Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

Arquivos de tags: Repressão

EX-MORADORES DO PINHEIRINHO APRESENTAM DENÚNCIAS DE IRREGULARIDADES NA DESOCUPAÇÃO À CORREGEDORA ELIANA CALMON

A reintegração de posse de uma única casa costuma demorar um dia todo, já a desocupação de 1.800 famílias do Pinheirinho ocorreu em dois dias, lembra o advogado dos ex-moradores

“Aberração jurídica”. É assim que Antonio Donizete Ferreira, o advogado dos ex-moradores do Pinheirinho, classifica a ação do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que fez com que cerca de 1.800 famílias fossem retiradas da comunidade do Pinheirinho, (Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

EPISÓDIOS DE VIOLÊNCIA COMO O DE PINHEIRINHO GERAM SITUAÇÕES COMO ESSA…
SECRETÁRIA ESTADUAL DA JUSTIÇA E DA DEFESA DA CIDADANIA DISSE QUE NÃO PODE RESPONDER SOBRE A VIOLÊNCIA EM PINHEIRINHO POIS “NÃO ESTAVA LÁ PARA SABER”
PICOLÉ DE BANANA? GERALDO ALCKMIN NÃO TEM CULPA, ELE SÓ EMPRESTOU REVÓLVERES, ESCOPETAS, MUNIÇÃO, HELICÓPTERO E DOIS MIL POLICIAIS
EM ENTREVISTA AO BRASIL DE FATO, DEPUTADO IVAN VALENTE DIZ QUE JUSTIÇA TRABALHOU COMO “JUSTIÇA DE CLASSE” NO CASO PINHEIRINHO

O BRASIL NEGRO DA TORTURA SEGUE SENDO REVELADO POR RELATOS DE AMOR E REVOLUÇÃO, COMO OS CONTIDOS NA CADERNETA DE NORBERTO

Pelo direito à memória

“O curso do amor verdadeiro nunca é suave”. É essa frase contida em Sonho de Uma Noite de Verão, peça de Shakespeare e também citada por Karl Marx, em O Capital que servia como uma espécie de código para o casal Norberto Nehring – então economista com 29 anos e professor da USP nos anos de 1970, além de militante da Aliança Libertadora Nacional (ALN), e sua esposa, Maria Lygia Quartim de Moraes, atualmente professora titular de sociologia da Unicamp – se comunicar e ter a garantia de que realmente falavam entre si nos negros anos da Ditadura Militar no Brasil.

É também essa frase que serve como fio narrativo de uma história de amor entre uma família e amor pelos ideias de revolução no sentido mais original que essa palavra possa ter, ou seja, o de mudança, sonho, utopia. História recuperada depois de 42 anos a partir de uma caderneta de anotações de Norberto e, particularmente, de uma carta de despedida escrita por ele em meados de abril de 1970, que foi lida em julgamento na Justiça Federal de São Paulo, na tarde de 1º de março de 2012, para decidir a validade de um recurso da União, condenada em primeira instância a pagar indenização por danos morais e materiais à mulher e à filha de Norberto.

A caderneta serve hoje como testemunho da história e das circunstâncias durante muito tempo sombrias da morte de Norberto em pleno regime militar, além de evocar toda carga de memória, afetividade e perda que estão envolvidas nos episódios ligados à repressão e perseguição pela polícia da ditadura. É como se o passado se tornasse de repente mais vivo do que nunca, como se os anos não tivessem passado e as marcas duras da tortura persistissem ainda hoje.

Durante muito tempo, a morte de Norberto em condições bastante suspeitas foi declarada oficialmente como sendo resultado de suicídio por enforcamento. No entanto, fez parte da luta de seus familiares e amigos mais próximos provar o contrário, que ele teria sido assassinado pela própria polícia da repressão e, a partir daí, lutar pela responsabilização do estado por sua morte e, acima de tudo, pela reabilitação da verdade.

Verdade que a família decidiu buscar não só em nome da memória individual de Norberto, mas em nome de toda uma memória histórica e coletiva que, todos os dias, é esquecida quando a nação se nega a olhar para o próprio passado e arrancar também ela do fundo da gaveta as suas cadernetas vermelhas, amareladas pelo tempo, empoeiradas pela já quase anestesiada memória.

Segue abaixo trecho do artigo de Flavio Lobo, publicado no caderno Aliás, do jornal O Estado de S.Paulo com trechos dos escritos de Norberto e mais detalhes da história:

A caderneta de Norberto
Guardada há 42 anos, a carta de um jovem professor da USP morto pela repressão ecoa nos tribunais e desnuda o Brasil da tortura
Por Flavio Lobo

Ela é pequena, leve e tem capa de plástico vermelho. No canto inferior direito da capa, a palavra “NOTE” ainda é fácil de reconhecer, apesar de a impressão ter esmaecido e de seu provável dourado original estar agora mais para o cobre. Na parte de dentro, 42 folhas de papel quadriculado, do tipo usado em cadernos de desenho, estão coladas numa folha de papelão não muito grosso, presa à capa. As duas primeiras páginas e as 70 últimas estão em branco (amarelado). Nas restantes, há mais de quatro décadas lê-se uma carta de despedida.

Em algum lugar na cidade de São Paulo, em meados de abril de 1970, o economista Norberto Nehring, de 29 anos, abriu a caderneta, virou a primeira página e começou a escrever para a mulher e a filha:

Ia e Marta,

Minhas adoradas

Cheguei num sábado aqui na terra e, tristeza, já estou frito. Frito!

Norberto voltara ao Brasil havia poucos dias. Desembarcara no Aeroporto do Galeão, no Rio, com documentos falsos. O nome que constava nos papéis de identidade combinava com seus olhos claros e a ascendência germânica. Já a nacionalidade argentina poderia levantar suspeitas. Mas não foi a esse ponto fraco que Norberto atribuiu sua triste situação, pelo que relataria a seguir:

Logo de cara dei com um conhecido da Pfizer, que arregalou os olhos. Isto deixou-me nervoso e também, por um anterior excesso de confiança, terminei por errar meu nome na portaria do hotel… Que besteira! Custou-me a vida.

Militante da Aliança Libertadora Nacional, a ALN, grupo guerrilheiro que lutava para derrubar a ditadura militar e fazer a revolução socialista no País, Norberto sabia dos riscos que estava correndo. Vários de seus companheiros tinham sido mortos, entre eles o fundador e primeiro comandante da organização, Carlos Marighella. Outros estavam presos ou desaparecidos. Nos cárceres, as torturas eram brutais e sistemáticas.

Norberto já tinha sido preso. Numa manhã de janeiro de 1969, policiais do Departamento de Ordem Política Social (Dops) cercaram a casa onde vivia com a mulher e o levaram. Nos dez dias que passou na carceragem, foi interrogado, sofreu ameaças, testemunhou torturas. Como seu grau de envolvimento com a guerrilha ainda não era de conhecimento do Dops, foi liberado para comparecer ao aniversário de 5 anos da filha. Só passou pela festa e fugiu. Logo foi para Cuba, onde iniciou treinamento militar com intenção de voltar ao combate no Brasil.

Maria Lygia, a “Ia” da carta de despedida, foi com a filha Marta para Cuba, encontrar Norberto. Técnico em química e graduado em economia pela USP, ele até foi convidado a permanecer na ilha trabalhando com petróleo. Mesmo ciente de que o precário treinamento militar que recebia por lá não seria muito útil no Brasil, ainda assim manteve a decisão de retornar ao País. Norberto, que antes de ser preso dava aulas na USP, acreditava que poderia semear a revolução fazendo trabalho de base, conscientizando trabalhadores e estudantes, articulando a luta política. Ao chegar, viu que seus planos dificilmente vingariam. (Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

SETE MULHERES VÍTIMAS DA DITADURA MILITAR SÃO ANISTIADAS, RELEMBRAM SUAS HISTÓRIAS E PEDEM POR JUSTIÇA
ENQUANTO OFICIAIS DA RESERVA SE DÃO AO LUXO DE NEGAR O PASSADO E OS 21 ANOS DE DITADURA MILITAR, CINEASTAS LANÇAM MANIFESTO EM APOIO À COMISSÃO DA VERDADE
VÍTIMA DA DITADURA CHILENA, MARCIA SCANTLEBURY, FALA SOBRE A IMPORTÂNCIA DE RECONTAR A HISTÓRIA DAS DITADURAS LATINO-AMERICANAS
RELAÇÕES PERIGOSAS: COMISSÃO DA VERDADE PODERÁ TRAZER MAIS PROBLEMAS PARA A GRANDE MÍDIA DO QUE PARA MILITARES

EX-SECRETÁRIO DE JUSTIÇA DO GOVERNO DILMA DIZ QUE AÇÃO DO GOVERNO PAULISTA NA CRACOLÂNDIA É UM TRABALHO DE “ENXUGAR GELO” E FAZ PARTE DE POLÍTICAS EXCLUDENTES

Síntese do Brasil

Vale a pena a leitura de entrevista concedida pelo ex-secretário de justiça do governo Dilma e professor de direito penal e de violência e crimes urbanos na Fundação Getulio Vargas (RJ), Pedro Abramovay. Pedro saiu da secretaria ao defender o fim da prisão para pequenos traficantes, o que o fez bater de frente com o ministro José Eduardo Cardozo.

Sobre a polêmica envolvendo a ação do governo paulista por meio da polícia militar na região da cracolândia, no centro de São Paulo, Pedro mantém o mesmo perfil de pensamento que o fez deixar o cargo de secretário da justiça: o de ver a questão das drogas e do crack, em especial, não sob a ótica autoritária, excludente e repressiva, mas percebendo-o como um problema de saúde pública.

Em uma entrevista lúcida e precisa, Pedro afirma que a ação do governo de São Paulo na cracolância foi como “enxugar gelo”, já que ao eleger a polícia como ator principal, impede-se a ação de agentes de saúde e assistentes sociais. Segundo Pedro, o governo agiu desprezando o exemplo de políticas internacionais de combate à droga – que mostraram que o foco no usuário e no pequeno traficante é completamente equivocado – servindo a interesses políticos e reafirmando o seu método excludente que quer revitalizar o centro de São Paulo “internando a pobreza”, arrastando-a para debaixo do tapete.

A questão do combate ao crack, como ele mostra, é complexa e, para ganhar legitimidade junto à população o governo prefere respostas imediatistas que revelam apenas indicadores de processo, ou seja, quantidade de drogas apreendidas, número de presos e até de mortos, mas não o cumprimento de um real objetivo como a diminuição da violência e do consumo.

Ilustração da versão em quadrinhos feita pelos irmãos gêmeos paulistas Fábio Moon e Gabriel para "O alienista", de Machado de Assis

Para enfrentar o crack o ex-secretário vai contra políticas de internamento compulsório a não ser em casos excepcionais onde ele realmente seja necessário. A política de internamento como ele lembra, pode se transformar em uma política de internação da pobreza em que todos acabam dentro da Casa Verde, como no conto O Alienista, de Machado de Assis.

Pedro não vê conflito entre o debate sobre a descriminalização da maconha e o problema do crack, mesmo porque, como ele lembra, quando as drogas são legalizadas a implementação de políticas públicas para combatê-las se dá com mais facilidade e aí sim resultados expressivos na diminução de consumo e violência podem aparecer.

De forma resumida, a entrevista revela sob todos os pontos de vista que a repressão nunca é a solução para problema algum, sempre existe uma porta de saída, outra alternativa que se mostra viável e que dá resultados com o passar do tempo. O exemplo de Portugal e outros países que adotaram ações alternativas e com foco em políticas públicas comunitárias está aí para comprovar.

Se elegermos a repressão, “ao invés de retirarmos a droga da vida da pessoa, é a pessoa que será retirada de sua própria vida”, como diz Pedro, sendo trancafiada em “casas verdes”, como escreveu Machado, ou em clínicas espalhadas pelo país que tratam a questão das drogas e dos problemas mentais como qualquer outra coisa, menos como um problema de saúde que deve ser encarado do ponto de vista científico e social.

O crack é delicado, pois sintetiza como poucos fenômenos brasileiros todas as nossas mazelas sociais: violência, pobreza, exclusão. O crack explica o Brasil, por isso, não é para principiantes.

Veja trecho da entrevista:

Crack e tabu
Ex-secretário de Justiça do governo Dilma, Pedro Abramovay critica a ação do governo de São Paulo na cracolândia
Por Marcos Flamínio Peres

CULT – Como avalia a recente ação do Estado na cracolândia, em São Paulo?

Pedro Abramovay – Ela cometeu erros muito graves. O principal deles foi a utilização da polícia como principal instrumento. Qualquer política pública tem que estabelecer seu objetivo de maneira clara, seja porque é a única maneira de haver políticas eficientes, seja porque só assim a população pode compreender e avaliar o que o poder público está fazendo.

Qual é o objetivo da polícia na cracolândia? Lidar com o problema do crack? Garantir a segurança dos comerciantes da região? Revitalizar o centro? Pelas declarações das autoridades, não dá para compreender, pois todas essas justificativas se misturam. E as ações, na verdade, não enfrentaram nenhum desses problemas.

Do ponto de vista da segurança pública, a ação é um erro porque as experiências internacionais mostram que o foco no usuário e no pequeno traficante é completamente equivocado – não diminui a violência ligada ao tráfico e muito menos a oferta de drogas. É um trabalho de enxugar gelo; mas não é inócuo, pois causa danos à possibilidade de tratar o tema pelo lado da saúde pública.

Do ponto de vista da política de drogas, também é um desastre. Afinal, a ação que tem a polícia como principal ator impede a abordagem de agentes de saúde e assistentes sociais.

Houve uso político do episódio, em razão das eleições municipais deste ano?

Isso sempre acontece quando se fala de política sobre drogas, pois os políticos sabem que qualquer posição dura contra elas traz dividendos. Mesmo que seja ineficiente e provoque sérios danos às pessoas.

A ação também poder ter sido motivada por pressão de setores interessados na valorização imobiliária da região, que vem sendo chamada pelo poder público de “Nova Luz”?

Certamente. Há e sempre houve um debate sobre o centro de São Paulo, entre aqueles que acreditam que sua revitalização passa pela expulsão de toda a população de baixa renda da região e aqueles que defendem que é possível revitalizá-lo com essas pessoas, de forma inclusiva.

A atual gestão da prefeitura, desde o governo Serra, tem uma posição muito clara de promover políticas de urbanização excludentes. E a ação na cracolândia é absolutamente coerente com essa postura. (Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

PRIMEIRA PÁGINA DA FOLHA EXPÕE OS MÉTODOS DA POLÍCIA DE SÃO PAULO AO DISPERSAR USUÁRIOS DE CRACK COM BOMBAS E TIROS
AÇÃO DA POLÍCIA MILITAR NA CRACOLÂNDIA É VISTA POR ESPECIALISTAS COMO “HIGIENISTA”, DESPREZANDO A QUESTÃO SOCIAL E DE SAÚDE PÚBLICA
GOVERNO DILMA PRETENDE IMPLANTAR POLÍTICA AMPLA DE COMBATE AO CRACK
SEGUNDO LEVANTAMENTO DA ALESP, CRACK JÁ É A SEGUNDA DROGA MAIS CONSUMIDA DO ESTADO, FICANDO ATRÁS APENAS DO ÁLCOOL

PARA JUIZ, PROBLEMA DA USP É FALTA DE DIÁLOGO COM OS ESTUDANTES E REPRESSÃO POR PARTE DOS POLICIAIS

Campus da USP em São Paulo: por mais harmonia na universidade

Os recentes confrontos e protestos envolvendo estudantes da USP e a polícia militar situam-se em uma tênue linha de interesses e divergências. Por um lado, sente-se a falta de segurança no campus, principalmente, quando acontecem casos como o do recente estudante que foi assassinado depois de um assalto dentro do campus da universidade.

Por outro, há certa liberdade e convívio próprios dos ambientes universitários que os estudantes temem perder para viverem vigiados, assim como já vive boa parte da sociedade brasileira. É entre essas duas questões que se encontram muitos estudantes da USP, da Unicamp, e de muitas universidades onde aproveita-se a liberdade, mas também se sente medo ao ouvir casos de violência que ora acontecem aqui e ali.

Partindo da especificidade da questão, a violência e a falta de diálogo com que a reitoria da USP e a própria polícia militar têm recebido os estudantes que protestam à sua maneira no espaço da universidade, não parece, nem de longe, ser a melhor saída para o problema.

Como mostra notícia publicada pela Rede Brasil Atual, o presidente do Conselho Executivo da Associação de Juízes para a Democracia, José Henrique Rodrigues Torres, afirmou recentemente que “a USP erra ao não dialogar com os estudantes e perde a oportunidade de dar uma resposta um pouco diferente a essa questão de enfrentamento da violência e da criminalidade”.

O ideal mesmo seria pensar em uma política de segurança sim, mas uma política que não reprimisse ou interfirisse na própria dinâmica da vida universitária. O estudante de Geografia João Vitor Pavezi de Oliveira, do Diretório Central de Estudantes (DCE), afirma que a “militarização” do campus poderia ser evitada com melhor iluminação, treinamento da guarda e presença de guarda feminina.

A proposta parece coincidir mais com a lógica da universidade que é, acima de tudo, um espaço democrático de troca e conhecimento, duas coisas que pressupõe diálogo e liberdade. Se na universidade, o local onde amadurecemos nossa percepção sobre o mundo, formos apresentados a uma realidade repressora e autoritária, conclui-se que também veremos o mundo de forma repressora e autoritária, reproduzindo um modelo dominante de exclusão e desigualdade!

Veja texto sobre o assunto:

Juiz critica USP por investir em ações repressivas no campus

Ações consideradas truculentas por parte da Polícia Militar e falta de diálogo com a comunidade são as principais críticas de magistrado, trabalhadores e alunos da USP
Por Redação da Rede Brasil Atual

São Paulo – O presidente do Conselho Executivo da Associação de Juízes para a Democracia, José Henrique Rodrigues Torres, afirmou nesta terça-feira (1) à Rádio Brasil Atual que a Universidade de São Paulo (USP) erra ao não dialogar com estudantes que ocupam um prédio no campus e por investir em um sistema repressivo para combater a criminalidade. Ele analisa que a reitoria da USP deveria buscar soluções democráticas e pedagógicas para aumentar a segurança no interior da unidade na capital paulista. “A USP perde a oportunidade de dar uma resposta um pouco diferente a essa questão de enfrentamento da violência e da criminalidade”, alerta o magistrado. “Lamento profundamente que seja assim.”

Na noite da última quinta-feira (27), estudantes contrários à permanência da Polícia Militar (PM) no campus ocuparam o prédio da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), depois que três alunos foram presos por suposto porte de maconha. Em nota, a reitoria lembrou que firmou convênio com a PM em maio deste ano, após o assassinato de um estudante no interior da universidade.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP Anibal Ribeiro, abordagens repressivas da PM têm sido cada vez mais frequentes. Policiais estariam andando nos corredores das faculdades e abordando estudantes por olhar “feio” para eles. Ribeiro também citou episódios de abordagens de ônibus circulares com policiais com “arma em punho”, questionando quem é ou não estudante da USP e quem é a favor ou contra a presença deles no campus. Os estudantes abordados na quinta-feira, estopim da tensão já existente entre alunos, reitoria e PM, foram pegos pela Rocam, “a tropa de choque de moto”, interpreta. (Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

CENAS DE VIOLÊNCIA PROTAGONIZADAS POR ALGUNS JOVENS NO CHILE PREOCUPAM A LIDERANÇA DO MOVIMENTO ESTUDANTIL
TENTATIVA DE ANULAÇÃO DO ENEM POR CAUSA DO VAZAMENTO NO COLÉGIO DO CEARÁ É COLOCAR O INTERESSE DE CRIMINOSOS ACIMA DOS DA SOCIEDADE
MUNICÍPIOS MUITO RICOS INVESTEM EM TIMES DE FUTEBOL E CLUBES NA LIGA DE VÔLEI ENQUANTO A EDUCAÇÃO PERMANECE COM ÍNDICES BAIXOS
ENTRE A INTUIÇÃO IMEDIATA E A PACIENTE PESQUISA CULTURAL E HISTÓRICA: OS DILEMAS DE UM DOS PRINCIPAIS DESCOBRIDORES DAS RAÍZES DO BRASIL

ESTUDANTES E TRABALHADORES CHILENOS CONVOCAM GREVE GERAL PARA DIA 19 DE OUTUBRO EM PROTESTO CONTRA REPRESSÃO E MODELO DE CONDUÇÃO DO PAÍS

Se o lema do governo chileno é a repressão e ausência de diálogo, no lenço de Camila Vallejo podia-se ler na marcha da última quinta-feira "Unidos com + força"

O governo chileno continua a afirmar que a educação no Chile não pode ser gratuita, deixando de mostrar qualquer possibilidade de entendimento e acordo com os estudantes. Estes se veem obrigados, neste sentido, a sair das mesas de negociação e se organizar como podem nas ruas e nas praças do Chile. Mesmo assim, o governo ainda quer complicar mais as coisas. Os últimos protestos dos estudantes têm sido recebidos com muita violência e repressão por parte do poder público o que faz lembrar, segundo alguns, os piores anos da ditadura Pinochet.

Se a negociação não acontece e a repressão é a única resposta dada pelo governo, a Confederação de Estudantes do Chile (Confech), representada pelos porta-vozes Camila Vallejo e Camilo Ballesteros, juntamente com o presidente da Central Unitária dos Trabalhadores (CUT), Arturo Martínez, e o presidente do Colégio de Professores, Jaime Gajardo, anunciaram uma greve geral para o próximo dia 19 de outubro e chamam a ela toda a sociedade, pois o que está em jogo no Chile não é apenas a educação, mas todo um modelo de desenvolvimento do país.

Veja trecho de reportagem sobre o assunto publicada pela Carta Maior:

Forte repressão no Chile. Nova greve geral é convocada
Por Christian Palma

A pesar de não terem sido autorizados pela prefeitura para marchar pela capital chilena, os estudantes se reuniram assim mesmo, quinta-feira, na Praça Itália, tradicional ponto de encontro nestes cinco meses de ocupações e greves, para iniciar uma nova caminhada denunciando a intransigência do governo de Sebastian Piñera, sobretudo na última reunião entre ambas as partes, que culminou com a saída dos estudantes da mesa de diálogo, após o Ministério da Educação reafirmar que a educação no Chile não pode ser grátis.

A líder universitária, Camila Vallejo, junto com um grupo de dirigentes e estudantes, encabeçava a marcha portando um lenço com a frase “Unidos com + força”. No entanto, poucos minutos após o início da marcha, os manifestantes foram reprimidos por um carro com jatos d’água, dos carabineiros, que acabou com a manifestação que estava apenas começando.

Esse fato deu início a duros enfrentamentos entre estudantes e carabineiros em diferentes pontos de Santiago, sobretudo em frente à Universidade Católica, à Universidade do Chile, ao Instituto Nacional (colégio secundário mais importante do Chile) e nas cercanias do Palácio de La Moneda, em pleno centro de Santiago, onde um grupo de jovens com o rosto coberto (encapuzados) instalaram barricadas na principal avenida da capital, a Alameda, provocando a aparição imediata da polícia que os esperava para entrar em ação. E fez isso com força. A polícia reprimiu a todos por igual, aos que faziam desordens, aos estudantes inocentes e as pessoas comuns que passavam pelo lugar naquele momento. Foram cinco horas de luta contínua que deixou 150 detidos e vários feridos, entre civis e policiais.

A ruptura da mesa de diálogo pela educação, que não apresentou nenhum avanço na direção de uma educação gratuita e de qualidade, segue unificando os jovens que ontem também rechaçaram a repressão aplicada pelo governo contra os manifestantes.

Neste cenário, a Confederação de Estudantes do Chile (Confech), representada pelos porta-vozes Camila Vallejo e Camilo Ballesteros, juntamente com o presidente da Central Unitária dos Trabalhadores (CUT), Arturo Martínez, e o presidente do Colégio de Professores, Jaime Gajardo, anunciaram que continuarão com as mobilizações e convocarão uma nova greve nacional para o dia 19 de outubro. (Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

CAMILA VALLEJO: A IRRESISTÍVEL BELEZA REVOLUCIONÁRIA
ESTUDANTES CHILENOS PEDEM MAIS INVESTIMENTO E MAIOR COMPROMETIMENTO DO ESTADO COM A EDUCAÇÃO
VÍDEO: JOVENS ACORDAM DO PESADELO REPUBLICANO DO MEDO E PROTESTAM NOS EUA
MAIS DE 400 MIL ISRAELENSES SAEM ÀS RUAS PEDINDO JUSTIÇA SOCIAL E MUDANÇAS NA POLÍTICA ECONÔMICA DO PAÍS

POLÍCIA PAULISTANA PARECE TER ELEITO A REPRESSÃO COMO MÉTODO

Pelo menos três bombas de gás lacrimogêneo foram jogadas para dispersar os manifestantes

Primeiro foi com os manifestantes que protestavam contra o aumento na tarifa de ônibus, agora, a eficiente polícia paulistana quis testar seus ótimos métodos com os participantes da “marcha da maconha” que reuniu mais de mil pessoas no último sábado na Avenida Paulista. Independente da legalidade da manifestação, que havia sido proibida dias antes, a polícia não tem o direito de agir com a violência que tem demonstrado nos últimos episódios.

As pessoas têm o direito de se manifestar. Não importa se o motivo é justo ou não, mas a manifestação é uma prerrogativa da democracia que, jamais, em seu sentido original, pode sufocar a voz da população. Se esta não é ouvida, fala como pode, se o governo não quer ouvir ou simplesmente considera irrelevantes as reivindicações, o mínimo que se espera de um estado democrático é que ele ao menos deixe as pessoas falarem. O fato é que a polícia de São Paulo parece não querer conversa, prefere a violência ao diálogo e as últimas imagens que tem se visto o demonstram muito bem.

Veja trecho de notícia publicada originalmente pelo Terra.com e republicada pelo Brasil de Fato com vídeo trazendo as cenas da ação da polícia junto aos manifestantes:

PM reprime marcha da maconha com violência
Mais de mil pessoas estiveram presentes na manifestação realizada na Avenida Paulista
Terra.com

A Polícia Militar impediu por volta das 15h deste sábado a passeata do grupo organizador da Marcha da Maconha, proibida pela 2ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça. Após a decisão judicial, os manifestantes se reuniram no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) para realizar uma passeata pela liberdade de expressão. No mesmo local, cerca de 20 pessoas fizeram uma pequena manifestação contra a droga. Por volta das 15h, a tropa de choque da PM jogou ao menos três bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o grupo que se deslocava pela avenida Paulista.

De acordo com o capitão Benedito Del Zecchio Junior, o fim da passeata foi definido com base na decisão judicial. Pelo menos duas pessoas foram detidas, e ainda não há informações sobre um possível confronto entre o grupo e a polícia. (Texto completo)

Leia mais em Educação Política:

PARA TRIBUNAL DE JUSTIÇA GAÚCHO TORTURA É CRIME CONTRA A DIGNIDADE HUMANA QUE NÃO PRESCREVE
PESQUISAS CONFIRMAM QUE POLÍTICA DO DESARMAMENTO TEM UMA RELAÇÃO DIRETA COM A DIMINUIÇÃO DA VIOLÊNCIA NO PAÍS
MULHER NARRA ASSASSINATO COMETIDO PELA POLICIA AO VIVO: A QUE PONTO CHEGOU O ESTADO DE SÃO PAULO APÓS 16 ANOS DE PSDB?
CASTELO DE AREIA: A JUSTIÇA NÃO É CEGA, É CÍNICA

DEPOIS DO GILMAR MENDES, CONHEÇAM O CORONEL MENDES DO PSDB DO RIO GRANDE DO SUL

O Coronel Paulo Roberto Mendes, comandante da Brigada Militar do Rio Grande do Sul é, assim como Gilmar Mendes, mais uma contribuição à democracia dada pelo PSDB. Leiam que vale a pena, principalmente a segunda parte, com o intertítulo: Quem é o Coronel Mendes. É pura filosofia.

Coronel ameaça movimentos sociais na véspera da Marcha dos Sem no RS

Marco Aurélio Weissheimer
Da Agência Carta Maior

PORTO ALEGRE – O comandante da Brigada Militar, coronel Paulo Roberto Mendes, divulgou nota oficial no dia 4 último, advertindo os movimentos sociais que organizam o 14° Grito dos Excluídos e a 13ª Marcha dos Sem, que os “efetivos do policiamento ostensivo estão devidamente instruídos e dotados dos recursos necessários para atuarem como força mediadora, capaz de harmonizar, no limite da lei, os interesses porventura conflitantes, não permitindo que direitos e garantias de uns se sobreponham aos de outros”. Traduzindo: a Brigada Militar reprimirá os manifestantes caso o coronel Mendes julgar que “direitos e garantias de uns estão se sobrepondo aos de outros”.

Expressando uma “inquebrantável tradição de respeito ao Estado Democrático de Direito”, o comandante da Brigada afirma seu “compromisso de garantir a lei e a ordem no Rio Grande do Sul, desejando que todos os eventos previstos transcorram dentro da normalidade”. O compromisso do coronel Mendes com o Estado Democrático de Direito parece ser seletivo, considerando suas recentes manifestações em defesa da execução de bandidos sem o devido processo legal.

Os organizadores do Grito dos Excluídos e da Marcha dos Sem, programada para esta sexta-feira, criticaram a nota, classificando-a como uma tentativa de intimidação. Para o presidente da CUT/RS, Celso Woyciechowski, a nota “é muito ruim para o processo democrático porque vem em um tom ameaçador”. “Primeiro vem a ameaça e depois a proposta de diálogo”, criticou.

A concentração para a manifestação começa às 13h desta sexta, na praça Pinheiro Machado, esquina com a avenida Farrapos. Os manifestantes seguirão até a Secretaria de Segurança Pública, onde será realizado um ato de protesto contra a “criminalização dos movimentos sociais”. Depois a marcha passará pela prefeitura da capital, Palácio da Justiça, Ministério Público Estadual e terminará com um ato em frente ao Palácio Piratini. Na agenda da Marcha dos Sem deste ano, destacam-se, entre outros pontos, a corrupção no Estado do Rio Grande do Sul, a violação de direitos e a criminalização dos movimentos sociais.

Quem é o coronel Mendes
Como subcomandante da Brigada Militar, o coronel Mendes notabilizou-se por comandar a repressão a protestos de professores e agricultores sem-terra no Estado. Nos últimos meses, quando houve alguma manifestação de protesto ou ação de movimentos sociais, a governadora Yeda Crusius (PSDB) acionou Mendes para a repressão imediata. Neste período, o coronel comandou ações de repressão violenta da Brigada em uma manifestação de professores no Centro Administrativo do Estado, na ocupação da fazenda da Stora Enso, em Rosário do Sul, na destruição de um acampamento de sem-terra em São Gabriel, entre outras ações. Defensor da pena de morte, o coronel Mendes é autor da frase: “Não tem jeito, tem que ir pro paredão”.

Em 2007, Mendes defendeu que a população deveria reagir a assaltos, contrariando a orientação da polícia para situações deste tipo. No mesmo ano, durante um debate televisivo, abordou-se o caso de um pedreiro morto pela polícia em Gravataí, município da Região Metropolitana. Segundo a família, ele foi confundido com um assaltante e acabou morrendo em razão de surra que levou após ser preso. O comentário do coronel: “Às vezes, se preocupam com uma eventual pessoa que a polícia tenha matado”.

Ao nomeá-lo para o comando da Brigada, Yeda Crusius determinou ao coronel Paulo Mendes que reprimisse duramente manifestações de protesto contra a corrupção no governo estadual. E o coronel começou a colocar a orientação em prática na manhã do dia 11 de junho. Dezessete pessoas ficaram feridas e outras dezessete foram presas na ação da tropa de choque da Brigada Militar contra manifestantes que se dirigiam ao Palácio Piratini para protestar contra a corrupção no governo Yeda.

A ação violenta da Brigada Militar começou pela manhã quando integrantes de movimentos sociais, estudantes e sindicalistas iniciaram uma caminhada em direção ao Palácio Piratini. No trajeto, os manifestantes pretendiam fazer um protesto pacífico contra a alta dos alimentos no supermercado Nacional, do grupo Wal-Mart. A manifestação foi duramente reprimida com balas de borracha, bombas, gas lacrimogêneo e spray pimenta. O coronel Mendes classificou o incidente como uma “baderna provocada por gente desocupada”.

Mendes vem usando os homens da PM2 (a “polícia secreta” da Brigada) para acompanhar os movimentos sociais e até mesmo fazer investigações ilegais. Cabe lembrar que o trabalho de investigação é de atribuição da Polícia Civil. Há policiais civis insatisfeitos com o procedimento da “polícia secreta” da Brigada que está realizando investigações à revelia da lei e às vezes até mesmo atrapalhando investigações da Polícia Civil, resultando, inclusive, em prisões ilegais. Os homens da PM2 estão acompanhando as manifestações e outras atividades dos movimentos sociais. O coronel Mendes conta com esse serviço de inteligência para antecipar movimentos e facilitar a repressão.

Genealogia da repressão
Confira algumas das últimas ações do comandante da Brigada Militar do RS:

8 de maio de 2008 – O governo Yeda Crusius deslocou um exército de 700 policiais militares para São Gabriel, com cavalos, cães, ônibus e até um helicóptero. O objetivo da heróica e estratégica missão: revistar um acampamento de 800 famílias de sem-terra, localizado na fazenda São Paulo II, área desapropriada em abril deste ano pelo Incra. o comando, coronel Mendes. Como não encontraram o objeto de sua busca, “materiais supostamente furtados da fazenda Southal”, a Brigada isolou os agricultores, proibindo a entrada de pessoas num raio de 4 km da área.

Os policiais rasgaram barraco a barraco de cada agricultor, colocaram pás de terra nas panelas com a comida cozida, inutilizando dezenas de quilos de arroz e de feijão. O restante da alimentação foi “confiscado” pela BM.

3 de junho de 2008 – A Brigada Militar, comandada pelo coronel Paulo Mendes, destruiu o novo acampamento organizado pelo MST às margens da RS-040, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A área havia sido cedida às famílias sem-terra. Sem mandado judicial, um efetivo de mais de cem policiais militares e batalhão de choque destruíram os barracos que estavam sendo construídos pelas famílias. Os sem-terra foram divididos em grupos de homens e mulheres, identificados e revistados pela polícia. O acampamento estava recém sendo construído por famílias que trabalham temporariamente nas lavouras de arroz na região de Viamão.

10 de junho de 2008 – Cinco agricultores e agricultoras foram agredidas pela Brigada Militar e sofreram queimaduras com bombas de gás lacrimogêneo, durante uma manifestação na área da empresa Bunge, em Passo Fundo. A violência aconteceu no momento que os agricultores e agricultoras iniciavam a distribuição de alimentos produzidos pela agricultura familiar à população.

11 de junho de 2008 – A governadora Yeda Crusius determinou ao recém nomeado comandante da Brigada que reprimisse duramente manifestações contra o governo. E o coronel Mendes começou a colocar a orientação em prática no mesmo dia. Dezessete pessoas ficaram feridas e outras 17 foram presas na ação da tropa de choque da Brigada Militar contra manifestantes que se dirigiam ao Palácio Piratini para protestar contra a corrupção no governo Yeda. Os policiais lançaram bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha contra o grupo. No final da manhã, a Brigada cercou os manifestantes dentro do Parque da Harmonia, na área central de Porto Alegre, e proibiu que eles prosseguissem para protestar no Piratini contra a corrupção no governo do Estado.

%d blogueiros gostam disto: