Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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DESEJO OU ANÁLISE: HISTORIADOR MARCO ANTONIO VILLA É “EXEMPLO DA QUALIDADE” DO COMENTÁRIO POLÍTICO NA GRANDE MÍDIA

Villa: a confusão entre desejo e análise

Uma das coisas mais importantes para pesquisadores e analistas é entender os próprios desejos. Claro que toda análise e pesquisa tem um elemento pessoal inevitável. E isso é até salutar quando o pesquisador é capaz de reconhecer e tecer sua própria autocrítica, reconhecer que pode prejudicar toda a crítica ou análise diante do descontrole do desejo.

Quando o desejo toma conta da análise no jornalismo, o analista torna-se um editorialista de ocasião. É a fonte que a grande mídia busca para falar em nome dos seus próprios interesses. Marco Antonio Villa é figura conhecida em várias mídias: da TV Cultura, passando pela Globo News, Bandeirantes, Veja, etc. Virou celebridade e a crítica lhe escapou. O desejo falou mais alto.

Veja vídeo abaixo.

vi no MidiaCrucis

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Português: Charge sobre a guerra fria.

Português: Charge sobre a guerra fria. (Photo credit: Wikipedia)

A Veja desta semana trouxe um texto opinativo travestido de reportagem de capa. Fora as bobagens que demonstram que os redatores estão passando por um problema doentio: a revista tem certeza que estamos em 1963, em plena Guerra Fria e véspera do golpe de 64.

Mas ao final do texto, o grande problema da veja: a internet. A internet destruiu o monopólio da informação e isso parece inaceitável.

 E esse problema da revista, ou seja, a internet,  está exposto de forma clara no texto do blog de Luiz Carlos Azenha, que derruba de forma lógica e clara os argumentos fantásticos da revista.

Por Luiz Carlos Azenha/ Vi o Mundo

Por dever de ofício, li o texto de capa de revista que tenta provar que investigar os crimes do Carlinhos Cachoeira, no Congresso, é um atentado à liberdade de expressão.

O que chamou minha atenção foi a frase abaixo, que interpretei como defesa do uso de fontes-bandidas:

Qualquer repórter iniciante sabe que maus cidadãos podem ser portadores de boas informações. As chances de um repórter obter informações verdadeiras sobre um ato de corrupção com quem participou dele são muito maiores do que com quem nunca esteve envolvido. A ética do jornalista não pode variar conforme a ética da fonte que está lhe dando informações. Isso é básico. Disso sabem os promotores que, valendo-se do mecanismo da delação premiada, obtêm informações valiosas de um criminoso, oferecendo-lhe em troca recompensas como o abrandamento da pena.

Registre-se, inicialmente, a tentativa dos autores de usar os promotores de Justiça como escada. Tentam sugerir ao leitor que o esforço da revista, ao dar espaço em suas páginas a fontes-bandidas, equivale ao dos promotores de Justiça.

Sonegam que existe uma diferença brutal: os promotores de Justiça usam a delação premiada para combater o crime. Os criminosos que optam pela delação premiada têm as penas reduzidas, mas não são perdoados. E a ação ajuda a combater um mal maior. Um resultado que pode ser quantificado. O peixe pequeno entregou o peixe grande. Ambos serão punidos.

O mesmo não se pode dizer da relação de um jornalista com uma fonte-bandida. Se um jornalista sabe que sua fonte é bandida, divulgar informações obtidas dela não significa, necessariamente, que algum crime maior será evitado. Parece-me justamente o contrário.

O raciocínio que qualquer jornalista faria, ao divulgar informações obtidas de uma fonte que ele sabe ser bandida, é: será que não estou ajudando este sujeito a aumentar seu poder, a ser um bandido ainda maior, a corromper muito mais?

Leiam de novo esta frase: As chances de um repórter obter informações verdadeiras sobre um ato de corrupção com quem participou dele são muito maiores do que com quem nunca esteve envolvido.

Não necessariamente. Ele não tem qualquer garantia de que as informações são verdadeiras se vieram de um corrupto. Que lógica é esta?

O policial que não estava lá mas gravou a conversa que se deu durante um ato de corrupção provavelmente vai fornecer uma versão muito mais honesta sobre a conversa do que os corruptos envolvidos nela.

O repórter que lida com alguém envolvido em um ato de corrupção sabe, antecipadamente e sem qualquer dúvida, que a informação passada por alguém que cometeu um ato de corrupção atende aos interesses de quem cometeu o ato de corrupção. Isso, sim, é claro, não que as informações sejam necessariamente verdadeiras.

O repórter sabe também que, se os leitores souberem que a informação vem de alguém que cometeu um ato de corrupção, imediatamente perde parte de sua credibilidade. Não é por acaso que Carlinhos Cachoeira, o bicheiro, se transformou em “empresário do ramo de jogos”.

É por saber que ele era um “mau cidadão” que a revista escondeu de seus leitores que usava informações vindas dele. Era uma fonte inconfessável.

Não foi por acaso que Rubnei Quicoli, o ex-presidiário, foi apresentado como “empresário” pela mídia corporativa quando atendia a determinados interesses políticos em plena campanha eleitoral. A mídia corporativa pode torturar a lógica, mas jamais vai confessar que atende a determinados interesses políticos.

Carlinhos Cachoeira não é, convenhamos, nenhum desconhecido no submundo do crime. Vamos admitir que um repórter seja usado por ele uma vez. Mas o que dizer de um repórter usado durante dez anos, por uma fonte que ele sabe ser bandida? (texto integral)

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