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mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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Futuros médicos do Brasil e seu inacreditável racismo, misoginia e grosseria

Alunos de medicina da USP de Ribeirão Preto fizeram uma inacreditável letra de música de tão estúpida, grosseira e horrenda. O texto mostra racismo, misoginia e reificação da (Continue lendo…)

QUE HORROR: VEJA O NÍVEL DA COMENTARISTA MARISTELA BASSO NO JORNAL DA TV CULTURA

O PERFIL DO TWITTER DA PROMOTORA DE JUSTIÇA, ELIANA PASSARELLI, QUE DENUNCIOU OS ALUNOS DA USP POR FORMAÇÃO DE QUADRILHA

Imagem: rei lux twitpic

Veja trecho da matéria sobre nota de repúdio do Diretório Central dos Estudantes da USP:

‘É um golpe no movimento’, dizem estudantes após denúncia

Em nota de repúdio divulgada na terça-feira 6, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP classificou a denúncia do Ministério Público contra os 72 alunos que ocuparam a reitoria da universidade em 2011 como um “ataque ao movimento estudantil e aos movimentos sociais”.

A nota foi divulgada após o SBT noticiar que uma promotora de São Paulo havia acusado os manifestantes por danos ao patrimônio, pichação, desobediência judicial e formação de quadrilha. O ato de protesto tinha o objetivo de pressionar a reitoria da universidade a retirar a Polícia Militar do campus

Na nota, o DCE lembrou a forma “violenta” como a reintegração de posse da reitoria ocorreu e disse repudiar qualquer punição aos estudantes. A entidade reagiu à declaração da promotora Eliana Passarelli, responsável pela acusação que, em entrevista à Folha de S.Paulo, chamou os estudantes de “bandidos”. Segundo ela, o material encontrado no local, como garrafas, combustível e outros artefatos, poderiam ser usados para fabricar bombas. (texto completo)

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PROFESSORES, ESTUDANTES E FUNCIONÁRIOS QUEREM COMISSÃO DA VERDADE NA USP, ONDE RESQUÍCIOS AUTORITÁRIOS DA DITADURA PERMANECEM

Para Shecaira, um dos professores que participa do movimento,  “este é um momento de retrocesso no seio de órgãos de poder da universidade”

Por ser uma das universidades onde os trabalhadores e estudantes foram amplamente perseguidos durante a Ditadura Militar no Brasil e por ainda guardar resquícios desse período, haja vista a forma autoritária e na maioria das vezes conservadora com que a USP tem tratado as questões sociais dentro do seu campus, funcionários, professores e estudantes pedem uma Comissão da Verdade na universidade para investigar e trazer à tona todos os crimes cometidos durante o governo repressivo e autoritário dos militares no espaço da Universidade de São Paulo.

Um abaixo-assinado foi lançado na última semana pedindo a instalação da Comissão da Verdade na universidade. A ação, encabeçada por juristas, que culminou no Fórum Aberto pela Democratização da USP, pretende “somar assinaturas até o mês de agosto, eleger possíveis membros nas bases de cada um dos setores da comunidade uspiana e protocolar oficialmente o pedido de instalação de sua Comissão da Verdade no conselho universitário”, diz notícia publicada pela Carta Maior.

A discussão na USP evidencia como a Comissão da Verdade em nível nacional está influenciando a formação de comissões estaduais, municipais e inclusive no espaço da universidade o que soa como positivo quando se pensa que a periferia vem para reforçar o movimento central em uma relação onde ambos se alimentam e se fortaleçem.

Além disso, investigar e trazer à tona os crimes da ditadura cometidos na USP, faz total sentido já que a primeira ação de todo e qualquer regime autoritário e regressivo, no sentido negativo da palavra, é calar o conhecimento, tornar muda a consciência crítica, por isso a USP foi tão perseguida naqueles anos e o fato de ela ainda se mostrar autoritária talvez seja justamente um sinal de que a liberdade e o conhecimento para alguns ainda continua sendo nem um pouco interessante.

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

Professores, estudantes e funcionários pedem Comissão da Verdade na USP
Fórum Aberto pela Democratização lembra que USP foi uma das universidades em que trabalhadores e estudantes foram mais perseguidos na ditadura, e que, por guardar resquícios daquele período, é uma das universidades que têm demonstrado enorme truculência. “Professores, estudantes e funcionários da USP devem abrir o passado e verificar tudo aquilo que ocorreu durante o regime empresarial-militar”, defendeu Fábio Konder Comparato.

Por Fábio Nassif

São Paulo – O Pátio das Arcadas da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo foi palco do ato de lançamento de um abaixo-assinado para instalação da Comissão da Verdade na universidade. A atividade encabeçada por juristas nesta quinta-feira (25) lembrou que a USP foi uma das universidades em que os trabalhadores e estudantes foram mais perseguidos durante a ditadura, e que, por guardar resquícios regimentais daquele período, é uma das universidades que têm demonstrado enorme truculência diante dos movimentos lá organizados.

A ideia do Fórum Aberto pela Democratização da USP, que reúne representações dos três setores, organizações políticas e entidades de direitos humanos, é somar assinaturas até o mês de agosto, eleger possíveis membros nas bases de cada um dos setores da comunidade uspiana e protocolar oficialmente o pedido de instalação de sua Comissão da Verdade no conselho universitário.

Formado na USP, Fábio Konder Comparato disse que a Comissão da Verdade nacional deve ser ajudada por comissões estaduais, municipais ou setoriais, como é o caso da universidade. Em sua opinião, a comissão da USP deve trabalhar com total independência. “Os professores, estudantes e funcionários da USP devem abrir o passado e verificar tudo aquilo que ocorreu durante o regime empresarial-militar”, disse o professor.

“É preciso que nós saibamos enfrentar esta verdade difícil que é a verdade do desrespeito sistemático à dignidade da pessoa humana”, afirmou Comparato, que também criticou a repressão na USP dos dias atuais. “O regime disciplinar da universidade que continua em vigor foi estabelecido em 1972. Para os jovens isso pode não significar nada. Para nós que vivemos aquele período, significa o período mais sangrento do regime empresarial-militar. Era o Governo do general Médici”, disse, reforçando o papel da memória para não repetição do passado.

O professor de direito penal, Sérgio Salomão Shecaira, afirmou que “a Comissão da Verdade propiciará, no âmbito da USP, sabermos quem é que foi cassado pelo AI-5 e por que o decreto 477 permitia afastamento de estudantes”. “Esse decreto tem ainda um entulho autoritário que é uma cópia – me perdoem – cuspida e escarrada do 477, que é de 72, e que permite os detentores da USP processarem alunos da nossa universidade”, disse. Atualmente, 51 estudantes estão sofrendo processos administrativos e podem ser “eliminados”, de acordo com o regimento da USP.

O atual reitor da universidade, João Grandino Rodas, foi diretor da Faculdade de Direito antes de assumir o atual posto. Shecaira acredita que “este é um momento de retrocesso no seio de órgãos de poder da universidade”, e repetiu aos jovens presentes na plateia que “para nós, o Magnífico reitor será sempre persona non grata”. (Texto completo)

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BANCO DE CÉLULAS TRONCO VAI SER DESENVOLVIDO PELA USP E, NO FUTURO, PODE SERVIR COMO UMA POPULAÇÃO BRASILEIRA “IN VITRO”

Uma equipe de 17 pesquisadores vai desenvolver na Universidade de São Paulo (USP) um banco de células-tronco de pluripotência induzida. É o que mostra notícia divulgada pela Agência Brasil. Segundo a coordenadora do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (Lance) da USP, Lygia Vieira Pereira, as primeiras pesquisas com o banco poderão começar a ser desenvolvidas em dois ou três anos.

O banco será formado a partir de amostras de sangue e a saúde de 15 mil pessoas será monitorada ao longo de 30 anos para avaliar os fatores de risco de doenças crônicas. Com as células de uma parcela significativa da população, a expectativa é que elas possam servir, no futuro, como uma população brasileira in vitro onde uma nova droga, por exemplo, poderia ser testada antes de ser lançada, avaliando previamente seus riscos.

Além disso, de posse das células, os pesquisadores também trabalham com a possibilidade de estudar como se desenvolvem as doenças crônicas. A partir da observação do material celular, por exemplo, seria possível prever que as pessoas teriam uma certa doença?

Veja trecho da notícia sobre o assunto:

USP vai desenvolver banco de células tronco para pesquisar doenças crônicas e novas drogas
Por Daniel Mello

São Paulo – Uma equipe de 17 pesquisadores vai desenvolver na Universidade de São Paulo (USP) um banco de células-tronco de pluripotência induzida. São células adultas que são induzidas artificialmente para reproduzir a capacidade de formar qualquer tecido do corpo. Segundo a coordenadora do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (Lance) da USP, Lygia Vieira Pereira, as primeiras pesquisas com o banco poderão começar a ser desenvolvidas em dois ou três anos. O sistema só deverá funcionar plenamente em aproximadamente cinco anos.

O banco será formado a partir de amostras de sangue coletadas pelo Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa). A iniciativa do Ministério da Saúde vai monitorar, com entrevistas e exames clínicos, a saúde de 15 mil pessoas ao longo de 30 anos para avaliar os fatores de risco de doenças crônicas.

Com isso, além das células de uma amostra significativa da população, estarão disponíveis dados clínicos relativos ao material. “Isso vai acabar servindo, em um futuro bem próximo, como uma população brasileira in vitro”, diz Lygia. “Então, no caso de uma nova droga, antes dela ser lançada, tem que ser testada na população brasileira para ver se ela é tóxica. A gente poderia antes de ir para as pessoas, testar nas células, na população brasileira in vitro”, exemplifica a pesquisadora.

Outra utilização, prevista por Lygia, diz respeito ao próprio estudo de como se desenvolvem as doenças crônicas. “A gente pega os dados clínicos dessas pessoas e vemos quantas têm depressão. Será que a gente consegue enxergar isso nas células delas? A gente conseguiria prever que essas pessoas teriam depressão?”diz. (Texto completo)

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USP LIDERA RANKING DAS UNIVERSIDADES QUE MAIS FORMAM DOUTORES NO MUNDO, MAS BUSCA PELA QUALIDADE CONTINUA

Além da USP, UNICAMP e UNESP também aparecem bem colocadas no ranking

Os dados são do Ranking Acadêmico de Universidades do Mundo (ARWU, na sigla em inglês) por indicadores, elaborado pelo Centro de Universidades de Classe Mundial (CWCU) e pelo Instituto de Educação Superior da Universidade Jiao Tong, em Xangai, na China e mostram que em um total de 682 instituições globais, a Universidade de São Paulo (USP) é a que tem o maior número de doutorados defendidos.

A USP aparece na terceira colocação em relação à verba recebida anualmente para pesquisa e também aparece bem colocada no que diz respeito a publicações de artigos científicos e porcentagem de professores com doutorado.

Mas desafios ainda existem para que a USP seja não só a universidade que forma mais doutores no mundo, mas também a que forma os melhores doutores do mundo.

Veja trecho da notícia sobre o assunto publicada pela Carta Capital:

USP é universidade que mais forma doutores no mundo
Por Elton Alisson

A Universidade de São Paulo (USP) é a universidade que mais forma doutores hoje no mundo.

A constatação é do Ranking Acadêmico de Universidades do Mundo (ARWU, na sigla em inglês) por indicadores, elaborado pelo Centro de Universidades de Classe Mundial (CWCU) e pelo Instituto de Educação Superior da Universidade Jiao Tong, em Xangai, na China. O levantamento aponta a universidade paulista como a primeira colocada em número de doutorados defendidos entre 682 instituições globais.

O ranking também indica a USP como a terceira colocada em verba anual para pesquisa, entre 637 universidades, além de a quinta em número de artigos científicos publicados, entre 1.181 instituições em todo o mundo, e a 21ª em porcentagem de professores com doutorado em um universo de 286 universidades.

Na avaliação de Vahan Agopyan, pró-reitor de Pós-Graduação da USP e membro do Conselho Superior da Fundação de Amparo a Pesquisa no Estado de São Paulo (FAPESP), a liderança mundial na formação de doutores, apontada pelo levantamento global, deve-se à tradição da pós-graduação da USP no Brasil.

“Nas décadas de 1970 e 1980, praticamente metade dos doutorados no Brasil eram realizados na USP, e hoje mais de 20% dos pós-graduandos no país também obtém o título de doutor aqui. Isso permitiu que a universidade se tornasse um grande centro mundial de pós-graduação, agora confirmado por esse ranking internacional”, disse Agopyan à Agência FAPESP. (Texto completo)

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Estudante: "Ainda não caiu a ficha"

Nicolas Menezes Barreto, estudante de Ciências da Natureza na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, disse à reportagem da revista Carta Capital que ainda estava “desnorteado” com o episódio em que foi agredido por um policial militar na USP que participava de operação para fechar a antiga sede do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

Um vídeo que circula pela internet, já publicado pelo Educação Política, mostra o momento em que o policial aponta a arma para o estudante. Apontar armas é o gesto preferido da polícia nacional e isso não é de hoje. Por isso, o fato acontecido na USP não é uma surpresa. Depois da polêmica envolvendo a presença ou não da polícia no campus da universidade e levando em consideração a forma como a PM resolve os problemas do Brasil, o fato já era esperado.

O próprio estudante reconheceu o histórico de agressões da PM na USP nos últimos anos e disse ser apenas o “bode expiatório da vez” em que o policial teria descarregado não só a violência física, como também a moral, já que o fundo racista do epísódio foi percebido por Menezes e também por outros estudantes que presenciaram a cena.

A polícia militar afastou os envolvidos na agressão, mas o caldo de violência e autoritarismo que forma a cultura nacional ainda está lá, na instituição que deveria dialogar, não levantar armas.

Veja trecho da reportagem publicada pela Carta Capital e também um trecho de ótimo texto de Matheus Pichonelli, indagando: A PM paulista sabe lidar com seres humanos?

‘Ainda não caiu a ficha’, diz estudante agredido
Por Clara Roman

Já passava das 20h quando Nicolas Menezes Barreto atendeu, por telefone, a reportagem de CartaCapital. Mais de oito horas depois de ter sido agredido por Policial Militar em um espaço estudantil na Universidade de São Paulo, Menezes ainda se dizia desnorteado com episódio, gravado com uma câmera digital. “Desculpa se estou sendo exaltado. É que ainda não me caiu a ficha”, afirmou.

Estudante de Ciências da Natureza na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, Menezes foi abordado com tapas por um policial militar que participava de operação para fechar a antiga sede do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Um vídeo (clique aqui para ver) que circula na internet registrou a cena, inclusive o momento em que o PM aponta a arma para o estudante.

Horas depois da agressão, ele ainda tentava entender o que aconteceu. Segundo ele, a cena foi apenas mais um episódio de um histórico de “opressão” promovido pela Polícia Militar na Universidade. “Eu sou o bode expiatório dessa vez, mas tem um histórico de agressões da USP nos últimos anos”, disse ele.

Tenso, Menezes contou que ainda não sabia se faria algum exame para comprovar o espancamento, o que poderia resultar num processo judicial.“Ainda nem tomei banho. Estou vendo como vou fazer perícia, porque o vídeo já traz todas as provas”, diz. O estudante relatou que tem arranhões e cortes na mão. (Texto completo)

A PM paulista sabe lidar com seres humanos?
Por Matheus Pichonelli

Parecia piada pronta. Estudante, negro, espancado por um policial militar dentro da USP? Tudo isso em vídeo?
Ou é piada ou é boato.
Nem o mais troglodita dos carrascos seria capaz de assinar o recibo desta maneira.
Policial pode até ser rígido, mas não é burro.

Tem a seu favor a reitoria, o governador e a imensa maioria da opinião pública que vê na resistência dos estudantes ao policiamento ostensivo um sintoma de privilégio.

“Querem fumar maconha sem ser incomodados”.

Do governador ao quatrocentão que nunca pisou na USP, todos estavam crentes de que, com a PM no campus, a segurança e a civilidade estariam instauradas de vez.

O resto era conversa, papo de intelectual.

Todo mundo sabe que polícia não agride, polícia protege.

Os argumentos em torno da ordem e da legalidade estavam tão consolidados que soaria como escárnio voltar à discussão a essa altura do campeonato: a PM sabe lidar com estudantes?

A resposta durou 1 minuto e 39 segundos, e é mais representativa que todos os calhamaços já publicados sobre o assunto. E levou a discussão para outro patamar: a polícia paulista sabe lidar com seres humanos?

No vídeo (clique aqui para ver), de menos de dois minutos, um sargento, identificado como André Ferreira, avisa, educadamente, que o prédio sem uso há anos, ocupado pelos estudantes, precisa ser liberado. Os estudantes se negam a deixar o prédio. E questionam os motivos da ação (ao que parece, não está proibido ainda, num espaço estudantil, questionar determinada situação, ainda que o interlocutor seja um policial, um padre ou um professor). (Texto completo)

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CASO USP E RECENTE PRISÃO DE TRAFICANTES NA ROCINHA REVELAM O QUANTO A LÓGICA DO ESPETÁCULO CONTINUA VALENDO PARA ALGUNS, NÃO PARA TODOS

Interessante texto de Sergio Lirio, publicado na Carta Capital, revela que no Brasil a lei que vale é mesmo a do dois pesos, duas medidas. Ainda sob as repercussões do caso USP, o texto revela como a justiça neste país é tão adaptável às diferentes pessoas e circunstâncias quanto uma massa de modelar.

Muito se disse, se ouviu e se escreveu sobre o caso USP.

A “patética ocupação da reitoria, aliada à desproporcional reação da polícia”, como colocou outro texto de Matheus Pichonelli, publicado pela mesma revista disse: “a ocupação da reitoria da maior universidade do País deu munição para que boa parte da opinião pública (inclusive estudantes) testemunhasse, graças à transmissão ao vivo das emissoras, a legitimação de seus desprezos contra estudantes que, diferentemente deles, ainda ousam apontar o dedo para o alto e dizer que alguma coisa está errada”.

E ainda: “critique-se o quanto quiser a partidarização de parte do movimento, mas são os estudantes os agentes de uma história que ainda somam coragem e disposição para se organizar e promover discussões e manifestações que, via de regra, apontam caminhos não observáveis por quem, a olhos nus, está atolado nas funções diárias da divisão social do trabalho. O empregado tem medo da greve e de perder o emprego; o patrão tem medo de perder o lucro; o governador, o medo de perder poder. Mas os estudantes estão, em tese, livres das amarras que os impediriam de simplesmente optar por outros caminhos. Isso não deveria ser vergonhoso, nem apontado como privilégio”.

No tumulto das opiniões, o fato acontecido foi visto sob diversos ângulos e pontos de vista. Mas uma coisa parece sobressair-se: o espetáculo promovido pela mídia e, principalmente, pelos policiais. Esse não pode ser classificado com outro adjetivo a não ser “deplorável”.

O interessante é constatar que sob a égide desse mesmo espetáculo, o texto de Sergio Lirio lembra que quando Daniel Dantas apareceu algemado em horário nobre, por pouco não houve uma inssurreição popular pedindo que o cidadão e as liberdades individuais fossem respeitadas. Colunistas, ministros, advogados, todos conclamaram os direitos individuais contra os abusos do autoritarismo. O barulho resultou em uma súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal que limitou o uso de algema e a exposição de presos em operações “espetaculosas” da polícia. Ela valeria para todos, era a promessa.

No entanto, a “lei das algemas” parece valer mesmo apenas para os donos do Brasil, afinal, o que se viu no recente caso na USP e na prisão do traficante Nem, na Rocinha, foi a encenação do espetáculo, atendendo “aos sentimentos mais obscuros da ala conservadora da sociedade. Em troca de apoio e publicidade”, como diz o texto.

Em defesa dos estudantes ninguém, da mídia ou das altas cortes de justiça, se manifestou.

Veja trecho dos dois textos mencionados, publicados pela Carta Capital:

Lei das algemas? Só para influentes
Por Sergio Lirio

Quando Daniel Dantas apareceu algemado em horário nobre, por pouco uma nova marcha pela liberdade não tomou as ruas do País. Os “democratas” diziam que o Brasil vivia sob um Estado policial. Ministros de tribunais superiores, advogados milionários, colunistas de política e economia e juristas (que vivem de juros) de todo calibre conclamaram os direitos individuais contra os abusos do autoritarismos. A estridência resultou em uma súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal que limitou o uso de algema e a exposição de presos em operações “espetaculosas” da polícia. Ela valeria para todos, era a promessa.

Como sempre, certos direitos são reservados a uma minoria de privilegiados. Aos influentes, aos donos do Brasil. Tanto no caso da remoção dos estudantes da USP quanto na operação na Rocinha que prendeu o traficante Nem, as regras foram jogadas às favas. Alunos e traficantes foram forçados por policiais a exibir o rosto a cinegrafistas e fotógrafos. Nos dois casos, optou-se por atender aos sentimentos mais obscuros da ala conservadora da sociedade. Em troca de apoio e publicidade. (Texto completo)

Ocupação patética, reação tenebrosa
Por Matheus Pichonelli

Ao que tudo indica, a ocupação da reitoria da USP foi de fato patrocinada por um grupo de aloprados, que atropelou o rito das assembleias realizadas até então e, num ato de desespero (calculado?), fez rolar morro abaixo uma pedra que, aos trancos, deveria ser endereçada para pontos mais altos da discussão.

Uma vez que essa pedra rolou, como se viu, tudo desandou. Absolutamente tudo, o que se nota pela declaração do ministro-candidato-a-prefeito (algo como: bater em viciado pode, em estudante, não) e do governador (vamos dar aula de democracia para esses safadinhos), passando pela atitude da própria polícia (tão aplaudida como o caveirão do Bope que arrebenta favelas), de cinegrafistas (ávidos por flagrar os “marginais” de camiseta GAP) e de muitos, mas muitos mesmo, cidadãos que só esperavam o ataque aéreo dos japoneses em Pearl Harbor para, em nome da legalidade, arremessar suas bombas atômicas sobre Hiroshima.

O episódio, em si isolado, é sintomático em vários aspectos. Primeiro porque mostra que, como outros temas-tabus (questão agrária, aborto…), a discussão sobre a rebeldia estudantil é hoje um convite para o enterro do bom senso. O episódio foi, em todos os seus atos, uma demonstração do que o filósofo e professor da USP Vladimir Safatle chama de pensamento binário do debate nacional – segundo o qual a mente humana, como computadores pré-programados, só suporta a composição “zero” ou “um”. Ou seja: estamos condicionados a um debate que só serve para dividir os argumentos em “a favor” ou “contra”, “aliado” ou “inimigo”. (Texto completo)

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Faixas e cartazes colocados na entrada da Reit...

Será que não há diferença entre protesto estudantes e ação do crime organizado?

Os alunos da USP que ocuparam a reitoria em protesto contra ações da PM no campus não tiveram uma atitude muito racional, mas deveriam ser anistiados.

Claro que não se deve quebrar patrimônio público nem privado, mas é preciso uma legislação para distinguir as ações de bandidos de ações políticas.

Além disso, é preciso verificar se foram os estudantes ou os policiais que quebraram  a reitoria. Há relatos de que os policiais chegaram no estilo capitão Nascimento, detonando.

Para se ter uma ideia das prioridades de segurança, o governo de São Paulo mandou centenas de policiais para retirar estudantes e não consegue esclarecer 10% dos homicídios. É uma coisa estupenda.

Não é possível uma democracia que criminalize movimentos sociais e políticos da mesma forma que trata o crime organizado.

O que nossos deputados estão fazendo? Há a necessidade urgente de separar ações políticas de ações criminais, ainda que haja reparação quando há excessos, que sejam identificados os depredadores.

Não é possível continuar como no tempo da ditadura em que ações políticas eram enquadradas como criminais. As motivações são diferentes e devem ter tratamento legal diferenciado.

Soa até estranho dizer tamanha a diferença entre dois atos, mas há uma diferença abissal entre os ataques do PCC em São Paulo e a ocupação da reitoria por estudantes em protesto.

Não é possível termos as mesmas leis para uma quadrilha de criminosos e para os jovens que ocupam uma reitoria em protesto?

Não é possível torturadores ficarem livres, que atuaram covardemente resguardados pelo Estado, enquanto estudantes são enquadrados como criminosos.

O que nossos deputados estão fazendo? É preciso uma legislação que impeça a criminalização de movimentos sociais, que impeça que agentes do Estado ajam sobre movimentos políticos da mesma forma como agem contra o crime organizado.

Aliás, o crime organizado vai muito bem no Estado de direita. Tem um banqueiro condenado que teve dois habeas corpus em 48 horas no Supremo Tribunal Federal.

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PSDB de São Paulo: nos tempos da ditadura

Vale a pena a leitura do texto que vem a seguir escrito por uma estudante da Universidade de São Paulo (USP), que acompanhou a reintegração de posse da reitoria na madrugada da última segunda-feira por dois motivos básicos:

Pra aproximar-se da verdade que sempre existe, mesmo sob todos os disfarçes.

Pra conhecer os métodos dessa polícia que rasga poemas, ao invés de construir e pensar em novos versos.

A ocupação da reitoria, os termos e a politização do Movimento Estudantil na Universidade de São Paulo, a postura dos estudantes, tudo isso pode até ser questionado, mas nada justifica a violência utilizada pelos policiais, tampouco a justificação dessa mesma violência que é o que o Brasil sempre fez e agora faz em inacreditáveis proporções com o apoio da mídia e dos setores mais conservadores do país que insistem em reduzir tudo a um simples cigarro de maconha ou a jovens que gostam de fazer barulho.

Um simples relato como este, que apenas se ateve aos fatos, revela que não. Que os problemas são outros e profundos!

Desabafo de quem tava lá [Reintegração de Posse]
Por Shayene Metri

Cheguei na USP às 3h da manhã, com um amigo da sala. Ia começar o nosso ‘plantão’ do Jornal do Campus. Outros dois amigos já estavam lá. A ideia era passar a madrugada lá na reitoria, ou pelas redondezas. 1) para entender melhor a ocupação, conhecer e poder escrever melhor sobre isso tudo. 2) para estarmos lá caso a PM realmente aparecesse para dar um fim à ocupação.

Entrada dos primeiros PMs na reitoria

Conversa vai, conversa vem. O tempo da madrugava passava enquanto ficávamos lá fora, na frente da reitoria, conversando com alunos da ocupação. Alguns com posicionamentos bem definidos (ou inflexíveis), outros duvidando até das próprias atitudes. A questão é: os alunos estavam lá e queriam chamar atenção para a causa (ou as causas, ou nenhuma causa)…e, por enquanto, era só. Não havia nada quebrado, depredado ou destruído dentro da tão requisitada reitoria (a única marca deles eram as pixações). A ocupação era organizada, eles estavam divididos em vários núcleos e tinham medidas pra preservar o ambiente. Aliás, nada de Molotov.

Mais conversa foi jogada fora, a fogueira que aquecia se apagou várias vezes e eu levantei a pergunta pra alguns deles: e se a PM realmente aparecesse lá logo mais? Seria um tiro no pé dela? Ela sairia como herói? Os poucos que conversavam comigo (eram uns 4, além dos amigos da minha sala) ficaram divididos. “Do jeito que a mídia está passando as coisas, eles vão sair como heróis de novo”, disse um. “Se ele vierem vai ter confronto e isso já vai ser um tiro no pé deles”, disse outra. Mas, numa coisa eles concordavam: poucos acreditavam que a PM realmente ia aparecer.

Eu achava que a PM ia aparecer e muito provavelmente isso que me fez ficar acordada lá. Não demorou muito e, pronto, muita coisa apareceu. A partir daí, meu relato pode ficar confuso, acho que ainda não vou conseguir organizar tudo que eu vi hoje, 08 de novembro.

Muitos PMs chegaram, saindo de carros, motos, ônibus, caminhões. Apareceram helicópteros e cavalaria. Nem eu e, acredito, nem a maior parte dos presentes já tinham visto tanto policial em ação. Estávamos em 5 pessoas na frente da reitoria. Dois estudantes que faziam parte da ocupação, eu e mais 2 amigos da minha sala, que também estavam lá por causa do JC. Assim que a PM chegou, tudo foi muito rápido:

os alunos da ocupação que estavam com a gente sugeriram: “Corram!”, enquanto voltavam para dentro da reitoria. Os dois amigos que estavam comigo correram para longe da Reitoria, onde a imprensa ainda estava se posicionando para o show. Eu, sabe-se lá por qual motivo, joguei a minha bolsa para um dos meninos da minha sala e voltei correndo para frente da reitoria, no meio dos policiais que avançavam para o Portão principal [e único] da ocupação.

Tentei tirar fotos e gravar vídeos de uma PM que estava sendo violenta com o nada, para nada. Os policiais quebravam as cadeiras no carrinho, faziam questão do barulho, da demonstração da força. Os crafts com avisos dos estudantes, frases e poemas eram rasgados, uma éspecie de símbolo. Enquanto tudo isso acontecia, parte da PM impedia a imprensa de chegar perto da área, impedindo que os repórteres vissem tudo isso. Voltando para confusão onde eu tinha me enfiado: os PMs arrombaram a porta principal, entraram (um grupo de mais ou menos 30, eu acho) e, logo em seguida, fecharam o portão. Trancaram-se dentro da reitoria com os alunos. Coisa boa não era.

Depois disso, o outro grupo de PMs,que impedia a mídia de se aproximar dessas cenas que eu contei , foi abrindo espaço. Quer dizer, não só abrindo espaço, mas também começando (ou fortalecendo) uma boa camaradagem para os repórteres que lá estavam atrás de cenas fortes e certezas.

“Me sigam para cá que vai acontecer um negócio bom pra filmar ali agora”, disse um dos militares para a enxurrada de “jornalistas”.

A cena era um terceiro grupo de PMs, arrombando um segunda porta da reitoria, sob a desculpa de que queria entrar. O repórter da Globo me perguntou (fui pra perto deles depois da confusão em que me meti com os policiais no início): “os PMs já entraram, não? Por que eles tão tentando por aqui também?”. Respondi: “sim, já entraram. E provavelmente estão fazendo essa cena pra vocês terem algum espetáculo pra filmar”

A palhaçada organizada pelos policiais e alimentada pelos repórteres que lá estavam continuou por algumas horas. A imprensa ia contornando a reitoria, na esperança de alguma cena forte. Enquanto isso, PM e alunos estavam juntos, dentro da Reitoria, sem ninguém de fora poder ver ou ouvir o que se passava por lá. Quem tentasse entrar ou enxergar algo que se passava lá na Reitoria, dava de cara com os escudos da tropa de choque, até o fim.

Enquanto amanhecia, universitários a favor da ocupação, ou contra a PM ou simplesmente contra toda a violência que estava escancarada iam chegando. Os alunos pediam para entrar na reitoria. Eu pedia para entrar na reitoria. Tudo que todo mundo queria era saber o que realmente estava acontecendo lá dentro. A PM não levava os estudantes da ocupação para fora e o pedido de todo mundo era “queremos algo às claras”. Por que ninguém pode entrar? Por que ninguém pode sair?

Enquanto os alunos que estavam do lado de fora clamavam para entrar, ouvi de um grupo de repórteres (entre eles, SBT): “Não vamos filmar essas baboseiras dos maconheiros não! O que eles pedem não merece aparecer”. Entre risadas, pra não perder o bom humor. Além dos repórteres que já haviam decidido o que era verdade ou não, noticiável ou não, tinham pessoas misturadas a eles, gritando contra os estudantes, xingando. Eu mesma ouvi muitas e boas como “maconheirazinha”, “raça de merda” e “marginal” .

Os estudantes que enfrentavam de verdade os policiais que faziam a ‘corrente’ em torno da Reitoria eram levados para dentro. Em questões de segundos, um estudante sumia da minha frente e era levado pra dentro do cerco. Para sabe-se lá o que.

Lá pras 7h30, depois de muito choro, puxões e algumas escudadas na cara, comecei a ver que os PMs estavam levando os estudantes da ocupação para dentro dos ônibus. Uma menina foi levada de maneira truculenta, essa foi a única coisa que meu 1,60m de altura conseguiu ver por trás de uma corrente da tropa de choque. Enquanto eu tentava entrar no cerco, para entender a história, a grande mídia já estava lá dentro. Fui conversar com um militar, explicar da JC. Ouvi em troca “ai, é um jornal da usp. De estudantes, não pode. Complica”.

Os ônibus com os alunos presos saíram da USP. Uma quantidade imensa de outros alunos gritavam com a PM. Eu e os dois amigos da minha sala (aqueles da madrugada) pegamos o carro e fomos para a DP.

Na DP, o sistema era o mesmo e meu cansaço e raiva só estavam maiores. Enjoo e dor de cabeça, era o meu corpo reagindo a tudo que eu vi pela manhã. Alunos saiam de 5 em 5 do ônibus para dentro da DP. Jornalistas amontoados. Familiares chegando. Alunos presos no ônibus, sem água, sem banheiro, sem comida, mas com calor. Pelo menos por umas 3h foi assim.

Enquanto a ficha caia e eu revisualizava todo o horror da reintegração de posse, outras pessoas da minha sala mandavam mensagens para gente, de como a grande imprensa estava cobrindo o caso. Um ato pacífico, né Globo? Não foi bem isso o que eu vi, nem o que o JC viu, nem o que centenas de estudantes presenciaram.

Enfim, sou contra a ocupação. Sempre tive várias críticas ao Movimento Estudantil desde que entrei na USP. Nunca aceitei a partidarização do ME. Me decepciono com a falta de propostas efetivas e com as discussões ultrapassadas da maioria das assembléias. Mas, nada, nada mesmo, justifica o que ocorreu hoje. Nada pode ser explicação pra violência gratuita, pro abuso do poder e, principalmente, pela desumanização da PM.

Não costumo me envolver com discussões do ME, divulgar textos ou participar ativamente de algo político do meio universitário. Mas, como poucos realmente sabem o que aconteceu hoje (e eu acredito que muita coisa vai ser distorcida a partir de agora, por todos os lados), achei que valeria a pena escrever esse texto. Taí o que eu vi.


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Os recentes confrontos e protestos envolvendo estudantes da USP e a polícia militar situam-se em uma tênue linha de interesses e divergências. Por um lado, sente-se a falta de segurança no campus, principalmente, quando acontecem casos como o do recente estudante que foi assassinado depois de um assalto dentro do campus da universidade.

Por outro, há certa liberdade e convívio próprios dos ambientes universitários que os estudantes temem perder para viverem vigiados, assim como já vive boa parte da sociedade brasileira. É entre essas duas questões que se encontram muitos estudantes da USP, da Unicamp, e de muitas universidades onde aproveita-se a liberdade, mas também se sente medo ao ouvir casos de violência que ora acontecem aqui e ali.

Partindo da especificidade da questão, a violência e a falta de diálogo com que a reitoria da USP e a própria polícia militar têm recebido os estudantes que protestam à sua maneira no espaço da universidade, não parece, nem de longe, ser a melhor saída para o problema.

Como mostra notícia publicada pela Rede Brasil Atual, o presidente do Conselho Executivo da Associação de Juízes para a Democracia, José Henrique Rodrigues Torres, afirmou recentemente que “a USP erra ao não dialogar com os estudantes e perde a oportunidade de dar uma resposta um pouco diferente a essa questão de enfrentamento da violência e da criminalidade”.

O ideal mesmo seria pensar em uma política de segurança sim, mas uma política que não reprimisse ou interfirisse na própria dinâmica da vida universitária. O estudante de Geografia João Vitor Pavezi de Oliveira, do Diretório Central de Estudantes (DCE), afirma que a “militarização” do campus poderia ser evitada com melhor iluminação, treinamento da guarda e presença de guarda feminina.

A proposta parece coincidir mais com a lógica da universidade que é, acima de tudo, um espaço democrático de troca e conhecimento, duas coisas que pressupõe diálogo e liberdade. Se na universidade, o local onde amadurecemos nossa percepção sobre o mundo, formos apresentados a uma realidade repressora e autoritária, conclui-se que também veremos o mundo de forma repressora e autoritária, reproduzindo um modelo dominante de exclusão e desigualdade!

Veja texto sobre o assunto:

Juiz critica USP por investir em ações repressivas no campus

Ações consideradas truculentas por parte da Polícia Militar e falta de diálogo com a comunidade são as principais críticas de magistrado, trabalhadores e alunos da USP
Por Redação da Rede Brasil Atual

São Paulo – O presidente do Conselho Executivo da Associação de Juízes para a Democracia, José Henrique Rodrigues Torres, afirmou nesta terça-feira (1) à Rádio Brasil Atual que a Universidade de São Paulo (USP) erra ao não dialogar com estudantes que ocupam um prédio no campus e por investir em um sistema repressivo para combater a criminalidade. Ele analisa que a reitoria da USP deveria buscar soluções democráticas e pedagógicas para aumentar a segurança no interior da unidade na capital paulista. “A USP perde a oportunidade de dar uma resposta um pouco diferente a essa questão de enfrentamento da violência e da criminalidade”, alerta o magistrado. “Lamento profundamente que seja assim.”

Na noite da última quinta-feira (27), estudantes contrários à permanência da Polícia Militar (PM) no campus ocuparam o prédio da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), depois que três alunos foram presos por suposto porte de maconha. Em nota, a reitoria lembrou que firmou convênio com a PM em maio deste ano, após o assassinato de um estudante no interior da universidade.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP Anibal Ribeiro, abordagens repressivas da PM têm sido cada vez mais frequentes. Policiais estariam andando nos corredores das faculdades e abordando estudantes por olhar “feio” para eles. Ribeiro também citou episódios de abordagens de ônibus circulares com policiais com “arma em punho”, questionando quem é ou não estudante da USP e quem é a favor ou contra a presença deles no campus. Os estudantes abordados na quinta-feira, estopim da tensão já existente entre alunos, reitoria e PM, foram pegos pela Rocam, “a tropa de choque de moto”, interpreta. (Texto completo)

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Veja entrevista do professor Luiz Roberto Martins, da Escola de Comunicações e Artes da USP, em que fala da tentativa de José Serra de privatizar a pesquisa e sobre a origem dos problemas da universidade. 

PS. Detalhe, não da entrevista, mas a Folha de S.Paulo que está se referindo aos alunos como “grupo” e não estudantes. Essa Folha…

vi no Com Texto Livre

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EM TEMPOS DE DESCENTRALIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO, USP INOVA AO CRIAR CURSO DE EDUCOMUNICAÇÃO

"O educomunicador nao deve ensinar a pescar, mas a caminhar junto até o lago"

A nova licenciatura surge com o objetivo principal de integrar a Pedagogia com a Faculdade de Comunicação e Artes e responde aos desafios contemporâneos de uma aprendizagem que se faz cada dia mais múltipla e dinâmica diante das mudanças relacionadas à produção e transmissão de contéudo com o avanço das mídias digitais. Além de promover uma integração das mídias à educação escolar, a nova graduação vem para lembrar que a educação como política pública é, de fato, um novo campo de trabalho para os comunicadores já que quando se tem uma boa estratégia de comunicação, as diferentes políticas públicas seja na área do meio ambiente, cultura ou saúde são muito mais bem sucedidas.

USP inova com licenciatura em Educomunicação
Por Danielle Denny/Carta Capital

A escola está falida! A mídia, em crise!. Quantas vezes já não ouvimos essas expressões! Realmente os alunos já não têm a escola como única fonte de conhecimento. E o modelo de negócio da grande mídia está ameaçado pelo barateamento dos custos de produção e distribuição de conteúdo. É nesse contexto que o curso de Educomunicação inova.

Integrar a Pedagogia com a Faculdade de Comunicação e Artes foi um dos desafios transpostos por Ismar de Oliveira Soares, coordenador da nova graduação. Com currículo transdisciplinar, a licenciatura pretende habilitar os jovens a assumirem vagas, principalmente como gestores de comunicação, tanto na iniciativa privada como na pública. As inscrições para a primeira turma começaram 27 de agosto de 2010, por meio da FUVEST.

Flávia Rossi do Instituto Chico Mendes do Ministério do Meio Ambiente ressalta que a educação como política pública é um novo campo de trabalho para os comunicadores. A política pública de educação sobre conservação da biodiversidade nas unidades de conservação, por exemplo, só é bem sucedida se houver uma comunicação muito bem feita, envolvendo os moradores dessas regiões e os habilitando para a gestão participativa. (Texto Completo)

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO COMPRA COMPUTADORES ECOLÓGICOS

USP utilizará micros ambientalmente sustentáveis e com “selo verde”

Valéria Dias
Agência USP de Notícias

Computadores da USP terão peças recicláveis e ausência de chumbo

Computadores da USP terão peças recicláveis e ausência de chumbo

Microcomputadores livres de chumbo, econômicos no consumo de energia e cujos componentes são totalmente recicláveis. Estas são algumas das características dos “micros verdes”, computadores ambientalmente sustentáveis e que, em breve, estarão sendo utilizados por professores, alunos e funcionários da Universidade de São Paulo, em uma iniciativa pioneira da instituição. As duas mil máquinas serão fornecidas pela Itautec, empresa vencedora de um processo de licitação ocorrido no último mês de setembro. A assinatura do contrato marca o início do uso de um “Selo Verde” pela USP.

A professora Tereza Cristina Melo de Brito Carvalho, diretora do Centro de Computação Eletrônica (CCE) da Universidade, conta que a idéia inicial era exigir no edital de licitação que a empresa fornecedora das máquinas fabricasse computadores livres de chumbo, com eficiência energética e cujos componentes fossem recicláveis. “Entretanto, havia um problema: precisaria ter no mercado, no mínimo, três empresas que atendessem a todos os requisitos exigidos. E atualmente, no Brasil, poucas empresas conseguiriam atender a essa demanda, o que poderia inviabilizar o processo licitatório. A sugestão da Consultoria Jurídica da USP foi que esses itens constassem no edital como ‘desejáveis’ e não ‘obrigatórios’”, explica.

E assim foi feito. Das quatro empresas participantes, a Itautec acabou vencendo a concorrência. “Após sair o resultado, decidimos procurá-los para solicitar que os itens ‘desejáveis’ fossem, de fato, entregues. E eles aceitaram”, conta a diretora do CCE, lembrando que esta solicitação seria feita para qualquer outra empresa que tivesse vencido a licitação.

A USP investirá cerca de R$ 2,4 milhões na aquisição desses equipamentos, por meio do processo de compra centralizado pela Coordenadoria de Tecnologia de Informação (CTI)

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