Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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CARTA MAIOR: DIREITA E RURALISTAS ESTÃO POR TRÁS DO GOLPE BRANCO CONTRA O PRESIDENTE PARAGUAIO FERNANDO LUGO

Dario Pignotti – Especial para Carta Maior

“Mulher de malandro obedece só no pau”, afirmou ruralista brasiguaio referindo-se aos sem terra

“Esta matança de campesinos aconteceu como resultado de um processo de violência policial instigado pelos latifundiários descontentes com o presidente Lugo, ele não é querido pela direita e pelos grandes produtores brasileiros. Latifundiários brasileiros como Tranquilo Favero, o produtor de soja mais rico de Paraguai, estão interessados em desestabilizar o governo, eles querem que Lugo caia” declarou Martín Almada, o mais importante representante do movimento dos direitos humanos paraguaio.

Onze campesinos sem terra foram assassinados na sexta-feira passada em uma fazenda próxima à fronteira com o Brasil, onde está aumentando a tensão em paralelo às reivindicações e ações diretas pela reforma agrária. O enfrentamento entre policiais e lavradores deixou sete agentes mortos, entre eles os chefes do Grupo de Operações Especiais, uma espécie de BOPE paraguaio, só que sua tarefa não é reprimir favelados como no Rio de Janeiro, mas os peões rurais que, depois que Lugo chegou ao governo, em 2008, aumentaram seu nível de organização e decisão de luta, depois de décadas de submissão diante do jugo da ditadura de Alfredo Stroessner.

“Nós sabemos por nossa longa experiência sobre como se descarrega a violência do Estado contra a população, que estes fatos nunca estão isolados de uma intencionalidade política maior. Quais são os fatores em jogo agora? O que está mais evidente é cooptar os sem terra para que deixem de desafiar o poder estabelecido no campo e, além disto, vemos uma manobra para desestabilizar o presidente Lugo. O latifúndio e os grandes produtores de soja brasileiros estão muito interessados em que Lugo não possa chegar a 2013, quando deve acabar seu mandato”, disse Almada por telefone à Carta Maior, desde Assunção.

Almada, prêmio Nobel da Paz alternativo, é uma figura chave na luta pelos direitos humanos. Foi ele quem, na década de 90, descobriu os Arquivos do Terror, a partir dos quais pode ser reconstruída a rede terrorista que a ditadura de Stroessner e os regimes de fato sul-americanos formaram nos anos 70, quando surgiu a Operação Condor.

“Nunca vai se saber, porque temos uma justiça cúmplice dos poderes estabelecidos, quem esteve inspirando este massacre, o que nós sabemos sim é que tem gente beneficiada com este clima de instabilidade política e violência. O empresário do agronegócio Tranquilo Favero, um brasiguaio que fez fortuna graças aos favores que recebeu de Stroessner, é um personagem que todos suspeitam que joga forte pela desestabilização”, observa Almada.

“O que está claro é que esta barbárie leva água ao moinho da direita, justifica a mão de ferro da polícia e torna mais viável o golpe de estado branco que seria um possível julgamento político de Lugo, para que se veja obrigado a renunciar e, em seu lugar, assuma o vice-presidente Federico Franco, um político muito reacionário”.

Na história paraguaia ditadura e latifúndio, correspondem ao verso e reverso da mesma moeda.

Segundo um relatório da Comissão de Verdade e Justiça do Paraguai, centenas de milhares de hectares de terras fiscais foram distribuídas pelo regime de Stroessner entre militares e membros da alta burguesia, uma anomalia que foi objeto de revisão por parte das autoridades desde 2008, o que incentivou as reivindicações das organizações de sem terra, como os que ocupavam a fazenda da localidade onde aconteceu o massacre da semana passada.

A Coordenação Nacional das Terras Irregulares conta com documentação sobre os fazendeiros cujas propriedades são irregulares por terem sido originadas na entrega de terrenos fiscais.

Um dos acusados de ter se apropriado de milhares de hectares que eram públicos é precisamente o brasileiro nacionalizado paraguaio Tranquilo Favero, que não oculta sua simpatia pela repressão de campesinos “ignorantes”, como ficou comprovado em declarações formuladas neste ano e que provocaram um escândalo.

“Diplomacia você pode usar com pessoas cultas… só que… você sabe o dito popular que diz: a mulher do malandro obedece só com pau… tamos lidando com pessoas de tamanha ignorância que com diplomacia você não soluciona”disse o maior produtor de soja do Paraguai, nascido em Santa Catarina.

Quando Favero recomenda deixar de lado a “diplomacia” está falando, na verdade, de arquivar o chamado “protocolo da polícia” que consistia em uma série de negociações que os agentes deviam realizar com os sem terra antes de desalojá-los de um latifúndio ocupado.

Precisamente o novo ministro do Interior Rubem Candia Amarilla, designado por Lugo depois da matança, um político pertencente ao Partido Colorado, está tão identificado com o tema que pouco depois de assumir o cargo anunciou o fim do “protocolo” que obrigava a polícia a dialogar com os campesinos para evitar a violência.

O clima de hostilidade com os sem terra se intensificou nos últimos dias, quando a justiça ordenou a detenção de dezenas de sem terra e prendeu uma trabalhadora rural, disse hoje a campesina Magui Balbuena à Carta 
Maior.

“Temos relatórios de nossos representantes que estão no lugar do massacre informando que vários campesinos já foram levados à penitenciária de Coronel Oviedo ontem, onde tem uma mulher ferida com um filho de três meses que amamenta e a policia lhe tirou o bebê, ou seja, foi trasladada à prisão sem seu bebê de peito” denunciou Magui, da Coordenadora Nacional das Terras Irregulares.

Magui, assim como a Liga Campesina do Paraguai, denunciaram irregularidades nas investigações dos fatos que deixaram 11 lavradores mortos.

“Estamos longe de começar uma verdadeira investigação para o esclarecimento do acontecido, há indícios fortes de que a direita está metida em tudo isto para gerar uma crise política e truncar o desenvolvimento do processo que levamos adiante no Paraguai” afirma a militante.

Tradução: Libório Junior

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NO PAÍS DOS RURALISTAS, A ESCRAVIDÃO É SEM FIM: FAZENDEIROS SÃO ACUSADOS PELA TERCEIRA VEZ POR USO DE TRABALHO ESCRAVO

NO PAÍS DOS RURALISTAS, A ESCRAVIDÃO É SEM FIM: FAZENDEIROS SÃO ACUSADOS PELA TERCEIRA VEZ POR USO DE TRABALHO ESCRAVO

No país dos ruralistas: desmatar e escravizar são a mesma moeda

A escravidão no Brasil parece não ter fim. A única solução plausível para esse e inúmeros outros problemas do país é um investimento pesado, uma cruzada pela educação e pela distribuição de renda.  Sem educação e distribuição de renda, os crimes contra a base mais fragilizada da sociedade continuarão indefinidamente.

Pecuaristas são flagrados com escravos pela terceira vez

São Paulo – O gado tinha instalações melhores do que as dos trabalhadores. Isolados há 43 km em área só acessível por meio de estradas em péssimo estado de conservação, os empregados viviam em barracos de lona e palha, não tinham registro em carteira e eram obrigados a comprar itens básicos a preços mais caros, com descontos nos salários. A água consumida era a mesma que servia aos bois, contaminada pelas fezes e urina dos animais. Por vezes, era armazenada em embalagens de agrotóxico recicladas. Não havia banheiro. Nem papel higiênico.

Segundo informações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), eram estas as condições a que estavam submetidos 46 pessoas resgatadas na Fazenda Renascer, ou Guapó, como era mais conhecida a área isolada próxima de Pacajá, no interior do Pará. Eles trabalhavam para Leoni Lavagnoli, proprietário dos bois, e José Carlos Tardin do Carmo Júnior, administrador da fazenda. Foi a terceira vez que os dois pecuaristas foram apontados como responsáveis por submeter trabalhadores em condições análogas às de escravidão, crime previsto no artigo 149 do Código Penal brasileiro.

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NOVO CÓDIGO COMEÇA A SER VOTADO NO SENADO ENQUANTO MANIFESTANTES PROTESTAM NO CONGRESSO NACIONAL

Árvores são plantadas em frente ao Congresso Nacional como forma de protesto ao novo Código

O projeto do novo Código Florestal  – PLC 30/2011 – entrou na pauta de votação do senado na última terça-feira (6/12) em meio a intensos protestos da sociedade civil organizada. A sessão promete ser longa, não menos que a polêmica.

Boa parte dela vem de algumas resoluções do novo Código, dentre elas, a concessão de perdão a quem desrespeitou as regras de proteção da floresta,a diminuição das Áreas de Preservação Permanente (APP), das Reservas Legais, além do estímulo a mais desmatamentos.

Os termos do novo Código vêm, neste sentido, com uma forte presença dos interesses ruralistas e é justamente o grupo quem tem mais pressa na aprovação do texto. Talvez porque serão eles os mais beneficiados caso o novo Código passe a valer. Resta saber se o saldo para o meio ambiente, que é quem realmente interessa ou deveria interessar nessa conta toda, será positivo.

Veja trecho de notícia sobre o assunto publicada pelo Brasil de Fato:

Sessão que decide Código Florestal começa no Senado
Apesar de extremamente questionado por diversos setores da sociedade, projeto entra no plenário em regime de urgência.
Por Vinicius Mansur

O polêmico projeto do novo Código Florestal – PLC 30/2011 – está na pauta de votação do Senado desta terça-feira (6). Apesar de extremamente questionado por diversos setores da sociedade organizada, o projeto entra no plenário em regime de urgência. A sessão promete ser longa. Até o momento 44 emendas foram protocoladas e a expectativa é de que outras sejam apresentadas durante a discussão em plenário.

Sociedade contrária
O Greenpeace exibiu na Praça dos Três Poderes, em Brasília, uma motosserra gigante solicitando ao Senado a não aprovação do texto elaborado pelos senadores Jorge Viana (PT-AC) e Luis Henrique (PMDB-SC). Contudo, os protestos dentro da Casa não devem acontecer. Desde as primeiras horas desta terça-feira, a entrada no Senado está rigidamente controlada e o acesso à galeria do plenário, para assistir in loco a votação, está restrita àqueles que tiveram acesso aos poucos crachás liberados pela presidência da Casa.

O Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, articulação composta por entidades como Confederação Nacional de Bispos dos Brasil (CNBB), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), sindicatos, movimentos da agricultura familiar e organizações socioambientais, distribuiu uma nota aos parlamentares nesta segunda-feira (5) apontando “os problemas que impedem a aprovação do PLC 30/2011”. Entre as críticas, o comitê aponta que o PLC 30/2011 concede o perdão – denominado de “área rural consolidada” – a quem desrespeitou as regras de proteção às florestas, reduz as Áreas de Preservação Permanente (APP) e as Reservas Legais e estimula novos desmatamentos.

No último dia 29, o comitê realizou um ato em Brasília, no qual entregou à presidência da República um abaixo-assinado com 1,5 milhões de assinantes contrários à aprovação do PLC 30/2011. Na semana passada, a CNBB e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) enviaram cartas ao Senado solicitando mais tempo para o debate sobre o tema. (Texto completo)

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Novo Código = Planeta em perigo

O relatório do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB) com mudanças no Código Florestal está para ser votado nesta semana. A previsão era de que ele entrasse em votação ontem, terça-feira. No entanto, o governo e o relator do projeto ainda não chegaram a um consenso sobre o texto final e diversos setores e entidades da sociedade civil repudiam abertamente as mudanças previstas para o novo Código Florestal.

Em post recente, divulgamos um vídeo que explica, de forma bastante clara, os perigos para a vida e para o equilíbrio ambiental que as mudanças no Código Florestal podem provocar caso sejam aprovadas. O novo Código age em benefício do agronegócio, de algumas pessoas conservadoras que insistem em fazer o Brasil andar para trás, como lembrou a militante ambientalista e ex-senadora Marina Silva (PV) em notícia publicada pela Carta Maior.

As entidades contrárias à aprovação do novo Código defendem um adiamento para que o texto do projeto possa ser aperfeiçoado, enquanto isso, o agronegócio continua a fazer pressão. Como em toda discussão, a melhor saída sempre passa pelo diálogo, no entanto, não há como negar os equívocos do atual projeto de mudança no Código Florestal, ele, claramente, age em prejuízo do meio ambiente e do bem estar social para beneficiar a poucos, bem poucos.

Veja mais detalhes sobre o assunto no trecho que segue abaixo de notícia publicada pela Carta Maior:

Mais de 50 entidades repudiam mudanças no Código Florestal
Igor Felippe Santos, da Página do MST

Mais de 50 entidades da sociedade civil rejeitaram o relatório do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB) com mudanças no Código Florestal e pediram mais tempo para a discussão, no seminário nacional promovido em São Paulo (SP), no sábado, que reuniu mais de 400 pessoas. Para João Pedro Stédile, da coordenação da Via Campesina Brasil e do MST, objetivos centrais do agronegócio são garantir a anistia financeira e criminal para os latifundiários que desmataram e desrespeitaram a lei, acabar com a Reserva Legal e abrir a fronteira agrícola para as empresas de papel e celulose.

A votação do projeto é a principal pauta da Câmara dos Deputados nesta semana. Com previsão de entrar em votação nesta terça-feira (10), o governo e o relator do projeto ainda não chegaram a um consenso sobre o texto final.

“Não podemos aceitar de forma alguma as mudanças no Código Florestal, que vão contra os princípios da vida e do meio ambiente”, afirmou o padre Nelito Dornelas, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Segundo ele, esse projeto está dentro do contexto de uma ideologia que leva à morte, com a qual a Igreja Católica no Brasil não compactua. “Temos o compromisso de continuar nesse luta”, disse.

Jayme Vita Roso, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), comparou a resistência às alterações propostas de Aldo Rebelo no Código Florestal à luta dos setores progressistas contra projeto que permitia aos Estados Unidos utilizar a Base Militar de Alcântara, no Maranhão. O projeto, que saiu da pauta no começo do governo Lula, era considerado uma ameaça à soberania nacional e, pela localização estratégica, a entrega da Amazônia aos Estados Unidos. (Texto completo)

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BANCADA DA DESTRUIÇÃO: RURALISTAS ESTÃO QUIETINHOS DEPOIS DA TRAGÉDIA NO RIO DE JANEIRO

Código Florestal precisa ser mais rígido e ampliar áreas de proteção

Quem ainda não falou nada sobre a tragédia no Rio de Janeiro foram os  ruralistas, que defendem a ocupação no topo de morros, na beira dos rios e em qualquer lugar que exista e se possa lucrar.

A bancada ruralista, uma das maiores do Congresso Nacional, foi durante os últimos anos a ferrenha defensora da revisão do Código Florestal no sentido de diminuir a proteção ambiental.

As grandes empresas de comunicação poderiam ouvir a senadora Kátia Abreu (DEM), líder dos ruralistas, para que ela comentasse sobre a plantação em morros e margens de rios e também sobre a tragédia no Rio.

A tragédia do Rio de Janeiro mostra que é preciso rever as alterações no projeto de código florestal que está no Congresso Nacional e aumentar as garantias ambientais, principalmente às margens de rios e nos topos de morros.

Veja trecho de matéria da Folha de ontem:

As mudanças propostas pelo projeto de alteração do Código Florestal -pensadas para o ambiente rural e florestas- ampliam as ocupações de áreas sujeitas a tragédias em zonas urbanas.
O texto em tramitação no Congresso deixa de considerar topos de morros como áreas de preservação permanente e libera a construção de habitações em encostas.
Locais como esses foram os mais afetados por deslizamentos de terra na semana passada na região serrana do Rio, que mataram mais de cinco centenas de pessoas.
O projeto ainda reduz a faixa de preservação ambiental nas margens de rios, o que criaria brecha, por exemplo, para que parte da região do Jardim Pantanal, área alagada no extremo leste de São Paulo, seja legalizada.
A legislação atual proíbe a ocupação em áreas de encostas a partir de 45 de inclinação, em topo de morro e 30 metros a partir das margens dos rios -a distância varia de acordo com a largura do rio.
A proposta já foi aprovada por uma comissão especial e deve ser votada pelo plenário da Câmara em março. Se aprovada, vai para o Senado. (Texto integral, para assinante)

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REFORMA AGRÁRIA NO BRASIL É FEITA COM ESMOLA; RURALISTAS EMBOLSAM 25 VEZES O VALOR REPASSADO A COOPERATIVAS DE ASSENTADOS
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FAZENDEIROS GANHAM DINHEIRO COM GOVERNO LULA, MAS LIDERANÇAS RURALISTAS ESTÃO LIGADAS AO PSDB

Foto: Sam Beebe/ creative commons

Ruralistas ganham com governo petista, mas fazem oposição

O representante de uma classe (ou categoria social) necessariamente não representa os interesses dessa classe. Isso parece ser o caso dos fazendeiros e seus representantes ruralistas. O temor histórico e ideológico das lideranças ruralistas as impedem de enxergar os benefícios levados a classe toda pelo governo petista.

Durante o governo Lula, os fazendeiros foram beneficiados em todos os sentidos, incluindo financiamentos e refinanciamentos intermináveis para produção, política setorial, investimento em infraestrutura, liberação do contrabando de sementes transgênicas e agora com uma briga com os Estados Unidos na OMC (Organização Mundial do Comércio) que pode gerar mais dinheiro para os fazendeiros. Veja matéria do Estadão.

Apesar desses ganhos, lideranças ruralistas são os ativistas mais radicais contra esse governo e contra as liberdades impostas pela democracia brasileira. Em algum momento os fazendeiros vão se perguntar: afinal, essas lideranças estão defendendo o interesse do setor ou apenas interesses pessoais?

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Feira de alimentos produzidos em assentamento

Em uma esclarecedora entrevista com Miguel Carter, professor da Amercian Universty, nos Estados Unidos, Paulo Henrique Amorim mostra que os ruralistas levam do povo brasileiro 25 vezes o valor em dinheiro que o governo investe em cooperativas de assentados. Até aí tudo bem, mas o que os ruralistas fazem com o dinheiro da população brasileira? Como o governo fiscaliza esse dinheiro? Por que a revista Veja só faz reportagem questionando verbas enviadas para o MST se os ruralistas levam 25 vezes mais?

Matematicamente falando, se houver um desvio de 10% nas verbas enviadas para os ruralistas, eles já teriam desviado 2 vezes e meia o total que o governo envia para a produção de todas as cooperativas de assentamentos, que em grande parte, produzem os alimentos que impedem a inflação de subir e entram na mesa do brasileiro.

Outro absurdo. Se o governo aumentar em 100% o repasse de verbas para cooperativas de assentados, esse valor não chegaria a 10% do valor repassado para entidades ruralistas. É estarrecedor! Se o governo quadruplicar o valor repassado para assentamentos, ainda seria uma miséria, uma esmola.

Veja abaixo trecho da entrevista de Paulo Henrique Amorim.

PHA – O capítulo se chama “Luta na terra, o MST e os assentamentos” –  é esse ?

MC – Exatamente. Há uma parte onde eu considero sete recursos internos que o MST desenvolveu para fortalecer sua atuação, nesse processo de fazer a luta na terra, de fortalecer as suas comunidades, seus assentamentos. E aí tem alguns detalhes, alguns números interessantes. Porque eu apresento dados do volume de recursos que são repassados para entidades parceiras por parte do Governo Federal. Eu sublinho no rodapé dessa mesma página o fato de que as principais entidades ruralistas do Brasil têm recebido 25 vezes mais subsídios do Governo Federal (do que o MST).  E o curioso de tudo isso é que só fiscalizado como pobre recebe recurso público. Mas, sobre os ricos, que recebem um volume de recursos 25 vezes maior que o dos pobres, (sobre isso) ninguém faz nenhuma pergunta, ninguém fiscaliza nada. Parece que ninguém tem interesse nisso. E aí o Governo Federal subsidia advogados, secretárias, férias, todo tipo de atividade dos ruralistas. Então chama a atenção que propriedade agrária no Brasil, ainda que modernizada e renovada, continua ter laços fortes com o poder e recebe  grande fatia de recursos públicos. Isso são dados do próprio Ministério da Agricultura,  mencionados também nesse capítulo. Ainda no Governo Lula, a agricultura empresarial recebeu sete vezes mais recursos públicos do que a agricultura familiar. Sendo que a  agricultura familiar emprega 80% ou mais dos trabalhadores rurais.

PHA –  Qual é a responsabilidade da agricultura familiar na produção de alimentos na economia brasileira ? Saiba mais

Reforma agrária da senadora Kátia Abreu é modelo invertido de distribuição

Em reportagem de Leandro Fortes para a Carta Capital. Nela, um exemplo invertido de política social.  Políticos com poder expulsam pequenos agricultores e criam grandes fazendas. (mais)

INCRÍVEL, ATÉ OS FAZENDEIROS NÃO AGUENTAM MAIS A PEQUENEZ DE RACIOCÍNIO DA BANCADA RURALISTA

Nem os fazendeiros estão caindo na lábia da bancada ruralista (CC/Ana Cotta)

Incrível, mas há uma luz no fim do túnel para tirar os fazendeiros e empresários do agronegócio das concepções fantasiosas da bancada ruralista.

Um grupo de fazendeiros, reunidos na ONG Aliança da Terra, fez um manifesto diretamente contra a atuação da bancada ruralistas.

Os empresários, veja texto abaixo, não concordam com a linha “quanto mais destruição, melhor”  defendida pela bancada ruralista.

Para esses fazendeiros, há sim a necessidade de conservação do meio ambiente e o Brasil não pode cometer os mesmos erros que o resto do mundo cometeu ao destruir totalmente suas florestas. Saiba mais

REPÓRTER BRASIL: DEPOIMENTO DE TRABALHORES EM CONDIÇÃO DE ESCRAVIDÃO NO MARANHÃO E A CONSCIÊNCIA POLÍTICA DOS RURALISTAS

O Maranhão é dominado por essas histórias de um Brasil profundo.

Isso sim deveria ter uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). Uma CPI do trabalho escravo e da grilagem de terra.

Veja bem no final do vídeo abaixo, publicado no canal You Tube do Repórter Brasil,  a consciência política dos ruralistas desse Brasil profundo. Em que partido político será que o ruralista vai votar?

Parte da  classe média, que vive em casas e apartamentos nos grandes centros, não tem um palmo de terra, mas caem como patos no discurso dos ruralistas e de publicações obscurantistas como a revista Veja, da Abril.

Quem é mais criminoso? Que derruba pés de laranja ou quem escraviza seres humanos e faz a grilagem de terra? Essa é uma boa discussão para o Brasil.

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Bancada ruralista tem empréstimos subsidiados, mas não quer aumentar a produtividade

Grandes fazendeiros têm empréstimos subsidiados, mas não querem aumentar a produtividade

Dois temas importantes que entraram em debate nesta semana mostram que o governo de Lula é progressista e tenta melhorar as condições de vida da sociedade. O problema é a própria sociedade, o PMDB, os ruralistas e a elite econômica e suas organizações.

O primeiro tenta reduzir a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas. A redução é mínima, não deixaria nenhum empresário mais pobre, mas ajudaria em muito o país ao gerar novos empregos, além de diminuir o desgaste do trabalhador e dar melhor condição de vida, principalmente para profissões mais desgastantes.

Mas as entidades empresariais atuam de forma ideológica, disposta a não ceder nada. Querem apenas receber investimento de infraestrutura, financiamento com juros baixo e outros tantos projetos importantes realizados pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A elite econômica organizada do país tem um simples pensamento: “quero tudo e não cedo nada”. A proposta é defendida pelo governo, pelo ministro do Trabalho, Carlos Luppi, mas não adianta.

O segundo tema importante é o aumento do critério de produtividade da terra para reforma agrária, que tem critérios definidos com parâmetros de 1975. Esse é um tema dos mais importantes e necessários. O índice de produtividade está desatualizado e impede que áreas bastante improdutivas sejam desapropriadas para reforma agrária.

A reforma agrária no Brasil também não avança, mesmo com o governo Lula.  Os ruralistas travam qualquer avanço, qualquer migalha, mas arrastam infinitamente os empréstimos em bancos públicos.  Isso é razão ideológica.  A mudança não vai afetar nenhuma propriedade produtiva, não vai retirar um centavo do bolso dos ruralistas, mas eles não admitem qualquer avanço.  O Brasil se arrasta.

É por essas e outras que continuamos no terceiro mundo, mesmo tento o governo do presidente Lula tentado melhorar a situação. No governo anterior, o debate era outro: tirar direitos dos trabalhadores, privatizar e criar leis para dificultar a reforma agrária.

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