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FIM DAS SACOLINHAS PLÁSTICAS NO COMÉRCIO É PRIMEIRO PASSO PARA REPENSAR SISTEMA DE COLETA DE LIXO NAS CIDADES

O começo da mudança

O fim das sacolinhas plásticas no comércio e em supermercados é, de início, uma ótima notícia quando se pensa no quanto este tipo de material prejudica o meio-ambiente e também em quanto essa medida mudará a atitude do consumidor diante delas e também diante do seu próprio lixo e modo de vida.

No entanto, como lembra texto publicado pela revista Carta Capital, a questão das sacolinhas plásticas é mais complexa do que parece, isso porque elas não são apenas o meio que os consumidores utilizam de levar suas compras para casa, como também o meio utilizado por elas para descartar essas mesmas compras quando elas não lhe são mais úteis, ou seja, quando se tornam lixo.

Sem as sacolinhas plásticas, a população terá que comprar sacos de lixo e muitas famílias acabarão não inserindo este novo item nas compras de casa e o lixo corre o risco de ser descartado em terrenos baldios ou outros locais de forma irregular, isso porque falta a chamada “consciência do lixo” na população brasileira.

O ritual é sempre o mesmo. Coloca-se o lixo nas sacolinhas plásticas que até pouco tempo vinham facilmente de todos os lugares, depois ele é colocado nas cestinhas nas calçadas e depois…Depois não se sabe, nossos lixos desaparecem como um passe de mágica. Não sabemos para onde eles vão e tampouco nos interessa.

É nesse ponto que a falta de sacolinhas plásticas quebra o elo de uma cadeia que praticamente já está no inconsciente da maioria da população.

Por isso, o fim das sacolas plásticas é sim uma ótima notícia, mesmo porque as pessoas facilmente encontrarão uma forma alternativa de transportar suas compras, mas ele pode representar um avanço ainda maior ao fazer a sociedade questionar e repensar a sua relação com seus resíduos, já que instaura a necessidade de, como diz o texto de Dal Marcondes, repensar todo o sistema de coleta de lixo nas cidades, dando o primeiro passo para que o cidadão faça parte da cadeia da coleta seletiva e não mais permaneça alheio a ela, como acontece atualmente.

Veja trecho do texto sobre o assunto:

Sacolas Plásticas: O fim de um tormento ambiental
Por Dal Marcondes

Nas cidades brasileiras a população tem uma relação mágica com o lixo e com seus resíduos em geral. Basta colocar o lixo em um saquinho plástico e levar a té a calçada. De lá, como em um passe de mágica, ele desaparece e a maior parte das pessoas não tem nenhuma ideia de para onde vai. O mesmo acontece com o esgoto, a água que desce pelos ralos de que desaparece quando apertamos um botão de descarga. Para onde vai? Poucos se interessam em saber. Prefeitura da Capital e governo do estado de São Paulo decidiram acabar com as sacolas plásticas no comércio a partir de 25 de janeiro, o que certamente terá impactos positivos no meio ambiente. Afinal, muitas dessas sacolas acabam descartadas de forma irresponsável, entupindo redes pluviais nas cidades e provocando enchentes, ou sendo carregadas para rios e oceanos onde colocam e risco a via aquática. Golfinhos e tartarugas são grandes vítimas pois morrem após engolir essas sacolas.

Certamente não haverá ambientalista que se preze que seja a favor das sacolas plásticas. Porém esse pode se mais um tijolinho de boa intenção a pavimentar o caminho do inferno. As sacolas plásticas são apenas um elo na cadeia de produção, consumo e descarte. Certamente as pessoas podem dar um jeito para levar suas compras para casa sem sacolas plásticas. O problema não reside nesse elo. A questão é em relação ao descarte de resíduos. A eliminação das sacolas plásticas no comércio terá como impacto a falta de recipientes para descarte de lixo, principalmente orgânicos, nas casas de famílias de baixa renda. Elas terão de comprar sacos de lixo e, possivelmente, muitas delas não terão recursos para isso. O risco é temos lixo descartado de forma indevida em terrenos baldios, córregos e áreas públicas das cidades por pessoas irresponsáveis ou sem alternativas.

Para que uma medida de proibição total do usos de sacolas plásticas pelo comércio possa efetivamente funcionar e ser benéfica ao meio ambiente de forma abrangente é preciso repensar todo o sistema de coleta de lixo nas cidades. Mudar a relação cultural que o cidadão tem com seus resíduos, fazendo com que cada um se responsabilize de forma ativa com o descarte adequado dos resíduos. Na maior parte das cidades europeias cada um carrega seu lixo até contêineres colocados em pontos estratégicos e lá depositam de acordo com o tipo de lixo. Plásticos, papel, vidros, metais e orgânicos. Em alguns países, como a Alemanha, há dezenas contêineres diferentes, para materiais ainda mais específicos. Cada cidadão sai de casa com seu lixo e caminha até um ponto de coleta, onde cumpre seu papel na cadeia da coleta seletiva. (Texto completo)

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"Em Portugal, os mercados cobram cerca de 10 centavos de euro por cada sacola plástica. Acho que deveria ser assim aqui também”, sugeriu publicitária carioca adepta das sacolas retornáveis

Da Agência Brasil

Lei que desestimula uso de sacolas plásticas faz um ano e tem bom resultado no Rio
Por Flávia Villela

Rio de Janeiro – Em um ano de vigência da Lei 5.502/09, que desestimula o uso de sacolas plásticas no estado, a população fluminense deixou de consumir 600 milhões de sacolas. O número representa redução de cerca de 25% das 2,4 bilhões de sacolas que eram distribuídas anualmente no estado.

Os dados foram levantados pela Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) e divulgados hoje (15) pelo secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, que ficou satisfeito com o resultado. No entanto, Minc disse que é preciso intensificar a campanha e criar novas ações para estimular o consumo consciente da população fluminense.

“É um resultado expressivo. São menos 600 milhões de sacolas nos rios, lagoas e canais. É menos gasto para o Poder Público em dragagem e menos gente que perde tudo e morre por causa das inundações. Mas nosso objetivo é dobrar essa meta no ano que vem e passar para 50% de redução em relação ao número inicial de 2,4 bilhões de sacolas”, acrescentou.

Entre as propostas para incentivar o consumidor a aderir à campanha para reduzir o consumo de sacolas plásticas, Minc citou a redução do preço das embalagens reutilizáveis, o aumento do desconto dado ao cliente que não usa sacolas plásticas e a veiculação de peças publicitárias sobre o assunto.

Nesta manhã, o secretário visitou alguns supermercados na capital, para ver se os estabelecimentos estão cumprindo a lei e dando o desconto de 3 centavos por sacola não utilizada, viabilizando alternativas e informando com cartazes sobre o desconto e os males ao meio ambiente que esse tipo de embalagem traz. Durante a operação foram entregues também folhetos para incentivar a sociedade a mudar de comportamento. (Texto completo)

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