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mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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YOANI SANCHEZ, QUE NÃO VALE UM PROTESTO SEQUER, RASGOU O PASSAPORTE PARA SE BENEFICIAR DO ESTADO CUBANO

O melhor do vídeo é a questão da saúde pública em Cuba e nos EUA e também os comentários escritos no vídeo.  Na hora que a água bateu…, Yoani rasgou o passaporte e voltou para Cuba.

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QUEM TEM MEDO DE YOANI? PROTESTOS CONTRA BLOGUEIRA CUBANA ANIMAM OS APOIADORES DA GENOCIDA DITADURA BRASILEIRA

Yoani recebe flores com Bolsonaro ao fundo

Yoani recebe flores com Bolsonaro ao fundo

Quem tem medo de Yoani Sánchez?

Diego Cruz/ PSTU

Desde o dia em que aterrissou no Brasil, a blogueira cubana Yoani Sánchez vem enfrentando protestos de militantes pró-regime castrista. Em Feira de Santana (BA), chegaram a impedir a exibição do documentário “Conexão Cuba-Honduras” que tem a blogueira como uma das entrevistadas. Além de defender o governo cubano, essas manifestações impulsionadas pela UJS/PCdoB e outros setores, atacam Yoani como “agente da CIA”, supostamente bancada pelo imperialismo com o objetivo de desestabilizar Cuba.

Esses protestos mostram parte do respaldo que o regime cubano ainda encontra em vários setores da esquerda. Outros setores, no entanto, como o PSTU, não integram nem apoiam essas manifestações. E mais ainda, defendem a necessidade de se abrir uma real discussão sobre Cuba e o que representa o governo encabeçado pelos irmãos Castro. É esse o debate que os manifestantes que perseguem Yoani querem impedir que aconteça.

Cuba em debate
O que é Cuba hoje? Um bastião do socialismo que sobreviveu ao débâcle do chamado “socialismo real” na década de 1990, ou um país capitalista com uma ditadura que se perpetua graças à repressão e perseguição aos seus opositores? Por que essa discussão desperta tantas paixões em todo o mundo? A primeira resposta certamente é que, quando falamos de Cuba, estamos nos referindo a um país que foi palco de uma das mais importantes revoluções do século XX.

O regime castrista goza ainda da autoridade política e do prestígio conquistados com a revolução que, em 1959, depôs a ditadura de Fulgêncio Batista e pouco depois expropriou a burguesia. A primeira e única revolução socialista da América Latina transformou a pequena ilha do caribe do “quintal dos EUA” como era conhecido, em um país com índices sociais comparáveis aos dos países desenvolvidos. A reforma agrária e investimentos maciços nas áreas sociais extinguiram pragas do capitalismo como a miséria, o desemprego e o analfabetismo. Não foi por menos que Cuba se tornou em um exemplo para gerações de ativistas socialistas ao redor do mundo.

Cuba, porém, não é só um exemplo do que é possível avançar ao se expropriar a burguesia e o imperialismo. É uma prova também de que, tudo o que não avança, retrocede. No caso, o país, governado por uma burocracia estalinista desde o início, viu o capitalismo ser restaurado pelas mãos do próprio setor que dirigiu a revolução. Os três pilares de uma economia de transição ao socialismo hoje já não existem: o monopólio do comércio exterior, a propriedade estatal e o planejamento econômico pelo Estado.

A restauração do capitalismo imposta pela ditadura Castro principalmente a partir dos anos 1990, levou de volta à ilha velhos problemas sociais, como uma desigualdade cada vez maior, pobreza e antigas chagas do capitalismo que haviam desaparecido, como a prostituição que se prolifera nas áreas frequentadas pelos turistas estrangeiros. Em Havana, regiões ricas e sofisticadas dedicadas ao turismo e à burocracia castrista convivem ao lado de áreas pobres e literalmente caindo aos pedaços. Já os trabalhadores são obrigados a sobreviverem com um salário médio de 18 a 20 dólares por mês.

Em 2011, o governo anunciou a demissão de nada menos que um milhão e trezentos mil trabalhadores das estatais no país, como forma de se “reduzir” o peso do setor público. A dura verdade, que os defensores do regime castrista se negam a reconhecer, é que o capitalismo há muito é uma realidade em Cuba, assim como os demais males inerentes de uma sociedade capitalista. Confundem e transformam em uma só coisa a revolução cubana e a burocracia castrista.

O que restou no país, além do capitalismo, foi o controle de uma ditadura de partido único, que não permite qualquer liberdade de expressão e organização. Quando os militantes da UJS/PCdoB impedem Yoani Sánchez de falar ou qualquer debate sobre o tema, estão tentando bloquear aqui no Brasil esse mesmo debate que não pode ser feito em Cuba. Se não concordam que existe hoje uma ditadura, por que não argumentam e apresentam seu ponto de vista? Lamentavelmente, é essa a discussão que tanto temem esses ativistas. Mais do que qualquer suposto agente da CIA.

Yoani e as liberdades democráticas
Mas quem é essa figura chamada de “terrorista” pelos defensores do castrismo? Yoani Sanchez é filóloga e se tornou conhecida quando, em 2007, passou a publicar o blog “Geração Y”, com fortes críticas ao regime cubano. Passou a denunciar perseguições e intimidações do governo e a ganhar notoriedade em grandes veículos de comunicação mundo afora. É colunista, por exemplo, do espanhol El Pais e, no Brasil, tem seus posts publicados pelo Estadão. Antes da reforma migratória, teve seu visto de saída negado 20 vezes pelas autoridades cubanas.

A esquerda castrista acusa Yoani de ser uma “agente do imperialismo”, guiada pela CIA e o próprio governo norte-americano. Para embasar tal tese, citam, por exemplo, os prêmios que a blogueira recebeu de veículos da imprensa internacional e documentos vazados pelo Wikileaks que relatariam reuniões da cubana com representantes do governo dos Estados Unidos. Em seu périplo pelo Brasil, a blogueira criticou a posição do governo brasileiro em relação aos Direitos Humanos em Cuba, condenou o embargo norte-americano à ilha e chegou a elogiar as últimas medidas do governo Castro: “as reformas econômicas que tem feito estão na direção correta”.

Suposições sobre suas reais motivações à parte, fato é que a blogueira faz uma crítica correta a partir de um fato concreto: a ausência de liberdade de expressão e organização em seu país. Ou os defensores do castrismo também dirão que vigora a democracia na ilha? Seria possível, por exemplo, organizar um partido que se coloca como oposição à burocracia castrista, como o PSTU, em Cuba? Ou como o PSOL? Ou qualquer partido ou organização sindical que tenha como objetivo organizar os trabalhadores e o povo de forma independente do governo? Sabemos muito bem que não.

O mais perverso dessa história é que a ausência de liberdades na ilha faz com que a única oposição à burocracia castrista que aparece como alternativa ao povo cubano seja composto pela direita e os gusanos (os exilados da revolução que se refugiaram na Flórida e que desejam reaver suas propriedades expropriadas). Ou Yoani que, apesar de corretamente reivindicar a democracia em seu país, tem como horizonte político um regime democrático burguês (por isso elogia as recentes medidas do governo).

A infeliz posição da esquerda castrista no Brasil, por sua vez, tem seu grau de responsabilidade, ao entregar de bandeja à direita a bandeira por liberdades democráticas em Cuba. É patético observar, por exemplo, o deputado Jair Bolsonaro, defensor da ditadura militar no Brasil, condenar a ditadura cubana.

O castrismo é responsável ainda por reforçar um estereótipo de socialismo associado a caricaturas totalitárias, como a China ou Coreia da Norte. O socialismo deveria não só aceitar como estimular debates e opiniões diversas. Deveria contrapor-se ao capitalismo e ao monopólio de seus grandes conglomerados de mídia com a mais ampla liberdade de expressão e crítica.

Já é hora de a esquerda identificada com o castrismo desfazer-se de seu arsenal de calúnias e acusações estalinistas e debater essas questões de forma franca, com ideias e argumentos.

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ESQUERDA ARCAICA TRANSFORMA YOANI SANCHEZ NO QUE ELA NÃO É E FAZ A FESTA NO BATALHÃO DO JAIR BOLSONARO

Charge:  LailsonNão são os EUA que financiam Yoani; é Cuba e a esquerda arcaica

Por Cynara Meneses/Socialista Morena

Tão risível quanto achar que aqueles meninos militantes de movimento estudantil que fizeram protestos são “orquestrados por Cuba”, como perpetraram alguns jornalistas brasileiros, é achar que é culpa dos Estados Unidos que Yoani Sánchez, uma mera blogueira, tenha se tornado a principal voz da oposição ao regime dos Castro. Sorry, mas a história não é bem essa.

Imaginem se eu, aqui no meu blog, começasse a falar mal do Brasil (como, felizmente, estamos livres para fazer em nosso país). Que não existe liberdade de expressão, que a internet é lenta, que as pessoas não podem protestar na rua livremente, que as condições de vida no país são precárias, coisas do tipo. Daí o governo Dilma Rousseff começa a me perseguir. Vigia meus passos e me impede de sair do país, por exemplo, o que passo a denunciar com frequência. O que aconteceria? Obviamente eu, uma simples blogueirinha, me tornaria cada vez mais conhecida. Viraria a vítima do governo de esquerda mau.

Agora imaginem se em Cuba, como em qualquer país comunista desde a revolução de 1917 na Rússia, não fosse proibido divergir, este erro crasso da esquerda mundial. Se em Cuba qualquer pessoa pudesse abrir um blog ou fazer um jornal alternativo e criticar o governo, porque sim. Porque acha ruim a forma como se “elege” o presidente ou porque acha que o governo deveria dar menos açúcar e mais arroz na provisão que os habitantes do país recebem. Ou, sei lá, simplesmente porque pensa “hay gobierno, soy contra”. Yoani Sánchez seria a blogueira mais famosa de Cuba ou apenas uma a mais?

E se o governo cubano tivesse deixado Yoani viajar na primeira de suas 20 tentativas? Será que se falaria tanto dela fora da ilha? Será que conseguiria tantos adeptos à sua causa ao redor do mundo? Quantos ecoaram sua voz de protesto contra a “prisão” em que vivia? Qual foi o raio de alcance de seu pedido de resgate? Através da internet, como milhões de mensagens atiradas ao mar em garrafas virtuais, enquanto Yoani permanecia em Cuba, sua queixa chegava a toda parte. Injustiças costumam atrair a solidariedade de muitos. E era uma injustiça que não a deixassem exercer seu sagrado direito de ir e vir. Ou não?

Na noite de segunda-feira 18, em Feira de Santana, na Bahia, cerca de 100 pessoas se reuniam para assistir a um documentário sobre a blogueira cubana quando a sala onde seria exibido o filme foi invadida por militantes de esquerda histéricos, que acabaram por encurralar a moça numa sala durante 40 minutos aos gritos de “traidora!”. O senador Eduardo Suplicy teve que interceder energicamente para acalmar a turba furiosa e permitir que Yoani Sánchez pudesse falar com a plateia. De forma educada, sem alterar o tom de voz, ela respondeu a todas as perguntas que lhe foram feitas, inclusive pelos manifestantes contrários à sua presença no Brasil. Quem se saiu bem desse episódio?

Graças à superexposição na mídia que o protesto desrespeitoso e intolerante rendeu, na noite seguinte, em vez dos gatos pingados da véspera, quase 2 mil pessoas lotaram um auditório para escutar Yoani. Gente que mal compreendia o espanhol falado pela jornalista, mas que aplaudia entusiasticamente cada frase que ela pronunciava. Os estudantes mudaram seu comportamento e dedicaram-se a se inscrever para um misto de pergunta/discurso pró-Cuba no debate, mas era tarde: a antipatia que geraram com a manifestação se fez notar. As pessoas que foram ouvir a cubana vaiavam em coro os mesmos que a tinham vaiado antes. Um rapaz foi brindado com um urro de “palhaço! palhaço! palhaço!” uníssono no salão.

Será que se tivessem feito uma manifestação educada e deixado Yoani Sánchez expor seu pensamento de forma democrática, os militantes juvenis teriam atraído tamanha atenção dos habitantes de Feira de Santana para uma blogueira cubana? Mas e a mídia, vocês me perguntarão, também não teve o seu papel, insuflando Yoani, dando-lhe espaço e colunas em jornais? Ora, o que vocês esperam da “mídia burguesa”? Que ela dê espaço a revolucionários de esquerda favoráveis ao socialismo? Obviamente a imprensa adorou a confusão toda, perfeita para pespegar o rótulo de trogloditas antidemocráticos que tanto adora carimbar na esquerda –neste caso, com sua própria ajuda.

É cômodo acreditar que Yoani ataca Cuba porque é financiada pelos Estados Unidos e não porque tem críticas reais ao regime. Pode ser que ela receba mesmo dinheiro norte-americano, quem sabe? Mas quem a financia de fato é Cuba e a esquerda arcaica que ainda não perceberam, 22 anos após o fim da União Soviética, que cercear a liberdade de expressão de quem quer que seja é sua pior anti-propaganda.

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