Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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Tragédia anunciada: estudo da Unesp mostra que política de segurança do PSDB disseminou a violência no estado de São Paulo

EXCLUSIVO! Um estudo, feito por pesquisadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (FCT/Unesp), e apresentado em evento More…

A DESIGUALDADE É PATENTE: NA FINLÂNDIA TUCANA DE SÃO PAULO CORONEL GANHA 430 VEZES MAIS DO QUE UM SOLDADO

PM – SP: o coronel que ganha 430 vezes, o salário de um soldado

De Paulo Cavalcanti

Os salários na Polícia Militar do Estado de S. Paulo, estão fielmente retratados na imagem acima, alerto os leitores para os valores da primeira coluna, “salário base” – pois é em cima desses valores, que o policial se aposenta, o resto que aparece no holerite, são “penduricalhos” – que o governador inventou, porém não incorpora ao salário, ou seja, quando o policial se aposenta, todos os “penduricalhos” saem fora do cálculo, e o que sobra é a miséria da miséria.

Comecei esse texto, mostrando um quadro que retrata quem é o pessoal linha de frente, aquele policial que está dia-a-dia nas ruas, zelando pela segurança pública. Fiz isso, para mostrar aquilo que toda a imprensa não mostra, que é vir à publico e retratar com todas as letras o cidadão que recebe “uma ajuda de custo” igual essa, como pode haver alguma exigência profissional. Isso não é salário, para quem tem tamanha responsabilidade.

O que pode levar muitos a clamar que o cara antes de ingressar na corporação, sabe dos salários e dos riscos que está correndo, fato que não é possível negar, porém isso não faz  justiça necessária às condições de trabalho que o policial está exposto diáriamente, e mesmo assim a imprensa sempre blindando a figura do governador de S. Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) – que vende uma imagem, que faz o povo pensar que estamos na Finlândia, tal a firmeza de “gestão” tucana em S. Paulo.

O salário do coronel

Em agosto/2012, segundo matéria publicada no jornal O Globo – havia na folha de pagamento do Estado, e foi publicado no site Transparência, a relação de salários do funcionalismo público, e o maior salário líquido do estado no mês de junho foi o do coronel da reserva da Polícia Militar (PM) que foi subprefeito (gestão Kassab), da Lapa, na Zona Oeste da capital paulista, Aílton Araújo Brandão: R$ 254.099,57 (duzentos e cinquenta e quatro mil, noventa e nove reais e cinquenta e sete centavos) – vencimentos mais 14 licenças-prêmios atrasadas, segundo o governador Geraldo Alckmin-, seguido por dois fiscais de renda da Secretaria da Fazenda, ambos na ativa, com vencimentos líquidos de R$ 180.268,14 e R$ 134.824,96, respectivamente. (Texto Integral)

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GERALDO ALCKMIN EM VÍDEO DE 2006 (!!) SE MOSTRA IRRITADO COM PERGUNTA SOBRE A VIOLÊNCIA DO PCC NO ESTADO DE SÃO PAULO

Geraldo: Pinheirinho e PCC: tudo a ver.

O governador Geraldo Alckmin não tem desculpa. Ele ocupou e influenciou o poder executivo de São Paulo por pelo menos 13 anos nos últimos 18 anos em que o PSDB está no governo. Foi vice-governador de 95 a 2001 e governador de 2001 a 2006. Este ano, para quem já se esqueceu, é 2012. Ele está há dois anos novamente como governador. Não fez nada.

A crise da violência com o governo do PSDB não tem solução.  O governo do PSDB em São Paulo é perverso com a população mais pobre, acentuando a desigualdade brasileira, vide Pinheirinho, o que fortalece ainda mais os grupos criminosos. Assista vídeo em inglês, com legenda, de 2006, em que o governador se irrita com perguntas sobre a violência do PCC.

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CONFLITO DE GERAÇÕES: O DIÁLOGO IMPERTINENTE E REVELADOR ENTRE PAI E FILHO SOBRE POLÍTICA E MÍDIA NO BRASIL

O SAMBISTA ADONIRAN BARBOSA ANTECIPOU GERALDO ALCKMIN E EXPLICA A VIOLÊNCIA EM SÃO PAULO COM SAMBA DA DÉCADA DE 60

Adoniram eternizou Pinheirinho meio século antes de acontecer

A genialidade do sambista Adoniran Barbosa é capaz de explicar com meio século de antecedência porque São Paulo vive uma guerra civil entre policiais militares e o PCC.

Ele nos mostra que a raiz está no Pinheirinho (expulsão de moradores em bairro de São José dos Campos a mando da Justiça e com a força policial do Estado de São Paulo, comandado por Geraldo Alckmin). Pinheirinho é um exemplo e não é novidade. Esse é o cerne da violência em São Paulo. A violência começa com os poderes do Estado (Justiça e Executivo) contra sua própria população.

Adoniran fez a música na década de 60 do século passado e nada mudou. O oficial de justiça e o poder do Estado, que deveriam garantir condições dignas de moradia para o seu povo, em primeiro lugar, são aparelhos da violência e da desigualdade. A política da elite brasileira não muda.”É ordem superior”, diz Adoniran.

E Adoniran perguntou a Geraldo Alckmin meio século antes de Pinheirinho: “e essa a gente aí hein,  como é que faz?”

Despejo na Favela

“Quando o oficial de justiça chegou
Lá na favela
E contra seu desejo
entregou pra seu narciso
um aviso pra uma ordem de despejo
Assinada seu doutor, assim dizia a petição,
dentro de dez dias quero a favela vazia
e os barracos todos no chão
É uma ordem superior,
Ôôôôôôôô Ô meu senhor, é uma ordem superior
Não tem nada não seu doutor, não tem nada não
Amanhã mesmo vou deixar meu barracão
Não tem nada não seu doutor
vou sair daqui pra não ouvir o ronco do trator
Pra mim não tem problema
em qualquer canto me arrumo, de qualquer jeito me ajeito
Depois o que eu tenho é tão pouco minha mudança é tão pequena que cabe no bolso de trás,
Mas essa gente ai hein como é que faz????

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NÚMERO DE HOMICÍDIOS CAI EM SÃO PAULO, MAS VIOLÊNCIA POLICIAL E LOTAÇÃO DOS PRESÍDIOS LEVANTA DISCUSSÃO SOBRE MÉTODOS PREVENTIVOS DE COMBATE AO CRIME

Quem vigia o vigilante?

As taxas de homicídio doloso vêm caindo nos últimos dez anos no estado de São Paulo. No entanto, os índices de queda nos assassinatos são acompanhados de superlotação e expansão da população carcerária; e de uma violência crescente por parte da polícia e das autoridades responsáveis por conter a criminalidade.

O Educação Política divulgou em post recente que a polícia de São Paulo mata mais do que a polícia de Nova York. Tal situação nos leva a refletir a respeito dos métodos que estão sendo utilizados para garantir segurança à população e, por outro lado, permitir àqueles que cometeram algum tipo de crime o acesso a políticas efetivas de recuperação e reinserção na sociedade.

Como mostra reportagem publicada pela Unesp Ciência, pesquisadores da área de segurança pública questionam justamente os métodos utilizados pela polícia e dizem que ao pensar que as taxas de homicídio estão sendo reduzidas porque a polícia está de fato contendo a ação dos criminosos é uma visão da criminologia muito primária, mesmo porque o Brasil tem taxas de reincidências altíssimas.

O problema da segurança pública no Brasil é que não há uma política de segurança pública no Brasil. As polícias quando não matam, apenas encarceram os criminosos em espaços onde eles continuam cometendo os mesmos crimes de sempre. Por isso, métodos preventidos e uma vigilância dos próprios vigilantantes são alternativas pensadas por estudiosos da área, como mostra texto logo abaixo.

Transparência para quem precisa
O número de homicídios em São Paulo vem caindo, enquanto o total de prisões cresce e o de mortes pela PM se mantém; cientistas sociais põem em xeque a relação entre os dados e defendem uma polícia mais preventiva, aberta ao controle da sociedade

Por Pablo Nogueira e Giovana Girardi

Nos últimos dez anos, São Paulo vem obtendo uma sequência de quedas nas taxas de homicídio
doloso. No primeiro trimestre deste ano, o índice chegou a 9,5 casos por 100 mil habitantes, o que pela primeira vez deixou o Estado abaixo do nível considerado epidêmico pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 10 por 100 mil. A divulgação dos índices repercutiu positivamente junto à sociedade e permitiu ao governo do Estado reivindicar méritos para a estratégia de segurança pública que vem sendo desenvolvida na última década.

Mas outros indicadores precisam ser considerados para entender as mudanças que ocorreram na segurança pública neste período. A população carcerária do Estado explodiu, saltando de 53.117 em 1999 para 173.060 em 2010, o equivalente a 35% do total nacional. A principal responsável pelas prisões, a Polícia Militar, viu crescer
em mais de 200% sua participação no total de homicídios dolosos contabilizados em São Paulo, pulando de 2,63% em 1996 para 11,15% em 2008 (veja gráfico na pág. 21). Só para comparar, no mesmo ano, os policiais nova-iorquinos responderam por 1,3% dos homicídios registrados na cidade.

Esses números têm levantado questionamentos por parte de alguns pesquisadores da área de segurança pública. “Pensar que as taxas de homicídio estão se reduzindo porque estamos detendo os criminosos é uma visão de criminologia muito primária de que se o indivíduo é preso não vai reincidir. E os dados no Brasil apontam
alta taxa de reincidência”, diz Luís Antonio Francisco Souza, coordenador científico do Observatório de Segurança Pública da Unesp em Marília.

“O sujeito contido não deixa de cometer crime nem durante a punição nem depois de cumprir a pena.” Desde 2005, Souza e um grupo de estudantes de pós-graduação se dedicam a monitorar as boas práticas que surgem na
área, além de refletir criticamente sobre o setor. Para ele, os dados têm de ser interpretados de outro modo: “as taxas de encarceramento continuam altas a despeito da redução das taxas de criminalidade”, diz. (Texto completo)

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WIKILEAKS: SECRETÁRIO DE SEGURANÇA PÚBLICA TERIA EXPOSTO A MEMBROS DO CONSULADO AMERICANO AS PÉSSIMAS CONDIÇÕES DOS PRESÍDIOS BRASILEIROS
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WIKILEAKS: SECRETÁRIO DE SEGURANÇA PÚBLICA TERIA EXPOSTO A MEMBROS DO CONSULADO AMERICANO AS PÉSSIMAS CONDIÇÕES DOS PRESÍDIOS BRASILEIROS

Durante essa semana, a agência A Pública vem divulgando o conteúdo de 2,5 mil telegramas oficiais da diplomacia americana referentes ao Brasil, obtidos pelo WikiLeaks. Em alguns deles, constam revelações feitas pelo atual titular da Secretaria de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, sobre as condições precárias do sistema prisional brasileiro quando ele ocupava o cargo de Secretário de Administração Penitenciária de São Paulo, em 2008.

Entre outras afirmações, o secretário teria dito que os presídios de São Paulo são como campos de concentração, onde a superlotação, a corrupção e o favorecimento impedem qualquer chance de ressocialização dos detentos. A franqueza do atual secretário em admitir problemas graves da própria administração estadual dos presídios teria provocado perplexidade junto aos representantes diplomáticos dos EUA que perceberam o sistema prisional brasileiro como instituição distante de reais políticas de recuperação dos detentos e respeito aos direitos humanos.

Ainda segundo o que afirma a agência A Pública a partir do conteúdo dos telegramas, nunca faltou dinheiro para investir nos presísios paulistas buscando melhorias na sua condição.Como mostra notícia publicada pelo Terra Magazine, “entre 2006 e 2009, durante a gestão de Antonio Ferreira Pinto, a Secretaria de Administração Penitenciária gozava de um dos maiores orçamentos do Estado”, ao contrário do que dizia o atual secretário ao alegar sérias restrições orçamentárias em fevereiro de 2008, época da sua gestão na administração penitenciária.

Veja trecho de texto sobre o assunto publicado pelo Terra Magazine:

WikiLeaks: Secretário compara presídios de SP a campos de concentração
Da Redação

Secretário de Administração Penitenciária de São Paulo em 2008, Antonio Ferreira Pinto, hoje titular da Secretaria Segurança Pública, admitiu a funcionários do Consulado dos Estados Unidos que as cadeias do Estado eram tão ruins que se pareciam com “campos de concentração”. A revelação sobre a precariedade do sistema prisional paulista foi feita em fevereiro daquele ano e consta de um dos 2,5 mil telegramas oficiais da diplomacia americana referentes ao Brasil, obtidos pelo WikiLeaks, que a agência A Pública divulga durante essa semana.

A declaração do ex-oficial da Polícia Militar Antonio Ferreira Pinto provocou perplexidade, conforme comunicado enviado a Washington. “As autoridades estaduais nos impressionaram com sua franqueza em admitir falhas severas no sistema prisional”.

A conversa com o então secretário de Administração Penitenciária deixou os representantes diplomáticos dos Estados Unidos convictos de que São Paulo não contava “com políticas públicas para combater os problemas prisionais”. Deixou claro ainda que mazelas do sistema prisional do Estado, como a superlotação, permaneciam sem solução à vista e que não havia “iniciativas para reabilitação de ex-detentos e de programas para transformar possíveis criminosos em membros produtivos da sociedade”. (Texto completo)

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PARA COMBATER A VIOLÊNCIA O BRASIL PRECISA DE UM CHOQUE DE TRANSPARÊNCIA NO SISTEMA DA JUSTIÇA CRIMINAL, DIZ SOCIÓLOGO

De onde vem a flecha que atinge o alvo?

Simplificar certa realidade ou estado de coisas poder ser bom algumas vezes, mas ruim em outras. Simplificar pode ajudar a resolver o problema ou a mascarar as disfarças causas que o desencadeiam de alguma forma. É este disfarçe de causas que vem acontecendo em relação ao problema crônico da violência no Brasil.

A insegurança vem sendo associada apenas ao problema do tráfico de drogas como se, resolvendo o problema do tráfico, a violência desaparecesse como em um passe de mágica. No entanto, a vida nos ensina que as coisas são mais  profundas do que se pensa. A violência talvez seja uma das marcas sociais mais complexas nas suas causas e consequências, justamente, porque ela envolve diferentes segmentos da vida social.

O pacto para a redução de homicídios, articulado pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, em parceria com os governadores, bandeira do atual governo, retoma o debate sobre segurança pública em um contexto onde os índices não são nada agradáveis para o Brasil. Segundo dados de matéria publicada pela revista Carta Capital, o Brasil registra uma média de 50 mil cidadãos mortos por homicídio todo ano. O número nos alça à posição de sexto país mais violento do mundo e, em meio a esse caos, não há consenso em relação às causas da violência.

De um lado, ela continua sendo atribuída à desigualdade social, de outro, à impunidade e falta de um endurecimento maior no Código Penal. No meio de tudo isso, está nosso excelente sistema judiciário. O texto publicado na Carta Capital prevê que “na tendência atual, a estrutura de segurança pública do País caminha para o colapso”. Isso se explica em função da quantidade exorbitante que o país gasta com segurança pública, mas que não é revertida em nenhum benefício para a população. Ou seja, gasta-se muito e gasta-se mal, na direção errada.

O fato é que o quadro da violência é muito mais amplo e sutil. A maior parte dos crimes, como também mostra o texto, “vitima jovens, negros e inseridos em contextos de vulnerabilidade e conflitos interpessoais. Disputas do crime organizado e envolvimento com drogas contribuem, em média, com um terço das razões para o cometimento desses crimes”. O crime organizado pode sim ser o mais influente no espaço da violência, mas ele não é seu ator exclusivo. O protagonista da violência talvez esteja nos gabinetes do judiciário, nos sitemas da justiça criminal, protegidos em suas casas e privilégios.

Segue trecho do texto publicada na Carta Capital que discute essas e outras questões sobre a violência:

Estereótipos da violência
Por Renato Sergio de Lima

Atribuir os problemas única e exclusivamente ao tráfico de drogas é um dos tantos lugares-comuns que obstruem o debate sobre o tema

Uma das principais bandeiras do novo governo, o pacto para a redução de homicídios, articulado pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, em parceria com os governadores, retoma um debate fundamental para a segurança pública. O Brasil não pode aceitar que anualmente mais de 50 mil cidadãos sejam mortos por homicídio. O número representa uma taxa persistente de cerca de 25 mortes para cada 100 mil habitantes e nos coloca na triste posição de sexto país mais violento do mundo.

O Brasil enfrenta, porém, desafios consideráveis quando se debruça sobre as razões desse quadro. Não há consenso a respeito das causas da violência e o que vemos é um cenário no qual o Estado se vê às voltas de imensas demandas sociais, corporativas e políticas, mas pouco consegue interferir na qualidade de vida da população e na garantia efetiva de paz e direitos.

De um lado, posições marcadas pelo reducionismo típico de visões que reputam à desigualdade e às demais condições socioeconômicas as mazelas brasileiras, incluída a violência. De outro, aqueles que defendem o encarceramento intenso e medidas de endurecimento penal como forma de conter o crescimento da criminalidade, por sua vez atribuída quase exclusivamente ao crime organizado e às drogas ilícitas (crack, cocaína etc.).

No meio do caminho, um oneroso sistema de Justiça e segurança pública que, muitas vezes, desconsidera cenários dinâmicos (o peso das drogas lícitas como o álcool, por exemplo) e fica paralisado por disputas de competência e jogos corporativos, mas que demanda investimentos crescentes para se manter. (Texto Completo)

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APÓS CRISE, MULHER ASSUME CHEFIA DA POLÍCIA CIVIL DO RJ

Para ela, o desafio deve ser encarado com dedicação à coisa pública e amor à Polícia Civil

Após crise interna da instituição desencadeada pela Operação Guilhotina, que prendeu mais de 35 policiais civis e militares envolvidos com corrupção, tráfico de drogas e ligação com milícias, a delegada Marta Rocha foi escolhida como a nova chefe de Polícia Civil do Rio para substituir o delegado Allan Turnowski.

Podemos aqui traçar um interessante pararelo entre a nova chefe da polícia civil carioca e a presidente da república Dilma Rousseff. Assim como esta última, a nova chefe é mulher e tem pela frente um grande desafio: reestruturar a polícia carioca e fazer uma espécie de limpeza dentro da instituição. Afinal, diante de uma realidade onde quem é responsável por fazer valer a lei e a justiça confunde-se com aqueles que a ameaçam e desrespeitam, as esperanças em um país onde vigore um estado pleno e permanente de segurança pública vão ficando cada vez menores e mais distantes.

Portanto, se o desafio de Dilma para melhorar o Brasil é grande, o de Marta Rocha não é menor! Veja trecho de notícia sobre o assunto publicada no site da Carta Capital e também na Agência Brasil:

Uma mulher na chefia da Polícia Civil do RJ
Redação Carta Capital

A delegada Marta Rocha é a substituta de Allan Turnowski, que deixou o cargo nesta terça-feira, após crise na instituição deflagrada pela Operação Guilhotina da PF

A delegada Marta Rocha foi escolhida como a nova chefe de Polícia Civil do Rio. Ela substituirá o delegado Allan Turnowski que deixou o cargo na manhã de terça-feira 15, a pedido do secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame, após uma crise interna na instituição. Foram cinco horas de reunião para decidir quem seria o novo chefe da Polícia Civil.

A saída de Turnowski foi provocada pela Operação Guilhotina, desencadeada pela Polícia Federal na sexta-feira 11, que prendeu mais de 35 policiais civis e militares envolvidos com corrupção, tráfico de drogas e ligação com milícias.

A nova chefe da polícia civil carioca entrou nos quadros da Secretaria de Segurança Pública em 1983 como policial e já concorreu às eleições como deputada estadual. Em 1990, passou no concurso como delegada; já foi corregedora da Polícia Civil e antes de ser escolhida para o novo cargo, coordenava as delegacias especializadas da Mulher. (Texto Completo)

Secretário de Segurança do Rio escolhe substituta de Alan Turnowski na chefia da Polícia Civil

Douglas Corrêa
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – A delegada Marta Rocha é a nova chefe de Polícia Civil do Rio, em substituição ao delegado Allan Turnowski, que deixou o cargo hoje (15) pela manhã, após uma crise interna na instituição.

A saída de Turnowski foi provocada pelos fatos mostrados com a Operação Guilhotina, desencadeada pela Polícia Federal, com a finalidade de prender policiais civis e militares envolvidos com corrupção, tráfico de drogas e ligação com grupos de milicianos.

Marta Rocha foi escolhida depois de quase cinco horas de reunião na Secretaria de Segurança Pública. Atualmente, ela coordena as delegacias especializadas da Mulher no estado. A delegada foi corregedora da Polícia Civil.

A nova chefe de Polícia Civil disse que esse desafio vai exigir dela aquilo que tem de melhor para dar. “O amor à Polícia Civil, a dedicação à coisa pública, a honrabilidade do meu cargo e a certeza de que a gente pode construir uma sociedade justa, solidária com a participação da Polícia Civil e da Secretaria de Segurança Pública”. (Texto Completo)

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ESTADO DE SÃO PAULO, DO GOVERNADOR JOSÉ SERRA (PSDB), POLÍCIA NÃO INVESTIGA E SITUAÇÃO É GRAVE

POLÍCIA JUDICIÁRIA EM SÃO PAULO

Por Flávio Lapa Claro

O G1 publicou, no último dia 14, notícia intitulada “Polícia investiga apenas 16% dos delitos cometidos em São Paulo”.

São dados estarrecedores. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, “De janeiro a setembro de 2008, foram registrados 110.497 crimes violentos (homicídio, roubo, latrocínio, estupro). No mesmo período, a polícia instaurou 70.635 inquéritos – nem todos relativos a esses crimes”.

A Constituição da República Federativa do Brasil determina, em seu artigo 144, que são incumbências das polícias civis estaduais as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais (exceto as militares), e que cabe às policias militares a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública.

A única ressalva quanto ao tipo de infração penal a ser apurada pela polícia civil é a infração penal militar. Não me consta que exista qualquer norma que diga: crimes violentos devem ser investigados, outros tipos de crimes podem ou não ser investigados. A apuração de TODAS as infrações penais – exceto as militares – é incumbência – leia-se obrigação legal – da Polícia Civil.

No período citado pela reportagem, foram registrados 110.497 crimes chamados “violentos”.

Para que possa ser feita uma análise um pouco mais séria do assunto, algumas perguntas devem ser respondidas:
1.    Quantos crimes “não violentos” (existe isso?) foram registrados no mesmo período?
2.    Qual a estimativa de crimes efetivamente ocorridos mas não registrados?
3.    Dos registros efetuados, quantos são de autoria desconhecida?
4.    Do total de inquéritos instaurados no período (70.645), quantos foram instaurados por prisão em flagrante e quantos por portaria?
5.    Dos inquéritos instaurados por portaria, quantos foram esclarecidos e relatados na unidade policial de origem, sem remessa para delegacia especializada?

As respostas a estas perguntas nos darão a certeza da absoluta incapacidade da Polícia Civil do Estado de São Paulo para cumprir minimamente com as suas obrigações legais.

Chegamos a essa situação após uma seqüência – que hoje me parece ininterrupta – de governadores que não fazem idéia do que seja Segurança Pública, ou, pior, tratam deste assunto de acordo com seus preconceitos ou interesses pessoais.

Além da falta de investimento na qualificação do pessoal, salário, condições de trabalho, equipamento, dependências, etc., etc., etc., algumas imbecilidades são dignas de registro:
•    A determinação do Fleury para que todas as viaturas da Polícia Civil fossem caracterizadas;
•    A extinção do DEIC pelo Covas;
•    O esvaziamento total das chefias dos distritos policiais pelos sucessivos governadores;
•    A priorização do que é visível pela população ou formadores de opinião em desfavor do que é producente;
•    A estagnação da quantidade de cargos existentes nas diversas carreiras policiais civis, apesar do aumento da população.

Poderia passar algumas horas escrevendo aqui, e ainda assim não conseguiria concluir a lista. Por isso, a concluirei com um sonoro e enorme “eticétera”.

O que temos hoje são distritos policiais cujas únicas atribuições são os registros de boletins de ocorrência (só de alguns tipos de ocorrência) e a lavratura de prisões em flagrante; SIG’s, DIG’s, delegacias, divisões e departamentos especializados que não possuem a menor condição de dar conta de todas as investigações, seja por falta de pessoal, de material, de investimento ou de vontade política dos responsáveis por estas unidades.

Em compensação, o que dá votos recebe toda a atenção do governo e da administração. Os chamados grupos de elite da polícia civil, tipo GARRA e GOE; as escoltas de VIP’s; escoltas de autoridades (juizes, inclusive); rondas ostensivas sem qualquer objetivo concreto; e muitos outros tipos de ações que não têm nada a ver com a Polícia Judiciária, mas são visíveis para a população ou para formadores de opinião, consomem uma quantidade imensa de pessoal e recursos, seja usurpando funções da Polícia Militar, fazendo patrulhamento ostensivo fardado, seja puxando o saco das autoridades.

Como se vê, a incapacidade da Polícia Civil de minimamente cumprir com as suas obrigações está diretamente ligada ao trato que o Governo do Estado dá ao assunto.
Mas o problema não se restringe ao governador de plantão. Aqueles que deveriam assessorá-lo nesta área – o Secretário da Segurança Pública, o Delegado Geral de Polícia e o Comandante Geral da Polícia Militar – parecem não ter qualquer interesse em mudar o “status quo”. Ou, pior, parecem também não fazer a menor idéia do que seja a Polícia Civil, quais os seus objetivos e como conseguir implementá-los. Se fazem essa idéia, deixam que interesses políticos superem o direito da população à Segurança Pública. Porque não é possível ser tão obtuso a ponto de se deixar a situação chegar ao ponto em que chegou, tendo interesse e condições para alterá-la, a não ser que os interesses sejam outros.

Um outro ponto a ser analisado é a imensa quantidade de crimes cometidos no estado. Falta prevenção. Ou seja, a Polícia Militar também não cumpre com a sua obrigação de forma minimamente satisfatória. Não fosse esse o caso, não aconteceriam tantos crimes.

Não tenho conhecimento suficiente da instituição Polícia Militar do Estado de São Paulo para me aprofundar em qualquer análise dos motivos que tornam a sua atuação inadequada, mas sei que da mesma forma que recursos da Polícia Civil são desviados para executar funções afetas à Polícia Militar, recursos da Polícia Militar são desviados na tentativa de execução de funções afetas à Polícia Civil. Os famosos P2, por exemplo. Querem fazer investigação. Atrapalham o serviço da Polícia Civil. Mas é só o que sei.

Se somarmos a tudo isso a legislação que, na prática, dificulta muito o nosso trabalho, e o fator cultural que os sucessivos governos conseguiram nos impingir: tolerância quase total com os crimes “de menor poder ofensivo” – totalmente o oposto da tolerância zero, de Nova Iorque – e que registrar ou investigar certos tipos de crime não vale a pena, é perda de tempo…está instalado o caos.

Rubem Alves diz que um país melhor se constrói com um sonho e inteligência. Eu digo que um país melhor se constrói com um sonho, inteligência, honestidade, caráter, vontade e sem politicagem barata.

Flávio Lapa Claro
Investigador de Polícia
DAS/DEIC

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Patrício Angelo Costa

Para ser honesto, a forma como a polícia agiu nesse caso, deixou muito a desejar. Somente depois que terminou esse fatídico sequestro é que foram entrevistar o Pai do rapaz! Por que não entrevistaram antes? Imaginem que se a polícia conseguisse trazer esse homem (o qual o filho não o via há mais de vinte anos); já imaginaram a reação desse rapaz! quem duvida que se tentassem levar também a mãe àquele local de sequestro, seu final não poderia ser diferente!
Afinal, agora e somente agora é que ficamos sabendo que o rapaz tinha uma deficiência comportamental, talvez (que assim o digam os profissionais) motivado pela ausência prolongada de seu pai do seu convívio.
Também fico me questionando por que nesses casos a polícia não utiliza de pessoas treinadas para fazer esses contatos, como por exemplo Padres, Pastores, Psicólogos? Que essa “dica” seja utilizada em casos futuros, depois digam se o resultado não foi diferente!

De CASO DO SEQUESTRO DE ELOÁ E GREVE DA POLÍCIA CIVIL: É ASSIM QUE SERRA VAI GOVERNAR O BRASIL EM 2010?, 2008/10/23 at 3:33 PM

Donizete Nunes Cavalcante

Aconpanhei este caso desde que foi noticiado e não culpo a polÍcia por está tragédia pois eles fizeram o que foi possivel para salva-la tiveram muita paciência com este desiquilibrado. mas infelizmente teve este final triste espero agora que nossas autoridades não fiquem tratando-o como coitado mas que julgem este caso com seriedade e competência.  Isto que nós cidadão queremos pois estamos vivendo o outro lado da moeda onde o criminoso é protegido e a vitima é desanparada.

De APAGÃO NA SEGURANÇA DE SÃO PAULO:CENAS DA AÇÃO DA POLÍCIA NO SEQUESTRO DE ELOÁ PARECEM TIRADAS DE UM FILME DOS TRAPALHÕES, 2008/10/21 at 1:32 PM

Maurício Sousa

No caso Eloá, o governo de São Paulo tem uma grande parcela de culpa, isso a imprensa não comenta… A polícia Militar fez seu trabalho, utilizando de todos recursos a ela disponiveis, explorando conhecimentos adquirido do “Estado”, ou seja, é mal preparada… Infelizmente o resultado não foi satisfatório…. Afinal, quem tinha uma especialização um pouco superior para gerenciar e ao final ter um desfecho mais favorável para as vítimas, sem dúvida seria a Polícia Civil, a qual o governo fez pouco caso e está fazendo, acreditando que a Polícia Militar seria capaz de preencher a lacuna causada pela ausência da Polícia Civil…. Volto a afirmar a Polícia Militar não tem culpa, ela desenvolveu seu trabalho em conformidade a seu preparo……

De CASO DO SEQUESTRO DE ELOÁ E GREVE DA POLÍCIA CIVIL: É ASSIM QUE SERRA VAI GOVERNAR O BRASIL EM 2010?, 2008/10/20 at 7:18 PM

CASO DO SEQUESTRO DE ELOÁ E GREVE DA POLÍCIA CIVIL: É ASSIM QUE SERRA VAI GOVERNAR O BRASIL EM 2010?

Os dois episódios recentes mostram o despreparo da polícia paulista e a incapacidade de José Serra de lidar com conflitos.

O seqüestro é sempre o caso de grande risco, mas a entrega da segunda refém e a invasão durante a tarde mostram equívocos inegáveis.

Ao mesmo tempo em que tecnicamente a PM não consegue resolver o seqüestro, politicamente surge um confronto entre Polícia Militar e Polícia Civil porque José Serra se recusa a conversar com policiais grevistas.

José Serra paga os piores salários para professores e para policiais. José Serra quer governar o Brasil. O PSDB tem discurso de democrata e prática de coroné. No microfone, fala macia; na prática, truculência. É isso que vem por aí em 2010 para todo o Brasil.

Leia no Educação Política:

AÉCIO E SERRA (PSDB) PAGAM PARA PROFESSOR A METADE DO QUE PAGA BINHO MARQUES (PT)

OLHA A DECLARAÇÃO DA SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO

UMA PERGUNTA: ISSO EXPLICA O DESEMPENHO DO PMDB, PSDB E DEM NAS ELEIÇÕES?

A CONTA DA PARCERIA PSDB-ALSTON CONTINUA SAINDO CARA PARA OS PAULISTAS

COMO FHC CRIOU DANIEL DANTAS E PORQUE O PSDB ESTÁ TÃO QUETINHO QUANTO O PT

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