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O MACHISMO NOSSO DE CADA DIA

El machismo mata

El machismo mata

Ensaio sobre o machismo

Por Luiz Guilherme Boneto

Imaginemos uma situação. Numa festa à noite, um grupo de jovens rapazes caminha entre garotas da mesma idade, dentre as quais, uma está disposta a fazer sexo com um deles. Os rapazes, em grupo, incitam-no. Ele, porém, saiu unicamente para se divertir, e naquela noite em especial, excluíra o ato sexual do seu conceito de diversão. O garoto queria dançar, beber alguma coisa, jogar conversa fora. Vê-se, porém, numa encruzilhada: o que os outros rapazes diriam caso ele se negasse a fazer sexo com a moça?

Não é preciso ter mestrado em antropologia para saber: viriam olhares, risos e gracejos, talvez enquanto durasse a “amizade” daqueles caras. O garoto, automaticamente, seria rotulado como alguém que “nega fogo”, e muito provavelmente, taxado de homossexual, ainda que em tom de brincadeira, mesmo que seus “amigos” soubessem claramente que sua orientação sexual não era inclinada a práticas com pessoas do mesmo sexo. Um momento sem vontade de transar é mais do que suficiente para etiquetar a vida inteira de um homem.

Com esse breve exercício de imaginação, quero apenas lembrar o quanto o machismo está presente na sociedade brasileira, do sertão mais afastado às grandes cidades do país. E também é minha intenção recordar o quanto as atitudes machistas prejudicam não só as mulheres, mas também os homens em larga escala.

O machismo não é uma maneira masculina de pensar. Ele é, pois sim, uma forma de ver o mundo fixada na sociedade patriarcal que dá as cartas no Brasil. Imagina-se que os machistas seriam homens heterossexuais, que veem mulheres e homossexuais como cidadãos de segunda categoria, e que poriam a si próprios num plano social superior. Engana-se, porém, quem resume o machismo a isso – Não faltam mulheres a endossar o movimento, e gays também.

O machismo passa pela ideia do homem como macho-alfa, que sustenta a família, não tira sequer o prato da mesa quando termina uma refeição, e que cria os filhos [homens] à sua imagem e semelhança. Ele tem todos esses direitos adquiridos do nascimento, pelo simples fato de ser homem. Já a mulher, segundo a concepção machista, é relegada às tarefas domésticas. Pode até trabalhar fora, porém deve manter a casa sempre em ordem, estar linda, arrumada, perfumada, vestir-se bem, ser amorosa com o marido e os filhos, não erguer o tom de voz, maquiar-se, e encarar toda essa situação com a graça feminina. Não deve jamais engordar nem permitir que seus cabelos embranqueçam. Ainda assim, as mulheres são vistas como más-motoristas, frívolas e fúteis. Tem-se a ideia clara de que a mulher desenvolve desde cedo o desejo de ser mãe e de casar: como pode uma mulher não querer isso?

Além de tudo isso, a mulher não pode manifestar desejo sexual: tal ato é, numa mulher, imoral e indigno. Ela deve estar sempre recatada e usar roupas que cubram o corpo todo – mesmo para evitar estupros, como parte das nossas autoridades faz questão de frisar. E nunca, absolutamente nunca transar no primeiro encontro. Se possível, reservar-se para o casamento, para a noite de núpcias, segundo determina a moral cristã. Já para o homem reservou-se a figura do garanhão, conquistador, aquele que deve estar sempre disposto a transar, a “comer”, a satisfazer. A ele cabe separar a “mulher para casar” da “vagabunda”. O homem também nunca deve demonstrar qualquer trejeito de homossexualidade. Não pode jamais usar roupas em tons de rosa, não deve vestir esta ou aquela calça, aqueles sapatos, ou aquele boné. Não deve falar mais alto que o costume, nem dar um tom agudo à voz num momento de nervosismo. Tudo isso é “coisa de viado”. E ai de quem mover-se contra esse horror. Alguém acredita que o machismo favorece os homens?

Mas eis que há esperança. Não faltam ativistas para lutar contra esse tipo de pensamento retrógrado e medieval, que lamentavelmente impera na maioria das pessoas. Com frequência, as maiores cidades do país veem marchas que reforçam não apenas a luta das minorias por direitos, mas também a democracia em si, cujos princípios abarcam a liberdade de pensamento e expressão.

São Paulo, por exemplo, tem a maior parada do orgulho gay do mundo – embora haja controvérsias quanto ao número de participantes, o desfile toma conta da gigantesca Avenida Paulista e de outras vias próximas a ela. Na mesma Paulista, assim como em outras dezenas de cidades, homens e mulheres reúnem-se na Marcha das Vadias, que vai à luta exatamente contra o machismo. As vadias, que caminham sem roupas, pintadas, berrando e munidas de cartazes nos quais estão inscritas boas verdades, não vão à luta para impedir as mulheres de se dedicar à casa, de optar por um casamento, por uma família grande, muitos filhos, por uma vida adaptada às regras convencionais. Não se trata disso. O que essas pessoas pedem, e expõem-se sem medo de represálias, é que a sociedade tome consciência de que as mulheres podem vislumbrar outros horizontes em seu futuro além do convencional.

O que a sociedade precisa, com urgência, é de algum governante ou líder que abra seus olhos. O machismo passa diretamente pela ignorância: as pessoas acreditam, de fato, que as coisas sempre foram assim e não precisam nem devem mudar. Com um mínimo de informação, milhares de pessoas verão que a igualdade de gêneros favorece a todos, e que abrir os horizontes para novas possibilidades não faz mal algum, muito ao contrário. Quando as pessoas começarem a ver que a orientação sexual não é uma escolha, que a mulher não é uma escrava e que o homem não é uma máquina reprodutora, talvez a sociedade melhore minimamente. Basta alguém que tenha a vontade e um projeto, uma campanha competente para tirar as pessoas da ignorância. Há esse alguém?

Creio, acima de tudo, que as pessoas informadas e atuantes na causa contra o machismo devem agir no dia-a-dia. Devemos ingressar no trabalhoso processo de analisar cada uma de nossas atitudes, porque o machismo é um pensamento fixado em cada um de nós, e o combate a ele é realmente diário. Onde nós estamos sendo machistas? Até onde o pensamento sexista e homofóbico nos penetra, em quais pontos das nossas conversas diárias nós permitimos que ele apareça? Mesmo piadas, sempre sob a justificativa do bom humor, precisam ser muito bem dosadas, porque para mentes menos estruturadas, elas reforçam estereótipos terríveis. Como alguns humoristas foram lembrados nos últimos dias pelas redes sociais, nos interessa rir do opressor, e não do oprimido.

Para finalizar esta breve exposição, quero lembrar algo. Às vezes, enquanto caminho pelas ruas, reflito sobre a beleza das pessoas, mas não a beleza que a convenção impõe. Vejo homens e mulheres de todos os tipos – brancos negros, com brincos, tatuagens, piercings, gordos, magros. De certo modo, a diferença entre as pessoas me emociona. Cada uma delas tem objetivos, pensamentos, problemas, cada uma ri de algo diferente e chora por algo diferente. E todas caminham por ali, atarefadas, uma ao lado da outra, às vezes se esbarrando, às vezes se olhando. E por mais atarefado que eu mesmo esteja, nunca deixo de notá-las e pensar que, apesar de todos os defeitos do Brasil, temos a sorte de viver num país no qual a liberdade é princípio da Constituição. O que nos resta é tentar mudar a cara da nossa sociedade, lamentavelmente machista. Creio, porém, que caminhamos nesse sentido, ainda que a passos lentos.

MAIS MÉDICOS FEZ O BRASIL DESCOBRIR QUE MÉDICOS BRASILEIROS SÃO ESCRAVIZADOS E CUBANOS, PRIVILEGIADOS

médico cubano

Médico Juan Delgado, símbolo do Mais Médicos

Toda a confusão e embate criado com o programa Mais Médicos do governo federal nos fez descobrir que os médicos brasileiros são escravizados e os cubanos são privilegiados. Parece absurdo, mas veja…

Semanalmente se tem notícias na internet, na TV e nas redes sociais de médicos brasileiros que trabalham mais do que 44 horas semanais. De acordo com dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) existem médicos brasileiros que trabalham 120, 128, 144, 150 horas semanais. Isso em várias cidades distantes dezenas e até centenas de quilômetros. Veja o caso relatado no jornal GGN:

a medica “tem 150 horas semanais de trabalho para cumprir, com atendimento em vários municípios não tão próximos. Tomando por base a cidade de São Paulo, a médica Miriam Gameiro de Carvalho tem uma vida dura: até Franca são 401 quilometros; até Ribeirão Preto outros 319 quilometros; até Pedregulho são 507 quilometros; Sertãozinho fica a 349 quilometros; e Promissão, 466 quilometros. Sertãozinho e Ribeirão Preto ficam próximas, ela pode começar em São Paulo e ir fazendo o giro de cidades até voltar para a cidade, ou então, não, já que para cumprir as jornadas pelas quais recebe deveria trabalhar sete dias por semana e 22 horas por dia. Difícil jornada” (GGN)

Enquanto isso, os privilegiados médicos cubanos só vão trabalhar 40 HORAS SEMANAIS. Que absurdo!! E o deputado Ronaldo Caiado (DEM) foi a tribuna recentemente dizer que os médicos cubanos vêm ao Brasil num sistema de escravidão ganhando cerca de R$ 4 mil por 40 horas. Engraçado é que o deputado Caiado nunca subiu à tribuna para defender os brasileiros que trabalham como escravos em fazendas pelo Brasil, como bem revela o Ministério do Trabalho. Há inclusive uma lista suja de empresas e fazendeiros que se utilizam de trabalho análogo à escravidão. Será que o Caiado passou agora a defender os patrícios de Fidel Castro e não se preocupa com os brasileiros?

Assim como o deputado se preocupa com médicos cubanos mais do que com trabalhadores rurais brasileiros, os Conselhos de Medicina agem da mesma forma. Nunca se incomodaram por a população ser atendida por um médico que trabalha 150 horas semanais (E olha que uma semana só tem 168 horas!!!).

Quem sabe um dia os Conselhos de Medicina processem os governos federal, estaduais e municipais por permitirem que médicos brasileiros trabalhem mais do que 40 horas semanais. Não é mesmo? Assim, pelo menos evitamos que os médicos brasileiros sejam “escravizados” e os cubanos, privilegiados.

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ESPERANÇA NOS BEBÊS PELADOS

Por Luís Fernando Praguinha, especial para o Educação Política

Bebê Um dia eu nasci. Pelado, sem nada, a não ser o amor de minha mãe e minha família, que acreditavam que eu era deles. Eu era um bebê bonitinho, puro e ingênuo. Me bateram e eu chorei pro mundo pela primeira vez. Me colocaram roupas para me proteger do frio e me alimentaram pra que eu crescesse saudável.

Me deram brinquedos pra que me divertisse e parasse de chorar, mas foram tantos que muitos ficavam jogados pelos cantos. Passaram a me dar roupas bonitas e mais caras pra que eu parecesse melhor e mais bonito pra quem me visse. Se eu chorasse me davam comida ou roupa ou brinquedo ou carinho.

O filho da empregada não tinha nada disso e eu passei a entender então que eu era melhor que ele. Ele foi criado na mesma sociedade que eu e a comparação dessas duas realidades não fazia bem a ele. Brincamos juntos por um tempo, depois passei a evitá-lo e ter ciúme dos meus brinquedos.

Meus pais me diziam para respeitar as pessoas, mas não entendiam que era um desrespeito eu ter tantas roupas, tantos brinquedos, desperdiçar tanta comida, enquanto o filho da empregada e muitos outros que foram bebês pelados um dia, passavam fome, frio e precisavam trabalhar ao invés de brincar.

Fui para uma boa escola e tive, mais uma vez, acesso a uma coisa restrita que deveria ser de todos. Tive as portas abertas para prosperar da forma que eu tinha aprendido. Achei que havia entendido o modo como as coisas funcionavam, azar do filho da empregada. Fazer o que?

Entrei para a política e experimentei o poder. Conheci pessoas obcecadas pelo poder, velhos de olhos frios, de caras sérias e tristes, jovens ambiciosos com olhos de águia e um sorriso diferente, que exalavam hipocrisia e mentira. Tive medo deles, mas com o estar-se sempre junto, percebi que era a única forma de sobreviver naquele meio. Deixei pra trás os fracos princípios que adquiri da minha educação consumista. Passei a considerar ridículo e desnecessário demonstrar respeito verdadeiro, mas imprescindível demonstrar respeito de mentirinha.

O filho da empregada conseguiu um emprego modesto e continuou a tradição da sua família de trabalhar sofrivelmente pra me servir. Outros como ele decidiram servir ao crime, matando algumas pessoas para poderem prosperar, mas também não deixavam, em última instância, de me servir.

Enquanto isso eu também matava algumas pessoas, alguns milhares com certeza, de fome, de frio e de privações morais, desviando recursos da saúde, educação e segurança para meu benefício ou dos falsos amigos que me pudessem beneficiar em troca. Para garantir meu nível de vida também me tornei obcecado pelo poder e perdi qualquer senso ético. Fiz conchavos com pessoas que sempre repudiei e enfim me tornei muito poderoso.

Nunca mais chorei, que é sinal de fraqueza. Fui amado, respeitado e temido por todos, como Deus. Envelheci iludindo e envenenando corações, sendo permissivo, cruel, fazendo mau uso do dinheiro do povo, traindo aliados, usando e fazendo leis a meu favor, mas sempre maquiado pela fachada de homem público, cumpridor do dever e ocasionalmente atado às limitações da governabilidade, procurando sempre alguém pra culpar, sem confiar em ninguém, pois nem em mim eu confiava.

Conforme envelhecia mais, sentia que a saúde, o poder e as minhas influências, pouco a pouco iam se afastando de mim. Vi a chegada de outros jovens ainda mais ambiciosos do que eu, lutando sem limites para ocupar posições que já tinham sido minhas. Vi desmandos inimagináveis cometidos para saciar a ganancia e a vaidade que o poder gerava. Vi a mim mesmo naqueles jovens.

O respeito, amor e medo que um dia nutriram por mim foi se convertendo em desprezo, ódio ou indiferença. Passei a ser motivo de chacota entre os políticos mais jovens. Meus aliados me traíram e revelaram meus esquemas. O povo que me elegeu passou a ter vergonha de dizer que um dia havia votado em mim. Meu raciocínio ficou lento e a doença tomou conta do meu corpo.

Morri, como todos os bebês pelados que vieram antes de mim morreram. Morri, como todos os bebês pelados morrerão. Deixei de ser. Todos deixarão de ser um dia. Senti o mundo melhor sem a minha presença, mas foi por pouco tempo. Logo vi que nada havia mudado e eu não havia mudado nada. Eu apenas ajudei a manter a farsa. Passei minha vida matando bebês pelados, desde a minha primeira roupinha bonita. Agora, morto, vejo que fui iludido. No começo, não conseguia enxergar. Quando enxerguei, me pareceu tão natural continuar agindo daquela forma, que não fiz questão de mudar. Quando percebi que matar, prejudicar e me aproveitar de pessoas apenas para mostrar meus brinquedos novos não era assim tão natural, eu estava tão dominado por aquele vício e tão ciente da minha incapacidade de me livrar dele, que preferi continuar agindo como se fosse natural, como faziam meus colegas de ofício.

Morto eu posso entender melhor. Nascer, viver e morrer são naturais. Matar não é natural. Matar é tirar de bebês pelados o privilégio de viver. Viver pode ser melhor que a vida que tive. Morto, me parece que viver como eu vivi é apenas parasitar e pilhar o planeta. Tudo o que tirei dos outros nunca foi verdadeiramente meu. Nunca tive nada, a não ser aquela pureza e ingenuidade de bebê pelado. Morto, vejo que nem isso mais eu tenho.

Torço para que nasça cada vez menos gente como eu. Torço para que nossa organização social e nossos sistemas político e econômico baseados no consumo sejam compreendidos como danosos e viciantes, mas pelas pessoas vivas, porque os mortos já deixaram de ser. Torço por uma forma cooperativa de viver.

Agora que estou morto, não me restou nem sequer uma lembrança boa do tempo em que fui vivo. Fui um péssimo exemplo. Depois de morto, ainda pude sorrir de verdade mais uma vez, ao ver meu neto, bebê pelado, nascer. Reaprendi a chorar ao vê-lo rodeado de brinquedos, evitando o filho da empregada.

UM BOM TROTE NA PRIMEIRA AULA DO CURSO DE DIREITO

sala de aula

Primeira aula

Primeiro dia de aula, o professor de ‘Introdução ao Direito’ entrou na sala e a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:
– Qual é o seu nome?
– Chamo-me Nelson, Senhor.
– Saia de minha aula e não volte nunca mais! – gritou o desagradável professor.
Nelson estava desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala.
Todos estavam assustados e indignados, porém ninguém falou nada.
– Agora sim! – vamos começar .
– Para que servem as leis? Perguntou o professor – Seguiam assustados ainda os alunos, porém pouco a pouco começaram a responder à sua pergunta:
– Para que haja uma ordem em nossa sociedade.
– Não! – respondia o professor.
– Para cumpri-las.
– Não!
– Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.
– Não!
– Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!
– Para que haja justiça – falou timidamente uma garota.
– Até que enfim! É isso, para que haja justiça.
E agora, para que serve a justiça?
Todos começaram a ficar incomodados pela atitude tão grosseira.
Porém, seguíamos respondendo:
– Para salvaguardar os direitos humanos…
– Bem, que mais? – perguntava o professor .
– Para diferençar o certo do errado, para premiar a quem faz o bem…
– Ok, não está mal porém respondam a esta pergunta:
“Agi corretamente ao expulsar Nelson da sala de aula?”
Todos ficaram calados, ninguém respondia.
– Quero uma resposta decidida e unânime!
– Não! – responderam todos a uma só voz.
– Poderia dizer-se que cometi uma injustiça?
– Sim!
– E por que ninguém fez nada a respeito? Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para praticá-las? Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais!
Vá buscar o Nelson – Disse. Afinal, ele é o professor, eu sou aluno de outro período.(Do facebook de Abimael Costa)

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CURTA-METRAGEM: COMO REINSERIR QUEM NUNCA FOI INSERIDO EM NADA NA SOCIEDADE?

POR QUE SÓ ATUAR POLITICAMENTE EM BENEFÍCIO DA SOCIEDADE DEPOIS DE UMA GRANDE E LANCINANTE DOR?

Imagem: gaf arq creative commons - flickrA história tem nos ensinado, pelo menos a história dos últimos séculos, que é na tragédia que o homem evolui. Essa é uma dialética cruel para nós humanos, mas parece ser esse o desafio da emancipação da razão. Depois da tragédia, a sociedade reage.

Parece muito fácil e raso culpar os músicos, os donos da boate e os bombeiros pela tragédia na boate Kiss em Santa Maria (RS), assim como fazem os programas policiais sensacionalistas da televisão brasileira ou a revista semanal Veja, que se limita a análises de dois neurônios, o do bem e o do mal, sempre que acontece algum grande drama social.

A culpabilidade serve para ver o passado, não o presente. É preciso pensar os sentidos humanos do problema para que se possa entendê-lo antecipadamente e talvez evitá-lo.

Existem inúmeras outras mortes traumáticas que acontecem constantemente por esse Brasil e que, após a tragédia, as pessoas agem da mesma forma que a sociedade age agora, com fiscalizações por todo o Brasil, tentando dar um resposta política.

Depois da tragédia, há a atuação politica na mobilização dos empresários de casa noturna, na imprensa, nos poderes públicos etc. Todos buscam na política e na solidariedade uma solução. Possivelmente emerge o sentimento de não querer passar por isso e nem que outras pessoas passem pelo que os parentes das vítimas passam.  Mas por que buscamos essa solidariedade e essa política somente depois da tragédia se somos suficientemente racionais para buscá-la preventivamente?

A tragédia, como a da boate Kiss,  é exposta mundialmente porque é coletiva, mas fica esquecida quando são vítimas individuais, uma tragédia familiar. Vale a pena recordar casos e histórias individuais. A primeira que me vem à cabeça é o Instituto Ives Ota, criado pelo pai do garoto de 8 anos do mesmo nome, após seu assassinato. Também há o caso dos pais de uma garota que criaram uma ong sobre segurança de esportes radicais após filmar a morte da filha em um bang jump, também  assisti a um vídeo sobre uma mãe que criou uma ong para segurança de turismo de aventura, após perder a filha em uma queda de cavalo em um resort e tantos outros.

Todos parecem fatalidades e é certo que essas coisas podem acontecer, mas é nesse momento de tragédia pessoal que atuação política surge e deixa a esfera do privado (prover e pensar somente na sua família) e passa a consciência dialética de que o bem estar da sua família precisa do bem estar também da sociedade. Nesse momento, país e mães com a dor da perda criam ongs, entidades e associações para que outras pessoas não sintam ou não passem pelo que passaram. Diante dessa dor impensável parece eclodir o gene social adormecido pelo capitalismo.

Por que não criar essas entidades antes da morte dos filhos? Por que só atuar politicamente e em benefício da sociedade depois de uma grande e lancinante dor? Por que não somos capazes de usar a razão e percebermos que é necessário que todos atuem de alguma forma socialmente, coletivamente e politicamente?

Parece triste reconhecer que no capitalismo a tragédia tornou-se a origem da ação política, seja na esfera pública ou privada.

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HUMOR: AS BOAS INTENÇÕES E AS PRÁTICAS REAIS

UBUNTU: COMO UMA DE NÓS PODERIA ESTAR FELIZ SE TODAS AS OUTRAS ESTIVESSEM TRISTES?

A jornalista e filósofa Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz em Florianópolis (2006), nos presenteou com um caso de uma tribo na África chamada Ubuntu. Ela contou que um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo,  então, propôs uma brincadeira para as crianças, que achou ser inofensiva.

Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, colocou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e deixou o cesto debaixo de uma árvore. Chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse “já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto e, a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse “Já!”, instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.

Elas simplesmente responderam: “Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”

Ele ficou de cara! Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo, e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?

Ubuntu significa: “sou o que sou pelo que NÓS SOMOS !”

Atente para o detalhe: pelo que SOMOS, não pelo que temos…

UBUNTU PRA VOCÊ

(vi no FPE)

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TORCEDOR
10% DO PIB NA EDUCAÇÃO NÃO RESOLVE SE DINHEIRO FOR PARA AS EMPREITEIRAS E NÃO PARA OS PROFESSORES E ALUNOS

PIB JÁ É COISA DO PASSADO, AGORA A ONDA É MEDIR A FELICIDADE COM O FIB – FELICIDADE INTERNA BRUTA

No contexto das recentes crises do capitalismo, o tradicional índice do PIB (Produto Interno Bruto), que mede a quantidade de riqueza produzida por um país, já parece não responder mais aos anseios da humanidade. No caso do Brasil, o PIB sempre esteve em descompasso com o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Enquanto este último coloca o Brasil em posições que deixam a desejar no ranking mundial, o PIB vem crescendo, tanto que o Brasil já é a sexta maior economia do mundo.

No entanto, se o Brasil tem o sexto maior PIB, amarga um IDH não tão bem colocado assim graças, entre outras coisas, à sua expressiva desigualdade social. Mas, para além de PIB e IDH, agora tem ganhado popularidade um certo FIB, que se traduz por Felicidade Interna Bruta. O FIB começou a existir no Butão, um pequeno país do Himalaia, e a partir daí foi se espalhando pelo mundo.

Não se trata de ago simples: medir a felicidade. É possível quantificar algo tão subjetivo como a felicidade? É possível convertê-la para o mundo abstrato, impessoal, empírico das estatísticas? Aonde vamos parar com a pretensão de medir tudo e, ao mesmo tempo, quais condições históricas, sociais e econômicas levaram as pessoas e os países a não se sentirem mais representados pelos índices costumeiros de exportação, importação, e buscarem traduzir-se ou se ver refletidas em valores de felicidade?

Questões para se pensar que anunciamos aqui. Questões que não deixam de nos remeter ao mundo moderno que atribui um valor material, quantificado, a coisas que essencialmente, em sua natureza primeira, não poderiam ser quantificadas. Mas aí nos resta mais uma pergunta: nesta sociedade em crise, profundamente capitalista, o que ainda não adquiriu um valor de troca? Por quanto tempo os antigos modelos resistirão e o que ainda nos promete a crise permanente em que vivemos?

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GENERALIZAÇÕES EM ARTIGO DE MONA ELTAHAWY REFORÇAM ESTEREÓTIPOS DO OCIDENTE EM RELAÇÃO À MULHER ÁRABE

Os direitos das mulheres estão ligados ao avanço no processo de democratização no Oriente Médio

Um dos conceitos mais elementares difundidos pela antropologia é o de que não devemos olhar a cultura de uma outra sociedade a partir da nossa cultura. Devemos nos despir de nossos valores para enxergar o outro nos seus próprios valores. No entanto, tal atitude é difícil de ser cumprida e o hábito de enxergar o outro a partir de nossa própria visão de mundo é mais comum do que se imagina.

É o que acontece por exemplo quando se trata das mulheres árabes. Não há dúvida que o preconceito e o conservadorismo cercam muitos aspectos da vida das mulheres orientais, e que seus direitos são bastante inferiores aos dos homens, no entanto, não se deve tomá-las como as mulheres mais infelizes do mundo, vítimas de homens machistas e opressores.

Muito do que as mulheres ocidentais veem como algo negativo para as orientais, como o uso de véu, por exemplo, para as mulheres árabes não é nem um pouco estranho ou negativo. A dependência em relação ao marido também não é vista pelas orientais como algo menos vantajoso do que a ilusão de independência que a ocidental acredita ter.

Tal discussão é aqui feita por ocasião de um artigo da jornalista egípcia-americana Mona Eltahawy publicado na edição de maio/junho da revista Foreign Policy e que causou alvoroço e críticas entre as mulheres árabes. A jornalista considerou que a situação da mulher no Oriente Médio é fruto de uma “guerra” dos homens contra as mulheres, motivada pelo “ódio” e por uma “tóxica mistura entre religião e cultura”.

A partir daí ela “denuncia” as diversas “opressões” pelas quais passariam as mulheres árabes que, segundo ela, deveriam aproveitar o momento político da primavera árabe para fazer também a sua revolução. Este talvez seja o ponto mais interessante do artigo polêmico de Mona. Mas, poderíamos acrescentar que não só as mulheres árabes deveriam aproveitar o momento para fazer a sua revolução, como também as mulheres ocidentais, pois se estas últimas podem dirigir livremente, convivem, por sua vez, com muitas outras repressões disfarçadas no tecido democrático, mas nem por isso menos violentas.

A luta das mulheres nunca é fácil, ela é acompanhada de avanços e retrocessos, sempre haverá quem defenda o atraso e, muitas vezes, essas vozes do conservadorismo vêm das próprias mulheres.

Veja trecho de notícia sobre o assunto publicada pela Carta Capital:

A Primavera Árabe vai promover os direitos das mulheres?
Por José Antonio Lima

Um artigo publicado pela jornalista egípcia-americana Mona Eltahawy na edição de maio/junho da revista Foreign Policy deixou em polvorosa mulheres no Oriente Médio e também em países ocidentais nesta semana. No texto, intitulado “Por que eles nos odeiam?”, Mona atribui a situação da mulher no Oriente Médio a uma “guerra” dos homens contra as mulheres, motivada pelo “ódio” e por uma “tóxica mistura entre religião e cultura”. Segundo ela, as mulheres precisam realizar sua revolução particular em meio à Primavera Árabe e este processo só estará completo quando os ditadores nas “mentes e nos quartos” da mulher árabe forem também derrubados. Entre ofensas pessoais virulentas à autora e respostas ponderadas, o artigo levantou uma questão importante: o embrião de democracia produzido pela Primavera Árabe fará florescer no Oriente Médio os direitos das mulheres?

Em seu artigo, Mona tenta comprovar a misoginia no mundo árabe com uma série de exemplos de violações cometidas contra as mulheres. Ela cita, por exemplo, a proibição de as mulheres dirigirem na Arábia Saudita. Debate leis de países coniventes com violência doméstica contra as mulheres em “casos especiais”, e lembra que o assédio sexual é uma prática endêmica na região. Mona cita outras violações ainda mais atrozes, como a mutilação genital, proibida, mas ainda muito comum no Egito; os “testes de virgindade”, também realizados no Egito; as permissões de casamentos entre homens adultos e meninas de 10 ou 11 anos no Iêmen e na Arábia Saudita; ou de casamentos entre vítimas de estupros e seus algozes. Todos esses fatos, sem dúvida terríveis, servem para provar como é lastimável a situação de muitas mulheres no Oriente Médio, mas eles não conseguem sustentar os outros argumentos de Mona.

Os erros da autora são as generalizações. A primeira delas é considerar a existência de uma entidade monolítica chamada “mulher árabe”. Os países da região possuem suas próprias peculiaridades e, com as populações, não é diferente. Nos países do Golfo Pérsico há muitas mulheres altamente educadas e com vidas dignas, enquanto milhões de outras em países mais pobres vivem na miséria. Ambas sofrem discriminações, mas de formas e intensidades bem diferentes. Não necessariamente a milionária saudita proibida de dirigir em Riad se preocupa com a egípcia mendigando nas ruas do Cairo. Seus dramas são diferentes. A mutilação genital, por exemplo, é mais frequente no Egito pois é uma prática altamente difundida na África. No Golfo Pérsico, os números desta prática, talvez a mais extrema forma de discriminação de gênero, são muito menores. (Texto completo)

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FOTO HISTÓRICA REVELA PRIMEIRA MULHER A CORRER UMA MARATONA EM 1967

A maratona sempre foi um esporte exclusivo para homens até que, em 1967, uma mulher decidiu se inscrever na prova, utilizando como identificação as suas iniciais “KV Switzer”. Sua participação entrou para a história quando um dos juízes tentou tirá-la da prova e foi impedido pelos outros corredores que a escoltaram para que Kathrine, assim se chamava, pudesse terminar a corrida, o que conseguiu, com o tempo de 4 horas e 20 minutos.

1967 não está tão longe assim, o que nos faz lembrar de como, até pouco tempo atrás, as mulheres não tinham ocupado o espaço que têm hoje e começavam a lutar pelos seus direitos, uma luta que ainda continua!

Imagem histórica

Aqui pode ser visto um vídeo com um comentário da própria Kathrine sobre o episódio

 

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52 NOMES FORAM INCLUÍDOS NA “LISTA SUJA” DO TRABALHO ESCRAVO EM 2011, QUE BATEU RECORDE DE 294 INFRATORES

Pará lidera a "lista suja" com nove inclusões. Na região, trabalho escravo está associado ao desmatamento

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) incluiu 52 novos nomes na “lista suja” do trabalho escravo em 2011. A lista tem agora, no total, 294 infratores, o que é um número recorde e que apenas indica a vercidade da afirmação do ministério de que “nunca houve tanta irregularidade ao mesmo tempo”, presente em notícia publicada pela Rede Brasil Atual.

A exploração de mão-de-obra em situação análoga à escravidão acontece em diversos níveis e setores, desde desmatamentos de florestas, construção de usinas, carvoarias, usinas de açúcar, criação de gado, até confecção de roupas de grife e construção civil nos cenários urbanos. O trabalho escravo, tal como ele existe hoje, se espalhou pelo país, confundindo-se com a pobreza, a ilegalidade e o altíssimo grau de impunidade que existe em boa parte do Brasil.

O recorde na lista suja demonstra como diferentes grupos sociais já vêm sendo atingidos por esse mal que talvez nunca tenha sido extirpado da história nacional e que continua disseminando desigualdades.

Os nomes incluídos na lista não podem mais obter empréstimos em bancos oficiais do governo e também entram para a lista das empresas pertencentes à “cadeia produtiva do trabalho escravo no Brasil”

Veja texto com mais detalhes publicado pela Rede Brasil Atual:

Trabalho escravo: “lista suja” tem recorde de 294 infratores
Cadastro de pessoas físicas e jurídicas que cometeram infrações contra trabalhadores teve inclusão de 52 nomes em 2011
Por Evelyn Pedrozo

São Paulo – A “lista suja” de pessoas físicas e jurídicas flagradas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em ato de exploração de mão de obra análoga à escrava foi acrescida de 52 nomes em 2011, totalizando o número recorde de 294 infratores. Foram retirados apenas dois empregadores, que cumpriram os requisitos para a exclusão. O baixo número deve-se, grande parte, à não quitação das multas aplicadas. Segundo o ministério, nunca houve tanta irregularidade ao mesmo tempo. O cadastro é utilizado pelas indústrias, varejo e exportadores para a aplicação de restrições e para não permitir a comercialização dos produtos oriundos do uso ilegal de trabalhadores. O Pará lidera a lista, com nove inclusões, devidas ao trabalho de desmatamento da mata amazônica. A Construtora BS, contratada pelo consórcio Energia Sustentável do Brasil (Enersus), foi flagrada utilizando 38 escravos na construção da Usina Hidrelétrica de Jirau. Entre os novos, estão usineiros, madeireiras, empreiteiras, médicos, políticos, famílias poderosas e casos de exploração de trabalho infantil e de trabalho escravo urbano.

O chefe da Divisão de fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo do MTE, Alexandre Lyra, observou que o setor pecuário está no topo da lista, pelas más condições oferecidas aos trabalhadores nas capinadas para pastagem do gado, seguido de perto pela indústria sucroalcooleira, madeireiras e carvoarias. O executivo mencionou um flagrante registrado em outubro passado, em Goiânia (GO), onde trabalhadores de uma usina de açúcar chegavam a cumprir 19 horas de jornada diária no setor industrializado. “As pessoas acreditam que o pior acontece na lavoura, mas esse caso mostrou uma outra faceta”, disse.

O cadastro foi criado em 2004. Ao ser incluído, o infrator não pode mais obter empréstimos em bancos oficiais do governo e também entra para a lista das empresas pertencentes à “cadeia produtiva do trabalho escravo no Brasil”.

As denúncias chegam ao órgão pela Secretaria de Inspeção, pelas superintendências regionais do Trabalho e Emprego ou por instituições parceiras, como a Comissão Pastoral da Terra, Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal e Departamento de Polícia Federal. (Texto completo)

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EM ÓTIMO TEXTO, NIRLANDO BEIRÃO IDENTIFICA OS COVEIROS DE LULA E FAZ VER A SOCIEDADE BRASILEIRA NAQUILO QUE ELA TEM DE MAIS RASTEIRO E MESQUINHO

Imagens assim provocam em alguns um "mal disfarçado gozo doentio"

Vale a pena a leitura do artigo abaixo publicado na revista Carta Capital. Muito bem escrito, de forma inteligente e argumentada, o texto do jornalista Nirlando Beirãorevela todas as superstições, o mau-olhado, rancor e desprezo destilados pela mídia e pela sociedade brasileira em ocasião da doença do ex-presidente Lula.

 Todo o ressentimento vem na forma das psicologias mais avançadas e sutis que, nem mesmo Freud, teria sido capaz de conjecturar.

O triste caso, para não usar de outro adjetivo, demonstra que o Brasil reclama de sua desigualdade social e injustiças históricas (quando as percebe), mas no instante em que essas desigualdades são, de alguma forma, quebradas, ameaçando os privilégios de uns e despertando a inveja de outros, é capaz de revelar o homem de forma inimaginável.

Transparência e mau-olhado
Por Nirlando Beirão

A se tomar cultura no sentido amplo que lhe dão os antropólogos – o conjunto de representações simbólicas com as quais se identifica determinado grupo – o câncer do Lula é o acontecimento cultural do Brasil em 2011. Nunca antes neste País uma doença teve o condão de revelar tantos significados emblemáticos e tantas patologias sociais.

Subjacente ao drama pessoal do ex-torneiro mecânico tornado presidente da República reavivam-se crendices, mitos, a mesma intolerância, a mesma intransigência que vêm espreitando cada ato da longa trajetória política de Lula, fazendo borbulhar no caldeirão das mentalidades, elas, sim, -doentias, um vingativo contentamento – como se, da mesma forma como ocorre em certos crimes hediondos, a culpa pudesse ser da vítima.

Foi, aliás, nas vizinhanças do Dia das Bruxas que se divulgou a novidade – “uma bomba”, reagiu uma delas, ruminando mal disfarçado gozo, bruxa radiofônica a bordo de sua fachada de “cientista política”. Indiferente mais uma vez aos efeitos da mandinga e do mau-olhado, Lula decidiu agir com transparência: convenceu a equipe médica, naquele mesmo dia 29 de outubro, de que não havia porque sonegar a informação ao País e instruiu o Hospital Sírio-Libanês a divulgar um boletim relatando a verdadeira natureza de sua doença, um tumor maligno na laringe.

A partir daí, vive o paciente à mercê de um penoso tratamento e de uma natural incerteza, enquanto divide-se a nação entre o susto, a perplexidade, a compaixão, mas também a raiva, o desprezo, o ressentimento, requentados agora pela reconfortante sensação de que, se o adversário é invulnerável na política, há de ser frágil na vida. Atribui-se ao escritor Otto Lara Resende a frase de que o mineiro só é solidário no câncer. No que diz respeito ao mais admirado líder político do País em todos os tempos, há patrícios seus que paradoxalmente nem nesse caso lhe são simpáticos. (Texto completo)

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CERCA DE 70.000 PESSOAS VIVEM NA ROCINHA, A MAIOR FAVELA DO PAÍS, SEGUNDO DADOS DO IBGE

Os diferentes andares de um mesmo país

Vistas de longe, elas parecem uma maquete ampliada. Quadradinhos com portas, janelas e roupas coloridas penduradas. Todos empilhados, um sobre o outro, formando um único bloco. À noite, são como luzes a enfeitar o morro, onde elas geralmente estão localizadas, e dão à natureza uma decoração sutil e peculiar, um toque humano.

As favelas são hoje realidade urbana em boa parte do país e deixaram de ser monopólio das grandes metrópoles, embora nestas últimas sua presença seja bem mais ostensiva. Reflexo da desigualdade social brasileira, as casas penduradas nos morros são alternativas para quem não tem onde morar e legítimos espaços onde o estado custa a chegar.

Em um mapeamento deste cenário urbano, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou, por meio do levantamento “Aglomerados Subnormais – Primeiros Resultados”, que a comunidade da Rocinha, em São Conrado, zona sul do Rio de Janeiro, é a favela mais populosa do país. Nela viviam 69.161 em 2010, ocupando 23.352 domicílios, com uma média de três habitantes cada.

Em seguida, aparecem o Condomínio Sol Nascente, em Ceilândia, cidade do Distrito Federal, com 56.483 moradores; e Rio das Pedras, na capital fluminense, com 54.793, como mostra notícia da Agência Brasil. A pesquisa contabilizou as comunidades separadamente, neste caso, o Complexo do Alemão, também no Rio de Janeiro, aparece com apenas 4.322 domicílios, mas, somando-se as dez áreas aglomeradas que formam o Complexo, o número chega aos 16.359.

Os dados reafirmam o fato de que as favelas não são apenas um mero detalhe no perfil urbano, mas um espaço que se ainda não foi corretamente visto pelo poder público, está cada vez mais presente na face social brasileira, demarcando-a em suas desigualdades e ineficiências. Longe, portanto, de serem meras maquetes ou luzes desprendidas dos morros, as favelas são de verdade, assim como os problemas nacionais.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Rocinha é a maior favela do Brasil, mostra IBGE
Por Thais Leitão

Rio de Janeiro – Na comunidade da Rocinha, em São Conrado, zona sul do Rio de Janeiro, viviam 69.161 pessoas em 2010, o que garantiu ao local o posto de maior favela do país. Os moradores ocupam 23.352 domicílios, que têm em média três habitantes cada.

Segundo dados do levantamento Aglomerados Subnormais – Primeiros Resultados, divulgado hoje (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na lista das favelas mais populosas do Brasil, aparecem, em seguida, o Condomínio Sol Nascente, em Ceilândia, cidade do Distrito Federal, com 56.483 moradores; e Rio das Pedras, na capital fluminense, com 54.793.

O estudo destaca, no entanto, que algumas comunidades podem ser maiores do que os números indicam, pois, para realizar a pesquisa, foram considerados critérios técnicos como divisão legal segundo cadastros das prefeituras. Dessa forma, o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, que engloba dez áreas aglomeradas, teve as comunidades contabilizadas separadamente. Somente o Morro de Alemão, aparece com 4.322 domicílios. Somando-se todas as favelas que compõem o complexo, no entanto, o número total de unidades habitacionais pula para 16.359.

O levantamento também destaca que no Rio de Janeiro as ocupações mais antigas estão localizadas na área central e nos bairros das zonas sul e norte, mais próximos ao centro, que é onde se concentra a maior oferta de trabalho. Já na zona oeste da cidade, as ocupações são mais recentes e de menor porte, entre o tecido urbano formal. (Texto completo)

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ARTISTAS DEFENDEM PARTICIPAÇÃO DO ESTADO NO ECAD. MEMBROS DO ESCRITÓRIO CONSIDERAM CRÍTICAS “INFUNDADAS”

Ecad: de portas fechadas para a autêntica experiência cultural

Falta de transparência, ausência de fiscalização por parte do estado, abusos diversos na gestão dos bens culturais que de públicos tornam-se cada vez mais privados sob a gerência do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição). Essas são algumas das críticas levantadas durante uma atividade da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades no escritório por artistas que criticaram o seu modelo de funcionamento e a distancia estabelecida com eles próprios, artistas, e com o restante da sociedade.

Já os artistas ligados ao escritório ou integrantes do Ecad, consideram as críticas infundadas e alegam que a intervenção do estado no órgão provocaria um engessamento do mercado. Ao que parece, os mecenas contemporâneos da cultura, querem continuar onde estão: transformando a cultura em simples moeda de troca, retirando-a de seu berço genuíno e universal, em outras palavras, da própria sociedade, o que inclui os autênticos artistas que a constroem e todas as pessoas e hábitos que a inspiram.

Veja trecho de notícia sobre o assunto publicada pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação:

Artistas acusam Ecad de perseguição
Por André Vieira, do Observatório do Direito à Comunicação

Em mais uma atividade da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga irregularidades no Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), os senadores Randolfe Rodrigues (Psol-AP) e Lindenberg Farias (PT-RJ), respectivamente presidente e relator da CPI, ouviram artistas e representantes do órgão arrecadador em audiência pública realizada nesta sexta-feira, 30, na cidade do Rio de Janeiro.

Com um tom de insatisfação com o órgão, o diretor do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro, Tim Rescala, acusou o Ecad de perseguir artistas que criticam o modelo de arrecadação e distribuição de direitos autorais no Brasil e que não existe diálogo com os artistas. “Não há diálogo com os compositores, e os que se colocam contra são considerados inimigos”, criticou Tim.

Tim lembrou também, que a entidade que se encontra em investigação já foi alvo de outras CPIs, que mesmo apontando irregularidades, não indiciou nenhum envolvido nas fraudes. Ainda segundo o sindicalista, é fundamental a presença do Estado nesse processo de recolhimento do direito autoral para que as irregularidades não continuem. “Defendemos a participação do Estado dentro da gestão do Ecad. Somente com a participação da sociedade civil e do Estado, teremos de volta o respeito à entidade”, concluiu.

Outra artista ouvida durante a audiência foi a cantora e compositora Fernanda Abreu. Para ela, que também defende a presença do Estado na gestão do órgão, o Ecad precisa ser reformulado para dar mais transparência ao processo de recolhimento dos direitos autorais. Fernanda apontou como exemplo o caso dos Jogos Panamericanos ocorridos em 2007 na cidade do Rio de Janeiro, onde teve uma de suas composições tocada. “Demorei seis meses para saber qual foi a negociação que houve entre o Ecad e o Comitê Olímpico Brasileiro. É muito difícil o autor participar”, problematizou a cantora.

A credibilidade do Ecad foi contestada pelo compositor Dudu Falcão, participante da audiência. “Não sou contra o Ecad. Não posso ser contra um prédio, mas me sinto incomodado pelos que ocupam esse prédio. Defendo a moralização, modernização (do órgão). Hoje não tenho a quem recorrer quando preciso debater direito autoral”. Falcão questionou ainda a forma utilizada para calcular o valor a ser recolhido com as composições. “Eu não sei qual o critério usado na avaliação dos valores dos montantes recolhidos com o meu dinheiro”, indagou o compositor. (Texto completo)

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QUANDO SENTIDOS E DESEJOS VIRAM MERCADORIA: 1,99 UM SUPERMERCADO QUE VENDE PALAVRAS

As tradicionais lojas de 1,99 vendem inúmeros produtos, nem sempre por 1,99, mas por valores relativamente mais baixos do que encontramos em supermercados ou lojas tradicionais. Em uma loja de 1,99 há um pouco de tudo. Geralmente, a porta de entrada é pequena, estreita, mas, à medida que os passos avançam, os corredores se multiplicam, as entradas formam-se umas à partir das outras, desenha-se um labirinto de consumo, variedade, onde cabe um pouco de tudo e onde se tem a ilusão de ali encontrar tudo.

A descrição de uma loja de 1,99 talvez se pareça muito com o retrato do mundo contemporâneo. Um lugar que, à primeira vista, parece simples, dominável, mas que depois vai se multiplicando, abrindo muitos caminhos e formando um labirinto lotado de opções, abarrotado de coisas, vozes, pessoas, apelos, marcas e, de repente, vazio, sem nada.

O que falta nesse mundo? Talvez sentido? O que acreditamos ser capaz de nos dar todas as respostas e todos os sentidos? As palavras? Então, porque não um desses 1,99, cheios e misteriosos, mas, dessa vez, de palavras. Um lugar onde elas esperam nas prateleiras por mãos ávidas em tomar posse daquele sentido representado por elas, daquele desejo que elas prometem realizar, daquela memória que elas prometem clarear.

Isso mesmo um mundo claro, iluminado, branco. A mesma luz do renascimento, do iluminismo, da idade do saber, da razão e do conhecimento (obtidos por meio da palavra), em oposição a um mundo escuro, onde reinam as trevas da ignorância, a vertigem do caos. Cores formando significados, o mundo da palavra incorporando as suas múltiplas significações textuais, o homem consumindo o último reduto de sua suposta identidade.

A palavra tornando-se, de fato, um produto! Vale a pena ver os dois trechos iniciais do filme de Marcelo Masagão que, assim como grande parte de suas produções, mantém a linha de ácida crítica à sociedade atual, seus valores e opções comportamentais, sempre com um requinte estético e artístico que começa no musical e evolui para a exploração semiótica do mundo.

Em 1,99 Um supermercado que vende palavras, contrapõem-se o mundo das luzes e o mundo das palavras ao mundo da escuridão e do caos. Cabe a quem reparar, refletir se talvez não fosse o inverso, afinal, haveria claridade de saber em um mundo onde as palavras e os desejos são vendáveis? Ou, na verdade, a claridade que ele coloca seria de entorpecimento, cegueira e ilusão?

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PROFESSORA: CORRUPÇÃO É A TORTURA DA SOCIEDADE BRASILEIRA

A corrupção deteriora as próprias estruturas da sociedade

Por Roseli Manfredi de Campos Silva

O que a corrupção faz com a sociedade brasileira, na obra de Fernando Botero)

O que a corrupção faz com a sociedade brasileira, na obra de Fernando Botero

Corrupção é palavra que voga na atualidade. A história brasileira é repleta de exemplos. Porém muitos períodos, foi “proibido” falar e apurar a corrupção. Ela não é prática só das elites dirigentes. A palavra corrupção em sua definição, expressa a oposição, a negação daqueles valores que consideramos, ou pelo menos deveríamos considerar como sustentáculos do bom andamento das relações intrapessoais e sociais, que são necessárias para a realização humana. Corromper, portanto, é o ato pelo qual se adultera, se estraga algo físico ou moralmente. A repercussão é de maior ou menor amplitude, conforme a ação que se realiza.

As causas são praticamente inesgotáveis, pois envolvem problemas estruturais, sociais e pessoais.  A corrupção política, ou a corrupção na política de uma determinada sociedade deteriora as próprias estruturas da sociedade, uma vez que a política é o cuidado com o que é coletivo, de todos, é a busca de soluções para os problemas que a sociedade, uma vez que a política e o cuidado com o que é coletivo, de todos, é a busca de soluções para os problemas que a sociedade como um todo enfrenta.

A sociedade clama justiça, onde a maioria dos casos a impunidade torna-se aliada das empresas, das gangs, autoridades e maus funcionários, há quem diga que um terço do que se gasta nos governos se esvai pelos ralos da corrupção. Isto tudo é dinheiro coletivo que se perde, deixando de atender, com ele, uma grande quantidade de necessidades sociais. Saiba mais

MINISTÉRIO JÁ RESGATOU 3 MIL EM TRABALHO ESCRAVO ESTE ANO

Abaixo-assinado pede aprovação urgente da PEC contra o trabalho escravo

Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Só em 2008, mais de 3 mil trabalhadores em situação degradante foram resgatados por equipes do grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Desde que o grupo foi criado, em 1995, mais de 30 mil trabalhadores foram retirados de situações irregulares. Para impedir que a prática do trabalho escravo continue existindo no Brasil, entidades da sociedade civil organizaram hoje (17) um ato nacional pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 438/2001) que prevê penas mais rígidas para os exploradores. Entre elas, a expropriação de imóveis (rurais e urbanos) de quem cometer o crime.

A proposta está pronta para ir ao plenário na Câmara e depois precisa ser votada no Senado. A matéria tramita há sete anos e, segundo as entidades que representam os trabalhadores, sofre forte pressão da bancada ruralista para não ser aprovada. Segundo o diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Agricultura (Contag), Antônio Lucas, a idéia do abaixo-assinado é mostrar aos parlamentares que a sociedade é contra o trabalho escravo.

“O Brasil hoje é um país que está exportando soja, milho, um monte de produtos agrícolas. Eles [ruralistas] precisam tirar de dentro dessa produção o trabalho escravo, isso é bom para eles também. Eles precisam ter essa consciência. Nós vamos para dentro do Congresso brigar para que ela seja aprovada”, afirma.

A meta é recolher 2 milhões de assinaturas até fevereiro. Hoje (17), os pontos para coleta de assinaturas estão espalhados em várias cidades. Em Brasília, foram escolhidos dez locais de grande circulação como a Rodoviária do Plano Piloto, os shoppings Pátio Brasil e Conjunto Nacional, e as estações do metrô em Taguatinga e Ceilândia. Há ainda a versão eletrônica do abaixo-assinado, disponível na internet.

Para Maria Isabel Silva, conselheira da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), parte da população desconhece que o problema  persiste no Brasil, 120 anos após a assinatura da Lei Áurea. “A população é muito mal informada. As pessoas que têm nos procurado nem sabe que isso ainda existe, quem está na fazenda acha que vive lá por uma concessão do patrão. O povo precisa ser conscientizado que essa exploração do homem pelo homem não pode mais existir. É uma segunda abolição da escravatura”, defende.

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