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O JORNALISMO

SANTO GUTENBERG! ESTADÃO QUER A VOLTA DA MONARQUIA E FAZ MANCHETES TÉTRICAS SOBRE A MORTE IMPERIAL

A importância dada pelo jornal Estadão a uma pesquisa sobre a família imperial brasileira mostra mais do que um simples interesse jornalístico. O jornal expressa capa e caderno especial sobre exumação da família imperial e tenta assim reconstruir o mito monarca. Ainda que uma pesquisa tenha importância científica, a cobertura expressa claramente o pano de fundo de uma ideologia.

Nossa imprensa ainda não chegou na República. Mas vamos ter fé no Santo Gutemberg; ela vai chegar lá.  Veja abaixo reprodução de parte da capa e manchetes on-line de hoje.

Dona Amélia mumificada: pele e órgãos internos estão preservados

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AGÊNCIA EP NOTÍCIA

NA COMEMORAÇÃO DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA DO BRASIL, O LEGADO DE UM PAÍS SEM SUPERAÇÃO DIANTE DE UM MUNDO QUE BUSCA POR ELA

Onde está o povo?

No dia em que comemoramos a Proclamação da República no Brasil, mais uma dessas mudanças que vêm sem trazer superação de nossas estruturas coloniais, é interessante olhar e refletir sobre a situação econômica mundial.

Os protestos, as manifestações recentes de jovens e trabalhadores na Europa e até no centro do capitalismo mundial, estas sim feitas pelo povo, ao contrário de nossa República, tinham é claro seus interesses e motivações pessoais, mas queriam mudar um sistema financeiro mundial, mesmo sem saber, porque era este sistema que lhes roubava os empregos e a dignidade.

E foi esse mesmo sistema financeiro que transformou o mundo, concentrando ainda mais a renda e diluindo os já escassos benefícios sociais de uma economia que quer existir sem estado, sem guia. Agora, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), revelados por reportagem da Carta Maior, serão necessário, no mínimo, 80 milhões de empregos para retornar aos níveis pré-crise.

Estima-se que a recuperação econômica, se vier, só aconteça por volta de 2016, isso se esses 80 milhões de empregos forem gerados. As contas deixadas por essa economia jogada ao vento são 16 milhões de desempregados na Europa, diluição do Estado do Bem-Estar-Social e rendição da social-democracia ao neoliberalismo.

Indignados na Espanha

Saídas para a atual crise são justamente aquelas que o Brasil nunca encontrou: formação e fortalecimento de um legítimo e consciente movimento de protesto popular que se torne alternativa para a regressividade em marcha, não só dos governos e sistemas econômicos democráticos e sociais, como também da mídia, cada vez mais dependente dos donos do poder e distante da população.

Veja trecho da notícia sobre o assunto publicada pela Carta Maior:

OIT: faltam 80 milhões de empregos para o mundo retornar aos níveis pré-crise
Por Saul Leblon

A recuperação da economia mundial está mais distante do que se imaginava. Do ponto de vista do emprego, pelo menos, a superação da crise só ocorrerá por volta de 2016. Isso, desde que se cumpra o requisito da geração de 80 milhões de vagas para que os níveis de ocupação retornem ao patamar anterior ao colapso neoliberal. É o que diz o informe da OIT divulgado nesta 2ª feira.

Os sumidouros do crescimento e das vagas estão claros; as responsabilidades são inequívocas. A grande façanha dos 30 anos de finanças desreguladas foi, grosso modo, aviltar a oferta e a qualidade do emprego pela sua flexibilização e deslocamento a zonas de ‘baixo custo’; reduzir a participação do trabalho na renda e isentar o capital rebaixando receitas fiscais dos governos.

Promoveu-se em troca a grande era do endividamento. Famílias, governos e Estados soberanos tornaram-se mais e mais dependentes do capital a juro, cuja liberdade foi lubrificada pela eliminação das salvaguardas regulatórias instituídas após a crise de 29. Embora o diagnóstico seja reconhecido até por segmentos dos ‘mercados’, ele carece ainda de consequências políticas coerentes.

A mídia tem cumprido seu papel de guarda-sol a sombrear o debate das alternativas à superação desse modelo, em meio a uma crise de insolvência das dívidas públicas e privadas. Na Europa, corroída por 16 milhões de desempregados, em meio ao assalto final aos pilares do Estado do Bem-Estar Social, essa película protetora é reforçado pela opacidade de um quadro ideológico feito de rendição social-democrata ao neoliberalismo. (Texto completo)

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O JORNALISMO

O CASAMENTO REAL DE WILLIAM E KATE MIDDLETON MOSTRA QUE A MÍDIA E O BRASIL NÃO PERDERAM O COMPLEXO DE VIRA-LATA

Casamento real: Imagens que atuam no inconsciente

Durante 8 anos do governo Lula, o ministro Celso Amorim das Relações Exteriores e o próprio presidente tentaram apagar do Brasil o complexo de vira-lata.

O complexo de vira-lata é a subserviência e a postura de inferioridade a que muitas vezes o Brasil se coloca diante de temas internacionais. Um exemplo dessa atitude é um ministro brasileiro ser obrigado a tirar o sapato para entrar nos EUA, como aconteceu com o ex-ministro Celso Lafer, no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Um exemplo de como esse complexo está recalcado é a cobertura da mídia sobre o casamento real inglês. Ela é a prova de que é difícil se livrar de um complexo de vira-lata. O Brasil vai precisar de muitos anos no divã da democracia.

O casamento real inglês é um fetiche monarquista, que deveria ser motivo de piada para um país laico e republicano como o Brasil. No entanto, a cobertura da grande mídia soa como algo a ser invejado, copiado, bonito, um acontecimento. Ou seja, deveríamos nos espelhar no passado pré-iluminista e não nas conquistas democráticas que são tão caras ao país.

A cobertura do casamento, nas entrelinhas, trabalha com o arquétipo do conto de fadas. A menina pobre que se torna princesa. E esse é um apelo muito forte em nossos desejos, no inconsciente. O sonho realizado numa conquista individual. O casamento encanta.

Assim tentamos copiar os ingleses. Mas deveríamos fazer outra cobertura da Inglaterra, uma cobertura sobre o sistema de saúde inglês, que é universal, bem gerenciado e gratuito para toda a população. Deveríamos dizer que na Inglaterra praticamente não há plano de saúde porque o governo inglês cuida da saúde de seu povo. Mas isso com certeza não interessa ao Brasil e nem a empresas que precisam do anúncio de planos de saúde.  O casamento sim, porque nos toca, é gostoso de ver.

Quem sabe um dia, a mídia tenha alta médica e se livre do complexo de vira-lata.

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