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mídia, economia e cultura – por Glauco Cortez

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INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA FAZ O BRASILEIRO GASTAR ATÉ O DOBRO DE COMBUSTÍVEL DO QUE GASTA O MOTORISTA EUROPEU

Foto: Rudolf Stricker - GNU

Punto é um dos carros que bebe no Brasil e é econômico na Europa

Apesar da modernização dos últimos anos, as carroças da indústria automobilística brasileira continuam sendo fabricadas. Mais do que isso, a população do Brasil paga mais, não só pelo automóvel, mas também pelo consumo de combusítvel.

O carro do brasileiro, seja trabalhador ou empresário, chega a consumir o dobro de combustível do que o mesmo modelo vendido na Europa.

Resumindo: o brasileiro paga mais caro por um carro pior e ainda polui mais. Mesmo descontando os impostos. É incrível!

Segundo matéria publicada recentemente na Carta Capital, sobre os incentivos do novo regime automotivo, que estimula a inovação, o repórter Samatha Maia anota:

“O nível de eficiência que as empresas devem alcançar em 2017, de 17,26 quilômetros rodados por litro de gasolina, por exemplo, é menor do que o praticado na Europa. De acordo com levantamento da consultoria IHS em 2010, um Fiat Punto 1.4 produzido no Brasil fazia 14,8 km/l de gasolina, enquanto o mesmo modelo fabricado na Inglaterra tinha rendimento de 22,2 km/l. A comparação realizada com modelos de outras marcas mostra a mesma desvantagem do automóvel brasileiro. O Ford Fiesta 1.0, que no Brasil rodava 10,8 km/l, na Inglaterra fazia 21,8 km/l, assim como o Fox, da Volkswagen, com rendimento de 15,5 km/l de gasolina no modelo brasileiro, enquanto seu similar inglês fazia 19,7 km/l.”

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BNDES SUBSIDIA COM O DINHEIRO DO POVO A MAIOR MONTADORA DO MUNDO, COM FATURAMENTO DE 160 BILHÕES DE EUROS EM 2011

Coutinho: dinheiro para oligopólio

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (?) (BNDES) dá mais uma contribuição para piorar o Brasil e concentrar renda. Notícia de hoje na Folha de S. Paulo mostra que o Banco vai emprestar 342 milhões de reais para a Volkswagem, a maior montadora do mundo em faturamento. No ano passado, a empresa alemã movimentou cerca de R$ 160 bilhões de euros e se tornou a maior do mundo.


O BNDES, presidido por Luciano Coutinho, vai emprestar dinheiro do povo brasileiro a juros subsidiados para a empresa desenhar um automóvel. Vejam só. Emprestar para uma empresa que desenha automóvel há quase 100 anos e tem faturamento de 160 bilhões de euros. O pior é que a empresa detém cerca de 20% do mercado de automóveis no país e pertence a um setor que é oligopolizado.

Além disso, o incentivo à indústria automobilística só tende a piorar as condições de mobilidade nas cidades. O dinheiro público deve ser investido em transporte coletivo e projetos de mobilidade urbana e não em multinacionais do setor automobilístico. Nada especificamente contra a Volkswagem, mas é uma empresa que não precisa dessa ajuda. Esse dinheiro poderia ser muito bem usado em um projeto de mobilidade urbana.

Quanto mais automóveis são vendidos, mais pistas e pontes terão de ser construídas. Ou seja, o dinheiro do BNDES vai gerar mais demanda de infraestrutura. É preciso financiar projetos que ajudem as pessoas a deixarem seus carros nas garagens e não projetos que incentivem a compra de automóveis. E muito menos emprestar para “desenhar” um automóvel!!

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FALHA DA TECNOLOGIA FLEX (BICOMBUSTÍVEL) AJUDA A MANTER O PREÇO ALTO DO ETANOL; CARRO PODE BATER PINO COM GASOLINA

Plantaciones de caña

Falha na tecnologia flex pressiona preço

O preço do etanol continua alto porque os carros bicombustíveis, tecnologia flex, estão batendo o pino quando usam somente gasolina.

Segundo mecânicos, isso está sendo muito comum, mesmo com carros novos. O sensor flex não reconhece a gasolina e o carro começa a fazer barulho, principalmente em momentos em que exige mais torque (uma mudança de marcha para mais lenta)

O motorista que pensou ter a opção entre os dois combustíveis, em alguns casos só pode optar pelo etanol.

Com isso, o preço do combustível tende a ficar mais alto. E pior, o carro bicombustível (flex) consome mais do que os carros que são só movidos a etanol.

O projeto bicombustível precisa de uma tecnologia mais eficiente e também consumir a mesma quantidade de etanol e gasolina.

Há muitos carros bicombustíveis pelas ruas com barulho estranho porque o dono resolveu só usar gasolina.  Para evitar esse barulho, basta abastecer somente com o etanol.

Se não resolver, vá ao mecânico da sua confiança! O problema é outro..rsrs.

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MAIS UM PASSIVO DO MARAVILHOSO MUNDO DO AUTOMÓVEL

Borracha difícil de apagar

Por Thiago Romero
Agência Fapesp

Pneus enviados para reciclagem no Rio Grande do Sul

Pneus enviados para reciclagem no Rio Grande do Sul

Em 2006, foram reciclados no Brasil 48,1 milhões de pneus que não prestam mais para uso em automóveis, o equivalente a 240,6 mil toneladas. No mesmo ano foram produzidas no país cerca de 54,5 milhões de unidades. Outras 28,6 milhões foram importadas, sendo parte comprada para reforma e venda como pneus meia-vida.

Considerando que 18,7 milhões de peças foram exportadas no mesmo ano, fica evidente a existência de um preocupante passivo ambiental de, pelo menos, 16,3 milhões de pneus de automóvel que poderiam ter sido dispensados na natureza naquele ano.

É o que destaca um estudo feito por Carlos Alberto Lagarinhos e Jorge Alberto Tenório, do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP). O trabalho, que apresenta as tecnologias utilizadas no Brasil para a reutilização, reciclagem e valorização energética do produto, foi publicado na revista Polímeros.

O estudo também avaliou o passivo ambiental de 2002 a 2006, com base em dados coletados em instituições como a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“Ao calcular o número de pneus produzidos, importados, exportados e reciclados nesse período, temos uma média de 14,9 milhões de pneus que teriam sido gerados e descartados na natureza anualmente, uma vez que supostamente não houve coleta e destinação correta desse material”, disse Lagarinhos à.

O estudo lembra que em 1999 foi aprovada no Brasil a resolução nº 258 do Conama, que instituiu a responsabilidade do produtor e do importador pelo ciclo total do produto. De acordo com a resolução, desde 2002 os fabricantes e importadores de pneus no Brasil devem coletar e dar a destinação final para as peças usadas, sendo os distribuidores, revendedores, reformadores e consumidores finais também co-responsáveis pela coleta dos pneus servíveis e inservíveis (que não têm mais uso em veículos). Estima-se que um pneu leve mais de 500 anos para se decompor na natureza. (Leia Mais na Agênica Fapesp)

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Carros de mais ruas de menos

Mariana Dorigatti

A maior cidade do país, onde muitos mercados despontam e se afirmam como líderes no cenário nacional, vê dia após dia, seus profissionais estagnados em horas de congestionamentos intermináveis.(…) As facilidades que a população encontra na compra de automóveis são tentadoras. Pagar um carro em suaves prestações por até 60 meses parece inacreditável, e mais inacreditável ainda são os sucessivos recordes de vias congestionadas que tendem a aumentar.
Entre as soluções praticadas pela atual gestão, do prefeito Gilberto Kassab, destacam-se a implantação de novos corredores de ônibus, mais rigor na fiscalização, investimentos nos equipamentos da CET, instalação de semáforos inteligentes e GPS nos ônibus além de investimentos no metrô. Porém, essas medidas não resolverão o problema devido a um aumento do número de carros tão alarmante.

Além disso, a solução não está em complicar ainda mais a infra-estrutura da capital paulista, pois o problema está na frota de carros que cresce a níveis assustadores. Se o automóvel fosse um bem material um pouco menos acessível para qualquer cidadão, o fluxo de carros seria melhor e não haveria aproximadamente um veículo para cada dois habitantes na capital. Leia texto completo no blog da Mariana Dorigatti

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PT E PSDB: O BRASIL VAI PARAR…NO TRÂNSITO

Se há algo que não diferencia o PT do PSDB é o incentivo às montadoras de automóvel, que estão entre as maiores empresas do mundo. Entre as dez primeiras, por exemplo, estão General Motors, Ford, Toyota e Daimler Chrysler. Só isso já seria motivo para não dar incentivos, mas o maior problema todo mundo sabe: o trânsito e a poluição ambiental. Imagina a quatindade de energia que se gasta com milhares de automóveis funcionando e parados em cidades com São Paulo.

O governador José Serra (PSDB) agora decidiu dar um crédito de R$ 6,8 bilhões. Isso mesmo! São R$ 6,8 bilhões para se produzir mais carros em São Paulo. Imagino como a população paulistana ficou feliz. No incentivo às exportações, o governo do presidente Lula (PT) também beneficou as montadoras (Automóvel: um sonho destruidor).

Serra anuncia programa para estimular investimentos de montadoras em SP

Quarta-feira, 04 de Junho de 2008 às 14h11

Folha de S.Paulo

O governo do Estado de São Paulo firmou ontem um programa de incentivo aos investimentos das montadoras por meio da utilização de créditos de ICMS. Os créditos poderão ser usados no pagamento de bens e mercadorias, inclusive em contas de energia elétrica. As montadoras também poderão abater o imposto pago na importação de máquinas e de equipamentos.

A indústria automotiva vive seu melhor momento no país, com a produção prevista de 3 milhões de veículos neste ano. Apesar de várias montadoras terem levado parte da produção a outros Estados, São Paulo segue como o principal pólo do setor automotivo. O Estado tem 63% dos 126 mil empregos do setor e responde por pouco menos de 50% da produção nacional de veículos.

O governador José Serra (PSDB) descartou a hipótese de a medida estimular a guerra fiscal com outros Estados. “Não tem desenho de guerra fiscal. Não há o mecanismo tradicional de não cobrar os 12% de ICMS, que leva a empresa para outro Estado. São Paulo é a principal vítima da guerra fiscal, que é inconstitucional. Mas a gente se defende. Não há isenção, há diferimento, crédito. Tudo com critério, para poder investir e gerar emprego.”

Pelo acordo, as montadoras poderão usar até R$ 6,8 bilhões desses créditos, que serão acumulados até novembro de 2010. O convênio vale também para fabricantes de máquinas agrícolas, ônibus e caminhões. (site do governo)

AUTOMÓVEL: UM SONHO DESTRUIDOR

Adoramos automóveis. São símbolos de status e de beleza, além de mobilidade e agilidade (que estão em segundo plano, claro). Paul Virilio, filósofo francês, já alertou que velocidade é poder. Mas a cada dia percebemos que o maior erro que um país pode cometer atualmente é incentivar a indústria automobilística.

Esse é um erro do governo do presidente Lula, que a oposição se cala. No último pacote de desonerações fiscais, promovido por Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e ex-funcionário da indústria automotiva e pelo presidente Lula, também ex-funcionário da Indústria automotiva, só podia dar no que deu. Dos R$ 6,1 bilhões em desonerações fiscais previstas para estimular os investimentos dos diversos setores da indústria até 2011, as montadoras e os fabricantes de autopeças vão ficar com R$ 3,2 bilhões, o que representa mais da metade (52,8%) dos subsídios, segundo informou o Estadão (leia).

A oposição se cala porque o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) estabeleceu uma série de incentivos para essa indústria. Foi um descalabro deixar de arrecadar impostos da Ford, da General Motors, da Fiat, Renoault, Wolksvagen etc, enquanto a população não teve reajuste na tabela do Imposto de Renda. Mais que isso, o governo de FHC conseguiu ao mesmo tempo quebrar a indústria ferroviária e a indústria naval. Veja abaixo o quadro da indústria naval. No governo do PSDB , ela vai para o fundo do poço, mas se recupera no governo do PT.

Para ler diferença entre Lula e FHC. Leia O ignorante sábio e o sábio ignorante.

Estamos colhendo os frutos dessa política: engarrafamento e poluição.

ALMOFADINHA DO AUTOMÓVEL

O almofadinha está sentado em um sofá de uma oficina mecânica. Lê uma revista de veículos importados, grandes carrões, belas mulheres. Parece ser amigo do dono da oficina. Tem uma camisa social sob a calça e cinto com fivela brilhando; o calor daquela tarde o impede de estar de terno; esse talvez seja um dos motivos para não gostar do Brasil. “Esse calor…”, costuma repetir.

Um novo cliente chega e inicia uma conversa com o dono da oficina. A conversa segue o o cliente encosta seu corpo no automóvel que está dentro da loja. Imediatamente almofadinha se levanta e aperta o controle remoto, como se fosse abrir o carro. O cliente se desencosta e continua a conversa com o dono, mas percebe que o almofadinha fez apenas um dos seus mais belos prazeres da vida, proteger seu carro, não deixar que ninguém sequer encoste. O almofadinha é a síntese da construção social da publicidade do automóvel; a utopia da indústria automobilistica para a construção da mente.

O cliente, que mal havia notado o carro, olha para o veículo do almofadinha tentando encontrar uma Ferrari, mas tem uma grande surpresa:e é apenas um corsinha classic. Sim, um corsinha classic!!!

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