Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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NO BRASIL DO SÉCULO XXI E COM AGRONEGÓCIO AINDA ESCRAVOCRATA, É NECESSÁRIO O POETA CRUZ E SOUZA

Imagem vagner carvalheiroESCRAVOCRATA

Oh! trânsfugas do bem que sob o manto régio
manhosos, agachados – bem como um crocodilo,
viveis sensualmente à luz dum privilégio
na pose bestial dum cágado tranqüilo.

Eu rio-me de vós e cravo-vos as setas
ardentes do olhar – formando uma vergasta
dos raios mil do sol, das iras dos poetas,
e vibro-vos à espinha – enquanto o grande basta.

O basta gigantesco, imenso, extraordinário –
da branca consciência – o rútilo sacrário
no tímpano do ouvido – audaz me não soar.

Eu quero em rude verso altivo adamastórico,
vermelho, colossal, d’estrépito, gongórico,
castrar-vos como um touro – ouvindo-vos urrar!

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BRASIL PROFUNDO: DONOS DA EPTV CONTROLAM USINA QUE TENTA DESALOJAR ASSENTAMENTO MILTON SANTOS

Donos da EPTV controlam usina que tenta despejar assentamento Milton Santos

Proprietários da Usina Ester, que tenta na Justiça expulsar 68 famílias de área considerada modelo em agroecologia, são donos da afiliada da Rede Globo em Campinas

Por Guilherme Zocchio/ Repórter Brasil

Antônio Carlos Coutinho Nogueira e José Bonifácio Coutinho Nogueira Filho, donos da EPTV, afiliada da Rede Globo em Campinas, estão a frente da Usina Ester, que conseguiu na Justiça Federal reintegração de posse da área em que fica o Assentamento Milton Santos, em Americana, no interior de São Paulo. Com a decisão, 68 famílias estão ameaçadas de despejo no próximo dia 30. A área é considerada modelo em técnicas de agroecologia e na produção de alimentos sem veneno. A Repórter Brasil tentou contato com ambos para obter uma posição sobre a situação por meio da assessoria de imprensa da Usina Ester e da rede EPTV, mas não obteve retorno. A assessoria da Usina limitou-se a informar que “aguarda o cumprimento da decisão judicial”.

Além dos dois empresários, representantes do  grupo Abdalla também têm interesse no processo. Foram eles que arrendaram o terreno para a Usina Ester e que hoje alegam serem os legítimos proprietários da área. Ninguém ligado ao grupo, que foi um dos mais poderosos do estado até a década de 1980, foi encontrado para comentar o caso.


Horta cresce no assentamento Milton Santos, que é referência em agroecologia e produz  verduras, frutas e raízes (Foto: Eduardo Kimpara / Flickr (CC))

Nos balanços financeiros da Usina Ester disponíveis para download no site da empresa, Antônio Carlos Coutinho Nogueira figura como presidente da companhia, e José Bonifácio Coutinho Nogueira Filho, seu irmão, como acionista e membro do conselho administrativo, ao lado de outros parentes. Eles detêm a concessão de 5 veículos —duas estações de rádios e três canais de televisão, quatro em São Paulo e um em Minas Gerais—, segundo informações do site “Os Donos da Mídia”, que reúne informações sobre os principais proprietários de canais de mídia do país (veja o perfil de Antônio Carlos e de José Bonifácio na página do projeto).

Os irmãos José e Antônio, concessionários de mídia
e acionistas da Usina Ester (Foto: Divulgação)

Ambos são filhos de José Bonifácio Coutinho Nogueira, ex-diretor da TV Cultura que fundou em 1979 o grupo das Emissoras Pioneiras de Televisão (EPTV), conjunto de retransmissoras da Rede Globo de Televisão no interior de São Paulo. Além das atividades como empresário no setor de comunicações, o fundador da EPTV também acumulou cargos e esteve próximo de figuras significativas da política brasileira. Foi secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, no governo de Carvalho Pinto (1959-1963), e secretário de Educação durante a gestão do governador biônico Paulo Egydio Martins (1975-1979).

A concentração de meios de comunicação nas mãos de políticos ou grandes grupos empresariais é um fenômeno recorrente no Brasil, de acordo com Pedro Ekman, membro de entidade da sociedade civil que estuda e trabalha sobre o direito à comunicação no país, o coletivo Intervozes. Ele explica que, como as concessões de rádio e televisão levam em conta muito mais um critério econômico do que social, isso tende a concentrar os meios de mídia nas mãos de poucos grupos ou pessoas com maior poder aquisitivo.

“A falta de uma política de redistribuição entre mais atores públicos e privados, de diferentes estratos sociais, acaba gerando essa coincidência entre proprietários de terras e concessionários de meios de comunicação”, avalia. (Texto Completo)

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MILITANTE DO MST E DEFENSOR DA AGROECOLOGIA, MAMEDE GOMES DE OLIVEIRA, É ASSASSINADO NO PARÁ

Fonte: site do MST

Do site do MST

Por volta das 17h de domingo (23), foi assassinado Mamede Gomes de Oliveira, histórico militante do MST do estado do Pará, que tinha 58 anos.

O “seu Mamede” foi morto dentro de seu lote na região metropolitana de Belém, com dois tiros disparados por Luis Henrique Pinheiro, preso logo após o assassinato.

Nascido no Piauí, ele ainda criança foi para Pedreira, no Maranhão, e logo depois veio para o Pará.

Atuou nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), no município de Ananindeua, antes de ir para a ocupação da Fazenda Taba em 1999, hoje Assentamento Mártires de Abril. Neste período, se tornou militante do MST.

Grande lutador e defensor da Agroecologia, nunca abandonou a luta. Tinha certeza de como faria a sua ofensiva ao capital e sempre foi um bom dirigente e educador.

Mamede era uma grande referência na prática da Agroecologia e criou o Lote Agroecológico de Produção Orgânica (Lapo), onde desenvolvia experiências de agricultura familiar para comercialização e consumo próprio.

Mamede Gomes de Oliveira não foi apenas mais uma vítima da violência banal, como a grande imprensa do estado está tratando o caso.

O MST exige que o assassinato de “seu Mamede” seja apurado e que este caso não fique impune. (TextoCompleto)

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A GRILAGEM DE TERRA E DA MÍDIA SE ESPELHAM E SÃO O ESPELHO DA DESIGUALDADE NO BRASIL

Reforma agrária no ar
Eduardo Sales de Lima da Redação
Para Silvio Mieli, jornalista e professor da faculdade de Comunicação e Filosofia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), a concentração de poder nos meios de comunicação é um espelho da concentração fundiária. “Os primeiros grilaram terras públicas ou compraram terras de grileiros. Os últimos se apossaram do espectro eletromagnético por favorecimentos políticos e pelo poder econômico, ou ambos os casos.”
A opinião do jornalista soma-se às recentes manifestações pela democratização na comunicação no Brasil, como a que ocorreu no dia 15 de outubro, em frente ao hotel Renassaince, onde estava ocorrendo um encontro da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa). Na ocasião, representantes do Coletivo Intervozes e do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), entre outras organizações, levantaram cartazes denunciando abusos praticados por emissoras de rádio e televisão, jornais e revistas.
Aliás, uma das conclusões do recente estudo do pesquisador Tiago Cubas, do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (Nera/Unesp), “São Paulo Agrário: representações da disputa territorial entre camponeses e ruralistas de 1988 a 2009”, vai justamente nessa direção. A de que a mídia corporativa totaliza a visão das relações capitalistas no campo; daí estereotipa e não aceita sujeitos e modos de produção alternativos.
Na entrevista a seguir, Silvio Mieli analisa a atual conjuntura de luta pela democratização da comunicação no Brasil.
Brasil de Fato– Há tempos existe a violência física cometida pelo poder público ou privado sobre os sem-terras, por meio de policiais e seguranças. A cobertura mídia tradicional aborda tais ocorrências de forma tendenciosa. Por que a violência contra o pobre é tão naturalizada e até ignorada pela mídia corporativa até hoje?
Silvio Mieli – Em primeiro lugar é preciso lembrar que a mídia é ultraconservadora. O conservador acha natural que 1 bilhão de pessoas passem fome no mundo. Também passa a ser natural — e típico dos conservadores — que se use de violência contra aqueles que querem sair dessa situação. Como diz o filósofo Giorgio Agamben, a mídia gosta de pessoas indignadas, porém passivas. Os grandes jornais não terão nenhum prurido em mostrar crianças famintas num lixão qualquer da vida, mas reprovarão veementemente qualquer ação direta para corrigir essa injustiça. Ora, o mesmo modelo de concentração fundiária se espelhou para os meios de comunicação no Brasil. Os primeiros grilaram terras públicas ou compraram terras de grileiros. Os últimos se apossaram do espectro eletromagnético por favorecimentos políticos e pelo poder econômico, ou ambos os casos. É por essas e outras que o sistema é capaz de tudo quando se trata de discutir a propriedade da terra ou de um meio de comunicação. Não por acaso o slogan da democratização dos meios de comunicação nos anos 1980 era: Reforma Agrária no Ar. Na terra como na mídia estamos lidando com os mesmos problemas: a questão da propriedade, o seu uso social e quais modelos de desenvolvimento devem ser colocados em prática.
Em termos práticos, que tipo de relação existe entre os jornais locais (e os nacionais) e o agronegócio para tratar os camponeses pobres sempre de forma criminosa?
Todas as famílias que monopolizam os meios de comunicação no Brasil são (direta ou indiretamente) grandes proprietários de terra. A família Saad (grupo Bandeirantes), que recentemente também entrou no ramo da mídia impressa, é de grandes pecuaristas, Octávio Frias (pai) era um dos maiores granjeiros do país.Portanto, além do servilismo ao poder, existem interesses diretos no setor. Muitos políticos, mesmo os que se acham muito poderosos, viraram office-boys das grandes corporações. Quanto aos grandes veículos de comunicação, transformaram-se em promoters de eventos dessas grandes empresas.
Após a chamada “redemocratização” (pós-ditadura), qual tem sido o peso das mídias (locais e nacionais) no processo de naturalização da violência aos pobres e sem-terras e no entrave à reforma agrária?
Costumo dizer que a mídia não é o 4o. poder, mas o 5o elemento. Temos a água, terra, fogo, ar e… os meios de comunicação. Vivemos imersos neles. Daí a importância da qualidade do que se produz nesse meio. Mas no nosso caso brasileiro, será que podemos falar realmente de “redemocratizacão” se, dentre tantos problemas herdados da ditadura, o acesso aos meios é tão limitado ? Eis uma outra dimensão da vida nacional que vive num estado de exceção permanente. A ditadura configurou um modelo comunicacional que, mesmo findo o regime militar, continua de pé. É só pesquisar o papel da mídia corporativa nos últimos grandes embates relativos às questões ambientais e agrárias para verificar como se comportam (Raposa Serra do Sol, MP 458, Código Florestal, Belo Monte…). (Texto integral)

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MAIS DE 100 MIL ASSENTADOS IRREGULARES JÁ FORAM EXCLUÍDOS PELO INCRA DO PROGRAMA NACIONAL DE REFORMA AGRÁRIA

O presidente do Incra, Celso Lisboa de Lacerda, no lançamento de campanha nacional para coibir a venda de lotes de reforma agrária

A maioria dos autênticos programas sociais não termina quando o benefício é dado e sim quando o benefício é capaz de se manter e ser multiplicado. A escravidão não foi resolvida simplesmente quando a abolição foi concedida. Os negros viram-se de um dia para o outro livres e sem ter para onde ir. Da mesma forma, o problema da distribuição de terras, ou, da reforma agrária, não se resolve quando a terra é simplesmente dada e sim quando as condições para que uma família viva nesta terra são criadas.

A prova de que o ciclo da reforma agrária não vem se fechando de forma satisfatória no país é o fato de que no período de dez anos, o Incra, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, excluiu 103 mil beneficiários do programa por irregularidades. A maioria das exclusões foi motivada por abandono da terra concedida, seguida por casos de venda irregular de lotes dos assentamentos.

A comercialização dos lotes da reforma agrária é proibida porque a terra é considerada um bem público até o titulado pagar pelo título. O fato é que a maioria das pessoas desconhece a lei e acaba vendendo lotes que, muitas vezes, acabam sendo utilizados para fins totalmente diversos do da distribuição igualitária e mais democrática da terra, como por exemplo para a construção de mansões à beira-mar, como aconteceu em um assentamento no litoral da Bahia.

Esses e outros dados estão presentes em notícia publicada pela Agência Brasil que mostra também a falta de infraestrutura dos assentamentos, o que faz com que a permanência de muitas famílias nos lotes se torne inviável. Por fim, as famílias acabam decidindo por abandonar a terra.

Isso demonstra o quanto o processo de qualificação da reforma agrária ainda é longo. Dar a terra é muito pouco e os verdadeiros programas sociais são aqueles que se acostumam a pensar mais à frente, no depois.

Veja texto sobre o assunto com mais informações:

Incra excluiu mais de 100 mil assentados por irregularidades em dez anos
Por Luana Lourenço

Brasília – Em dez anos, 103 mil beneficiários da reforma agrária foram excluídos do programa por irregularidades. A maioria das exclusões, 44%, foi motivada por abandono da terra. Em seguida, estão os casos de venda irregular de lotes dos assentamentos, com 35% das exclusões.

Os números são do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que lançou hoje (25) uma campanha para coibir a compra e venda ilegal de lotes da reforma agrária. De janeiro de 2001 a julho de 2011, o Incra excluiu 36,5 mil famílias que comercializaram as terras irregularmente. Pela lei, os lotes da reforma agrária não podem ser vendidos, alugados nem arrendados.

“Muitas pessoas desconhecem as regras da reforma agrária. Até o titulado pagar pelo título, a terra é pública. E tanto a compra quanto a venda são ilegais”, disse o presidente do Incra, Celso Lacerda, que lembrou o episódio recente de venda de lotes da reforma agrária em um assentamento no litoral da Bahia para construção de mansões à beira-mar. “Queremos coibir casos como o de Cumuruxatiba”.

No entanto, o principal motivo de exclusões do Programa Nacional de Reforma Agrária é o abandono dos lotes. Em 10 anos, 44 mil famílias deixaram para trás os assentamentos. Lacerda admite que muitas vezes a rotatividade está ligada à falta de infraestrutura dos assentamentos, que inviabiliza a permanência das famílias.

“Nenhuma família vai querer ficar num assentamento em que ela não consiga viver dignamente”, reconheceu. Segundo Fonseca, os problemas são mais comuns em assentamentos antigos, criados quando o processo de reforma agrária era “desqualificado”.

“Os primeiros assentamentos eram marginais, terras que ninguém queria. Nessas áreas até hoje a rotatividade é muito alta”. (Texto completo)

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COM A RETOMADA DA REFORMA AGRÁRIA, GOVERNO PRETENDE ASSENTAR AS CERCA DE 200 MIL FAMÍLIAS ACAMPADAS NO PAÍS
TERRA DE NINGUÉM: REGIÃO AMAZÔNICA VIROU PALCO DE CONFLITOS NO CAMPO, AMEAÇAS E MORTES JÁ SÃO FREQUENTES
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EDUCAÇÃO DE JOVENS EM ÁREAS RURAIS ESTÁ AMEAÇADA PELO FECHAMENTO DE ESCOLAS E FALTA DE MATERIAL DIDÁTICO

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De volta!

Para o MST, a retomada da reforma agrária como ponto de discussão pelo governo Dilma representou um marco na história recente da luta pela terra. Depois de uma intensa semana de pressão e manifestação dos trabalhadores rurais em Brasília e em outras regiões do país, o governo decidiu liberar, de imediato, R$ 400 milhões para compra de terras pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e preparar um programa de assentamentos com metas para os próximos três anos.

Segundo líderes da reforma agrária, o crédito suplementar ao Incra vai ajudar, pelo menos, 20 mil famílias. Já o programa de assentamentos pretende, segundo a presidente Dilma, assentar, de forma qualificada e definitiva, entre 2012 e 2014, as cerca de 200 mil famílias acampadas atualmente no país.

Além disso, deve ser anunciada a recém-criada Bolsa Verde, projeto do governo federal que funcionará de forma similar ao Bolsa Família oferecendo um pagamento periódico a pequenos agricultures que preservarem a vegetação de suas propriedades. Estima-se que mais 15 mil famílias serão beneficiadas.

Uma série de outras questões ainda estão sendo discutidas entre governo e os trabalhadores rurais, como mostra reportagem publicada pela Carta Maior:

Pressionado, governo Dilma anuncia retomada da reforma agrária
Por Najla Passos

Depois de uma semana de intensa pressão de milhares de camponeses acampados em Brasília, Palácio do Planalto diz que vai lançar programa de assentamentos para 2012-2014 e liberar R$ 400 milhões para o Incra imediatamente. “Vocês conseguiram recolocar a reforma agrária no centro da pauta de discussão do governo Dilma”, diz ministro Gilberto Carvalho. “Esta semana foi um marco histórico”, afirma MST.

BRASÍLIA – Pressionado durante toda a semana por milhares de trabalhadores rurais acampados em Brasília e em manifestações pelo país, o governo aceitou retomar a reforma agrária. Vai preparar um programa de assentamentos com metas para os próximos três anos. E liberar, de imediato, R$ 400 milhões para compra de terras pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

As medidas foram anunciadas na noite desta sexta-feira (26/08) pelo ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, após horas de negociações com lideranças da Via Campesina, que promovou a mobilização.

Principal interlocutor do Palácio do Planalto junto aos movimentos sociais, o ministro foi até o acampamento central improvisado por cerca de 4 mil camponeses, para fazer o anúncio. “Vocês conseguiram recolocar a reforma agrária no centro da pauta de discussão do governo Dilma”, disse Carvalho aos sem-terra.

Durante a semana, as principais entidades que lutam por terra no país promoveram mobilizações na capital federal e em diversos estados. Em Brasília, ocuparam o Ministério da Fazenda, participaram de passeatas e se reuniram com representantes de 11 ministérios. (Texto completo)

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AGRICULTURA FAMILIAR FAZ UMA REVOLUÇÃO NO CAMPO E GARANTE INFLAÇÃO BAIXA DOS ALIMENTOS

Agricultura familiar combate inflação e reduz pagamento de juros

A agricultura familiar, responsável por cerca de 70% de todos os alimentos que o brasileiro consome, é um dos grandes sucessos do governo do presidente Lula no combate à inflação.

A inflação dos alimentos é um dos principais itens que consomem a renda das camadas mais pobres da população. Quanto mais tecnologia na mão dos pequenos produtores rurais, mais alimentos serão produzidos, gerando mais renda e permitindo melhor qualidade de vida na área rural.

O próximo governo deveria desonerar ainda mais os equipamentos e tratores até 78 cavalos, fazendo com que qualquer pequeno produtor possa se equipar e aumentar sua produtividade.  São esses produtores os responsáveis pelo feijão, arroz, batata, hortifruti, mandioca e outros itens básicos. A desoneração desse setor faria o país economizar milhões de dólares com juros. Veja trecho da matéria sobre o tema publicado no site Brasil Atual em que mostra setor é responsável por 80% do comércio de máquinas e equipamentos de pequeno porte.

Crédito para agricultura familiar garante 80% das compras de pequenos tratores

Fabricantes de equipamentos agrícolas registram crescimento de 25% ao ano e aumentam participação no setor. Agricultores ganham produtividade

Por: Suzana Vier, Rede Brasil Atual

São Paulo – Dados do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) demonstram que linhas de crédito para a agricultura familiar foram responsáveis pela aquisição de 80,7% dos equipamentos rurais de pequeno porte em 2009. Com isso, o Mais Alimentos, vinculado ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) vem sendo decisivo para garantir crescimento de 25% ao ano no segmento da indústria de pequenos tratores e outros equipamentos.

As informações do MDA abrangem apenas os motocultivadores e tratores de 11 a 78 cavalos por meio do Mais Alimentos. Por isso, a participação da agricultura familiar como público dos pequenos equipamentos rurais tende a ser ainda mais significativa.

O aumento da demanda representa um papel de destaque no crescimento do segmento, segundo a Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA), da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). (Texto Integral)

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O ATOR WAGNER MOURA PARTICIPA DA LUTA PARA ACABAR COM O TRABALHO ESCRAVO NO BRASIL

O ATOR WAGNER MOURA PARTICIPA DA LUTA PARA ACABAR COM O TRABALHO ESCRAVO NO BRASIL

O ator Wagner Moura afirmou que o Brasil tem a oportunidade de mostrar ao mundo sua posição contra o trabalho escravo. “Não há justificativa para que alguém se oponha a essa PEC”, disse.(Rede de Comunicadores da Reforma Agrária)

Câmara recebe 280 mil assinaturas de apoio à PEC 438

Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438/2001, que prevê o confisco de terras de escravagistas, está parada desde 2004 na Câmara Federal. Matéria foi debatida no I Encontro Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo

Por Maurício Hashizume/Repórter Brasil

Fora da tela, um papel importante contra a violência no Brasil

Brasília (DF) – O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), recebeu, nesta quarta-feira (26), mais de 280 mil assinaturas do abaixo-assinado de apoio à aprovação imediata do confisco de terras de escravagistas.

A expropriação está prevista na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438/2001, que permanece estacionada, desde agosto de 2004, à espera de votação em 2o turno no Plenário da Câmara. A proposta já foi aprovada no Senado e passou em 1o turno no próprio Plenário da Câmara.

Na prática, o conteúdo do que prevê a PEC 438/2001 – assinada oficialmente pelo senador Ademir Andrade (PSB-PA), mas na qual está apensada a proposição pioneira no mesmo sentido apresentada pelo deputado federal Paulo Rocha (PT-PA) em 1995 – tramita há exatos 15 anos no Congresso Nacional.

Os ministros Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) e Carlos Lupi (Trabalho) estiveram presentes na entrega das centenas de milhares de adesões, bem como senadores – José Nery (PSol-PA) e Eduardo Suplicy (PT-SP) – e deputados federais – Chico Alencar (PSol-RJ), Luciana Genro (PSol-RS) e Paulo Rubem Santiago (PDT-PE). Também acompanharam a referida comitiva os atores Wagner Moura e Sérgio Mamberti, além de representantes de organizações da sociedade civil como a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos (CDVDH), de Açailândia (MA).

No ato de entrega que fez parte da programação do I Encontro Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, Michel Temer afirmou aos presentes que atuará para colocar a proposta em votação e citará a emenda na próxima reunião do Colégio de Líderes da Câmara, que define a pauta final do pleno. Pediu ainda ajuda da sociedade civil e dos outros parlamentares no convencimento de seus pares. Levantamento realizado pela Repórter Brasil em março deste ano mostrou a escassa disposição, entre os principais líderes da Casa, de aprovar definitivamente a matéria ainda nesta legislatura. (Texto Integral no Repórter Brasil)

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REPÓRTER BRASIL: A CONCENTRAÇÃO DE RENDA NA ÁREA RURAL DO BRASIL É UMA DAS MAIORES DO MUNDO

Veja abaixo trecho de matéria publicada pelo Repórter Brasil:

A concentração de renda dos domicílios rurais brasileiros, aferida segundo o índice de Gini, atinge 0,727. Guardadas as devidas particularidades e apenas a titulo de comparação em termos de grandeza, no mundo todo, somente a Namíbia, com 0,743, apresenta índice maior, segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano 2009 das Nações Unidas. Quanto maior o índice (que vai de 0 a 1), maior a concentração.

Países com concentração acima 0,6 se enquadram nos “níveis extremamente altos de desigualdade social”. Além da Namíbia, apenas Comores (0,643) – formada por três ilhas entre a Costa Oriental de África e Madagascar – e Botsuana (0,61) fazem parte do grupo. O Brasil como um todo é o décimo da lista e faz parte das nações com “níveis muito altos de desigualdade social” (entre 0,5 e 0,6, no contexto internacional), atrás apenas dos três países africanos já citados e de Haiti (0,595), Angola (0,586), Colômbia (0,585), Bolívia (0,582), África do Sul (0,578) e Honduras (0,553).

“A questão da concentração do patrimônio rural no Brasil precisa ser resolvida. O fortalecimento da democracia implica distribuir melhor esse patrimônio”, comentou Brancolina Ferreira, coordenadora de Desenvolvimento Rural da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) e uma das autoras da publicação. “Grande parte da mídia demoniza os movimentos sociais que lutam pela reforma agrária. Eles contribuíram muito para a democratização no campo, que ainda tem um longo caminho a percorrer”, completou. (Texto integral no Repórter Brasil).

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POLÍTICAS EFETIVAS DE REFORMA AGRÁRIA E DISTRIBUIÇÃO TERRITORIAL PODERIAM EVITAR TRAGÉDIAS COMO AS DO RIO DE JANEIRO

Publico abaixo o comentário do internauta, Rafael Brandão, que faz uma ótima relação entre as tragédias provocadas pelas chuvas e a reforma agráriria.

Por Mauro Brandão

Na verdade, as tragédias em São Paulo e no Rio de Janeiro (leia-se tragédia como o resultado para as vidas e o sofrimento humano – os outros animais não estão incluídos neste termo) são consequências do fenômeno climático e as políticas públicas insanas que residem em nosso país a séculos.

Este modelo concentrador de renda em grandes centros, a ausência de uma reforma agrária e outras políticas de distribuição territorial de pólos econômicos faz com que o movimento migratório concentre desordenadamente a população. Aí, quando vem as chuvas, que estão fora do controle do homem, faz este arraso todo, assim como nós fazemos com as formigas quando aplicamos inseticidas, ou com as baratas, quando as esmagamos com aquela pisada nojenta. Mas as formigas e as baratas são mais sabias do que nós, tolos humanos. As formigas, por exemplo, não constroem formigueiros em áreas de inundação.
Que nós, pobres humanos, feitos à imagem e semelhança de Deus(hahahaha), possamos aprender com os bichos asquerosos, as baratas, os morcegos, os ratos, os escorpiões e as cobras. Eles são mais sensatos do que nós.
E a Veja, deveria ser entregue às baratas e às traças. Terão mais utilidade para eles. Para nós, mandemos para o lixo (reciclável, logicamente).

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SE IMPRENSA AGE COMO OPOSIÇÃO, POR QUE O GOVERNO E ESTATAIS ANUNCIAM NESSES VEÍCULOS?

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Feira de alimentos produzidos em assentamento

Em uma esclarecedora entrevista com Miguel Carter, professor da Amercian Universty, nos Estados Unidos, Paulo Henrique Amorim mostra que os ruralistas levam do povo brasileiro 25 vezes o valor em dinheiro que o governo investe em cooperativas de assentados. Até aí tudo bem, mas o que os ruralistas fazem com o dinheiro da população brasileira? Como o governo fiscaliza esse dinheiro? Por que a revista Veja só faz reportagem questionando verbas enviadas para o MST se os ruralistas levam 25 vezes mais?

Matematicamente falando, se houver um desvio de 10% nas verbas enviadas para os ruralistas, eles já teriam desviado 2 vezes e meia o total que o governo envia para a produção de todas as cooperativas de assentamentos, que em grande parte, produzem os alimentos que impedem a inflação de subir e entram na mesa do brasileiro.

Outro absurdo. Se o governo aumentar em 100% o repasse de verbas para cooperativas de assentados, esse valor não chegaria a 10% do valor repassado para entidades ruralistas. É estarrecedor! Se o governo quadruplicar o valor repassado para assentamentos, ainda seria uma miséria, uma esmola.

Veja abaixo trecho da entrevista de Paulo Henrique Amorim.

PHA – O capítulo se chama “Luta na terra, o MST e os assentamentos” –  é esse ?

MC – Exatamente. Há uma parte onde eu considero sete recursos internos que o MST desenvolveu para fortalecer sua atuação, nesse processo de fazer a luta na terra, de fortalecer as suas comunidades, seus assentamentos. E aí tem alguns detalhes, alguns números interessantes. Porque eu apresento dados do volume de recursos que são repassados para entidades parceiras por parte do Governo Federal. Eu sublinho no rodapé dessa mesma página o fato de que as principais entidades ruralistas do Brasil têm recebido 25 vezes mais subsídios do Governo Federal (do que o MST).  E o curioso de tudo isso é que só fiscalizado como pobre recebe recurso público. Mas, sobre os ricos, que recebem um volume de recursos 25 vezes maior que o dos pobres, (sobre isso) ninguém faz nenhuma pergunta, ninguém fiscaliza nada. Parece que ninguém tem interesse nisso. E aí o Governo Federal subsidia advogados, secretárias, férias, todo tipo de atividade dos ruralistas. Então chama a atenção que propriedade agrária no Brasil, ainda que modernizada e renovada, continua ter laços fortes com o poder e recebe  grande fatia de recursos públicos. Isso são dados do próprio Ministério da Agricultura,  mencionados também nesse capítulo. Ainda no Governo Lula, a agricultura empresarial recebeu sete vezes mais recursos públicos do que a agricultura familiar. Sendo que a  agricultura familiar emprega 80% ou mais dos trabalhadores rurais.

PHA –  Qual é a responsabilidade da agricultura familiar na produção de alimentos na economia brasileira ? Saiba mais

PAULO VANUCHI TENTA TIRAR O BRASIL DAS TREVAS COM O PLANO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS, MAS ABERT E RURALISTAS FICAM EM POLVOROSA

Vanuchi tenta jogar luz sobre o Brasil

O Plano Nacional de Direitos Humanos, elaborado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, é uma carta de intenções para tirar o Brasil das trevas, ou seja, diminuir a violência no campo, a desigualdade social, econômica e jurídica, o monopólio na comunicação, o trabalho infantil, a prostituição infantil, o trabalho escravo e outros. São temas que o país precisa enfrentar para alçar um patamar que a Europa e os Estados Unidos chegaram há mais de meio século.

Um grande mérito do plano, coordenado pelo ministro Paulo Vanuchi, é justamente mostrar que uma série de questões que mantêm a sociedade nesses níveis de violência e desigualdade faz parte dos direitos humanos.

O problema é o controle coronelista que existe hoje tanto na área rural quanto na comunicação. Abert (Associação Brasileira de Rádio e Televisão) equivale à UDR (União Democrática Ruralista) em suas respectivas áreas. São duas entidades a serviço da desigualdade social.

O Plano Nacional de Direitos Humanos não atinge em nada os setores do agronegócio ou das grandes empresas de mídia, mas faz propostas de estabelecimentos de marcos legais e regras onde não existe, etc. O problema é que essas entidades não querem regras onde elas podem mandar e desmandar, ou seja, querem manter uma terra sem lei no campo e na comunicação.
Veja abaixo alguns trechos do Plano Nacional de Direitos Humanos com algumas palavras-chaves em negrito, mostrando que o plano visa, na verdade, estabelecer no Brasil um estado de direito, principalmente no campo e na comunicação: Saiba mais

Reforma agrária da senadora Kátia Abreu é modelo invertido de distribuição

Em reportagem de Leandro Fortes para a Carta Capital. Nela, um exemplo invertido de política social.  Políticos com poder expulsam pequenos agricultores e criam grandes fazendas. (mais)

PESQUISA CNA/IBOPE SOBRE AGRICULTURA FAMILIAR PROVA QUE GOVERNO PRECISA INVESTIR MAIS EM REFORMA AGRÁRIA

A pesquisa CNA (Confederação Nacional da Agricultura)/Ibope sobre agricultura familiar  mostra o sucesso da perversa política empreendida pela entidade e pela bancada ruralista.

O levantamento CNA/Ibope mostra um efeito inverso ao que os realizadores tentaram mostrar. O problema não é a falta de capacidade de produção dos assentados, mas a falta de assistência governamental para os assentados graças às dificuldades que a própria CNA e a bancada ruralista impõem para dificultar o desenvolvimento da pequena propriedade.

A miséria dos assentamentos agrícolas é a cara da política desenvolvida pela CNA e pela bancada ruralista, isto é, inviabilizar as políticas de assistência ao pequeno agricultor.

É preciso  investir na reforma agrária para tirar essa população, que segundo a pesquisa, não está conseguindo renda suficiente.

É graças aos investimentos em agricultura familiar que a inflação dos alimentos está razoavelmente controlada. São os agricultores familiares, mesmo sendo 80% semianalfabetos,  que produzem a maior parte da comida presente na mesa dos brasileiros.

Se investir mais em agricultura familiar e reforma agrária, o governo resolve três problemas: melhora as condições de vida dos assentados, combate a inflação e diminui a violência nas áreas urbanas ao impedir que migrem para locais violentos das cidades.

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AGRICULTURA FAMILIAR ESTÁ AJUDANDO A SEGURAR A INFLAÇÃO E REDUZIR A FOME, DIFERENTE DAS GRANDES PROPRIEDADES RURAIS
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PODER JUDICIÁRIO DE GILMAR MENDES ESTÁ SENTADO EM CIMA DE 70 MILHÕES DE PROCESSOS E ELE QUER MAIS R$ 1,2 BI POR ANO COMO PRÊMIO PELA INEFICIÊNCIA

BAND ENTROU DE CABEÇA NA DEFESA DO LATIFÚNDIO E CANAL LIVRE SE TRANSFORMOU EM UM JORNAL DA TOSSE REMASTERIZADO

Jornal da Tosse em nova versão

Jornal da Tosse em nova versão

A rede de TV Bandeirantes entrou de cabeça nos últimos dias em defesa do latifúndio e dos grandes produtores rurais. A empresa sempre demonstrou a defesa dos interesses do latifúndio, mas dessa vez lavou a programação na última semana com uma campanha contra o aumento do índice de produtividade agrícola, que foi fixado há 30 anos.

A emissora usa uma concessão pública sem pudor para defender interesses ideológicos de um setor. Ideológicos porque a mudança no índice de produtividade não vai afetar em nada a lucratividade do agronegócio. Na verdade, tende a melhorar a produtividade, ao incentivar grandes produtores a aplicarem novas tecnologias. Além disso, o índice só pode ser aplicado em propriedades acima de 500 hectares (ou seja, 5 km quadrados).

O Portal imprensa traz uma crítica do deputado Dr Rosinha à campanha da TV Bandeirantes. O texto da reprotagem do Portal, assinado por Eduardo Neco diz:

O presidente da Frente Parlamentar da Terra no Congresso Nacional, deputado Dr.Rosinha (PT-PR), disse que o Grupo Bandeirantes de Comunicação pratica “antijornalismo” e atua com “má fé golpista” contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

“A posição da família Saad, dona do grupo Bandeirantes e de 16 fazendas com 4,5 mil hectares em São Paulo, é um exemplo nefasto de antijornalismo e de uso indevido de uma concessão pública para atender a interesses pessoais, privados”, acusou Dr. Rosinha. “É um tipo de má fé de natureza golpista, reacionária”, acrescentou.

A manifestação do deputado se refere à cobertura jornalística da emissora a respeito da atualização dos índices de produtividade rural, segundo informações do site do congressista. (Texto integral)

Não fosse isso, o Canal Livre, que tem toda uma produção moderna e arrojada para o debate político está mais parecido com o famoso e hilariante  Jornal da Tosse.

Para quem é muito jovem e não conhece, o jornal da Tosse era um jornal do meio-dia que comentava os principais assunto do dia. Ficou conhecido como jornal da Tosse não só pela idade avançada de alguns participantes, mas principalmente pelo conservadorismo e pelas posições reacionárias que apresentava.  Mesmo porque não é idade que define uma postura reacionária. Figuras frequentes no programa eram, vejam só: Arnaldo Faria de Sá, João Mellão Neto e José Serra.

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Bancada ruralista tem empréstimos subsidiados, mas não quer aumentar a produtividade

Grandes fazendeiros têm empréstimos subsidiados, mas não querem aumentar a produtividade

Dois temas importantes que entraram em debate nesta semana mostram que o governo de Lula é progressista e tenta melhorar as condições de vida da sociedade. O problema é a própria sociedade, o PMDB, os ruralistas e a elite econômica e suas organizações.

O primeiro tenta reduzir a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas. A redução é mínima, não deixaria nenhum empresário mais pobre, mas ajudaria em muito o país ao gerar novos empregos, além de diminuir o desgaste do trabalhador e dar melhor condição de vida, principalmente para profissões mais desgastantes.

Mas as entidades empresariais atuam de forma ideológica, disposta a não ceder nada. Querem apenas receber investimento de infraestrutura, financiamento com juros baixo e outros tantos projetos importantes realizados pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A elite econômica organizada do país tem um simples pensamento: “quero tudo e não cedo nada”. A proposta é defendida pelo governo, pelo ministro do Trabalho, Carlos Luppi, mas não adianta.

O segundo tema importante é o aumento do critério de produtividade da terra para reforma agrária, que tem critérios definidos com parâmetros de 1975. Esse é um tema dos mais importantes e necessários. O índice de produtividade está desatualizado e impede que áreas bastante improdutivas sejam desapropriadas para reforma agrária.

A reforma agrária no Brasil também não avança, mesmo com o governo Lula.  Os ruralistas travam qualquer avanço, qualquer migalha, mas arrastam infinitamente os empréstimos em bancos públicos.  Isso é razão ideológica.  A mudança não vai afetar nenhuma propriedade produtiva, não vai retirar um centavo do bolso dos ruralistas, mas eles não admitem qualquer avanço.  O Brasil se arrasta.

É por essas e outras que continuamos no terceiro mundo, mesmo tento o governo do presidente Lula tentado melhorar a situação. No governo anterior, o debate era outro: tirar direitos dos trabalhadores, privatizar e criar leis para dificultar a reforma agrária.

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Sem terra é executado com tiro nas costas pela polícia gaúcha

Clarissa Pont/Da carta maior

PORTO ALEGRE – O sem terra Elton Brum da Silva foi morto na manhã desta sexta-feira (21) em São Gabriel, no Rio Grande do Sul, com um tiro pelas costas, desferido por uma espingarda calibre 12 durante desocupação, pela Brigada Militar (a Polícia Militar gaúcha), da Fazenda Southall. O assassinato ocorreu por volta das 8 horas da manhã. Elton deu entrada no hospital quase duas horas depois. O MST, em nota oficial, lamentou com pesar o ocorrido e responsabilizou o governo Yeda Crusius (PSDB), o Ministério Público do RS e a Justiça. Não é a primeira vez que a Brigada Militar usa de truculência durante reintegrações de posse, aliás, a violência contra os movimentos sociais instaurada desde o início do Governo Yeda denota opção clara por tratar as questões sociais, como a Reforma Agrária, como caso de polícia.

“Eu não tava próximo tão próximo no momento dos tiros porque a gente se dividiu em dois grupos. Quando Elton foi atingido, ele estava na frente da trincheira e a cavalaria da Brigada entrou por trás, eram cerca de 80 deles, com espadas. A ação foi muito violenta, tem companheiro nosso com a perna cortada por espada. Quando eu ouvi os disparos, a gente tentou ver o que tinha acontecido, mas foi formado um cordão ao redor pelo batalhão. Nós não podíamos nem abrir os olhos, todos no chão, e eles continuavam batendo. Isso durou uns vinte minutos. Bombas de gás foram jogadas nas crianças, que estavam em grupo que tentávamos proteger. Depois que tudo acalmou, deixaram que nós entrássemos de 10 em 10 pessoas para recolher colchões e coisas do gênero. Foi aí que vimos que, onde aconteceram os tiros, havia uma lona preta, com muito sangue embaixo”.

O relato é de Rodrigo Escobar, militante do MST, que esteve na ação em São Gabriel. Na conversa por telefone com Carta Maior, Escobar contou que muitas crianças foram levadas ao hospital e que os números de feridos divulgados pela imprensa durante o dia não são nem uma pequena amostra do que aconteceu na Fazenda Southall. Além disso, relatou que o comando da ação movida pela Brigada era confuso, e que nem os próprios oficiais presentes se entendiam. “Enquanto uns mandavam ir pra cima, outros diziam para recuar”, disse. Quase duas horas depois, Brum chegou sem vida ao Hospital Santa Casa de Caridade, por volta das 9h40min da manhã. Uma mulher e uma criança também ficaram feridas no confronto, provavelmente com estilhaços do disparo que atingiu o militante.

Nas primeiras horas da manhã, as informações repassadas à imprensa pela Brigada Militar atribuíam a morte de Brum a um mal súbito. O assassinato só foi confirmado na metade da manhã. O ex-ouvidor agrário do Governo Yeda e também ex-ouvidor da Segurança Pública, Adão Paiani, disse que o sem-terra Brum foi morto pela Brigada Militar. Paiani relatou que foi procurado, na condição de ex-ouvidor da segurança pública, por um oficial da BM que assistiu à desocupação da fazenda. Esse oficial teria relatado que o manifestante foi morto durante discussão com um oficial da BM que atua na região da Fronteira. Brum teria dito alguns palavrões para o oficial, que revidou com um tiro de espingarda. O próprio oficial e alguns soldados teriam providenciado a remoção de Brum, ainda vivo, para o hospital de São Gabriel, numa viatura da BM. Ele não portava arma de fogo.
“Extremamente profissional”
Lisiane Vilagrande, promotora de São Gabriel, acompanhou a ação da Brigada durante a desocupação desde as 5h da manhã desta sexta-feira. Segundo ela, a ação “foi extremamente profissional. Em momento nenhum eu senti alguma tensão ou nervosismo por parte dos policias militares que executavam a ação. Foi tudo muito rápido”. (Texto Integral – Carta Maior)

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Teatro desenvolvido pelo MST busca conscientizar sobre temas além da reforma agrária

Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil

Agostinho Reis produz teatro no MST

Agostinho Reis produz teatro no MST

Brasília – É por meio do teatro que Agostinho Reis, 34 anos, dá sua principal parcela de contribuição para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Casado e pai de dois filhos, desenvolve oficinas de teatro em acampamentos e assentamentos, onde estimula, por meio de peças, discussões sobre temas considerados relevantes para – e por – a comunidade.

“Um dos temas mais importantes entre os que abordamos é o da criminalização dos movimentos sociais no Brasil”, disse. “O que nos motivou a fazer isso é o fato de muitas vezes termos sido classificados como terroristas por outros setores da sociedade”, afirmou.

A violência doméstica é outro tema que já fez parte das peças, geralmente apresentadas na rua ou em palcos improvisados nos acampamentos do MST. “Mas não ficamos restritos ao público interno. Usamos as peças para estimular o debate com a sociedade e com pessoas não ligadas ao movimento”, disse.

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GILMAR MENDES SE INDIGNOU COM A MORTE DE 4 CAPANGAS DE FAZENDEIRO, MAS NÃO COM MAIS DE MIL ASSASSINATOS DE TRABALHADORES SEM-TERRA

Comissão Pastoral da Terra se manifesta contra incapacidade do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes (colocado no STF por Fernando Henrique Cardoso) de se colocar como integrante do judiciário. Mesmo sendo ministro da mais alta corte, ele sempre se manifesta em favor dos detentores do poder.

Ai dos que coam mosquitos e engolem camelos” (MT 23,24)

Nota Pública sobre as declarações do presidente do STF, Gilmar Mendes


A Coordenação Nacional da CPT diante das manifestações do presidente do STF, Gilmar Mendes, vem a público se manifestar.


No dia 25 de fevereiro, à raiz da morte de quatro seguranças armados de fazendas no Pernambuco e de ocupações de terras no Pontal do Paranapanema, o ministro acusou os movimentos de praticarem ações ilegais e criticou o poder executivo de cometer ato ilícito por repassar recursos públicos para quem, segundo ele, pratica ações ilegais. Cobrou do Ministério Público investigação sobre tais repasses. No dia 4 de março, voltou à carga discordando do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, para quem o repasse de dinheiro público a entidades que “invadem” propriedades públicas ou privadas, como o MST, não deve ser classificado automaticamente como crime.O ministro, então, anunciou a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do qual ele mesmo é presidente, de recomendar aos tribunais de todo o país que seja dada prioridade a ações sobre conflitos fundiários.

Esta medida de dar prioridade aos conflitos agrários era mais do que necessária. Quem sabe com ela aconteça o julgamento das apelações dos responsáveis pelo massacre de Eldorado de Carajás, (PA), sucedido em 1996; tenha um desfecho o processo do massacre de Corumbiara, (RO), (1995); seja por fim julgada a chacina dos fiscais do Ministério do Trabalho, em Unaí, MG (2004); seja também julgado o massacre de sem terras, em Felisburgo (MG) 2004; o mesmo acontecendo com o arrastado julgamento do assassinato de Irmã Dorothy Stang, em Anapu (PA) no ano de2005, e cuja federalização foi negada pelo STJ, em 2005.

Quem sabe com esta medida possam ser analisados os mais de mil e quinhentos casos de assassinato de trabalhadores do campo. A CPT, com efeito, registrou de 1985 a 2007, 1.117 ocorrências de conflitos com a morte de 1.493 trabalhadores. (Em 2008, ainda dados parciais, são 23 os assassinatos). Destas 1.117 ocorrências, só 85 foram julgadas até hoje, tendo sido condenados 71 executores dos crimes e absolvidos 49 e condenados somente 19 mandantes, dos quais nenhum se encontra preso. Ou aguardam julgamento das apelações em liberdade, ou fugiram da prisão, muitas vezes pela porta da frente, ou morreram.

Causa estranheza, porém, o fato desta medida estar sendo tomada neste momento. A prioridade pedida pelo CNJ será para o conjunto dos conflitos fundiários ou para levantar as ações dos sem terra a fim de incriminá-los? Pelo que se pode deduzir da fala do presidente do STF, “faltam só dois anos para o fim do governo Lula”… e não se pode esperar, “pois estamos falando de mortes” nos parece ser a segunda alternativa, pois conflitos fundiários, seguidos de mortes, são constantes. Alguém já viu, por acaso, este presidente do Supremo se levantar contra a violência que se abate sobre os trabalhadores do campo, ou denunciar a grilagem de terras públicas, ou cobrar medidas contra os fazendeiros que exploram mão-de-obra escrava?

Ao contrário, o ministro vem se mostrando insistentemente zeloso em cobrar do governo as migalhas repassadas aos movimentos que hoje abastecem dezenas de cidades brasileiras com os produtos dos seus assentamentos, que conseguiram, com sua produção, elevar a renda de diversos municípios, além de suprirem o poder público em ações de educação, de assistência técnica, e em ações comunitárias. O ministro não faz a mesma cobrança em relação ao repasse de vultosos recursos ao agronegócio e às suas entidades de classe.

Pelas intervenções do ministro se deduz que ele vê na organização dos trabalhadores sem terra, sobretudo no MST, uma ameaça constante aos direitos constitucionais.

O ministro Gilmar Mendes não esconde sua parcialidade e de que lado está. Como grande proprietário de terra no Mato Grosso ele é um representante das elites brasileiras, ciosas dos seus privilégios. Para ele e para elas os que valem, são os que impulsionam o “progresso”, embora ao preço do desvio de recursos, da grilagem de terras, da destruição do meio-ambiente, e da exploração da mão de obra em condições análogas às de trabalho escravo. Gilmar Mendes escancara aos olhos da Nação a realidade do poder judiciário que, com raras exceções, vem colocando o direito à propriedade da terra como um direito absoluto e relativiza a sua função social. O poder judiciário, na maioria das vezes leniente com a classe dominante é agílimo para atender suas demandas contra os pequenos e extremamente lento ou omisso em face das justas reivindicações destes. Exemplo disso foi a veloz libertação do banqueiro Daniel Dantas, também grande latifundiário no Pará, mesmo pesando sobre ele acusações muito sérias, inclusive de tentativa de corrupção.

O Evangelho é incisivo ao denunciar a hipocrisia reinante nas altas esferas do poder: “Ai de vocês, guias cegos, vocês coam um mosquito, mas engolem um camelo” (MT 23,23-24).

Que o Deus de Justiça ilumine nosso País e o livre de juízes como Gilmar Mendes!

Goiânia, 6 de março de 2009.


Dom Xavier Gilles de Maupeou d’Ableiges

Presidente da Comissão Pastoral da Terra


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REFORMA AGRÁRIA PRECISA ESTAR ASSOCIADA AO DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS COM MAIOR VALOR AGREGADO

A notícia abaixo mostra que o sucesso da reforma agrária depende de uma associação à industrialização da produção. Apenas uma fábrica neste caso pode melhorar a condição de assentados.

Fábrica de assentado paraibano vendeu 75 toneladas de polpas de frutas em 2008

Ministério do Desenvolvimento Agrário

A fábrica de polpas de frutas congeladas do assentado Joaquim Luiz da Silva começou a funcionar no início de 2007, dando emprego e renda à mulher, a dois filhos e a outras quatro pessoas do Projeto de Assentamento Canudos, no município de Cruz do Espírito Santo, a 55 quilômetros de João Pessoa. Agora, a família comemora a venda de 75 toneladas do produto durante o ano de 2008 e já faz planos para aumentar a produção da fábrica e conquistar novos clientes.

Segundo Silva, a idéia inicial era aproveitar apenas a polpa do caju plantado em larga escala em assentamentos da região da Zona da Mata paraibana, mas a iniciativa teve tanto sucesso que, em menos de um ano de funcionamento da fábrica, além do caju, a família passou a comprar abacaxi, manga, maracujá, graviola, acerola, cajá e mangaba de 12 assentamentos vizinhos. A fábrica absorve ainda a produção de assentamentos de outros municípios, num raio de mais de 100 quilômetros. Ao todo, 10 empregos diretos e outros 30 indiretos dependem da fábrica de polpas.

“Antes havia muito desperdício. Do caju só era aproveitada a castanha e grande parte da produção das outras frutas também se perdia. Agora, estamos aproveitando tudo”, contou o assentado. A fábrica já possui 45 clientes fixos, incluindo escolas públicas de quatro municípios da região, um hospital e uma rede de lanchonetes da capital paraibana. “Estamos tentando fechar negócio com um rede de supermercados de João Pessoa”, acrescentou Silva.

A Polyfrutas, registrada no Ministério da Agricultura e no Conselho Regional de Química, produz atualmente cerca de 13 toneladas de polpa de fruta por mês, mas tem capacidade para produzir 30 toneladas.

Entre os projetos para 2009 estão: a aquisição de uma máquina embaladora automática com capacidade para embalar até quatro toneladas de polpa por dia e a compra de 10 congeladores para serem colocados em pontos de venda espalhados por João Pessoa. Seu Joaquim explicou que a máquina vai permitir a fabricação de embalagens com 100 gramas de polpa – atualmente as polpas são vendidas apenas em embalagens de um quilo. “Com estas embalagens menores vamos dar uma alavancada nas nossas vendas e, com certeza, conquistar mais clientes”, afirmou.

Esforço compensado

De acordo com Seu Joaquim, foram sete anos de muita economia para construir a fábrica com recursos próprios. Apenas o túnel de congelamento, com capacidade para 20 toneladas, foi adquirido com recursos do Banco do Nordeste.

Joaquim Silva explica que o negócio é gerido por ele e dois filhos. Um deles cuida da organização da produção; o outro é o administrador da fábrica. “O administrador sempre se mantém atualizado sobre o mercado e atento às licitações anunciadas pelas prefeituras paraibanas. A fábrica está presente com os produtos da reforma agrária, competindo com grandes empreendimentos”, disse o assentado.

REFORMA AGRÁRIA: UMA LUTA SEM FIM E COM MUITO SANGUE NO BRASIL E NA BOLÍVIA

Comentário:

Um livro-reportagem que mostra um Brasil que o Supremo não se indigna

Um livro-reportagem que mostra um Brasil que o Supremo não se indigna

Para quem quer saber um pouco sobre o que é a luta pela terra neste país, um ótimo livro é o Viúvas da Terra, de Klester Cavalcanti. Um livro belíssimo e escrito por um profissional com sensibilidade e inteligência.

Evo Morales pede à oposição que assine acordo para pacificar o país

Vladimir Platonow
Enviado especial

Cochabamba (Bolívia) – O presidente da Bolívia, Evo Morales, fez um apelo à oposição para assine um acordo geral que pacifique o país e ponha fim aos conflitos que tomaram as ruas de diversas cidades há cerca de duas semanas.

Morales disse que, caso o acordo não seja fechado ainda neste domingo (21) ele terá dificuldades para controlar os milhares de camponeses indígenas que marcham em direção a Santa Cruz. A cidade é o centro dos protestos da oposição, que deixaram diversos feridos e ocasionaram a invasão e destruição de órgãos públicos federais.

O presidente disse que não abre mão de convocar o referendo constitucional até o próximo dia 1º, contrariando proposta da oposição de adiar por 30 dias o anúncio.

A consulta aos eleitores está prevista para daqui a três meses, quando os bolivianos vão às urnas para dizer se aprovam ou não a nova Constituição e para definir o tamanho máximo que poderá ter uma propriedade rural: 5 mil ou 10 mil hectares.

Segundo Morales, a questão da reforma agrária é o verdadeiro motivo dos protestos da oposição, que teme perder terras e poder.

Morales cobrou da oposição a desocupação de prédios das instituições federais, invadidos há mais de duas semanas. Dos 50 prédios invadidos, 11 ainda estão em poder dos manifestantes, segundo informou o presidente.

Evo Morales fez as declaração no meio da tarde em entrevista coletiva.

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