Educação Política

mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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Sem polícia e sem UPP, Brasil consegue reduzir número de viciados em cigarro

Sem a guerra estabelecida no combate ao tráfico de drogas no Brasil, exposta de forma dramática no Rio de Janeiro com a morte de inocentes quase que diariamente, o Brasil conseguiu reduzir o vício do cigarro. Sem acionar a polícia, o caveirão ou o Bope, o Ministério da Saúde divulgou hoje (30) pesquisa (Continue Lendo…)

SENSACIONAL, FILME PAREDES NUAS DE UGO GIORGETTI TRATA DA QUEDA DE UM GRANDE CORRUPTO E DO VÍCIO PELO DINHEIRO

O prazer do dinheiro é tema de Paredes Nuas

Paredes Nuas, de Ugo Giorgetti, é um belo exemplar de como um bom texto e ótimos atores transformam um pequeno filme em um grande cinema. Giorgetti trata da queda de um corrupto e das consequências que essa queda provoca na vida das pessoas que sobrevivem em torno dele.

O melhor do filme, que tem duração de apenas 52 minutos, é o elenco, que segura o filme com interpretações de forte intensidade teatral e muita experiência profissional. No roteiro, o que chama a atenção é, ao final da história, a associação entre a vida de luxo propiciada pela corrupção como um vício provocado pelo dinheiro. Esse vício pelo dinheiro, essa idolatria pelo luxo e marcas, é tratado como análogo às consequências provocadas pelas drogas químicas mais pesadas em viciados. 

Para se chegar ao dinheiro, de forma mais rápida, tem-se a corrupção como algo inevitável, como algo entendido moralmente pelo viciado como natural na sociedade, ou seja: “todo mundo faz” e “se ele não fizer, outros farão”. E é principalmente na corrupção que o dinheiro precisa ser gasto com luxo e extravagâncias, visto que não pode ser declarado sem uma devida lavagem financeira. Da mesma forma, o mercado do vício e dos preços absurdos são sustentados pela capacidade de grandes empresas de burlar o sistema de pagamento de impostos. Muitos indivíduos, que giram em torno de políticos e governos, pagam qualquer preço para ter o prazer provocado pelo excesso de dinheiro. Eles sabem que há riscos, mas se deleitam no êxtase do consumo e do status.

A diferença é que o vício não destrói o corpo do indivíduo que consome o dinheiro em excesso orgiástico, mas os corpos dos indivíduos que partilham com ele a vida na mesma sociedade. O dinheiro deixa de ser aplicado em benefício de toda a comunidade e passa a ser utilizado por um viciado e seus dependentes familiares e funcionários. Em nome da liberdade individual, o vício pelo dinheiro tornou-se sem limites e destrói a vida de milhares de pessoas que ficam sem acesso a boas condições de moradia, saúde, educação e cultura.

No filme, a atriz Juliana Galdino, vive a esposa do corrupto preso e é nela que se expressa a incapacidade de se viver sem a possibilidade de ter as doses diárias da extravagância provocada no ego pelo poder financeiro. Essa pequena película torna-se assim um filme essencial no Brasil de hoje. Veja trailler abaixo:

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