dos investidores de Wall Street, segundo eles dizem.

Por isso, seu grito é contra o 1% de corruptos que, com sua irresponsabilidade, prejudicam 99% da população americana.

Da Carta Capital

‘Wall Street é nossa rua’
Redação Carta Capital

Há quase uma semana, manifestantes ocupam o centro do capitalismo financeiro no Mundo, em Wall Street, Nova York. Depois de passar pelo Oriente Médio, Europa, América do Sul, a onda de protestos chegou aos EUA no dia 17 de setembro. Cerca de 2000 pessoas foram à Liberty Plaza se manifestar no sábado, ao lado da sede da Nasdaq, principal bolsa de valores dos Estados Unidos e permanecem lá até agora.

Intitulado de #OcuppyWallStreet, o movimento afirma lutar contra ao 1% corruptos que prejudicam os outros 99% da população americana. O cerne da corrupção, dizem, é a especulação financeira dos investidores de Wall Street e cuja ação irresponsável deflagrou a crise econômica em 2008 que persiste até hoje.

O modelo segue as manifestações no resto do mundo: jovens, com alta participação nas redes sociais e que foram atingidos em cheio pelo desemprego gerado na crise econômica.

Os participantes reivindicam a penalização dos homens de Wall Street, que cometeram uma série de crimes financeiros no cerne da crise econômica. Além disso, criticam o sistema político americano, baseado na prática do lobby, submetido aos interesses do Banco Central (Fed) e dividido entre dois partidos – democratas e republicanos – que acabam por travar uma série de discussões na Câmara dos Deputados. Cartazes como “Pessoas, não lucros”, “Wall St. tem dois partidos, precisamos do nosso próprio”, “Não posso comprar meu lobista, faço parte dos 99%”, “AIG, Bank of America, Goldman Sachs, Citi, JPMorganChase – Por que vocês não estão na cadeia?” ilustram esse cenário. (Texto completo)

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CRIANÇAS BRASILEIRAS ESTÃO ENTRE AS QUE ENTRAM MAIS CEDO NAS REDES SOCIAIS

Em média, com seis anos de idade, as crianças já passam a ter um perfil na rede

Da Agência Andi

Crianças entram cedo nas redes sociais
Publicada originalmente no Valor Econômico

Seja brincando com bolinhas de gude ou disputando torneios em videogames avançados, jogar sempre foi um dos passatempos preferidos das crianças. Agora, elas parecem ter descoberto um universo muito propício para esse tipo de brincadeira: as redes sociais. De acordo com o estudo Kids Expert 2011, realizado anualmente pela Turner, que controla o canal infantil de TV paga Cartoon Network, 72% das crianças que participaram da pesquisa no Brasil disseram jogar nas redes sociais. Para elas, essa é uma atividade mais frequente do que se comunicar com os amigos ou ver vídeos e fotos, por exemplo. “Esse é um novo meio para brincar e fazer o que elas (as crianças) sempre fizeram”, disse Renata Policicio, gerente de pesquisas da Turner.

Cada vez mais cedo- Apesar de a maioria das redes sociais encorajarem o uso de seus sites apenas por pessoas com mais de 18 anos, o primeiro contato com esse ambiente digital tem ocorrido cada vez mais cedo. Segundo a pesquisa, cujos resultados foram divulgados ontem (14), as crianças brasileiras passam a ter um perfil em alguma rede social com, em média, 6 anos de idade. O primeiro perfil costuma ser feito por familiares ou amigos. “As crianças brasileiras são as que entram mais jovens nas redes sociais, seguidas de perto pelas venezuelanas”, disse Renata. (Texto completo)

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OPINIÃO DOS JORNALISTAS ESTÁ SENDO INTERDITADA E SUA FUNÇÃO SOCIAL ANULADA EM GRANDE PARTE DAS REDAÇÕES BRASILEIRAS

Tempos modernos: na linha de produção da imprensa jornalista não pensa, faz

O jornalista moderno viveria um paradoxo segundo texto do jornalista Leandro Fortes cujo trecho segue abaixo. Enquanto as redações de jornais, revistas ou telejornais buscam se adaptar às novas tecnologias para não perder o bonde da velocidade e da liberdade de expressão da internet, os jornalistas são submetidos a um rígido controle de suas práticas, principalmente nas redes sociais, onde eles são proibidos de manifestar a sua opinião, isso quando o jornal não os proíbe de ter esse tipo de perfil na rede.

A crença de que o jornalista deve ser isento está assim sendo claramente distorcida e levada às últimas consequências anulando o papel político e social da profissão e convertendo os jornalistas em simples repassadores de notícia e tarefeiros de redação. O fenômeno que se desenha atualmente é tal que um bom jornalista, que acredita na sua profissão e procura fazê-la da melhor forma possível, vê-se de repente sem espaço e lugar na cada vez mais dominante lógica de mercado do jornalismo atual e sem voz para se expressar no seu cotidiano pessoal.

O curioso é ver uma imprensa que usa como pretexto a isenção do jornalista (algo a priori impossível) para sustentar a sua própria falta de isenção ou, para usar uma palavra mais adequada, a sua falta de comprometimento com a diversidade de versões e opiniões.

Veja texto de Leandro Fortes sobre o assunto publicado originalmente no blog Vi o Mundo e republicado pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação:

#jornalistas interditados
Por Leandro Fortes

As relações arcaicas que ainda prevalecem nas redações brasileiras, sobretudo naquelas ancoradas nos oligopólios familiares de mídia, revelam um terrível processo de adaptação às novas tecnologias no qual, embora as empresas usufruam largamente de suas interfaces comerciais, estabeleceu-se um padrão de interdição ideológica dos jornalistas. Isso significa que a adequação de rotinas e produtos da mídia ao que há de mais moderno e inovador no mercado de informática tem, simplesmente, servido para coibir e neutralizar a natureza política da atividade jornalística no Brasil.

Baseados na falsa noção de que o jornalista deve ser isento, as grandes empresas de comunicação criaram normas internas cada vez mais rígidas para impedir a livre manifestação dos jornalistas nas redes sociais e, assim, evitar o vazamento do clima sufocante e autoritário que por muitas vezes permeia o universo trabalhista da mídia. Em suma, a opinião dos jornalistas e, por analogia, sua função crítica social, está sendo interditada.

Recentemente, a ombudsman da Folha de S.Paulo, Suzana Singer, opinou que jornalista não deveria ter Twitter pessoal. Usou como argumento o fato de que, ao tuitar algo “ofensivo”, o jornalista corre o risco de, mais para frente, ter que entrevistar o ofendido. A preocupação da ombudsman tem certa legitimidade funcional, mas é um desses absurdos sobre os quais me sinto obrigado a, de vez em quando, me debruçar, nem que seja para garantir o mínimo de dissociação entre a profissão, que tem caráter universal, e os guetos corporativos onde, desde os anos 1980, um sem número de manuais de redação passaram a ditar todo tipo de norma, inclusive comportamental, sobretudo para os repórteres.

Suzana Singer deu um exemplo prosaico, desses com enorme potencial para servir de case em cursinhos de formação de monstrinhos corporativos que pululam nas redações:

“Hoje o jornalista pode estar em um churrasco, com os amigos, e ser ofensivo com os palmeirenses porque eles ganharam o jogo de domingo. E na semana seguinte ele tem que ir entrevistar o presidente do Palmeiras. Ou seja, é uma situação muito desagradável, que poderia ter sido evitada se o repórter tivesse a postura adequada de não misturar as coisas. Não tem como ter dupla personalidade, separar a sua vida pessoal da profissional, assim como não dá para ter duas contas no twitter”.

Bom, primeiro é preciso esclarecer duas coisas, principalmente para os leitores desse blog que não são jornalistas: é possível, sim, separar a vida pessoal da profissional; e, claro, dá para ter duas contas no twitter. Essa história de que jornalista tem que ser jornalista 24 horas é a base do sistema de exploração trabalhista que obriga repórteres, em todo o Brasil, a trabalhar sem hora extra, ser incomodado nas férias e interrompido nos fins de semana, como se fossem cirurgiões de guerra. Também é responsável, na outra ponta, por estimular jornalistas que se tornam escravos de si mesmo, ao ponto de, mesmo em festas de crianças e batizados de bonecas, passarem todo tempo molestando alguma fonte infeliz que calhou de frequentar o mesmo espaço.(Texto completo)

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No Egito as redes também foram protagonistas da manifestação

No mundo todo, as redes sociais têm estimulado a reinvenção da democracia. Por meio delas, pessoas se encontram espontaneamente, sem hora marcada, para discutir e trocar ideias. Em um ambiente de alta conectividade, as redes sociais se contrapõem à fragilidade das representações partidárias, elas não precisam de um líder, elas precisam de uma comunidade.

Facebook e twitter ajudaram a derrubar um ditador no Egito, reuniram milhares pelas ruas da Espanha, transformaram-se em mecanismos de participação popular para a redação da nova constituição na Islândia, organizaram os brasileiros na luta pela liberdade de expressão e descortinaram todo uma cadeia de blogueiros progressistas que lutam por um mídia mais plural e democrática.

Por essas e outras, as redes sociais já são quase um fenônemo, isso não dá pra negar. Obviamente, nem tudo depende ou decorre delas, mas o papel que elas têm representado para a configuração do desenho social de um país não pode ser ignorado. Elas são detentoras de um poder que, se bem usado, pode revolucionar muito.

Essas ideias e outras estão presentes em um texto de Marcelo Semer, publicado no Terra Magazine, onde ele não deixa de convocar frases interessantes que marcaram o protesto na Av. Paulista no último sábado (18/06), como esta: “Se você odeia a mídia, seja a mídia”.

Redes sociais estimulam reinvenção da democracia
Por Marcelo Semer

Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem.

A frase era uma das várias que preenchiam cartazes da Marcha da Liberdade, sábado último na avenida Paulista, passeata que se repetiu em várias outras cidades do país.

Muito além da maconha, que detonou o processo de discussão do direito às manifestações, as ruas estão se tornando palcos de marchas de muitas liberdades.

Estavam lá, é verdade, os que defendiam a plenos pulmões, a legalização da droga, debate de que dificilmente conseguiremos escapar nos próximos meses.

Mas não estavam sós.

Juntaram-se ciclistas indignados com o crescimento das mortes no trânsito, nas cidades que não lhes dão espaço.

E também feministas, indignadas com a ideia de que as vítimas sejam instigadoras de estupros -propagadas até por um bispo.

Defensores dos direitos de homossexuais clamavam pela incorporação da homofobia em um direito penal que prima pela tutela da propriedade e se dedica em grande medida à criminalização da pobreza.

Estudantes pulavam pelo passe livre e contra os abusivos preços das tarifas de ônibus.

Se havia alguma coisa em comum entre aqueles que pediam democracia direta, 10% do PIB para a educação ou a rejeição do Código Florestal, era justamente o direito de estar na rua para defender um direito. (Texto completo)

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A REVOLUÇÃO AGORA É TUITADA

O twitter se tornou, por diversos motivos, o meio de comunicação mais democrático da atualidade, capaz de potencializar as atitudes e sentimentos humanos fazendo com que estes atinjam um alcançe muito maior do que o da televisão, por exemplo. A internet e o advento das redes sociais fizeram com que a sociedade atual deixasse de ser aquela dos meios de comunicação de massa (rádio e televisão), para ser a sociedade regida pelos meios de comunicação do instante (a internet).

Pelas suas particularidades, o twitter já vem sendo estudado como uma ferramenta de difusão rápida e extremamente ampla de informações. Para confirmar e aprofundar esse dado, a recente atividade revolucionária no mundo árabe revelou que o twitter desponta na atualidade como a nova via da revolução, isso porque a organização dos movimentos na Líbia, no Egito e na Tunísia deu-se, principalmente, via twitter.

O twitter foi a ferramenta que organizou e potencializou o sentimento revolucionário e a vontade democrática de milhares de pessoas, através dele eram marcados encontros, manifestações, discutidas possíveis atitudes e, principalmente, as informações sobre o movimento eram enviadas de forma direta para os meios de comunicação nacionais e estrangeiros, em outras palavras, a revolução foi tuitada, não mais televisionada.

Além de ter servido como suporte para as atitudes revolucionárias no mundo árabe, o twitter também foi usado depois do desastre do terremoto no Japão por familiares em busca de notícias sobre parentes e vítimas. A função social da rede fica assim explícita.

Um conjunto de entrevistas com professores e pesquisadores que discutem o potencial do twitter na era do conhecimento e da informação publicada pela revista Carta Capital, revela os traços e as sutilezas dessa incrível transformação histórica que vem se desenhando diante dos nossos olhos.

Entre outras coisas, eles lembram que o twitter consegue captar e responder a uma demanda muito grande e instantânea de informação, o que muitas vezes não pode ser feito pelos meios de comunicação tradicionais devido à sua própria natureza, no entanto, alertam para o fato de que o twitter ainda é uma ferramenta sujeita a certo controle por parte do estado, como aconteceu com o próprio Egito, cujo governo bloqueou o acesso ao microblog quando percebeu o seu potencial.

Veja trecho do texto publicado no site da Carta Capital:

Twitter: a nova via da revolução?
Envolverde
Por Redação IHU

No Egito, os manifestantes derrubaram Hosni Mubarak depois de 30 anos no poder. As organizações dos movimentos se deram através do Twitter e do Facebook. Antes disso, na Tunísia, a população usa o Facebook e o Twitter para organizar manifestações que resultaram na destituição do presidente Ben Ali. Este episódio ficou conhecido como “revolução na Tunísia foi tuitada”, numa menção ao documentário “A revolução não será televisionada”, que apresenta os acontecimentos do golpe contra o governo do presidente Hugo Chávez, em abril de 2002. Na Líbia, o Conselho Nacional transitório, órgão criado pelos rebeldes, abriu uma conta no Twitter para se comunicar com os meios de comunicação nacionais e estrangeiros de forma direta. Após o terremoto que vitimou mais de dez mil pessoas no Japão, o povo usa o microblog para buscar informações sobre parentes e vítimas.

Não há como negar que o Twitter se tornou o meio de comunicação mais democrático da atualidade. “Não podemos dizer que, no caso da Líbia, Egito e Tunísia, foram as redes sociais que revolucionaram o movimento. O movimento já existia, a insatisfação popular já existia, só que as redes sociais potencializam a forma de atuação. Então, elas permitem que mais pessoas postem mais coisas, mesmo em regimes ditatoriais cujo controle é de ordem máxima”, explica a professora Pollyana Ferrari durante a entrevista que concedeu à IHU On-Line. Ela é complementada pela professora Adriana Amaral, que diz: “O poder revolucionário está nas pessoas, mas as redes potencializam e redistribuem esse poder, para o bem ou para o mal. Houve uma demanda que as mídias massivas de repente não estavam conseguindo contemplar”. Na mesma entrevista, a professora Sandra Montardo afirma que o papel do Twitter é importante porque está sendo utilizado em busca da democracia. Porém, ainda que o potencial do microblog esteja em alta, ele ainda sofre controle. O próprio Egito bloqueou o acesso ao sítio (twitter.com) quando percebeu seu potencial. “A internet e as plataformas que vieram com ela funcionam muito para ajudar a comunicação, a circulação de informação, mas ainda são fortemente controladas”, aponta Matheus Lock dos Santos. As quatro entrevistas foram concedidas por telefone à IHU On-Line.

Sandra Montardo é doutora em Comunicação Social pela PUCRS e professora de Ambientes Digitais na Feevale.

Pollyana Ferrari é doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo. É autora de A força da mídia social: interface e linguagem jornalística no ambiente digital (São Paulo: Factash, 2010).

Adriana Amaral é doutora em Comunicação Social pela PUCRS e professora de Jornalismo Online na Universidade do Vale do Rio dos Sinos.

Matheus Lock dos Santos é mestrando em Comunicação e Informação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul onde apresentará a pesquisa intitulada Manifestações em 140 caracteres: a mobilização popular e a formação de redes sociais no Twitter para o debate e confronto político.

Confira as entrevistas.

IHU On-Line – Como você avalia o uso das redes sociais em conflitos recentes, como no Egito, na Líbia e, até em desastres naturais, como no Japão?

Sandra Montardo – Parece-me fundamental o uso de tais ferramentas até para, de certa forma, determinar alguns destes acontecimentos. Por exemplo, li em uma reportagem que primeiro houve uma revolução na Tunísia e que os tunisianos avisaram via Facebook sobre os acontecimentos. Eles colocavam formas de se proteger em protestos, de escapar de bombas de gás lacrimogêneo, divulgando formas de como se organizar. Houve, então, uma troca de informações entre os tunisianos e os egípcios. Este é um belo exemplo de como a rede está sendo utilizada para a democracia.

Pollyana Ferrari – Esse é um excelente uso. Sempre falei que as redes sociais, principalmente Twitter e Facebook, tinham muita capacidade de uso político e para ajuda humanitária. A Cruz Vermelha, por exemplo, está fazendo um excelente trabalho no caso do Japão. O Greenpeace, na questão do vazamento nuclear, também está fazendo uma excelente cobertura utilizando as redes sociais. Porém, não podemos dizer que no caso da Líbia, Egito e Tunísia foram as redes sociais que revolucionaram o movimento. O movimento já existia, a insatisfação popular já existia, só que as redes sociais potencializam a forma de atuação. Então, elas permitem que mais pessoas postem mais coisas, mesmo em regimes ditatoriais cujo controle é de ordem máxima.

Adriana Amaral – As redes sociais estão mostrando que são artefatos que estão presentes cada vez mais presentes no cotidiano das pessoas. E as pessoas vão se apropriando delas conforme suas experiências culturais, suas relações.

Matheus Lock dos Santos – Vejo a utilização das redes sociais mais como uma plataforma de engajamento político que vai ajudar movimentos sociais populares, como aconteceu no Irã em 2008, como uma forma de complemento em relação à comunicação. Várias pessoas estão falando que as redes sociais estão explodindo essas formas de movimentação e protesto. Mas, na verdade, é necessário ter um ambiente social muito mais em ebulição do que uma ferramenta para fazer um movimento social.

As redes sociais são muito importantes, sim, porque facilitam muito a circulação de informações. Elas não são, todavia, o foco principal. No Iêmen, por exemplo, a população é muito pobre, praticamente não tem acesso à internet. Mesmo assim a população está se articulando de forma incrível com as condições possíveis. Acho que elas são extremamente importantes, mas não podem levar o crédito todo. (Texto Completo)

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